BIBLIOTHECA
DA
LIVRARIA
DO
POVO
/%/
mmu
Emmm
do
Modinhas
Brasileiras
Couteiido as
mais
populares, conhecidas e apreciadasmodinhas
brasileiras ^com
a indicação dasmusicascom
quedevem
sercantadas.Escriptas e colleccionadas
CATULIO
DA
PâTxãO
CEARENSE
Auctor do '
'CANCIONEIROPOPULAR'
'
8è.9,90S
O
Cayaquinho
AosAmigos Galdiiío eMabio
Meu
cavaquinho choroso,temos
noite deluar !Eu
ando
triste e saudoso,por
issovamos
chorar.Bepara
que anoite bellaas
tuas cordas prateia!..
Vamos
£rillar-lhe ájanella,'Que é noite delua cheia.
As
tuas cordas são fibras•detua
alma
chrystallina,'^
vae
epntar-lhe asmagnas
dibrasQuaresma
&
C. editoresTu
tens lagrimas nascordas,;quando
em
mim
tu te debruças !Quantas lembranças
me
acordas,se sob o plectro soluças!
Quando
tristonho, indeciso,o seu rigor
me
maltrata,meu
coração tranquillizon'um
teugemido
de prata.Os
teus suspiros macios,quando
tu plangessosinlio,parecem
dolentes piosde
uma
ave quenão tem
ninho.Tua
alma
indiscreta, incauta,que só
me
entendea canção,conhece asqueixas da flauta,
as
magnas
do violão.Se falas
em
doce acorde,se tu
gemes
ao luar,de inveja oj>íw/íO se morde,
]3or não poderte emitar!
IS,
xVs tuas ma^iasiransbordas
cpiando
em
mim
ta tedebruças TQuantos
soluço; acordas,-1.
'''•'.
'-^-Choros ao Violão
Meu
cavaquinlio adorado,tu não padeces sosinho!
Eu
também
vivo isolado !...
Chora, chora, ó cavaquinho.
Mais
que aviola, fagueiro,tu choras
no
teusacceutos!,.
Tu
és omais brasileiro<letodos os instrumentos.
Tu
nosfalasdas ternuras•de
um
amor
lento epenado
nasargênteas fioritnas
•doteu suspiro chorado.
--Traduze
em
nota amorosa,n'um
meigo
acorde revela•essa
Canção
languorosaque
ouvistedos lábios delia.Lua
cheia!.. ejá delirasnestepenar, que é tão agro !.
.
Chora
a walsaem
que suspirastodo o
amor
que eulhe consagro.DO ÁUCTOR
\ .
6
Quaresma
&
C. editoresAo
Serena
Acorda, Indolente^
que a
lua fluctuana
tuajanella,cerradaao luar
!
Em
noite tão bella,porella inspirada,
vem
tu, doce amada,,de
amores
falar.Tu
dormes, ingrata,com
flores, primores,.amores
sonhando,Sorrindoao prazer!
Mas
eu, suspirando,chorando, carpindo,, saudades sentindo, só quero te ver.
Os
sons merencoreos,. saudosos, morosos, queixososda
lyramorrendo
já vão!.Meus
carmes
inspira,Zulmira !... Plangendo, descanto,
gemendo
na
minha
canção. "'*: '.íiSiSft:, .*í,VChoros ao Violão
Á
noite estrellada,silente, cadente,
dolente, teus cantos
almejo escutar !
São
tristesmeus
prantos,são sanctos ! . . Desejo,
no
fogo deum
beijo,comtigo sonhar !
Musica ão
mesmo
DO
AUCTOR
A
Canção
do
Africano
(O
BATUQUE)
'1?
Ai
como
eu sei te amar, etc.2?
Não
sinto onegro crimeetc1- ESTEIBILHO
8
Quaresma
&
C, editores3?
Eu
choroomeu
destinoetc4?
Eu
sinto acerbo espinhoetc2- ESTRIBILHO
Eu
clióro, ó pátria ingrata,Calado e só !
A
dor assim maltracta,longe
da
inzó !Minli'almase desata
do térreo
pó
! . .O' morte,
vem,
me
fereemata
!Martha, de
mim
tem
dó
! !Ai, tu jiartir-me viste
para soffrer !
Miuli'alma
não
resiste ! . .Quero
morrer ! . .Penar
assimé triste ! . .P'ra que viver
'-.y.i^-'k:'~^\?^•>'"-=? -,;
Choros ao Violão 9
• 6?
iSlmhB,
jupá
taobella etc3- ESTRIBILHO
Accolhe
ospobres cantos,que d'
alma
são !Vem
dar-me os lábios santos,me
extende amão
!Meus
aissãotantos, tantos !Quebra
o grilhão!E
vem
seccarn'um
beijo osprantosdeste
meu
coração.7?
Quando
o luar prateia etc.8?
Quando
amacumba
chora,minh'alma
vê
todaaijassada aurora
,<K
da
minha
ilê,e
na
marinha imploraque ador lhe dê
azas p'ra ver-te
alem
!4- ESTRIBILHO
E
bastade maldade,basta, ó senhor !
-^S.
10
Quaresma
&
C. editoresE' grande estasaudade !
grande esta dor !
~-A
tua crueldademe
fazhorror ! . .Ai,
Zamhi
atroz, nâo tenspiedadedeste infeliz
amor
!9?
Ai,
Congo
meu
fagueiroetc10?
Astros do ceo nublado etc
.
5- ESTRlBIiHO
Accolhe
ó pátriaamada
etcDo
Auctor,OBSERVAÇÃO
Julgueidesnecessário reproduzirporextenso todas as estrophesqueo
leitorencontrará nomeu Cancioneiro Popular, edecada umadasquaes
apenas vae aquioprimeiroverso,para mostraraordememquedevemser
cantados.Escrevimaistrêsestribilhos, repetindooprimeiro,queécantado
apósasduas primeirasestrophes,enofinalda decima.Creionãocarecero
leitorde maisexplicação, poisquenadamodifiquei.Accrescent^mais duas
estro^ihes, que são cantadascoma musicada primeira parte, e os três estribilhos,cantadostambém comamesma musicados outros.
A
canção é(íhôxosao Violão 11
Odio
LUNDU'
Eu
tenhogana
do teu sorrir. . . Paixão insaname
faz sentir. Ficodamnado
Com
teuandar,poisque
pasmado
me
faz ficar.Tu
ja nascestep'ra
meu
tormento!Tu
me
perdestesem
salvamento.Ao
ver-te, estaco, japerco a acção!Eu
dou
o cavacocom
a perfeição! ! Ficoraivoso, se acaso cantas!No
timbreairoso tume
supplantas.Não
tenho calma,se tu
me
falas!Toda
amiuh'alma
de amoresralas.
»
.-:..-s^m^-isfin-.-12
Quaresma
&
C. editores ' , í|De
mim
dás cabo!. .Tudo
tesegue!Vai
p"ra o diaboque te carregue!!
Linda
emimosa!..Arcbanjo
terno I. .Váe
ser formosa.lá para oinferno!
Meus
ais se fartamdete
chamar
!
Raios te partam,
mulher
sem
par!Do
Auctor.Tu
queres
que
eu
sonhe
!
m
(GONÇALVES
DIAS)Tu
queresque eusonhe,queao menos, dormindo,<lesfructeprazeres que
nunca
provei,<iue ao
menos
nas azas deum
sonho mentido,perdido, arroubado,
também
diga:—
amei!Tu
queres que eu sonhe...Nem
sabesquea vida,me
correpenosa, deamarga
illuzão!Xo
i^allido rizodeum'alma
affligida,que
envidaser leda, quedoresnão vao !n
Choros ao Violão 13
Sonhando, percebo
na
mente
agitadaum
mar sem
limites, aosraiosdo
sol,e
um
marco não
vejoperdidona
estradacançada.. .
não
ve'o longínquopharol.E
queresque eu sonhe !Nas
aguasrevoltas,se onauta
sem
rumo
consegue dormir,as vagascruzadas,
em
sustos envoltas,ássoltas, escuta raivosasbramir!
Talvez, j)orem, sonhequeas ondas
mendaces
o levãodomadas, que entra
em
seus lares,mas
tristedesperta, que os ventos fugacesnasfaces a
espuma
lhe atirados mares.Se queresque eusonhe, que
alguma
alegriadormindo
conheça, deum
plácido amor,Vem
tucomo
estrellade noitesombria,que eníiaos seus raios das noitesnOhorror.
Brilhar
em
meus
sonhos!., talvez socegado,scismandoprazeres
n'um
riso dos*teus,coberto o
meu
roste, fugisse omeu
fado,quebrado
aos encantosdeum
anjodo ceos.Vem
juncto ameu
leito,quando
eu fôrdormido,,teuhálito insi)ire -nãosoffro- direi!
E, ao menos, nas azasde
um
sonho mentido,perdido, arroubado, talvezdiga- amei!
Comlevestoques do auctor,parapoder adaptar-se ámusicacom que
''\^-'Z:J9^'^'C^y^*^' 'jWi/í
1í
Quaresma
&
C. editoresMeu
Barco
Meu
barco é veleiroesingraligeiro
ao soprogrosseiro
do
rijo tufão !E
eu,sem
receio,das ondas no meio,
tomando
do veio,lhe
dou
direcça.0.Sem
dôr esem
magnas,zombando
dasfragas,no meio
das aguassoumais do
que
um
r ei !Os
ventosme
falam,as ondas
me
embalam,
e as vergas
que
estalam,jamaisreceei.
Vem,
pois,minha
amada,
viver encantada,
commigo
embalada
no
barco que émeu!
E
onauta afamado,deti
sempre
ao lado, VOTás desvelado,Choros ao Violão 15
Meu
barcoéveleiroesingraligeiro
aosopro grosseiro
do
rijo tufão!E
eu,sem
receio,das vagas
no
meio,nosversos
me
enleiode
minha
canção.Morena
IVIorena, bella morena,
vaidosa deteusencantos,
desdenhas amar, creança,
meus
purosaflfectos, sanctos.Morena,
sentisteao
romper da
aurora,nosvallesde Flora,
perfumes
deamor
?Já
vistearolinha,queocantodesata,
-eos pingos deprata
^Zrw-Z. .'"• - -- ,-""•#«?!.--^«^r*''.j,ísi>^3fS5Sí-"í: _ _ i^
16
Quaresma
&
C. editoresDoe-me
tanto a desventurado
meu
viverisolado,que sonhogosos infindos,
sonho viver a teulado.
Xa
trançasetiuea,na
facemimosa,
noslábios de rosa,
que
estãosempre
a arder,euvejo o
meu
fado,sorrindo entre anhelos !
Encantos
tâo bellosde
um
negro viver,Nas
ondas domar*revolto,na
brancaareia dapraia,se o teuperfilse desenha,
de goso a luadesmaia !
A
tantosaffagosnão sejasesquiva,
não
sejas altiva,não
sejas assim !De
tantos tormentos,morena,
tem pena
!Morena, morena,
í'?;?'-*SS»i'JV'ig<^Vfít;-:-f';".;rSrj'^^^
Choros ao Violão
Quando
os
meus
olhos.
. .*
^-^
Quando
osmeus
olhosteviram,perdidode
amor
fiquei,-meu
coraçãodelirava...Meus
suspirosabafei.Tu
erasbella emimosa,
.'
^
mimosa
e bellatueras,gentil, faceira, elegante..
.
Tinhas quinzeprimaveras.
Mas, hoje,queestabelleza
'
'
perdeuseu viçoeprimor,
eu indamuito tequero, ''
porque consagro-teamor.
Por
issoTiâotenhasmedo
do
meu
triste suspirar!*
São
doresque'estão occultas, - ,'e que nãodevo contar. ^ _í?
ESTRIBILHO
^'-\;,•
Não
fujasassim demim,
, ,poiseutetrago
na mente
!
„
^
E'grande, éfirme este
amor
, C'que
portimeu
peitosente..:>!i, ii>fv^y^'>'-'am
18
Quaresma
&
C. editoresAmargura
Suprema
Pede
ásfloresperfumesodóros,pede
aosastrossidéreo fulgor,pede
ás avespoemas
canoros,pede
ás fontesqueixumes
de amor.Pede
áluaserenapoesia,pede
ás brisasqueixosacanção,pede
aosolfulgurantemagia,Ijede ásrolasternuraepaixão.
Pede
aosechos«m
cantomaguado,
pede
encantos ásbellasphaleuas,sonorosa
lembrança
ao passado,pede
amores ás noites amenas.Pede
aomar
quietaçãoe bonança,I)ede áflauta caricias, affagos,
pede
ao ceo, sorridente esperança,•murmurejos
ás lymplias dos lagos !3Iasao triste não peças
um
canto,que
elleum
aijánãopode
exhalar, !..
AfFogado nas ondas dopranto,
viveobardo
em
constantechorar!
(IMITAÇÃO,
DO
AUCTOR.)
^xL
>y> Choros ao Violão '~ 19 ' 'r,:ff
'- "A
Walsa
Amei-te
em
silencio, ' sincero, constante,meu
peitodeamante
bateusóporti!
"Votava-te
um
cultotãopuro esagrado...
Jlas eis-meacordado !..
.
Meus
sonhosperdi.JFoi
hontem
nobaile!..
Teu
vulto perpassa,voando na
walsa,n'
um
gyroveloz!Eu
triste ecalado,'
da
salan'um
cantovertia
meu
prantode
dores, atroz !Teu
par enlaçavasnos estosdos gyros!.
.
Meus
flebeissuspirosgemiam
noar !A
dorlatejavanas anciãsdo peito !.
.
Meu
sonhodesfeito !. ..
Minh'alma
a chorar!
•f*;:f35P',' ' ;",-'--;-^X.; ."í-rjJj^/^ISS^Í^S^RK^^lígC^^
20
Quaresma
&
C. editoresEu
viqueomaldictobeijava-tea face
11
'um
beijofugacedeinfame, traidor !
Libava-te o néctar
doslábiosodóros
ii'uiisbeijos sonoros
dei)erfido amor.
Meus
sonhoscabiram
da
dorno infinito!Feliz, omaldicto
me
via soíFrer!A
walsa,em
que, infida,me
foste atrozmente,iiãosae desta lueute ..
.
uão
posso esquecer. ..
E
jazem
porterrade
amor
os delubros !..
Teus
lábiostão rubrosme
foram punhal !Do
ceo constellado de losea esperança, só resta alembrança,da
noite fatal !DO
AUCTOK.
Musica da modinha
Eu
vi-tesorrindo, voando na walsa.':'A^.
:.':»^".'.Jv-^Íí**ÍÍl
Choros ao Yiolâo 21
Partida
do
Sertanejo
Por
mil dores macerado,da
minlia aldeiaparti,e, fugindo apaixonado,
quizesquecer-
me
de ti.Mas
a saudade tyranua,•quemais conturba a razão,
me
fazlembrar-te, ó serranacom
mais anciãe coração.'So viso de
um
monte
alpestre,onde
mil gosos frui,ficou-
me
a cli-eçasylvestre,berço
amado
em
quenasci.Já
nãovejoogadomanso
que
ellavinlia apascentar,nem
afonteem
que descançovinha
á tarde procurar.Partichorando, da aldeia,
toda a gente a soluçar !. .
.
Despontava
a luacheia....Que
prantostinha o luar!.. ..^»- --J*-^
'" '-' >;*'
22
Quaresma
&
C. editores -ri*A
deus, ó choçado monte, 1 . : .manso
gado,amores
meus
!.,
;
" :
Saudosas nymplias
da
fonte!O
'noites delua, adeus! ',.-:.DO
AUCTOR».-Musica ãa modinha
—
Eu
}Knii da minhaterra. '- •;
Um
Sonho
\;.-t
Tive
um
sonho dulçoroso,fui ditoso,
fui feliz
no
meu
sonhar !Não
te vi cruel,esquiva,mas
captiva,sorridente a
me
falar ! ! ' í#.Yi
teuslábios solettrarem,suspirarem
jurasmil desancto amor!
E
nosmeus
lábiossedentos,I)or
momentos,
\
Choros ao Violão "
2^
Tu
diziasqueme
amavas,protestavas
viver só,
mas
só p'ramim
!Tu
me
destemil venturasI nessasjuras
que tiveramlogo fim!
Nas
palavrasquedizias,• melodias
dos archanjosescutei
!
Desseelance ao ceodeamores
quantasdores
não
senti,quando
acordei!
Tive
um
sonlio dulçoroso,fui ditoso,
fuifeliz
no
meu
sonhar!Não
te vi cruel,esquiva,mas, captiva,
sorridentea
me
beijar !Fui
ditoso,mas
sonhando,que,acordando, '
vi-meescravo
da
illuzão!..
Triste e só no pobre leito!.
. Frio o peito ! . . Desoladoo coração ! !
DO
AUCTÔK,
24
Quaresma
&
C.editoresCantemos,
Saudade
Cantemos, Saudade,
que
a noite convida!. ..
Vem,
ZyíYt querida, ^ ^Commigo
chorar I...
Xas
tuasseis cordasa lagrima harpeja!..
.
Meu
prantogotteja v -^^fulgindoao luar!
Farpante Saudade
meu
peito adolora !...
Lembranças
deoutr'ora.. .do ameno
gosar! !Dos
dias tecidosn'uns sonhos de ouro,
desfeitos
no
choro,«oado
aoluar !E
tu, que noleitomatizasteus sonhos,
não
ouves tristonhos,descantesde
amar
!Que
as dores, queasmagnas
cantandosuavise..
,
que
o prantodeslise,filtrado aoluar
!
gjst^-ssr^»» "^ci™'t-*'r;a^r-'"^'iíg•!'.*. "**-, » t "'*» jsr t; • >~ '' ^<=»í«sj!sí
_-Choros ao Yiolão 25
As
notaspungidasvãograves
morrendo
!Nos
seiosplangendolatejaopenar !
]VIinli'alma se alando
nos langues desmaios,
se
embebe
nosraiosdo
brancoluar!Musica ãomesmo.
DO AUCTOE
Consolação nas
Lagrimas
(
GONÇALVES
DIAS)
Como
ébello, ámeia
noite,o
azul do céo transparente,quando
a espherad'alva luaVagueia
mui
docemente
!Quando
aterra nãoruidosa,todasecaladormente,
quando
o mar, tranquilloebrando,26
Quaresma
&
C. editoresComo
é bello este silencio,da
terra, toda harmonia,qiTe aoscéosa
mente
arrebata,cheiade
meiga
poesia!Como
é bellaaluzquebrilhado
mar
na
vivaardentia !Este pranto
como
é doce,que entorna amelancolia!
Esta
aragem
como
ébranda,que enrugaa face do mar,
que
na
terra passaemorre
sem
nasfolhas sussurrar !Os
sons d'areoinstrumentoquizera agora escutar,
quizera
magnas
pungentesnestesilencio olvidar.
Kada
émelhor
queesteprantoem
silencio gottejando,meigo
e doce, e,pouco
apouco,docoraçãodespegado!
Nâo
sorode fel,mas
sanctofrescor
em
peitochagado
!Nâo
exprimidoentre dores,i^^W^iffí^-^^^
—
; v-vr-^-^1,..^,,:.-,,^'^,-í-:-;«-- ^,.^-,.^, , :-^-,Vf^^::^-:i:-^-Chorosao Violão 27^ 4Rosa
no
mar
(GONÇALVES
DIAS )Por
uma
praia arenosa,vagarosa,
divagava
uma
donzella.Dá
largas ao pensamento.Brincao vento
nos soltoscabellos delia.
Leve
rugano
semblantevem
n'um
instante,quen'outro instantese alisa !
Mais
velozque a suaidéanão
volteia,não
gyra, nãofoge a brisa.No
virginal devaneíj,arfa oseio,
pranto e riso semistura!
Doce
rir, dos céos encanto,docepranto,
doce pranto que
não
dura.•Ti?
28 - ^
Quaresma
&
C. editoresNesselagarsolitário,
seu fadário,
dever o
mar
se recreia,de
o ver átarde, dormente,docemente
suspirar
na
branca areia.Agora,qual semx^re usava,
divagava
em
seu pensar embebida.Tinha
noseiouma
rosamui
formosa,de
verdemusgo
vestida.Ia a
virgem
descuidosa,quando
arosa<lo seio
no
clião lhe cáe.Vem
um'onda
bonançosa,que, impiedosa,
a
florcomsigo retrae.A
meiga
flor sobrenada.De
agastada,a virgem
an3,o querdeixar. .,
Bóia
aflor:avirgem
bellavae traz delia,
Chorosao Violão 29
Vem
aonda
bonançosa,vem
a rosa !...
Foge
aonda, aflortambém
!Se a
onda
foge, a donzellavae sobreella,
mas
foge, seaonda
vem
!Muitasvezesenganada,
de enfadada,
não querdeixar deinsistir.
Das
vagasmenos
seespanta..
Nem
com
tantal^restezalhes quer fugir.
Xisto, o
mar
que se encapella,a
virgem
bellarecolhe elevacomsigo !
Tão
fallazem
calmaria,como
a friapallidezdefalsoamigo.'
Xas
aguasalguns instantes,fluctuantes,
nadaram
brancos vestidos!Logo
omar
todobonança,a praiacança
30
Quaresma
&
C. editores' "^.J^'^
:
Um
docenome
querido *í -;
foiouvido !..
.
, ;
^
j^AIaanoite
em
mais demeia
!
- ''^^^^^
Toda
apraia perlustraram, :J:-só
acharam
-^
rubraflor
na branca
areia.'
Musica da modinha «
A
hrisadiziaárosa». E- doinspi-radoTaffi,queé auctordc outrasprimorosas, que conhecemos.
Pastorinha
Pastorinha, tuquefazes
cá tão longedologar,
todoo dia,
emquanto
trazesno
monte
ogado
a pastar?Fecha-te o
mundo
esta selvanem
delleos sonsaquivêm,
etu sentadanarelva
Choros ao Violão 31
Ka
roca tens companheira,mas
nesses dias quevão,"^
se
bem
fias, fiandeira,'
Vae-seaestriga ou cança a
mão
!Malmequeres
desfolhadostensno regaçoe nos pés !
São
jáfolhasdecuidados,ou
desejoquemal
vês?"®i
Ai,pastora, tucoraste,
«
vejono
teu rubor,que, se o teu
gado
guardaste,não
te guardastedoAmor
!Ha
muita
sombra
(TOBIAS
BARRETO)
Ha
muita sombra,meu
amor,no
valle,_no
valleagreste,em
que medito asós,muita
deliciaque enlanguece os olhos,€muitaflorpara cuidar denós.
'j^j^-'íft^-y:
..-.--^;>..., ^ ""^^F-^*
\
32 ' ""
Quaresma
&
C
. editoresAli, nós ambos, pelo ceo guardados,
do
amor
mais puro no encantado abrigo,tu
me
dirias:Em
quetanto scismas,abre o teulivro, querolercomtigo.
De
nossasalmasna
linguagemmystica,falando,prezosde
amoroso
enleio,eu tepudera desvendar minli'alma7
tu
me
i^uderasrevelarteuseio.ESTRIBILHO
E
nessas horasem
que o ceo é calmo^ao
vago
anlielo dos suspirosmeus,eujuntaria tuas
mãos
de seda,mãos
de creança, paraoraraDeus.Musica da modinha
—
J^'tarde, étarde, etc.i^N*í:,.-g^r"-jk:%y'';,'*f
^
*í^^'^>:-Choros ao Violão 33
Alzira
"Alzira,
meu
anjo,meus
cantos escuta !É
grande estaluctaque eu tenho porti.
Vem
dar-mesoccorro,que euj)enode amores..
.
Abranda-me
as dores,que
a calmaperdi.Tormentos, martyrios,
angustiaspadeço,
porque não
me
esqueçode teusancto
amor
!Vem
dar-mesoccorro!Escuta
meus
cantos. .,
Tem
pena
dosprantosdoteu trovador.
Eu
amo
osteusolhos,teurosto moreno,
teu ar tãosereno,
teu lúcido olhar!...
Eu amo
teuslábios, vermelhos, corados!São astros
banhados
,jíri^-?*í«c;.;?^^*'-\ "k*ífi '-ríi
n
36
Quaresma
&
C. editoresConselho
Põe na
virtude, ^"^ filhaquerida, detua vida todoo primor.Não
dês ásorte,quetanto illude
sem
avirtude,algum
valor.Tudo
perece, nmrclia abelleza, foge ariqueza, esfria amor,mas
avirtudezomba
dasorte e até.damorte
disfarça o horror. Brilha a virtudena
vidapura, qualna
espessura do lirioa cor ! Cultivaatlenta, íilhamimosa,
sempreviçosa,tão linda flor.
Choros ao Violão 37
Desditada
Sosinha, ao
desamparo
ella vivianesse pobre casebre
abandonado
:não conhecera pae
nem
mãe
: deíafitar aquelle rostomacerado.
Xenhum
rapaz esbelto a convidavaparaos descantesda festiva aldeia
e
comsigoamesquinha
suspirava:Doce
Jesus, porquenasci tãofeiafQuando
aluanoceo azul surgia,<lealvor
banhando
amurmura
deveza,no
postigodo albergue a sósgemia
triste
mulher
sem
viçonem
belleza.Chamou-a
Deos,emfim
!Quando
passavao
singelo caixãona
triste aldeia,melancholicoo
povo
murmurava
:'•)
•t
38 '
Quaresma
&
C. editoresQuem
És
?
?
Quem
és, arclianjo sublime,mimosa
florda
natura?Da
flordo prado és rainha,do
prado arosamaispura!D-alvaestrella scintillante
se
vem
nascendoum
clarão,oteu
mimoso
sorrisose
derrama na
amplidão. .De
teuolliarse irradiaardentefogo de amor,
da
flor do prado ésrainha,do
pradomimosa
flor.Deste
pomar
és arosa,primorosa, ingénuaflor!
Tens do
prado aprimasia,o
Choros
aoViolão 39Dormindo
'Dormia
!Que
somno
! Qufídoce dormir!
Palpita-lhe o seio,pauzado, de leve!
A
boccaentre-aberta!Que
dentesdeneve
dos lábios,afurto,lhe deixasurgir !
Envolta,
sem
arte,na
branca roupagem,asformasrealça do corpo gentil !
Em
sonhos descora !Que
pallidaimagem
IDepois estremece !
Que
somno
febril!
Suspira . . boceja. .
murmura.
. sorrio !Exhalam
seuslábios oaroma
do nardo !« Sim, amo-te», disse.
«Eu
amo-te, óbardo !Amemos
» .. eo peitocom
asmãos
comprimio.Arqueja
.. soluça., eum
novo
bocejo-espalhao
aroma
donardoem
redor !Desperta, !
Em
meus
braços furtava-lheum
beijo ! l— ..•
-•'i^-v- f;*!i.^j5^-;
40
Quaresma
&
C. editoresNão
Perg^iintes
2íãodirei
como
eu teadoro,porque
gemo
e porque clioro,quando
é noite de luar !Fere a lua as chagasd'alma,
mas
consola,mas
acalma,quando
a geíite sabeamar
! !2ÍÕ silencio,
em
soledade,lembra
obardocom
saudadetantossonhosque perdeu !
Suspirando, desolado,
cadenceia
um
aimaguado
no
clirysol do peito seu.Juro então
sempre
encontrares,da
saudades nosaltares,esse
amor
que eute votei!
Eisporque soífroe padeço,
porque detinão
me
esqueço,Choros ao Violão i 41 -í—
O
bardo sentena calma
quea lua
remexe
n'almacom
seumarfineo pallor!A
mente
alada insinua!. .Eisporque a noite delua
relembraoprimeiro amor.
^ão
me
perguntesse amagua
faz os olhos rasosd'agua,
como
os sinto agoraaqui! !íías
minhas
nocturnaspreces,cmquanto
demim
teesqueces,eu
me
recordo de ti!
DO
AUCTOR
Musica da modhiha
—
Sympathia êum
sentimento,'•#^:Í55{!Í?SM'S^-: ,'1Wi^^
42
Quaresma
&
C. editoresA
cor
Morena
(IMITAÇÃO)
A
côrmais
bella,mais
linda,amena,
éstu, cannella
da
côrmorena
!A
côrda
luapura
e serenanão
cliegaá tua,ó côr
morena
!Á
côrdodia,minha
pequena, faltaa poesiada
côrmorena
! Branca, nevada, alva açucena, ésa creada .da
côrmorena
!Á
côrdoleite, côrdequem
pena, falta o enfeiteda
côrmorena.v^'3._^-T:_;-._..vr---.'i-r^;T-,-^-^-^..-;;,~.-t .=^:-^T, , Choros ao Violão ' 43 ^
Ninguém
de gosto,minha
Sirena, despreza orostoda
côrmorena
!Só
ella ás dores, feroz,condemna
! ,Mata
deamores
acôrmorena!E
destemodo
te adoro,Helena
!. .Sou
todo, tododa
côrmorena
!ESTRIBILHO
Pereça.o cravo,
morra
aaçucena,que
eu sou escravoda
côrmorena.'>.'
44
Quaresma
&
C. editores2L. ...
A
bocca de minha amanteéumaflordelicada. ..
Após os meus beijos quentes
ficapendidaemurchada.
Dentreasflores dovergel,
^
a mais purae vermelha,eusou a cúpidaabelha,
que
libao seu doce mel !Xão
creioque haja pincel,nem
colorido brilhanteque
dêm
otom
provocante,a nota impressionadora.
.
E'
um
pedaço de auroraa bocca de
minha
amante.Os
seusdous globosde neve-tem duas
manchas
escuras!..,.Duas
cerejasmaduras
!. ..
seu gosto nãosedescreve !
A
cinturaé fina e breve !A
pernabem
contornada !Tem
uma
cousa estimada,><3ujo
nome
não seibem,
mas, pela
forma
quetem,Choros ao Violão . 45
A
essa flor tenho aífecto,pois
quando
estámurcha
e tristeaosbeijos
meus
nãoresiste...
seu revigorécompleto !
Sou
jardineirodilectodos seus canteirosvirentes.
Ha
milhões depretendentes,mas
aflor é caprichosa,só
tem
vidaeestá viçosaapósos
meus
beijosquentes.Quando
osmeus
lábiospresente,abre as pétalasde rosa !..
.
E' mais queo
mel
saborosa,seu perfume érescendente !
Depois,
em
anciãcrescente,se contorce aflor
amada,
ene exhausta, extenuada,
e maisdizereunão ouso...
só direique, apóstal goso,
ficapendida e
murchada.
46
Quaresma
&
C
. editoresMinha
Saudade
Eu
deiteaquellasaudade,primorosae linda flor ! !
Mas
riã,otivestepiedadedo
emblema
domeu
amor
.
A
minlia flor, coitadinlia!tinhadeser infeliz ! !
Cedo
sefoiporserminha
!..,
Tinha
em meu
peito a raiz !Cultivava osseus encantos,
quando
eratenrobotão !Por
brisastinha osmeus
cantos,porterrao
meu
coração!Perdeste a
minha
saudade,uma
flor tão lindaassim!!
Sem
ella agoraquem
ha
detedar
lembranças
demim
!ESTRIBILHO
Oh,
quem
me
dera,Sanctinha,ai,
quem
me
dera essaflor!Perdeste-a sópor ser
minha
!'
-í^
'""-Choros ao Violão 47
O
Acalentar
da
Neta
Dorme,
dorme, minlia neta,"
senão nãosou tua amiga,
dorme
que euteembalo
o berçoe
tecantouma
cantiga.
Yae
abelladona
Auzenda
Caminho
dePalestina,levatraje de romeiro,
com
seubordão eesclavina.Dona
Auzenda,
Dona
Auzenda,
em
sabendo que ésfugida,tua
mãe
cahirá morta,e tuasirmãs
sem
vida.
Pouco
importa aDona Auzenda
quem
na
Hespanha
morra
ouviva,yae
em
busca de su' alma,que
em
Palestina écaptiva.De
lálhevieramcartase
uma
carta lhe dizia:«
Teu
amigo,dona Auzenda,
!i"^l.^3pw,:.^Vr.4^S^^.'^pW--48
Quaresma
&
C. editoresAs
cadêas nãolhe pezam,pezas-llietu, porque scisma
que
ha
de morrersem
maisverte,liemver-tequer
na
mourisma.Dorme,
dorme,minha
neta,e tufuso, fia, fia,
que eu canto á
minha
candêa,ao
pé
daVirgem
Maria.Tendeu
jóiase arrecadas,comjHou
bordão eesclavinae trajadade romeiro
ja
demanda
a Palestina.Vae
pedindopelasportas,l)or soese chuvas
caminha
;trabalhosnãoaquebrantam,
com
elles vae maisasinha.Uma
tarde, erasol posto,quando
avistouuma
ermida,era de Xossa Senhora,
mãe
doshomens
se apj)ellida.Os
soccos descalça áporta,ajoelha
com
fé viva,jiedindo lhe restitua
»^-dí?Í:^:^WW?^^':'^t^^-':•:'}''
"
:%,^''•V-'-'/"f^^i;-Choros ao Violão
49
Os
olhosda
Virgem
Santaderam
mostras deaffligida :ergueu-se
um
ventodaserraque todatremeu a ermida.
Coitada de
dona Auzenda,
mais tristesae do que vinha :
cerrou se-lhe logoa noite..
.
eellanosbosques sosinha !
Queria andarenãopôde,
que
o grandeescuro atolhia;necessitavaencostar-se,
tinhamedo, não dormia.
\
K'uma
raizpousaaface,ocorpo
em
folhas reclina,com
suas penasconversa,coitada
da
peregrina.Perdiaterrae o palácio,
perdi a
mãe
quelátinha,I)erco-me agoraa
mim
mesma,
50 .
Quaresma
&
C. editores ii'íDão
Geraldo,dão
Geraldo,só a fé
não
éperdida, I'.
pois tusabes
que
te adoro,e eusei
como
sou querida.Peço
aomeu
anjodaguarda,se hei-de aquificarperdida,
que
vá
levar-tepor sonliosestaminlia despedida.
Assim
diziaa formosadona
Auzenda
de Moliua,e aodizer
—
anjoda
guarda—
lembrou
-lhe a irmãpequenina.Dorme,
dorme, minlianeta,e tu,fuso, fia, fia,
que
eu canto àminha
candêa,e sou
da
Virgem
Maria.Então
dos olhoscançadoslheborbotouador viva, ^
€ ouviofolhasabanadas,
e
viuuma
luzesquiva.Choros ao Violão 51
Logo
paraaquellaparte,porqueopavor aconquista,
em
joelhos,com
mãos
postas,de
relance extendeavista.E
viuuma
sombra
grande,que
mui
devagarcaminha
;quiz rezar,benzeu-se errado,
não deu
com
a—
SalveRainha.O
andardophantasma
branconenhum
ruidofazia;
paroue poz nellaosolhos
;
mas
eram
terra. ..nâo
via.Extendeu-lhe os braçoslongos,
e co'
uma
voz,como
brisa,lhediz:
Eu
soudãoGeraldo,que
em mim
jásenão
divisa.Tu
buscavaso captivo,eu
procuro aperegrina,tu'
alma
querDeus
que estejacom
meu
corpoem
Palestina.i;
".íl-'"^^r^Jíf^vif-^'''^'!'^''
52
Quaresma
&
C. editofesOs
nossos anjosda guardaderam
palavrasem
lingua,quea
mela
noite aquimesmo
findaria-a nossamingua.
Deus, à
alma
enviaum
corpo,6 ao corpo
uma
alma
envia...
Ja
estas finaespalavrasdona
Au'.enda não ouvia./
Dorme,
dorme, minlia neta,e tu, fuso, fia, fia,
que eucanto ao
pé
dacandêa
que accendo á
Virgem
Maria.Tinha dado
meia-noitee
dona
Auzenda
cahira:ai,jaz
morta dona Auzenda,
quetantaspenas sentira !
Quem
ha
de enterrar seu corponessa noite desabrida,
ou
quem
aosj)ésda Senhora
Chorosao Violão 53
Nessanoite, à
meia
noite,indo o septe-estrello acima,
caloude repente as vozes
mocho
quemaguas
lastima.E
ogallo, que por taeshoras,com
seucantoárezaincita,bateu as azas calado
ao pé
do leitodo ermita.Tocou sem
mão
asineta,abriu-seaportada ermida,
as velasdoaltaraccesas,
a
Senhoramui
garrida.Entrou
a orarum
extranho..
peregrinoou peregrina
que
de tudodava
mostras.».
e
falavaem
Palestina.•Seia ourinha,
nunca
o disse,cxuando oermita o requeria,
que
ora falavaem
ser volta,i4
Quaresma
&
C
. editoresE
disse: aDeus
me
encommenda
por três, maistrês, etrês dias,
que ao cabo de
uma
novena
findarãomil agonias.
Ora, nessa
mesma
noite,qyiz a
bondade
divinaque
outragrande novidadesuccedesse
em
Palestina.Da
cova dedão Geraldo,á
meia
noite precisa,surgiu
um
coriDOdefunto,que
a todos atemorisa.Dorme,
dorme,minha
neta,etu, fuso, fia, fia,
que
eu canto áminha
candêa,ouça-me
áVirgem
Maria
!E
veioum' alma
voando,que
pelos ares foi vista,Nossa Senhora
a guiava,:bí-"Ç
Choros ao Violão 55
Metteu-se dentro aofinado,
e o finadocobrouvida;
poz-se
com
o anjo a caminho,à
Senhora erajá'ida.Como
anovena
acabava^aocabo do
nono
dia,vinhapela
ermida
entrandooutro romeiro áporfia.
E
este,assimcomo
o primeiro^muito
ao velho desatina,que
também
não
cáena
contase é romeiroou peregrina.
Os
dous romeiros se olhavam,ea
mãe
doshomens
sorria !O
ermitaestavapasmado,e
um
padremoço
surgia.Por
debaixodoroqueteque
eranevesem
mentira,reluziam duas azas,
ambas
deprataesaphira."#'
56
Quaresma
&
C. editoresTomou-lliesas
mãos
direitascom
signaesdemuita
estima,e disse : conjungo-vos,
epoz-llie aestola por cima.
Nove
ânuoseram
passados,eapós uove ânuos,
um
dia,quando, ao dar
da
meia
noite,lá
na
portase batia.Como
seabriu acaijella,logo entroupor ella
acima
um
caixãocom
dousdefuntos,todo de obramuitoj)rima.
Vinham
ambos
abraçados,com
mostras dequem
dormia,com
c'rôasde flores brancas,e
ninguém
os lá trazia.Mãos
quepegavam
aargolla€ram mãos
que se não viam,nem
se enxergavai^essôaChoros ao Violão 57
Dorme,
dorme,minha
neta,6tu fuso, fia, fia,
que eu canto á
minha
candèa
ao
pé da
Virgem
Maria.Poi
escriptaestamemoria
ii'umataboa
bem
polida,qne
ainda agoraem
Biscayavae-se ver áquella ermida.
A
campa
ficousem
nomes,mas
toda agentediziaque
eraAuzenda
eSão
Geraldo,filhos
da
Virgem
Maria. (Por
devoção que esse parcom
o sancto rosário tinha,indapor
morte
casaram,sendo a
Senhora
madrinha.Dorme,
dorme,minha
neta,que
tenhoa rccadafinda !Amanhã,
querendo aVirgem,
linda-58
Quaresma
&
C. editores ^%;
Yá
Saindo
. . .LUNDU'
Senliora
don»
Josepha,não
supporto maisa espiga !...
O
feijãovae muitocaro. ..
vá
saindo debarriga.Estou
na
ãisga, senhora!fui
hontem
desempregado
!Eu
ando
mesmo
a nênê.. .vá
já saindo delado.Ha
mais dequatrosemanas
a
minha
vida desanda !...
A
carne seccaé fidalga. ,.
vá
já saindo de banda.Não
queira passar miséria;
se
tem
algum
pretendente,agarre Q.paio de geito
G
vá
saindodefrente.^-
^*-Choros ao Violão
5^
Saia ! saia!. ..
sem
demora
!...
saiajád'aqui,
mulher
!De
lado,barriga, oufrente,de banda. ..
como
quizer.DO
AUCTOR
Os
Bichos
O' freguezia, olha osbichos,
que
eu tiveum
sonho de truz !Teremos
hojena
ponta:—
Águia, burro ouavestruz.
Pode
daraborl)oleta,se der
no
moderno o cão!Mas
será o tourooutigre,se nelle der o leão.
No
salteadoaffiançoque serácabra oucavallo
.
Agora
o melhorpalpiteserátalvez
—
vacca,gálio.^.\•R- T^í^stiJ^ís-í-w-Eí^^^i^?^-:
^
60
Quaresma
&
C. editoresQuem
arriscar uo macaco,jogue
u'um
bicho depéllo,mas
ao certonâo affirmo,porque
pode
ser camelo.Coelho, gato, carneiro,
também
nosmerecem
fé !Mas
nãoserá muito espertoquem
deixar ojacaré.O
porcoé hoje obichano-quetenho mais carregado,
mas
operu vaena
ponta,é
jogo mais acertado.Será tolo e multDtolo
quem
não comprar
no elephante !,
Esse bichoéde
massada
!...
Bem
pôde
daro tratante.jVIeus bonsfreguezes, o urso !
No
pavão
! Alerta, alerta!Freguezia joga nelle,
^í^jjicíSwí^íji-^i;-'".
Choros ao Violão 61
Mas quem
quizerfazerjogosem
medo
deser logrado,jogue firme e
sem
receiono
vintee quatro—
oveado !Será tolotodoaquelle,
poisque apenas
um
lhe sobra,que perder por
um
somente,deixando delado a cobra.
Do
Auctor.Beijo
Criminoso
Lundu
Sinhá, ficaste enfadada
por
um
beijinhotedar?Xão
foipor querer, tejuro,foisój)aratezangar!
Xão
brigues assimcommigo,
que
mal
te fez esse beijo1E' só porisso que agora
tãobrava, Sinhá, te vejo?
'S«teír^;2i3^-.*.T/'-;;>.-:-Srí, - " V. -, " íi.;.. >' "_. "V -- '-- ; /"'" ^
62
Quaresma
&
C. editoresSetu
não
fechas a bocca,se
não
deixas de falar,eu
vou
com
quatro ou seisbeijosatua bocca fechar!
Mas, se quietinhaficares,
conforme
eu peço edesejo,eu
juronão mais
beijar-te,sellando a jura
n'um
beijo.ESTKIBILHQ
Um
beijo, sinhá, écrime !E' se atirar
no
escarcéo!Mas
dez,vinte, trintabeijosnosfaz subirparao céo.
As
Borboletas
Azues
LUNDU'
•Queressaberj)orque os poetas,
çiue tanto
gostam
deluz,nos
dizem
que asborboletasmais
bellassão asazues!SStóf^-ôv '^^:'^•'^^^-«iír^ ''.>^
Choros ao Violão 63
Eu
vou
dizer-t'osem medo
deinfringir a lei vedada,
desde que a causaé segredo
só entregenteinspirada.
Deus
pretendendo deestrellasornar onoturno véo,
pensou, e,para fazel-as,
deu
uns piques pelo céo.E,
quando
osfurosse abriram,por
onde
jorroualuz,desses recortes sahiram
as borboletasazues.
Ciúmes
(LUNDU')
Desterrateusvãos ciúmes,
festejoa quantas são bellas!
Mas
sempre
a rainhadeliaséstu,
Armania
cruel!
^:^..'jií-;5_.«'»t?"-^^^.-.,..-. -*-. .^-.--."í-,^-:a---r-f--f.--_-^,.„•:: -_-J!.=?-?íi..-•S::u-:-L:-'-^^^^:r^Ã^^-»^-v3..v.->.;-'
''
.-S27".f.^'-"f
'
64
Quaresma
&
C. editoresDe
teu semblanteas lindezas,adoro n'outrossemblantes,
sâo
meus
i)assos inconstantes,é
meu
coração fiel.Não
t'onego,com Armia
falo ás vezes
em
segredo ;não
t'o nego,este arvoredoviu
-me
com
Liliabrincar:porem
com
Lilia só brinco,porternos brincos teus
modos
!De
Armia
ossegredos todosos teus
me
fazem lembrar.Fartei, confesso, etuviste,
dousbeijosou trêsa Estella.
.
Gabavam-me
os beijos delia,quizver se
eram
como
os teus.Toquei no seio de Tirse
derosauns botõesfechados !
Tu
és bellaem
teus enfados,quiz ver
como
era nos seus !Sea
Ismene
pedi cabello,foisópor
também
ser louro,fui ricodo teu thezouro,
Choros ao Violão 65
Amo
em
Gertruria o teuriso,amo^osteus olhos
em
Jonia;
l^rézo nas cartasde
Aonia
tua escriptae descripção.
Um
sócoraçãome
coube,etu ésa flor dasbellas!
Nem
mesmo
entre osbraçosdeliaste forainfieljamais !
Por
distracçãotenhoás outrasvezes mil teu
nome
dado,eaté hoje inda ateu lado
não tive enganos eguaes!
Quanto
maisjulgas, ingrata,perder atua conquista,
tanto mais se
augmenta
alistados teustriumphos
sem
par!De^
meu
coração tequeixasserem
sem
conto asrainhas!São
escravas, quenãotinhas;que vãoteu carroi)uxar.
Dez
Analiaste abandono,Jonias duas, seis Themires,
e após estasquantasvires
desemblante encantador!
:
:
:
J-v: ,.:^--%-66
Quaresma
&
C. editoresArménia
!.. . sobreáureasrodas,portuas rivaes levada,
has de subircoroada
ao Capitólio do
Amor,
TroTas
ao
Sereno
Não
quero serteu escravo,porque
temo
ecom
razão,que
a liberdademe
prendas,prendendo-me
o coração.Eu
jureinão maisamar-te,não
te ter mais amizade,mas
agoraé muito tarde,janão tenho liberdade.
Vae-te, cartaventifrosa,
^-^ae vera
quem
querobem
IDiz
-lhequefico chorandopor
não
poder irtambém.
I - -¥'-^-^^ *:•--yi^fi-^-S ,..--. .)--^^ /tí Vi^^^Si-'-;" .^V.".; :- ' --..••;;.:. /-. . #?._ríi:-i"„Bi"
-=»^S>',:---•
Choros ao Violão •
^^
67
Eu
ando
morto, alquebrado.
sevivo tão tristeassim,
éporquevago
sem
rumo,poisjá
não
seinem
demim.
O'
rio que vaescorrendo,buscaver
um
bem
que adoro,se tefaltarem as aguas,
leva aslagrimasque choro.
A
lua, osol, as estrellas,osastros todos brilhando,
não
tém
aluzdeteusolhos,quando
me
estãonamorando.
Costumei tanto os
meus
olhosa namorarem
os teus,que
de tanto confundil-os,já
nem
seiquaessãoosmeus.C
rosaqueestásmurchando,
que
perdes a rubracôr,€U
também
me
vou
finando,«mpallideço de amor.
68
Quaresma
&
C. editoresEegato, nãocorras tanto,
modera
oandar ligeiro,meus
ais escutae tejuroserno cursocompanheiro.
Camélia, tua belleza
110
perfume
nosillude !Tu
ésabelleza morta,que não
tem
cheiro—
a virtude.E' tuabocca ideal
um
paláciocom
jardim. ..
As
portas são de coral,osdegráos são de marfim.
Quem
me
dera lámandar,
como
arautodo Desejo,um
pagem
desedae ouro,que tem
onome
de Beijo.(
TO
31DE
FADO
)#?
\-Choros ao Violão •
69
Eulina
Eulinaformosa, gentil,engraçada, .
-dosanjos
amada
viviafeliz !Tranquilla dormia, tranquillaacordava
íividaenfeitavade bello matiz.
Prazeresfruirá
da
paz noregaço,seu peitode aço
ninguém
dominava,somente á verdadeseuscultosrendia,
<los
homens
fugia, de amoreszombava.
\
TJm
joven, roubando-lhe apaz de su' alma,fingido e
com
calma
firmezajurou!A
cândidapomba
seus votosouvindo,noslaçoscahindotaljoven
amou.
Depois o fingido, sorrindoe
zombando,
traidor
humilhando
seubom
coração,brincandolhedisse:
Que
linda donzella!70
Quaresma
&
C. editoresAtraz
deum
rochedo, foiloucae chorando,---'-;-:í.!--'';'
or-nado!
suspirando, seu rosto occultar, "sf/íLmas
logo tristonha sahiu lacrimosa, : ' . : ;^:.^fe foivagarosa
caminho
do mar. . ''^tK"apraia desertaconchinhas catava,
no
seioasguardava
com
toda aaffeição,mas
eisqueem
furoresomar
se encapella^elogoa procelladespede o trovão.
A
loucanão
teme
!Não
foge átormenta\A
onda
rebentae leva-a comsigo!Foi
lirioque asdores só teveporpaga,oseio
da vaga
por tristejazigo....Morreu Maria
*(
IMJTAÇlO
) '^^
As
sombrasdescem
' ^^ -^da
serrania, ;)Wosventos
gemem
:-^M
IjMorreu Maria
! , ;'-^í,it5o
; * ':*' V^'' • • ', :
Choros ao Violão^ 71
As
brisaspassam
no
fimdo dia, dizendoás flores :Morreu Maria
!A
fontechoran'uma
agonia, porque, saudosa,Morreu
Maria.A
terna rolaque
amor
carpia,tristonha arrulha
Morreu Maria
!A
brancalua,que ao
mar
sorria,diz, entre
nuvens
:.Morreu
Maria.Vésper
esponta tristee sombria,, porque,na
terra,morreu
Maria. rí¥".--L-' \. ... ''-j,:-f^'íi;rf:'a^í^p:,wgf^^^ssíex^p---^..y ^5-,
72
Quaresma
&
C. editoresChora
o cyprestena
louza fria,gemendo
ás auras :Morreu Maria
!Fugiu da
terra toda aalegria, sóporque amorte levouMaria. Soluça alyra tristeelegia!. .Minh'
alma
chora !Morreu Maria
!Feral saudade,
vem
sermeu
guia!Chora
em
minh'alma
!.^Morreu Maria
! !'^^i--^''i'<^'.r '" '''''^--''- .-^-^ '"'ft•—-^^i-rrX-'
Choros ao Violão 73
E's
má
Quantos
queixumes,quantos quebrantos
choram
n'unsprantosde
magna
e dor,se penso, á noite,
nos
tempos
idos,diasfluidos
do
nossoamor
! ?Passam na mente
mais
demilsonhosdesses risonhos
diasde então !
Guardo
em
segredocá na memoria
toda essa historia
-do
coração ! !.. 'Se
tume
odeias,mais
eutequero !Que
amor
sincero
^-^-^i'^-^^^^^^^^-^^-74 '
Quaresma
&
C. editoresNem
terecordas, desses protestos ! . Gelados restosno
peito teu ! Hoje, sonhando, tequero ainda !Amor
não
finda,quando
épaixão !Eraso anjo
do bardo triste !
Porque
fugistedo
coração1 !Eu
fuitão loucocrendo nas phrazes
cruéis, fallazes,
que
já teouvi. ..
Que
importa agoraviversoffrendo, se
vou morrendo
deamor
porti IMas
sedevias,no
prantoeterno, mostrar-meo inferno de teurigor.Choros ao Violão 75 porque primeiro
me
verfizestea
luz celeste deum
céo deamor
?BO
AUCTOR
Yae,
suspiro
Castasaudade,vem
dar-mealento,leva-lhe agora
nlfeusentimento.
Conta
meus
males,meus
ais doridos,e
meus
suspirostristes, sentidos.
Dize-lhe as
maguas
que eusofifro agora,
eque por ella
76
Quaresma
&
C. editoresDize que eu vivo nesta espessura curtindo as anciãs
desta amargura.
Vê
se esquecido .lhe estou
na mente
!Conta-lhe tudo
que
o peitosente.Dize que eu vivo
soltandoais!.
.
Que
estassaudadessão immortaes.
ESTRIBILHO
Parte, suspiro,
não
te constranjo !Demanda
oslaresdesse
meu
anjo.Choros ao Violão 77
Fado Portuguez
Nem
teleimbras, ó Maricas,daquêllas nossasfaçantas?.
.
cando
osmeus
olhostebiram,estabas aassarquestanhas.
Cando
osmeus
olhos tebiram,meu
curação te aduíou,e
na
quêdáiados vraçosminh' alma
prezaíicou.Palavras
num
eram
dietas,rolaocacetenoaire,
inté
que
fai ovrigueiadopruma
janella aseltaire.Seltando
domingo
in terrabou
a toscada Curada,e
cumbido
um
marinheiro,78
Quaresma
&
C. editoresCando
oZé põe
mão
no
leme,bai gritando: oh, alto lá!
O
r'-paznunca
seteme
dasboltasque o
mundo
dá.Turrada
e maisturradas,turradas
na
queromais,pur cauzadas tâes turradas
asfilhas
perdem
sespães.Meninas cando
eumurreri,grabai
M
na
sipultuiria:Aqui
jazum
pêgudista,qui
murreu
sem
ter bintuiria.Eu
sou cantorluxinoli,cando
bejo aminha
vella!Bou
murreriapexunado
. ..
Nã,quero a bida
sem
ella.~O
bentotruieum
r'cadoque
aminha
vellaenbiou!A
vrisa lebou-lium
veijoda
ialma quê
cáficou.Chorosao Violão 79
CaimõeSj o grandecantori
dasgloriasdePortugali,
pagou
tambam
seubalori-na
enxergad'um
hospitali.Se
me
xairna
taludaosurteio doXatali
dou
aodemo
abersalliada,bou
ser reide Portugali.Quem
seráque estácantandotão linda canção de fado!
E' decerto
um
ruxinoli,ou
um
t'-nor constipado.
Do
fadosou cantadori,cum
elle fuienvallado!Até
na
oirada
morte,eu
quero cantari ofado.S^"
Quaresma
&
C. editores '- ^ "^^S*Este
Tango
(Imitação)
Este tango é
um
rato matreiroaroer o
pão
durono armário!EUe
valeum
montão
dedinheiroVale
um
conto. .. talvez de vigárioEste tangoé
um
livrobichado,é
nm
rabo de gato ladrão,é
um
queijojá velho e mofado,é a tranca de velho portão.
E' a cará defeia coruja
é
um
pinto no ovogorado,feijoada
com
meia
bem
suja,ou
um
banco
de pinho quebrado.E'
chapéu
de gatuno, seboso,é
um
sacco deestopa vasio,um
cigano feliz, cabuloso,é
um
turcogemendo
com
frio.Choros ao Vioiao 81
E' a ponta degasto cigarro,
o casaco de antigo poeta,
è
um
lenço banliadoem
catharro,é a cara de
um
bestae pateta.Este tango pareceacareca
de
um
velhote que ainda é pachola,ou parece
uma
horrivel rabecade qualquer tocadormariola.
E' cartolacuspida, amassada,
que
jásabe e conheceoque é vaia,é a cara develha, engelhada, &
uma
botasem
saltoe cambaia.E'
um
tanhomedonho,
éum
jambo;
é
am
velho e furadolençol,este tango pareceura
molambo,
ou a
tampa
deum
grande ourinol.Este tangoparece
um
canudo,um
capãoaffogadon'um
sacco,é
um
j)reto africano beiçudo,82 .
Quaresma
&
C. editoresE'
um
gallo pellado,uma
cobra,uma
canjade sapo inda tenro,este tango parece
uma
sograa
mettero cacete no genro.E' purgante
qne
a gente aborrece,uma
lata de graxade frango,estetango
com
tudo parecemas
só não se parececom
um
tango !Tem
afeia carranca deum
frade,uma
cara exquesita e canónica!...
E' orubro nariz de
um
abbade. . ..
E' a cara dapeste bubonica. .
.
Do
AUCTOR.
Choros ao Violão
83
Falsa
jura
Tu
me
jurasteconstância,fidelidade e ternura,
afifeição sincerae pura,
amor
quenunca
tem
fim !Tu
me
juravasque o peitoos
meus
carinhosguardava
€ que tua
alma
escutavaminha
dorno
bandolim
!De
noite^quando
nas cordasdo
meu
sonoro instrumentodeixava queo
pensamento
se alasse aosastros do céo,
tu vinhassobreajanella
debruçada,
em
mago
encanto,ouvir avoz de
meu
canto,mais altivo que
um
trophéo.Meu
bandolim
pipilava,ii'umdoce edébilanceio,
seguindoo
meu
devaneioque
abrisa levavaalem
!Ai, que ventura suprema,
€m
dor acerbamudada
!Ai, que tristeza acerada