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Braz. j. . vol.83 número2

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www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Effect

of

sublingual

immunotherapy

on

platelet

activity

in

children

with

allergic

rhinitis

Yanqiu

Chen

a

,

Lifeng

Zhou

a,∗

e

Yan

Yang

b,∗

aGuangzhouMedicalCollege,GuangzhouWomenandChildren’sMedicalCenter,DepartmentofOtolaryngology,Guangzhou,China bSunYat-senUniversity(NorthernCampus),SchoolofPublicHealth,DepartmentofNutrition,Guangzhou,China

Recebidoem16denovembrode2015;aceitoem2demarçode2016 DisponívelnaInternetem17defevereirode2017

KEYWORDS

Allergicrhinitis; Plateletactivation; Sublingual

immunotherapy; PlateletFactor-4;

Beta-Thromboglobulin

Abstract

Introduction:The roleofplatelet activationinallergic inflammationisreceiving increasing attention.Sublingualimmunotherapyforallergicrhinitiscanmodifytheimmunologicalprocess toanallergen,ratherthansimplytreatingsymptoms.

Objective:Theaimofthisstudywastoexploretheroleofplateletactivationduringsublingual immunotherapyinchildrenwithallergicrhinitis.

Methods:Forty-twoHouseDustMite---sensitizedchildrenwithallergicrhinitiswereenrolled andreceivedHouseDustMiteallergenextractforsublingualimmunotherapyorplacebo.Serum ofdifferenttime pointsduring treatmentwas collected andused for detectionofPlatelet Factor-4andBeta-ThromboglobulinconcentrationbyEnzyme-LinkedImmunoSorbentAssay. Results:OurdatashoweddecreasedexpressionofPlateletFactor-4andBeta-Thromboglobulin proteinafteroneyear’ssublingualimmunotherapy.Inaddition,thedecreaseofsymptomscores andserumPlateletFactor-4andBeta-Thromboglobulinproteinconcentrationswaspositively related.

Conclusion:Duringsublingualimmunotherapy,platelet activationwasinhibitedsignificantly. Ourresultsmightindicatethatinhibitionofplateletactivationwithinthesystemiccirculation isanimportantmechanismduringsublingualimmunotherapy.

©2017PublishedbyElsevierEditoraLtda.onbehalfofAssociac¸˜aoBrasileirade Otorrinolarin-gologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBYlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.03.006

Comocitaresteartigo:ChenY,ZhouL,YangY.Effectofsublingualimmunotherapyonplateletactivityinchildrenwithallergicrhinitis. BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:190---4.

Autoresparacorrespondência.

E-mails:[email protected](L.Zhou),[email protected](Y.Yang).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

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PALAVRAS-CHAVE

Rinitealérgica; Ativac¸ãoplaquetária; Imunoterapia sublingual;

Fator4plaquetário; Beta-tromboglobulina

Efeitodaimunoterapiasublingualsobreaatividadeplaquetáriaemcrianc¸as comrinitealérgica

Resumo

Introduc¸ão: Opapel daativac¸ãodeplaquetasnainflamac¸ãoalérgicarecebeuatenc¸ão cres-cente.Aimunoterapiasublingualpararinitealérgicapodemodificaroprocessoimunológicoa umalérgeno,emvezdetratarossintomassimplesmente.

Objetivo: Explorar o papel da ativac¸ão plaquetária durante a imunoterapia sublingual em crianc¸ascomrinitealérgica.

Método: Quarenta e duas crianc¸as com rinite alérgica sensibilizadas por ácaros de poeira domiciliar(APD)foraminscritasereceberamextratodealérgenodeAPDpara imunoterapia sublingualouplacebo.Osorodediferentespontosnotempoduranteotratamentofoirecolhido eusadoparaadetecc¸ãodefator4plaquetárioeconcentrac¸ãodebeta-tromboglobulinapor ensaioimunoenzimático.

Resultados: Nossosdados mostraramdiminuic¸ão daexpressãodefator 4plaquetárioe pro-teínabeta-tromboglobulinaapósimunoterapiasublingualdeumano.Alémdisso,adiminuic¸ão dos escores de sintomase o fator 4 plaquetáriosérico e concentrac¸ões de proteína beta--tromboglobulinaforamrelacionadosdemaneirapositiva.

Conclusão:Durante imunoterapiasublingual,aativac¸ãoplaquetária foiinibida significativa-mente.Osnossosresultadospodemindicarqueainibic¸ãodaativac¸ãodeplaquetasdentroda circulac¸ãosistêmicaéummecanismoimportanteduranteimunoterapiasublingual.

©2017PublicadoporElsevierEditoraLtda.emnomedeAssociac¸˜aoBrasileirade Otorrinolarin-gologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY(http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Aimunoterapiasublingual(ITSL)éoúnicotratamentoque regulaoprocessoimunológicoduranteodesenvolvimentoda rinitealérgica(RA),enãosimplesmentetrataossintomas.1,2 No entanto,os mecanismos subjacentesdo processo e os biomarcadores potenciaisaindanãoestão completamente caracterizados.

Aativac¸ãoplaquetáriaocorreduranteasreac¸õesdasvias aéreas induzidas pelo antígeno em indivíduos alérgicos e asmáticos. Níveis elevados de mediadores derivados das plaquetas,taiscomoasquimiocinas,beta-tromboglobulina (BTG)efator4plaquetário(F4P),sãoobservadosnoplasma enolíquido delavagembroncoalveolardeindivíduos ató-picos. Esses mediadores têm a capacidade de ativar os eosinófilos,aumentaraexpressãodosreceptoresdeFc-IgG eFc-IgE,estimularbasófilosparaliberarhistaminaeassim pordiante.3---6ComoaITSLpodeinibirsignificativamentea inflamac¸ãoalérgica,supomosqueaITSLsejacapazafetar aativac¸ãodeplaquetasemcrianc¸ascomRA.

Nopresenteestudo,buscamosesclareceroefeitodeITLS na ativac¸ão plaquetária de crianc¸as com RA por meio da detecc¸ãodemudanc¸asdeF4Pséricoeconcentrac¸ãodeBTG.

Método

Pacientes

Foram recrutadas 42 crianc¸as, entre 6 e 12 anos, com históriaclínica deRAinduzidaporácarosdapoeira domi-ciliar (APD) por pelo menos umano. O teste cutâneo de

hipersensibilidadeimediata(TCHI)foi feitoparaexaminar crianc¸as alérgicas a APD. Aquelas com doenc¸as crônicas (p.ex., asma, desnutric¸ão, malformac¸ões anatômicas do sistema respiratório, doenc¸a pulmonar crônica, doenc¸a cardíaca,doenc¸aderefluxogastresofágico,fibrosecística) e aquelas com um histórico de uso crônico de fármacos (p.ex., corticosteroides orais ou nasais, antiepilépticos, imunossupressores)foramexcluídas.Oestudofoifeitocom aaprovac¸ãodocomitêdeéticalocalecomoconsentimento informadoporescritodospais.

Imunoterapiasublingualeagrupamento

(3)

dofármaco tiverama identidademascarada, para que os pacientes e os pesquisadores não tivessem conhecimento do tratamento atribuído. O mascaramento do estudo foi preservado até que todos os indivíduos completassem o estudo. A adesão ao uso dos medicamentos foi avaliada tantopeloquestionárioparaospaiscomopormedic¸ãode pesodefármacoadministradoacadaduassemanas.

Escoresdesintomas

Ossintomasnasais(narizescorrendo,espirros,nariz entu-pido,coceiranonariz)forammarcadospelascrianc¸ascom aajudadospais.Umescorede0foidefinidocomonenhum sintoma,umescorede1foidefinidocomo sintomasleves (quenãointerferememqualqueratividade),umescorede 2foidefinidocomosintomasmoderados(ligeiramente incô-modosquepoucointerferemnaatividade/sononoturno)e umescore de 3 foi definido como sintomas graves (incô-modos que interferem na atividade/sono noturno).7,8 Os escoresforamregistradosacadamanhã,diariamente,por pelomenos12semanase,emseguida,fez-seamédia.

Preparac¸ãoeanálisedeamostrasdesangue

As amostrasde sangue decrianc¸as foramcoletadas entre 11e14hpelométododevenopunc¸ãoem condic¸ões apro-priadas.Osorofoi separado apósa coagulac¸ão dosangue durante1-2horas àtemperaturaambientee centrifugado a 3.000g durante 15minutos a 4◦C. As amostrasde soro foramarmazenadas a -80◦C e usadas para o ensaio imu-noenzimático(Elisa).Aconcentrac¸ãototaldeproteínasfoi determinadacom ensaios deproteína Bio-Rad, deacordo comBradford.OskitsdeElisa(DiagnosticaStago,Franc¸a) foramusadosparamediroF4Pséricoeasconcentrac¸õesde BTG.

Análiseestatística

Todosos dadosforam expressos como média±DP. As sig-nificâncias estatísticas entre os diferentes grupos foram determinadaspormeiodotesteUnãoparamétricode Mann--Whitney. O teste de correlac¸ão de Spearman foi usado paraanalisaracorrelac¸ãoentreo escoredesintomas ea concentrac¸ãodeF4PouBTG;p<0,05foiconsideradocomo diferenc¸asignificativa.

Resultados

Característicasdemográficasdapopulac¸ão doestudoeevoluc¸ãoclínica

Esteestudofoifeitocom42crianc¸as,21incluídasnogrupo ITSL, entre 72 e 144 meses (idade média: 120,7±44,0 meses,dez dosexomasculino)e21incluídas nogrupode placebo,entre75 e141meses(idademédia:123,0±42,3 meses, 11 homens). Idade, sexo, durac¸ão da doenc¸a e escoresdesintomasdebaseentredoisgruposforam com-paráveis,semsignificância.OtratamentodeITLSfoieficaz eosescoresdesintomasdiminuíramsignificativamenteem

Tabela 1 Característica demográficade42crianc¸ascom RA

GrupoITLS Grupoplacebo

Número 21 21

Sexo(Masculino/Feminino) 10/11 11/10

Idade(meses) 120,7±44,0 123,0±42,3

Durac¸ãodadoenc¸a(ano) 5,2±2,4 6,1±3,7

IgETotal(kU/L) 465±226 513±316

IgEespecíficodeAPD(kU/L) 45±21 35±18

Sintomasbasais

Narizescorrendo 2,5±0,3 2,1±0,2

Espirros 1,9±0,1 1,7±0,1

Narizentupido 2,1±0,2 1,8±0,3 Pruridononariz 1,5±0,1 2,0±0,4

Escoretotal 8,2±0,6 7,9±0,5

Sintomasdepontofinal

Narizescorrendo 1,5±0,2a,b 2,2±0,3

Espirros 1,4±0,3a,b 1,5

±0,1 Narizentupido 1,2±0,1a,b 1,8±0,1 Pruridononariz 1,1±0,2a,b 2,1±0,2 Escoretotal 5,2±0,3a,b 7,8±0,2 a Comparadocomgrupoplacebo,p<0,05.

b Comparadocomsintomadomomentobasal,p<0,05.

comparac¸ãocomosescoresdogrupoplaceboedesintomas domomentobasal(tabela1).

Diminuic¸ãodosníveisdeproteínadeF4PeBTG séricosduranteotratamentodeITLS

O F4P sérico e a expressão da proteína BTG durante o tratamento de ITLS foram significativamente menores do que aqueles no grupo placebo após seis meses de trata-mento(F4P3,2±1,1vs.4,9±1,2UI/mL;BTG17,4±4,3vs.

23,2±5,1UI/mL)eessatendênciamantidaporpelomenos umano(F4P1,3±0,5vs.5,3±1,7UI/mL; BTG10,5±3,2

vs.21,6±4,8UI/mL)(fig.1AeB).

Relac¸ãoentreosescoresdossintomaseF4Psérica eníveisdeproteínaBTG

Paraexploraroefeitodaativac¸ãoplaquetárianoescorede sintomas, analisamos a relac¸ão entre os escores dos sin-tomas e F4Psérico e níveis deproteína BTGnogrupo de ITLS.Após umanodetratamento, amelhoria dosescores desintomasfoipositivamenterelacionadacomareduc¸ãodo F4PséricoedosníveisdeproteínaBTG(p=0,65;p=0,001;

p=0,51;p=0,002)(fig.2).

Discussão

(4)

40

30

20

10

0 8

6

4

2

0

0

6 meses 12 meses 6 m 12 meses

eses 0

Meses de estudo Meses de estudo

BTG sérico (pg/mL)

F4P sérico (UI/mL)

A

B

Figura1 ExpressãodeF4PséricoedaproteínaBTGreduzidaapósITLSapósseismesesemcomparac¸ãocomogrupocontrolee nívelbasalcomsignificância.Adiminuic¸ãofoimantidapelomenosumanosemrebote(*p<0,05,comparac¸ãoentreosdoisgrupos eomomentobasal;䊉,representagrupoplacebo;representagrupoITLS).

A

B

0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5

15

10

5

0 5

4

3

2

1

0

Redução de nível sérico de F4P (UI/mL) Redução de nível sérico de BTG (UI/mL)

Melhora dos escores do sintoma

Melhora dos escores do sintoma

p = 0,65 p = 0,001 p = 0,51 p = 0,001

Figura2 Relac¸ãopositivaentremelhoriadosescoresdossintomasereduc¸ãodeníveisséricosdeF4PdeproteínasdeBTGapós umanodeITLSgrupodetratamentoativo(AeB).

Noentanto,opapeldeativac¸ãodeplaquetasem ITSLnão eraclaro,especialmenteemcrianc¸as.

NossosresultadosmostraramqueF4PenívelBTG dimi-nuíram significativamente após seis meses de ITLS e a melhoria foi mantida por pelo menos umano. Apesar de a reduc¸ãodo nívelde F4Pe BTGtersido observadaapós três meses de tratamento, nenhuma diferenc¸a estatística foiencontrada.Alémdisso,osescoresdemelhoriados sinto-masapósumanodeITLSforampositivamenterelacionados comadiminuic¸ãodoníveldeF4PeBTG. Essesresultados sugeriramqueaITLSpossamodificarprocessosalérgicospor inibic¸ãodafunc¸ãodasplaquetas,pelomenosparcialmente. Compatívelcomnossosresultados,Kowal13observouum aumentodaativac¸ãoplaquetáriaintravascularem pacien-tes comasmaalérgicosa APDe submetidos aprovocac¸ão alergênicabrônquica.Arelac¸ãoentreasmudanc¸asde mar-cadores deativac¸ão deplaquetaseo desenvolvimentode respostaasmáticatardiasugerequeaativac¸ãode plaque-tasdentrodacirculac¸ãoécrucialparaodesenvolvimentoda inflamac¸ãoalérgicacrônica.Alémdisso,Knauer14 demons-trou mudanc¸as significativasnonível deF4Pde pacientes comasmainduzida pelopólen apósprovocac¸ão brônquica aoextratodeervas.

NoestudodeAlicja,15verificou-sequeonívelplasmático deF4Pnopacienteforadaestac¸ãodepólenfoi significati-vamentemenoremcomparac¸ãocomaestac¸ãoenãodiferiu demaneirasignificativaemcomparac¸ãocomindivíduos sau-dáveis. Por outro lado, em seus outros dois estudos,16,17

os resultados sugeriram que os níveis de F4P e BTG não foram significativamente diferentes entre os pacientes e indivíduos saudáveis após imunoterapia. Notavelmente, a imunoterapiaem seusdoisestudosduraapenasseismeses eumaamostradesanguefoicoletadaimediatamenteapós ainjec¸ãodedose máxima.Nonossoestudo,otratamento comITSLduroupelomenosumanoeosorofoiamostradoem pontosdetempodiferentes.Observamosqueadiminuic¸ão deF4PséricaeoníveldeBTGdurarampelomenosumano. A diferenc¸a entre o nosso estudo e o de Alicja sugere a importânciado períododemanutenc¸ão em imunoterapia. No entanto, o pequeno número de pacientes é uma das limitac¸ões donosso estudo. Sãonecessários estudos futu-roscomgrandeamostraparaesclarecer opapel doF4Pe daBTGna ITLS.Além disso, amudanc¸adeF4P e BTGno lavadonasalantesedepoisdeITLSdeveserdiscutida futura-mente,paraexploraroefeitolocaldaativac¸ãoplaquetária nomecanismodaRAeITLS.

Conclusão

(5)

Padrões

éticos

Osautoresafirmamquetodososprocedimentosque contri-buíramparaeste trabalhoestãoem conformidadecom os padrõeséticosdasdiretrizesnacionaiseinstitucionais rele-vantessobreexperimentac¸ãohumana ecoma Declarac¸ão deHelsinquede1975,revisadaem2008.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

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Imagem

Tabela 1 Característica demográfica de 42 crianc ¸as com RA
Figura 1 Expressão de F4P sérico e da proteína BTG reduzida após ITLS após seis meses em comparac ¸ão com o grupo controle e nível basal com significância

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