• Nenhum resultado encontrado

Biblioteca Digital do IPG: Hábitos alimentares nas crianças do 1º Ciclo

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Biblioteca Digital do IPG: Hábitos alimentares nas crianças do 1º Ciclo"

Copied!
137
0
0

Texto

(1)

Mestrado em Educação Pré-Escolar e

Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico

Relatório de Estágio da Prática de Ensino

Supervisionada

Ana Felisbela Machado Costa

dezembro | 2015

Escola Superior de

Educação, Comunicação

e Desporto

(2)

Mestrado em Educação Pré-Escolar e

Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico

Relatório de Estágio da Prática de Ensino

Supervisionada

Ana Felisbela Machado Costa

(3)

ii

Ana Felisbela Machado Costa

Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º

Ciclo do Ensino Básico

Orientadora: Professora Doutora Rosa Branca

Cameira Tracana Pereira

(4)

iii

Agradecimentos

Publicamente quero deixar o meu agradecimento a todas as pessoas que diretamente ou indiretamente contribuíram para a realização de relatório de prática de ensino supervisionada.

Aos meus pais e irmão, o meu especial agradecimento pelo apoio carinhoso, compreensão e tolerância demonstrados durante estes anos.

Ao meu namorado Fernando pelo carinho e ajuda que me deu durante a realização deste relatório.

À Professora Maria de Fátima Leitão e à Educadora Maria Conceição Silva por me terem acolhido no seu grupo de trabalho e me ajudarem a evoluir durante os estágios realizados.

À Professora Doutora Rosa Branca Cameira Tracana Pereira pelo seu contributo pedagógico e espirito de amizade que sempre revelou ao longo da realização deste relatório.

Um especial agradecimento à minha colega de estágio e amiga Inês Francês, pelo apoio que me deu durante estes anos, pelo espírito de entreajuda e partilha de amizade que sempre demonstrou.

Não posso deixar de referir o agradecimento às amigas Kátia B., Filipa, Mara, Tânia, Cátia T., Catarina, Juliana e Gabriela pela amizade que nos une, pelos momentos de alegria e divertimento que passámos e pela cumplicidade que irá unir-nos para sempre.

(5)

iv

Resumo

O presente relatório de estágio foi elaborado para a obtenção do grau de mestre em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico. Este incide sobre o desenvolvimento da prática pedagógica nos dois ciclos de ensino, assim como a investigação realizada sobre a temática da alimentação saudável.

Este relatório de estágio pretende descrever o trabalho realizado, refletir e fundamentar as opções metodológicas desenvolvidas no jardim-de-infância e no 1º Ciclo do Ensino Básico.

Pretende ainda descrever o trabalho de investigação realizado sobre os hábitos alimentares das crianças do 4º ano de escolaridade. Na sociedade atual, assistimos a um facilitismo, por parte dos alunos, no acesso a alimentos que dificultam a manutenção de uma alimentação equilibrada quando ingeridos em excesso.

Numa primeira etapa do estudo foi aplicado um questionário para averiguar quais os hábitos alimentares dos alunos que participaram no estudo, assim como os conhecimentos que estes possuem acerca da pirâmide da alimentação saudável.

A segunda fase do estudo consistiu numa intervenção teórica sobre a temática da alimentação saudável, através da utilização de um power-point.

A terceira fase do estudo consistiu na avaliação dos conhecimentos adquiridos na etapa anterior do estudo, esta foi realizada através da realização de um jogo e da elaboração de um desenho da pirâmide alimentar.

É, igualmente, apresentada a intervenção realizada com a comunidade educativa que inclui diversas ações, nas quais participam os alunos, assim como os resultados obtidos na mesma.

Após decorridas as três fases do estudo foi possível concluir que os alunos evoluíram no que diz respeito aos conhecimentos sobre as regras para a manutenção de uma alimentação saudável e equilibrada. Relativamente aos alunos na qual se verificou sobrepeso e obesidade foi possível observar que estes demonstraram interesse em modificar a sua alimentação. Constatou-se que estes alunos demostraram uma evolução significativa nos conhecimentos adquiridos com a investigação realizada.

Palavras-chave: Prática de Ensino Supervisionada; Educação Pré-Escolar; 1º Ciclo do Ensino

(6)

v

Abstract

This internship report was prepared for the degree of Master in Preschool Education and Teaching of the 1st cycle of basic education. This focuses on the development of pedagogical practice in both education cycles, as well as research conducted on the theme of healthy eating.

This stage report is intended to describe the work, reflect and support the methodological options developed in the garden for children and the 1st cycle of basic education.

It also aims to describe the conducted research on the eating habits of children in the 4th grade. In today's society, we are witnessing a facilitismo, by the students, access to foods that make it difficult to maintain a balanced diet when eaten in excess.

In the first stage of the study a questionnaire was applied to find out what the eating habits of students who participated in the study, as well as the knowledge they have about the pyramid of healthy eating.

The second phase of the study consisted of a theoretical presentation on the theme of healthy eating through the use of a power-point.

The third phase of the study was to assess the knowledge acquired in the previous stage of the study, this was accomplished through the completion of a game and the development of a design of the food pyramid.

It also presented the intervention performed with the educational community that includes a number of actions, in which students participate, as well as the results obtained in it.

After elapsed the three phases of the study it was concluded that students have evolved with regard to knowledge about the rules for maintaining a healthy and balanced diet. With regard to students in which he was found overweight and obesity was observed that they showed interest in modifying their food. It was found that these students demonstrated a significant evolution in the knowledge gained from the investigation.

Key words: Supervised Teaching Practice;Preschool education; 1st Cycle of Basic Education; Healthy eating.

(7)

1

Índice Geral

Agradecimentos ... iii Resumo ... iv Abstract ... v Índice ... 1 Índice de Figuras ... 2 Índice de Tabelas ... 3 Índice de Gráficos ... 4 Introdução ... 5

Capítulo I – Enquadramento Institucional e Administração Escolar ... 7

1.1 Enquadramento Institucional – Organização Escolar... 8

1.1.1 Educação Pré-Escolar ... 9

1.1.2 1º Ciclo do Ensino Básico ... 12

1.2 Enquadramento Institucional – Administração Escolar ... 13

1.2.1 Caraterização da Cidade da Guarda ... 13

1.2.2 Caraterização do Jardim de Infância de Alfarazes ... 16

1.2.3 Caraterização da Escola Básica de Santa Zita ... 21

1.3 Caraterização Psicopedagógica dos Grupos de Crianças ... 27

1.3.1 Caraterização do Grupo de Crianças do Jardim de Infância de Alfarazes ... 28

1.3.2 Caraterização da turma da Escola Básica de Santa Zita ... 31

Capítulo II – Descrição do Processo de Prática de Ensino Supervisionada I e II ... 34

2.1 Prática de Ensino Supervisionada ... 35

2.2 Prática de Ensino Supervisionada I ... 36

2.3 Prática de Ensino Supervisionada II ... 47

Capítulo III – Alimentação Saudável: Hábitos Alimentares de Crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico ... 53

3.1 Alimentação Saudável ... 54

3.2 Alimentação em idade escolar ... 57

3.3 Hábitos alimentares saudáveis para crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico ... 60

Conclusão ... 73

Referências Bibliográficas: ... 74

(8)

2

Índice de Figuras

Figura 1 Cidade da Guada ... 13

Figura 2 Anta e Pêra do Moço ... 15

Figura 3 Estátua de D. Sancho I ... 15

Figura 4 Jardim-de-Infância de Alfarazes ... 16

Figura 5 Espaço dos jogos de mesa ... 19

Figura 6 Espaço da reunião ... 19

Figura 7 Espaço do faz-de-conta ... 19

Figura 8 Espaço do Computador ... 20

Figura 9 Espaço da leitura ... 20

Figura 10 Espaço da expressão plástica ... 20

Figura 11 Calendário ... 21

Figura 12 Trabalhos realizados pelas crianças ... 21

Figura 13 Escola Básica de Santa Zita ... 21

Figura 14 Biblioteca/Centro de recursos ... 24

Figura 15 Salão Polivalente... 24

Figura 16 Espaço exterior ... 24

Figura 17 Sala de aula ... 25

Figura 18 Placards ... 25

Figura 19 Quadro de Giz ... 26

Figura 20 Técnica do sopro ... 37

Figura 21 Aula de natação ... 37

Figura 22 Árvore Elvira ... 38

Figura 23 Visita de estudo ... 38

Figura 24 Ouriço ... 39

Figura 25 Fantocheiro ... 40

Figura 26 Visita de estudo ... 42

Figura 27 Pai Natal articulado ... 42

Figura 28 Anjo ... 42

Figura 29 Boneco de Neve ... 44

Figura 30 Atividade experimental ... 44

Figura 31 Registo da atividade ... 45

Figura 32 Floco de neve ... 45

Figura 33 Ronda de Contos ... 46

Figura 34 Atividade experimental ... 48

Figura 35 Caixa da Páscoa ... 49

Figura 36 Presente do Dia da Mãe ... 50

Figura 37 Pirâmide da Alimentação Saudável ... 56

Figura 38 Conceções sobre o que entendes por alimentação saudável ... 69

Figura 39 Pirâmide Alimentar desenhada por um aluno ... 70

Figura 40 Pirâmide Alimentar desenhada por um aluno ... 71

(9)

3

Índice de Tabelas

Tabela 1 Áreas de conteúdo da educação pré-escolar ... Erro! Marcador não definido. Tabela 2 Valores de referência do Índice de Massa Corporal ... 58 Tabela 3 Dados recolhidos no questionário ... 63

(10)

4

Índice de Gráficos

Gráfico 1 Respostas dos alunos à questão: Quantas horas dormes durante od dias da semana?

... 63

Gráfico 2 Respostas dos alunos à questão: Quantas refeições fazes por dia? ... 64

Gráfico 3 Respostas dos alunos à questão: Tomas sempre o pequeno-almoço? ... 65

Gráfico 4 Respostas dos alunos à questão: O que comes ao pequeno-almoço?... 65

Gráfico 5 Respostas dos alunos à questão: Comes chocolates, bolos, rebuçados e gomas? ... 65

Gráfico 6 Respostas dos alunos à questão: Comes comida do tipo “fast-food”? ... 65

Gráfico 7 Respostas dos alunos à questão: Comes sopa? ... 66

Gráfico 8 Respostas dos alunos à questão: Comes legumes, vegetais e frutas? ... 66

Gráfico 9 Respostas dos alunos à questão: Comes peixe? ... 66

Gráfico 10 Respostas dos alunos à questão: Ter uma alimentação saudável é ... 67

Gráfico 11 Respostas dos alunos à questão: Devo comer mais ... 67

Gráfico 12 Respostas dos alunos à questão: Devemos comer esporadicamente ... 68

(11)

5

Introdução

O presente relatório de estágio foi elaborado no decorrer dos estágios realizados durante o curso de Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico, lecionado na Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto, inserida no Instituto Politécnico da Guarda.

As práticas pedagógicas que servem de suporte à realização do presente relatório foram realizadas em dois estabelecimentos de ensino diferentes.

A Prática de Ensino Supervisionada I (PES I) decorreu no período compreendido entre 24 de fevereiro de 2014 e 13 de junho de 2014, na Escola Básica de Santa Zita, inserida no Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque. Este foi realizado numa turma do 3º ano de escolaridade. O grupo de estágio era constituído por três elementos e por esse facto o estágio decorreu todas as segundas, terças, quartas e sextas-feiras, entre as 9 horas e 16 horas, em que o período de almoço era compreendido entre as 12 e as 14 horas.

A Prática de Ensino Supervisionada II (PES II) decorreu no período compreendido entre 5 de outubro de 2014 e 28 de janeiro de 2015, no Jardim-de Infância de Alfarazes, inserido no Agrupamento de Escolas da Sé. Este estágio foi realizado com um grupo de crianças de 4 anos. O grupo de estágio era constituído por dois elementos e por esse facto o estágio decorreu todas as segundas, terças e quartas, entre as 9 horas e 16 horas, na qual o período de almoço era compreendido entre as 12 e as 14 horas.

A Prática de Ensino Supervisionada (PES) revelou de extrema importância no processo de aprendizagem, uma vez que irá permitir ao educando preparar-se para os desafios que irão surgir no seu futuro profissional enquanto educadores e professores. A PES permitiu uma maior aproximação à realidade da sala de aula e do meio envolvente.

A primeira fase dos estágios realizados consistiram numa observação ativa das atividades que são desenvolvidas pelo professor/ educador titular das turmas, e só posteriormente decorreu a prática pedagógica.

A observação é o período de tempo na qual as estagiárias tiveram a oportunidade de conhecer os grupos de crianças e de alunos, assim como as rotinas de trabalhos dos grupos. Esta observação foi pró-ativa, ou seja, as estagiárias intervieram na realização das atividades desenvolvidas durante esse período.

O período de observação no estágio é uma atividade de reflexão e discussão sobre a prática. Na observação o estagiário deve apoiar-se numa aprendizagem que irá conduzir a uma mudança na prática de ensino, por esta razão é dada uma especial importância ao período de observação.

(12)

6 A última parte do presente relatório retrata o estudo realizado numa turma do 4º ano de escolaridade, sendo que esta turma havia sido aquela onde foi realizado o estágio no 1º Ciclo do Ensino Básico. Este estudo aborda a temática dos hábitos alimentares nas crianças do 1º ciclo do ensino básico. A primeira fase deste estudo consiste na aplicação de um questionário sobre os hábitos alimentares e os conhecimentos sobre a pirâmide alimentar. A segunda fase consiste numa intervenção onde é abordada a temática referida anteriormente. Por fim surge a avaliação dos conhecimentos adquiridos após a intervenção anterior.

O presente relatório encontra-se organizado em três capítulos.

O primeiro capítulo denomina-se Enquadramento Institucional e Administração

Escolar. Neste capítulo é apresentado primeiramente um enquadramento da educação pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico. São também apresentadas as caraterizações das instituições onde foram realizados os estágios assim como dos grupos de crianças/alunos.

O segundo capítulo é denominado Descrição do Processo de Prática de Ensino

Supervisionada. Inicialmente é apresentada uma contextualização teórica sobre a Prática de Ensino Supervisionada. Posteriormente é apresentada uma descrição da prática pedagógica que decorreu tanto no jardim-de-infância como na escola do 1º ciclo do ensino básico.

Por fim, o terceiro capítulo denomina-se Alimentação Saudável: Hábitos Alimentares

nas Crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico. Primeiramente é apresentado um enquadramento teórico sobre a alimentação saudável e sobre a alimentação em idade escolar. Posteriormente é apresentado o estudo realizado sobre os hábitos alimentares de crianças do 1º ciclo do ensino básico.

(13)

7

Capítulo I

Enquadramento Institucional e

(14)

8

1.1 Enquadramento Institucional – Organização Escolar

A educação é o conjunto das acções e das influências exercidas voluntariamente por um ser humano num outro, em princípio por um adulto num jovem, e orientadas para um fim que consiste na formação, no jovem, de toda a espécie de disposições que correspondem aos fins a que é destinado quando atinge a maturidade. (Hubert, 1996, p.94)

A educação engloba os processos de ensinar e aprender. É um fenómeno observado em qualquer sociedade, responsável pela sua manutenção a partir da transposição, às gerações que seguem, dos modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou na sociedade.

Tal como preconiza Coombs (1973) são considerados três tipos de educação, educação

formal, educação não-formal e educação informal. A educação formal é entendida como o sistema educativo altamente institucionalizado, cronologicamente graduado e hierarquicamente estruturado, que se estende da escola primária até à universidade. Relativamente à educação

não-formal consideramos toda a atividade organizada e sistemática, realizada fora do quadro do sistema formal de educação, para promover determinados tipos de aprendizagem a grupos específicos de uma população, sejam adultos ou crianças. A educação informal é o processo pelo qual, durante toda a vida, as pessoas adquirem acumulam conhecimentos, habilidades e comportamentos através das suas experiências diárias e a sua relação com o meio ambiente.

Em Portugal, a educação é regulamentada pela Lei de Bases do Sistema Educativo que estabelece o quadro geral do sistema educativo nacional.

A nível institucional, a educação inicia-se num âmbito não obrigatório com o pré-escolar, destinado a crianças com idades compreendidas entre os 3 anos e a entrada na escolaridade obrigatória. A escolaridade obrigatória atualmente abrange o ensino básico e o ensino secundário, ou seja, tem a duração de 12 anos.

O ensino básico encontra-se organizado em três ciclos sequenciais:

 1º Ciclo: O ensino é global e visa o desenvolvimento de competências básicas em Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio, Educação para a Cidadania, Expressão Plástica, Expressão Musical, Expressão e Educação Físico-Motora, Expressão Dramática e Apoio ao Estudo. O 1º ciclo funciona em regime de monodocência, com recurso a professores especializados em determinadas áreas.

 2º Ciclo: Está organizado por disciplinas e áreas de estudo pluridisciplinares. Os principais objetivos deste ciclo são o desenvolvimento de saberes e

(15)

9 competências necessárias à entrada na vida ativa ou no prosseguimento de estudos.

 3º Ciclo: Funciona em regime de pluridocência, com professores especializados nas diferentes áreas disciplinares. Aos alunos que completam com sucesso o 3º ciclo é atribuído o diploma do ensino básico.

O ensino secundário está organizado segundo formas diferenciadas, orientadas quer para o prosseguimento dos estudos quer para o mundo do trabalho. O currículo dos cursos de nível secundário tem um referencial de três anos letivos e compreende quatro tipos de cursos: cursos científicos-humanísticos, cursos tecnológicos, cursos artísticos e especializados e cursos profissionais. Para a conclusão de qualquer curso de nível secundário os alunos estão sujeitos a uma avaliação sumativa interna. Para além dessa avaliação os alunos dos cursos científico-humanísticos são também submetidos a uma avaliação sumativa externa, através da realização de exames nacionais, em determinadas disciplinas previstas na lei.

Após a conclusão do ensino secundário uma das opções que o sistema educativo português disponibiliza são os cursos de especialização tecnológica (CET), que possibilitam percursos de formação especializada em diferentes áreas tecnológicas, permitindo a inserção no mundo do trabalho ou no prosseguimento de estudos de nível superior.

A educação e formação de jovens e adultos oferece uma segunda oportunidade a indivíduos que abandonaram a escola precocemente ou que estão em risco de abandonar, bem como aqueles que não tiveram oportunidade de a frequentar quando jovens e, ainda aos que procuram a escola por questões de natureza profissional ou valorização profissional, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida.

O ensino superior atualmente está estruturado de acordo com os princípios de Bolonha e visa assegurar uma sólida preparação científica, cultural, artística e tecnológica que habilite para o exercício de atividades profissionais e culturais e para o desenvolvimento das capacidades de conceção, de inovação e de análise crítica. Em Portugal organiza-se em ensino universitário e politécnico1.

1.1.1

Educação Pré-Escolar

A Educação Pré-Escolar refere-se às crianças dos 3 anos até ao ingresso na escolaridade obrigatória, sendo ministrada nos estabelecimentos de educação pré-escolar, que prestam serviços vocacionados para o desenvolvimento da criança, proporcionando-lhe atividades educativas e atividades de apoio à família.

1

(16)

10 A frequência da educação pré-escolar é facultativa, reconhecendo à família o primeiro papel na educação dos filhos.

De acordo com a Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar,

A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário. (Lei nº5/97 de 10 de fevereiro de 1997)

Tal como referem as orientações curriculares (1997, pp.15-16) a educação pré-escolar tem como principais objetivos pedagógicos:

a) Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;

b) Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas favorecendo uma progressiva consciência como membro da sociedade;

c) Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem;

d) Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas caraterísticas individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diferenciadas;

e) Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como meios de relação de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo;

f) Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

g) Proporcionar à criança ocasiões de bem estar e de segurança, nomeadamente no âmbito da saúde individual e coletiva;

h) Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidades e promover a melhor orientação e encaminhamento da criança;

i) Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efetiva colaboração com a comunidade.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar constituem um conjunto de princípios gerais pedagógicos e organizativos de apoio ao educador de infância na condução do

(17)

11 progresso educativo a desenvolver com as crianças. Estas funcionam como uma referência comum para todos os educadores de infância.

As orientações curriculares identificam três áreas de conteúdos – área de formação

pessoal e social, área de expressão e comunicação e área de conhecimento do mundo:

 Área de Formação Pessoal e Social: é uma área transversal, integradora que enquadra e dá suporte a todas as outras, implica um processo facilitador do desenvolvimento de atitudes e de aquisição de valores e promove a capacidade de resolução de problemas do quotidiano. (ME, 1997)

 Área de Conhecimento do Mundo: é uma área de articulação de conhecimentos, envolve todo o conhecimento e a relação com as pessoas, os objetos e o mundo natural e construído. (ME, 1997)

 Área de Expressão e Comunicação: é uma área básica de conteúdos que incide sobre aspetos essenciais do desenvolvimento e da aprendizagem englobando as aprendizagens relacionadas com a atividade simbólica e o progressivo domínio de diferentes formas de linguagem. (ME, 1997)

A tabela seguinte sistematiza as áreas de conteúdo da educação pré-escolar:

Área da Formação Pessoal e Social Área do Conhecimento do Mundo

Área de Expressão e Comunicação

Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita Domínio da Matemática

Domínio das Expressões

Plástica Musical Dramática Motora

Quadro 1 Áreas de conteúdo da educação pré-escolar

O currículo em educação pré-escolar é concebido e desenvolvido pelo educador, através da planificação, organização e avaliação do ambiente educativo, bem como das atividades e projetos curriculares, com vista à construção de aprendizagens integradas.

A avaliação assume uma dimensão marcadamente formativa, sendo um processo contínuo que visa a observação e registo sobre o desenvolvimento das aprendizagens das crianças.

(18)

12

1.1.2

1º Ciclo do Ensino Básico

No que concerne ao 1º Ciclo do Ensino Básico, este

Constitui-se como uma etapa da escolaridade em que se concretiza, de forma mais ampla, o princípio democrático que informa todo o sistema educativo e contribui por sua vez, decisivamente, para aprofundar a democratização da sociedade, numa perspetiva de desenvolvimento e de progresso, quer

promovendo a realização individual de todos os cidadãos, em harmonia com os valores da solidariedade social, quer preparando-os para uma intervenção útil e responsável na comunidade. (ME, 2004, p.11)

A Lei de Bases define o conjunto de objetivos gerais que deverão ser prosseguidos na escolaridade básica para ir ao encontro destas grandes finalidades.

De acordo com o Decreto-Lei nº 6/2001, a organização e a gestão do currículo subordinam-se aos seguintes princípios orientadores:

a) Coerência e sequencialidade entre os três ciclos do ensino básico e articulação destes com o ensino secundário;

b) Integração do currículo e da avaliação, assegurando que esta constitua o elemento regulador do ensino e da aprendizagem;

c) Existência de áreas curriculares disciplinares e não disciplinares, visando a realização de aprendizagens significativas e a formação integral dos alunos, através da articulação e da contextualização dos saberes;

d) Integração, com carácter transversal, da educação para a cidadania em todas as áreas curriculares;

e) Valorização das aprendizagens experimentais nas diferentes áreas e disciplinas, em particular, e com carácter obrigatório, no ensino das ciências, promovendo a integração das dimensões teórica e prática;

f) Racionalização da carga horária letiva semanal dos alunos;

g) Reconhecimento da autonomia da escola no sentido da definição de um projeto de desenvolvimento do currículo adequado ao seu contexto e integrado no respetivo projeto educativo;

h) Valorização da diversidade de metodologia e estratégias de ensino e atividades de aprendizagem, em particular com recurso a tecnologias de informação e comunicação, visando favorecer o desenvolvimento de competências numa perspetiva de formação ao longo da vida;

(19)

13

i) Diversidade de ofertas educativas, tomando em consideração as necessidades dos alunos, por forma a assegurar que todos possam desenvolver as competências essenciais e estruturantes definidas para cada um dos ciclos e concluir a escolaridade obrigatória. (ME, 2004, pp. 17-18) Os programas do 1º ciclo implicam que o desenvolvimento da educação escolar constitua uma oportunidade para que os alunos realizem experiências de aprendizagem ativas, significativas, diversificadas, integradas e socializadoras que permitam o sucesso escolar de cada aluno. (ME, 2004)

No que concerne à avaliação no 1º Ciclo do Ensino Básico, esta deverá

Centrar-se na evolução dos percursos escolares através da tomada de

consciência partilhada entre o professor e o aluno, das múltiplas competências, potencialidades e motivações manifestadas e desenvolvidas, diariamente, nas diferentes áreas que o currículo integra. (ME, 2004, p.25)

1.2 Enquadramento Institucional – Administração Escolar

Seguidamente são apresentadas as caraterizações, inicialmente do meio, e posteriormente dos estabelecimentos de ensino e das salas de atividades onde decorreram as PES. As caraterizações funcionam como um enquadramento sobre a prática realizada, pois é através delas que conhecemos as caraterísticas dos estabelecimentos de ensino.

1.2.1 Caraterização da Cidade da Guarda

Guarda (Figura 1), é a cidade mais alta de Portugal, enaltecida por poetas e artistas. Cidade, sede de concelho e capital de distrito. Localiza-se na Região Centro (Nut II) e na Beira Interior Norte (Nut III). É a cidade portuguesa de maior altitude (1056m) e uma das mais altas da Europa. Fica situada no plano nordeste da Serra da Estrela e está mais ou menos localizada onde

os romanos tiveram a antiga Lancia Oppidana, que foi destruída pelos bárbaros. Dista 219km da cidade do Porto e 350 km da cidade de Lisboa. O concelho abrange uma área de 712km2, compreendendo 53 freguesias: Adão, Albardo, Aldeia do Bispo, Aldeia Viçosa, Alvendre, Arrifana, Avelãs de Ambom, Avelãs da Ribeira, Benespera, Carvalhal Meão, Casal de Cinza,

(20)

14 Castanheira, Cavadoude, Codeceiro, Corujeira, Faia, Famalicão, Fernão Joanes, Gagos, Gonçalo, Gonçalbocas, João Antão, Maçainhas, Marmeleiro, Meios, Mizarela, Monte Margarida, Panoias de Cima, Pega, Pêra do Moço, Pêro Soares, Porto de Carne, Pousada, Ramela, Ribeira dos Carinhos, Rocamonde, Rochoso, Santana de Azinha, Jarmelo (São Miguel), Jarmelo (São Pedro), Guarda, Seixo Amarelo, Sobral da Serra, Trinta, Vale de Estrela, Valhelhas, Vela, Videmonte, Vila Cortês de Mondego, Vila Fernando, Vila Franca do Deão, Vila Garcia e Vila Soeiro.

O distrito faz parte da província da Beira Alta e é limitado a norte pelo distrito de Bragança, a sul pelo de Castelo Branco, a oeste pelos de Viseu e Coimbra e a leste pela Espanha. Todo o território é muito montanhoso, formado por elevações de diversas altitudes. A sua área abrange parte da Serra da Estrela (altitude máxima 1991m).

O distrito é atravessado por diversos rios dos quais o rio Mondego, Zêzere e Alva têm a sua parte inicial do seu curso na região. O distrito compreende 14 concelhos: Almeida, Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa. Possui acessos rodoviários importantes como a A25 (considerada a segunda via mais importante de Portugal) que liga Aveiro à fronteira fazendo ligação direta a Madrid e a A23 que liga a Guarda a Torres Novas, bem como o IP2 que liga a Guarda a Bragança. A nível ferroviário, a cidade da Guarda possui a linha da Beira Baixa (em mau estado devido ao desinvestimento por parte da CP) e a linha da Beira Alta, que se encontra completamente eletrificada permitindo a circulação de comboios regionais e internacionais.

No concelho, existe a Barragem do Caldeirão, importante infraestrutura para o abastecimento de água e produção de energia. A barragem foi também construída com o intuito de ser um polo de atração turística.

A Guarda é conhecida como a cidade dos 5 F’s: Farta, Forte, Fria, Fiel, Formosa:  Farta, pois desde sempre os vales do Mondego a enchem do necessário;

Forte, porque da sua fortaleza falam os troços e portas das muralhas, bem como a Torre de Menagem e a Torre dos Ferreiros;

Fria, devido ao seu clima tipicamente montanhoso;

Fiel, esta designação advém-lhe do séc. XIV, porque o alcaide Álvaro Gil Cabral durante a crise de 1383-85, negou-se a entregar as chaves ao Rei de Castela. Ainda relativamente a esta qualidade é de salientar a Gárgula voltada em direcção a nascente (ao encontro de Espanha) em forma de “traseiro” em claro tom de desafio e desprezo;  Formosa pela beleza natural que a envolve.

(21)

15 O ar historicamente reconhecido pela sua salubridade e pureza foi distinguido pela Federação Europeia de Bio climatismo em 2002, que atribuiu à Guarda o título de primeira “Cidade Bioclimática Ibérica”.

De realçar os vários vestígios que comprovam a ancestralidade do Homem nesta região em locais escarpados da Beira Interior. As condições que o concelho apresenta não são as mais propícias à instalação de uma comunidade humana, todavia alguns elementos permitem datar uma presença humana em épocas remotas, com o final do Neolítico, princípios do Paleolítico, com um testemunho funerário, a Anta de Pêra do Moço (Figura 2), datada do III milénio.

Por todo o concelho encontram-se vestígios da Idade do Bronze e do Ferro, em sítios com uma defensibilidade natural, dominando vastos vales. Esta presença está, sem dúvida, relacionada com a prática da mineração, nomeadamente do ferro e de chumbo, e o controlo das portelas naturais do minério. Do séc. V (a. C.) sobrevivem vestígios de povoados protegidos por muralhas no cimo das montanhas.

Nos primeiros séculos da romanização da Península Ibérica, habitavam a região da Guarda povos lusitanos. De entre os mesmos encontravam-se os Igaeditani e os Lancienses

Oppidani. Durante muito tempo os historiadores julgavam que a Civitas Igaeditanorum (Egitânia) se localizava na Guarda, no entanto sabe-se agora a certeza da localização da Egitânia em Idanha-a-Velha. Sabendo que o nome de Guarda terá sido uma derivação de um castro sobranceiro ao rio Mondego, o Castro do Tintinolho, identificada como a Ward visigótica.

Durante o período medieval, a Guarda faria parte de uma malha de fortificações, sendo uma das mais importantes na escala hierárquica. Desta malha faziam parte outros castelos que teriam como função a defesa da fronteira com Castela e Leão e da portela natural de travessia da Serra da Estrela. Do Castelo da Guarda é possível um contacto visual com outras fortificações, como o Castro do Jarmelo, Celorico da Beira e Trancoso entre outros.

Diz a Historia que, em Novembro de 1199 D. Sancho I (Figura 3), O Povoador, 2º Rei de Portugal concede Foral à Guarda, visando o seu desenvolvimento e prosperidade, assim como a organização e defesa da fronteira da Beira contra os Reinos da Meseta do Centro da Península Ibérica, primeiro, o Reino de Leão, depois Castela e finalmente Espanha. Foi este propósito que lhe deu o nome de Cidade da Guarda. Após a criação da Diocese da Guarda com a

Figura 2 Anta e Pêra do Moço

Figura 3 Estátua de D. Sancho I

(22)

16 autorização do Papa Inocêncio III deu-se a transferência da antiga Diocese Visigótica da Egitânia para a Guarda.

O património Arquitetónico e Cultural é rico e único: a Sé Catedral, o Centro Histórico, as Portas da Cidade, o Paço Episcopal, o Museu (antigo Seminário do séc. XVII), os Solares, as Igrejas da Misericórdia e de S. Vicente, a Torre de Menagem, o Arquivo Distrital (antigo Convento de S. Francisco, do séc. XIII), Praça Velha e a Judiaria são alguns dos locais mais importantes da Cidade da Guarda.

1.2.2 Caraterização do Jardim de Infância de Alfarazes

Este é o nono ano de funcionamento deste Jardim de Infância de Alfarazes (Figura 4) nas novas instalações no bairro Srª dos Remédios, pertence à Junta de Freguesia da Sé. Este bairro cresceu há cerca de 26 anos a partir de um pequeno conjunto de habitações situadas na estrada principal de acesso a este bairro; é essencialmente um bairro habitacional e carateriza-se pela sua proximidade, a Oeste, da Escola Secundária da Sé, e, a Este, do complexo

de Piscinas Municipais e da superfície comercial Intermarchê. A mancha residencial é apenas quebrada pela existência de alguns cafés, um restaurante e pelo edifício do Ministério da Agricultura, ao lado do qual se encontra em construção a um polidesportivo coberto; no centro existe um espaço verde com um pequeno parque infantil. Possui muito boa acessibilidade a qualquer ponto da cidade através da VICEG, que contorna completamente o bairro nas partes Este e Sul, e dista cerca de 500m do Centro Coordenador de Transportes da Guarda. A construção mais recente deste bairro, que está praticamente preenchido em termos urbanísticos, é precisamente o edifício que engloba a Creche “O Castelo” e o Jardim de Infância de Alfarazes, que foi concluído em Julho de 2006.

Contrastando com as caraterísticas rurais de Alfarazes o bairro Srª dos Remédios é um bairro urbano; é habitado essencialmente por pessoas que estão no ativo e muitos dos habitantes, por motivos profissionais, só regressam a casa no final do dia, pese embora a boa acessibilidade deste bairro aos vários pontos da cidade.

As atuais instalações do Jardim de Infância de Alfarazes ocupam o rés-do-chão do edifício da Creche e Jardim de Infância “O Castelo” e caraterizam-se por:

 Um hall de entrada;

(23)

17  Um gabinete da direção, onde está instalado o telefone;

 Um salão polivalente;

 Três salas de atividades, uma para crianças dos 3/ 4 anos, outra para crianças dos 4/5 anos e a terceira para crianças dos 5/6 anos. Cada sala de atividades possui instalações sanitárias próprias e adaptadas a crianças com limitações motoras;  Uma sala de vídeo/ informática;

 Uma sala de educadoras, com instalações sanitárias próprias;  Um refeitório;

 Uma casa de banho para adultos e adaptada para pessoas com limitações motoras;  Um amplo corredor de acesso a todas estas divisões.

Para além destas divisões o Jardim de Infância ainda possui na “cave”:  Uma arrecadação para material pedagógico e de desgaste;  Uma arrecadação para produtos e equipamentos de limpeza;

 Um salão de atividades essencialmente destinado a atividades de expressão motora, dramática,… e festas (comum à creche “O Castelo”);

 Instalações sanitárias para crianças e adultos (comuns à creche “O Castelo”). Na fachada do edifício existe um espaço de recreio exterior com uma zona de areão e outra com piso anti-choque equipada com duas estruturas de exterior – um escorrega e dois baloiços – que se destinam às crianças mais crescidas. Na lateral esquerda do edifício existe um outro espaço de recreio exterior com uma zona de relva e outra com piso anti-choque com cinco estruturas de exterior – um baloiço-cesto, um escorrega e três túneis com cabeça de animal – que se destinam às crianças mais pequenas. Na lateral direita do edifício existe um espaço exterior, contíguo à sala dos 3 anos, com uma zona de relva sintética e outra com piso anti-choque com três estruturas de exterior – uma casinha, um escorrega e um balancé com quatro assentos. Por se tratar de instalações recentemente construídas, as condições são excelentes, quer a nível de arejamento, luz natural, luz artificial, aquecimento e segurança; no entanto verifica-se que no verão as salas dos 4 anos e 5 anos tornam-se excessivamente quentes devido à falta de persianas que bloqueiem a entrada do sol. Possui alarme e extintores para o caso de incêndio e luzes internas de sinalização permanente.

O Jardim de Infância foi também equipado com os seguintes equipamentos:  Um telefone;

 Um televisor;  Um vídeo-gravador;  Um leitor de DVD;

(24)

18  Três rádio-gravadores;

 Quatro computadores;  Quatro impressoras.

Possui ainda os seguintes eletrodomésticos, oferecidos pela Fundação da DELTA Cafés como resposta a uma solicitação nossa para a realização de sessões de culinária com as crianças:

 Um frigorífico de duas portas;  Um forno elétrico;

 Um micro-ondas;  Uma placa elétrica;  Uma batedeira elétrica.

1.2.2.1 Caraterização da Sala de Atividades

A sala de atividades é o espaço mais frequentado pelas crianças, durante um maior período de tempo, e também considerado o mais importante, pois é nesta que tudo se desenrola, a aprendizagem, a interação entre crianças e entre estas e a educadora. É na sala de atividades que são expostas as dificuldades existentes e onde decorre o ato educativo.

Nesta área a educadora conhece as crianças através da observação permanente e as crianças conhecem a educadora. Dentro da sala de atividades todos aprendem, quer a educadora quer as crianças, pois a aprendizagem é um processo contínuo e que ocorre em qualquer lugar.

As estruturas na sala de atividades influenciam as ideias e as ações das crianças e ajudam a determinar o seu grau de participação e envolvimento (Freire, 1996).

É um espaço que se encontra equipado com mobiliário moderno, logo possui as condições necessárias para o decorrer do processo de ensino-aprendizagem e um ambiente acolhedor.

Adaptando o entendimento de Alarcão, acerca do professor, ao educador,

para bem desempenhar a seu papel (ao educador) exige-se-lhe que seja genuíno, que tenha opiniões positiva a respeito de si próprio e dos outros, que seja empático, ele próprio também um aluno, capaz de criar bom clima, de ir ao encontro das necessidades dos outros de descarregar o excedente de energias, de libertar tensões, de ajudar os outros a aprender (Tavares, J. & Alarcão, M.; 2002; p. 15).

Esta área e tudo o que a compõe assumem grande relevância para as crianças. É aqui, que em atividades promovidas intencionalmente pelo educador, as crianças se desenvolvem no

(25)

19 contexto da socialização, que realizam aprendizagens cooperadas e que aprendem a participar na elaboração de normas e regras.

A organização dos espaços na sala, é também consequência da intenção educativa e da dinâmica de grupo, tendo em conta a sua funcionalidade e finalidade dos materiais educativos, tal como preconizam as Orientações Curriculares (1997).

A sala possui janelas de grandes dimensões o que a torna muito luminosa. Assim, a sala apresenta-se dividida por diversas áreas:

 O espaço dos jogos de mesa (Figura 5) está a um dos cantos da sala. Aqui, as crianças podem jogar vários jogos, como puzzles ou legos, ou realizar alguns trabalhos em que seja necessária a mesa. Possui um móvel com várias divisões, com os diversos jogos de mesa, promovendo a autonomia da criança, hábitos de arrumação e organização.

Este móvel dispõe-se à altura das crianças para facilitar o alcance dos jogos e dos materiais. Este é um espaço de extrema importância para o crescimento da criança e para o desenvolvimento da inteligência e da criatividade (Golse, 2005).  O espaço da reunião (Figura 6) é onde todos se

reúnem para dialogar, marcar as presenças e a data. Também serve para a execução de jogos de construção. Detém quatro quadros: o de registo das presenças, o calendário, o dia do mês e o tempo, várias almofadas onde os alunos se sentam sendo

estas transportáveis, podendo adaptar-se ao espaço e às atividades propostas. É neste espaço que as crianças mantêm conversas com a educadora, que lhes permite desenvolver a oralidade (Ministério da Educação, 1997).

 O espaço do faz de conta (Figura 7) é pequena mas funcional, nela existem vários materiais de plástico e de madeira, permitindo às crianças brincar ao faz-de-conta. Trata-se de uma composição de objetos pertencentes às várias divisões da casa, onde a criança pode criar e recriar situações diversas,

desenvolvendo-Figura 5 Espaço dos jogos de mesa

Figura 6 Espaço da reunião

Figura 7 Espaço do faz-de-conta

(26)

20 se como pessoa. A brincadeira é uma atividade que respeita as especificidades do mundo infantil, além de auxiliar na aprendizagem e no desenvolvimento (Wajskop, 2005)

 O espaço do computador (Figura 8) possui um computador, permitindo apenas que duas crianças, de cada vez, usufruam desta área. No que diz respeito ao

software, as crianças podem jogar diversos jogos, construir puzzles, iniciando-se de forma lúdica em aprendizagens que usará no 1º Ciclo nas áreas de conteúdo de Matemática, de Língua Portuguesa e Estudo

do Meio. Através destes jogos, desenvolvem ainda o raciocínio, a destreza mental e a memorização, entre outros (Ministério da

Educação, 2004).

 O espaço da Leitura (Figura 9) contém uma mesa e uma coleção de livros de géneros e formas variadas. A disposição destes vai variando, alternando a sua exposição na estante, onde as crianças acedem com facilidade. Através do

contacto com os livros, as crianças iniciam-se na leitura, na escrita, estimulam a imaginação e a criatividade (Abramovich, 2004). Este é um espaço privilegiado para esse contacto direto.  O espaço da Expressão Plástica, (Figura 10) aqui, as crianças

desenham, e realizam fichas de atividade ou outras tarefas de Expressão Plástica. Possui quatro mesas, um cavalete com vários materiais de pintura e um móvel, da altura das crianças, com várias

divisões repletas de materiais como lápis de cor, canetas de feltro, borrachas, afias, folhas de papel, entre outros. A expressão plástica permite à criança exprimir um leque de sentimentos, emoções, pensamentos, ideias e vivências do seu meio. Através dela a criança desenvolve competências transversais às várias áreas e descobre-se a si própria e ao mundo que a rodeia (Ministério da Educação,1997).

São variados os quadros expostos na sala para que a criança registe aspetos relacionados com o seu quotidiano.

O quadro de presenças situa-se no espaço da reunião, é neste que diariamente as crianças marcam as presenças. A caneta amarela é aquela com que o chefe do dia marca a presença, a preta serve para as restantes crianças marcarem as presenças.

Figura 8 Espaço do Computador

Figura 9 Espaço da leitura

Figura 10 Espaço da expressão plástica

(27)

21 O quadro do calendário (Figura 11) está em frente ao das presenças. É um quadro branco onde são colocados elementos que possuem íman. É subdividido em partes que representam o dia, o dia da semana, o mês, o ano, as estações do ano e os meses do ano que elas abrangem, sendo selecionada aquela que está em vigor.

As paredes da sala estão decoradas com trabalhos realizados pelas crianças (Figura 12).

1.2.3 Caraterização da Escola Básica de Santa Zita

O meio que abrange a Escola Básica de Santa Zita (Figura 13) foi em tempos um dos primeiros bairros “novos” da cidade, que cresceu em volta do bairro de S. João ou Bairro dos Polícias (nome atribuído devido ao número de elementos dessa corporação, aí residentes).

Era arquitetado pelas casas já antigas que contornam a Rua

Pedro Álvares Cabral que, nessa altura, mais não era do que um trilho, onde nem sequer passavam carros.

Era um bairro onde todos se conheciam e eram amigos. Realizavam-se diversas festas onde todos participavam com entusiasmo, havia momentos de partilha e extrema amizade, cantavam-se as Janeiras, faziam-se piqueniques e a fogueira de S. João.

À volta do bairro, havia quintais, giestais e barreiras (denominadas barrocos). Era também um bairro onde existia um grande número de estudantes, que gostava de ir para as

Figura 11 Calendário

Figura 12 Trabalhos realizados pelas crianças

Figura 13 Escola Básica de Santa Zita

(28)

22 barreiras (barrocos) preparar-se para os seus exames, aproveitando o sossego e a paz que aí se presenciava.

Atualmente, este é um bairro que está integrado no centro nevrálgico da cidade da Guarda. A proximidade da Escola de Santa Zita assim como a existência de um ATL nas imediações propiciam uma circulação intensa de crianças, principalmente nos horários escolares de entrada e saída dos períodos da manhã e tarde; este facto acarreta a presença de um elevado número de veículos que, constantemente, por ali circulam.

O bairro envolvente à Santa Zita é formado por um núcleo de casas habitadas, maioritariamente, por uma população tendencialmente idosa. No entanto, atualmente, verifica-se um incremento maior de uma camada de população com uma faixa etária mais jovem e, mais recentemente, também se constata a presença de muitos imigrantes que por ali decidem habitar.

A existência da escola de Santa Zita é um polo aglutinador que confere àquele bairro maior dinamismo e que contrasta com o ambiente de sossego que ali impera ao longo de todo o dia.

No que concerne ao tipo de habitação, verifica-se a existência de casas e apartamentos que apresentam construções bastante antigas mas, genericamente, bem preservadas. Começam, no entanto, a notar-se algumas marcas de degradação no exterior de alguns apartamentos, tornando-se, em breve, necessária uma intervenção qualificada e profissional.

O desenvolvimento do bairro, em termos demográficos, proporcionou o surgimento de serviços que ali começaram a emergir. Saliente-se a construção do centro comercial “Garden” que foi um marco importante naquela zona; também surgiram alguns cafés, supermercados, lojas e outro tipo de comércio.

Na atualidade e devido à construção do centro comercial “La Vie”, houve alterações ao nível do território – a melhoria dos acessos e um aumento de circulação automóvel – e mudanças nos hábitos diários da população residente devido à diversidade dos serviços oferecidos pelo centro comercial.

Um aspeto que merece ser referenciado é o facto de este bairro ser um local que apresenta um aspeto limpo derivado, não apenas, à existência de ecopontos e contentores do lixo na zona, mas também ao comportamento cívico da população residente.

No que diz respeito à segurança, pode dizer-se que este é um bairro seguro, onde não existem problemas de grande relevância e que apresenta baixos índices de criminalidade.

A escola do 1º ciclo da Santa Zita é um dos dez estabelecimentos de ensino do Agrupamento de Escolas Afonso Albuquerque, com um total de cento e vinte alunos, distribuídos por seis turmas. Esta escola funciona desde o ano letivo de 1971/1972. Durante os

(29)

23 primeiros anos, esteve em funcionamento a cantina escolar que, posteriormente, foi desativada e o espaço modificado e transformado em polivalente.

O edifício está de acordo com o Plano dos Centenários, pois este, constituiu um projeto de construção de escolas em larga escala, levado a cabo pelo Estado Novo em Portugal, entre 1941 e 1974. A designação do plano é tornada oficial por um artigo da Lei do Orçamento Geral do Estado para o ano de 1941: “O governo iniciará em 1941 a execução do plano geral da rede escolar, que será denominado dos Centenários e em que serão fixados o número, localização e tipos de escolas a construir para completo apetrechamento do ensino primário, inscrevendo-se no orçamento as verbas necessárias para as obras a realizar em participação com os corpos administrativos ou outras entidades” (art.º 7.º da Lei n.º 1985, de 17 de Dezembro de 1940).

Sabe-se que as comemorações dos Centenários foram encerradas a 3 de dezembro de 1940, mas no plano de obras públicas não constavam as escolas primárias.

De acordo com o teor das ordens de serviço enviadas durante o mês de Outubro de 1941 pelo Diretor-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais para as quatro Direções Regionais de Edifícios, Duarte Pacheco teve a intenção de rapidamente iniciar os trabalhos para a construção de 200 edifícios. Coube a cada uma das Direções estudar a localização de um grupo de 50 escolas, organizando e remetendo, ao Diretor-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, Mapas de distribuição dos Edifícios. Os mapas, examinados e alterados pela Comissão de Revisão da Rede Escolar, fixavam o número de edifícios e de salas a construir em cada freguesia. De entre os critérios invocados para justificar as necessidades por distrito, e as prioridades por concelho, estas eram:

 Mau estado das instalações escolares existentes;  Elevado número de crianças inscritas para a frequência;

 Facilidades na aquisição dos terrenos, ofertas locais de materiais de construção;  Falta de salas para separação dos sexos.

A Comissão de Revisão da Rede Escolar publicou no início de 1943 o número de salas a construir por distritos, concelhos e freguesias (Diário do Governo, II Série, de 5 de abril), referência obrigatória para todas as decisões sobre a construção de escolas primárias. Paralelamente, as Repartições Técnicas da DGEMN procederam ao estudo de um questionário que, depois de respondido pelos municípios, permitisse avaliar as condições locais para o lançamento dos futuros programas anuais de construção.

Após a remessa do questionário às Câmaras Municipais, em 1944, deu-se início à Fase I do Plano dos Centenários que incluía apenas os concelhos cujas câmaras responderam (cerca de um terço). As fases seguintes sucederam-se até finais de setembro de 1969, quando a Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias cessou funções.

(30)

24 A primeira fase do Plano dos Centenários compreendia a construção de 561 edifícios com 1 250 salas de aula, distribuídos por todos os distritos do país, incluindo as ilhas. Pretendia-se que esPretendia-se ritmo fosPretendia-se mantido por 10 anos até Pretendia-se concluírem cerca de 12 500 salas de aula. O total previsto no Plano dos Centenários compreendia cerca de 11 458 salas de aula a que correspondiam 6 809 edifícios.

Neste contexto o presente edifício possui três pisos distribuídos da seguinte forma:

Rés – do – chão – Biblioteca/Centro de Recursos (Figura 14), salão polivalente (Figura 15), e casas de banho para alunos;

1º Piso – 2 salas de aula, sala de administrativos, sala de reuniões, salas de apoio educativo e casa de banho para adultos;

2º Piso – 4 salas de aula, sala de apoio/laboratório, sala de fotocopiadora/telefone/A.A.E, uma sala TIC, casa de banho para adultos e casa de banho para alunas.

Relativamente ao espaço exterior, este encontra-se completamente vedado, possuindo um campo de futebol, um espaço para a prática de basquetebol, uma caixa de areia, um espaço para jogos tradicionais e por fim dois espaços lúdicos apetrechados com aparelhos de madeira, um dos quais com piso de borracha (Figura 16).

O referido estabelecimento de ensino apresenta o seguinte horário de funcionamento:

Horário

Manhã: 08h30m 12h30m

Tarde: 13h30m 18h00m

Quadro 2 Horário de funcionamento da escola

Figura 14 Biblioteca/Centro de recursos

Figura 15 Salão Polivalente

(31)

25 Um dos espaços considerados de maior importância é a Biblioteca Escolar Virgílio Afonso.

Virgílio Afonso foi um historiador, poeta e jornalista, natural de Gonçalbocas, distrito da Guarda, que nasceu em 1923 e faleceu em 1998.

A biblioteca foi integrada na rede de bibliotecas escolares no ano de 2002. É um espaço que tem uma área total de 77m2, distribuídos pelas várias áreas: receção/acolhimento, leitura informal e periódicos, leitura de documentos impressos, leitura de vídeo, leitura e produção multimédia e trabalho de grupo. Encontra-se equipada com mobiliário apropriado ao espaço e aberta cinco dias por semana, dentro do seguinte horário:

Horário

Manhã: 09h00m 12h00m

Tarde: 14h00m 17h30m

Quadro 3 Horário de funcionamento da biblioteca

1.2.3.1 Caracterização da Sala de Aula

Na escola, o espaço frequentado pelos alunos, durante um maior período de tempo, e também considerado o mais importante é a sala de aula (Figura 17), pois é nesta que tudo se desenrola: a aprendizagem, a interação entre alunos e entre estes e o docente. É na sala de aula que são expostas as dificuldades existentes e onde decorre o ato educativo.

Nesta área o professor conhece os alunos através da

observação permanente e os alunos conhecem o professor. Dentro da sala de aula todos aprendem, quer o professor quer os alunos, pois a aprendizagem é um processo contínuo e que ocorre em qualquer lugar.

A sala de aula apresenta as condições necessárias para que o professor e os alunos se sintam à vontade para trabalhar, desenvolvendo assim o

processo de ensino e aprendizagem.

A sala de aula apresenta janelas de grande dimensão, o que a torna muito luminosa e também aquecimento central. As mesas de trabalho são para dois

alunos, que funcionam como “estante” ou armário, uma vez que os alunos podem guardar o seu material.

Figura 17 Sala de aula

(32)

26 Nas paredes estão colocados placares de afixação, onde podemos encontrar panfletos informativos e trabalhos realizados pelos alunos (Figura 18).

A sala possui um quadro a giz (Figura 19), podendo também ser utilizado como quadro interativo, após as devidas alterações. Está também

equipada com um computador ligado a um projetor. Possui também dois armários, utilizados para guardar o material relativo às informações pessoais de cada aluno, como sendo as suas fichas de avaliação e as informações reveladas aos encarregados de educação.

Este é um espaço que embora não se encontre equipado com mobiliário moderno, possui as condições necessárias para o decorrer do processo de ensino e aprendizagem e um ambiente acolhedor.

(33)

27 A sala tem a seguinte disposição:

1.3 Caraterização Psicopedagógica dos Grupos de Crianças

É de extrema importância realizar a caraterização psicopedagógica dos grupos de crianças, pois é através dela que adquirimos conhecimentos das características das crianças/alunos, para que posteriormente, na prática pedagógica possam ser realizadas atividades de acordo com os grupos com os quais nos deparamos. É através desta caraterização que conhecemos as crianças/alunos.

Quadro Me sa do Prof ess or Co m pu tad or

P

la

car

Port a M esa Mesa das estagiárias Placar A rm ári o

Armário

(34)

28

1.3.1

Caraterização do Grupo de Crianças do Jardim de Infância de Alfarazes

Podemos constatar o quanto é fulcral para o desenvolvimento do trabalho da educadora/docente, conhecer o grupo/turma com que trabalha, conhecer as crianças/alunos, os seus gostos, as dificuldades que estas enfrentam e também se possível, ter uma noção do ambiente familiar de cada criança, para que assim seja possível adequar as suas estratégias e métodos à turma. Nesta sequência surge, assim a importância e a necessidade de caraterizar a turma.

Tal como reitera Tavares e Alarcão (2005), o desenvolvimento humano pressupõe uma estrutura humana, estrutura da personalidade, que se desenvolve no tempo, de um modo progressivo, diferencial e globalizante o que possibilita a divisão do desenvolvimento em estádios ou fases.

Uma das primeiras questões que podem surgir, é o que se entende por estádio? Segundo os autores anteriormente referidos trata-se de uma fase ou período através do qual se pretende determinar onde é que uma criança se encontra, num determinado momento da sua evolução.

O estádio insere-se no tempo como uma determinada fase do desenvolvimento humano, mas não assenta necessariamente no conceito de idade. O estádio pressupõe, por parte do sujeito, uma determinada estrutura que lhe permite realizar um determinado número de tarefas ou atividades que, sem a sua aquisição, não seriam possíveis. (p.33)

A faixa etária das crianças em análise é de 3 anos.

Pela importância que assume, na criança, o desenvolvimento cognitivo, consideramos pertinente que se caraterize a fase em que as crianças se encontram, na perspetiva de alguns autores influentes na área da psicologia.

Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006) estas crianças encontram-se na segunda

infância, sendo caraterizada em três domínios diferentes: o desenvolvimento físico; o desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento psicossocial. Relativamente ao

desenvolvimento físico prescreve que o crescimento é constante; o corpo torna-se mais delgado e as proporções, mais semelhantes às do adulto; o apetite diminui e os problemas de sono são mais comuns; a preferência do uso das mãos manifesta-se e as habilidades motoras gerais e refinadas, e a força aumentam. Quanto ao desenvolvimento cognitivo refere que o pensamento é um pouco egocêntrico, mas a compreensão do ponto de vista dos outros aumenta; a imaturidade cognitiva produz ideias ilógicas sobre o mundo; a memória e a linguagem melhoram; a inteligência torna-se mais previsível e a experiência na pré-escola é comum. No que concerne

(35)

29 ao desenvolvimento psicossocial, o autoconceito e a compreensão das emoções tornam-se mais complexos; a autoestima é global; aumenta a independência, a iniciativa e o autocontrole; desenvolve-se a identidade de género; as brincadeiras tornam-se mais imaginativas, mais complexas e geralmente mais sociais; altruísmo, agressividade e medo tornam-se mais comuns e a família ainda é o foco da vida social, mas as outras crianças tornam-se mais importantes.

Piaget (1979) por seu lado considera quatro períodos no processo evolutivo da espécie humana. São eles:

 Estádio Sensório-Motor (0 a 2 anos);  Estádio Pré-Operatório (2 a 7 anos);

 Estádio das Operações Concretas (7 a 11 ou 12 anos);  Estádio das Operações Formais (11 ou 12 anos em diante).

Cada um desses estádios é caraterizado por formas diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo se relacionar com a realidade que o rodeia (Coll e Gillièron, 1987). De forma geral, todos os indivíduos vivenciam estes quatro períodos na mesma sequência, no entanto o início e o fim de cada um deles pode sofrer alterações e em função das caraterísticas da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido.

Dado que o grupo em questão se encontra no Estádio Pré-Operatório, abordaremos as principais caraterísticas deste período.

Neste período a função simbólica é uma das mais importantes conquistas deste estádio, pois representa os objetos mentalmente ou os acontecimentos que não ocorrem no presente através de símbolos. A principal função simbólica é a linguagem: as palavras, as frases que representam situações, objetos e ações. É um pensamento intuitivo com base na perceção dos dados sensoriais.

Além disso, conforme preconiza La Taille (2003) a emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspetos cognitivos, afetivos e sociais da criança, uma vez que ela possibilita as interações inter-individuais e significados à realidade. Tanto é assim, que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento, é atribuída, em grande parte, às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem.

Uma das caraterísticas deste período é o egocentrismo que consiste na concentração de impedir a compreensão da realidade, vendo só a sua forma de compreender a realidade. Predomina uma visão unilateral e superficial da realidade que é encarada como um pensamento mágico.

Freud (1984) considera cinco etapas de desenvolvimento, que denominou:  Fase Oral (0 a 12 meses);

(36)

30  Fase Anal (1 a 3 anos);

 Fase Fálica (3 a 5 anos);  Fase de Latência (6 a 12 anos);  Fase Genital (depois da puberdade).

Segundo Freud, o impulso sexual e a procura do prazer erótico determinam de forma poderosa o desenvolvimento afetivo do ser humano. Em cada fase a fonte de satisfação sexual é uma zona diferente do corpo (zona erógena) ou, a rigor, uma diferente orientação da libido (a energia das pulsões sexuais).

As crianças em causa encontram-se na Fase Fálica. Durante este período, os órgãos genitais tornam-se o centro da atividade erótica da criança através da autoestimulação. É neste período que surge o complexo de Édipo, que consiste na atração da criança pelo progenitor do sexo oposto e agressividade para com o progenitor do mesmo sexo. A identificação leva a criança a adotar os seus comportamentos, valores e atitudes. É a sua interiorização que conduz à formação do superego.

Segundo a teoria do desenvolvimento psicossocial de Erikson (1987) o crescimento psicológico ocorre através de estádios e fases, não ocorre ao acaso e depende da interação da pessoa com o meio que a rodeia. Cada estádio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma vertente negativa. As duas vertentes são necessárias mas é essencial que se sobreponha a positiva. A forma como cada crise é ultrapassada ao longo de todos os estádios irá influenciar a capacidade para se resolverem conflitos inerentes à vida.

Esta teoria concebe o desenvolvimento em oito estádios:  Confiança/Desconfiada (0-18 meses);

 Autonomia/Dúvida e Vergonha (18 meses e os 3 anos);  Iniciativa/Culpa (3 a 6 anos);

 Produtividade/Inferioridade (6-12 anos);

 Identidade/Confusão e Identidade (12 aos 18 anos);  Intimidade/Isolamento (25 e os 40 anos);

 Generatividade/Estagnação (35-60 anos);

 Integridade/Desespero (ocorre a partir dos 60 anos).

Segundo Erikson (1987), os alunos inserem-se no Estádio Iniciativa/Culpa. Nesta fase a criança encontra-se nitidamente mais avançada e mais organizada tanto a nível físico como menta. É a capacidade de planear as suas tarefas e metas a atingir que a define como autónoma e por consequência a introduz nesta etapa. No entanto este estágio define-se também como perigoso, pois a criança busca exaustivamente e de uma forma entusiasta atingir as suas metas

Referências

Documentos relacionados

Varr edura TCP Window ( cont inuação) ACK- win manipulado Não Responde ACK- win manipulado ICMP Tipo 3 Firewall Negando Firewall Rejeitando Scanner de Porta... Var r edur a FI N/

Os motins na América Portuguesa tanto quanto na Espanhola derivam do colapso das formas acomodativas - como será melhor explicado à frente -, ou melhor dizendo, do rompimento

E) CRIE NO SEU CADERNO UM TÍTULO PARA ESSA HISTÓRIA EM QUADRINHOS.. 3- QUE TAL JUNTAR AS SÍLABAS ABAIXO PARA FORMAR O NOME DE CINCO SUGESTÕES DE PRESENTE PARA O DIA

A pesquisa “Estratégias para o varejo brasileiro – Reflexões sobre os anseios do consumidor” realizada pela Deloitte em 2010 apresentou de forma muito objetiva o que

A vida, para estas autoras, tornou-se mais “individual” numa época que o Martin Albrow (1997. In: The global age. Stadford: Standford Univ. Press apud CALHEIROS e PAIVA, 2001)

Para DVD que contêm dois ou mais idiomas das legendas, 1 Prima OPTIONS. » É apresentado o menu

Portanto não deveria ser estranho, para um estudioso de Peirce, aceitar o convite de subir no “bote do musement ” e imaginar que os conceitos da Ética, que valem

Exemplo: “A administração da produção é a área funcional que centraliza responsabilidades pela produção de bens ou serviços em uma organização e esta