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Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.12 número1

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Academic year: 2018

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R Dental Press Ortodon Ortop Facial 18 Maringá, v. 12, n. 1, p. 18, jan./fev. 2007

O

Q U E H Á D E N O V O N A

O

D O N T O L O G I A

O sabor das palavras na ponta da língua

* Editor da Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial. Jorge Faber*

Os falantes da língua portuguesa usam com fre-qüência uma expressão que traduz a satisfação de ter dito algo – falei (tal coisa) com gosto. O interessante dessa questão é que certas pessoas, portadoras de uma condição familiar rara denominada sinestesia, têm cruzamento das sensações e realmente podem sentir o sabor das palavras. Avanços nesse assunto foram re-centemente publicados na revista Nature1 por

pesqui-sadores da Inglaterra.

Eles avaliaram um grupo de indivíduos portadores da variante palavra-sabor de sinestesia e analisaram se o sabor era percebido quando a palavra estava em vias de ser dita, ou seja “na ponta da língua”, e não apenas quando era pronunciada. Assim, testaram esses indi-víduos utilizando muitas palavras não corriqueiras e checaram esses resultados com um novo teste, mais de um ano após. Estes foram confrontados com os de

um grupo controle, composto por indivíduos que não apresentavam sinestesia.

Os resultados mostraram grande consistência na percepção dos sabores quando determinadas palavras estavam “na ponta da língua” e houve diferença entre os grupos. Como os sabores puderam ser induzidos, mesmo na ausência da informação fonológica, foi pro-posto um modelo no qual caminhos existem entre os centros de fala e sabor, isto é, os sabores são associa-dos a nomes de alimentos e seus vizinhos fonológicos. Por exemplo, a palavra mancha em português poderia desencadear o sabor de manga.

Esses caminhos podem operar em todas as pes-soas, mas ser excepcionalmente ativos nos sinestetas. Portanto, a sinestesia palavra-sabor pode representar um exagero dos mecanismos normais que ligam os pensamentos lingüísticos à percepção sensorial.

1. SIMNER, J.; WARD, J. The taste of the words on the tip of the tongue. Nature, London, v. 444, n. 23, p. 438, Nov. 2006. 2. HELDERMAN, W. H. et al. Plaque removal by young children

using old and new toothbrushes. J Dent Res, Alexandria, v. 85, n.12, p.1138-1142, 2006.

Escovas de dente velhas removem menos placa que as novas?

Aprendemos com nossas avós que devemos tro-car periodicamente nossas escovas de dente. Durante nossa formação básica odontológica essa informação foi fortalecida de tal forma que quase todos os den-tistas sugerem aos seus pacientes trocas periódicas de suas escovas. Entretanto, será que nossas avós estavam certas? Um grupo de pesquisadores da Holanda e Bir-mânia arregassou as mangas sobre essa questão e pu-blicou seus resultados no Journal of Dental Research2

recentemente.

Investigações sobre a relação entre o desgaste da escova de dente e sua eficiência da remoção da placa chegaram a resultados inconclusivos. A maior parte dos estudos envolveu o desgaste artificial das escovas, que pode diferir daquele sofrido naturalmente com o uso. Na maioria dos estudos realizados com escovas desgastadas naturalmente chegou-se à conclusão que, aparentemente, o estado da escova não é crítico para a remoção da placa. Esses trabalhos, na sua totalidade, foram realizados com pacientes adultos e assim fica a questão: será que crianças perdem alguma capaci-dade de limpeza dos dentes ao empregarem escovas desgastadas pelo uso? A resposta para essa pergunta é de grande relevância para países em desenvolvimen-to que implementam programas de higienização para

sua população carente, sem recursos ou logística para substituir periodicamente as escovas das pessoas.

Escolares birmaneses entre 7 e 8 anos de idade participaram do estudo. Escores de placa foram regis-trados nesses indivíduos, que utilizavam escovas com 14 meses de uso. A idade das escovas era conhecida, pois haviam sido dadas às crianças pelo governo lo-cal. Novos escores foram registrados ao se trocar as escovas por novas e a diferença nos escores de placa foi analisada.

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