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Gestão de Logistica e Operações

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Academic year: 2021

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(1)GESTÃO. Antonio de Pádua Salmeron Ayres. de Logística e Operações. GESTÃO. Gestão. de Logística e Operações. de Logística e Operações. Fundação Bilblioteca Nacional ISBN 978-85-387-0202-3.

(2) 2009.

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(4) Antonio de Pádua Salmeron Ayres Antonio de Pádua Salmeron Ayres é Mestre e Doutor em Engenharia de Produção e graduado em Administração, com pós-graduação lato sensu em Economia de Empresas. Acumula mais de 30 anos em gestão empresarial, notadamente em Logística, Produção e Operações e Planejamento Estratégico, tendo passado por diversas organizações de expressiva representatividade no cenário nacional e internacional, como Caterpillar, Grupo Arcor (Argentina), Fleischmann & Royal (Nabisco), Singer, Philips, dentre outras. Atualmente é CEO da Engedep, empresa metalúrgica no setor manufatureiro de equipamentos industriais. Atua há mais de 25 anos como coordenador e/ou docente em cursos de pós-graduação lato sensu e MBAs, vinculado a diversas instituições de Ensino: Unimep, Unisal, FGV e FAE. Consultor de empresas desde 1988, é sóciofundador da Logismática, empresa de consultoria e treinamento em Logística e Planejamento Estratégico..

(5) ário. sumário sumário. Administração da produção e operações. 13. 17 | O processo produtivo numa organização: inputs, transformação e outputs 21 | A função produção nas organizações 22 | Responsabilidades da administração da produção 26 | Tipologia da produção 27 | A administração da produção como ferramenta de competitividade. Projeto em gestão da produção em produtos e serviços. 39. 40 | Projeto de produtos e serviços 46 | Planejamento e projeto de processos 51 | Relacionamento entre projeto de produtos, projeto de processos e gestão de estoques 52 | Controle de projetos. Projeto da rede de operações produtivas. 63. 63 | Planejamento e controle de operações com foco em produtividade, qualidade e confiabilidade 66 | Trabalho em equipe, produtividade e empowerment. Gestão de estoques. 83. 83 | Breve evolução histórica da gestão de estoques 84 | Gestão de estoques no contexto da cadeia de suprimentos 86 | Os estoques e as implicações no resultado financeiro das organizações 88 | Os estoques no cenário empresarial industrial 91 | Os estoques no comércio varejista, atacadista e distribuidor 92 | Estoques de peças de reposição, manutenção e apoio operacional 93 | Práticas usuais em gestão de estoques.

(6) Gestão da qualidade. 113. 113 | Natureza e dimensões da qualidade 117 | Determinantes da qualidade 118 | Custos da qualidade 120 | Padrões e referências da qualidade 124 | Gestão da qualidade total, benchmarking e melhoramento contínuo 126 | Qualidade ao longo da cadeia de suprimentos 128 | Filosofia 6 Sigma como meio para atingir altos padrões de qualidade. Gestão da capacidade. 141. 142 | Definições e medições da capacidade de produção 143 | Estudo da demanda 149 | Decisões sobre o planejamento e controle da capacidade 151 | Estudo de localização de instalações. Gestão de compras e terceirização. 165. 165 | Fundamentos de compras 170 | Compras e o processo de desenvolvimento de fornecedores 173 | Critérios para escolha de fornecedores 174 | Decisões make or buy e o processo de outsourcing.

(7) ário. sumário sumário. Características das operações em serviços. 193. 195 | Definição de serviços e a importância das operações logísticas na oferta de produtos e serviços 197 | Agregação de serviços a produtos como fator de diferenciação e competitividade 200 | Tipologia das operações em serviços. Integração das operações logísticas. 215. 215 | Macroatividades da Logística 216 | Barreiras à integração interna 218 | Logística integrada 221 | Objetivos operacionais 224 | Integrando a Logística nas organizações: principais práticas 228 | Considerações finais. Recursos logísticos. 233. 233 | Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC) 235 | Previsões 237 | Políticas e gestão de estoques 238 | Transportes – infraestrutura e gestão 241 | Dimensionamento e gestão de depósitos.

(8) Gestão da Logística empresarial. 259. 261 | O desenvolvimento organizacional da Logística 262 | A Logística de abastecimento, a de distribuição e a de manufatura 264 | Agregação de valor em Logística empresarial 267 | Atividades primárias e de apoio da Logística empresarial: custos X valor agregado 269 | Logística empresarial como vantagem competitiva. Logística reversa. 283. 284 | Logística verde e o supply chain reverso 291 | Processo de reversão nos processos logísticos 294 | Administração de custos 295 | Interface entre administração da produção, marketing e operações logísticas. Gabarito. 305. Referências. 311.

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(10) Apresentação. Gestão de Logística e Operações. O livro Gestão de Logística e Operações foi escrito de maneira a proporcionar ao estudante e leitor conhecimentos atualizados acerca dessa vasta área do mundo organizacional contemporâneo, com abordagem holística ao longo da cadeia de suprimentos. Os 12 capítulos que compõem a presente publicação têm como objetivo possibilitar, desde a conceituação de Logística, Produção (tradicionalmente relacionada à transformação de tangíveis) e de Operações (termo relacionado à produção de serviços) até abordagens sinérgicas de suas principais funções, permitindo ao leitor e estudante contatos valiosos com ferramentas úteis para melhorar substancialmente o desempenho de organizações interessadas em aumentar e manter competitividade, através de um texto claro e objetivo, caracterizado por oferecer um roteiro lógico ao longo das atividades relacionadas à Logística e Operações, seja por abordagens operacionais como nas de cunho estratégico, com aplicabilidade a uma substancial variedade de organizações, seja no âmbito empresarial ou não. Nos primeiros capítulos serão apresentados conceitos e práticas utilizadas basicamente, na concepção e planejamento de empreendimentos. Os capítulos seguintes são dedicados a abordarem de áreas importantes de suporte à elaboração e à execução de planos no contexto da Gestão de Logística e Operações. Nos capítulos finais são apresentadas e discutidas formas de se buscar o inter-relacionamento das funções e práticas apresentadas nos capítulos anteriores, sempre com foco no resultado sinérgico de ações numa organização,.

(11) Gestão de Logística e Operações. através de redução de tempos de atendimento, minimização de recursos e maximização de resultados, possibilitando aumentar e manter elevados padrões de competitividade. Ao final de cada capítulo são oferecidos ao leitor textos complementares que incluem subsídios adicionais e de natureza prática e objetiva. Adicionalmente, nas “Atividades de aplicação”, o leitor poderá efetuar uma breve autoavaliação de sua aprendizagem a cada capítulo estudado..

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(14) Administração da produção e operações. Por administração, numa abordagem tradicionalista, entendem-se todos os esforços relativos ao planejamento, organização, direção e controle de um evento. Já o termo produção relaciona-se às atividades de conversão de matérias-primas e outros insumos em produtos, envolvendo agregação de valor. Por conseguinte, administração da produção tem como responsabilidade todas as atividades relacionadas ao planejamento, organização, direção e controle dos processos de produção, ou seja, da conversão de insumos em produtos, seja no estado de apresentação final como em estágios intermediários, conhecidos também como semimanufaturados ou subconjuntos. Numa visão mais simplificada, pode-se dizer que “A administração da produção trata da maneira pela qual as organizações produzem bens e serviços” (SLACK et al., 1997, p. 30). O setor de serviços emprega mais pessoas e gera maior parcela do produto interno bruto na maioria das nações do mundo. Dessa forma, passou-se a dar ao fornecimento de serviço uma abordagem semelhante à dada à fabricação de bens tangíveis. Foram incorporadas praticamente todas as técnicas até então usadas pela engenharia industrial. Houve, pois, uma ampliação do conceito de produção, que passou a incorporar os serviços (MARTINS, 1998, p. 4). Mais recentemente essa área de estudos vem se caracterizando pela grande oportunidade de se agregar valor ao longo da cadeia de suprimentos. “Uma melhor administração das operações de uma empresa pode agregar valor à empresa ao melhorar sua competitividade e lucratividade em longo prazo.” “Administração da produção e operações (APO) é a administração do sistema de produção de uma organização, que transforma os insumos nos produtos e serviços da organização” (GAITHER; FRAZIER, 2002, p.5).. No dia-a-dia dos consumidores, todos os artigos efetivamente utilizados ou consumidos, como alimentos, artigos de vestuário, mobiliário, veículos, bem como todos os serviços usufruídos, como consultas médicas, atendimento num restaurante ou loja de conveniência ou de autosserviço, passando por postos de combustível, oficinas mecânicas, lavanderia, hotéis e companhias de transporte em todos os modais são disponibilizados após terem sido produzidos, como fruto de trabalho podendo envolver muitas pessoas, muitas organizações, e, em algumas situações, tempos bastante consideráveis..

(15) Gestão de Logística e Operações. A função produção tem a idade da humanidade. Desde os primórdios de civilizações já extintas há indícios do direcionamento de esforços visando a transformação de insumos em produtos e a disponibilização de serviços: vestígios de civilizações astecas e maias nos proporcionam acesso a utensílios produzidos visando finalidades específicas; alguns trechos de rodovias e ferrovias europeias estão ainda hoje edificadas em traçados herdados do império romano. E a muralha da China, uma das poucas construções humanas em nosso planeta passível de ser vista da Lua, também evidencia a existência de muitos esforços para a produção de produtos e serviços num passado bastante distante. Segundo Gaither e Frazier (2002, p. 7) “Os sistemas de produção anteriores a 1700 muitas vezes são chamados de sistemas caseiros, porque a produção dava-se nas casas ou cabanas, onde os artesãos orientavam aprendizes a executarem trabalho manual nos produtos”. Fato relevante ocorreu na Inglaterra nos idos de 1700, a chamada Revolução Industrial, a partir de dois elementos muito importantes: a substituição da força humana/braçal pela mecanização e a formatação do que conhecemos hoje como sistema fabril. Dessa época até nossos dias, uma quantidade impressionante e crescente de fatos vem potencializando as ações das organizações no sentido de valorizar a cada dia os meios de produção, buscando formas de se atingir e manter padrões de produtividade e desempenho em todos os processos produtivos. Na realidade da organização atual, observa-se facilmente a grande evolução nas práticas produtivas da Antiguidade: novas técnicas produtivas aliadas a tecnologias, desenvolvimento de competências em profissionais e organizações em sintonia com os desafios de competitividade crescentes em todos os ramos de atividade. Ao longo do presente capítulo serão apresentados vários conceitos e práticas no contexto da “administração da produção” a partir de uma organização empresarial hipotética, produtora de peru temperado. Ao se comprar um simples peru temperado para a preparação de uma refeição festiva no final do ano, por exemplo, dificilmente o consumidor pensa em todo o processo de produção desse artigo. Na realidade, o processo produtivo pode ter se iniciado meses antes do momento da efetiva aquisição na loja de autosserviço (“supermercado”), desde a produção de um ovo devidamente fertilizado, programado para ser chocado por cerca de 14.

(16) Administração da produção e operações. três semanas para somente então estar disponível uma ave recém-nascida, a ser submetida ao processo de engorda (geralmente executada por terceiros), até o ponto ideal de abate, sem consumir ração em demasia para não comprometer a rentabilidade do negócio. No processo produtivo de aves é absolutamente comum a determinação da data para o abate com grande precisão, a partir da eclosão dos ovos. Esse rigoroso planejamento tem como objetivo evitar dispêndio com ração e outros nutrientes, além do absolutamente necessário para a maximização de resultados em cada ave integrante do processo de engorda. Na data do abate, determinada meses antes de sua ocorrência, busca-se atingir a máxima “taxa de conversão”, que consiste na capacidade de cada ave converter em peso vivo a maior quantidade de ração e nutrientes ingeridos. Se não for abatido na data correta e continuar consumindo alimentos não conseguirá agregar peso compatível com a quantidade ingerida, reduzindo a rentabilidade do negócio. A data do abate precisa estar sincronizada com o processo de engorda e consequentemente com a data da produção do ovo fertilizado. De mesma forma, precisa estar sincronizada com a data estimada para a comercialização do produto final (peru temperado), geralmente nas últimas semanas do ano, por tratar-se de um produto com demanda sazonal. Como se pode observar no exemplo onde figura o peru temperado como produto de consumo, muito antes do nosso artigo em análise estar disponível numa loja de autosserviço ao alcance dos consumidores, várias organizações participaram dos processos produtivos, a começar por empresas detentoras de tecnologia de ponta para a seleção de matrizes1 mais adequadas, muitas vezes submetidas a processos complexos de melhoramento genético com objetivo de se obter maior produtividade, envolvendo a supressão de riscos com doenças e incluindo maiores taxas de conversão, como já detalhado. Depois de produzidos, os ovos são submetidos a um processo seletivo, novamente com o objetivo de evitar a agregação de valor em ovos fora dos padrões de qualidade genética, previamente estipulados. Aos ovos selecionados cabe o destino de serem submetidos às chocadeiras elétricas durante aproximadamente três semanas, para possibilitar à ave, com um dia de vida nova submissão a outro processo seletivo, onde somente serão encaminhados ao processo de crescimento e engorda os indivíduos saudáveis e dentro de padrões predeterminados. O crescimento e engorda é comumente confiado a terceiros, sob acompanhamento do produtor do produto final, geralmente responsável pela determinação das especifica15. 1. No segmento de produção de aves, entende-se por “matrizes” as aves das quais serão originados os ovos a serem convertidos em futuros produtos de consumo..

(17) Gestão de Logística e Operações. ções técnicas da ração e demais nutrientes e medicamentos administrados durante a curta vida das aves. Nessa etapa do processo produtivo existe a participação de muitas organizações no fornecimento de insumos, como rações, medicamentos, vacinas, vitaminas e outros artigos utilizados durante o crescimento e engorda: equipamentos de aquecimento ou refrigeração, conforme a necessidade, ventilação, iluminação etc. Durante todo o processo de crescimento e engorda uma equipe especializada monitora o desempenho de cada lote de aves, comparando os padrões de desenvolvimento efetivamente alcançados com padrões de referência. No caso da identificação de algum desvio, ações podem ser tomadas a tempo para corrigir os resultados, conduzindo-os aos padrões desejados. Ao final do período de crescimento e engorda, as aves são transportadas até o abatedouro (geralmente de responsabilidade do produtor do peru temperado), são processadas, higienizadas, temperadas, embaladas e refrigeradas ou congeladas, conforme a expectativa de tempo para comercialização. Somente depois de todo o processo os perus temperados vão cumprir a cadeia de distribuição até chegarem aos pontos-de-venda onde os consumidores poderão comprá-los. Evidentemente, durante o abate e processamento da ave, outras empresas participam do processo produtivo, como os fabricantes dos temperos e condimentos utilizados, artigos de higienização, embalagens flexíveis, grampos, lacres, rótulos, publicações com sugestões de receitas e eventualmente artigos promocionais utilizados como coadjuvantes na sedução de clientes e consumidores. Através da exploração desse exemplo, aparentemente trivial, podem-se destacar importantes elementos presentes em todos os processos produtivos: os inputs, os processos produtivos propriamente ditos e os outputs. Há uma diferença sutil entre “clientes” e “consumidores”, embora os termos sejam muitas vezes utilizados quase como sinônimos. Cliente pode ser visto como alguém ou uma organização que já tenha comprado determinado produto (ou serviço). Já consumidor constitui alguém ou uma organização que efetivamente consuma o produto ou serviço, na sua forma final. No exemplo explorado, um “cliente” do fabricante do peru temperado pode ser uma rede de lojas de autosserviços ou um distribuidor de alimentos. Já “consumidor” será a pessoa que degustará a ave depois de devidamente preparada. Finalizando essa abordagem inicial e abrangente da área de estudos, destacam-se diversos fatores relacionados à constante e crescente valorização 16.

(18) Administração da produção e operações. da administração da produção, como a realidade e irreversibilidade da competição global, os desafios da qualidade, envolvendo a agregação de serviços cada vez mais atrelados ao fornecimento de produtos, o rápido desenvolvimento tecnológico e a sua disseminação a todo o planeta praticamente online, a tendência da escassez de recursos de produção e questões relacionadas à gestão ambiental e, mais recentemente, à responsabilidade social. Todos esses fatores, especialmente se combinados, estimulam as organizações a buscarem subsídios valiosos na gestão da produção para tentar melhorar os padrões de desempenho sem poder majorar custos, afinal, o preço que o mercado está disposto a pagar por produtos e serviços tende a ser reduzido gradualmente, tornando a sobrevivência no mercado cada vez mais uma questão de competência e criatividade.. O processo produtivo numa organização: inputs, transformação e outputs Por inputs entendem-se todas as entradas do processo produtivo: matérias-primas, energias requeridas, tecnologias, força de trabalho, dentre outros insumos. Atividades de transformação envolvem todo o processo produtivo onde efetivamente ocorrem transformações físicas nos materiais em processo. Finalmente, os outputs significam as saídas do processo produtivo, como produtos acabados e resíduos. Se continuarmos explorando o exemplo da produção de perus temperados, imaginemos a empresa responsável pelo processamento e comercialização das aves como sendo o principal ambiente de transformação onde nosso produto será preparado para atender às necessidades da demanda. Essa empresa não produziu todos os insumos necessários para a obtenção do produto final sozinha: ela precisou da colaboração de outras empresas, detentoras de competências bem distintas, desde tecnologia para obtenção de melhoramento genético até domínio de microbiologia para a produção de artigos de higienização, passando por fabricantes de embalagens, temperos e condimentos, transportadores etc. Todas essas empresas participantes do processo produtivo do peru temperado estão inseridas na cadeia de suprimentos desse produto. Portanto, o fluxo de agregação de valor está intimamente relacionado com a interação entre empresas na chamada cadeia de suprimentos, ou cadeia de abastecimento. Grande parte das cadeias de suprimento surge na exploração de insumos oferecidos pelos três reinos da natureza: animal, vegetal e mineral. No nosso 17.

(19) Gestão de Logística e Operações. exemplo, do reino animal foram extraídas as matrizes e os ovos, do reino mineral as matérias-primas derivadas do petróleo para a confecção das embalagens flexíveis, e do reino vegetal os ingredientes para o processamento de temperos, além de boa parte dos insumos necessários para a preparação das rações responsáveis pelo crescimento e engorda das aves.. Os inputs ou entradas para o processo produtivo A empresa responsável pelo processamento do produto final contou com inúmeros inputs (ou entradas) no seu processo produtivo: os serviços de crescimento e engorda executados por empresas especializadas, artigos de higienização, embalagens e materiais promocionais adquiridos de terceiros, energia elétrica, água, mão-de-obra direta e indireta, domínio de tecnologias e conhecimentos inerentes ao processo produtivo, dentre outras. Consideram-se inputs todos os recursos a serem transformados, como materiais (tangíveis), bem como as informações oriundas do mercado, importante fator balizador de ações produtivas (como o ajuste em temperos para agradar à maior parte dos consumidores, por exemplo). Constituem inputs, ainda, as instalações, a mão-de-obra direta e indireta e todos os recursos de transformação (máquinas, equipamentos, instalações, prédios, pátios, tecnologias, conhecimentos e demais competências, bem como o capital).. Transformação: ambiente onde ocorre o processo produtivo Os inputs alimentam, portanto, o processo produtivo verificado no ambiente da empresa em foco, no nosso exemplo, voltada ao processamento e comercialização de peru temperado. Esse ambiente empresarial geralmente conta com um projeto do processo produtivo, devidamente estipulado previamente, ou seja, o “desenho” de todo o processo a que determinado produto vai ser submetido. No nosso caso, o processo envolve fases distintas, como a recepção das aves em ponto de corte, o abate, o esvisceramento e a depenagem, a complementação da higienização, a agregação do tempero, a embalagem e a refrigeração ou o congelamento. Todas as etapas do processo produtivo devem ser devidamente planejadas e controladas, visando a maximização na utilização de tais recursos. A não utilização integral desses recursos geraria custos desnecessários 18.

(20) Administração da produção e operações. (capacidade não aproveitada) e a tentativa de se processar mais aves do que a capacidade instalada geraria traumatismos ao processo, provavelmente com acúmulo de material em processo e risco de se aumentar os tempos de processamento, com prejuízos potenciais à vista. É imprescindível o foco das organizações nas atividades de planejamento e controle, pela grande relevância dessas tarefas no êxito de qualquer organização voltada à produção de produtos ou serviços. O planejamento é de extrema importância por significar, na realidade, um exercício de visualização do futuro e, como tal, permitir ao gestor a antevisão de dificuldades. Já o controle é de vital importância por ser a forma de se observar se os destinos traçados pelas atividades de planejamento estão sendo efetivamente cumpridos. Quando durante as atividades de controle se observam divergências entre o planejado e o efetivamente realizado, deve-se considerar tal constatação como um alerta para a revisão do planejamento ou verificação da efetividade dos meios de produção, afinal, o que fora planejado não está efetivamente sendo cumprido. Outro elemento importante no âmbito do ambiente das organizações é a preocupação com o melhoramento contínuo. Em tempos de globalização e em cenários altamente competitivos, a busca por melhores padrões de desempenho e pela superação dos padrões já alcançados podem ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma organização, seja ela empresarial ou não. Melhoramento contínuo é um assunto bastante explorado no âmbito acadêmico e organizacional contemporâneo. Basicamente a valorização dessa filosofia tem origem em países orientais, onde surgiu a prática conhecida como kaizen, na qual determinado padrão de desempenho deve ser continuamente desafiado a ser melhorado, mesmo que tal melhoria seja pequena, porém, consistente: hoje um pouco melhor do que ontem e amanhã um pouco melhor do que hoje. Finalizando os elementos mais importantes no ambiente produtivo e emoldurando o projeto, as atividades de planejamento e controle e o melhoramento contínuo, temos a estratégia de produção. Estratégia é uma palavra constantemente utilizada, mas geralmente difícil de ser definida. Em um contexto prático, Slack explica Algo que assumimos quando uma organização articula sua “estratégia” é que ela fará um conjunto de coisas em vez de outro – que ela tomou decisões que comprometem a organização com um conjunto específico de ações. A primeira coisa sobre estratégia, portanto, é que ela é um compromisso com a ação. (SLACK et al., 1997, p. 89) 19.

(21) Gestão de Logística e Operações. No dia-a-dia de uma organização, seus gestores tomam muitas decisões, mas nem todas têm cunho efetivamente estratégico. As decisões estratégicas são as que “têm efeito abrangente e por isso são significativas na parte da organização à qual a estratégia se refere; definem a posição da organização relativamente a seu ambiente; aproximam a organização de seus objetivos de longo prazo.” (SLACK et al., 1997, p. 89).. Os outputs ou saídas do processo produtivo Os outputs ou saídas do processo produtivo são constituídos, basicamente, por produtos (bens tangíveis, palpáveis, dimensionáveis facilmente) ou serviços (intangíveis, subjetivos, de difícil mensuração). No caso do exemplo em apresentação (peru temperado), as saídas do processo produtivo constituem o produto em si, disponível nos pontos-de- venda, e o serviço através do qual foi possível ao consumidor encontrar o produto no local de sua conveniência, afinal, de nada valeria para o consumidor final a existência do peru temperado disponível somente na empresa fabricante. Pode haver, ainda, outras saídas do processo produtivo, sem caracterizar, necessariamente, o objetivo principal da organização produtora ou dos demais integrantes na cadeia de transformação, como subprodutos ou até sucatas, sejam elas servíveis ou inservíveis. No nosso exemplo, como subprodutos, teríamos penas das aves, comercializadas para empresas fabricantes de travesseiros e acolchoados mediante rápida e sucinta agregação de valor na higienização e separação de materiais orgânicos; as vísceras, pois são vendidas no ramo da aquicultura, para fazendas de criação de peixes e crustáceos. Nos fornecedores de serviços de crescimento e engorda, as fezes das aves acumuladas durante o período em que lá permaneceram constituem também um subproduto do processo produtivo, pois, geralmente misturadas à serragem, formam a chamada “cama”, comercializada com produtores rurais como excelente adubo orgânico. Finalmente, são consideradas saídas ou outputs do processo alguns fatores decorrentes da disponibilização de produtos e serviços, como qualidade, preço, prazo e confiabilidade, por serem atributos oferecidos aos clientes, diretamente relacionados com os produtos e serviços ofertados. Como forma de valorizar a oferta de bens tangíveis, a agregação de serviços a produtos é considerada uma tendência irreversível. É cada vez mais 20.

(22) Administração da produção e operações. frequente a situação na qual os produtos alavancam a venda de serviços, como garantias, serviço técnico, manutenção e prospecção de aplicações. Num raciocínio inverso, a oferta de serviços atrelada aos produtos vem se constituindo um importante diferencial na decisão do cliente sobre a escolha do produto. É o caso, por exemplo, da escolha por um determinado veículo, envolvendo marca e modelo: muitos consumidores tendem a optar por fabricantes que ofereçam uma boa rede de concessionárias, de maneira a facilitar a aquisição de serviços de manutenção, reposição de peças e outros serviços atrelados à posse do veículo escolhido.. A função produção nas organizações A função produção é constantemente vista como o foco central das organizações, afinal, constitui na razão de sua existência. De que adiantariam os esforços das áreas de Vendas e Marketing se não houver produtos a serem comercializados? E as estratégias e práticas em Recursos Humanos ou em Tecnologia de Informações, sem produto definido? Apesar dessas considerações, a função produção é normalmente encontrada vinculada a outras funções organizacionais, mesmo sendo a função central. Esse raciocínio também é plenamente aplicável quando focaliza-se a prestação de serviços. Nesse caso, a “produção” deixa de assumir características tangíveis para tornar-se intangível. A maioria dos autores utiliza o termo “operações” para referirem-se à “produção” e serviços. Em termos de papéis fundamentais exercidos numa organização, as demais funções podem ser divididas em três categorias: a função marketing, a função contábil financeira e a função desenvolvimento de produtos e serviços. Adicionalmente, destacam-se as funções de apoio, tendo como foco a função produção: a função recursos humanos, a função compras e a função engenharia / suporte técnico (SLACK et al., 1997, p. 34. Adaptado.). Evidentemente, a denominação das áreas pode ser diferente em cada organização, assim como a relação de dependência entre cada uma das funções com relação à função produção, em função das peculiaridades em cada segmento de mercado: numa organização dependente de tecnologia de ponta, a função recursos humanos tende a ser muito mais exigida se compararmos a outra organização onde se utilizem tecnologias já de domínio público. O processo produtivo de uma organização manufatureira é muito mais dependente da função compras (pela dependência de insumos fornecidos 21.

(23) Gestão de Logística e Operações. por terceiros) quando comparada a uma outra organização no segmento de serviços, por exemplo, uma clínica médica, onde praticamente não há dependência de insumos tangíveis fornecidos por terceiros. A atividade produtiva normalmente, ainda, figura como o centro das estratégias organizacionais concebidas com o objetivo de potencializar resultados, ainda que sejam muitas as iniciativas no sentido de se conceberem estratégias especificamente voltadas para atividades de apoio.. Responsabilidades da administração da produção Os gestores na área de produção acumulam responsabilidades por tarefas relacionadas direta ou indiretamente com a produção de bens e serviços. Antes de detalhar sucintamente a questão da responsabilidade da administração da produção, algumas ocorrências recentes no mercado internacional são dignas de menção. Identifica-se uma tendência nas organizações líderes em seus mercados ou principalmente as interessadas em conquistar tal liderança, no sentido de sagrarem-se world class enterprises, ou empresas de classe mundial. Os padrões de desempenho que diferenciam as empresas de classe mundial das demais passam intimamente pela administração da produção. Segundo Gaither e Frazier (2002, p. 50), “Os fabricantes de classe mundial se distinguem ao desenvolver estratégias de negócios e de operações para captar crescentes fatias de mercados globais”. Valorizando ainda mais a busca pela conquista e manutenção de elevados padrões de desempenho, já se proliferam há alguns anos na América Latina organizações especializadas em certificar empresas detentoras de padrões de desempenho compatíveis com as empresas de classe mundial. Vale ressaltar que uma “empresa de classe mundial” não é, necessariamente, o maior e mais eficaz provedor mundial de determinado produto ou serviço. O conceito não é esse. Por “empresa de classe mundial” deve-se entender uma organização detentora de um padrão de desempenho compatível com as melhores do mundo. De maneira muito peculiar, as organizações detentoras do reconhecimento como sendo de “classe mundial” colocam os clientes em primeiro lugar, sendo muito receptivas às necessidades deles. Desenvolvem continuamente habilidades no sentido de manter o mercado abastecido de novos produtos e serviços, mesmo antes de solicitações 22.

(24) Administração da produção e operações. pontuais dos clientes e consumidores. Operam num ambiente de qualidade total (TQM – Total Quality Management) e são reconhecidos pelo mercado pelo diferencial de qualidade proporcionado. São muito competitivas, com alta produtividade de mão-de-obra e, consequentemente, baixos custos operacionais, frequentemente superando competidores em termos de competitividade. Mantêm volumes de estoques considerados baixos e, via de regra, tendem a fazer negócios com aquisição de insumos e venda de produtos em âmbito global. Absorvem ou desenvolvem novas tecnologias com grande agilidade, surpreendendo concorrentes e até clientes e consumidores. Exercitam continuamente o foco em processos produtivos, mantendo a estrutura organizacional enxuta altamente flexível e veloz, em termos de capacidade de reação face à mudanças no mercado cliente. Altamente favoráveis ao estabelecimento de aliança estratégicas e joint ventures para explorar oportunidades diversas, notadamente preocupam-se com questões sociais e ambientais, sempre buscando relacionamento coeso com o mercado-alvo, comunidades e acionistas.. Responsabilidades diretas da administração da produção São consideradas responsabilidades diretas da administração da produção ou de seus gestores o entendimento dos objetivos estratégicos da produção, o desenvolvimento de estratégias de produção, a concepção de projetos de produtos, serviços e os processos de produção, o planejamento e controle da produção e a melhoria do desempenho da produção. O adequado entendimento dos objetivos estratégicos da produção envolve tarefas relacionadas ao domínio das circunstâncias que levam as organizações a conceberem e implementarem estratégias visando ao atendimento das necessidades de cada segmento de mercado aos quais se destinam produtos e serviços oferecidos. O desenvolvimento de estratégias de produção envolve os meios através dos quais as ações são tomadas pelas organizações no sentido de canalizarem recursos com vista ao atendimento das necessidades (demandas). A concepção de projetos de produtos, serviços e processos de produção consiste na criação de bens tangíveis e intangíveis de forma a apresentarem-se sintonizados com as necessidades dos consumidores, bem como na 23.

(25) Gestão de Logística e Operações. determinação dos processos através dos quais as necessidades serão atendidas. Essa é uma das responsabilidades diretas da administração da produção, mesmo havendo participação de outras áreas da organização, como, por exemplo, marketing, engenharia do produto e engenharia de processos. Já o Planejamento e Controle da Produção (PCP) – como é mencionado frequentemente nos cenários acadêmicos e organizacionais –, consiste nas atividades de se antever necessidades relacionadas aos recursos de produção e, posteriormente, aferir se o objeto do planejamento está sendo efetivamente cumprido (controle). Planejamento2 e controle constituem preocupações constantes do gestor de produção, no sentido de melhor se prever as necessidades e, num segundo momento, de se ter garantia do cumprimento operacional dos aspectos anteriormente planejados. Cumpre ressaltar que o PCP não é necessariamente um “sistema informatizado”. Os sistemas informatizados (softwares) podem ser utilizados quando se deseja automatizar o processo de planejamento; geralmente quando o volume de informações a serem manipuladas for muito grande ou quando se deseja alto grau de confiabilidade ou de rapidez no processamento das informações.. 2 Todas as atividades de planejamento podem ser vistas como exercícios de antevisão do futuro.. Na produção de produtos tangíveis em série normalmente utiliza-se como base para o planejamento das quantidades de insumos a serem consumidos uma previsão dependente de uma demanda inicialmente prevista. É a chamada “produção empurrada”, pois, a partir do dimensionamento de tais volumes, a produção é realizada “empurrando-se” as quantidades para os estágios posteriores, até a disponibilização dos produtos nos pontos-de-venda. Como exemplo, temos todos os artigos encontrados em lojas de autosserviço, cuja produção foi planejada independentemente do compromisso de compra de cada cliente. Contracenando com essa modalidade de produção verifica-se a produção “puxada”, realizada somente a partir do compromisso de compra de determinado cliente. Como principal balizador da produção “puxada” considera-se a filosofia Just-in-Time, fundamentada em dois princípios fundamentais: o melhoramento contínuo e a redução de desperdícios. Originária no Japão, a filosofia Just-in-Time é considerada a principal base do chamado milagre japonês, forma criada pelo empresariado daquele país para tornar produtos mais competitivos, evitando dispêndios com formação de estoques desnecessários ao longo dos processos produtivos. Finalmente, a melhoria do desempenho da produção consiste em se buscar e se adotar, interminavelmente, os melhores padrões de desempenho. 24.

(26) Administração da produção e operações. possíveis, como forma de atingir e manter competitividade, característica sempre valiosa para as organizações, especialmente quando se trabalha em cenários competitivos, com muitos produtos ou serviços disputando a preferência de clientes.. Responsabilidades indiretas da administração da produção Complementando as responsabilidades diretas da administração da produção, enumeram-se as reconhecidas responsabilidades indiretas, como informar outras funções sobre as oportunidades e restrições, discutir com outras funções as modificações de planos de produção e encorajar outras funções a dar sugestões para melhorar a produção. Informar outras funções sobre as oportunidades e restrições consiste na interação com outras áreas da organização e eventualmente envolvendo fornecedores e subfornecedores no sentido de se prevenir ou contornar dificuldades advindas de limitações do processo produtivo. Numa organização onde a demanda por determinado produto seja, subitamente, maior do que a capacidade de atendimento, poderá haver a possibilidade de se contratar terceiros para o fornecimento de produtos semimanufaturados, numa tentativa de se atender à demanda contando com recursos externos, sem causar impactos no grau de satisfação dos clientes. Discutir com outras funções as modificações de planos de produção consiste em buscar alternativas diante de dificuldades operacionais relacionadas ao atendimento de volumes ou compromissos já assumidos com o mercado cliente. Como exemplo, pode-se buscar insumos alternativos diante de eventual falta de um produto ou componente inicialmente previsto (envolvendo a função relativa ao abastecimento de insumos) ou, ainda, a identificação de um processo de produção alternativo ao inicialmente planejado, como forma de se solucionar uma dificuldade imprevista no processo (envolvendo a participação da engenharia de processos). Finalmente, encorajar outras funções a dar sugestões para melhorar a produção é parte integrante do processo de melhoramento contínuo e tem como objetivo, além da solução de eventual dificuldade operacional, a busca de contribuições criativas visando potencializarem os resultados da função produção.. 25.

(27) Gestão de Logística e Operações. Tipologia da produção A maioria dos autores divide a tipologia de produção: em duas categorias: produção para estoque e produção sob encomenda. Mais recentemente tem se observado uma classificação mais detalhada, conforme detalhado a seguir:  MTS ou Make to Stock – produção para estoque, onde todos os riscos advindos do processo produtivo são assumidos exclusivamente pelo fabricante ou produtor: investimentos em processos e insumos, projetos, riscos de obsolescência. Como exemplo temos todos os produtos encontrados prontos no mercado, à disposição do consumidor, geralmente produtos de consumo, como vestuário, alimentos, utilidades domésticas e artigos de higiene pessoal. Normalmente tratam-se de produtos com altíssima disponibilidade, ou seja, os produtores encarregam-se de produzir mediante expectativas de venda e disponibilizar os produtos ao alcance dos consumidores.  MTO ou Make to Order – produção mediante pedido (ou sob encomenda), onde o processo produtivo somente tem início a partir de compromisso de compra de determinado cliente ou consumidor, embora o projeto do produto já esteja previamente concebido pelo produtor. É o caso de móveis fabricados por determinada marcenaria: o cliente ou consumidor escolhe, num mostruário, o produto desejado de tal forma que o processo produtivo somente tem início depois de formalizado o compromisso de compra. Caracteriza-se por um certo tempo de atendimento, na mesma razão da complexidade do processo. A parte encomendante aceita o prazo de entrega necessário para a manufatura do produto.  BTO ou Built to Order – construção mediante pedido (também se caracteriza como produção mediante encomenda), com uma diferença sutil em relação ao MTO: a existência prévia de matérias-primas geralmente comuns a vários SKUs3, que somente vão ser transformadas em produto final mediante o compromisso de compra. Como exemplo, a compra de um terno sob encomenda, a partir de alternativas de tecido disponíveis numa alfaiataria.. 3 SKU – é a sigla em inglês para Stock Keeping Unit e constitui uma unidade distinta e um tipo individual de item mantido em estoque, podendo o conceito ser aplicado no âmbito industrial, comercial ou em serviços, para artigos diretos ou não..  ATO ou Assembly to Order – finalização do produto mediante compromisso de compra por parte de um encomendante, onde a produção parte de subconjuntos previamente disponíveis, onde a formatação 26.

(28) Administração da produção e operações. definitiva de produtos ocorre em função do compromisso de compra. Como exemplo, o atendimento de pedidos por parte da Dell Computer, que mantém estocados subconjuntos a serem utilizados na formatação final de produtos (computadores) a partir do compromisso de compra de clientes ou consumidores.  ETO ou Engineering to Order – toda concepção do projeto de determinado produto somente tem início após o compromisso de compra por parte do encomendante, bem como a produção do artigo projetado. As principais características consistem no alto grau de customização oferecido e no tempo geralmente longo para o atendimento. É o caso de vestidos de noiva produzidos mediante encomenda e atendendo a projeto específico para determinada cliente, garantindo exclusividade, mas requerendo considerável tempo de atendimento. Os custos do projeto do produto são assumidos integralmente pela parte encomendante.. A administração da produção como ferramenta de competitividade Independentemente do ramo de atuação de determinada organização, a busca por competitividade consiste importante fator de diferenciação, muitas vezes responsável pelo sucesso ou fracasso de um empreendimento ou negócio. A importância da administração da produção, nesse contexto, está inicialmente relacionada à capacidade da organização reagir às necessidades de cada mercado. Para tanto, a identificação de necessidades atuais e futuras consiste em importante direcionamento para ações a serem tomadas pelas organizações, seja no âmbito estratégico, tático ou operacional. Dessa forma, uma prioridade a ser considerada em qualquer negócio ou projeto de determinado empreendimento relaciona-se à competência de se estruturar uma organização capaz de reagir da maneira mais rápida e efetiva possível não somente às necessidades do mercado como às variações quantitativas e qualitativas desses mercados. Na realidade, os consumidores dificilmente sabem o que desejam efetivamente. Nenhum consumidor, por exemplo, quando utilizava, satisfeito, um disquete de 3 ½ polegadas (desses que invadiram as nossas vidas a partir dos anos 1980 e foram substituídos gradativamente por CDs, pen drives e MP3), “pediu” explicitamente aos fabricantes para preocuparem-se com o desenvolvimento e consequente oferecimento de mídias mais confiáveis, 27.

(29) Gestão de Logística e Operações. mais baratas, com maior capacidade de armazenamento de dados e de utilização mais prática. Porém, os consumidores, mesmo inconscientemente, demonstram constantemente necessidades potenciais, e sua satisfação em muitas ocasiões é proporcionada pelo exercício persistente e incansável da interpretação dessas manifestações. O impacto desse processo de identificação de necessidades potenciais no ambiente da produção exige que os ambientes produtivos preparem-se e desenvolvam maneiras de viabilizar produtos e serviços com vistas ao atendimento das necessidades. Esse processo todo catalisa ações no ambiente da produção visando o desenvolvimento de processos, produtos e serviços que melhor se posicionem no atendimento às demandas. Portanto, no ambiente competitivo onde estamos posicionados, as organizações que têm maior capacidade de reação apresentam-se mais vulneráveis a serem preferidas pelos consumidores. De mesma forma, o foco das organizações deve sempre priorizar os processos pelos quais as demandas são atendidas, e novamente esbarramos na administração da produção como área diretamente envolvida na arquitetura de processos capazes de garantir o atendimento às demandas de produtos e serviços sintonizados com necessidades presentes e futuras. A análise desses processos envolve o conhecimento dos relacionamentos existentes ao longo das cadeias de abastecimento, ou o domínio da gestão das cadeias de suprimentos. Gestão da Cadeia de Suprimentos é uma terminologia derivada da tradução do termo original, em inglês, Supply Chain Management, bastante conhecido pela sigla SCM. O desenvolvimento da capacidade de reação é, em muitas ocasiões, dependente da participação de todos os stakeholders nas cadeias de suprimentos. O termo stakeholder designa todas as pessoas ou empresas que, de alguma maneira, são influenciadas pelas ações de uma organização. Podem ser internos (empregados de uma organização, por exemplo) ou externos (sociedade ou grupos comunitários, acionistas da empresa, fornecedores e subfornecedores, clientes e consumidores). Cadeia de suprimentos inclui todos os estágios envolvidos, direta ou indiretamente, no atendimento a uma necessidade (ou pedido) de determinado cliente. Uma cadeia engloba, portanto, todas as funções internas de determinada organização e todos os agentes envolvidos no atendimento ao cliente ou consumidor final. O grande objetivo de uma cadeia de suprimentos é o 28.

(30) Administração da produção e operações. de buscar sincronismo em todo o processo de obtenção, movimentação e entrega de materiais, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, fazendo uso de um sistema de operações logísticas. O conhecimento e estudo das cadeias de suprimentos permite aos gestores avaliarem pontos fortes e fracos ao longo das cadeias, possibilitando a tomada de decisões que resulta em redução de custos através da mais adequada utilização de recursos e melhoria substancial em padrões de qualidade praticados, aumentando a competitividade de produtos e serviços, diferenciando-os de competidores.. Ampliando seus conhecimentos A importância da administração de produção como ferramenta impulsionadora da estratégia empresarial (IACIA, 2006). Introdução Embora tradicionalmente a administração da produção tivesse como objetivo de estudo os setores produtivos das empresas industriais, atualmente muitas das suas técnicas vêm sendo aplicadas em atividades de serviços como bancos, escolas, hospitais etc. Formalmente, segundo diz o autor Daniel Moreira, a administração da produção e operações é o estudo de técnicas e conceitos aplicáveis à tomada de decisões nas funções de produção (empresas industriais) e operações (empresas de serviços). Os conceitos e técnicas que fazem parte do objetivo da administração da produção dizem respeito às funções administrativas clássicas (planejamento, organização, direção e controle) aplicadas às atividades envolvidas com a produção física de um produto ou à prestação de um serviço. A Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX preparou o caminho para a moderna administração da produção e operações, mas foi mesmo com os grandes avanços que se deram no século XX particularmente nos Estados Unidos que as técnicas e instrumentos de gestão da produção se difundiram por inúmeros países. Durante a década de 1970, a administração da produção adquiriu nos 29.

(31) Gestão de Logística e Operações. Estados Unidos e a nível mundial, uma posição de destaque na moderna empresa industrial. Os fatos históricos que levaram à essa posição foram o declínio norte-americano, em termos de produtividade industrial e no comércio mundial de manufaturas, e o crescimento de algumas potências nesses aspectos como o Japão, que há mais de 30 anos vem encarando a produção industrial e a geração de novos produtos como os elementos-chave no mercado interno e à nível internacional. Ao longo desse processo de modernização da produção, a figura do consumidor tem sido o foco principal, pois é a procura da satisfação do consumidor que tem levado as empresas a se atualizarem com novas técnicas de produção cada vez mais eficazes, eficientes e de alta produtividade.. Produtividade O sucesso de uma empresa depende da qualidade e produtividade de seus processos. Todo processo de produção ou prestação de serviços utiliza materiais, instrumentos de trabalho (como máquinas a equipamentos) e trabalho humano. Então, a empresa utiliza recursos que devem ser bem aproveitados. Produtividade é a relação entre os recursos empregados e os resultados alcançados. Ter alta produtividade é alcançar resultados muito bons, a partir de um certo montante a tipo de recursos. É aproveitar bem a matéria-prima, a capacidade das máquinas, o tempo e as habilidades das pessoas. Ter baixa produtividade é estar aproveitando demais os recursos. Obter pouco a partir dos recursos disponíveis. Um exemplo de baixa produtividade é uma empresa fabricante de calçados produzir menos pares de sapatos no mesmo tempo, com as mesmas máquinas e o mesmo número de empregados dos concorrentes. Produtividade = Medida do Output/Medida do Input. Os sistemas de produção Sistema de produção é um conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens ou serviços. Tradicionalmente os sistemas de produção são agrupados em três categorias:  Sistemas de produção contínua: os sistemas de produção contínua, também chamado de fluxo em linha, apresentam uma sequência linear para se fazer o produto ou serviço; os produtos são bastante padronizados e fluem de um posto de trabalho a outro numa sequência prevista. 30.

(32) Administração da produção e operações.  Sistemas de produção intermitente: a produção é feita em lotes. Terminando-se a fabricação do lote de um produto, outros produtos tomam o seu lugar nas máquinas. O produto original só voltará a ser feito depois de algum tempo, caracterizando-se assim uma produção intermitente de cada um dos produtos.  Sistema de produção para grandes projetos: tem-se uma sequência de tarefas ao longo do tempo, geralmente de longa duração, com pouca ou nenhuma repetitividade. Caracteriza-se por ter um alto custo e dificuldade de gerenciamento nas fases de planejamento e controle.. Administração do estoque A administração do estoque surgiu nos Estados Unidos nos anos 1970 durante a crise do petróleo. A Opep restringiu suas cotas de produção para provocar alta nos preços no mercado internacional. Foi um forte impacto na economia mundial e principalmente nos Estados Unidos. Muitas empresas americanas entraram em crise, pois o petróleo era matéria-prima essencial. Uma das alternativas encontradas pelos americanos foi reduzir sistematicamente seus estoques tanto de produtos em andamento quanto de mercadorias para revenda. Vários estudos foram realizados para conseguir estabelecer o estoque ideal com a margem de segurança para ocorrência de imprevistos. Diante uma situação adversa foi descoberta uma forma eficiente que enriquece o programa de gestão da qualidade. Os benefícios obtidos com a administração do estoque são espetaculares. Devem-se principalmente à redução de custos com estocagem, pois quanto mais material estocado maior será o capital empatado que poderia ser usado para outros fins. Outro benefício é um giro mais constante evitando perdas ocorridas no processo de armazenagem.. Sistema just-in-time Estendendo a questão da administração de estoque, just-in-time consiste em fornecer materiais aos vários setores produtivos de determinada organização no momento que esta necessidade realmente existir. É comum até hoje observarmos empresas de vários seguimentos que superlotam pátios, almoxarifados e armazéns com materiais que serão consumidos no processo. Esses materiais ficarão estocados por um período muito grande. No sistema just-in-time, é feito um estudo para aquisição e produção de materiais para. 31.

(33) Gestão de Logística e Operações. um curto período de tempo e fornecê-los na medida que surgirem as reais necessidades de outros setores. O resultado é simples: menor capital de giro estagnado e menos chances de perdas durante a estocagem.. Planejamento e controle da produção Planejar e controlar a produção são atividades extremamente operacionais, que finalizam um ciclo de planejamento mais longo que se iniciou com o planejamento da capacidade e a fase intermediária com o planejamento agregado. Os objetivos do planejamento da produção são:  permitir que os produtos tenham a qualidade especificada;  fazer com que máquinas e pessoas operem com os níveis desejados de produtividade;  reduzir os estoques e os custos operacionais;  manter ou melhorar o nível de atendimento ao cliente. Planejar a produção envolve inicialmente a alocação de carga, que é a distribuição das operações pelos vários centros de trabalho. Em seguida, dadas diversas operações, aguardando processamento em um centro qualquer, o planejamento da produção envolve também o processo de determinar a ordem na quais essas operações serão realizadas. Controlar a produção significa assegurar que as ordens de produção serão cumpridas da forma certa e na data certa. Para isso, é preciso dispor de um sistema de informações que relate periodicamente sobre: material em processo acumulado nos diversos centros, o estado atual de cada ordem de produção, as quantidades produzidas de cada produto, como está a utilização dos equipamentos etc.. Planejamento e controle da qualidade Em muitas organizações, existe uma parte separada e identificável da função produção, dedicada exclusivamente ao gerenciamento da qualidade. A qualidade é uma preocupação atual e chave de muitas organizações. Existe uma crescente consciência de que bens e serviços de alta qualidade podem proporcionar para a organização considerável vantagem competitiva. Boa qualidade reduz custos de retrabalho, refugo e devoluções e gera consumidores satisfeitos. Alguns gerentes de produção acreditam que, a longo prazo, 32.

(34) Administração da produção e operações. a qualidade é o mais importante fator singular que afeta o desempenho de uma organização em relação aos seus concorrentes. Quando as expectativas são maiores do que as percepções, a qualidade é pobre. Quando as expectativas e percepções casam, a qualidade é aceitável. Há seis passos que envolvem a atividade de planejamento e controle de qualidade, que são:  definir características de qualidade (funcionalidade, aparência, confiabilidade, durabilidade etc.);  decidir como medir cada uma das características de qualidade;  estabelecer padrões de qualidade para cada característica;  controlar a qualidade contra esses padrões;  encontrar a causa correta da qualidade pobre;  continuar a fazer melhoramentos.. Controle estatístico de processo A função básica do controle estatístico de processo é padronizar a produção de forma a evitar a variabilidade. A variabilidade como o próprio nome diz, são as variações ocorridas nas especificações dos produtos finais de uma organização. Essa variação compromete o sistema de qualidade visto que alguns produtos deverão ser retrabalhados ou simplesmente sucateados. Uma ferramenta importantíssima no controle estatístico de processo é a estatística. Através dela efetua-se coleta de dados no processo e formaliza-se uma padronização que deverá ser acompanhada de perto pelos envolvidos no processo de produção. Existem formas de implantação deste procedimento que devem ser observadas para garantir seu êxito. A primeira delas é selecionar o processo que será utilizado para aplicação do controle estatístico. A prioridade é escolher processos cujos produtos possuem grandes índices de rejeição ou necessitam de grande controle de inspeção. Os processos que estão sendo executados harmoniosamente serão analisados posteriormente, pois se não existem sintomas de anomalias não requerem uma preocupação inicial.. Manutenção Problemas de falhas e erros são uma parte inevitável e intrínseca da vida da produção. As falhas ocorrem em operações por diversas razões. Algumas 33.

(35) Gestão de Logística e Operações. são resultadas direto dos bens ou serviços fornecidos para a produção. Outras ocorrem dentro da produção, seja porque existe uma falha global em seu projeto, seja porque uma ou mais de suas instalações físicas para de funcionar ou porque há erro humano. Os clientes também podem causar falhas através do manuseio incorreto dos bens e serviços. Depois de detectar e compreender uma falha, os gerentes de produção precisam trabalhar para melhorar a confiabilidade da produção. O método mais comum para melhorar a confiança da produção é fazer a manutenção das instalações físicas de forma planejada e sistemática. Existem três abordagens amplas para a manutenção. São elas:  Manutenção corretiva – fazer funcionar as instalações até que quebrem e então consertá-las.  Manutenção preventiva – manter regularmente as instalações, mesmo se não pararem, de forma a prevenir a possibilidade de paradas futuras.  Manutenção sistemática – monitorar minuciosamente as instalações para tentar predizer quando a parada pode ocorrer e antecipá-la através dos reparos na instalação.. Conclusão Todas as partes de qualquer empresa têm seus próprios papéis para desempenhar a fim de se chegar ao sucesso. O papel de cada função está refletido em seu nome. Por exemplo: a função marketing posiciona os produtos e serviços da empresa no mercado. A função finanças monitora e controla os recursos financeiros da empresa. Já a função produção produz os bens e serviços demandados pelos consumidores. A produção deve apoiar a estratégia desenvolvendo objetivos e políticas apropriados aos recursos que administra, fazendo a estratégia acontecer, transformando decisões estratégicas em realidade operacional e devendo fornecer os meios para a obtenção de vantagem competitiva. Para que qualquer organização seja bem-sucedida a longo prazo, a contribuição de sua função produção é vital. Ela dá à organização uma “vantagem baseada em produção”. A função produção contribui para se atingir essa ideia de vantagem baseada em produção através de cinco objetivos de desempenho. São eles: • Fazer certo na primeira vez, isto é, não cometer erros. Se a produção for bem-sucedida em proporcionar isso, a empresa ganhará em qualidade. • Fazer as coisas com rapidez, minimizando o tempo entre o consumidor solicitar os bens e serviços e recebê-los. Com isso, a empresa ganhará em rapidez. • Fazer as coisas em tempo para manter os compromissos 34.

(36) Administração da produção e operações. de entrega assumidos com os consumidores. Se a produção fizer isso, proporcionará aos consumidores vantagem de confiabilidade. • Estar em condições de mudar rapidamente para atender às exigências dos consumidores. Fazendo isso, a empresa ganha em vantagem de flexibilidade. • Fazer as coisas o mais barato possível, produzindo bens e serviços a custo que possibilite fixar preços apropriados ao mercado e ainda permitir retorno para a organização, representando vantagem de custo aos consumidores.. Atividades de aplicação 1. Correlacione a tipologia de produção com uma de suas características. a) Make to Stock. (( ((. b) Make to Order (( c) Built to Order. Altíssima disponibilidade. Custos do projeto por conta do cliente. Montagem de subconjuntos mediante pedido.. d) Assembly to Order. ((. Produção mediante pedido.. e) Engineering to Order. ((. Construção mediante pedido.. 2. Identifique cada afirmação a seguir como verdadeira (V)ou falsa (F): ((. Na produção de produtos tangíveis em série normalmente utiliza-se como base para o planejamento das quantidades de insumos a serem consumidos uma previsão dependente de uma demanda inicialmente prevista.. ((. Independentemente do ramo de atuação de determinada organização, a busca por competitividade consiste importante fator de diferenciação, muitas vezes responsável pelo sucesso ou fracasso de um empreendimento ou negócio.. ((. Os outputs ou saídas do processo produtivo são constituídos, basicamente, por produtos (bens tangíveis) ou serviços (intangíveis).. ((. Na realidade da organização atual, observa-se facilmente a grande evolução nas práticas produtivas da Antiguidade: novas técnicas produtivas aliadas a tecnologias, desenvolvimento de competências em profissionais e organizações totalmente fora de sintonia com os desafios de competitividade crescentes em todos os ramos de atividade.. 35.

(37) Gestão de Logística e Operações. 3. Identifique ao seu redor um produto referente a uma organização e relacione seus inputs, o processo de transformação e os outputs, preenchendo o quadro a seguir: Empresa/ Produto. 36. Inputs. Processos de transformação. Outputs.

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Referências

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