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Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos

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Academic year: 2021

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(1)Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. Rafaela Neves Bonfim Tese de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Matemática (PPG-MAT).

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(3) SERVIÇO DE PÓS-GRADUAÇÃO DO ICMC-USP. Data de Depósito: Assinatura:_____________________. Rafaela Neves Bonfim. Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. Tese apresentada ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação - ICMC-USP, como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutora em Ciências – Matemática. VERSÃO REVISADA Área de Concentração: Matemática. Orientador: Prof. Dr. Valdir Antonio Menegatto. USP – São Carlos Agosto de 2017.

(4) Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Prof. Achille Bassi e Seção Técnica de Informática, ICMC/USP, com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). B713n. Bonfim, Rafaela Neves Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos / Rafaela Neves Bonfim; orientador Valdir Antonio Menegatto. – São Carlos – SP, 2017. 60 p. Tese (Doutorado - Programa de Pós-Graduação em Matemática) – Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, Universidade de São Paulo, 2017. 1. Espaços 2-homogêneos. 2. núcleos positivos definidos. 3. núcleos estritamente positivos definidos. 4. produtos de núcleos positivos definidos. 5. polinômios de Jacobi. I. Menegatto, Valdir Antonio, orient. II. Título..

(5) Rafaela Neves Bonfim. Positive definite and isotropic kernels on compact two-point homogeneous spaces. Doctoral dissertation submitted to the Institute of Mathematics and Computer Sciences – ICMC- USP, in partial fulfillment of the requirements for the degree of the Doctorate Program in Mathematics. FINAL VERSION Concentration Area: Mathematics Advisor: Prof. Dr. Valdir Antonio Menegatto. USP – São Carlos August 2017.

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(7) Para Deus e minha família..

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(9) AGRADECIMENTOS. Agradeço primeiramente a Deus por estar sempre ao meu lado, dando-me força e renovando meu ânimo a cada dia. Sem Ele não teria alcançado meus objetivos. Agradeço aos meus pais, Selma e Dair, que sempre me incentivaram e que durante todo esse tempo estiveram ao meu lado, auxiliando-me em todas as minhas dificuldades. Agradeço também ao meu namorado, Michael, por me apoiar sempre. Aos amigos do ICMC, Gregory, Naldo, Joás, Thiago, Alexandre, Cirilo, Mariele, Miriane e Ana Maria, que fizeram parte dessa trajetória, dividindo momentos de descontração, tornando a caminhada mais agradável. Ao professor Valdir Menegatto, pela paciência, dedicação e por estar sempre disponível em ajudar. Agradeço à FAPESP pelo financiamento do projeto de doutorado, com processo de número 2014/14380-2..

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(11) “Quando a benção chegar nunca foi sorte, sempre foi Deus.” (Leandro Sapuahy).

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(13) RESUMO BONFIM, R. Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. 2017. 60 f. Tese (Doutorado em Ciências – Matemática) – Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), São Carlos – SP. Este trabalho é composto de duas partes distintas, ambas dentro de um mesmo tema: núcleos positivos definidos sobre variedades. Na primeira delas fornecemos uma caracterização para os núcleos contínuos, isotrópicos e positivos definidos a valores matriciais sobre um espaço compacto 2-homogêneo. Utilizando-a, investigamos a positividade definida estrita destes núcleos, apresentando inicialmente algumas condições suficientes para garantir tal propriedade. No caso em que o espaço 2-homogêneo não é uma esfera, descrevemos uma caracterização definitiva para a positividade definida estrita do núcleo. Neste mesmo caso, para núcleos a valores no espaço das matrizes de ordem 2, apresentamos uma caraterização alternativa para a positividade definida estrita do núcleo via os dois elementos na diagonal principal da representação matricial do núcleo. Na segunda parte, nos restringimos a núcleos positivos definidos escalares sobre os mesmos espaços e determinamos condições necessárias e suficientes para a positividade definida estrita de um produto de núcleos positivos definidos sobre um mesmo espaço compacto 2-homogêneo. Apresentamos ainda uma extensão deste resultado para núcleos positivos definidos sobre o produto cartesiano de um grupo localmente compacto com uma esfera de dimensão alta, mantendo-se a isotropia na componente esférica. Palavras-chave: Espaços 2-homogêneos, núcleos positivos definidos, núcleos estritamente positivos definidos, produtos de núcleos positivos definidos, polinômios de Jacobi..

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(15) ABSTRACT BONFIM, R. Núcleos isotrópicos e positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. 2017. 60 f. Tese (Doutorado em Ciências – Matemática) – Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), São Carlos – SP. In this work we present a characterization for the continuous, isotropic and positive definite matrix-valued kernels on a compact two-point homogeneous space. After that, we consider the strict positive definiteness of the kernels, describing some independent sufficient conditions for that property to hold. In the case the space is not a sphere, one of the conditions becomes necessary and sufficient for the strict positive definiteness of the kernel. Further, for 2 ⇥ 2matrix-valued kernels on a compact two-point homogeneous space which is not a sphere, we present a characterization for the strict positive definiteness of the kernels based upon the main diagonal elements in its matrix representation. In the last part of this work, we restrict ourselves to scalar kernels and determine necessary and sufficient conditions in order that the product of two continuous, isotropic and positive definite kernels on a compact two-point homogeneous space be strictly positive definite. We also discuss the extension of this result for kernels defined on a product of a locally compact group and a high dimensional sphere. Key-words: Two-point homogeneous spaces, positive definite kernels, strictly positive definite kernels, products of positive definite kernels, Jacobi polynomials..

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(17) SUMÁRIO. INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 1 1.1 1.2. PRELIMINARES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Espaços compactos 2-homogêneos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Núcleos positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos 22. 2. NÚCLEOS ESTRITAMENTE POSITIVOS DEFINIDOS SOBRE ESPAÇOS 2-HOMOGÊNEOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Positividade definida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Positividade definida estrita: condições suficientes . . . . . . . . . . Positividade definida estrita: condições necessárias . . . . . . . . . . Positividade definida estrita no caso de espaços não esféricos . . . Positividade definida estrita no caso l = 2 . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 3 3.1 3.2 3.3. PRODUTOS DE NÚCLEOS POSITIVOS DEFINIDOS USUAIS SOBRE VARIEDADES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O caso do círculo unitário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O caso dos demais espaços homogêneos . . . . . . . . . . . . . . . . Núcleos sobre o produto de um grupo localmente compacto e uma esfera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 27 27 31 35 38 41. 47 48 49 53. REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57.

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(19) 17. INTRODUÇÃO. Os estudos apresentados neste trabalho envolvem núcleos positivos definidos sobre um conjunto não vazio X a valores matriciais. Se l é um inteiro positivo fixado, denote por Ml (R) o conjunto de todas as matrizes de ordem l com entradas reais. No caso l = 1, identificamos Ml (R) com R. Uma função a valores matriciais F : X ⇥ X ! Ml (R). (x, y) ! [ f µn (x, y)]lµ,n=1. é um núcleo positivo definido quando as seguintes condições estão satisfeitas: µ, n = 1, 2, . . . , l,. f µn (x, y) = f µn (y, x) = fn µ (y, x),. x, y 2 X,. e, para cada inteiro positivo n ( a cardinalidade de X), qualquer escolha de n pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn em X, e quaisquer vetores B1 , B2 , . . . , Bn em Rl tem-se n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j =. n. l. Â Â. i, j=1 µ,n=1. µ. Bi Bnj f µn (xi , x j ). 0.. Acima, estamos escrevendo Bti = (B1i , B2i , . . . , Bli ),. i = 1, 2, . . . , n.. Em linguagem matricial, a desigualdade acima equivale ao fato da matriz em blocos F(xi , x j ), de ordem nl, com bloco µn dado por [ f µn (xi , x j )]lµ,n=1 , ser definida não negativa. O núcleo positivo definido F é dito ser estritamente positivo definido se as desigualdades acima são estritas, quando pelo menos um dos vetores Bi é não nulo. Dependendo do contexto, a definição acima pode incorporar a continuidade de F ou alguma outra propriedade desejável para F ou X. Neste trabalho, salvo uma excessão, X será um espaço métrico. Precisamente, X será um espaço métrico compacto 2-homogêneo conforme a caracterização oferecida por Wang ([40]) há muito tempo atrás. Por enquanto, o leitor precisa tão somente saber que esta categoria envolve um certo número de espaços importantes, sendo as esferas unitárias usuais em Rn , munidas de suas distâncias geodésicas usuais, seus representantes mais ilustres. Também poderíamos considerar núcleos a valores matriciais com entradas complexas. Neste caso, uma pequena simplificação poderia ser feita nas definições acima e todo o material a ser desenvolvido no trabalho continuaria válido a menos de pequenas alterações. A teoria dos núcleos positivos definidos usuais (l = 1) pode ser encontrada em [5], mas não conhecemos nenhuma referência específica de citação que contenha um texto sistematizado.

(20) 18. SUMÁRIO. de boa qualidade sobre núcleos positivos definidos em geral. No caso em que X é um espaço métrico, a continuidade do núcleo é costumeiramente assumida, algo que também faremos neste trabalho. Por outro lado, por razões de aplicabilidade, também assume-se neste caso que o núcleo é isotrópico, ou seja, as variáveis estão amarradas explicitamente através da métrica do espaço. Em outras palavras, se d é a métrica de X e F é o núcleo, então exigimos que F(x, y) = f (d(x, y)),. x, y 2 X,. para alguma função f contínua em {d(x, y) : x, y 2 X} a valores em Ml (R). Os resultados mais relevantes sobre núcleos positivos definidos usuais no contexto métrico foram obtidos por Schoenberg no início do século passado. No caso estrito, os resultados mais interessantes surgiram recentemente, inclusive em situações onde o espaço é compacto 2-homogêneo. Uma síntese de todos estes resultados pode ser encontrada em [13, 21, 42]. Em Estatística, os núcleos positivos definidos a valores matriciais sobre um espaço 2-homogêneo são funções de covariância em várias variáveis atreladas a campos randômicos especiais sobre os espaços. O caso esférico é o mais relevante, uma vez que a esfera usual 3-dimensional modela naturalmente a superfície terrestre em vários problemas da Geo-estatística. Por outro lado, a positividade definida estrita de núcleos como os aqui considerados garante que determinados procedimentos de interpolação, relacionados a dados dispersos em pontos arbitrários no espaço utilizado, sejam resolvidos de forma única. O artigo [19] discute funções de covariância em várias variáveis, enquanto que os textos [32, 33] apresentam um tratamento moderno para a teoria de campos randômicos sobre esferas e outros espaços. No âmbito da Estatística, a caracterização dos núcleos contínuos, isotrópicos e positivos definidos em esferas é geralmente atribuída a E. J. Hannan ([24]) ou a A. M. Yaglom ([44]), os quais supostamente generalizaram o caso usual demonstrado por Schoenberg em 1942. Estas caracterizações formam o alicerce sobre o qual muitos outros trabalhos recentes e relevantes dentro do mesmo tema foram embasados. Citamos, em particular, os trabalhos de C. Ma ([29, 30, 31, 41]) onde algumas questões bem simples sobre positividade definida estrita no contexto esférico são resolvidas. Outras questões não resolvidas dentro deste tema ou relacionadas a ele podem ser encontradas em [21, 37]. No caso usual, os núcleos contínuos, isotrópicos e estritamente positivos definidos em espaços 2-homogêneos foram devidamente caracterizados em [3, 12, 34, 35]. No entanto, excetuando-se o caso usual, não há quaisquer registros sobre caracterizações semelhantes no caso matricial, fato este que motivou parte deste trabalho. As principais contribuições deste trabalho são: (i) Apresentamos uma caracterização para os núcleos contínuos, isotrópicos e positivos definidos sobre um espaço compacto 2-homogêneo, complementando assim as caracterizações já existentes para os casos esféricos. Nossa demonstração vale para todos os espaços 2-homogêneos e não carrega qualquer linguagem de Estatística..

(21) SUMÁRIO. 19. (ii) No caso em que o espaço compacto 2-homogêneo não é uma esfera, apresentamos uma caracterização para os núcleos contínuos, isotrópicos e estritamente positivos definidos. (iii) No caso usual l = 1, exibimos condições necessárias e suficientes sobre dois núcleos contínuous, isotrópicos e positivos definidos sobre um mesmo espaço compacto 2-homogêneo de modo que o produto deles seja estritamente positivo definido. Além disso, o trabalho ainda contém vários resultados parciais relevantes dentro do mesmo tema, os quais serão enfatizados no momento oportuno. O trabalho prossegue da seguinte forma. No Capítulo 1, introduzimos os conceitos necessários para o desenvolvimento dos demais capítulos. Pela mesma razão e, para a conveniência do leitor, apresentamos também alguns resultados previamente provados em fontes variadas. No Capítulo 2, apresentaremos o descrito em (i) e (ii). Este capítulo se completa com alguns resultados parciais e ainda, uma caracterização adicional para os núcleos contínuos, isotrópicos e estritamente positivos definidos sobre um espaço compacto 2-homogêneo, que não uma esfera, no caso específico l = 2. Finalmente, iniciamos o Capítulo 3 com a análise do problema (iii) no caso do círculo S1 para depois considerar o mesmo problema para os demais espaços compactos 2-homogêneos. Na última seção do capítulo, fazemos uma breve discussão sobre núcleos positivos definidos sobre o produto cartesiano de um grupo localmente compacto e uma esfera e, em seguida, resolvemos uma extensão do problema em (iii). Os resultados do Capítulo 2 estão publicados em [6], enquanto que os resultados do Capítulo 3 fazem parte do preprint [7], o qual já foi submetido para publicação..

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(23) 21. CAPÍTULO. 1. PRELIMINARES. Apresentamos neste capítulo, de maneira objetiva, alguns resultados básicos que serão utilizados no desenvolvimento do trabalho. Inicialmente, definimos os espaços compactos 2-homogêneos e expomos algumas de suas propriedades. Na sequência recapitulamos as caracterizações para os núcleos contínuos, isotrópicos, positivos definidos e estritamente positivos definidos sobre os espaços 2-homogêneos. Finalizamos o capítulo com uma discussão bem sucinta sobre a Fórmula de Linearização e a Fórmula de Adição para os polinômios de Jacobi.. 1.1. Espaços compactos 2-homogêneos. Seja M uma variedade Riemanniana e denote por |xy| a distância Riemanniana entre x e y. Se para quaisquer dois pares de pontos (p1 , p2 ) e (q1 , q2 ) em M, com |p1 p2 | = |q1 q2 |, existe uma isometria j : M ! M que leva p1 em q1 e p2 em q2 , ou seja, j(p1 ) = q1 e j(p2 ) = q2 , dizemos que M é um espaço 2-homogêneo. Esses espaços são também conhecidos como espaços simétricos de posto um ([25]). Os espaços compactos 2-homogêneos foram classificados por Wang ([40]). Ele demonstrou que esses espaços pertencem a uma das seguintes categorias: 1. Esfera unitária Sd , d=1, 2, . . . ; 2. Espaço projetivo real Pd (R), d= 2, 3, . . . ; 3. Espaço projetivo complexo Pd (C), d= 4, 6, . . . ; 4. Espaço projetivo quaterniônico Pd (H), d= 8, 12, . . . ; 5. Espaço projetivo de Cayley Pd (Cay), d=16. Aqui, d denota a dimensão das respectivas variedades. Vamos denotar um espaço compacto 2-homogêneo de dimensão d pelo símbolo Md , para enfatizar a dimensão..

(24) 22. Capítulo 1. Preliminares. Um fato interessante sobre esses espaços é que suas geometrias são bastante semelhantes. Em particular, todas as geodésicas dos espaços compactos 2-homogênos são curvas fechadas e tem o mesmo comprimento, a saber, duas vezes o diâmetro do espaço. Neste trabalho, normalizaremos a distância Riemanniana destes espaços de modo que o diâmetro de cada um deles seja 2p. Vale observar que, quando Md = Sd , vale a fórmula cos(|xy|/2) = x · y,. x, y 2 Md ,. onde “·” é o produto interno usual em Rd+1 . Uma propriedade particular dos espaços compactos 2-homogêneos é que alguns deles podem ser mergulhados isometricamente em outros. Definição 1.1.1. Sejam (M1 , d1 ) e (M2 , d2 ) espaços métricos. Um mergulho isométrico de M1 em M2 é uma função j : M1 ! M2 tal que d2 (j(x), j(y)) = d1 (x, y),. x, y 2 M1 .. O seguinte resultado descreve um destes mergulhos, o qual será utilizado à frente ([1, p.66]). Lema 1.1.2. Se d. 2, então existe um mergulho isométrico de S1 em Md .. Vale ressaltar que o lema acima leva em consideração a normalização que adotamos para os espaços Md . Outro conceito que também será importante é o de variedade antipodal. Aqui, também temos que levar em conta a normalização previamente adotada. Definição 1.1.3. A variedade antipodal de um ponto x 2 Md é o conjunto Vx := {y 2 Md : |xy| = 2p}. Cabe observar que no caso Md = Sd , a variedade antipodal Vx é o conjunto unitário { x}. Nos demais casos, ela é uma sub-variedade não trivial, logo um conjunto infinito.. 1.2. Núcleos positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. Nesta seção, consideramos tão somente núcleos sobre Md que são usuais, ou seja, no caso em que l = 1. Uma parte deste trabalho depende fortemente das caracterizações para os núcleos contínuos, isotrópicos e positivos definidos usuais sobre um espaço compacto 2-homogêneo. No.

(25) 1.2. Núcleos positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. 23. caso esférico, tal caracterização foi obtida por I. J. Schoenberg ([38]) e nos demais espaços, elas seguem de um teorema de R. Gangolli ([16]). Relembramos que a isotropia de um núcleo F : Md ⇥ Md ! R corresponde à existência de uma função Frd : [ 1, 1] ! R de modo que F(x, y) = Frd (cos(|xy|/2)),. x, y 2 Md .. Chamaremos Frd de parte isotrópica (ou radial) de F. Teorema 1.2.1. Seja F : Md ⇥ Md ! R um núcleo contínuo e isotrópico. Ele é positivo definido se, e somente se, sua parte isotrópica Frd possui uma representação em série na forma Frd (t) =. •.  ak. k=0. d,b ((d 2)/2,b ) Pk (t),. t 2 [ 1, 1],. (1.1). ((d 2)/2,b ). d,b. onde ak 2 [0, •), k 2 Z+ , Pk d,b ((d ((d 2)/2, b ) e • k=0 ak Pk. 2)/2,b ). é o polinômio de Jacobi de grau k associado ao par (1) < •.. O índice b assume os valores (d 2)/2, 1/2, 0, 1 ou 3 dependendo, respectivamente, da categoria à qual Md pertence, de acordo com a classificação de Wang. Como o teorema de representação acima baseia-se fortemente nos polinômios de Jacobi aproveitamos para revisar brevemente algumas de suas propriedades. Lembramos que, quase todas elas, valem não somente para polinômios de Jacobi associados aos pares ((d 2)/2, b ), como para aqueles associados a um par genérico (a, b ) como considerado em [39]. Eles formam uma família ortogonal no intervalo [ 1, 1], isto é, ((d 2)/2,b ) Pk ,. Z 1. 1. ((d 2)/2,b ). Pk. ((d 2)/2,b ). (t)Pl. (t)(1. t)(d. 2)/2. d,b. (1 + t)b dt = dk,l hl ,. onde. 2b +d/2 G(l + d/2)G(l + b + 1) , 2l + b + d/2 G(l + 1)G(l + b + d/2) Aqui G indica a função gama usual. d,b. hl. l 2 Z+ .. =. No lema abaixo, registramos algumas propriedades específicas dos polinômios de Jacobi ([2, 39]). Lema 1.2.2. Valem as seguintes propriedades: ((d 2)/2,b ) (b ,(d 2)/2) (i) Pk ( t) = ( 1)k Pk (t), t 2 [ 1, 1]; ((d 2)/2,b ) ((d 2)/2,b ) (ii) limk!• Pk (t)[Pk (1)] 1 = 0, t 2 ( 1, 1); (b ,(d 2)/2) ((d 2)/2,b ) (iii) Se d > 2b + 2, então limk!• Pk (1)[Pk (1)] ((d 2)/2,b ) ((d 2)/2,b ) (iv) Pk (1) = máx {Pk (t) : t 2 [ 1, 1]}.. 1. = 0;. Quando b = (d 2)/2, os polinômios de Jacobi são múltiplos positivos dos polinômios (d 1)/2 de Gegenbauer Ck : ((d 2)/2,(d 2)/2). Pk. (t) =. (d/2)k (d C (d 1)k k. 1)/2. (t),. t 2 [ 1, 1],. k = 0, 1, . . . ..

(26) 24. Capítulo 1. Preliminares. Neste caso particular, os polinômios de Jacobi de grau par são funções pares, enquanto que aqueles de grau ímpar são funções ímpares. No caso estrito, temos o resultado abaixo ([3, 12, 34, 35]). Observamos que no caso não esférico o resultado é muito recente. Teorema 1.2.3. Seja F : Md ⇥ Md ! R um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido. Considere a representação dele conforme o Teorema 1.2.1. Então F é estritamente positivo definido se, e somente se, as seguintes condições valem: 1,b (i) Md = S1 : o conjunto {k : a|k| > 0} intersecta toda progressão aritmética de Z. d,b. (ii) Md = Sd , d 2: o conjunto {k : ak > 0} contém infinitos pares e infinitos ímpares. d,b (iii) Demais casos: o conjunto {k : ak > 0} contém infinitos inteiros.. Em particular, este resultado ratifica que a positividade definida estrita de um núcleo d,b positivo definido usual sobre Md , não depende dos valores assumidos pelos escalares ak na representação em série da parte isotrópica do núcleo, e sim do conjunto dos índices k para os quais os coeficientes são positivos. Concluímos a seção apresentando duas fórmulas importantes que envolvem os polinômios de Jacobi. Em 1962, Hylleraas ([27]) forneceu uma relação para o produto de polinômios de Jacobi (a,b ) (a,b ) Pk Pl. k+l. =. Â. m=|k l|. a,b. (a,b ). bk,l (m)Pm. (1.2). ,. a,b. onde bk,l (m) 2 R e a, b > 1 . Um pouco mais tarde, Gasper ([17, 18]) utilizou as informações levantadas por Hylleraas para deduzir o seguinte resultado. Lema 1.2.4. Se a. b > 1e. (a + b + 1)(a + b + 4)2 (a + b + 6). (a. b )2 [(a + b + 1)2. 7(a + b + 1). 24],. a,b. então os coeficientes bk,l (m) na relação anterior são todos não negativos. Além disso, o a,b. coeficiente bk,l (k + l) é, de fato, positivo. Não é difícil ver que a não negatividade dos coeficientes está garantida no caso em que a b > 1 e a +b 1. Em particular, isso também é verdade nos casos a = (d 2)/2 > 0 e b = (d 2)/2, 1/2, 0, 1, 3, registrados no Teorema 1.2.1. Em outras palavras, para os espaços que estamos considerando neste trabalho, a classe de funções que possui uma representação como no Teorema 1.2.1 é um semigrupo sob multiplicação pontual. No caso dos polinômios de Gegenbauer, a fórmula de Linearização foi obtida em [11]: Cka (t)Cla (t) =. k^l. a  bak,l (µ)Ck+l. µ=0. 2µ (t),. t 2 [ 1, 1],. (1.3).

(27) 1.2. Núcleos positivos definidos sobre espaços compactos 2-homogêneos. onde bak,l (µ) =. 25. k + l + a 2µ (a)µ (a)k µ (a)l µ (2a)k+l µ (k + l 2µ)! . k + l + a µ µ!(k µ)!(l µ)!(a)k+l µ (2a)k+l 2µ. Aqui k ^ l denota o mínimo entre k e l, (·)r é o símbolo de Pochhammer. Obviamente, todos os coeficientes bak,l (µ) são não negativos. Em um dos casos que estamos interessados neste trabalho, o resultado abaixo é válido. Lema 1.2.5. Para a = (d µ = 1, 2, . . . , k ^ l.. a,b. 1)/2, d = 2, 3, . . ., os coeficientes bk,l (µ) são positivos,. Demonstração. Como a 1/2 > 0, todos os símbolos de Pochhammer que aparecem no numerador da expressão que define bak,l (µ) são não nulos, independente dos valores de k, l e µ. O fatorial (k + l 2µ)! também é sempre positivo. Finalmente, como µ  k e µ  l, temos k+l +a. 2µ = (k. µ) + (l. µ) + a. a. 1/2 > 0,. µ = 0, 1, . . . , k ^ l.. Portanto, bak,l (µ) > 0, para todo µ = 0, 1, . . . , k ^ l. Os espaços compactos 2-homogêneos admitem um operador Dd de segunda ordem e invariante, chamado de operador de Laplace-Beltrami. Este operador tem espectro discreto, real e não positivo. Ordenando os elementos deste espectro na forma 0 = z0 > z1 > z2 > . . . , e definindo Hkd como sendo o autoespaço de Dd correspondente ao autovalor zk , os espaços Hkd são mutuamente ortogonais em L2 (Md , sd ), onde sd é a medida normalizada de Riemann sobre Md . Assim, se a dimensão de Hkd é denotada por d (k, d), podemos tomar uma base ortonormal d , Sd , . . . , Sd 2 d {Sk,1 k,2 k,d (k,d) } para tal espaço, com respeito ao produto interno de L (M , sd ). Um resultado de E. Giné ([20]) garante a Fórmula de Adição: ((d 2)/2,b ). Pk d,b. (cos (|xy|/2)) =. 1. d (k,d). Â. d,b ck a=1. d d (y), Sk,a (x)Sk,a. x, y 2 Md .. d são Aqui, ck é uma constante positiva que depende de k, d e b . Os elementos da base Sk,a comumente chamados de harmônicos esféricos. Mais informações sobre a Fórmula de Adição, sua aplicabilidade e sobre a análise harmônica em geral atrelada aos espaços Md podem ser encontradas em [8, 9, 28, 36] e nas referências lá citadas..

(28)

(29) 27. CAPÍTULO. 2. NÚCLEOS ESTRITAMENTE POSITIVOS DEFINIDOS SOBRE ESPAÇOS 2-HOMOGÊNEOS. Neste capítulo apresentamos inicialmente uma caracterização para núcleos contínuos, isotrópicos e positivos definidos sobre Md . Lembramos que o caso usual já havia sido explicitado por Schoenberg e Gangolli ([38, 16]), enquanto que o caso matricial para superfícies esféricas já foi descrito em [24, 44], no âmbito da Estatística. Nossa demonstração é universal, no sentido de que vale para todos os espaços compactos 2-homogêneos e não carrega qualquer linguagem estatística em sua comprovação. No restante do capítulo, apresentamos a contribuição mais relevante da tese, ou seja, uma caracterização para os núcleos contínuos, isotrópicos e estritamente positivos definidos sobre Md , no caso em que Md não é uma esfera. Neste mesmo contexto, mas com a restrição l = 2, apresentamos uma caraterização adicional para a positividade definida estrita, via os dois elementos diagonais na representação matricial do núcleo. O capítulo descreve ainda vários resultados parciais dentro do mesmo tema, mas sem qualquer restrição sobre l.. 2.1. Positividade definida. Como já descrito na Introdução, a positividade definida de um núcleo F = [ f µn ]lµ,n=1 : Md ⇥ Md ! Ml (R) demanda que f µn (x, y) = f µn (y, x) = fn µ (y, x),. µ, n = 1, 2, . . . , l,. x, y 2 Md ,. e que, para cada inteiro positivo n e qualquer escolha de n pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn em Md , a matriz [F(xi , x j )]ni, j=1 , de ordem ln ⇥ ln, é definida não negativa. A positividade definida estrita exige, por sua vez, que as matrizes da frase anterior, ou seja, as matrizes [F(xi , x j )]ni, j=1 , sejam positivas definidas. A isotropia de tais núcleos corresponde à isotropia de cada uma de suas.

(30) 28. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. funções coordenadas f µn , enquanto que a continuidade de um núcleo como acima demanda a continuidade de cada uma das funções coordenadas f µn . Reiteramos que estamos adotando a distância Riemanniana (geodésica) usual em Md normalizada, de modo que o diâmetro de cada espaço Md seja 2p. Um exemplo particular de núcleos positivos definidos é fornecido pela proposição abaixo. O leitor não deve se esquecer que o índice superior b , que aparece no polinômio de Jacobi, varia de acordo com a classificação dos espaços compactos 2-homogêneos de Wang. Proposição 2.1.1. Seja k um inteiro não negativo fixado. Se A é uma matriz simétrica e definida não negativa de Ml (R), então ((d 2)/2,b ). F(x, y) = APk. (cos(|xy|/2)),. x, y 2 Md ,. é um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido em Md . Demonstração. Sejam A = [Aµn ] 2 Ml (R) e n um inteiro positivo. Considere ainda vetores B1 , B2 , . . . , Bn em Rl e pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn de Md . Então n. Â. i, j=1. n. Bti F(xi , x j )B j =. Â. Bti APk. n. l. ((d 2)/2,b ). i, j=1.  Â. =. (cos(|xi x j |/2))B j. µ. i, j=1 µ,n=1. ((d 2)/2,b ). Bi Bnj Aµn Pk. (cos(|xi x j |/2)).. Introduzindo a Fórmula da Adição vem que n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j. =. d (k,d). 1 d,b. ck. l.  Â. n. n. µ. d d (x ) Aµn . (xi )  Bnj Sk,a j  Bi Sk,a. a=1 µ,n=1 i=1. j=1. d,b. Como a matriz A é definida não negativa e o escalar ck n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j. é positivo, concluímos que 0.. Isso demonstra a positividade definida de F. No lema técnico abaixo apresentamos algumas propriedades pontuais dos núcleos positivos definidos. Lema 2.1.2. Seja F = [ f µn ]lµ,n=1 um núcleo positivo definido sobre Md . Valem as seguintes afirmações: (i) Se B é um vetor de Rl , então a fórmula Bt FB(x, y) = Bt F(x, y)B,. x, y 2 Md ,. define um núcleo Bt FB positivo definido em Md . (ii) Cada elemento diagonal f µ µ é um núcleo positivo definido usual sobre Md . (iii) Se F é um núcleo contínuo, isotrópico e estritamente positivo definido, então cada elemento da diagonal f µ µ é contínuo, isotrópico e estritamente positivo definido..

(31) 2.1. Positividade definida. 29. Demonstração. A parte (i) segue diretamente da definição de positividade definida. Ela vale até em contextos mais gerais do que o considerado aqui (veja por exemplo, [10, 43]). Os itens (ii) e (iii) são consequências de (i) e de nossas definições. O principal teorema desta seção tem enunciado como a seguir. Teorema 2.1.3. Seja F : Md ⇥Md ! Ml (R) um núcleo contínuo e isotrópico. Então, F é positivo definido se, e somente se, ele tem uma representação na forma •.  Ak Pk. F(x, y) =. ((d 2)/2,b ). x, y 2 Md ,. (cos(|xy|/2)),. k=0 µn. onde cada Ak = [Ak ] é uma matriz (simétrica) definida não negativa de Ml (R) e •. µn ((d 2)/2,b ) Pk (1) < •,.  Ak. k=0. µ, n = 1, 2, . . . , l.. Demonstração. Podemos escrever F na forma x, y 2 Md ,. F(x, y) = [ f µn (cos(|xy|/2))],. µ, n = 1, 2, . . . , l.. Observe que estamos pensando em f µn como a parte isotrópica da função coordenada µn. Devido ao Lema 2.1.2-(ii), cada elemento f µ µ é parte isotrópica de um núcleo positivo definido usual sobre Md . Logo, usando a caracterização de Gangolli temos que f µ µ (t) = d,b. •.  ak. k=0. d,b. ((d 2)/2,b ). (µ µ)Pk. µ = 1, 2, . . . , l,. t 2 [ 1, 1],. (t),. ((d 2)/2,b ). d,b. onde ak (µ µ) 0 e • (1) < •. Analisemos agora o caso em que k=0 ak (µ µ)Pk l µ 6= n. Usando vetores convenientes de R , o Lema 2.1.2-(i) revela que f µ µ + fnn + f µn + fn µ e f µ µ + fnn f µn fn µ são partes isotrópicas de núcleos positivos definidos usuais sobre Md . Logo, novamente pelo resultado de Gangolli, podemos escrever f µ µ + fnn ± 2 f µn = f µ µ + fnn ± f µn ± fn µ = d,b. onde ak,± (µn). ((d 2)/2,b ). d,b. 0 e • k=0 ak,± (µn)Pk. f µn (t) = onde. •.  ak. k=0. d,b. d,b. ((d 2)/2,b ). k=0. (1) < •. Como. 1 f µn = [ f µ µ + fnn + 2 f µn 4 temos que. •.  ak,±(µn)Pk. ( f µ µ + fnn. ((d 2)/2,b ). (µn)Pk. 1 d,b d,b ak (µn) = (ak,+ (µn) 4. (t),. d,b. 2 f µn )],. t 2 [ 1, 1],. ak, (µn)). ,.

(32) 30. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos ((d 2)/2,b ). d,b. e • (1) < •. Introduzindo as informações obtidas acima, na matriz que k=0 ak (µn)Pk define F, obtemos a representação matricial •. F(x, y) =.  Ak Pk. ((d 2)/2,b ). x, y 2 Md ,. (cos(|xy|/2)),. k=0 d,b. onde Ak = [ak (µn)]. A simetria de A é óbvia, enquanto que a convergência citada no enunciado do teorema segue claramente do que desenvolvemos acima. Para completar a demonstração da primeira parte é suficiente demonstrar que cada matriz Ak é definida não negativa. Para tanto, demonstraremos que para quaisquer números reais c1 , c2 , . . . , cl fixados, o núcleo usual G(x, y) :=. •. Â. k=0. l. Â. µ,n=1. d,b cµ cn ak (µn). !. ((d 2)/2,b ). Pk. x, y 2 Md ,. (cos(|xy|/2)),. é positivo definido, uma vez que a caracterização de Gangolli nos dá de imediato que l. Â. d,b. µ,n=1. cµ cn ak (µn). 0,. ou seja, Ak é definida não negativa. Sejam então x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos em Md e b1 , b2 , . . . , bn números reais. Temos que n. Â. i, j=1. bi b j G(xi , x j ) =. n. Â. i, j=1 n. =. Â. i, j=1. bi b j. •. l. Â. Â. µ,n=1. k=0. bi b j. ". l. Â. µ,n=1. !. d,b. ((d 2)/2,b ). cµ cn ak (µn) Pk. cµ cn. •.  ak. d,b. k=0. ((d 2)/2,b ). (µn)Pk. (cos(|xi x j |/2)) #. (cos(|xi x j |/2)) ,. isto é, n. Â. i, j=1. bi b j G(xi , x j ) = =. n. ". l. Â. bi b j. Â. bi b jCt F(xi , x j )C. i, j=1 n i, j=1. Â. µ,n=1. cµ cn f µn (cos(|xi x j |/2)). #. onde C = (c1 , c2 , . . . , cl ) 2 Rl . Como o Lema 2.1.2-(i) garante que o núcleo usual Ct FC é positivo definido, a última soma que deduzimos é não negativa. Portanto, G é positivo definido. Reciprocamente, observe que pela Proposição 2.1.1, núcleos matriciais da forma ((d 2)/2,b ). (x, y) 2 Md ⇥ Md ! APk. (cos(|xy|/2)),. onde A 2 Ml (R) é definida não negativa, são contínuos, isotrópicos e positivos definidos sobre Md . Como a família dos núcleos positivos definidos é fechada por somas finitas e limites pontuais, a parte suficiente do teorema segue..

(33) 2.2. Positividade definida estrita: condições suficientes. 31. Como no caso usual, a critério do leitor, a função matricial Frd (t) =. •. Â Ak Pk. ((d 2)/2,b ). (t),. k=0. t 2 [ 1, 1],. oriunda da representação descrita no teorema anterior, pode ser chamada de parte isotrópica de F. Várias observações merecem ser registradas neste momento. No caso esférico, o Teorema 2.1.3 recupera a caracterização de Hannan e Yaglom, uma vez que neste caso particular, os polinômios de Jacobi tornam-se polinômios de Gegenbauer. Assim sendo, este teorema complementa e estende os resultados de Hannan e Yaglom. O que ainda não existe e carece de investigação, é a construção efetiva de núcleos que se encaixam na representação do teorema. Há de se observar que, no caso usual, tais contruções já existem. Por exemplo, se f é a restrição a [0, p] de uma função contínua em [0, •), que é completamente monótona em (0, •), então a fórmula F(x, y) = f (|xy|/2),. x, y 2 Sd. define um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido usual sobre Sd ([21]). Esse fato é um caso particular de um teorema mais geral provado em [34]. Finalmente, é importante mencionar que se um espaço compacto 2-homogêneo está isometricamente mergulhado em um segundo, então qualquer núcleo positivo definido sobre o segundo espaço será positivo definido sobre o primeiro. A versão esférica desta propriedade no contexto usual foi originalmente observada por Schoenberg e recentemente explorada em [21].. 2.2. Positividade definida estrita: condições suficientes. Esta seção contém resultados gerais sobre a positividade definida estrita de núcleos positivos definidos sobre Md . Entre eles, apresentamos uma formulação alternativa para tal conceito e algumas condições suficientes para a positividade definida estrita obtidas com a ajuda da análise matricial. Os resultados que serão apresentados aqui não carregam nenhuma restrição sobre o espaço Md . Começamos relembrando um formulação alternativa para a positividade definida estrita no sentido usual. Uma demonstração pode ser encontrada em [2]. Lema 2.2.1. Seja F : Md ⇥ Md ! R um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido. Considere a representação em série para F descrita no Teorema 1.2.1 e defina d,b. JF1 = {k : ak As seguintes afirmações são equivalentes: (i) F é estritamente positivo definido.. > 0}..

(34) 32. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. (ii) Se n é um inteiro positivo e x1 , x2 , . . . , xn são pontos distintos de Md , então o sistema n. Â ciPk. ((d 2)/2,b ). i=1. k 2 JF1 ,. (cos (|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md ,. tem uma única solução, isto é, c1 = c2 = · · · = cn = 0. O segundo lema descreve o fato de que uma matriz definida não negativa pode ser vista como uma matriz de Gram ([26, Capítulo 7]). Lema 2.2.2. Uma matriz A em Ml (R) é definida não negativa de posto r se, e somente se, existe um conjunto {a1 , a2 , . . . , al } de vetores de Rl , contendo um subconjunto linearmente independente com r vetores, tais que a entrada µn de A é aµ · an , onde “·” é o produto interno usual de Rl . Se A 2 Ml (R) tem uma representação de Gram, como descrita no lema acima, então o conjunto ordenado {a1 , a2 , . . . , al } será chamado um conjunto de Gram para A. Escreveremos A > 0 para indicar que a matriz (simétrica) A de Ml (R) é positiva definida. O lema anterior é a chave para demonstrarmos o resultado técnico seguinte. Lema 2.2.3. Sejam A uma matriz (simétrica) definida não negativa de Ml (R), x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos de Md e B1 , B2 , . . . , Bn vetores em Rl . Suponha que {a1 , a2 , . . . , al } é um conjunto Gram de A. Se k é um inteiro não negativo e n. l. µ. Â Â. i, j=1 µ,n=1. então. l. ". n. Â Â. µ=1 i=1. ((d 2)/2,b ). Bi Bnj Aµn Pk. (cos(|xi x j |/2)) = 0,. µ ((d 2)/2,b ) Bi Pk (cos(|xi x|/2)). #. aµ = 0,. x 2 Md .. Em particular, se A > 0, tem-se n. µ ((d 2)/2,b ). Â Bi Pk. i=1. µ = 1, 2, . . . , l,. (cos(|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md .. Demonstração. Introduzindo a representação de Gram de A na primeira igualdade do enunciado do teorema e usando a Fórmula da Adição, obtemos 0 = =. n. l. µ. Â Â. i, j=1 µ,n=1. 1. d (k,d). ((d 2)/2,b ). Bi Bnj (aµ · an )Pk n. l. µ Bi Bnj (aµ d,b ck a=1 i, j=1 µ,n=1. Â Â Â. (cos(|xi x j |/2)). d d (x ), · an )Sk,a (xi )Sk,a j. ou seja, d (k,d). l. ". n. Â Â Â. a=1. µ=1 i=1. µ d Bi Sk,a (xi ). #. 2. a. µ. = 0,.

(35) 2.2. Positividade definida estrita: condições suficientes. onde k · k é a norma usual em Cl . Logo, " # l. n. µ. d (xi ) Â Â Bi Sk,a. µ=1 i=1. 33. aµ = 0,. a = 1, 2, . . . , d (k, d).. d (x), a = 1, 2, . . . , d (k, d), e usando Fixado x 2 Md , multiplicando a equação acima por Sk,a novamente a Fórmula da Adição, concluímos que " # l. n. µ ((d 2)/2,b ). Â Â Bi Pk. µ=1 i=1. (cos(|xi x|)/2)) aµ = 0,. x 2 Md .. Se A é positiva definida, então o conjunto {aµ : µ = 1, 2, . . . , l} é linearmente independente. Portanto, a última afirmação do lema também vale. A seguir, utilizamos o lema anterior e outras ferramentas matriciais para descrever condições suficientes para a positividade definida estrita de núcleos contínuos e isotrópicos sobre Md . O primeiro resultado desta natureza tem sua motivação em caracterização similar para núcleos positivos definidos usuais, levando-se em conta a presença de matrizes positivas definidas na representação em série do núcleo, conforme descrição no Teorema 2.1.3. Teorema 2.2.4. Seja F : Md ⇥ Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido. Considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Para que F seja estritamente positivo definido é suficiente que: (i) Md = S1 : o conjunto {k : A|k| > 0} intersecta toda progressão aritmética em Z. (ii) Md = Sd , d 2: o conjunto {k : Ak > 0} contenha infinitos pares e infinitos ímpares. (iii) Demais casos: o conjunto {k : Ak > 0} contenha infinitos inteiros. Demonstração. Sejam x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos de Md e B1 , B2 , . . . , Bn vetores em Rl . Vamos demonstrar que a condição n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j = 0. implica em Bi = 0, para todo i. Segue da equação anterior que l. n. Â Â. µ. µ,n=1 i, j=1. µn ((d 2)/2,b ). Bi Bnj Ak Pk. (cos(|xi x j |/2)) = 0,. k 2 JFl ,. onde JFl = {k : Ak 6= 0}. Devido ao Lema 2.2.3, podemos concluir que n. µ ((d 2)/2,b ). Â Bi Pk. i=1. (cos(|xi x|/2)) = 0,. (2.1). para µ = 1, 2, . . . , l, x 2 Md e k 2 {k : Ak > 0}. Sabemos que, se a matriz Ak é positiva definida, µµ então todos os elementos da diagonal principal Ak são maiores que zero. Defina o núcleo f : Md ⇥ Md ! R pela fórmula f (x, y) =. •. Â ak. k=0. d,b ((d 2)/2,b ) Pk (cos(|xy|/2)),.

(36) 34. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos d,b. d,b. onde ak = A11 k , se Ak é positiva definida e ak = 0, caso contrário. A função f está bem 1 definida e J f = {k : Ak > 0}. Levando-se em conta a hipótese em cada um dos itens (i), (ii) e (iii), bem como o Teorema 1.2.3, temos que f é um núcleo estritamente positivo definido sobre Md . Como a igualdade (2.1) vale para todo k 2 J 1f , concluímos via o Lema 2.2.1, que B1i = B2i = · · · = Bli = 0, i = 1, . . . , n, o que finaliza a demonstração. Abaixo escrevemos A 0 para indicar que uma matriz (simétrica) A de Ml (R) é definida não negativa e A ⇧ 0 para indicar que A 0, mas A não é positiva definida. Se A 2 Ml (R) e I é um subconjunto próprio ordenado de {1, 2, . . . , l}, escrevemos A(I) para denotar a submatriz principal de A, definida pelas linhas e colunas indexadas pelos elementos do complementar do conjunto I. Teorema 2.2.5. Seja F : Md ⇥ Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido e considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Seja I um subconjunto próprio de {1, 2, . . . , l}. Para que F seja estritamente positivo definido é suficiente que: µµ µn (i) Md = S1 : os conjuntos {k : A|k| (I) > 0} e {k : A|k| ⇧ 0; A|k| > 0; A|k| = Ann |k| = 0, µ 6= n}, µ 62 I, intersectem toda progressão aritmética em Z. µµ µn (ii) Md = Sd , d 2: os conjuntos {k : Ak (I) > 0} e {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}, µ 62 I, contenham infinitos pares e infinitos ímpares. µµ µn (iii) Demais casos: os conjuntos {k : Ak (I) > 0} e {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}, µ 62 I, contenham infinitos inteiros. Demonstração. Vamos demonstrar primeiramente os itens (ii) e (iii). Sejam x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos de Md e B1 , B2 , . . . , Bn vetores em Rl tais que n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j = 0.. O Lema 2.2.3 justifica a equação chave abaixo " l. n. µ ((d 2)/2,b ). Â Â Bi Pk. µ=1 i=1. #. (cos(|xi x|/2)) aµ = 0,. x 2 Md ,. k 2 JFl ,. onde {a1k , a2k , . . . , alk } é um conjunto de Gram para Ak . Se k é um índice pertencente ao conjunto µµ µn {k : Ak (I) > 0} e {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}, para algum µ 62 I, temos que µ n ak 6= 0 e ak = 0, sempre que n 6= µ. Em particular, a equação chave pode ser reduzida a n. µ ((d 2)/2,b ). Â Bi Pk. i=1. (cos(|xi x|/2)) = 0, µµ. µn. x 2 Md ,. µ 62 I. e. k 2 {k : Ak (I) > 0} \ {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}. Considerando as hipóteses em cada item, (ii) e (iii), e procedendo como na demonstração do teorema anterior, concluímos que µ Bi = 0, i = 1, 2, . . . , n, µ 62 I..

(37) 2.3. Positividade definida estrita: condições necessárias. 35. Logo, a equação chave pode ser reescrita na forma " # n. µ ((d 2)/2,b ). Â Â Bi Pk. µ2I i=1. (cos(|xi x|/2)) aµ = 0,. x 2 Md ,. k 2 JFl .. µ. Se k é um índice tal que Ak (I) > 0 então o conjunto {ak : µ 2 I} é linearmente independente. Daí, concluímos que n. µ ((d 2)/2,b ). Â Bi Pk. i=1. (cos(|xi x|/2) = 0,. x 2 Md ,. k 2 S,. µ 2 I.. Usando novamente o raciocínio empregado na demonstração do Teorema 2.2.4, vem que µ. Bi = 0,. i = 1, 2, . . . , n,. µ 2 I.. Portanto, Bi = 0, i = 1, 2, . . . , n. A demonstração do item (i) segue de forma análoga ao que foi feito acima. Para completar esta seção, enunciamos a seguir um caso degenerado do teorema anterior. Sua demonstração é feita de forma análoga ao que foi feito acima e por isso será omitida. Teorema 2.2.6. Seja F : Md ⇥ Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido e considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Para que F seja estritamente positivo definido é suficiente que: µµ µn (i) Md = S1 : os conjuntos {k : A|k| ⇧ 0; A|k| > 0; A|k| = Ann |k| = 0, µ 6= n}, µ = 1, 2, . . . , l, intersectem toda progressão aritmética em Z . µµ µn (ii) Md = Sd , d 2: os conjuntos {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}, µ = 1, 2, . . . , l, contenham infinitos inteiros pares e infinitos inteiros ímpares. µµ µn (iii) Demais casos: os conjuntos {k : Ak ⇧ 0; Ak > 0; Ak = Ann k = 0, µ 6= n}, µ = 1, 2, . . . , l, contenham infinitos inteiros.. 2.3. Positividade definida estrita: condições necessárias. Segundo o Teorema 2.1.3, a parte isotrópica Frd de um núcleo contínuo e positivo definido F sobre Md possui a representação: Frd (t) =. •. Â Ak Pk. ((d 2)/2,b ). k=0. (t),. t 2 [ 1, 1] µn. onde b está de acordo com a classificação de Wang, cada Ak = [Ak ] é uma matriz simétrica e definida não negativa de Ml (R) e •. µn ((d 2)/2,b ) Pk (1) < •,. Â Ak. k=0. µ, n = 1, 2, . . . , l..

(38) 36. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. Nesta seção, apresentamos uma condição necessária sobre o conjunto JFl , de modo que o núcleo seja estritamente positivo definido. Isto por si só, já permite uma comparação com os resultados da seção anterior e também nos dá uma idéia de quão longe estamos de uma condição que seja necessária e suficiente, para garantir a positividade definida estrita do núcleo. Os resultados desta seção se baseiam fortemente em resultados similares obtidos em [34] para núcleos contínuous, isotrópicos e positivos definidos usuais sobre esferas. A idéia é combinar a definição de positividade definida, estimativas para o posto de matrizes e mergulhos isométricos. Começamos com uma proposição que vale para todos os espaços compactos 2-homogêneos. Proposição 2.3.1. Seja F : Md ⇥Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido. Considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Para que F seja estritamente positivo definido é necessário que JFl seja infinito. Demonstração. Supondo que JFl seja finito, digamos de cardinalidade N, demonstraremos que se n > 2l( N + Âk2J l 2k+1 ), então é possível escolher n pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn em Md f de modo que a matrix [F(xi , x j )]ni, j=1 seja não singular. Considere um mergulho isométrico f : S1 ! Md como garantido no Lema 1.1.2. Tome n pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn em Md , de modo que os n pontos {f 1 (xi ) : i = 1, 2, . . . , n} sejam igualmente espaçados em S1 . Fazendo trocas convenientes de linhas e colunas, podemos reescrever a matriz [F(xi , x j )]ni, j=1 , de modo que, para cada µ, n 2 {1, 2, . . . , l}, o bloco µn da nova matriz é da forma " #n •. µn ((d 2)/2,b ) Pk (cos(|xi x j |/2)). Â Ak. k=0. .. i, j=1. ((d 2)/2,b ). Observe que o posto dessa nova matriz é igual ao posto de [F(xi , x j )]ni, j=1 . Como Pk um polinômio de grau k, podemos escrever ((d 2)/2,b ). Pk. é. k. (t) =. Â bk,rt r ,. r=0. onde bk,0 , bk,1 , . . . , bk,k são números reais. Logo, ((d 2)/2,b ). Pk. ((d 2)/2,b ). (cos(|xi x j |/2)) = Pk. ((d 2)/2,b ). = Pk k. =. Â bk,r (f. r=0. (cos(|f (f. 1. 1. 1. (xi )f. (xi ) · f. (xi ) · f. 1. 1. 1. (x j )|/2)). (x j )). (x j ))r .. Como {f 1 (x1 ), f 1 (x2 ), . . . , f 1 (xn )} é um subconjunto de R2 , a matriz de Gram com entradas f 1 (xi ) · f 1 (x j ) tem posto não superior a 2. Logo, como o posto do produto de Schur de duas matrizes de mesma ordem é no máximo o produto dos postos das matrizes, cada matriz ((f 1 (xi ) · f 1 (x j ))r ), 0  r  k, tem posto no máximo 2r . Consequentemente, cada matriz h in µn ((d 2)/2,b ) Ak Pk (cos(|xi x j |/2)) i, j=1.

(39) 2.3. Positividade definida estrita: condições necessárias. tem posto no máximo Âkr=0 2r = 2k+1 µn, , é no máximo. 37. 1. Portanto, para cada µ, n = 1, 2, . . . , l, o posto do bloco. Â 2k+1. 1= N+. k2JFl. Â 2k+1.. k2JFl. Por fim, segue que o posto de [F(xi , x j )]ni, j=1 é no máximo l. Â. µ,n=1. 0. @ N+. 1. 0. Â 2k+1A = l 2 @. k2JFl. N+. 1. Â 2k+1A .. k2JFl. Agora note que se n > 2l( N + Âk2J l 2k+1 ), então, bloco µn da matriz F(xi , x j ) tem posto no f máximo 0 1 l2 @ N +. Â 2k+1A <. k2J lf. nl 2. e, consequentemente, F(xi , x j ) não tem posto nl.. No caso esférico, a proposição acima pode ser consideravelmente melhorada. Proposição 2.3.2. Seja F : Sd ⇥ Sd ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido e considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Para que F seja estritamente positivo definido é necessário que JFl contenha infinitos pares e infinitos ímpares. Demonstração. A demonstração consiste em uma extensão da demonstração anterior. Suporemos que JFl contém tão somente um número finito de pares e exibiremos n, bem como uma quantidade finita de pontos, x1 , x2 , . . . , xn em Sd , de modo que F(xi , x j ) seja singular. Podemos escrever JFl = J0 [ J1 , onde cada elemento de J1 é ímpar e J0 \ J1 = 0. / O caso em que JFl contém tão somente um número finito de ímpares pode ser analisado de maneira similar. Esta decomd + F d , onde F d é o somando de F d indexado por J e posição permite escrevermos Frd = Fr,0 0 r r,1 r,0 d d d Fr,1 é o somando de Fr indexado por J1 . Escreva F0 para denotar o núcleo sobre S com parte d e F o núcleo sobre Sd com parte isotrópica F d . Inicialmente olhemos para F . Se isotrópica Fr,0 1 1 r,1 d x1 , x2 , . . . , x2n são pontos distintos sobre S , mas dois a dois antipodais, então a matriz F1 (xi , x j ) tem posto no máximo nl. De fato, para ratificar isso, defina S = {(i, j) : 1  i < j  2n e xi = x j } e observe que tal conjunto tem cardinalidade n. Para cada µ = 1, 2, . . . , l, denote por eµ o µij ésimo vetor na base canônica de Rl . Dado um par (i, j) de S, defina vµ como sendo o vetor ij ij ij ij ij (vµ (1), vµ (2), . . . , vµ (2n)), onde vµ (i) = eµ , vµ ( j) = eµ e os demais são vetores nulos de Rl . ij Temos então um conjunto linearmente independente {vµ : (i, j) 2 S} de nl vetores de R2nl . Por ((d 2)/2,b ) outro lado, como cada P2k+1 , k 2 J1 , é uma função ímpar, é fácil ver que cada um dos vetores acima pertence ao núcleo de F1 (xi , x j ). No entanto, se n é suficientemente grande, o teorema anterior implica que o posto de F0 (xi , x j ) é inferior a nl. Assim, o posto de F(xi , x j ) é menor do que 2nl..

(40) 38. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. O leitor atento já deve ter observado que a dificuldade em analisar a positividade definida estrita no caso l 2, reside essencialmente na seguinte diferença: para l = 1, a positividade definida estrita do núcleo F depende tão somente do conjunto JF1 e não dos valores assumidos d,b pelos coeficientes ak . No caso l 2, não é possível demonstrar que a positividade definida estrita depende somente do conjunto JFl . Afinal, temos mais possibilidades para as matrizes coeficientes Ak : podem ser nulas, e se não nulas podem ser positivas definidas ou não. Não sendo positivas definidas, elas podem ter postos variados.. 2.4. Positividade definida estrita no caso de espaços não esféricos. Nesta seção, considerando apenas o caso em que Md não é uma esfera, apresentamos uma condição necessária e suficiente para que um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido sobre Md seja estritamente positivo definido. O lema abaixo é uma consequência da Proposição 2.1.1 e fornece uma descrição alternativa para positividade definida estrita. Lema 2.4.1. Seja F : Md ⇥ Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido e considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Se x1 , x2 , . . . , xn são pontos distintos em Md e B1 , B2 , . . . , Bn são vetores em Rl , então as seguintes afirmações são equivalentes: (i) Âni, j=1 Bti F(xi , x j )B j = 0; ((d 2)/2,b ). (ii) Âni, j=1 Bti Ak B j Pk. (cos(|xi yi |/2)) = 0, k 2 JFl .. Demonstração. Se (i) vale, então 0=. n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j = =. n. l. •. µ µn n ((d 2)/2,b ) B j Pk (cos(|xi x j |/2)). Â Â Â Bi Ak. i, j=1 µ,n=1 k=0 • n ((d 2)/2,b ) Bti Ak B j Pk (cos(|xi x j |/2)). k=0 i, j=1. Â Â. Como, para cada k, o núcleo ((d 2)/2,b ). Ak Pk. (cos(|xy|/2)),. x, y 2 Md. é positivo definido, segue que n. Â. i, j=1. ((d 2)/2,b ). Bti Ak B j Pk. (cos(|xi x j |/2)) = 0,. Logo, (ii) vale. A outra implicação é ainda mais óbvia.. k 2 JFl ..

(41) 2.4. Positividade definida estrita no caso de espaços não esféricos. 39. O principal resultado dessa seção é uma generalização do Teorema 1.2.3, no caso em que não é a esfera. A partir de agora, vamos usar os polinômios de Jacobi em sua forma normalizada, ou seja, usaremos Md. ((d 2)/2,b ) Rk. ((d 2)/2,b ). :=. Pk. ((d 2)/2,b ). Pk. (1). ,. k = 0, 1, . . . .. Teorema 2.4.2. Seja F : Md ⇥ Md ! Ml (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido e considere a representação de F conforme o Teorema 2.1.3. Suponha que Md não é uma esfera. As seguintes afirmações são equivalentes: (i) F é estritamente positivo definido; (ii) Para todo vetor B 2 Rl \ {0}, o conjunto {k 2 JFl : Bt Ak B > 0} é infinito. Demonstração. Fixado B 2 Rl \ {0}, o Lema 2.1.2 implica que a fórmula FB := Bt FB define um núcleo usual que é contínuo, isotrópico e positivo definido sobre Md . É claro que se F é estritamente positivo definido, então o mesmo ocorre com FB . Neste caso, devido ao Teorema 1.2.3, o conjunto JF1B é infinito. Agora, observe que •. Â Ak Pk. FB (x, y) = Bt •. =. ((d 2)/2,b ). (cos(|xy|/2)) B. k=0. Â Bt Ak BPk. ((d 2)/2,b ). !. (cos(|xy|/2)),. k=0. x, y 2 Md .. Segue que a representação em série acima é a representação em série para FB , como descrito no Teorema 1.2.1. Em particular, temos que JF1B = {k 2 JFl : Bt Ak B > 0}. Logo, (i) implica (ii). Para demonstrarmos a outra implicação, suponhamos que (ii) vale e que F não é estritamente positivo definido, e produziremos uma contradição. Existem pontos distintos x1 , x2 , . . . , xn em Md e vetores B1 , B2 , . . . , Bn em Rl , não todos nulos, tais que n. Â. i, j=1. Bti F(xi , x j )B j = 0.. Sem perda de generalidade, podemos supor que B1 6= 0. Segue, então, do Lema 2.4.1 que n. Â. i, j=1. ((d 2)/2,b ). Bti Ak B j Pk. (cos(|xi x j |/2)) = 0,. k 2 JFl .. (2.2). Como B1 6= 0, o conjunto K1 := {k 2 JFl : Bt1 Ak B1 > 0} é infinito por hipótese. Então existe i0 2 {1, 2, . . . , n} tal que o conjunto K2 = {k 2 K1 : Bti0 Ak Bi0. Btj Ak B j , j = 1, 2, . . . , n}. é infinito. De fato, se para cada i 2 {1, 2, . . . , n} o conjunto Si = {k 2 K1 : Bti Ak Bi Btj Ak B j , j = 1, 2, . . . , n} fosse finito, teríamos K1 = [ni=1 Si , ou seja, K1 seria finito, o que é um absurdo..

(42) 40. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. Observe que Bti0 Ak Bi0 Bti0 Ak Bi0 , obtemos. Bt1 Ak B1 > 0, para todo k 2 K2 . Portanto, dividindo a expressão (2.2) por. ((d 2)/2,b ). n. Bt Ak B j Pk 0 = Â ti i, j=1 Bi0 Ak Bi0 =. (cos(|xi x j |/2)) = ((d 2)/2,b ) Pk (1) n Bt A B n Bti Ak B j ((d 2)/2,b ) i k j 1+ + R (cos(|xi x j |/2)) t Bti0 Ak Bi0 k i=1 Bi0 Ak Bi0 i6= j i6=i0 |xi x j |6=2p. Â. +(. Â. (b ,(d 2)/2) (1) k Pk 1) ((d 2)/2,b ) Pk (1). É fácil ver que 0<. Btj Ak B j. Bti0 Ak Bi0. n. Â. i6= j |xi x j |=2p. 1. Bti Ak B j , Bti0 Ak Bi0. j = 1, 2, . . . , n,. k 2 K2 .. (2.3). k 2 K2 .. No caso i 6= j, pela desigualdade de Cauchy-Schwarz, temos que q q q q |Bti Ak B j |  Bti Ak Bi Btj Ak B j  Bti0 Ak Bi0 Bti0 Ak Bi0 = |Bti0 Ak Bi0 | ou seja,. Bti Ak B j  1, Bti0 Ak Bi0. j = 1, 2, . . . , n,. k 2 K2 .. Usando o fato de K2 ser infinito e o Lema 1.2.2-(ii),(iii), podemos escolher k 2 K2 suficientemente grande de forma que n. Â. i6= j |xi x j |6=2p. Bti Ak B j ((d R Bti0 Ak Bi0 k. 2)/2,b ). (cos(|xi x j |/2)) <. 1 4. e (. (b ,(d 2)/2) (1) k Pk 1) ((d 2)/2,b ) Pk (1). n. Â. i6= j |xi x j |=2p. Bti Ak B j 1 < . t Bi0 Ak Bi0 4. Assim, para esse k, obtemos da equação (2.3) que n. Bti Ak B j 0 > 1+ Â t i=1 Bi0 Ak Bi0 i6=i0. 1 4. n Bti Ak vBi 1 1 = +Â t 4 2 i=1 Bi0 Ak Bi0 i6=i0. 1 , 2. uma contradição. No caso l = 1, a caracterização para positividade definida estrita apresentada no Teorema acima reduz-se àquela mencionada no Teorema 1.2.3. Uma questão pode ser levantada: por que.

(43) 2.5. Positividade definida estrita no caso l = 2. 41. a demonstração acima não funciona quando Md é uma esfera? A resposta reside no simples (b ,(d 2)/2) ((d 2)/2,b ) fato de que no caso esférico, Pk (1) = Pk (1), k = 0, 1, . . ., e a última soma da equação chave na demonstração, isto é, (. (b ,(d 2)/2) (1) k Pk 1) ((d 2)/2,b ) Pk (1). não pode mais ser controlada quando k ! •.. Â. i6= j |xi x j |=2p. Bti Ak B j Bti0 Ak Bi0. Recentemente, o caso esférico foi devidamente resolvido em [23]. Como uma aplicação óbvia do Teorema, é fácil ver que os núcleos positivos definidos descritos na Proposição 2.1.1 nunca serão estritamente positivos definidos. A construção de exemplos concretos de classes de funções que possuem a representação oriunda do teorema anterior não foi possível neste momento, nem mesmo no caso em que l = 1. Vale observar que o Teorema 2.1.3 e o Teorema acima podem ser adaptados para a esfera de Hilbert real S• . Optamos por não colocar esses resultados, pois eles destoam do assunto geral.. 2.5. Positividade definida estrita no caso l = 2. Nesta seção, fornecemos uma caraterização alternativa para núcleos contínuos, isotrópicos e estritamente positivos definidos sobre Md , ainda no caso em que tal espaço não é uma esfera, e com a restrição l = 2. Já que os elementos da diagonal principal, na representação matricial de um núcleo positivo definido, são núcleos positivos definidos usuais, a idéia básica por trás desta seção está numa tentativa de classificar os núcleos estritamente positivos definidos através de alguma condição envolvendo estes elementos da diagonal. A seguinte classe de núcleos surgiu naturalmente durante nossa análise. Definição 2.5.1. (l = 2) Um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido F sobre Md é dito ser Schoenberg-singular se a sua parte isotrópica possui uma representação na forma ! Fr2 (t) =. •.  Ak + A  ak. k2K1. k=0. ((d 2)/2,b ). Pk. (t),. t 2 [ 1, 1]. onde K1 é um conjunto finito, A é uma matriz (simétrica) definida não negativa de M2 (R), A ⇧ 0, ((d 2)/2,b ) cada ak é um número real não negativo e • (1) < •. k=0 ak Pk Sejam x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos de Md . Como a matriz A na representação de um núcleo Schoenberg-singular é definida não negativa, mas não é positiva definida, ela não tem posto máximo, ou seja, suas linhas são linearmente dependentes. Logo, é fácil ver que a matriz em blocos, de ordem 2n, " #n •. A  ak Pk k=0. (d 2)/2,b. (cos(|xi x j |/2)). i, j=1.

(44) 42. Capítulo 2. Núcleos estritamente positivos definidos sobre espaços 2-homogêneos. tem posto não superior a n. Como a primeira soma de f é finita, segue da demonstração do Lema 2.3.1 que, para n suficientemente grande, a matriz de ordem 2n, " #n. Â Ak Pk. (d 2)/2,b. k2K1. (cos(|xi x j |/2)). i, j=1. também tem posto menor que n. Assim, concluímos que a matriz [Fr2 (cos(|xi x j |/2))]ni, j=1 não tem posto máximo, ou seja, não é positiva definida. Portanto, um núcleo positivo definido Schoenberg-singular não é estritamente positivo definido. O Teorema a seguir descreve o passo inicial e técnico na direção da caracterização que pretendemos apresentar. Teorema 2.5.2. Seja F : Md ⇥ Md ! M2 (R) um núcleo contínuo, isotrópico e positivo definido. Considere a sua representação matricial F = [ f µn ]lµ,n=1 e também a representação fornecida pelo Teorema 2.1.3. Suponha que Md não é uma esfera e que F não é Schoenberg-singular. Para que F seja estritamente positivo definido, é suficiente que, ambas as condições Ak ⇧ 0 e 12 21 22 2 A11 k Ak Ak Ak > 0 valham simultaneamente para infinitos inteiros k em JF . Demonstração. Sejam x1 , x2 , . . . , xn pontos distintos em Md e B1 , B2 , . . . , Bn vetores em R2 . 12 21 22 Tendo em vista o Lema 2.2.3, vamos demonstrar que se Ak ⇧ 0 e A11 k Ak Ak Ak > 0 valem simultaneamente para infinitos inteiros k em JF2 , então a única solução da equação chave " # 2. n. µ ((d 2)/2,b ). Â Â Bi Pk. µ=1 i=1. µ. (cos(|xi x|/2)) ak = 0,. x 2 Md ,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0},. onde {a1k , a2k } é um conjunto de Gram para Ak , é a trivial, ou seja, B1 = B2 = · · · = Bn = 0. Se k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}, então o conjunto de Gram para Ak é linearmente dependente. Logo, 12 21 22 para cada k neste conjunto, existe lk 2 R tal que a1k = lk a2k . Mas se A11 k Ak Ak Ak > 0, temos que lk 6= 0 e a2k 6= 0. Substituindo o valor de a1k na equação chave e dividindo a equação por ((d 2)/2,b ) Pk (1) obtemos n. Â (lk B1i + B2i )Rk. ((d 2)/2,b ). i=1. (cos(|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md ,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}.. µn. 22 Como cada Ak é definida não negativa, sabemos que 2|Ak |  A11 k +Ak , µ, n = 1, 2, e daí |lk |  1 ou |lk | 1. Vamos considerar três possibilidades para a sequência (lk ). Caso 1: Se a sequência (lk ) é limitada, fixemos g 2 {1, 2, . . . , n} e introduzimos x = xg na equação chave. Obtemos, então,. lk B1g + B2g + Â lk B1i + B2i Rk. ((d 2)/2,b ). i6=g. (cos(|xi xg |/2)) = 0,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0},.

(45) 2.5. Positividade definida estrita no caso l = 2. 43. quando cos(|xi xg |/2) 6= 1, i 6= g e, caso contrário, lk B1g. (b ,(d 2)/2) (1) k Pk 1) ((d 2)/2,b ) (lk B1i + B2i ) Pk (1) xi 2Vxg ((d 2)/2,b ) lk B1i + B2i Rk (cos(|xi xg |/2)) = 0, xi 2V / xg [{xg }. +. B2g + (. +. Â. Â. para k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}. Neste caso, fazendo k ! • concluímos, via o Lema 1.2.2, que g g a sequência (lk B1g ) converge para B2g . Em particular, se B1 = 0, temos B2 = 0. Como g é arbitrário temos duas possibilidades: B1i = B2i = 0, para todo i, ou B1i 6= 0, para algum i e, neste caso, a sequência (lk ) converge. Observe que se a segunda possibilidade ocorrer temos LB1i + B2i = 0,. i 2 {g : B1g 6= 0},. onde L é o limite da sequência (lk ). Daí, LB1i + B2i = 0, para todo i, e podemos escrever n. Â (LB1i + B2i )Pk. ((d 2)/2,b ). i=1. x 2 Md ,. (cos(|xi x|/2)) = 0,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}.. Fazendo a diferença entre a equação acima e a equação chave obtemos: n. (L. lk ) Â B1i Pk. ((d 2)/2,b ). i=1. (cos(|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md ,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}.. Como F não é Schoenberg-singular, a sequência (lk ) não é eventualmente constante. Logo, considerando uma subsequência se necessário, podemos assumir que lk 6= L para todo k. Consequentemente, n. Â B1i Pk. ((d 2)/2,b ). i=1. (cos(|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md ,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}.. Dado g 2 {1, 2, . . . , n} e fazendo x = xg na equação acima obtemos B1g + Â B1i Rk. ((d 2)/2,b ). i6=g. (cos(|xi xg |/2)) = 0,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0},. quando cos(|xi xg |/2) 6= 1, i 6= g e, caso contrário, B1g + (. (b ,(d 2)/2) (1) k Pk 1) ((d 2)/2,b ) Pk (1) xi 2Vxg. Â. B1i +. Â. xi 2V / xg [{xg }. ((d 2)/2,b ). B1i Rk. (cos(|xi xg |/2)) = 0,. para k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}. Fazendo k ! • em ambos os casos obtemos, via Lema 1.2.2, que B1g = 0, ou seja, B1i = 0 para todo i, uma contradição. Caso 2: Se a sequência (1/lk ) é limitada, como a1k = lk a2k e a1k 6= 0, temos a2k = lk 1 a1k . Reescrevendo a equação chave obtemos: n. Â (B1i + lk 1B2i )Pk. i=1. ((d 2)/2,b ). (cos(|xi x|/2)) = 0,. x 2 Md ,. k 2 JF2 \ {k : Ak ⇧ 0}..

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