Universidade Nova de Lisboa
Relatório Final
Mestrado Integrado em
Medicina
Edna Darlene Rodrigues Pinto
Nº de aluno 2007120
6º Ano – Turma 5
2013/14
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Índice
A. INTRODUÇÃO ... 3
B. DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES ... 3
1. ESTÁGIO PARCELAR -PEDIATRIA ... 4
2. ESTÁGIO PARCELAR -GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA ... 4
3. ESTÁGIO PARCELAR -SAÚDE MENTAL ... 5
4. ESTÁGIO PARCELAR -MEDICINA GERAL E FAMILIAR ... 6
5. ESTÁGIO PARCELAR -MEDICINA INTERNA ... 7
6. ESTÁGIO PARCELAR –CIRURGIA ... 7
7. ESTÁGIO OPCIONAL -CSP EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ... 8
8. PREPARAÇÃO PARA A PRÁTICA CLÍNICA ... 9
C. REFLEXÃO CRÍTICA FINAL ... 9
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A. INTRODUÇÃO
O presente relatório pretende expor as actividades realizadas durante o estágio profissionalizante do 6º ano, de forma a permitir a sua avaliação global. Para tal, o relatório está organizado da seguinte forma: introdução, descrição das actividades, reflexão crítica e anexos.
Este estágio é constituído por 6 estágios parcelares, descritos de seguida, nos quais exerci actividade médica tutelada, cumpri os procedimentos administrativos associados e conheci e adaptei-me às dinâmicas dos serviços hospitalares e unidades extra-hospitalares.
Como ano de preparação para o ingresso na vida profissional, proponho como objectivos pessoais, melhorar as minhas capacidades de comunicação com os doentes, aumentar a autonomia na formulação de diagnósticos, propostas terapêuticas e abordagem multifactorial da pessoa doente, e melhorar a execução dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos mais frequentes. Os objectivos específicos de cada estágio parcelar serão descritos adiante.
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1. ESTÁGIO PARCELAR -PEDIATRIA
As minhas actividades decorreram na Unidade de Infecciologia, SU, Consulta de Imunodeficiências, Serviço de Imuno-Alergologia e Serviço de Pedopsiquiatria.
Os meus objectivos específicos foram melhorar a minha capacidade de relação com os pais e as crianças, de forma a realizar um exame físico adequado; conseguir avaliar a adequação do desenvolvimento e crescimento das crianças; distinguir os quadros clínicos mais frequentes e classificá-los consoante a sua gravidade e melhorar a minha compreensão dos esquemas terapêuticos de acordo com o peso e a idade.
Acompanhei várias crianças internadas e em contexto de consulta, às quais pude realizar uma anamnese sucinta, observação, propor diagnóstico e terapêutica, e elaborar notas de entrada e de alta e diário clínico. No contexto do SU pude avaliar o estado geral, identificar sinais e sintomas das patologias mais frequentes, e discutir o diagnóstico e terapêutica com o meu tutor. Pude comunicar com os familiares, aprendendo a forma mais adequada de fornecer as informações relevantes sobre a situação clínica e como lhes esclarecer eventuais dúvidas.
Na minha passagem pelos Serviços de Imuno-Alergologia e Pedopsiquiatria, conheci patologias mais específicas, para que no futuro, proceda à sua correcta referenciação.
Assisti a várias reuniões e sessões clínicas, aulas teórico-práticas e apresentei um trabalho intitulado “Pericardite Idiopática – A propósito de um caso clínico”.
2. ESTÁGIO PARCELAR -GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA
Nas primeiras duas semanas do estágio cumpri a rotina do Serviço de Ginecologia, estando presente na Unidade de Internamento de Ginecologia, na Consulta de Ginecologia Geral, nos exames ginecológicos (Histeroscopia e Colposcopia) e no Bloco Operatório. Nas duas últimas semanas estive presente no Serviço de Obstetrícia, acompanhando a minha tutora nas suas actividades: Consulta de DPN, Ecografia Obstrética, Enfermaria de Púerparas, Enfermaria de Grávidas, Consulta de Adolescentes e Consulta de Hipertensão. Frequentei semanalmente o SU de Ginecologia e Obstetrícia.
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As minhas metas a atingir neste estágio eram as seguintes: conhecer as patologias ginecológicas mais frequentes, a sua sintomatologia e abordagem e seus critérios de referenciação para a especialidade; contactar com os meios complementares de diagnóstico em ginecologia, para que no futuro os prescreva quando indicados; distinguir as situações de gravidez com necessidade de acompanhamento hospitalar; acompanhar a grávida desde o trabalho de parto até ao puerpério.
A minha passagem pelo Serviço de Ginecologia permitiu conhecer as patologias mais frequentes de acordo com a faixa etária da mulher, a sua apresentação, o seu eventual tratamento médico ou cirúrgico e o seu curso normal e prognóstico. No Serviço de Obstetrícia pude acompanhar grávidas sem patologia e perceber quais as etapas de vigilância de uma gravidez normal. Por outro lado pude contactar com grávidas que possuíam doenças de base e outras adquiridas durante a gravidez.
Assisti a várias sessões clínicas e reuniões de Serviço e apresentei um artigo de revisão intiulado “Diet and Endometriosis Risk: A literature review”.
3. ESTÁGIO PARCELAR -SAÚDE MENTAL
Nas duas primeiras semanas do estágio estive no Hospital de Dia, que incluiu a minha passagem pela Consulta Externa, Grupo Psicoterapêutico para Psicóticos e Intervenções Psicoterapêuticas pela Enfermagem. Nas duas últimas semanas acompanhei a rotina da Psiquiatria de Ligação que incluiu a Consulta Externa e observação de doentes internados nas várias enfermarias do HEM. Frequentei também o SU de Psiquiatria, no HSFX.
Pretendia que a minha passagem pela área psiquiátrica permitisse: solidificar o meu conhecimento das patologias psiquiátricas mais frequentes e respectiva apresentação clínica; melhorar a técnica de colheita de história clínica psiquiátrica e ganhar competências na identificação de sinais de alarme/risco, de forma a referenciar os doentes correctamente.
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Acompanhei doentes psiquiátricos que beneficiaram de um projecto psicoterapêutico caracterizado por um acompanhamento de proximidade, com treino nas relações inter-pessoais, com a discussão aberta das suas preocupações, entre outras abordagens.
Este estágio permitiu estar em contacto próximo com uma população estigmatizada, e perceber que existem doentes, que com o devido acompanhamento, conseguem atingir um grau de funcionalidade satisfatório e assim desempenhar o seu papel na sociedade.
Assisti ao seminário de introdução ao estágio parcelar de Saúde Mental, leccionado pelo Prof. Doutor Miguel Xavier, a reuniões e sessões clínicas e realizei uma história clínica a um doente com diagnóstico de Esquizofrenia Paranóide.
4. ESTÁGIO PARCELAR -MEDICINA GERAL E FAMILIAR
Este estágio foi dividido numa vertente rural, na USF Vale Sorraia, e na vertente urbana, na USF Venda Nova. Acompanhei as minhas tutoras nas várias actividades, nomeadamente, Consulta de Adultos, Agudos, HTA, DM, Cessação Tabágica, Saúde Infantil e Saúde Materna/Planeamento Familiar e SU.
As minhas expectativas relativamente a este estágio eram: familiarizar-me com a medicina baseada na evidência, com as NOC e com as limitações actuais do SNS; conhecer melhor o funcionamento do SAM; conhecer as várias vertentes dos CSP, no diagnóstico de patologias e eventual referenciação hospitalar, no seguimento de doenças crónicas e de populações especiais como grávidas e crianças e nos rastreios à população.
Considero que os CSP foram o local ideal para perceber quais são as dificuldades actuais do SNS, nomeadamente quanto à gestão da prescrição de meios complementares de diagnóstico, tempos de espera de referenciação para consultas hospitalares e cirurgias programadas.
Neste tipo de prestação de cuidados, existe um contacto mais próximo com os doentes, o que permitiu aumentar a minha sensibilidade para a importância dos problemas familiares, profissionais e económicos, que influenciam significativamente o bem-estar individual.
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5. ESTÁGIO PARCELAR -MEDICINA INTERNA
A minha actividade durante este estágio decorreu no Serviço de Medicina II do HEM e no SU HSFX.
Como metas a atingir defini: melhorar o meu conhecimento acerca dos doentes com múltiplas patologias, algumas em estadios avançados, necessitando de cuidados permanentes e multidisciplinares; identificar sinais de gravidade de uma patologia que impliquem o seu tratamento em regime de internamento; melhorar o domínio das terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas das doenças mais frequentes na enfermaria de forma a conseguir orientar autonomamente os regimes terapêuticos; e melhorar os meus conhecimentos de interpretação de exames complementares de diagnóstico.
Diariamente tinha um doente atribuído, realizando a sua observação, discussão da terapêutica, pedido de meios complementares de diagnóstico e respectivo plano terapêutico.
Durante este estágio pude contactar com os vários intervenientes da equipa de prestação e cuidados aos doentes internados, e acompanhar casos com grau e complexidade distintos, como o doente idoso com múltiplas patologias e o doente jovem com patologia infecciosa não complicada.
Assisti a várias sessões clínicas, leccionadas na faculdade e no HEM, às reuniões de discussão dos doentes internados e apresentei um trabalho intitulado "Obstipação em doentes idosos hospitalizados".
6. ESTÁGIO PARCELAR –CIRURGIA
No âmbito do estágio de cirurgia estive presente nas enfermarias do HBA, no Bloco Operatório e na consulta externa de Cirurgia Geral. A vertente de Gastroenterologia foi parte integrante deste estágio e durante duas semanas estive presente nas Consultas de Gastro-Geral e de Proctologia e nas salas de Endoscopia, Ecoendoscopia e CPRE.
Os meus objectivos para este estágio eram: identificar as síndromes cirúrgicas mais frequentes e classificá-los de acordo com a sua gravidade; sistematizar cuidados pré e pós operatórios
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inerentes às intervenções cirúrgicas; melhorar a técnica de execução de suturas e de realização de pensos e optimizar a minha técnica de assepsia e de procedimentos no Bloco Operatório.
No Departamento de Cirurgia participei em várias cirurgias como 2º ajudante, que permitiu melhorar os meus conhecimentos acerca da dinâmica característica do Bloco Operatório e acompanhei doentes no pós-operatório e respectivo seguimento na consulta externa. Pelo que estive presente nas várias etapas de tratamento da patologia cirúrgica, o que permitiu perceber que este não se resume exclusivamente à intervenção cirúrgica, sendo muito mais abrangente.
A minha passagem pela Gastrenterologia permitiu conhecer os cuidados de preparação para os vários meios complementares, e no futuro, quando os prescrever, estarei apta a prestar aos doentes os esclarecimentos necessários para a sua correcta execução.
Assisti a sessões teóricas e teórico práticas, e ao Mini-Congresso de Cirurgia, onde apresentei um trabalho intitulado “ Colangites de Repetição”.
7. ESTÁGIO OPCIONAL -CSP EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
De forma a proporcionar a oportunidade de conhecer outras áreas médicas não incluídas nos estágios parcelares, existe o estágio opcional, que no meu caso foi realizado nos CSP em São Tomé e Principe, no Distrito Sanitário de Lembá – Centro de Saúde de Neves e Posto de Saúde de Santa Catarina. O Centro de Saúde de Neves foi o local onde dispendi a maior parte do estágio, e era constituido por unidade de internamento, sala de
partos, maternidade, gabinetes de consulta, laboratório e farmácia. A actividade assistencial era igualmente partilhada por médicos e enfermeiros.
O principal objectivo deste estágio foi conhecer uma realidade tão distinta, perceber quais são as suas fragilidades e tentar encontrar soluções de cooperação para o futuro.
Tive oportunidade de conhecer uma realidade em que predomina a escassez de recursos, quer de meios complementares, quer de fármacos. A minha actividade consistiu na observação
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de doentes em contexto de internamento e em consulta, formulando diagnósticos baseados na história clínica e exame objectivo. Tendo em conta o distinto contexto epidemiológico, foi recorrente a consulta de referências bibliográficas de forma a compreender os quadros clínicos pouco frequentes no nosso país, como da febre tifóide, malária, parasitoses, entre outros.
Fui confrontada com o facto de existirem recursos sub-aproveitados. Desse modo, leccionei em conjunto com as minhas colegas, formações acerca da “Realização de ECG”, “Fluidoterapia” e “Cardiopatia Isquémica”, e fornecendo tabelas de prescrição de fármacos em Pediatria, de acordo com o peso e a idade. Auxiliámos os técnicos de laboratório no uso do microscópio para avaliação de esfregaços de sangue periférico, através da criação de um atlas ilustrativo.
O maior contributo deste estágio foi ao nível da autonomia, uma vez que, apesar de tutelada, a observação de doentes e respectivas decisões terâpeuticas foram realizadas individualmente. Inicialmente esta autonomia foi dominada pela insegurança, mas no fim deste desafio sinto que foi a transição ideal para a vida profissional que me aguarda daqui a poucos meses.
8. PREPARAÇÃO PARA A PRÁTICA CLÍNICA
Esta UC consistiu em vários seminários, quinzenais, com discussão de casos clínicos por várias especialidades, baseada num tema comum, por exemplo, doente com febre.
Permitiu uma abordagem teórica diferente da que estamos habituados, centrada no sintoma e não na doença. Essa particularidade é sem dúvida útil num ano em que o contacto com a realidade médica é centrada na apresentação dos quadros clínicos e respectiva resolução.
C. REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Este último ano, deste longo percurso do MIM, pretende aperfeiçoar os conhecimentos e práticas adquiridos em anos anteriores.
No ínicio desta etapa não imaginava conseguir obter tanta experiência, num curto espaço de dez meses. Certamente foi decisivo o acompanhamento por parte dos meus turores, sempre disponíveis e motivando-me para não desistir após uma falha.
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Inevitavelmente, há objectivos que não consegui atingir, nomeadamente, na área pediatrica, não consegui obter o pleno conhecimento na avaliação do desenvolvimento e crescimento das crianças, devido ao contacto breve em contexto de internamento, e pelo baixo número de crianças. Na área da Ginecologia/Obstetrícia senti que duas semanas não foram suficientes para conhecer as patologias ginecológicas mais frequentes e as várias vertentes de acompanhamento da Obstetrícia. Ao nível da área da Saúde Mental, considero que todos os objectivos foram atingidos, devido à total abertura da equipa do HEM, na integração das diversas actividades e no esclarecimento de dúvidas. Mais uma vez senti, em MGF, a limitação do tempo de estágio, duas semanas em cada vertente, rural e urbana, são um tempo escasso para os objectivos a que me propus, apesar de ter acompanhado a totalidade das actividades dos meus tutores. Mas mesmo assim senti que consegui completar os meus conhecimentos em Ginecologia e Pediatria, graças aos programas de Planeamento Familiar e Saúde Infantil. No estágio de Medicina Interna, não consegui obter o máximo proveito do SU, em virtude de alguns dos bancos serem partilhados por outros alunos do 6º ano e do 4º ano do HEM e consequentemente o ratio tutor/aluno não ser 1/1. Na minha passagem pela Cirurgia Geral não consegui melhorar tanto quanto queria a minha técnica de sutura, uma vez que não tive oportunidade de frequentar a Pequena Cirurgia, apenas suturei em contexto do Bloco Operatório.
As actividades científicas em que estive presente permitiram cimentar conhecimento que já tinha de anos anteriores, e obter novos conceitos mais práticos relativos às diversas patologias.
Apesar de não ter cumprido alguns dos objectivos a que me propus, considero que a grande parte foi superada. Desse modo, sinto que hoje estou mais capaz de iniciar a minha actividade como médica e cuidadora e que as aptidões que adquiri não se resumiram às científicas, mas também humanas e comportamentais.
Agradeço a todos os meus tutores e também à FCM por colocar à nossa disposição o leque de oportunidades de formação, em tão variados locais, e com assistentes que cumprem o seu papel de acompanhamento e orientação dos seus alunos.
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ANEXOS
1. Abreviaturas
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A
BREVIATURASCSP – Cuidados de Saúde Primários DM – Diabetes Mellitus
DPN - Diagnóstico Pré Natal ECG – Electrocardiograma
FCM – Faculdade de Ciências Médicas HBA – Hospital Beatriz Ângelo
HEM – Hospital Egas Moniz
HSFX – Hospital São Francisco Xavier HTA – Hipertensão Arterial
MGF – Medicina Geral e Familiar
MIM – Mestrado Integrado em Medicina NOC – Normas de Orientação Clínica SAM – Sistema de Apoio ao Médico SNS – Sistema Nacional de Saúde UC – Unidade Curricular