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DIMENSÃO TÉCNICA. Antonio Castelnou

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Academic year: 2021

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DIMENSÃO TÉCNICA

(2)

Introdução

A palavra TECNOLOGIA

tem origem grega,

sendo resultado da junção dos termos tekhno

(= mestria ou arte) e logos (= conhecimento ou

saber), significando assim a ciência aplicada às

artes e ofícios

, ou seja, o “saber fazer”

(know-how; savoir-faire).

Portanto, refere-se ao

conjunto de

conhecimentos aplicados

– ou técnicas –,

utilizado para a se fazer algo, o que depende de

teorias e descobertas científicas, inclusive na área

(3)

CIÊNCIA

(do latim scientia

= conhecimento; habilidade)

trata-se do conjunto

organizado de saberes

relativos a determinada área

e que é caracterizado por

uma metodologia

específica, envolvendo

tanto conhecimentos

teóricos quanto práticos

para serem usados a uma

(4)

As ciências são geralmente

classificadas em:

✓ HUMANAS, que objetivam

estudar o Homem e seus

comportamentos individuais e/ou coletivos (Filosofia, Psicologia, Antropologia, Política, etc.)

✓ SOCIAIS, que estudam as

sociedades humanas, sua cultura e evolução (Sociologia, Economia, História, Comunicação, etc.)

✓ NATURAIS, cujo objeto de estudo

é a natureza (Biologia, Química, Geociências, etc.)

✓ OBJETIVAS ou EXATAS, cujas

teorias são confirmadas pela experiência direta e exata

(5)

Até meados do século XVIII, cada profissão era

cercada de mistérios, nos quais apenas a

experiência individual era capaz de penetrar nas

questões sobre o mundo e a realidade humana,

(6)

A partir da REVOLUÇÃO

INDUSTRIAL (1750-1830),

a tecnologia ganhou grande desenvolvimento e

multiplicaram-se as informações científicas adquiridas em tempos

cada vez menores.

O crescimento é tal que hoje se torna difícil estabelecer limites entre a ciência e a tecnologia, devido ao pequeno intervalo da descoberta do fato científico e de

(7)

Invenção Descoberta Aplicação Tempo Fotografia 1727 1839 112 anos Telefone 1820 1876 56 anos Rádio 1867 1902 35 anos Radar 1925 1940 15 anos Televisão 1922 1934 12 anos

Bomba Atômica 1939 1945 6 anos

Transistor 1948 1953 5 anos

Raio Laser 1958 1961 2 anos

Videocassete 1970 1972 2 anos

(8)

Atualmente, os ramos da

TECNOLOGIA estão

subdivididos de acordo com

seus elementos integrantes e os problemas inerentes a

cada um deles.

Também se leva em conta as semelhanças que possam existir entre si e a aplicação

técnica das ciências a eles

pertinentes, sejam elas humanas, sociais, naturais

(9)

Entre as áreas atuais da

tecnologia, cita-se:

✓ Tecnologia agrária

(Agronomia, Zootecnia, Produção Agrária, etc.)

✓ Tecnologia da saúde

(Medicina, Odontologia, Farmácia, Fisioterapia, etc.)

✓ Tecnologia da construção

(Engenharia Civil, Elétrica, Hidráulica, Mecânica, etc.)

✓ Tecnologia do espaço

(Arquitetura, Urbanismo,

(10)

Envolvendo o estudo das ferramentas, dos

processos e dos materiais criados e/ou

utilizados pelas ciências, hoje em dia, a

TECNOLOGIA

é essencial principalmente para

a sobrevivência e, em segundo plano, para o

bem-estar. Isto se deve ao fato da adaptação

humana ser mais tecnológica do que biológica.

(11)

Através da INVENÇÃO

(criação e produção de novas soluções para os problemas,

naturais ou não) e da

INSTRUÇÃO (informação e transmissão de conhecimentos

para os demais indivíduos), o Homo sapiens conseguiu

conquistar alimentos, territórios e novos “nichos ecológicos” (função exercida pelos indivíduos dentro de um

(12)

O avanço tecnológico deve ser planificado de modo que

somente se introduza inovações quando estas forem necessárias,

para que o homem se adapte gradativamente à evolução do meio, evitando-se a preocupação

excessiva com o conforto (Tecnologia do Comodismo),

que raramente é inofensiva, tanto para o ser humano quanto

(13)

Tecnologia na Arquitetura

A componente vitruviana Firmitas relaciona-se

à FORMA

arquitetônica, a qual precisa ser

estável, sólida e construtivamente viável,

ligando-se portanto à tecnologia necessária

à sua execução e posterior uso.

Com o avanço do conhecimento, tornou-se

impossível ao ARQUITETO

solucionar sozinho

todos os problemas técnicos inerentes à

construção. Hoje, é fundamental o trabalho em

equipe, no qual ele atua como coordenador.

(14)

Da mesma forma que um

MAESTRO não necessita saber tocar todos os instrumentos de uma orquestra, o arquiteto não

precisa dominar todos os campos específicos

da tecnologia das

construções. Porém,

necessita conhecer todas as COMPONENTES

TECNOLÓGICAS do processo construtivo.

(15)

A formação contemporânea do arquiteto e

urbanista deve ser GENERALISTA, já que ele

precisa conhecer um pouco de todos os campos

complementares à sua profissão, incluindo tanto

conhecimentos das áreas das Ciências

(16)

Atualmente, o curso de graduação comporta um elenco de DISCIPLINAS

que fundamentam o

profissional nas diversas áreas tecnológicas e que contribuem para sua

formação generalista:

Ciência das Estruturas

Técnicas de Construção

(17)

Ciência das Estruturas

Área da tecnologia que abrange todos

os conhecimentos

fundamentados na Matemática e na Física, os quais

influenciam na atividade de

EDIFICAÇÃO de espaços arquitetônicos, no que se refere

à Resistência dos Materiais, à Estabilidade das

Construções e aos Sistemas Estruturais.

(18)

Entende-se ESTRUTURA

(do latim structura = arranjo; disposição) como um sistema

destinado a proporcionar o equilíbrio de um conjunto de forças, no qual as partes estão

organizadas de acordo com a sua coerência e

funcionalidade, visando sua

imobilidade, equilíbrio de forças e limitação de

(19)

A MORFOLOGIA DAS ESTRUTURAS compreende

o estudo das estruturas resistentes sob o ponto de

vista de sua forma, ou seja, dos elementos que irão

condicionar seu aspecto, como: fatores funcionais,

técnicos e estéticos.

Richard Rogers (1933-)

Aeroporto de Barajas

(2005, Madrid Espanha)

Memorial da América Latina

(1989, São Paulo SP) Oscar Niemeyer (1907-2012) Miwaukee Art Museum (2001, Michigan WI) Santiago Calatrava (1951-)

(20)

LANÇAMENTO DA ESTRUTURA é a previsão

do sistema estrutural de uma obra, com sua

definição, localização e pré-dimensionamento.

PILARES P01 P02 P03 P04 P05 P06 P07 P08 P09 P10 VIGAS V01 V02 V03 V04 V05 V06 V07 LAJES L01 L02 L03 L04

(21)

Denomina-se

PROJETO ESTRUTURAL

o planejamento intelectual e estratégico do sistema

dinâmico de peças (vigas, pilares, lajes, cascas, arcos, cabos, etc.), cuja finalidade é

lutar com uma multiplicidade de forças para garantir a manutenção dos esforços nas estruturas arquitetônicas

(22)
(23)

Técnicas de Construção

Área de tecnologia que

corresponde a todos os conhecimentos e

procedimentos necessários para a EXECUÇÃO de obras civis, o que reúne

desde o estudo da

mecânica dos solos e fundações até o

conhecimento de materiais

(24)

Com a separação entre concepção e execução, em

meados do século XVIII, os CONSTRUTORES

se

tornaram instrumentos acionados e dirigidos pelo

projeto arquitetônico. Desde então, o arquiteto

passou a coordenar e fiscalizar o trabalho

construtivo, responsável pela sua integralização.

(25)

Para tanto, é necessário possuir conhecimentos técnicos básicos para a concepção e projeto de

edificações, visando sua viabilidade executiva, como:

Conhecimentos geológicos e topográficos, visando a

sondagem de terrenos, sua movimentação (cortes e aterros), realização de compactações, taludes e fundações;

✓ Normas de limpeza e fechamento de terrenos, implantação de

CANTEIRO DE OBRAS (ligações provisórias), demarcação da

obra (gabaritos) e execução da estrutura (formas, armaduras, lançamento e adensamento, cura e descimbramento);

(26)

Procedimentos de execução de coberturas, tanto em nível de estrutura portante (madeiramento) como de telhamento, isolamento e ventilação;

Normas de execução de paredes em

alvenaria, relacionadas a assentamento de tijolos, de vãos (esquadrias) e de

pavimentações (pisos);

Normas de execução de revestimentos de paredes, impermeabilização e pintura;

(27)

✓ Normas de execução das instalações complementares à edificação, tais como elétricas, telefônicas, hidráulicas, sanitárias, de gás, contra incêndio, energia solar, etc.

Instalação elétrica

(28)

Além dos projetos arquitetônico e estrutural, existem os demais PROJETOS COMPLEMENTARES, que têm a função de auxiliar na concretização do espaço arquitetônico, através da aplicação de conhecimentos científicos e tecnológicos específicos. Projeto Elétrico

(29)

Projeto Hidráulico

(30)

Além dos principais projetos complementares, deve-se conhecer seus sistemas de execução e acompanhamento.

Denomina-se INSTALAÇÃO PREDIAL o conjunto de elementos tecnológicos que proporcionam condições de funcionamento à edificação, em seu estado de uso normal.

(31)

Entre os principais projetos complementares, devem ser citados os seguintes:

Projeto elétrico e luminotécnico

Projeto hidráulico-sanitário

Projeto de prevenção de incêndio

Projeto de telecomunicações

Projeto de condicionamento de ar

Projeto de segurança

Projeto de interiores (decoração)

Projeto de comunicação visual (sinalização e programação)

Projeto de paisagismo

Projetos especiais (gás, oxigênio, energia solar, etc.)

(32)

Atualmente, tornou-se

praticamente obrigatório para o arquiteto o conhecimento

dos MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO e

ACABAMENTOS (vidros, madeiras, tintas, pisos, telhas, etc.), o que consiste no estudo

da matéria-prima da

arquitetura e urbanismo, em que se procura avaliar suas qualidades e especificidades,

disponíveis natural ou industrialmente.

(33)

Conforto Ambiental

Área da tecnologia que reúne todos os

conhecimentos necessários para a HABITABILIDADE

dos espaços arquitetônicos, o que envolve questões

térmicas, acústicas e lumínicas, além da sua aplicabilidade através das

instalações prediais complementares.

(34)

Visando a melhoria das condições de vida e

bem-estar do ser humano, o arquiteto necessita

conhecer e reconhecer os fatores que influenciam no

CONFORTO AMBIENTAL, que está relacionado aos

sentidos humanos

(especialmente a visão, a audição e o tato).

(35)

Esta área desenvolve disciplinas específicas que analisam fenômenos como as trocas térmicas, ventilação, insolação,

iluminação artificial e isolamento acústico, ou seja,

conhecimentos físicos (Ótica, Acústica, Termodinâmica,

etc.) aplicados ao AMBIENTE CONSTRUÍDO, necessários para o projeto e controle do espaço a ser utilizado.

(36)

Conforto térmico

Criação de condições de habitabilidade térmica aos

indivíduos nos espaços construídos, ou seja, a manutenção em níveis satisfatórios e agradáveis da

sensibilidade a variações de temperatura pelo revestimento cutâneo do ser humano. Envolve

o estudo das variabilidades climáticas, a transmissão de calor, insolação e ventilação.

(37)

Conforto visual

Criação de condições ao

indivíduo de exercer suas tarefas visuais com o menor esforço e com o máximo de acuidade. Isso

se traduz por um conjunto de parâmetros a serem atendidos, tais como iluminância necessária,

o controle do ofuscamento causado pelas fontes de luz, a existência ou não de sombras,

(38)

Conforto acústico

Criação de condições adequadas para transmissão e/ou isolamento de ondas sonoras, através do estudo do comportamento oscilatório e sua relação com materiais e acabamentos. Busca-se a manutenção de níveis de som, como o projeto e adequação de auditórios, teatros e afins.

(39)

Hoje em dia, uma das áreas de crescente interesse dosd

arquitetos consiste na

AVALIAÇÃO

PÓS-OCUPAÇÃO (APO), a qual equivale à análise das condições de funcionamento

de um espaço arquitetônico após a sua execução e uso

corrente, visando sua melhoria e manutenção

(40)

Bibliografia

CHING, F. D. K. et alii. Técnicas de construção

ilustradas. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016.

ENGEL, H. Sistemas de estruturas. Barcelona: Gustavo Gili, 1980.

FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual de conforto

térmico. 5. ed. São Paulo: Studio Nobel, 1995.

GRAEFF, E. A. Arte e técnica na formação do

arquiteto. São Paulo: Studio Nobel, 1995.

MASCARÓ, L. R. Tecnologia & arquitetura. São Paulo: Studio Nobel, 1990.

ZERO, H. A. O edifício até sua cobertura. São Paulo: E. Blücher, 1997.

Referências

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