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(1)
(2)
(3)

BIBLIOTHECA

DA

LIVRARIA

DO

POVO

/%/

mmu

E

mmm

do

Modinhas

Brasileiras

Couteiido as

mais

populares, conhecidas e apreciadas

modinhas

brasileiras ^

com

a indicação dasmusicas

com

que

devem

sercantadas.

Escriptas e colleccionadas

CATULIO

DA

PâTxãO

CEARENSE

Auctor do '

'CANCIONEIROPOPULAR'

'

(4)
(5)

8è.9,90S

O

Cayaquinho

AosAmigos Galdiiío eMabio

Meu

cavaquinho choroso,

temos

noite deluar !

Eu

ando

triste e saudoso,

por

isso

vamos

chorar.

Bepara

que anoite bella

as

tuas cordas prateia!.

.

Vamos

£rillar-lhe ájanella,

'Que é noite delua cheia.

As

tuas cordas são fibras

•detua

alma

chrystallina,

'^

vae

epntar-lhe as

magnas

dibras

(6)

Quaresma

&

C. editores

Tu

tens lagrimas nascordas,;

quando

em

mim

tu te debruças !

Quantas lembranças

me

acordas,

se sob o plectro soluças!

Quando

tristonho, indeciso,

o seu rigor

me

maltrata,

meu

coração tranquillizo

n'um

teu

gemido

de prata.

Os

teus suspiros macios,

quando

tu plangessosinlio,

parecem

dolentes pios

de

uma

ave que

não tem

ninho.

Tua

alma

indiscreta, incauta,

que só

me

entendea canção,

conhece asqueixas da flauta,

as

magnas

do violão.

Se falas

em

doce acorde,

se tu

gemes

ao luar,

de inveja oj>íw/íO se morde,

]3or não poderte emitar!

IS,

xVs tuas ma^iasiransbordas

cpiando

em

mim

ta tedebruças T

Quantos

soluço; acordas,

(7)

-1.

'''•'.

'-^-Choros ao Violão

Meu

cavaquinlio adorado,

tu não padeces sosinho!

Eu

também

vivo isolado !..

.

Chora, chora, ó cavaquinho.

Mais

que aviola, fagueiro,

tu choras

no

teusacceutos!,

.

Tu

és omais brasileiro

<letodos os instrumentos.

Tu

nosfalasdas ternuras

•de

um

amor

lento e

penado

nasargênteas fioritnas

•doteu suspiro chorado.

--Traduze

em

nota amorosa,

n'um

meigo

acorde revela

•essa

Canção

languorosa

que

ouvistedos lábios delia.

Lua

cheia!.. ejá deliras

nestepenar, que é tão agro !.

.

Chora

a walsa

em

que suspiras

todo o

amor

que eulhe consagro.

DO ÁUCTOR

\ .

(8)

6

Quaresma

&

C. editores

Ao

Serena

Acorda, Indolente^

que a

lua fluctua

na

tuajanella,

cerradaao luar

!

Em

noite tão bella,

porella inspirada,

vem

tu, doce amada,,

de

amores

falar.

Tu

dormes, ingrata,

com

flores, primores,.

amores

sonhando,

Sorrindoao prazer!

Mas

eu, suspirando,

chorando, carpindo,, saudades sentindo, só quero te ver.

Os

sons merencoreos,. saudosos, morosos, queixosos

da

lyra

morrendo

já vão!.

Meus

carmes

inspira,

Zulmira !... Plangendo, descanto,

gemendo

na

minha

canção. "'*: '.íiSiSft:, .*í,V

(9)

Choros ao Violão

Á

noite estrellada,

silente, cadente,

dolente, teus cantos

almejo escutar !

São

tristes

meus

prantos,

são sanctos ! . . Desejo,

no

fogo de

um

beijo,

comtigo sonhar !

Musica ão

mesmo

DO

AUCTOR

A

Canção

do

Africano

(O

BATUQUE)

'

1?

Ai

como

eu sei te amar, etc.

2?

Não

sinto onegro crimeetc

1- ESTEIBILHO

(10)

8

Quaresma

&

C, editores

3?

Eu

choroo

meu

destinoetc

4?

Eu

sinto acerbo espinhoetc

2- ESTRIBILHO

Eu

clióro, ó pátria ingrata,

Calado e só !

A

dor assim maltracta,

longe

da

inzó !

Minli'almase desata

do térreo

! . .

O' morte,

vem,

me

feree

mata

!

Martha, de

mim

tem

! !

Ai, tu jiartir-me viste

para soffrer !

Miuli'alma

não

resiste ! . .

Quero

morrer ! . .

Penar

assimé triste ! . .

P'ra que viver

(11)

'-.y.i^-'k:'~^\?^•>'"-=? -,;

Choros ao Violão 9

6?

iSlmhB,

jupá

taobella etc

3- ESTRIBILHO

Accolhe

ospobres cantos,

que d'

alma

são !

Vem

dar-me os lábios santos,

me

extende a

mão

!

Meus

aissãotantos, tantos !

Quebra

o grilhão!

E

vem

seccar

n'um

beijo osprantos

deste

meu

coração.

7?

Quando

o luar prateia etc.

8?

Quando

a

macumba

chora,

minh'alma

todaaijassada aurora

,<K

da

minha

ilê,

e

na

marinha implora

que ador lhe dê

azas p'ra ver-te

alem

!

4- ESTRIBILHO

E

bastade maldade,

basta, ó senhor !

-^S.

(12)

10

Quaresma

&

C. editores

E' grande estasaudade !

grande esta dor !

~-A

tua crueldade

me

fazhorror ! . .

Ai,

Zamhi

atroz, nâo tenspiedade

deste infeliz

amor

!

9?

Ai,

Congo

meu

fagueiroetc

10?

Astros do ceo nublado etc

.

5- ESTRlBIiHO

Accolhe

ó pátria

amada

etc

Do

Auctor,

OBSERVAÇÃO

Julgueidesnecessário reproduzirporextenso todas as estrophesqueo

leitorencontrará nomeu Cancioneiro Popular, edecada umadasquaes

apenas vae aquioprimeiroverso,para mostraraordememquedevemser

cantados.Escrevimaistrêsestribilhos, repetindooprimeiro,queécantado

apósasduas primeirasestrophes,enofinalda decima.Creionãocarecero

leitorde maisexplicação, poisquenadamodifiquei.Accrescent^mais duas

estro^ihes, que são cantadascoma musicada primeira parte, e os três estribilhos,cantadostambém comamesma musicados outros.

A

canção é

(13)

(íhôxosao Violão 11

Odio

LUNDU'

Eu

tenho

gana

do teu sorrir. . . Paixão insana

me

faz sentir. Fico

damnado

Com

teuandar,

poisque

pasmado

me

faz ficar.

Tu

ja nasceste

p'ra

meu

tormento!

Tu

me

perdeste

sem

salvamento.

Ao

ver-te, estaco, japerco a acção!

Eu

dou

o cavaco

com

a perfeição! ! Ficoraivoso, se acaso cantas!

No

timbreairoso tu

me

supplantas.

Não

tenho calma,

se tu

me

falas!

Toda

a

miuh'alma

de amoresralas.

»

.-:

(14)

..-s^m^-isfin-.-12

Quaresma

&

C. editores ' , í|

De

mim

dás cabo!. .

Tudo

tesegue!

Vai

p"ra o diabo

que te carregue!!

Linda

emimosa!..

Arcbanjo

terno I. .

Váe

ser formosa

.lá para oinferno!

Meus

ais se fartam

dete

chamar

!

Raios te partam,

mulher

sem

par!

Do

Auctor.

Tu

queres

que

eu

sonhe

!

m

(GONÇALVES

DIAS)

Tu

queresque eusonhe,queao menos, dormindo,

<lesfructeprazeres que

nunca

provei,

<iue ao

menos

nas azas de

um

sonho mentido,

perdido, arroubado,

também

diga:

amei!

Tu

queres que eu sonhe...

Nem

sabesquea vida,

me

correpenosa, de

amarga

illuzão!

Xo

i^allido rizode

um'alma

affligida,

que

envidaser leda, quedoresnão vao !

n

(15)

Choros ao Violão 13

Sonhando, percebo

na

mente

agitada

um

mar sem

limites, aosraios

do

sol,

e

um

marco não

vejoperdido

na

estrada

cançada.. .

não

ve'o longínquopharol.

E

queresque eu sonhe !

Nas

aguasrevoltas,

se onauta

sem

rumo

consegue dormir,

as vagascruzadas,

em

sustos envoltas,

ássoltas, escuta raivosasbramir!

Talvez, j)orem, sonhequeas ondas

mendaces

o levãodomadas, que entra

em

seus lares,

mas

tristedesperta, que os ventos fugaces

nasfaces a

espuma

lhe atirados mares.

Se queresque eusonhe, que

alguma

alegria

dormindo

conheça, de

um

plácido amor,

Vem

tu

como

estrellade noitesombria,

que eníiaos seus raios das noitesnOhorror.

Brilhar

em

meus

sonhos!., talvez socegado,

scismandoprazeres

n'um

riso dos*teus,

coberto o

meu

roste, fugisse o

meu

fado,

quebrado

aos encantosde

um

anjodo ceos.

Vem

juncto a

meu

leito,

quando

eu fôrdormido,,

teuhálito insi)ire -nãosoffro- direi!

E, ao menos, nas azasde

um

sonho mentido,

perdido, arroubado, talvezdiga- amei!

Comlevestoques do auctor,parapoder adaptar-se ámusicacom que

(16)

''\^-'Z:J9^'^'C^y^*^' 'jWi/í

Quaresma

&

C. editores

Meu

Barco

Meu

barco é veleiro

esingraligeiro

ao soprogrosseiro

do

rijo tufão !

E

eu,

sem

receio,

das ondas no meio,

tomando

do veio,

lhe

dou

direcça.0.

Sem

dôr e

sem

magnas,

zombando

dasfragas,

no meio

das aguas

soumais do

que

um

r ei !

Os

ventos

me

falam,

as ondas

me

embalam,

e as vergas

que

estalam,

jamaisreceei.

Vem,

pois,

minha

amada,

viver encantada,

commigo

embalada

no

barco que é

meu!

E

onauta afamado,

deti

sempre

ao lado, VOTás desvelado,

(17)

Choros ao Violão 15

Meu

barcoéveleiro

esingraligeiro

aosopro grosseiro

do

rijo tufão!

E

eu,

sem

receio,

das vagas

no

meio,

nosversos

me

enleio

de

minha

canção.

Morena

IVIorena, bella morena,

vaidosa deteusencantos,

desdenhas amar, creança,

meus

purosaflfectos, sanctos.

Morena,

sentiste

ao

romper da

aurora,

nosvallesde Flora,

perfumes

de

amor

?

vistearolinha,

queocantodesata,

-eos pingos deprata

(18)

^Zrw-Z. .'"• - -- ,-""•#«?!.--^«^r*''.j,ísi>^3fS5Sí-"í: _ _ i^

16

Quaresma

&

C. editores

Doe-me

tanto a desventura

do

meu

viverisolado,

que sonhogosos infindos,

sonho viver a teulado.

Xa

trançasetiuea,

na

face

mimosa,

noslábios de rosa,

que

estão

sempre

a arder,

euvejo o

meu

fado,

sorrindo entre anhelos !

Encantos

tâo bellos

de

um

negro viver,

Nas

ondas domar*revolto,

na

brancaareia dapraia,

se o teuperfilse desenha,

de goso a luadesmaia !

A

tantosaffagos

não sejasesquiva,

não

sejas altiva,

não

sejas assim !

De

tantos tormentos,

morena,

tem pena

!

Morena, morena,

(19)

í'?;?'-*SS»i'JV'ig<^Vfít;-:-f';".;rSrj'^^^

Choros ao Violão

Quando

os

meus

olhos.

. .

*

^-^

Quando

os

meus

olhosteviram,

perdidode

amor

fiquei,

-meu

coraçãodelirava...

Meus

suspirosabafei.

Tu

erasbella e

mimosa,

.

'

^

mimosa

e bellatueras,

gentil, faceira, elegante..

.

Tinhas quinzeprimaveras.

Mas, hoje,queestabelleza

'

'

perdeuseu viçoeprimor,

eu indamuito tequero, ''

porque consagro-teamor.

Por

issoTiâotenhas

medo

do

meu

triste suspirar!

*

São

doresque'estão occultas, - ,'

e que nãodevo contar. ^ _í?

ESTRIBILHO

^'-\;,

Não

fujasassim de

mim,

, ,

poiseutetrago

na mente

!

^

E'grande, éfirme este

amor

, C'

que

porti

meu

peitosente.

(20)

.:>!i, ii>fv^y^'>'-'am

18

Quaresma

&

C. editores

Amargura

Suprema

Pede

ásfloresperfumesodóros,

pede

aosastrossidéreo fulgor,

pede

ás aves

poemas

canoros,

pede

ás fontes

queixumes

de amor.

Pede

áluaserenapoesia,

pede

ás brisasqueixosacanção,

pede

aosolfulgurantemagia,

Ijede ásrolasternuraepaixão.

Pede

aosechos

«m

canto

maguado,

pede

encantos ásbellasphaleuas,

sonorosa

lembrança

ao passado,

pede

amores ás noites amenas.

Pede

ao

mar

quietaçãoe bonança,

I)ede áflauta caricias, affagos,

pede

ao ceo, sorridente esperança,•

murmurejos

ás lymplias dos lagos !

3Iasao triste não peças

um

canto,

que

elle

um

aijánão

pode

exhalar, !.

.

AfFogado nas ondas dopranto,

viveobardo

em

constantechorar

!

(IMITAÇÃO,

DO

AUCTOR.)

(21)

^xL

>y> Choros ao Violão '~ 19 ' 'r,:f

f

'- "

A

Walsa

Amei-te

em

silencio, ' sincero, constante,

meu

peitode

amante

bateusóporti!

"Votava-te

um

culto

tãopuro esagrado...

Jlas eis-meacordado !..

.

Meus

sonhosperdi.

JFoi

hontem

nobaile!.

.

Teu

vulto perpassa,

voando na

walsa,

n'

um

gyroveloz!

Eu

triste ecalado,

'

da

sala

n'um

canto

vertia

meu

pranto

de

dores, atroz !

Teu

par enlaçavas

nos estosdos gyros!.

.

Meus

flebeissuspiros

gemiam

noar !

A

dorlatejava

nas anciãsdo peito !.

.

Meu

sonhodesfeito !. .

.

Minh'alma

a chorar!

(22)

•f*;:f35P',' ' ;",-'--;-^X.; ."í-rjJj^/^ISS^Í^S^RK^^lígC^^

20

Quaresma

&

C. editores

Eu

viqueomaldicto

beijava-tea face

11

'um

beijofugace

deinfame, traidor !

Libava-te o néctar

doslábiosodóros

ii'uiisbeijos sonoros

dei)erfido amor.

Meus

sonhos

cabiram

da

dorno infinito!

Feliz, omaldicto

me

via soíFrer!

A

walsa,

em

que, infida,

me

foste atrozmente,

iiãosae desta lueute ..

.

uão

posso esquecer. .

.

E

jazem

porterra

de

amor

os delubros !.

.

Teus

lábiostão rubros

me

foram punhal !

Do

ceo constellado de losea esperança, só resta alembrança,

da

noite fatal !

DO

AUCTOK.

Musica da modinha

Eu

vi-tesorrindo, voando na walsa.

':'A^.

:.':»^".'.Jv-^Íí**ÍÍl

(23)

Choros ao Yiolâo 21

Partida

do

Sertanejo

Por

mil dores macerado,

da

minlia aldeiaparti,

e, fugindo apaixonado,

quizesquecer-

me

de ti.

Mas

a saudade tyranua,

•quemais conturba a razão,

me

fazlembrar-te, ó serrana

com

mais anciãe coração.

'So viso de

um

monte

alpestre,

onde

mil gosos frui,

ficou-

me

a cli-eçasylvestre,

berço

amado

em

quenasci.

nãovejoogado

manso

que

ellavinlia apascentar,

nem

afonte

em

que descanço

vinha

á tarde procurar.

Partichorando, da aldeia,

toda a gente a soluçar !. .

.

Despontava

a luacheia....

Que

prantostinha o luar!.. .

(24)

.^»- --J*-^

'" '-' >;*'

22

Quaresma

&

C. editores -ri*

A

deus, ó choçado monte, 1 . : .

manso

gado,

amores

meus

!.

,

;

" :

Saudosas nymplias

da

fonte!

O

'noites delua, adeus! ',.-:.

DO

AUCTOR».

-Musica ãa modinha

Eu

}Knii da minhaterra. '

- •;

Um

Sonho

\;.-t

Tive

um

sonho dulçoroso,

fui ditoso,

fui feliz

no

meu

sonhar !

Não

te vi cruel,esquiva,

mas

captiva,

sorridente a

me

falar ! ! ' í#.

Yi

teuslábios solettrarem,

suspirarem

jurasmil desancto amor!

E

nos

meus

lábiossedentos,

I)or

momentos,

(25)

\

Choros ao Violão "

2^

Tu

diziasque

me

amavas,

protestavas

viver só,

mas

só p'ra

mim

!

Tu

me

destemil venturas

I nessasjuras

que tiveramlogo fim!

Nas

palavrasquedizias,

melodias

dos archanjosescutei

!

Desseelance ao ceodeamores

quantasdores

não

senti,

quando

acordei

!

Tive

um

sonlio dulçoroso,

fui ditoso,

fuifeliz

no

meu

sonhar!

Não

te vi cruel,esquiva,

mas, captiva,

sorridentea

me

beijar !

Fui

ditoso,

mas

sonhando,

que,acordando, '

vi-meescravo

da

illuzão!.

.

Triste e só no pobre leito!.

. Frio o peito ! . . Desoladoo coração ! !

DO

AUCTÔK,

(26)

24

Quaresma

&

C.editores

Cantemos,

Saudade

Cantemos, Saudade,

que

a noite convida!. .

.

Vem,

ZyíYt querida, ^ ^

Commigo

chorar I..

.

Xas

tuasseis cordas

a lagrima harpeja!..

.

Meu

prantogotteja v -^^

fulgindoao luar!

Farpante Saudade

meu

peito adolora !..

.

Lembranças

deoutr'ora.. .

do ameno

gosar! !

Dos

dias tecidos

n'uns sonhos de ouro,

desfeitos

no

choro,

«oado

aoluar !

E

tu, que noleito

matizasteus sonhos,

não

ouves tristonhos,

descantesde

amar

!

Que

as dores, queas

magnas

cantandosuavise..

,

que

o prantodeslise,

filtrado aoluar

!

(27)

gjst^-ssr^»» "^ci™'t-*'r;a^r-'"^'iíg•!'.*. "**-, » t "'*» jsr t; • >~ '' ^<=»í«sj!sí

_-Choros ao Yiolão 25

As

notaspungidas

vãograves

morrendo

!

Nos

seiosplangendo

latejaopenar !

]VIinli'alma se alando

nos langues desmaios,

se

embebe

nosraios

do

brancoluar!

Musica ãomesmo.

DO AUCTOE

Consolação nas

Lagrimas

(

GONÇALVES

DIAS

)

Como

ébello, á

meia

noite,

o

azul do céo transparente,

quando

a espherad'alva lua

Vagueia

mui

docemente

!

Quando

aterra nãoruidosa,

todasecaladormente,

quando

o mar, tranquilloebrando,

(28)

26

Quaresma

&

C. editores

Como

é bello este silencio,

da

terra, toda harmonia,

qiTe aoscéosa

mente

arrebata,

cheiade

meiga

poesia!

Como

é bellaaluzquebrilha

do

mar

na

vivaardentia !

Este pranto

como

é doce,

que entorna amelancolia!

Esta

aragem

como

ébranda,

que enrugaa face do mar,

que

na

terra passae

morre

sem

nasfolhas sussurrar !

Os

sons d'areoinstrumento

quizera agora escutar,

quizera

magnas

pungentes

nestesilencio olvidar.

Kada

é

melhor

queestepranto

em

silencio gottejando,

meigo

e doce, e,

pouco

apouco,

docoraçãodespegado!

Nâo

sorode fel,

mas

sancto

frescor

em

peito

chagado

!

Nâo

exprimidoentre dores,

(29)

i^^W^iffí^-^^^

; v-vr-^-^1,..^,,:.-,,^'^,-í-:-;«-- ^,.^-,.^, , :-^-,Vf^^::^-:i:-^-Chorosao Violão 27^ 4

Rosa

no

mar

(GONÇALVES

DIAS )

Por

uma

praia arenosa,

vagarosa,

divagava

uma

donzella.

largas ao pensamento.

Brincao vento

nos soltoscabellos delia.

Leve

ruga

no

semblante

vem

n'um

instante,

quen'outro instantese alisa !

Mais

velozque a suaidéa

não

volteia,

não

gyra, nãofoge a brisa.

No

virginal devaneíj,

arfa oseio,

pranto e riso semistura!

Doce

rir, dos céos encanto,

docepranto,

doce pranto que

não

dura.

(30)

•Ti?

28 - ^

Quaresma

&

C. editores

Nesselagarsolitário,

seu fadário,

dever o

mar

se recreia,

de

o ver átarde, dormente,

docemente

suspirar

na

branca areia.

Agora,qual semx^re usava,

divagava

em

seu pensar embebida.

Tinha

noseio

uma

rosa

mui

formosa,

de

verde

musgo

vestida.

Ia a

virgem

descuidosa,

quando

arosa

<lo seio

no

clião lhe cáe.

Vem

um'onda

bonançosa,

que, impiedosa,

a

florcomsigo retrae.

A

meiga

flor sobrenada.

De

agastada,

a virgem

an3,o querdeixar. .

,

Bóia

aflor:a

virgem

bella

vae traz delia,

(31)

Chorosao Violão 29

Vem

a

onda

bonançosa,

vem

a rosa !..

.

Foge

aonda, aflor

também

!

Se a

onda

foge, a donzella

vae sobreella,

mas

foge, sea

onda

vem

!

Muitasvezesenganada,

de enfadada,

não querdeixar deinsistir.

Das

vagas

menos

seespanta.

.

Nem

com

tanta

l^restezalhes quer fugir.

Xisto, o

mar

que se encapella,

a

virgem

bella

recolhe elevacomsigo !

Tão

fallaz

em

calmaria,

como

a fria

pallidezdefalsoamigo.'

Xas

aguasalguns instantes,

fluctuantes,

nadaram

brancos vestidos!

Logo

o

mar

todobonança,

a praiacança

(32)

30

Quaresma

&

C. editores

' "^.J^'^

:

Um

doce

nome

querido *

í -;

foiouvido !..

.

, ;

^

j^A

Iaanoite

em

mais de

meia

!

- ''^^^^^

Toda

apraia perlustraram, :

J:-só

acharam

-^

rubraflor

na branca

areia.

'

Musica da modinha «

A

hrisadiziaárosa». E- do

inspi-radoTaffi,queé auctordc outrasprimorosas, que conhecemos.

Pastorinha

Pastorinha, tuquefazes

cá tão longedologar,

todoo dia,

emquanto

trazes

no

monte

o

gado

a pastar?

Fecha-te o

mundo

esta selva

nem

delleos sonsaqui

vêm,

etu sentadanarelva

(33)

Choros ao Violão 31

Ka

roca tens companheira,

mas

nesses dias quevão,

"^

se

bem

fias, fiandeira,

'

Vae-seaestriga ou cança a

mão

!

Malmequeres

desfolhados

tensno regaçoe nos pés !

São

jáfolhasdecuidados,

ou

desejoque

mal

vês?

"®i

Ai,pastora, tucoraste,

«

vejo

no

teu rubor,

que, se o teu

gado

guardaste,

não

te guardastedo

Amor

!

Ha

muita

sombra

(TOBIAS

BARRETO)

Ha

muita sombra,

meu

amor,

no

valle,_

no

valleagreste,

em

que medito asós,

muita

deliciaque enlanguece os olhos,

€muitaflorpara cuidar denós.

'j^j^-'íft^-y:

..-.--^;>..., ^ ""^^F-^*

(34)

\

32 ' ""

Quaresma

&

C

. editores

Ali, nós ambos, pelo ceo guardados,

do

amor

mais puro no encantado abrigo,

tu

me

dirias:

Em

quetanto scismas,

abre o teulivro, querolercomtigo.

De

nossasalmas

na

linguagemmystica,

falando,prezosde

amoroso

enleio,

eu tepudera desvendar minli'alma7

tu

me

i^uderasrevelarteuseio.

ESTRIBILHO

E

nessas horas

em

que o ceo é calmo^

ao

vago

anlielo dos suspirosmeus,

eujuntaria tuas

mãos

de seda,

mãos

de creança, paraoraraDeus.

Musica da modinha

J^'tarde, étarde, etc.

(35)

i^N*í:,.-g^r"-jk:%y'';,'*f

^

*í^^'^

>:-Choros ao Violão 33

Alzira

"Alzira,

meu

anjo,

meus

cantos escuta !

É

grande estalucta

que eu tenho porti.

Vem

dar-mesoccorro,

que euj)enode amores..

.

Abranda-me

as dores,

que

a calmaperdi.

Tormentos, martyrios,

angustiaspadeço,

porque não

me

esqueço

de teusancto

amor

!

Vem

dar-mesoccorro!

Escuta

meus

cantos. .

,

Tem

pena

dosprantos

doteu trovador.

Eu

amo

osteusolhos,

teurosto moreno,

teu ar tãosereno,

teu lúcido olhar!...

Eu amo

teuslábios, vermelhos, corados!

São astros

banhados

(36)
(37)

,jíri^-?*í«c;.;?^^*'-\ "k*ífi '-ríi

(38)

n

36

Quaresma

&

C. editores

Conselho

Põe na

virtude, ^"^ filhaquerida, detua vida todoo primor.

Não

dês ásorte,

quetanto illude

sem

avirtude,

algum

valor.

Tudo

perece, nmrclia abelleza, foge ariqueza, esfria amor,

mas

avirtude

zomba

dasorte e até.da

morte

disfarça o horror. Brilha a virtude

na

vidapura, qual

na

espessura do lirioa cor ! Cultivaatlenta, íilha

mimosa,

sempreviçosa,

tão linda flor.

(39)

Choros ao Violão 37

Desditada

Sosinha, ao

desamparo

ella vivia

nesse pobre casebre

abandonado

:

não conhecera pae

nem

mãe

: deía

fitar aquelle rostomacerado.

Xenhum

rapaz esbelto a convidava

paraos descantesda festiva aldeia

e

comsigoa

mesquinha

suspirava:

Doce

Jesus, porquenasci tãofeiaf

Quando

aluanoceo azul surgia,

<lealvor

banhando

a

murmura

deveza,

no

postigodo albergue a sós

gemia

triste

mulher

sem

viço

nem

belleza.

Chamou-a

Deos,

emfim

!

Quando

passava

o

singelo caixão

na

triste aldeia,

melancholicoo

povo

murmurava

:

(40)

'•)

•t

38 '

Quaresma

&

C. editores

Quem

És

?

?

Quem

és, arclianjo sublime,

mimosa

flor

da

natura?

Da

flordo prado és rainha,

do

prado arosamaispura!

D-alvaestrella scintillante

se

vem

nascendo

um

clarão,

oteu

mimoso

sorriso

se

derrama na

amplidão. .

De

teuolliarse irradia

ardentefogo de amor,

da

flor do prado ésrainha,

do

prado

mimosa

flor.

Deste

pomar

és arosa,

primorosa, ingénuaflor!

Tens do

prado aprimasia,

(41)

o

Choros

aoViolão 39

Dormindo

'

Dormia

!

Que

somno

! Qufídoce dormir

!

Palpita-lhe o seio,pauzado, de leve!

A

boccaentre-aberta!

Que

dentesde

neve

dos lábios,afurto,lhe deixasurgir !

Envolta,

sem

arte,

na

branca roupagem,

asformasrealça do corpo gentil !

Em

sonhos descora !

Que

pallida

imagem

I

Depois estremece !

Que

somno

febril

!

Suspira . . boceja. .

murmura.

. sorrio !

Exhalam

seuslábios o

aroma

do nardo !

« Sim, amo-te», disse.

«Eu

amo-te, óbardo !

Amemos

» .. eo peito

com

as

mãos

comprimio.

Arqueja

.. soluça., e

um

novo

bocejo

-espalhao

aroma

donardo

em

redor !

Desperta, !

Em

meus

braços furtava-lhe

um

beijo ! l

(42)

— ..•

-•'i^-v- f;*!i.^j5^-;

40

Quaresma

&

C. editores

Não

Perg^iintes

2íãodirei

como

eu teadoro,

porque

gemo

e porque clioro,

quando

é noite de luar !

Fere a lua as chagasd'alma,

mas

consola,

mas

acalma,

quando

a geíite sabe

amar

! !

2ÍÕ silencio,

em

soledade,

lembra

obardo

com

saudade

tantossonhosque perdeu !

Suspirando, desolado,

cadenceia

um

ai

maguado

no

clirysol do peito seu.

Juro então

sempre

encontrares,

da

saudades nosaltares,

esse

amor

que eute votei

!

Eisporque soífroe padeço,

porque detinão

me

esqueço,

(43)

Choros ao Violão i 41 -í—

O

bardo sente

na calma

quea lua

remexe

n'alma

com

seumarfineo pallor!

A

mente

alada insinua!. .

Eisporque a noite delua

relembraoprimeiro amor.

^ão

me

perguntesse a

magua

faz os olhos rasosd'agua,

como

os sinto agoraaqui! !

íías

minhas

nocturnaspreces,

cmquanto

de

mim

teesqueces,

eu

me

recordo de ti

!

DO

AUCTOR

Musica da modhiha

Sympathia ê

um

sentimento,

(44)

'•#^:Í55{!Í?SM'S^-: ,'1Wi^^

42

Quaresma

&

C. editores

A

cor

Morena

(IMITAÇÃO)

A

côr

mais

bella,

mais

linda,

amena,

éstu, cannella

da

côr

morena

!

A

côr

da

lua

pura

e serena

não

cliegaá tua,

ó côr

morena

!

Á

côrdodia,

minha

pequena, faltaa poesia

da

côr

morena

! Branca, nevada, alva açucena, ésa creada .

da

côr

morena

!

Á

côrdoleite, côrde

quem

pena, falta o enfeite

da

côrmorena.

(45)

v^'3._^-T:_;-._..vr---.'i-r^;T-,-^-^-^..-;;,~.-t .=^:-^T, , Choros ao Violão ' 43 ^

Ninguém

de gosto,

minha

Sirena, despreza orosto

da

côr

morena

!

ella ás dores, feroz,

condemna

! ,

Mata

de

amores

acôrmorena!

E

deste

modo

te adoro,

Helena

!. .

Sou

todo, todo

da

côr

morena

!

ESTRIBILHO

Pereça.o cravo,

morra

aaçucena,

que

eu sou escravo

da

côrmorena.

(46)

'>.'

44

Quaresma

&

C. editores

2L. ...

A

bocca de minha amante

éumaflordelicada. ..

Após os meus beijos quentes

ficapendidaemurchada.

Dentreasflores dovergel,

^

a mais purae vermelha,

eusou a cúpidaabelha,

que

libao seu doce mel !

Xão

creioque haja pincel,

nem

colorido brilhante

que

dêm

o

tom

provocante,

a nota impressionadora.

.

E'

um

pedaço de aurora

a bocca de

minha

amante.

Os

seusdous globosde neve

-tem duas

manchas

escuras!..,.

Duas

cerejas

maduras

!. .

.

seu gosto nãosedescreve !

A

cinturaé fina e breve !

A

perna

bem

contornada !

Tem

uma

cousa estimada,

><3ujo

nome

não sei

bem,

mas, pela

forma

quetem,

(47)

Choros ao Violão . 45

A

essa flor tenho aífecto,

pois

quando

está

murcha

e triste

aosbeijos

meus

nãoresiste..

.

seu revigorécompleto !

Sou

jardineirodilecto

dos seus canteirosvirentes.

Ha

milhões depretendentes,

mas

aflor é caprichosa,

tem

vidaeestá viçosa

apósos

meus

beijosquentes.

Quando

os

meus

lábiospresente,

abre as pétalasde rosa !..

.

E' mais queo

mel

saborosa,

seu perfume érescendente !

Depois,

em

anciãcrescente,

se contorce aflor

amada,

ene exhausta, extenuada,

e maisdizereunão ouso...

só direique, apóstal goso,

ficapendida e

murchada.

(48)

46

Quaresma

&

C

. editores

Minha

Saudade

Eu

deiteaquellasaudade,

primorosae linda flor ! !

Mas

riã,otivestepiedade

do

emblema

do

meu

amor

.

A

minlia flor, coitadinlia!

tinhadeser infeliz ! !

Cedo

sefoiporser

minha

!..

,

Tinha

em meu

peito a raiz !

Cultivava osseus encantos,

quando

eratenrobotão !

Por

brisastinha os

meus

cantos,

porterrao

meu

coração!

Perdeste a

minha

saudade,

uma

flor tão lindaassim!

!

Sem

ella agora

quem

ha

de

tedar

lembranças

de

mim

!

ESTRIBILHO

Oh,

quem

me

dera,Sanctinha,

ai,

quem

me

dera essaflor!

Perdeste-a sópor ser

minha

!

(49)

'

-í^

'""-Choros ao Violão 47

O

Acalentar

da

Neta

Dorme,

dorme, minlia neta,

"

senão nãosou tua amiga,

dorme

que eute

embalo

o berço

e

tecanto

uma

cantiga

.

Yae

abella

dona

Auzenda

Caminho

dePalestina,

levatraje de romeiro,

com

seubordão eesclavina.

Dona

Auzenda,

Dona

Auzenda,

em

sabendo que ésfugida,

tua

mãe

cahirá morta,

e tuasirmãs

sem

vida

.

Pouco

importa a

Dona Auzenda

quem

na

Hespanha

morra

ouviva,

yae

em

busca de su' alma,

que

em

Palestina écaptiva.

De

lálhevieramcartas

e

uma

carta lhe dizia:

«

Teu

amigo,

dona Auzenda,

(50)

!i"^l.^3pw,:.^Vr.4^S^^.'^pW--48

Quaresma

&

C. editores

As

cadêas nãolhe pezam,

pezas-llietu, porque scisma

que

ha

de morrer

sem

maisverte,

liemver-tequer

na

mourisma.

Dorme,

dorme,

minha

neta,

e tufuso, fia, fia,

que eu canto á

minha

candêa,

ao

da

Virgem

Maria.

Tendeu

jóiase arrecadas,

comjHou

bordão eesclavina

e trajadade romeiro

ja

demanda

a Palestina.

Vae

pedindopelasportas,

l)or soese chuvas

caminha

;

trabalhosnãoaquebrantam,

com

elles vae maisasinha.

Uma

tarde, erasol posto,

quando

avistou

uma

ermida,

era de Xossa Senhora,

mãe

dos

homens

se apj)ellida.

Os

soccos descalça áporta,

ajoelha

com

fé viva,

jiedindo lhe restitua

(51)

»^-dí?Í:^:^WW?^^':'^t^^-':•:'}''

"

:%,^''•V-'-'/"f^^i;

-Choros ao Violão

49

Os

olhos

da

Virgem

Santa

deram

mostras deaffligida :

ergueu-se

um

ventodaserra

que todatremeu a ermida.

Coitada de

dona Auzenda,

mais tristesae do que vinha :

cerrou se-lhe logoa noite..

.

eellanosbosques sosinha !

Queria andarenãopôde,

que

o grandeescuro atolhia;

necessitavaencostar-se,

tinhamedo, não dormia.

\

K'uma

raizpousaaface,

ocorpo

em

folhas reclina,

com

suas penasconversa,

coitada

da

peregrina.

Perdiaterrae o palácio,

perdi a

mãe

quelátinha,

I)erco-me agoraa

mim

mesma,

(52)

50 .

Quaresma

&

C. editores ii'í

Dão

Geraldo,

dão

Geraldo,

só a fé

não

éperdida, I'

.

pois tusabes

que

te adoro,

e eusei

como

sou querida.

Peço

ao

meu

anjodaguarda,

se hei-de aquificarperdida,

que

levar-tepor sonlios

estaminlia despedida.

Assim

diziaa formosa

dona

Auzenda

de Moliua,

e aodizer

anjo

da

guarda

lembrou

-lhe a irmãpequenina.

Dorme,

dorme, minlianeta,

e tu,fuso, fia, fia,

que

eu canto à

minha

candêa,

e sou

da

Virgem

Maria.

Então

dos olhoscançados

lheborbotouador viva, ^

€ ouviofolhasabanadas,

e

viu

uma

luzesquiva.

(53)

Choros ao Violão 51

Logo

paraaquellaparte,

porqueopavor aconquista,

em

joelhos,

com

mãos

postas,

de

relance extendeavista.

E

viu

uma

sombra

grande,

que

mui

devagar

caminha

;

quiz rezar,benzeu-se errado,

não deu

com

a

SalveRainha.

O

andardo

phantasma

branco

nenhum

ruidofazia

;

paroue poz nellaosolhos

;

mas

eram

terra. ..

nâo

via.

Extendeu-lhe os braçoslongos,

e co'

uma

voz,

como

brisa,

lhediz:

Eu

soudãoGeraldo,

que

em mim

jáse

não

divisa.

Tu

buscavaso captivo,

eu

procuro aperegrina,

tu'

alma

quer

Deus

que esteja

com

meu

corpo

em

Palestina.

i;

(54)

".íl-'"^^r^Jíf^vif-^'''^'!'^''

52

Quaresma

&

C. editofes

Os

nossos anjosda guarda

deram

palavra

sem

lingua,

quea

mela

noite aqui

mesmo

findaria-a nossamingua.

Deus, à

alma

envia

um

corpo,

6 ao corpo

uma

alma

envia..

.

Ja

estas finaespalavras

dona

Au'.enda não ouvia.

/

Dorme,

dorme, minlia neta,

e tu, fuso, fia, fia,

que eucanto ao

da

candêa

que accendo á

Virgem

Maria.

Tinha dado

meia-noite

e

dona

Auzenda

cahira:

ai,jaz

morta dona Auzenda,

quetantaspenas sentira !

Quem

ha

de enterrar seu corpo

nessa noite desabrida,

ou

quem

aosj)és

da Senhora

(55)

Chorosao Violão 53

Nessanoite, à

meia

noite,

indo o septe-estrello acima,

caloude repente as vozes

mocho

que

maguas

lastima.

E

ogallo, que por taeshoras,

com

seucantoárezaincita,

bateu as azas calado

ao pé

do leitodo ermita.

Tocou sem

mão

asineta,

abriu-seaportada ermida,

as velasdoaltaraccesas,

a

Senhora

mui

garrida.

Entrou

a orar

um

extranho.

.

peregrinoou peregrina

que

de tudo

dava

mostras.»

.

e

falava

em

Palestina.

•Seia ourinha,

nunca

o disse,

cxuando oermita o requeria,

que

ora falava

em

ser volta,

(56)

i4

Quaresma

&

C

. editores

E

disse: a

Deus

me

encommenda

por três, maistrês, etrês dias,

que ao cabo de

uma

novena

findarãomil agonias.

Ora, nessa

mesma

noite,

qyiz a

bondade

divina

que

outragrande novidade

succedesse

em

Palestina.

Da

cova dedão Geraldo,

á

meia

noite precisa,

surgiu

um

coriDOdefunto,

que

a todos atemorisa.

Dorme,

dorme,

minha

neta,

etu, fuso, fia, fia,

que

eu canto á

minha

candêa,

ouça-me

á

Virgem

Maria

!

E

veio

um' alma

voando,

que

pelos ares foi vista,

Nossa Senhora

a guiava,

(57)

:bí-"Ç

Choros ao Violão 55

Metteu-se dentro aofinado,

e o finadocobrouvida;

poz-se

com

o anjo a caminho,

à

Senhora erajá'ida.

Como

a

novena

acabava^

aocabo do

nono

dia,

vinhapela

ermida

entrando

outro romeiro áporfia.

E

este,assim

como

o primeiro^

muito

ao velho desatina,

que

também

não

cáe

na

conta

se é romeiroou peregrina.

Os

dous romeiros se olhavam,

ea

mãe

dos

homens

sorria !

O

ermitaestavapasmado,

e

um

padre

moço

surgia.

Por

debaixodoroquete

que

eraneve

sem

mentira,

reluziam duas azas,

ambas

deprataesaphira.

"#'

(58)

56

Quaresma

&

C. editores

Tomou-lliesas

mãos

direitas

com

signaesde

muita

estima,

e disse : conjungo-vos,

epoz-llie aestola por cima.

Nove

ânuos

eram

passados,

eapós uove ânuos,

um

dia,

quando, ao dar

da

meia

noite,

na

portase batia.

Como

seabriu acaijella,

logo entroupor ella

acima

um

caixão

com

dousdefuntos,

todo de obramuitoj)rima.

Vinham

ambos

abraçados,

com

mostras de

quem

dormia,

com

c'rôasde flores brancas,

e

ninguém

os lá trazia.

Mãos

que

pegavam

aargolla

€ram mãos

que se não viam,

nem

se enxergavai^essôa

(59)

Choros ao Violão 57

Dorme,

dorme,

minha

neta,

6tu fuso, fia, fia,

que eu canto á

minha

candèa

ao

pé da

Virgem

Maria.

Poi

escriptaesta

memoria

ii'umataboa

bem

polida,

qne

ainda agora

em

Biscaya

vae-se ver áquella ermida.

A

campa

ficou

sem

nomes,

mas

toda agentedizia

que

era

Auzenda

e

São

Geraldo,

filhos

da

Virgem

Maria. (

Por

devoção que esse par

com

o sancto rosário tinha,

indapor

morte

casaram,

sendo a

Senhora

madrinha.

Dorme,

dorme,

minha

neta,

que

tenhoa rccadafinda !

Amanhã,

querendo a

Virgem,

(60)

linda-58

Quaresma

&

C. editores ^

%;

Saindo

. . .

LUNDU'

Senliora

don»

Josepha,

não

supporto maisa espiga !..

.

O

feijãovae muitocaro. .

.

saindo debarriga.

Estou

na

ãisga, senhora!

fui

hontem

desempregado

!

Eu

ando

mesmo

a nênê.. .

já saindo delado.

Ha

mais dequatro

semanas

a

minha

vida desanda !..

.

A

carne seccaé fidalga. ,

.

já saindo de banda.

Não

queira passar miséria

;

se

tem

algum

pretendente,

agarre Q.paio de geito

G

saindodefrente.

(61)

^-

^*-Choros ao Violão

5^

Saia ! saia!. ..

sem

demora

!..

.

saiajád'aqui,

mulher

!

De

lado,barriga, oufrente,

de banda. ..

como

quizer.

DO

AUCTOR

Os

Bichos

O' freguezia, olha osbichos,

que

eu tive

um

sonho de truz !

Teremos

hoje

na

ponta:

Águia, burro ouavestruz.

Pode

daraborl)oleta,

se der

no

moderno o cão!

Mas

será o tourooutigre,

se nelle der o leão.

No

salteadoaffianço

que serácabra oucavallo

.

Agora

o melhorpalpite

serátalvez

vacca,gálio.

(62)

^.\•R- T^í^stiJ^ís-í-w-Eí^^^i^?^-:

^

60

Quaresma

&

C. editores

Quem

arriscar uo macaco,

jogue

u'um

bicho depéllo,

mas

ao certonâo affirmo,

porque

pode

ser camelo.

Coelho, gato, carneiro,

também

nos

merecem

fé !

Mas

nãoserá muito esperto

quem

deixar ojacaré.

O

porcoé hoje obichano

-quetenho mais carregado,

mas

operu vae

na

ponta,

é

jogo mais acertado.

Será tolo e multDtolo

quem

não comprar

no elephante !

,

Esse bichoéde

massada

!..

.

Bem

pôde

daro tratante.

jVIeus bonsfreguezes, o urso !

No

pavão

! Alerta, alerta!

Freguezia joga nelle,

(63)

^í^jjicíSwí^íji-^i;-'".

Choros ao Violão 61

Mas quem

quizerfazerjogo

sem

medo

deser logrado,

jogue firme e

sem

receio

no

vintee quatro

oveado !

Será tolotodoaquelle,

poisque apenas

um

lhe sobra,

que perder por

um

somente,

deixando delado a cobra.

Do

Auctor.

Beijo

Criminoso

Lundu

Sinhá, ficaste enfadada

por

um

beijinhotedar?

Xão

foipor querer, tejuro,

foisój)aratezangar!

Xão

brigues assim

commigo,

que

mal

te fez esse beijo1

E' só porisso que agora

tãobrava, Sinhá, te vejo?

(64)

'S«teír^;2i3^-.*.T/'-;;>.-:-Srí, - " V. -, " íi.;.. >' "_. "V -- '-- ; /"'" ^

62

Quaresma

&

C. editores

Setu

não

fechas a bocca,

se

não

deixas de falar,

eu

vou

com

quatro ou seisbeijos

atua bocca fechar!

Mas, se quietinhaficares,

conforme

eu peço edesejo,

eu

juro

não mais

beijar-te,

sellando a jura

n'um

beijo.

ESTKIBILHQ

Um

beijo, sinhá, écrime !

E' se atirar

no

escarcéo!

Mas

dez,vinte, trintabeijos

nosfaz subirparao céo.

As

Borboletas

Azues

LUNDU'

•Queressaberj)orque os poetas,

çiue tanto

gostam

deluz,

nos

dizem

que asborboletas

mais

bellassão asazues!

(65)

SStóf^-ôv '^^:'^•'^^^-«iír^ ''.>^

Choros ao Violão 63

Eu

vou

dizer-t'o

sem medo

deinfringir a lei vedada,

desde que a causaé segredo

só entregenteinspirada.

Deus

pretendendo deestrellas

ornar onoturno véo,

pensou, e,para fazel-as,

deu

uns piques pelo céo.

E,

quando

osfurosse abriram,

por

onde

jorroualuz,

desses recortes sahiram

as borboletasazues.

Ciúmes

(LUNDU')

Desterrateusvãos ciúmes,

festejoa quantas são bellas!

Mas

sempre

a rainhadelias

éstu,

Armania

cruel

!

^:^..'jií-;5_.«'»t?"-^^^.-.,..-. -*-. .^-.--."í-,^-:a---r-f--f.--_-^,.„•:: -_-J!.=?-?íi..-•S::u-:-L:-'-^^^^:r^Ã^^-»^-v3..v.->.;-'

''

(66)

.-S27".f.^'-"f

'

64

Quaresma

&

C. editores

De

teu semblanteas lindezas,

adoro n'outrossemblantes,

sâo

meus

i)assos inconstantes,

é

meu

coração fiel.

Não

t'onego,

com Armia

falo ás vezes

em

segredo ;

não

t'o nego,este arvoredo

viu

-me

com

Liliabrincar:

porem

com

Lilia só brinco,

porternos brincos teus

modos

!

De

Armia

ossegredos todos

os teus

me

fazem lembrar.

Fartei, confesso, etuviste,

dousbeijosou trêsa Estella.

.

Gabavam-me

os beijos delia,

quizver se

eram

como

os teus.

Toquei no seio de Tirse

derosauns botõesfechados !

Tu

és bella

em

teus enfados,

quiz ver

como

era nos seus !

Sea

Ismene

pedi cabello,

foisópor

também

ser louro,

fui ricodo teu thezouro,

(67)

Choros ao Violão 65

Amo

em

Gertruria o teuriso,

amo^osteus olhos

em

Jonia

;

l^rézo nas cartasde

Aonia

tua escriptae descripção.

Um

sócoração

me

coube,

etu ésa flor dasbellas!

Nem

mesmo

entre osbraçosdelias

te forainfieljamais !

Por

distracçãotenhoás outras

vezes mil teu

nome

dado,

eaté hoje inda ateu lado

não tive enganos eguaes!

Quanto

maisjulgas, ingrata,

perder atua conquista,

tanto mais se

augmenta

alista

dos teustriumphos

sem

par!

De^

meu

coração tequeixas

serem

sem

conto asrainhas!

São

escravas, quenãotinhas;

que vãoteu carroi)uxar.

Dez

Analiaste abandono,

Jonias duas, seis Themires,

e após estasquantasvires

desemblante encantador!

(68)

:

:

:

J-v: ,.:^--

%-66

Quaresma

&

C. editores

Arménia

!.. . sobreáureasrodas,

portuas rivaes levada,

has de subircoroada

ao Capitólio do

Amor,

TroTas

ao

Sereno

Não

quero serteu escravo,

porque

temo

e

com

razão,

que

a liberdade

me

prendas,

prendendo-me

o coração.

Eu

jureinão maisamar-te,

não

te ter mais amizade,

mas

agoraé muito tarde,

janão tenho liberdade.

Vae-te, cartaventifrosa,

^-^ae vera

quem

quero

bem

I

Diz

-lhequefico chorando

por

não

poder ir

também.

I - -¥'-^-^^ *:•--yi^fi-^-S ,..--. .)--^^ /tí Vi^^^Si-'-;" .^V.".; :- ' --..••;;.:. /-. . #?._ríi:-i"„Bi"

(69)

-=»^S>',:---•

Choros ao Violão •

^^

67

Eu

ando

morto, alquebrado

.

sevivo tão tristeassim,

éporquevago

sem

rumo,

poisjá

não

sei

nem

de

mim.

O'

rio que vaescorrendo,

buscaver

um

bem

que adoro,

se tefaltarem as aguas,

leva aslagrimasque choro.

A

lua, osol, as estrellas,

osastros todos brilhando,

não

tém

aluzdeteusolhos,

quando

me

estão

namorando.

Costumei tanto os

meus

olhos

a namorarem

os teus,

que

de tanto confundil-os,

nem

seiquaessãoosmeus.

C

rosaqueestás

murchando,

que

perdes a rubracôr,

€U

também

me

vou

finando,

«mpallideço de amor.

(70)

68

Quaresma

&

C. editores

Eegato, nãocorras tanto,

modera

oandar ligeiro,

meus

ais escutae tejuro

serno cursocompanheiro.

Camélia, tua belleza

110

perfume

nosillude !

Tu

ésabelleza morta,

que não

tem

cheiro

a virtude.

E' tuabocca ideal

um

palácio

com

jardim. .

.

As

portas são de coral,

osdegráos são de marfim.

Quem

me

dera lá

mandar,

como

arautodo Desejo,

um

pagem

desedae ouro,

que tem

o

nome

de Beijo.

(

TO

31

DE

FADO

)

#?

(71)

\-Choros ao Violão •

69

Eulina

Eulinaformosa, gentil,engraçada, .

-dosanjos

amada

viviafeliz !

Tranquilla dormia, tranquillaacordava

íividaenfeitavade bello matiz.

Prazeresfruirá

da

paz noregaço,

seu peitode aço

ninguém

dominava,

somente á verdadeseuscultosrendia,

<los

homens

fugia, de amores

zombava.

\

TJm

joven, roubando-lhe apaz de su' alma,

fingido e

com

calma

firmezajurou!

A

cândida

pomba

seus votosouvindo,

noslaçoscahindotaljoven

amou.

Depois o fingido, sorrindoe

zombando,

traidor

humilhando

seu

bom

coração,

brincandolhedisse:

Que

linda donzella!

(72)

70

Quaresma

&

C. editores

Atraz

de

um

rochedo, foiloucae chorando,

---'-;-:í.!--'';'

or-nado!

suspirando, seu rosto occultar, "sf/íL

mas

logo tristonha sahiu lacrimosa, : ' . : ;^:.^f

e foivagarosa

caminho

do mar. . ''^t

K"apraia desertaconchinhas catava,

no

seioas

guardava

com

toda aaffeição,

mas

eisque

em

furoreso

mar

se encapella^

elogoa procelladespede o trovão.

A

louca

não

teme

!

Não

foge átormenta\

A

onda

rebentae leva-a comsigo!

Foi

lirioque asdores só teveporpaga,

oseio

da vaga

por tristejazigo....

Morreu Maria

*

(

IMJTAÇlO

) '^

^

As

sombras

descem

' ^^ -^

da

serrania, ;)W

osventos

gemem

:

-^M

Ij

Morreu Maria

! , ;'-^í,it5

o

; * ':*' V^'' • • ', :

(73)

Choros ao Violão^ 71

As

brisas

passam

no

fimdo dia, dizendoás flores :

Morreu Maria

!

A

fontechora

n'uma

agonia, porque, saudosa,

Morreu

Maria.

A

terna rola

que

amor

carpia,

tristonha arrulha

Morreu Maria

!

A

brancalua,

que ao

mar

sorria,

diz, entre

nuvens

:.

Morreu

Maria.

Vésper

esponta tristee sombria,, porque,

na

terra,

morreu

Maria. rí¥".--L-' \

(74)

. ... ''-j,:-f^'íi;rf:'a^í^p:,wgf^^^ssíex^p---^..y ^5-,

72

Quaresma

&

C. editores

Chora

o cypreste

na

louza fria,

gemendo

ás auras :

Morreu Maria

!

Fugiu da

terra toda aalegria, sóporque amorte levouMaria. Soluça alyra tristeelegia!. .

Minh'

alma

chora !

Morreu Maria

!

Feral saudade,

vem

ser

meu

guia!

Chora

em

minh'

alma

!.^

Morreu Maria

! !

(75)

'^^i--^''i'<^'.r '" '''''^--''- .-^-^ '"'ft•—-^^i-rrX-'

Choros ao Violão 73

E's

Quantos

queixumes,

quantos quebrantos

choram

n'unsprantos

de

magna

e dor,

se penso, á noite,

nos

tempos

idos,

diasfluidos

do

nosso

amor

! ?

Passam na mente

mais

demilsonhos

desses risonhos

diasde então !

Guardo

em

segredo

cá na memoria

toda essa historia

-do

coração ! !.. '

Se

tu

me

odeias,

mais

eutequero !

Que

amor

sincero

(76)

^-^-^i'^-^^^^^^^^-^^-74 '

Quaresma

&

C. editores

Nem

terecordas, desses protestos ! . Gelados restos

no

peito teu ! Hoje, sonhando, tequero ainda !

Amor

não

finda,

quando

épaixão !

Eraso anjo

do bardo triste !

Porque

fugiste

do

coração1 !

Eu

fuitão louco

crendo nas phrazes

cruéis, fallazes,

que

já teouvi. .

.

Que

importa agora

viversoffrendo, se

vou morrendo

de

amor

porti I

Mas

sedevias,

no

prantoeterno, mostrar-meo inferno de teurigor.

(77)

Choros ao Violão 75 porque primeiro

me

verfizeste

a

luz celeste de

um

céo de

amor

?

BO

AUCTOR

Yae,

suspiro

Castasaudade,

vem

dar-mealento,

leva-lhe agora

nlfeusentimento.

Conta

meus

males,

meus

ais doridos,

e

meus

suspiros

tristes, sentidos.

Dize-lhe as

maguas

que eusofifro agora,

eque por ella

(78)

76

Quaresma

&

C. editores

Dize que eu vivo nesta espessura curtindo as anciãs

desta amargura.

se esquecido .

lhe estou

na mente

!

Conta-lhe tudo

que

o peitosente.

Dize que eu vivo

soltandoais!.

.

Que

estassaudades

são immortaes.

ESTRIBILHO

Parte, suspiro,

não

te constranjo !

Demanda

oslares

desse

meu

anjo.

(79)

Choros ao Violão 77

Fado Portuguez

Nem

teleimbras, ó Maricas,

daquêllas nossasfaçantas?.

.

cando

os

meus

olhostebiram,

estabas aassarquestanhas.

Cando

os

meus

olhos tebiram,

meu

curação te aduíou,

e

na

quêdáiados vraços

minh' alma

prezaíicou.

Palavras

num

eram

dietas,

rolaocacetenoaire,

inté

que

fai ovrigueiado

pruma

janella aseltaire.

Seltando

domingo

in terra

bou

a toscada Curada,

e

cumbido

um

marinheiro,

(80)

78

Quaresma

&

C. editores

Cando

o

Zé põe

mão

no

leme,

bai gritando: oh, alto lá!

O

r'-paz

nunca

se

teme

dasboltasque o

mundo

dá.

Turrada

e maisturradas,

turradas

na

queromais,

pur cauzadas tâes turradas

asfilhas

perdem

sespães.

Meninas cando

eumurreri,

grabai

M

na

sipultuiria:

Aqui

jaz

um

pêgudista,

qui

murreu

sem

ter bintuiria.

Eu

sou cantorluxinoli,

cando

bejo a

minha

vella!

Bou

murreri

apexunado

. .

.

Nã,quero a bida

sem

ella.~

O

bentotruie

um

r'cado

que

a

minha

vellaenbiou!

A

vrisa lebou-li

um

veijo

da

i

alma quê

cáficou.

(81)

Chorosao Violão 79

CaimõeSj o grandecantori

dasgloriasdePortugali,

pagou

tambam

seubalori

-na

enxerga

d'um

hospitali.

Se

me

xair

na

taluda

osurteio doXatali

dou

ao

demo

abersalliada,

bou

ser reide Portugali.

Quem

seráque estácantando

tão linda canção de fado!

E' decerto

um

ruxinoli,

ou

um

t'-nor constipado

.

Do

fadosou cantadori,

cum

elle fuienvallado!

Até

na

oira

da

morte,

eu

quero cantari ofado.

(82)

S^"

Quaresma

&

C. editores '- ^ "^^S*

Este

Tango

(Imitação)

Este tango é

um

rato matreiro

aroer o

pão

durono armário!

EUe

vale

um

montão

dedinheiro

Vale

um

conto. .. talvez de vigário

Este tangoé

um

livrobichado,

é

nm

rabo de gato ladrão,

é

um

queijojá velho e mofado,

é a tranca de velho portão.

E' a cará defeia coruja

é

um

pinto no ovogorado,

feijoada

com

meia

bem

suja,

ou

um

banco

de pinho quebrado.

E'

chapéu

de gatuno, seboso,

é

um

sacco deestopa vasio,

um

cigano feliz, cabuloso,

é

um

turco

gemendo

com

frio.

(83)

Choros ao Vioiao 81

E' a ponta degasto cigarro,

o casaco de antigo poeta,

è

um

lenço banliado

em

catharro,

é a cara de

um

bestae pateta.

Este tango pareceacareca

de

um

velhote que ainda é pachola,

ou parece

uma

horrivel rabeca

de qualquer tocadormariola.

E' cartolacuspida, amassada,

que

jásabe e conheceoque é vaia,

é a cara develha, engelhada, &

uma

bota

sem

saltoe cambaia.

E'

um

tanho

medonho,

é

um

jambo;

é

am

velho e furadolençol,

este tango pareceura

molambo,

ou a

tampa

de

um

grande ourinol.

Este tangoparece

um

canudo,

um

capãoaffogado

n'um

sacco,

é

um

j)reto africano beiçudo,

(84)

82 .

Quaresma

&

C. editores

E'

um

gallo pellado,

uma

cobra,

uma

canjade sapo inda tenro,

este tango parece

uma

sogra

a

mettero cacete no genro.

E' purgante

qne

a gente aborrece,

uma

lata de graxade frango,

estetango

com

tudo parece

mas

só não se parece

com

um

tango !

Tem

afeia carranca de

um

frade,

uma

cara exquesita e canónica!..

.

E' orubro nariz de

um

abbade. . .

.

E' a cara dapeste bubonica. .

.

Do

AUCTOR.

(85)

Choros ao Violão

83

Falsa

jura

Tu

me

jurasteconstância,

fidelidade e ternura,

afifeição sincerae pura,

amor

que

nunca

tem

fim !

Tu

me

juravasque o peito

os

meus

carinhos

guardava

€ que tua

alma

escutava

minha

dor

no

bandolim

!

De

noite^

quando

nas cordas

do

meu

sonoro instrumento

deixava queo

pensamento

se alasse aosastros do céo,

tu vinhassobreajanella

debruçada,

em

mago

encanto,

ouvir avoz de

meu

canto,

mais altivo que

um

trophéo.

Meu

bandolim

pipilava,

ii'umdoce edébilanceio,

seguindoo

meu

devaneio

que

abrisa levava

alem

!

Ai, que ventura suprema,

€m

dor acerba

mudada

!

Ai, que tristeza acerada

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