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O processo eletrônico como mecanismo de acesso à justiça

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GRANDE DO SUL

LUCAS SAMUEL HARTMANN

O PROCESSO ELETRÔNICO COMO MECANISMO DE ACESSO À JUSTIÇA

Três Passos (RS) 2014

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LUCAS SAMUEL HARTMANN

O PROCESSO ELETRÔNICO COMO MECANISMO DE ACESSO À JUSTIÇA

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso - TC.

UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DEJ- Departamento de Estudos Jurídicos.

Orientador: MSc. Joaquim Henrique Gatto

Três Passos (RS) 2014

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Dedico este trabalho aos meu pais Gilberto Hartmann e Leani Inês Hartmann que me transmitiram os melhores ensinamentos, apoiando no que era preciso, com todo amor e dedicação.

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AGRADECIMENTOS

Quero agradecer à minha família, que sempre esteve ao meu lado, me incentivando, prestando a educação, sabedoria e a força necessária para enfrentar os obstáculos da vida. Agradeço de coração, pois o mérito também é de vocês que ajudaram a alcançar esta conquista.

Ao meu orientador Joaquim Henrique Gatto, com quem eu tive o privilégio de conviver e contar com sua dedicação e disponibilidade, prestando o atendimento com toda a calma e atenção me proporcionando sabedoria e conhecimento, para alcançar o melhor rendimento.

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“A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado.” Theodore Roosevelt

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Este trabalho inicialmente estuda a ideia do acesso à justiça, analisando seu conceito como direito fundamental, os obstáculos a sua real efetivação e possíveis formas de efetivação. Em um segundo momento, é analisada a implantação do processo eletrônico de forma detalhada, debatendo sobre vantagens e possíveis obstáculos deste novo sistema. A informatização do judiciário surge como forma de garantir uma prestação jurisdicional mais célere e eficaz, surgindo como mecanismo para a efetivação do acesso à justiça.

Palavras-Chave: Acesso à Justiça. Direitos Fundamentais. Processo Eletrônico. Tecnologia. Celeridade Processual.

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This paper initially studies the idea of access to justice, analyzing their concept as a fundamental right, the obstacles to their actual effectiveness and possible ways for effective access to justice. In a second step, we analyze the implementation of the electronic process in detail, debating possible advantages and obstacles of this new system. Finally the computerization of the judiciary emerges as a means of ensuring judicial services faster and more effective, emerging as a mechanism for effective access to justice.

Keywords: Access to Justice. Fundamental Rights. Electronic process. Technology. Procedural celerity.

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INTRODUÇÃO ... 8

1 Acesso à justiça ... 10

1.1 Aspectos Históricos ... 10

1.2 Definição de acesso à justiça ... 13

1.3 Obstáculos para o acesso à justiça ... 16

1.4 Mecanismos para a efetivação do acesso à justiça e a implementação do Processo Eletrônico...22

2 O processo eletrônico ... 26

2.1 A criação da Lei nº 11.419/06 e os aspectos gerais ... 26

2.2 A implantação do processo eletrônico ... 28

2.3 Vantagens do processo eletrônico ... ...32

2.4 Desvantagens, obstáculos e riscos...36

CONCLUSÃO ... 39

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INTRODUÇÃO

A pesquisa estuda o processo eletrônico como mecanismo de acesso à justiça. Inicialmente cabe destacar que o ser humano ao ter direito violado ou até mesmo na iminência de sê-lo, socorre-se ao poder judiciário. Nesta busca pelo amparo estatal, surge a ideia do acesso à justiça que, primeiramente, é a possibilidade de ingressar no judiciário, buscando dirimir o conflito existente, com oportunidades iguais aos seus litigantes.

O legislador ao instituir as normas não pode criar obstáculos a quem teve lesado direito seu, assim, qualquer pessoa, terá a chance de ingressar no poder Judiciário.

No mesmo caminho, ao ingressar no judiciário todo cidadão busca, a efetividade do princípio constitucional, o qual assegura no âmbito judicial ou administrativo a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

O grande problema que cerca toda esta ideologia de acesso à justiça está na sua efetivação. A morosidade do poder judiciário que está abarrotado de demandas compromete a efetividade do direito cuja tutela se busca na via judicial.

Após inúmeras discussões, foi implementado o Processo Eletrônico o qual, visa a concretização do ideal de dar celeridade aos trâmites judicias, facilitando a proposição de demandas, possibilitando a maior publicidade dos atos processuais, a economia processual, a facilitação do acesso às informações, a comodidade e,

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consequentemente, a melhor prestação da tutela pleiteada, tudo isso visando a efetivação do acesso à justiça.

Neste contexto destaca-se o TRF da 4ª Região o qual foi o pioneiro, no Brasil, na implantação do processo eletrônico em todas as ações. Também é analisado o início da implantação nos juizados especiais cíveis.

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1 ACESSO À JUSTIÇA

O acesso à justiça é um direito fundamental, e em tese todo cidadão deveria ter respeitado esta garantia, tendo assim uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas.

Este direito não é apenas o acesso do cidadão ao Poder Judiciário ou propor uma ação, o mero acesso não garante a satisfação de direito algum, o que deve sim ser proporcionado, é um tratamento igual, com oportunidades a ambas as partes, e principalmente a satisfação de forma correta, adequada e digna do direito pleiteado.

Para a efetivação desse direito fundamental, inúmeras são as barreiras a ultrapassar, cabe aqui, analisar novas ideias, encontrando a saída para a aproximação do cidadão comum com o poder judiciário, garantindo assim um melhor acesso à justiça.

1.1 Aspectos históricos

Desde o momento em que o ser humano passou a conviver em grupo, ou em sociedade, passando a ter uma relação com outras pessoas, originaram-se os conflitos. Assim, surgiu a ideia de justiça e a prática do acesso aos órgãos encarregados de aplicá-la. Isto pode ser verificado em Pedro Miranda de Oliveira.

No Código de Hamurabi, sabidamente uma das primeiras normas escritas da humanidade, encontram-se as primeiras indicações de acesso à justiça, no sentido da existência de garantias que, ao menos teoricamente, impediam a opressão dos mais fracos. (OLIVEIRA, 2010, p. 43)

Inicialmente o poder soberano, era originado das fontes divinas, ou seja, as decisões que não eram escritas, dos juízes, que primeiramente eram sacerdotes, eram respeitadas e seguidas, sendo assim não eram questionadas pela população.

Num momento seguinte, as decisões eram tomadas pelos mais velhos, que reuniam-se em conselhos, e argumentavam sobre questões da sociedade.

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Na história, a Grécia Antiga ficou marcada como o lugar onde iniciaram as primeiras discussões e reflexões sobre o direito. Começou-se a desenvolver o princípio da isonomia. Aqui surgiu a ideia de acesso à justiça, mas esta só possuía os cidadãos, que na época eram considerados a menor parte da população.

Este período de racionalidade acabou na Idade Média, em que os ensinamentos baseados na fé cristã vigoraram sobre a razão. Retornou aqui a ideia do poder do ser supremo, e toda pessoa que era contrária às orientações da igreja era castigada.

A partir dos séculos XIV e XV o Estado e a Igreja iniciaram um movimento de separação, era o fim da Idade Média, surgindo o período do Renascimento. Rompe-se com o teocentrismo, em que todas as ideias giravam em torno de Deus. Sobre o renascimento assevera Mauro Vasni Paroski:

Seja entendido como período histórico, seja como fenômeno histórico, fato é que o Renascimento significa uma nova tomada de consciência do homem, com reflexos no plano artístico, social, filosófico, enfim em todos os planos da vida. O indivíduo volta a ser o centro (humanismo) das atenções, permitindo a sua emancipação e a livre expansão da sua força criadora. Está criada a base para o individualismo que viria a marcar a etapa subsequente. (PAROSKI, 2006, p. 229)

Em meados do século XVIII, conhecido como século das luzes, foram criadas teses para diminuir o poder dos reis. Os Iluministas exigiam a igualdade de todos perante a lei e a livre expressão do pensamento. Naquela época a ordem jurídica dava muitos privilégios às camadas superiores da sociedade, os juízes aplicavam suas decisões de acordo com a vontade e interesse desses, sendo que quem se manifestava contra sofria com a punição.

Nos textos constitucionais surgiu a ideia de igualdade entre os homens, mas isso não vigorava no ordenamento jurídico, não assegurando assim o acesso à justiça, não havendo meios para garantir esta igualdade.

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Durante o estado liberal, ou seja, no século XIX e início do século XX, passou a vigorar o aspecto econômico nas fundamentações e imposições das decisões, trazendo enormes disputas entre as classes sociais. Neste período, por direito de ação, entendia-se apenas o direito de propor uma ação. O Estado não intervinha e não assumia compromisso na prestação dos serviços jurídicos à população, ou seja, o cidadão arcava com as custas da demanda, privilegiando e atendendo apenas a elite econômica, não havia preocupação com as desigualdades da sociedade. (PAROSKI, 2006, p. 215)

Após muito se discutir, iniciaram movimentos para garantir a igualdade formal, ou seja, dos textos constitucionais, com a igualdade que a sociedade ou a população buscava. Buscava-se garantir e efetivar os direitos sociais e a tutela dos mais fracos em relação aos mais fortes.

Voltando-se especialmente para o Brasil, constata-se que o período republicano foi marcado pelo estado liberal. O acesso à justiça foi incluído de forma explícita no texto constitucional de 1946.

A constituição de 1967 trouxe a garantia do acesso à justiça, mas após o golpe militar, foi editada a Emenda Constitucional nº 1 de 1969, que fez algumas alterações, trazendo algumas legalidades a todo aquele cenário de perseguição, censura e repressão, sendo excluído da apreciação judicial alguns atos do governo militar.

Por fim, com a Constituição da República de 1988, o direito de ação é mostrado de forma ampla e clara no artigo 5º, XXXV, onde a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Segundo Paroski:

A norma constitucional se dirige não apenas ao legislador, mas a qualquer pessoa ou instituição, seja pública ou privada, que estão proibidas de obstar o ingresso em juízo de qualquer cidadão brasileiro ou estrangeiro residente no país, para deduzir pretensão, tendo por escopo apreciação de lesão ou ameaça a direito. A garantia constitucional à tutela jurisdicional preventiva ou reparatória abrange não apenas o direito individual, mas também os direitos coletivos e difusos. (PAROSKI, 2006, p. 274)

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1.2 Definição de Acesso à Justiça

Após uma breve explanação histórica, sente-se a necessidade, neste momento, de trazer a definição de acesso à justiça.

Segundo Watanabe, acesso à justiça é o acesso à ordem jurídica justa. É a obtenção de justiça substancial. Não terá acesso a esta justiça substancial quem não consegue sequer o exame de suas pretensões pelo poder judiciário, ou mesmo, quem recebe as soluções atrasadas ou mal formuladas, para suas pretensões. (WATANABE, Kazuo, 1988, p. 152)

Cabe aqui analisar inicialmente o Acesso à Justiça como um direito fundamental, assim oportuno citar a definição de Direito Fundamental, consagrado por José Afonso da Silva:

Direitos fundamentais do homem constitui a expressão mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantias de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas. (SILVA, 1988, p.182)

Assim surge a principal garantia fundamental, o princípio da proteção judiciária, presente na Constituição Federal no artigo 5º, inciso XXXV, onde a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Ampliando assim o acesso ao judiciário.

Outro princípio consagrado na Carta Magna, é o presente no artigo 5º, inciso LIV, que traz o devido processo legal, garantindo a plenitude do acesso à justiça.

Cabe aqui a lição de Mauro Cappelletti e Bryant Garth:

O ‘acesso’ não é apenas um direito social fundamental, crescentemente reconhecido; ele é, também, necessariamente, o ponto central da moderna processualística. Seu estudo pressupõe um alargamento e aprofundamento dos objetivos e métodos da moderna ciência jurídica. (CAPPELLETTI e GARTH, 1988, p.13)

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Ao se falar em acesso à justiça não se deve considerar apenas o ingresso no Poder Judiciário. A própria garantia constitucional da ação é algo inoperante e muito pobre se estiver apenas voltada a assegurar que as pessoas cheguem ao processo, sem garantir-lhes um tratamento adequado. Faz-se necessário um julgamento a fundo, sem a utilização de fatores capazes de diminuir a celeridade do prosseguimento do processo.

É indispensável que as partes sejam tratadas com igualdade e admitidas a participar, não se omitindo também o juiz, que tem papel fundamental no andamento e no julgamento correto e respeitoso da causa.

Assim, só tem acesso à ordem jurídica justa quem recebe justiça, ou seja, quem além de ter o direito de ingressar em juízo, participar, receberá um provimento jurisdicional apropriado com os valores da sociedade.

Cabe destacar aqui, o direito ao processo, que ficou consagrado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, em seu artigo 10, nos seguintes termos:

Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Este preceito traduz na essência, o direito de ter acesso à justiça, segundo um processo justo e racional. Ter acesso à justiça é ter reconhecida a cidadania na condição de jurisdicionado.

Antigamente o acesso à justiça, era visto apenas como direito de propor ou contestar uma ação, ou seja, de ingressar no judiciário, mas este conceito como todo se desenvolveu, trazendo a ideia de que o acesso à justiça é utilizado como assistência jurídica, também como uma justiça eficaz ao qual todos podem ter acesso. Segundo Cappelletti e Garth:

A expressão ‘acesso à justiça’ é reconhecidamente de difícil definição, mas serve para determinar duas finalidades básicas do

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sistema jurídico – o sistema pelo qual as pessoas podem reivindicar seus direitos e/ou resolver seus litígios sob os auspícios do Estado. Primeiro, o sistema deve ser igualmente acessível a todos; segundo, ele deve produzir resultados que sejam individual e socialmente justos. (CAPPELLETTI e GARTH, 1988, p. 08)

O acesso à justiça é o mais básico dos direitos humanos, que não visa apenas garantir, ou até mesmo apenas ter acesso ao Poder Judiciário, mas também proclamar os direitos de todos, não dependendo aqui da capacidade econômica.

Nas palavras de CAPPELETTI e GARTH.

Acesso à justiça pode ser encarado como o requisito fundamental – o mais básico dos direitos humanos – de um sistema jurídico moderno e igualitário que pretenda garantir, e não apenas proclamar os direitos de todos.(CAPPELLETTI e GARTH, 1988, p. 12)

Trata-se de um direito social, cujo escopo não é só ingressar em Juízo, mas também, de que o jurisdicionado possa receber da Justiça tratamento isonômico, uma vez superadas eventuais desigualdades, principalmente na ordem econômica, capazes de tornar, para uma das partes, excessivamente pesado o ônus de provar e alegar fatos de seu interesse.

Outro pensamento que merece destaque é de PAROSKI.

Na doutrina nacional, parece predominar nos últimos quinze ou vinte anos, o entendimento de que o acesso à justiça não significa somente ter mero acesso aos tribunais, mas sim, obter concretamente a tutela jurisdicional buscada e, além disso, não importa unicamente em alcançar solução jurisdicional para os conflitos de interesses, mas sim, colocar o ordenamento jurídico à disposição das pessoas outras alternativas como meios para esta solução, a exemplo da mediação e da arbitragem privadas. Significa romper barreiras e introduzir mecanismos de facilitação não apenas do ingresso em juízo, mas também durante todo o desenvolvimento do procedimento jurisdicional, significa redução de custos, encurtamento de distâncias, duração razoável do processo, diminuição de recursos processuais e efetiva participação na relação processual, dentre tantos aspectos que podem ser ressaltados. (PAROSKI, 2006, p. 198)

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Acesso à justiça é um direito amplo, de obter a solução justa para os conflitos de interesses, sendo o processo mais do que um mero instrumento de jurisdição, aplicador de normas legais, e sim um instrumento capaz de produzir decisões conforme uma ordem de valores identificada no ordenamento jurídico. (GRINOVER, 1998, p. 119)

Enfim, acesso à justiça traz a ideia de que o Estado proporcione aos cidadãos os instrumentos, pelos quais possam ser alcançadas decisões de ordem justa dos conflitos de interesses, atendendo às finalidades políticas, sociais e jurídicas, garantindo a todos efetivação dos direitos humanos constitucionalmente garantidos, com um acesso a ordem jurídica justa

1.3 Obstáculos para o acesso à justiça

No mundo atual, existem diversos obstáculos e barreiras a serem ultrapassadas para se conseguir o tão almejado acesso à justiça, como: os custos elevados; o exacerbado tempo para a solução do conflito; a falta de conhecimento básico jurídico; o formalismo; o procedimento complicado; dentre outros.

Inicialmente cabe destacar, que um dos principais problemas para garantir o acesso à justiça, é a lentidão na qual o judiciário se encontra.

Ao ingressar judicialmente, busca-se a efetividade, um processo que cumpra com seu objetivo, que é de conceder a tutela, no menor tempo possível. Porém, não adianta em nada quando a prestação jurisdicional, for intempestiva, não trazendo mais o benefício buscado, frente ao decurso do prazo.

A demora do processo desvaloriza os envolvidos na realização do direito, desprestigia o poder judiciário e o mais grave de tudo é que as pessoas cada vez mais estão desestimuladas a ingressar no judiciário para buscarem os seus direitos.

Cappelletti e Garth (1988, p. 21) ressaltam que para muitas pessoas, uma justiça inacessível é aquela que não cumpre suas funções dentro de um prazo razoável.

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A demora exagerada na solução dos conflitos traz danos a uma das partes, e ressalta-se aqui, que a lentidão traz mais prejuízos para aqueles que não possuem recursos para suportar a espera. A demora da prestação jurisdicional aumenta os custos para as partes, levando algumas vezes os mais fracos economicamente a abandonar suas causas ou fazer acordos com valores inferiores à que teriam direito.

Este aumento dos custos, implica em obstáculo ao acesso à justiça, conforme preceitua Cappelletti e Garth:

Torna-se claro que os altos custos, na medida em que uma ou ambas as partes devam suportá-los, constituem uma importante barreira ao acesso à justiça. (CAPPELLETTI e GARTH, 1988, p. 18).

Desta forma, uma das principais questões que preocupa os legisladores, é conferir celeridade ao processo, havendo assim uma prestação jurisdicional mais justa e com a efetividade desejada.

O processo deve ser acessível, devendo ser prestada assistência judiciária gratuita aos necessitados, garantindo aos litigantes a ampla defesa, o contraditório e demais garantias insculpidas na constituição.

Ao se referir à assistência judiciária gratuita, volta-se ao que consta no artigo 5º, inciso LXXIV da Constituição Federal, o qual dispõe que "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". Analisando este enunciado entende-se que essa garantia assegura o mais amplo acesso à justiça, pois concede ao cidadão não apenas o aconselhamento extra jurisdicional, como também o jurisdicional em todas as instâncias, pois se refere à assistência jurídica integral não apenas a assistência judiciária. O ser humano encontra-se amparado tanto na fase pré-processual como nas demais fases de tutela de seus interesses, sejam eles individuais ou coletivos. O conceito deste inciso é mais amplo, abrangente, sendo assim a assistência judiciária gratuita uma das formas de acesso à justiça.

Ser pobre não é a principal premissa para a concessão da assistência judiciária gratuita, mas sim, quem esta requerendo deverá demonstrar que ficará

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prejudicada a sua subsistência ou de sua família, caso assuma as custas do processo, ou seja, o ônus da demanda. Não é necessário provar fatos, mas sim o juiz ao analisar os autos, perceberá que a parte necessita deste benefício, caso contrário, terá imensas necessidades econômicas.

O magistrado ao conceder o benefício com apenas a declaração de hipossuficiência, visa viabilizar o acesso ao judiciário a todo tipo de cidadão, consagrando assim o acesso à justiça.

Cabe aqui ensinamento de Silvana Cristina Bonifácio Souza:

A assistência judiciária gratuita se encerra na assistência prestada em Juízo, ou seja, judiciária, de processos judiciais. É a prestação de todos os serviços indispensáveis à defesa dos direitos em Juízo, sem pagamento de quaisquer despesas. Enfim, trata-se da concessão de advogado ao hipossuficiente, que também fica dispensado do pagamento antecipado de custas ou emolumentos. A assistência jurídica significa, então, todo e qualquer auxilio jurídico voltado para o necessitado, principalmente no que diz respeito ao aconselhamento preventivo, procurando eliminar o germe do conflito de interesse que. Se não resolvido, chegará aos Tribunais. É acima de tudo, um serviço jurídico consultivo ao hipossuficiente, com ampla orientação, assegurando a cidadania. A dignidade, o respeito à pessoa humana, bem como garantindo que a desigualdade social não seja fator de opressão. (SOUZA Silvana, 2003, p.55-56)

A questão da Assistência Judiciária Gratuita é um dos maiores anseios da sociedade indefesa e desprovida de recursos para adentrar aos foros judicias, pois cobranças de taxas, emolumentos e custas judicias representam um verdadeiro entrave à defesa de direitos, uma vez que a parte hipossuficiente prefere abdicar de seu direito para não ter de adiantar despesas que sabe não possuir.

Ultrapassando o campo da assistência judiciária, entramos na questão da morosidade do poder judiciário o qual pode ser entendido como um dos principais entraves ao acesso à justiça. Os poderes do Estado devem reunir mecanismos que tornem mais eficientes e operantes, possibilitando tanto o ingresso da população ao judiciário, como a celeridade da justiça, garantindo a efetivação das leis e a legitimação dos direitos.

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Uma forma de garantir ao leigo o direito ao ingresso no judiciário é fazer com que essa pessoa conheça seus direitos, sabendo de todas as garantias que lhe são dadas para ter a possibilidade de ter seu direito satisfeito. Tudo isso pode ser posto em prática através de palestras, mutirões, encontros dentre tantos outros meios em que os conhecedores e aplicadores do direito poderiam passar seus conhecimentos à população.

Deve ser possibilitado um maior contato entre a pessoa leiga e o judiciário. Nas instituições de ensino devem ser mostradas às crianças e adolescentes os seus direitos, para depois estas informações serem repassadas aos pais e familiares.

As limitações causadas, frente às desigualdades sociais, é um aspecto que causa entrave ao acesso à justiça. A maior parte dos cidadãos não conhece e não tem condições de conhecer os seus direitos.

Quanto menos poder aquisitivo a pessoa possui, menor será sua capacidade de identificar um direito violado e passível de reparação judicial. Além do que, menor será a chance de identificar um advogado capacitado para lhe atender, pois muitas vezes, na localidade onde mora, não possui este serviço apropriado.

Também, outro empecilho, é a disparidade entre o litigante habitual e o litigante eventual. Há uma enorme diferença entre aquele que frequentemente esta em juízo, pleiteando seus direitos, contra aquele que nunca deparou-se frente a frente a um juiz. Assim o litigante habitual possui uma enorme vantagem como preceitua Cappelletti:

1) a maior experiência com o direito possibilita-lhes melhor planejamento do litígio; 2) o litigante habitual tem economia de escala, porque tem mais causas; 3) o litigante habitual tem oportunidades de desenvolver relações informais com os membros da administração da justiça; 4) ele pode diluir os riscos da demanda por maior número de casos; e 5) pode testar estratégias com determinados casos, de modo a garantir expectativa mais favorável em relação a casos futuros. (CAPPELLETTI e GARTH, 1988, p.25)

Outro problema, é que o poder judiciário não possui uma estrutura formada por procedimentos que acompanham as mudanças da sociedade. Amontoados de

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processos que não param de crescer, carência de funcionários capazes de satisfazer a demanda, e por vezes serventuários da justiça e juízes que não possuem o conhecimento adequado, há um despreparo, tudo isso contribui para o atraso na solução das demandas, e o decréscimo no que diz respeito ao acesso à justiça.

Ao referir-se antes, à estrutura do poder judiciário estar desatualizada, pode ser descrito aqui o uso de materiais de consumo inadequados, instalações físicas precárias, os inúmeros vaivéns dos autos, a atividade manual dos processos.

Oliveira traz a ideia da baixa qualidade de bacharéis que por vezes, são lançados no mercado:

Inúmeras Faculdades de Direito de fachada despejam no mercado, todos os anos, milhares de bacharéis despreparados, que

atravancam o Judiciário com lides temerárias e com

desconhecimento da prática processual, eis que muitos sequer diligenciam corretamente o preparo de agravos de instrumentos, com as peças mínimas exigidas por lei. (OLIVEIRA, 2001, p. 150)

O juiz, ou seja, o magistrado, tem o papel de “dar” o direito, exercer a prestação jurisdicional, é ele que analisará a situação fática, e com igualdade, isonomia entre as partes, aplicará a sentença mais justa e que não cause a destruição, principalmente econômica e social de uma das partes. Assim leciona Plauto Faraco de Azevedo:

A magnitude do papel que deve desempenhar o juiz dificilmente poderia ser exagerada. Envolve todos os seus conhecimentos – do direito objetivo e das regras que norteiam sua interpretação e aplicação, e da vida, sob seus múltiplos aspectos: psicológicos, sociológicos, históricos, políticos, geográficos, filosóficos, importando estes últimos não somente em uma concepção da existência e do mundo como do próprio Direito, de sua função, fins e significado humano. (AZEVEDO, 1998; Pág.61)

O juiz investido de senso de eficácia de sua atuação deve adotar adequadas posturas mental, funcional e processual, direcionadas à consecução da função para a qual foi designado.

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Ao se referir a postura mental, o juiz deve ampliar o ingresso das pessoas à proteção da Justiça. Quanto a postura funcional, pode-se destacar que o juiz integra uma carreira e exerce uma função indeclinável, com deveres contidos em normatividade constitucional e infraconstitucional. Alguns deveres funcionais, concernem diretamente à garantia do acesso à justiça, visto que este deve assegurar a todos o ingresso à ordem jurisdicional. Pode ser destacado dentre os deveres funcionais:

- A pronta outorga, ou seja, não excedendo injustificadamente os prazos.

- O atendimento a qualquer hora, tratando assim com urbanidade, todas as pessoas da sociedade, e principalmente as partes e demais participantes do ambiente do judiciário. O magistrado deve atender aos que procuram, a qualquer momento, prestando a providência cabível, possibilitando a solução de urgência, diminuindo com isso a distância entre o poder do Judiciário e o destinatário da atuação.

- O dever de fundamentar. O magistrado deve motivar suas decisões judicias, não possibilitando assim, decisões abstratas e com alguma controvérsia.

- Dedicação plena à magistratura, com isso, impede-se que o juiz relegue, ou despreze o exercício jurisdicional a um plano secundário, não dando assim a atenção devida, que é tão necessária para um bom desenvolvimento de suas atividades e consequentemente para uma decisão correta e louvável.

Quanto a postura processual, devemos perceber que o juiz é o agente apto e capaz de realizar a justiça em sua totalidade, acolhendo todos os pleitos endereçados ao Judiciário.

O juiz é quem conduz o processo, sendo assim, deve fazê-lo tramitar de forma regular, célere e não temerária, analisando com cuidado todas as peças, a começar pela petição inicial.

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Finalmente, o juiz deve estar qualificado, para atender a alta demanda de processos, e estar principalmente em profunda atualização, ou seja, estudando e aperfeiçoando seus conhecimentos, para um melhor atendimento aos jurisdicionados. Tudo isso leva a um sistema processual justo, acessível, alcançando assim a maior produtividade possível ao caso concreto.

Mas não cabe apenas discorrer sobre a formação dos magistrados, pois outro grande problema é que a população só aumenta, as disputas se acentuam dia após dia, desavenças até por vezes inúteis congestionam o judiciário, conforme entendimento de Andréia Mendes Svedas:

Processos referentes a causas absurdas, irrelevantes, repetitivas, movidas por modismo, por interesses psicológicos ou satisfação pessoal, colaboram, significativamente, para o acúmulo de processos que aguardam julgamento. Pesquisas revelam que tais causas abarrotam o Judiciário, favorecendo a morosidade, criando opinião crítica na maioria das pessoas de que a Justiça continua lenta e sem agilidade. (SVEDAS, 2001, p. 18)

Finalmente, soluções devem se encontradas, para que possam ser aplicadas e desta forma garantir a todos os seres humanos o acesso à justiça.

1.4 Mecanismos para a efetivação do acesso à justiça

Depois de se fazer uma explanação sobre os problemas para a efetivação do acesso à justiça e da constatação da morosidade em que o poder judiciário se encontra, surge a necessidade de encontrar formas de acelerar a solução dos conflitos.

Neste sentido cabe destacar aqui, os pensamentos do autor italiano Mauro Cappelletti, que em seu livro Acesso à justiça, de 1988, destacou-se como pensador do direito processual civil considerado como um todo.

Ele é o criador das chamadas “três ondas do acesso à justiça”, cada qual voltada para verificar em que medida o direito processual civil e suas técnicas reúnem condições de realização de suas finalidades.

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A primeira destas “ondas de acesso à justiça”, cria condições para que os pobres possam ter acesso à justiça, ou seja, aqueles que não possuem meios econômicos necessários, para o ingresso adequado no poder judiciário.

O pensamento surge, para solucionar ou criar mecanismos para que todos os cidadãos, independente de sua condição econômica possam ter acesso ao “serviço judiciário”, ou seja, possam requerer a tutela jurisdicional, nos casos em que ela se faz necessária. Surgem assim, as defensorias públicas, as leis de assistência judiciária gratuita, entre outras.

Cabe, então, aqui analisar pontos para não haver a exclusão dos hipossuficientes, ou seja, de impedir, que pessoas, que por falta de recursos financeiros, não possam buscar a satisfação de direitos seus, os quais até mesmo, a constituição federal garante. Mecanismos estes, para viabilizar a representação de direitos de pessoas, que de alguma forma ficariam excluídas, ou seja, até mesmo marginalizadas, da proteção jurisdicional.

No ordenamento jurídico brasileiro, a lei nº 1060/50, dispõe sobre a assistência judiciária gratuita, no mesmo passo que a Constituição Federal Brasileira em seu artigo 5º, LXXIV, dispõe que “o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”, sendo assim, encontra-se fundamentado em nossa lei a primeira onda de acesso à justiça de Mauro Cappelletti, no que diz respeito a assistência judiciária gratuita.

Também rege o artigo 134 da Constituição Federal de 1988, que “A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV”.

Na segunda “onda de acesso à justiça”, surge a proteção judicial dos direitos e interesses difusos, os quais não se encontram individualizados em alguém, muitas vezes sequer tem possibilidade de fruição individualizada. A solução do direito deve satisfazer e atingir uma coletividade indeterminada, ligada a uma circunstância de fato. Essa ideia foge do modelo tradicional, onde o reconhecimento do direito de um,

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exclui o do outro. Nesta segunda onda, a preocupação central também, é o da representação judicial de direitos e interesses que restariam carentes de proteção jurisdicional.

No Brasil foram criados instrumentos como ação civil pública, mandado de segurança coletivo e a ação popular, havendo assim o alcance pleno de grupos de pessoas ao acesso à justiça.

Por fim, tem-se a terceira “onda de acesso à justiça”, a qual surge no sentido de criação de mecanismos alternativos de solução de conflitos, que dispensem ou flexibilizem a atuação jurisdicional. Não está baseada somente na ideia de criar condições de acesso à justiça, mas de uma concepção que admite não ser suficiente a representação judicial de um direito.

Assim faz-se necessário buscar reformas de procedimentos, mudança nas estruturas dos tribunais, mudanças no direito substantivo, para diminuir e até mesmo evitar conflitos.

Após a discussão sobre as “ondas do acesso à justiça”, ficam claro algumas ideias de possíveis soluções para os obstáculos do acesso à justiça, dentre as quais: a assistência judiciária gratuita; as defensorias públicas; mecanismos para os interesses e direitos difusos; que solucionariam alguns problemas como a exclusão do hipossuficiente, os elevados custos, os quais, proporcionam um afastamento entre cidadão e judiciário.

Ademais, outro ponto que surge como mecanismo de efetivação do acesso à justiça, ultrapassando as barreiras impostas, é o enxugamento da legislação processual, simplificando os procedimentos, tornando assim a justiça mais célere.

Uma melhor qualificação dos serventuários da justiça e principalmente dos juízes, os quais têm o dever de decidir e solucionar os conflitos, resultaria em um benefício, diminuindo o exacerbado tempo para a solução de uma demanda, e principalmente, que esta solução do conflito seja correta e justa.

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O acesso à ordem jurídica justa supõem, ainda, uma formação de juízes, com sensibilidade capaz de verificar a realidade social vigente, como também as transformações sociais, que afetam dia após dia a sociedade moderna, por este motivo, se faz necessário um aperfeiçoamento dos juízes ao longo de sua carreira, ou seja, não podem ficar acomodados no patamar em que se encontram, deve ser buscado um melhoramento jurídico, para enfrentar os graves problemas da atual população.

A sociedade tem o direito à justiça, prestada por juízes que se comprometam e se envolvam com a realidade social, que realizem uma justiça justa, igualitária e não a justiça praticada por juízes sem qualquer interação com a vida social.

Como uma das formas desta organização, preceitua Kazuo Watanabe:

melhor organização somente poderá ser alcançada com uma pesquisa interdisciplinar permanente sobre os conflitos, suas causas, seus modos de solução e acomodação, a organização judiciária, sua

estrutura, seu funcionamento, seu aparelhamento e sua

modernização, a adequação dos instrumentos processuais, e outros aspectos de relevância. Já é passada a época em que os conhecimentos empíricos de dirigentes temporários do Poder Judiciário eram suficientes para a correta organização dos serviços da justiça. (WATANABE, 1988, p.134)

Assim o direito ao acesso à justiça é o direito a uma justiça organizada, acesso este que deve ser assegurado pelos instrumentos processuais aptos para realizar o direito em questão.

Por fim, cabe ressaltar que para diminuir e se possível acabar com a morosidade em que o poder judiciário se encontra, para desburocratizar o mesmo, foi editada a Emenda constitucional nº 45, a qual inseriu no artigo 5º, LXXVII, a seguinte afirmação: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.

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2 O PROCESSO ELETRÔNICO

O poder judiciário possui um diagnóstico de crise, pois vem perdendo a legitimação em decorrência de sua ineficácia como órgão para a solução dos conflitos.

O procedimento ordinário, exageradamente usado atualmente, está desatualizado e desajustado com os desejos da sociedade contemporânea. Há uma pressão para a adequação dos procedimentos às transformações da sociedade.

Ao longo dos últimos anos, a processualística civil vem sofrendo inúmeras transformações e ajustes para resolver o grande problema que é a morosidade processual, que atualmente mancha e perturba a credibilidade do poder judiciário.

Assim, visando diminuir estes grandes entraves processuais, surge o processo eletrônico, com o qual, busca-se acabar com a lentidão processual, ou seja, a demora na prestação da tutela almejada, trazendo agilidade e celeridade na resolução dos conflitos, garantindo a efetivação do acesso à justiça.

2.1 A criação da Lei 11.419/06 e os aspectos gerais

Inicialmente cabe destacar que, no ano de 1999 foi criada a Lei do fax, sendo esta de número 9.800/99, visando garantir o acesso à justiça. Com esta lei permitiu-se que as partes transmitispermitiu-sem dados pelo sistema, mas estes atos dependiam de uma petição escrita. Assim esta lei não contribuiu muito para a utilização de um verdadeiro processo eletrônico.

Em 2001, com a Lei nº 10.259/01, foi criado os Juizados Especiais Federais, com esta lei, foi possível praticar atos processuais de forma eletrônica, sem apresentar posteriormente os documentos originais. Foi a Justiça Federal que proporcionou este avanço, criando o sistema conhecido como e-Proc (processo eletrônico), eliminando o uso de papel.

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No mesmo ano, foi editada a Medida Provisória nº 2.200/01 que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras, possibilitando a assinatura digital, garantindo integridade e autenticidade ao documento eletrônico.

Posteriormente, com a criação da Lei 11.280/06, o legislador incluiu no artigo 154 do CPC o parágrafo único, no qual fica claro que, os tribunais, no âmbito da respectiva jurisdição, poderão disciplinar a prática e a comunicação oficial dos atos processuais por meios eletrônicos, atendidos os requisitos de autenticidade, integridade, validade jurídica e interoperabilidade da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP - Brasil.

No ano de 2006, foi introduzida a Lei nº 11.382, modificando o CPC, possibilitando a penhora on-line e o leilão on-line, no processo de execução cível.

Finalmente no dia 19 de dezembro de 2006, a Lei 11.419 foi sancionada, estabelecendo a informatização do processo judicial, utilizando assim de meios eletrônicos no andamento dos processos, transmissão de peças e comunicação de atos processuais aos processos civil, penal e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição.

A Lei do Processo Eletrônico entrou em vigor em 19 de março de 2007, visando dar maior celeridade à solução das demandas, efetivando assim o acesso à justiça.

Esta implantação também trará maior confiabilidade da população na justiça brasileira, pois este garante agilidade e transparência na solução dos conflitos, além de facilitar o acesso das partes aos autos.

Com o uso de novas tecnologias, principalmente a informática, a sociedade modernizou-se, e começa a combater de forma acentuada a morosidade em que se encontra o poder judiciário.

Referindo-se à morosidade processual, esta, fica clara nos cartórios judiciais, visto que pesquisa realizada pelo judiciário identificou que 70% do tempo de

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tramitação do processo é gasto em cartório, com atividades burocráticas. Com a utilização do Processo Eletrônico esse tempo praticamente desaparece. (LAZZARI, 2007, p.52)

O processo eletrônico busca a eliminação do processo físico, com a implantação do processo digital.

Diversas são as transformações no âmbito judicial, dentre as quais, as informações passaram a ser disponibilizadas por meio virtual, as prateleiras dos Foros estão sendo esvaziadas, não há mais o acúmulo de papel, sendo assim consequentemente um benefício ao meio ambiente.

Aumentou a praticidade aos advogados que acessam o sistema com suas senhas e assinatura digital, aumentando a segurança nas ações e rapidez nas manifestações processuais.

Percebe-se que o processo eletrônico encaixa na terceira onda renovatória formulada por Mauro Cappelletti e Bryant Garth na obra “Acesso à justiça”, pois nesta, os autores propõem meios alternativos na resolução dos conflitos, simplificando os procedimentos judiciais e consequentemente ampliando o acesso à justiça, sendo que esta informatização do poder judiciário e a instituição do processo eletrônico estão devidamente estabelecidos neste cenário, pois trata-se de um mecanismo simples e ágil, aproximando o cidadão à justiça.

A via eletrônica promove a interação ou comunicação, entre a nova realidade processual e os destinatários da prestação jurisdicional. Com a ajuda do desenvolvimento da Tecnologia de Informação, o processo eletrônico mostra-se um mecanismo fundamental na busca por maior efetividade, que é o objetivo central da jurisdição.

2.2 A implantação do processo eletrônico

Ao analisar o processo eletrônico, um dos principais órgãos da justiça a proceder na implantação, sendo o pioneiro no Brasil, foi o Tribunal Regional Federal

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da 4ª Região, que inclui os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Neste, a implantação do processo eletrônico iniciou-se por meio da resolução nº 13 de 11/03/2004, antes mesmo de surgir a Lei do Processo Eletrônico (11.419/06) na qual estabeleceu normas para o funcionamento nos Juizados Especiais Federais (JEF’s). Com a resolução número 75 de 16/11/2006, o processo eletrônico foi adotado para todas as ações de competência dos JEF’s da 4ª Região.

Finalmente, em 19 de dezembro de 2006 foi promulgada a Lei número 11.419, ou seja, a Lei do Processo Eletrônico, dispondo sobre a informatização do poder judiciário, entrando em vigor em 19 de março de 2007. Posteriormente com a resolução nº 64 de 17/11/2009, foi implantado de forma gradual o processo eletrônico também aos processos do juízo comum cível e criminal, na Justiça Federal de 1º e 2º graus da 4ª Região.

Na mesma linha, o TRF editou a resolução nº 17 de 26/03/2010, fazendo com que a partir desta nova versão, todas as ações do juízo comum cível e criminal, tramitem pelo processo eletrônico no âmbito da Justiça Federal, restando apenas em meio físico, as que já estavam em andamento.

Visando um funcionamento adequado e cada vez mais célere, a justiça federal proporciona aos advogados o treinamento sobre a utilização do sistema. Nesta linha, os serventuários têm contribuído para a consolidação desse novo sistema.

O trâmite ocorre totalmente por meio virtual, desde a distribuição ao cumprimento de sentença e os documentos que compõem a causa são escaneados e anexados aos processos virtuais.

Tudo isto proporciona maior agilidade, transparência, publicidade e rapidez no trâmite judicial, adaptando-se assim ao conceito de acesso à justiça.

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O Judiciário, entre outras, tem sofrido uma crítica constante e contundente a respeito da morosidade com que os processos tramitam e se decidem definitivamente. E a crítica, é preciso reconhecer, é procedente. Realmente, o Judiciário é lento. Um processo comum proposto contra entidade pública, que é a quase totalidade dos que tramitam no âmbito da Justiça Federal, leva anos e anos para findar. E quando alcança a decisão definitiva inicia-se um novo processo: a execução, para, afinal, redundar no famigerado e abominado precatório.

Essa demora, contudo, é preciso ressaltar, não se deve ao pouco trabalho, à inapetência, dos juízes. Ao contrário, os juízes trabalham e trabalham muito, secundados por servidores dedicados e operosos. Embora isso, a morosidade se faz presente. É que o rito do processo comum é formal e, em consequência, lento. Recursos se somam a recursos, tudo por conta do amplo direito de defesa e do contraditório.

(...)

Os Juizados Especiais Federais e o processo eletrônico significam uma justiça ágil, efetiva e gratuita. É a justiça que todos nós queremos. É a justiça que o povo brasileiro almeja. É a justiça que os operadores do direito buscam. É a justiça da afirmação da cidadania. Ou seja, são justamente o meio pelo qual se busca a ampliação do acesso à Justiça, levando-a diretamente às partes, que sequer necessitam de advogado para peticionar nas Varas dos Juizados Federais Especiais, bem como prescindem de equipamento eletrônico próprio, uma vez que todos os recursos são alcançados pelo Judiciário.

(...)

Na verdade, a questão reside tão-somente na resistência ao novo, que, às vezes, assusta. Com certeza, num passado distante, as intimações eram somente pessoais e a introdução da intimação pelo correio ou pelo Diário de Justiça também deve ter causado a mesma inquietação, o que não poderá impedir a evolução que se obteve com a implantação do E-proc.

Cabe destacar aqui que, este novo mecanismo não alterou radicalmente o Código de Processo Civil, pois os prazos, os recursos, as ações, mantiveram-se as mesmas.

Ademais, a implementação do processo eletrônico não ocorreu apenas no âmbito da justiça federal e tem início na Justiça Estadual, na Justiça do Trabalho e nos Juizados Especiais Cíveis.

Com o surgimento da lei nº 11.419/06, a Lei do Processo Eletrônico, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), publicou em 26 de março de 2012

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a Resolução CSJT nº 94/2012, na qual instituiu o sistema do processo eletrônico no âmbito da justiça do trabalho.

Destaca-se aqui a notícia, sobre a aplicação do processo eletrônico, na Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul.

Correio do Povo (2014). “Em um ano, toda a estrutura da Justiça do Trabalho no RS deverá ter implantado o Processo Judicial Eletrônico. A informação foi dada ontem pela presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), desembargadora Cleusa Regina Halfen (...) Segundo a desembargadora, o processo eletrônico está presente em 95 varas e três postos avançados de 28 cidades gaúchas. Em Porto Alegre, a implantação completou um ano em 23 de setembro. Ao todo, são 112 mil processos tramitando eletronicamente no primeiro grau, e 8 mil no segundo. Entre as vantagens do sistema informatizado, estão a eliminação do uso do papel, a automatização de atos processuais e a aceleração no andamento das ações. Do ajuizamento da ação ao julgamento, o prazo é de 130 dias, em média, e com os processos não eletrônicos, de 252 dias (....)” 08 de out, p.p 18.

Como se verifica na notícia acima, há um intenso processo de modernização, com a inclusão do processo eletrônico em todas as varas da justiça do trabalho, trazendo consigo enormes benefícios.

Outro órgão que cabe destaque no que diz respeito à implantação do processo eletrônico é os Juizados Especiais Cíveis, os quais surgiram com o intuito de facilitar a busca pela prestação jurisdicional.

No JEC, as causas de maior simplicidade e menor formalidade são inseridas, trazendo maior rapidez na solução dos conflitos. Neste, a aplicação do processo eletrônico contribui e muito, para tornar o trâmite processual mais rápido, diminuindo as custas, aumentando a transparência, e por fim ao tornar mais rápido e ágil, ampliou-se o acesso à justiça.

Por fim, fica claro que o processo judicial eletrônico está promovendo alterações na sociedade, provocando uma mudança de paradigma em todo o Poder Judiciário.

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O processo eletrônico já é realidade na justiça brasileira. No decorrer do tempo, o velho e tradicional processo físico será eliminado, possibilitando assim, a otimização da rotina dos atores processuais, trazendo enormes benefícios, na diminuição da morosidade da prestação jurisdicional, transparência dos atos, celeridade dos procedimentos e economia de recursos.

2.3 Vantagens do Processo Eletrônico

O processo eletrônico trouxe inúmeras vantagens e benefícios para a sociedade, especialmente para os envolvidos em procedimentos judiciais, sejam como partes, magistrados, servidores ou advogados.

Inicialmente cabe destacar as vantagens no âmbito do poder judiciário, começando pela facilitação do trabalho por parte de advogados e procuradores de órgãos públicos, evitando que os mesmos desloquem-se até a secretaria das varas, causando filas e retardando o andamento do processo.

Através da senha e do nome de usuário o advogado pode ter acesso, fazer petições, protocolar documentos e acompanhar o desfecho de seus processos. Outro ponto relevante é que o juiz pode despachar diretamente no sistema.

Não há só apenas redução no tempo dos processos, mas também há economia com material de expediente, permitindo por fim, uma interação entre o Poder Judiciário com a sociedade, possibilitando que a justiça vá ao encontro do cidadão.

Humberto Pinho traz uma breve explicação sobre o peticionamento no processo eletrônico no Juizado Especial Federal:

De qualquer lugar em que o acesso via internet seja possível, a ação perante os Juizados Especiais Federais Cíveis poderá ser ajuizada, já ocorrendo automaticamente a sua distribuição. Para cada tipo de usuário há uma tela no sistema virtual. As partes cadastradas terão acesso instantâneo ao processo eletrônico, através de um site seguro. Dessa forma, é possível acompanhar todo andamento processual. Qualquer pessoa que desejar acessar o processo virtual

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poderá fazê-lo através de uma consulta pública sem a necessidade de cadastro e, tampouco, de senha, porém, só serão disponibilizados para visualização alguns documentos que fazem parte do processo. Os atos processuais, como a juntada de petições, documentos e certidões, serão praticados virtualmente pelos usuários cadastrados, que possuirão login e senha pessoal. Através do acesso à internet, o sistema identificará a senha do operador e demonstrará uma relação dos processos pendentes onde atua, para que este possa trabalhar nos processos e gerar suas fases e eventos, que no momento da movimentação já restarão registrados, sendo, dessa forma, abolida a tradicional carga dos autos para cumprimento de diligências. Da mesma maneira mencionada acima, serão proferidos os atos e pronunciamentos judiciais, dentre outros: as sentenças, as decisões interlocutórias e os despachos. O magistrado, do mesmo modo que os advogados e demais usuários cadastrados, terá através do sistema acesso aos processos em que atua e assinará digitalmente suas decisões com seu login e senha, aparecendo sua assinatura digital quando concluído o ato processual. (PINHO, 2012, p.375)

O atendimento ao cidadão também terá uma acentuada melhora em sua qualidade, agilização dos serviços dos servidores, segurança e rapidez no trabalho dos magistrados.

Ao se referir à agilidade na tramitação, pode ser destacado que o trabalho dos servidores de cartórios judiciais terá um aproveitamento muito maior, pois as distribuições, protocolo e a organização das petições eletrônicas, serão realizados automaticamente, não sendo mais necessário funcionários para enumerar, autuar e receber milhões de folhas e documentos as quais impediam um trâmite razoável do processo.

Ressalta-se o pensamento de Eduardo García de Enterria o qual destaca os principais pontos do processo eletrônico.

Sabe-se que ainda há muito a ser feito no sistema eletrônico, mas esse já comprovou ser uma ferramenta eficiente para “aproximar a justiça do povo, dar transparência ao Judiciário, melhorar o acesso à Justiça, diminuir o custo da prestação jurisdicional e, muito especialmente, afastar definitivamente a morosidade da Justiça.” (GARCIA, 1991, p. 65.)

Cabe aqui destacar que, com a implementação deste novo recurso, as vantagens são inúmeras, não só para o poder judiciário, mas também para a

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população, sendo assim ultrapassando o campo do judiciário, é necessário demonstrar as vantagens proporcionadas a sociedade que vai em busca da justiça.

Assim destaca-se a possibilidade das partes através da internet consultar o andamento do processo e demais atos, a qualquer momento, evitando que pessoas que residem longe da sede do judiciário, tenham que deslocar-se para as mesmas. Diante disso preceitua Garcia:

E como se sabe, a grande maioria das pessoas nessa situação mora longe do centro onde fica a sede da Justiça, quiçá em outra cidade, mas onde sempre há acesso à Internet, havendo economia com passagens, etc. Ainda que o autor não tenha advogado, o hipossuficiente pode pedir a um amigo para consultar aos autos do processo, de modo que lhe é viável fiscalizar não só os atos judiciais, como também o desempenho de seu procurador. (GARCIA, 1991, p. 62.)

Na mesma linha de raciocínio, os processos ficam acessíveis na internet a todas as partes envolvidas e disponíveis a qualquer hora do dia, estando assim, disponível para consultas e demais manifestações a qualquer momento.

Esta publicidade, ou seja, esta nova forma do cidadão verificar o andamento de seu processo, ou até mesmo praticar algum ato através da internet, é atingida quando o processo eletrônico amplia os conhecimentos das partes de todas as etapas processuais. Com o processo digital, as partes não ficam mais dependendo de informações prestadas por advogados, podendo, a qualquer momento verificar em que estado se encontra o seu processo, quais manifestações ocorreram, e até mesmo o que o magistrado determinou no feito.

Após discorrer sobre a utilização da internet no processo eletrônico, é fundamental demonstrar que esse novo mecanismo digital exige um cuidado especial para garantir uma segurança e autenticidade adequada do ato realizado.

Para isso têm-se instrumentos que buscam afastar falsidades e deslealdades processuais. O certificado digital é uma das principais formas de garantir a integridade, autenticidade e segurança aos documentos eletrônicos. Assim, pode ser

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alcançada a agilidade que é tão desejada para os atos processuais, mas com uma segurança imprescindível.

A assinatura digital é um avanço tecnológico, pois é uma técnica que garante a validade jurídica dos documentos. A respeito deste tema assevera Dinemar Zoccoli:

No caso de um documento eletrônico, o termo “assinatura pode ser entendido como um “lacramento personalizado de seu conteúdo. O “lacre, no caso, visa garantir a integridade, enquanto o fato de

apresentar atributo de personalização permite garantir a

autenticidade. Nesse sentido, poder-se-ia comparar o ato de “assinar um documento eletrônico com o ato de colocar uma carta dentro de um envelope, fechá-lo apropriadamente e escrever a identificação do remetente no verso. É, mais ou menos, isso que a “assinatura eletrônica procura fazer. Ou seja, depois de fechado o envelope, não se pode mais alterar o conteúdo da carta sem deixar marcas visíveis (garantia de integridade) e, concomitantemente, esse mesmo envelope que envolve a carta contém, em si, a indicação da autoria (garantia de autenticidade). (ZOCCOLI, Dinemar, 2000, p.180)

Fica demonstrado aqui, que além da celeridade processual, da facilitação do serviço aos advogados, serventuários, o cidadão também terá a garantia de que o processo eletrônico é seguro, garantindo a integridade de todo documento, evitando que informações confidenciais possam espalhar-se pela rede de informática.

Continuando a reflexão sobre as vantagens do processo eletrônico, é pertinente abordar sobre as provas documentais.

A prova nos autos surge, como peça de argumentação, buscando elementos para convencer o magistrado. Desse modo o juiz toma conhecimento dos fatos que formam as pretensões das partes. No processo eletrônico temos duas formas de prova documental: a primeira quando o documento é digitalizado, e a segunda quando é produzida eletronicamente.

Verifica-se aqui que, com a digitalização do documento, ou mesmo, sua produção digital, o arquivo fica armazenado no sistema, possibilitando o acesso e a visualização a qualquer horário e de qualquer local, sendo assim, possui uma

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disponibilidade enorme através da internet, podendo ser verificado de forma mais rápida e prática. Da mesma forma sua transmissão é imediata, facilitando a divulgação da informação.

Também, não é mais necessário as inúmeras folhas que formavam o processo físico, gerando assim uma redução dos gastos, além da preservação do meio ambiente. Além disso, o documento, enquanto meio físico, estava exposto ao envelhecimento e a deterioração; já o documento digital possui uma durabilidade maior que se estende ao longo de vários anos.

Finalmente, buscando a celeridade processual, é hora de abandonar o documento físico e utilizar cada vez mais o documento eletrônico.

2.4 Desvantagens, obstáculos e riscos

Após discorrer sobre as vantagens do processo eletrônico, é cabível falar sobre alguns entraves que obstam a efetividade do processo eletrônico.

Inicialmente cabe ressaltar sobre o acesso aos meios digitais, ou seja, a possibilidade dos sujeitos do processo terem acesso aos meios de informática e à internet. Ainda é baixo o número de pessoas com acesso à internet. Por mais que milhões de pessoas tenham um computador, ainda é baixo o número de sujeitos que tenham disponível a internet em suas residências.

A população de baixa renda, que já encontra problemas para buscar o seu direito judicialmente, e que com este novo mecanismo poderia consultar o andamento de seus processos, acompanhar prazos e demais manifestações, ficará excluída.

O acesso a estas novas tecnologias é restrito a uma parte da população, tornando assim limitada a capacidade das tecnologias de informação de contribuir de forma igualitária na expansão da busca dos direitos de cada cidadão.

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Fundamental seria a realização de uma nova política, para que todos possam ser inseridos nesse novo campo da justiça processual, evitando assim em outras palavras, a exclusão digital.

Outro ponto é a necessidade da certificação digital, pois este certificado tem um custo elevado, não estando assim, acessível do ponto de vista econômico, a todos os advogados. Da mesma forma, este profissional do direito não pode ser impedido de atuar se não tiver este novo mecanismo, ou seja, o certificado digital.

A resistência dos advogados também tem como fundamento, a infraestrutura deficiente de internet, onde a conexão precária ou até mesmo a sua falta pode acarretar na paralização dos processos por tempo indeterminado, acarretando assim a prejuízos imensuráveis às partes.

Também esta nova forma de trabalhar, utilizando de meios eletrônicos, de sistemas mais complexos, acarreta em uma barreira ao advogado que possui uma idade mais elevada, e que de certa forma, estava acomodado e acostumado com o antigo sistema, este profissional terá inúmeros problemas para utilizar estes novos mecanismos, sendo que por diversas vezes não conseguirá se adequar a esta nova realidade.

Outro entrave encontrado pelos advogados está na diversidade de sistemas do processo eletrônico judicial, ou seja, a justiça estadual, justiça federal, justiça do trabalho, cada uma delas possui um modelo. Sendo assim os advogados defendem a unificação do sistema, levando assim a inclusão e não a exclusão dos operadores do direito.

Também o jus postulandi encontra barreiras para sua efetivação no processo eletrônico, pois certos documentos no processo judicial só podem ser acessados por advogados e magistrados, devendo as partes realizar um cadastro para visualização das peças processuais. Assim o jus postulandi que é a capacidade de qualquer interessado buscar seus direitos na justiça, independentemente de estar amparado por advogado, sendo em algumas causas trabalhistas e nos Juizados Especiais até o limite de 20 salários mínimos, encontra-se prejudicado, por esta limitação imposta.

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Ao se referir as despesas geradas pelo processo antes físico e agora eletrônico, inicialmente percebe-se a redução dos custos, mas o problema é que antes disso, durante a implantação, deve haver um investimento. E aqui choca-se de frente com a dificuldade econômica dos Estados para o aparelhamento de seus órgãos, visto que para a instalação do processo eletrônico, os órgãos devem estar preparados e com infraestrutura adequada para receber este novo mecanismo judicial.

Outro grande problema encontrado é a vulnerabilidade do processo judicial eletrônico, pois mesmo com toda a segurança, no caso o certificado digital como já dito em outra ocasião, ainda são fortes os ataques aos sistemas eletrônicos, capazes de burlar a segurança.

Hackers invadem diariamente os sites, roubando senhas de usuários e demais informações de suma importância, interceptando comunicações. Assim a segurança deve ser aumentada, e principalmente buscar constantemente combater estas invasões, tornando o sistema mais seguro.

Estes obstáculos causam o afastamento do cidadão na busca pelo direito que alega ter e o receio de magistrados e advogados na implantação do processo eletrônico.

Por fim, o processo eletrônico traz um novo modelo de buscar os seus direitos, e ingressar no poder judiciário, deixando de lado a imensidão de papel, um sistema antigo e complexo, que acarretava na lentidão na prestação jurisdicional, ingressando assim, em um mecanismo novo, o qual necessita da internet, para criar peças e documentos visando a solução de conflitos e a satisfação de um direito.

Apesar dos inúmeros obstáculos a ultrapassar, o processo eletrônico é uma forma de buscar a celeridade e efetividade processual que é tão vangloriada no âmbito do poder judiciário, sendo assim uma forma de garantir o acesso à justiça a todas as pessoas.

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CONCLUSÃO

O acesso à justiça é um direito fundamental que merece a sua efetivação, mas para isso não basta apenas à possibilidade de ingressar em juízo, mas sim devem ser proporcionadas oportunidades a qualquer cidadão de pleitear seu direito em juízo, com igualdade e respeito.

Devem ser tomadas medidas que visem garantir uma convivência digna, livre e igual entre todas as pessoas, para isso os obstáculos devem ser ultrapassados.

Na sociedade atual a morosidade processual, a baixa qualificação dos encarregados em prestar a tutela almejada, a disparidade de oportunidades, procedimentos antigos e complicados, custos elevados, emperram a plenitude do direito ao acesso à justiça. Para isso mecanismos estão sendo criados, visando garantir um futuro melhor a todos.

Surge assim o processo eletrônico que busca garantir a prestação jurisdicional mais célere e eficaz, efetivando o acesso à justiça com a eliminação do processo físico.

Com este novo mecanismo digital torna-se mais cômoda e satisfatória a atuação dos advogados, servidores e magistrados, proporcionando a estes manifestações processuais adequadas, seguras, e principalmente mais rápidas.

Visualiza-se que a criação do processo eletrônico traz a perspectiva de um novo horizonte, que torna a justiça mais acessível a todas as pessoas, utilizando da internet, para a consulta e manifestações processuais, garantindo assim a

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publicidade dos atos e a oportunidade de buscar informações relativas a seus direitos, garantindo também, o exercício da cidadania.

Com o uso do certificado digital, a autenticidade do documento fica garantida, proporcionando segurança, evitando que informações pessoais possam ser divulgadas.

Verificou-se que estas vantagens já fazem parte da realidade brasileira e a implantação desse processo não para de crescer. O tradicional processo físico está sendo eliminado, proporcionando assim economia de recursos, transparência, publicidade e celeridade no trâmite judicial, adaptando-se assim ao conceito de acesso à justiça.

Conclui-se que é essencial, aproximar a justiça ao cidadão brasileiro, afastando as distâncias de ordem cultural, social, econômica e a falta de conhecimento. A lentidão processual forma um abismo, prejudicando a acessibilidade ao judiciário. Apenas com novos mecanismos será restabelecida a igualdade de oportunidades e direitos.

É claro que o processo eletrônico ainda precisa ser qualificado. Verifica-se a necessidade de políticas de inclusão digital, oportunizando que a população economicamente desfavorecida possa ter acesso à internet, bem como afastar o medo que cerca magistrados e advogados, que ainda lutam pela unificação e adaptação do novo sistema.

Novos detalhes serão criados para facilitar o uso do processo digital. Esta nova ferramenta deve estar em profunda atualização, adaptando-se diariamente aos percalços que surgirem.

Por fim, está mais do que na hora, de substituir o formalismo exagerado, o sistema velho e atrasado, a imensidão de amontoados de papéis, por um novo sistema, com um leque enorme de novas oportunidades, expandindo direitos, tornando a solução do conflito rápida e eficaz, alcançando a decisão mais correta e adequada.

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