Governo do Estado de São Paulo
SECRETARIAS DE ESTADO
DO MEIO AMBIENTE E DA HABITAÇÃO
PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA SERRA DO MAR E SISTEMA DE MOSAICOS DA MATA ATLÂNTICA
PLANO DE REASSENTAMENTO E REQUALIFICAÇÃO URBANA PARA OS NÚCLEOS DE OCUPAÇÃO IRREGULAR DO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
DA SERRA DO MAR EM CUBATÃO (PRRU)
Agosto de 2009
Índice Pág.
1. Apresentação 5
2. Antecedentes 7
2.1. Processo de Ocupação da Serra do Mar 7
2.2. Situações de risco a que está exposta a população 12
2.3. Proposta de intervenção do Governo do Estado de São Paulo 14
2.3.1. Detalhamento das ações do Programa 17
2.3.1.1. Planos de Urbanização 18
2.3.1.2. Planos e Projetos de Reassentamento em Cubatão 21
2.3.1.3. Empreendimentos Habitacionais adquiridos do FAR/PAR 23
2.3.1.4. Outros Empreendimentos da CDHU 23
2.3.1.5. Regularização Fundiária e Registro 24
2.4. Marcos de referência 24
2.4.1. Aspectos Legais 25
2.4.2. Aspectos Institucionais 26
3. Objetivos Gerais 28
4. Caracterização População Beneficiaria do PRRU 29
4.1. Edificações 29
4.1.1. Materiais de construção 30
4.1.2. Condições de ocupação 31
4.1.3. Número de ocupantes 31
4.2. Famílias RReessiiddeenntteess 31
4.2.1. Sexo e Faixa Etária 31
4.2.2. Tipologia das Famílias e Relações de Parentesco com o “responsável” 32
4.2.3. Ocupação, Renda e Local de Trabalho 32
4.2.4. Renda Familiar e Participação em Programas Sociais 33
4.2.5. Escolaridade e Freqüência à Escola 34
4
4..33.. CCaarraactcteerriizzaaççãão o ddooss rreessppoonsnsáváveeiiss ppeellooss ddomomiiccíílliiooss ee rreessppeeccttiivvoos s ccôônnjjuuggeess 35
4.3.1. Tempo de Moradia 36
4.3.2. Renda do “responsável” e do cônjuge, gênero, idade e situação conjugal 36 4.3.3. Tempo de trabalho, local de trabalho e escolaridade do responsável 37 4.4. Caracterização ddooss iinnddiivvíídduuooss ssósós 37
4.4.1. Idade e sexo 37
4.4.2. Renda e escolaridade 38
4.5. Principais diferenças entre as famílias que serão reassentadas e as que permanecerão
nos bairros cota 38
4.6. Outros aspectos diferenciais a serem considerados 39
5. Plano Operativo 40
5.1. Objetivos específicos 40
5.2. Premissa e diretrizes de execução 40
5.3. Metas específicas 41
5.4. Políticas de atenção 42
5.4.1. Conceitos básicos 42
5.4.2. Critérios de elegibilidade 45
5.4.3. Política de Subsídios 45
5.4.4. Despesas Incidentes para as famílias a reassentar 46
5.5. Alternativas de reassentamento 47
5.5.1. Reassentamento Dirigido 47
5.5.1.1. Reassentamento em Unidades Habitacionais Multifamiliares, Unifamiliares ou de Uso
Misto, construídas pela CDHU no Município de Cubatão 47 5.5.1.2. Reassentamento em UH’s construídas ou adquiridas em outros municípios da área de
influência do Programa (Baixada Santista e RM de São Paulo)
49 5.5.1.3. Reassentamento em Moradias recuperadas nas áreas de requalificação urbana. 49
5.5.1.4. Reassentamento de Assistência Social 50
5.5.2. Autorreassentamento 50
5.5.2.1. Carta de Crédito 50
5.5.2.2.. “Bônus Mudança 51
5.6. Ações de Requalificação Urbana 51
5.7. Estratégias de implementação 51
5.7.1. Engenharia Social 51
5.7.2. Etapa de Preparação 54
5.7.2.1. Identificação e Diagnóstico 54
5.7.2.2. Divulgação e Mobilização 54
5.7.2.3. Negociação e acordos 55
5.7.3. Etapa da Mudança e recepção 56
5.7.3.1. Preparação 56
5.7.3.2. Mudança 56
5.7.4. Etapa de consolidação 56
5.7.4.1. Transição 56
5.7.4.2. Desenvolvimento Comunitário 57
6. Ações de Reabilitação e Apoio Social 58
6.1. O Trabalho Social – Ações realizadas e em curso 58
6.2. Condicionantes aos projetos voltados à sustentabilidade 59
7. Plano de Participação Comunitária 61
7.1. Processo de consulta 61
7.2. Mecanismos de participação 61
7.2.1. Mecanismos de Participação Inicial 62
7.2.1.1. Grupo Operativo de Reassentamento/reurbanização 62
7.2.1.2. Grupo Gestor 62
7.2.2. Mecanismo de Consolidação 63
7.2.3. Mecanismos Externos 63
7.2.3.1. Comitê de acompanhamento e seguimento 64
7.2.3.2. Mecanismo de Resolução de Controvérsias 64
8. Plano de Comunicação 65
8.1. Comunicação Social 66
8.2. Comunicação Institucional 66
9. Mecanismos de monitoramento e avaliação do PRRU 67
9.1. Monitoramento 67
9.2. Avaliações externas 67
10. Equipes Técnicas e Estrutura de Gestão PRRU 68
10.1. Organograma Funcional 70
11. Custos e orçamentos: Equipe Técnica e Ações de Sustentabilidade 72
12. Cronogramas 75
Anexo 1: Termo de Cooperação entre a Secretaria da Habitação e a Prefeitura de Cubatão 77 Anexo 2: Modelo de Regimento Interno dos Grupos Gestores (Núcleo Pilões) 84
Índice de tabelas
Assunto Pag.
Tabela 01: Quadro de remoção por natureza do risco 14
Tabela 02: Resumos das tipologias de construção e unidades habitacionais por Conjunto
Habitacional – Cubatão 23
Tabela 03: População Beneficiária, Segundo o Tratamento 29
Tabela 04: Resumos do número de domicílios por núcleo e proposta de tratamento 42
Tabela 05: Valores de condomínio em programas habitacionais 48
Tabela 06: Resumo das soluções de remanejamento planificadas no PRRU 53 Tabela 07: Programação de remoções e entregas de unidades habitacionais 54 Tabela 08: Resumo do número de famílias, grupos operacionais e unidades de trabalho
social 69
Tabela 09: Supervisões do trabalho social 70
Tabela 10: Equipe técnica do PRRU 71
Tabela 11: Orçamento – Equipe Social e Ações de Sustentabilidade 73
Tabela 12: Custos da Equipe Social 74
Tabela 13: Custos das Ações de sustentabilidade 75
Siglas
APA: Áreas de Preservação Ambiental APP: áreas de Preservação Permanente
BID: Banco Interamericano de Desenvolvimento
CDHU: Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo CIESP: Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo
DEPAVE: Departamento de Parques e Áreas Verdes
FF: Fundação para a Conservação e Produção Florestal do Estado de São Paulo GESP: Governo do Estado de São Paulo
GG: Grupo Gestor
GROPROAB: Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado São Paulo IPT: Instituto de Pesquisa Tecnológica
PESM: Parque Estadual da Serra do Mar
PRSSM: programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar PRRU: Plano de Reassentamento e Requalificação Urbana
SABESP: Empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SH: Secretária da Habitação
SMA: Secretaria do Meio Ambiente UGP: Unidade de Gestão do Programa
UEP: Unidade de Execução de Projetos Habitacionais
UEPMA: Unidade de Execução de Projetos do Meio Ambiente
PLANO DE REASSENTAMENTO E REQUALIFICAÇÃO URBANA PARA OS NÚCLEOS DE OCUPAÇÃO IRREGULAR DO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA SERRA DO MAR EM CUBATÃO
(PRRU) 1. Apresentação
O Governo do Estado de São Paulo (GESP), por intermédio das Secretarias de Estado da Habitação (SH) e do Meio Ambiente (SMA), está implantando o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar e Sistema de Mosaicos da Mata Atlântica.
O Programa proposto pelo GESP é bastante abrangente, complexo, e se propõe a promover a conservação, o uso sustentável e a recuperação ambiental do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), dos Mosaicos Juréia-Itatíns e das Unidades e Conservação Marinhas (APAs) e seus entornos no Estado de São Paulo, compreendendo desta forma todo o litoral paulista.
A preparação do Programa, que inclui um significativo remanejamento populacional, contou com o apoio de uma Cooperação Técnica (CT BR-T1117) entre o BID e as Secretarias da Habitação e do Meio Ambiente, com recursos de um Fundo Holandês, no desenvolvimento de modelos, metodologias e projetos-piloto dirigidos a:
i) Efetuar um reassentamento ambiental e socialmente sustentável de comunidades situadas em zonas de interesse ecológico – dentro das áreas estaduais protegidas;
ii) Prover às comunidades reassentadas e às consolidadas condições para o uso sustentável das áreas de ocupação; e
iii) Recuperar a qualidade ambiental das áreas consolidadas e das áreas desocupadas pelas comunidades reassentadas, incluindo a implantação de um jardim botânico regional.
A CT envolveu um grupo de consultores, divididos em três equipes, cada uma responsável por desenvolver um desses temas. A equipe vinculada ao tema de Reassentamento, desenvolveu, com a colaboração das equipes técnicas da Secretária da Habitação e da CDHU, um modelo e as propostas metodológicas para a remoção e o reassentamento de ocupantes de núcleos habitacionais irregulares, tomando como estudo de caso os existentes no PESM e seu entorno no Município de Cubatão.
O presente relatório, formulado a partir dos resultados da CT, apresenta a proposta do Governo do Estado de São Paulo para o reassentamento e a requalificação urbana que será desenvolvido nos núcleos que conformam a área de intervenção Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar no Município de Cubatão.
Esse documento apresenta dados reais de campo obtidos pelo cadastramento de imóveis e levantamento socioeconômico censitário, realizado em toda área de intervenção do programa, e obedece aos delineamentos da OP 710 – “Reassentamentos Involuntários do Banco Interamericano de Desenvolvimento -BID.
O relatório está organizado em 12 capítulos, subdivididos em vários itens e subitens e seu conteúdo pode ser dividido em 3 partes:
1) A primeira, que contém os capítulos sobre antecedentes, objetivos e características da população, contempla os diagnósticos gerais das áreas de intervenção e da população alvo, assim como as propostas do programa para resolver os problemas das ocupações e ameaças que afetam o PESM.
2) A segunda parte é a mais substancial por tratar do plano operativo para o reassentamento da população que será removida das áreas de risco e de conservação ambiental, da requalificação urbana das áreas remanescentes dos núcleos que permanecerão dentro da poligonal de amortecimento do Parque, e das ações de reabilitação e apoio social que contemplam todos os programas de sustentabilidade dos projetos implantados.
3) A terceira parte se relaciona com as ações de apoio ao PRRU e trata especificamente do plano de participação, de comunicação e dos mecanismos de controle externo do Plano. O plano de participação contempla vários mecanismos que atendem as diferentes etapas de implantação, inclusive um mecanismo de resolução de controvérsias para facilitar a gestão de possíveis conflitos que possam surgir com as comunidades.
Conclui o relatório um capitulo de custos e orçamentos e o cronograma geral de execução das ações que compõem o PRRU.
2. Antecedentes
2.1. Processo de Ocupação da Serra do Mar
Os núcleos de habitações irregulares objeto do Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar no Município de Cubatão são sete, dos quais quatro em situação de serra e lindeiros à rodovia Anchieta, e os três restantes em situação de baixada, ocupando margens de rios.
Alguns desses núcleos se originaram diretamente de obras de transposição da própria Serra do Mar e foram progressivamente adensados pela atração de mão-de-obra necessária às obras e serviços decorrentes de desenvolvimento de parque industrial em Cubatão. Destaca-se entre estas obras a construção da Via Anchieta, primeira rodovia ligando a região de São Paulo à zona portuária de Santos.
As obras da rodovia foram iniciadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo – DER em 1942. As duas primeiras pistas foram concluídas respectivamente em 1947 e 1953, com o emprego de cerca de três mil trabalhadores. Na ocasião foram construídos alojamentos e canteiros de obras, tanto na serra quanto no início da planície, que deram origem aos primeiros assentamentos significativos dentro dessa porção da Serra do Mar. Na sequência ocorreu a construção da Usina Henry Borden, pelo grupo Light&Power, com obras que se desenvolveram no período 1952/1961, com a atração de novos fluxos migratórios. Por fim, entre 1972 e 1976 foi construída a Rodovia dos Imigrantes, da qual chegaram a participar simultaneamente mais de quinze mil trabalhadores, destacando-se a intensa rotatividade entre os operários das empreiteiras, levando a que o número de contratados ao longo da obra tenha sido superior a cem mil trabalhadores.
Na outra ponta, atuou o intenso crescimento industrial de Cubatão, que se verificou desde o início da década de 1950. Entre as grandes empresas atraídas pela localização estratégica, infraestruturas presentes e recursos naturais disponíveis, destacam-se a Refinaria Presidente Bernardes - que entrou em operação em 1955 favorecendo a instalação de grande número de indústrias petroquímicas e de fertilizantes-, e a COSIPA, cuja construção prolongou-se entre 1.959 e 1.963, chegando a ocupar dezesseis mil trabalhadores. Entre 1955 e 1977, outras 21 grandes empresas industriais se instalaram no Município, conferindo-lhe a característica de pólo industrial.
A intensa imigração decorrente desse processo levou a que a população residente no município em 1.950 se elevasse de 11.803 habitantes para, sucessivamente, 50.906 em 1.970, 91.136 em 1.991 e, finalmente, 119.794 em 2.007. Com a ocupação de grande parte do já reduzido estoque municipal de terras aptas para construção pelas indústrias, verificou-se forte elevação do preço da terra e dos aluguéis que empurraram os empregados das empreiteiras e os operários industriais com menores salários para as áreas de serras e mangues, contribuindo para fixar, nos municípios vizinhos – cidades balneárias -, aqueles com maiores salários.
Atualmente, os grandes aglomerados de sub-habitações, sejam os bairros instalados na serra, os chamados bairros cotas, sejam as ocupações irregulares nas áreas de mangue, abrigam mais da metade da população municipal e apresentam como aspecto básico de formação o fato de que seus moradores foram atraídos ou trazidos em grande parte para a região pelas empreiteiras contratadas para a implantação das grandes infraestruturas e plantas industriais. É a seguinte a caracterização básica dos núcleos englobados no Programa:
Cota 500: localizado no km 45 da via Anchieta (acesso pela pista ascendente), abriga apenas duas famílias que fazem a manutenção das redes de captação de água do Projeto Água Limpa, da Prefeitura Municipal de Cubatão, que abastece outros bairros da região. Por sua dimensão, a ocupação não é
considerada como um assentamento específico, sendo contada e caracterizada juntamente com a ocupação da Cota 400.
Cota 400: localizado no km 47/48 entre pistas descendentes e ascendentes da via Anchieta, sua ocupação data da implantação daquela rodovia pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER). As obras exigiram grande número de trabalhadores que foram alojados em acampamentos que, com o término das obras, continuaram a ser ocupados, gerando, com o passar do tempo e a chegada de novos moradores, um núcleo habitacional consolidado. Com 217 edificações ocupadas por 638 habitantes que se distribuem em três núcleos separados pelas pistas da rodovia, o bairro se caracteriza pelas condições geomorfológicas serranas, recortadas por talvegues que conformam microbacias com vertentes de alta declividade, alto índice de pluviometria, alta capacidade de transporte de material (blocos e rochas). As edificações estão, em sua maioria, assentadas sobre depósitos de coberturas detríticas que chegam a 20m de espessura, em algumas situações, recobertos por bota-foras lançados durante a construção da Via Anchieta, que conformam áreas mais aplainadas e mais densamente ocupadas. As condições de acessibilidade ao núcleo são precárias, com vias locais que propiciam acesso às áreas de ocupação e retorno, a partir das pistas da via Anchieta. As principais vias internas são asfaltadas, o sistema de energia elétrica existente atende parte das moradias, sendo as demais abastecidas de forma irregular. O fornecimento de água é feito pelo Projeto Água Limpa, custeado pela prefeitura municipal, e apresenta séria vulnerabilidade em termos de contaminação e qualidade. Inexiste sistema de captação de efluentes domésticos, que é liberado nos córregos ou a céu aberto. A iluminação pública está implantada nos caminhos principais, e estão presentes serviços de transporte coletivo, rede de telefonia e pontos de coleta de lixo (caçambas). No local funciona uma escola municipal (1a a 4a séries) construída com recursos da Petrobrás. Os moradores locais criaram e mantêm operante uma Sociedade de Melhoramentos do núcleo, a SOMEC 400.
Cota 200: localizado no km 50 da via Anchieta em área desafetada do PESM em 1.994 e que permaneceu na posse do Estado de São Paulo, essa ocupação se estende paralelamente às margens das pistas ascendente e descendente da Via Anchieta e no entre vias. A área é recortada por inúmeras drenagens e apresenta declividades acentuadas, principalmente nas altas vertentes. Atualmente, conta com 2.130 edificações e 6.110 residentes. Também se constituiu a partir das obras da Via Anchieta, tendo o DER construído alojamentos e casas para seus funcionários, além de oferecer serviços como transporte gratuito, escolas, energia elétrica, saneamento básico, assistência médica. Com o término das obras, o DER desativou esses serviços, mas permitiu (informalmente) a permanência dos antigos ocupantes, que passaram à situação de desempregados ou trabalhadores temporários em outras obras do DER e na manutenção da Anchieta. Com a construção do pólo industrial e da rodovia dos Imigrantes, verificou-se forte adensamento da ocupação original, tendo seus habitantes desenvolvido uma tradição de lutas reivindicatórias para a obtenção de serviços básicos. Dessa forma foi obtida a rede de energia elétrica que atende parcialmente a população local, iluminação pública nos caminhos principais, rede de telefonia, transporte coletivo e pontos de coleta de lixo (sistema de caçambas, pois as deficiências do sistema viário local não permitem a circulação de caminhões). A rede de abastecimento de água é suprida pelo Projeto Água Limpa, com as deficiências já apontadas, inexistindo sistema de captação de esgoto, com o lançamento dos efluentes em córregos e a céu aberto. O bairro conta com escolas, municipal e estadual, e posto de saúde. A maior parcela das edificações é construída em alvenaria, sendo que em relação à parte significativa das mesmas fica evidenciada a precariedade, seja pela qualidade dos materiais, seja pelos defeitos construtivos, principalmente considerando-se a declividade, freqüentemente muito acentuada do local, e a fragilidade do terreno. Cerca de 20% das edificações estão construídas com materiais provisórios, concentrando-se nas áreas mais periféricas do núcleo, com declividade mais acentuada. A sociedade de melhoramentos local, a SOMEC 200, encontra-se operante.
Cotas 95/100: localizado no km 52/53 da pista ascendente da via Anchieta, em área desafetada do PESM que continuou pertencendo ao Estado de São Paulo, esta ocupação conta atualmente com 1.037 edificações ocupadas por 2.915 residentes, com padrão construtivo semelhante ao anteriormente indicado. Seu perímetro, de aproximadamente 27 ha, se caracteriza por ser recortado por inúmeros talvegues em vales encaixados, com declividades acentuadas, que também predominam nas altas vertentes, locais de ocupação com padrões mais precários. As primeiras ocupações datam da construção da via Anchieta, verificando-se maior adensamento com a construção da primeira pista da rodovia dos Imigrantes, com novos trabalhadores trazidos pelas empreiteiras, que se instalaram no local e lá permaneceram após sua desmobilização em 1.976. O bairro conta com rede de energia elétrica que atende parcialmente a população residente, iluminação pública nos caminhos principais, rede de telefonia, transporte coletivo e pontos de coleta de lixo. O abastecimento de água está a cargo do Projeto Água Limpa. Não existe sistema de esgotamento sanitário, nem equipamentos públicos voltados à educação e saúde. O bairro conta com uma sociedade de melhoramentos, a SOMEC 100.
Pinhal do Miranda: bairro localizado nos km 52/53 da pista descendente da via Anchieta, em área parcialmente desafetada do PESM que continuou pertencendo em grande parte ao Estado de São Paulo, que conta atualmente com 2.238 edificações e 6.357 residentes. Parte das moradias está em áreas da Companhia Santista de Papel – uma das indústrias pioneiras no município, num segmento de bairro denominado Fabril. A ocupação iniciou-se em áreas planas da Companhia e estendeu-se até a encosta da Serra, onde se localizam as ocupações mais recentes. O bairro é constituído por três setores: Pinhal do Miranda, Fabril e a área denominada Grotão. O primeiro apresenta topografia pouco acidentada e tem predomínio de moradias em alvenaria numa tipologia de ocupação adensada, sem vazios intersticiais. A faixa de domínio de oleoduto da Petrobrás, orientada norte-sul, delimita a ocupação a leste, constituída pelo setor Fabril, este também com declividades baixas e predomínio de domicílios em alvenaria. As vias principais desses dois setores são pavimentadas, permitindo o acesso de veículos particulares e de serviços; a maior parte das vielas e becos é também pavimentada. O sistema viário é o mais consolidado no contexto dos chamados “Bairros-Cota”, mas tem deficiências quanto ao estado de conservação. O terceiro setor é o mais recente, representando uma expansão do bairro no sentido oeste, nas vertentes do córrego do Grotão, em locais com declives acentuados. Este último setor tem condições de ocupação mais precárias, com menor proporção de domicílios em alvenaria, predominando domicílios em madeira aproveitada e material improvisado. As condições de acessibilidade são restritas. Parte do bairro (50%) é servida por rede da SABESP. Em setores onde não há rede oficial, o abastecimento se dá por sistema implantado pela Prefeitura de Cubatão. Há ainda sistemas de abastecimento individuais, com captação diretamente dos córregos. Não há rede oficial de esgotamento sanitário, sendo os efluentes lançados em fossas, diretamente nos córregos e ruas. A coleta de resíduos sólidos é realizada regularmente apenas na área central. No restante é recolhido em caçambas e retirado uma vez por semana. Nas áreas mais periféricas e com condições de acessibilidade limitada, a deposição do lixo é aleatória. Os córregos apresentam acúmulo de lixo de origem local e carregado a partir das Cotas 95/100. A iluminação pública é restrita às ruas centrais e é deficiente nas áreas periféricas, principalmente no Grotão. O sistema de energia elétrica apresenta abastecimento em situação irregular. O núcleo conta com uma sociedade de melhoramentos em operação.
Água Fria: localizado na margem direita do rio Cubatão, esse bairro conta atualmente com 1.352 edificações e 3.983 residentes e está próximo à captação de água da SABESP no Rio Cubatão, localizando-se integralmente dentro do perímetro do PESM. A ocupação antiga era constituída, principalmente, de sítios voltados à produção de bananas. Com a instalação da Cia. Santista de Papel S.A., na década de 1910, foram atraídos novos moradores, passando a região a ser conhecida como Companhia Fabril de Cubatão. A estrada principal, ao longo da qual se organiza o casario, não possui pavimentação, mas conta com iluminação pública, verificando-se a presença de rede de energia elétrica, de telefonia e coleta domiciliar de lixo nas áreas mais acessíveis e pontos de coleta por caçambas nos
demais. A rede pública de abastecimento de água é parcial (SABESP), sendo complementada por um sistema gerido pelos próprios moradores. Não existe sistema de coleta de esgoto nem equipamentos públicos de educação e saúde. O núcleo conta com uma sociedade de melhoramentos em operação.
Pilões: bairro localizado de forma lindeira à estrada de Itutinga-Pilões e expandindo-se no sentido da encosta da Serra do Mar e da margem direita do rio Cubatão, que conta atualmente com 660 edificações e 1.808 residentes. Está inserido em área de preservação ecológica segundo o Plano Zoneamento de Cubatão, além de, pelo menos em parte, ser área de proteção de mananciais. Pilões está assentado em terrenos particulares, pertencentes à Petrobrás, Sabesp e outros proprietários. As primeiras ocupações se deram na década de 1940, no início da construção do oleoduto, adensando-se com o incremento demográfico de Cubatão e ausência de alternativas habitacionais populares. A estrada de acesso possui pavimentação e iluminação pública, e o núcleo é servido parcialmente por rede de energia elétrica e de telefonia, pontos de coleta de lixo e transporte coletivo. Não há rede pública de abastecimento de água, sendo utilizado pelos moradores um sistema próprio de captação e distribuição. Não existe sistema de coleta de esgoto, com o lançamento dos efluentes em córregos e terrenos baldios e mangues. O principal equipamento social é um posto de saúde que também atende os moradores de Água Fria. O núcleo conta com uma sociedade de melhoramentos em atividade.
Sítios dos Queirozes: ocupação localizada no interior do PESM em sua porção lindeira à rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que teve início nos primeiros anos da década de 1.970, a partir de um loteamento irregular. É o menor dos núcleos, com exceção da cota 500, o mais recente e menos consolidado dos assentamentos localizados na área de intervenção do Programa. Com 152 edificações e 415 moradores, as construções se distribuem por um caminho que se afunila progressivamente, não possuindo nenhuma infraestrutura ou equipamento social. O abastecimento de água é realizado de forma precária por um sistema de captação e distribuição feito pelos próprios moradores, inexistindo coleta de esgoto. A energia elétrica é obtida por meio de ligações irregulares (gatos), que não abrange a iluminação pública, e a coleta de lixo é realizada com o uso de caçambas. As condições de habitabilidade são precárias e existe risco relacionado à proximidade da rodovia: acidentes, atropelamentos, contaminação por cargas perigosas. A comunidade recentemente organizou uma sociedade de melhoramentos.
Para o conjunto dos núcleos considerados, a prestação de serviços de saúde é precária e, da mesma forma que os demais serviços públicos, só foram obtidos com pressões reivindicatórias. A Prefeitura Municipal de Cubatão opera nos locais, por meio do Programa Saúde da Família (PSF), mediante atendimentos em Unidades de Saúde da Família localizadas na Cota 200 (que atende também a Cota 400), no Pinhal do Miranda (que atende os moradores das Cotas95/100), Água Fria (que também atende os moradores de Pilões) e Fabril (que atende moradores do Grotão e Pinhal do Miranda) – e visitas domiciliares da equipes de agentes do PSF- Programa de Saúde da Família. Na Cota 400, localiza-se a Escola Estadual Rural com atendimento de 35 alunos, e, na Cota 200, situam-se duas escolas, a Unidade Municipal de Ensino – UME Estado do Acre, com capacidade de atendimento de 250 crianças, e a Escola Estadual Professora Maria Helena Duarte Caetano, que atende 1.150 alunos (entre crianças, jovens e adultos). No núcleo Pinhal do Miranda localiza-se a Escola Municipal Estado de Alagoas, que atende 420 crianças e a Escola Estadual Eja Zenon, com capacidade para atender 1.800 alunos (entre crianças, jovens e adultos). O público dos demais núcleos desloca-se para essas unidades.
Em relação á caracterização da população residente nesses bairros, destaca-se a importância de classificá-la corretamente em relação à sua condição de ocupantes irregulares de área de preservação permanente (APP). Malgrado se tenha generalizado a prática das invasões, freqüentemente a partir de atitudes individuais ou grupais oportunistas, e também, freqüentemente, induzidas ou subsidiadas por interesses políticos clientelísticos, é fora de dúvida o fato de que esse grande contingente de pessoas foi empurrado para a situação anteriormente descrita pelo contexto socioeconômico e político-institucional.
Mostra-se também evidente que o poder público tem responsabilidade na existência e dimensão do problema, entre outros aspectos, pelo fato (i) de que sua política de controle do uso do território ter sido extremamente permissiva, tolerando o crescimento dos assentamentos e fornecendo serviços insuficientes e precários que induziram a uma adensamento ainda maior no contexto existente, bem como (ii) por sua inoperância na criação de alternativas habitacionais regulares.
Não pode ser subestimada, igualmente, a responsabilidade das grandes empresas que se instalaram no município de Cubatão. A construção e a operação das empresas atraíram grandes fluxos migratórios. As empreiteiras contratadas para implantação dessas grandes plantas industriais foram responsáveis diretas pelo maior afluxo de trabalhadores que, dispensados, permaneceram no local em ocupações irregulares, que progressivamente se transformaram em grandes bairros-favelas.
Nesse ponto cabe um comentário particular em relação ao Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo – DER, entidade responsável pela construção da via Anchieta nos anos da década de 1.940, assim como da rodovia dos Imigrantes três décadas depois. É da primeira dessas intervenções que se originaram os assentamentos atualmente objetos do Programa e, segundo os estudos existentes, assim como os depoimentos colhidos em campo, o DER não criou obstáculos à permanência de seus ex- contratados nos antigos acampamentos da obra, e se beneficiou com a permanência deles no local, pois passou a contar com a disponibilidade de trabalhadores treinados para a manutenção da rodovia e para novas intervenções na Baixada Santista. Esses primeiros moradores e seus descendentes são os que mais resistem à proposta de relocalização, pois não se vêem como invasores – nem favelados, estando no local há mais de três gerações.
Conforme será detalhado mais adiante, esses assentamentos se caracterizam como bolsões de pobreza que vivenciam concomitantemente situações de segregação espacial, privação social (precárias condições de moradia, propriedade, infraestrutura e de acesso a serviços), ao que ainda se adiciona a ocupação de áreas ambientalmente frágeis. Esta última situação resulta em condições de habitação muito precárias e a sujeição a riscos como enchentes, escorregamentos, doenças de veiculação hídrica, proximidade com focos de contaminação etc., ilustrando concretamente o conceito de vulnerabilidade socioambiental.
Figura 1: Vista Aérea da área de Intervenção com indicação dos núcleos habitacionais
Fonte: CDHU - Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar
2.2. Situações de Risco a que está Exposta a População
O Instituto de Pesquisa Tecnológica - IPT foi contratado pela CDHU (2007) para realizar um estudo de avaliação de riscos geológicos e geotécnicos para os bairros das cotas e Pinhal do Miranda. O resultado desse trabalho foi apresentado em três relatórios. Dois deles trazem a análise de riscos geológicos e geotécnicos para as Cotas 200, 95/100 e Pinhal do Miranda, classificando os diferentes setores de acordo com o grau de risco (muito alto, alto, médio e baixo), e o terceiro, analisando o conjunto de riscos ambientais que incidem sobre a Cota 400, por exigência da lei de desafetação (1994), como condição para a desafetação da referida ocupação. A conclusão do IPT foi desfavorável à desafetação da área, recomendando a remoção total desse último núcleo. Esses estudos demonstraram as fragilidades da Serra do Mar frente aos processos de intervenções produzidos pelo homem e os riscos inerentes à persistência das ocupações irregulares. Os principais riscos ambientais vinculados às ocupações irregulares, de acordo com os relatórios do IPT são os seguintes:
Riscos Geológicos e geotécnicos: uma junção de fatores tais como a alta pluviosidade (média de 3.500 mm/ano), altas declividades, solos de textura frágeis, rochas em processo de intemperização, fragmentos de rocha soltos etc., que fazem das escarpas da serra áreas
muito suscetíveis a deslizes e desmoronamentos, com potencial para causar grandes acidentes. O histórico da serra registra vários acidentes inclusive com vítimas fatais;
Riscos Hidrológicos: as altas precipitações associadas a altas declividades formam enxurradas com expressiva energia dinâmica e potencial para acidentes fatais, principalmente considerando ocupações muito próximas dos canais de drenagem naturais e dos múltiplos mananciais existentes;
Riscos Biológicos: a existência de populações vivendo muito próximas de ambientes naturais possibilita acidentes envolvendo a fauna e a flora silvestre, gerando também impactos negativos sobre o ambiente natural pela presença de animais domésticos, uso de produtos químicos e deságue de esgotos domésticos e águas servidas diretamente nos canais de drenagem;
Riscos tecnológicos: a proximidade com o sistema rodoviário Anchieta – Imigrantes, um dos mais movimentados do país, gera riscos potenciais de atropelamentos, derrame de produtos perigosos, inviabilização do acesso aos núcleos por interrupção das pistas, exposição a ruídos e cargas tóxicas;
Riscos socioeconômicos: as ocupações improvisadas e sem ordenamento urbano trazem uma série de conseqüências que potencializam as situações de risco já existentes com ações desestabilizadoras tais como cortes de taludes, ocupação de área de drenagem, desmatamento, entre outros, além de acarretar danos ambientais vinculados à constante expansão sobre as áreas naturais, tais como a existência de atividades ilegais (caça e retirada de plantas), incêndios, contaminação dos cursos d’água etc.
Foram identificados ainda diversos outros riscos com maior ou menor potencial de gerar acidentes à população e ao meio ambiente. Além de produzirem consequências diretas sobre os moradores, a atual forma de ocupação afeta diretamente a sustentabilidade do Parque, atentando contra seus objetivos e instalações. O estudo destaca ainda graves efeitos sobre a qualidade dos mananciais que garantem o abastecimento de água para a Baixada Santista, cujo sistema é operado pela SABESP. A Baixada Santista é uma região em franca expansão econômica e turística, e pólo de atração permanente de novos imigrantes. Sua população em 2006 era estimada em 1.653.026 habitantes1, montante que aumenta em proporções extraordinárias nos período de férias e feriados prolongados, cenário que cada vez mais requer provisão de água. Na seqüência, os riscos identificados em relação aos núcleos localizados em situação de serra, englobados no Programa, são apresentados, de forma individualizada.
Cotas 400/500: O Laudo do IPT concluiu que se configuram situações potenciais de alto risco, associadas à dinâmica territorial e socioeconômica da ocupação urbana em encostas serranas, às relações operacionais com a Via Anchieta e, ainda, associadas às atividades de manejo do PESM (Núcleo Iutinga- Pilões), onde o núcleo está inserido. Relacionados ao sistema viário se verificam ainda o risco de acidentes com cargas perigosas, atropelamentos, interrupção da rodovia por acidentes ou manifestações, além dos altos níveis de ruído e de emissões gasosas prejudiciais à saúde. Considerando o fato de a área integrar o PESM, existe risco de acidentes com a flora e a fauna silvestres, pois a interferência da população no ecossistema natural é prejudicial ao estatuto de conservação biótica que o parque prevê. Outros fatores de risco estão relacionados à falta de infraestrutura, com a incidência de doenças de veiculação hídrica. Também existem riscos geotécnicos pontuais, e, em períodos de chuvas intensas, as construções implantadas de forma irregular estão sujeitas a situações de escorregamento. A inexistência de rede regular de energia elétrica e o grande número de “gatos” também criam risco potencial de incêndio.
Cota 200: A área foi desafetada em 1994, com base em trabalho de avaliação de risco desenvolvido pelo IPT, cujo laudo considerou ser possível uma ação de regularização. Contudo, com o passar dos anos, o
1 Fonte: Fundação SEADE: projeção da população residente 01/06/2006.
núcleo cresceu além do limite de desafetação, e uma parte significativa das moradias terá que ser removida por se encontrar em área não desafetada e em áreas de risco geotécnico. O laudo, quanto a este aspecto, aponta situações de risco muito alto dado a instabilidade prevalecente. Existe também risco de incêndios no local, por causa da irregularidade da rede de energia elétrica e, principalmente, riscos associados à presença da rodovia, onde é alta a ocorrência de acidentes, tanto de atropelamentos como envolvendo veículos de carga.
Cotas 95/100: A área foi desafetada em 1994, mas a ocupação expandiu-se externamente aos limites de desafetação, principalmente nas altas vertentes, em áreas de risco geotécnico, verificando-se ainda riscos associados à proximidade da ocupação às pistas da rodovia.
Estima-se que, a partir das avaliações de risco realizadas pelo IPT (tendo-se considerado também os requerimentos para realização das obras), será necessário remover 2.995 edificações dos bairros cotas 200, 95/100 e Pinhal do Miranda (conforme Tabela 1, na seqüência), além da totalidade das edificações presentes nos bairros Cotas 400/500 (219), Água Fria (1.352), Pilões (660) e Sítio dos Queirozes (152), totalizando 5.378 edificações, o que representa 68,7% do montante cadastrado.
Tabela 01: Quadro de remoção por natureza do risco
Motivo da Remoção de ocupantes
Cota 200 Cota 95/100 Pinhal Nº %
171 158 178 507 17
221 167 0 388 13
252 130 574 956 32
76 50 204 330 11
646 0 0 646 22
0 76 0 76 2
19 31 42 92 3
1385 612 998 2995 100
Previsão de Remoção (Nº)
Ambiental Geoténicos
Tecnológicos
Em faixa de domínio da rodovia Entre vias da rodovia
Em área de segurança de L.T.
Em áreas requeridas por obras Total
Total
Outro Risco
Dentro do PESM
Em APP dos cursos d'água (15 m) Em áreas de instabilidade
Fonte: CDHU - Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar
2.3. Proposta de intervenção do Governo do Estado de São Paulo
Para resolver definitivamente a situação das ocupações irregulares da Serra do Mar e mitigar as ameaças à sustentabilidade do PESM, o Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cubatão numa primeira etapa e por intermédio de suas Secretarias especializadas e órgãos executores, formulou o “Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar”, para promover a erradicação dos núcleos habitacionais localizados dentro dos limites do Parque e a urbanização e regularização dos existentes nas áreas de amortecimento que foram desafetadas do PESM. Os principais objetivos do Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar2 são os seguintes:
2 Os objetivos e diretrizes citadas foram extraídos do Relatório Programa Serra do Mar – CDHU, Fev de 2008.
Restauração e conservação das funções ambientais de áreas inadequadamente ocupadas na região da Serra do Mar;
Adoção de medidas de prevenção aos riscos ambientais e de acidentes geotécnicos na Serra do Mar, bem como a eliminação dos riscos aos demais ecossistemas e à poluição dos mananciais regionais da Baixada, em especial o Rio Cubatão, e o complexo de manguezais do estuário;
Reassentamento habitacional, em bairros urbanizados, dos moradores das ocupações irregulares que deverão ser removidos, e urbanização das áreas de ocupação a serem consolidadas;
Articulação das ações habitacionais ao processo de gestão urbana, nas áreas de intervenção, com vistas à sustentabilidade socioambiental e econômica previstas na Agenda 21 do Município de Cubatão; e, finalmente,
Cumprimento de decisão judicial (processo nº 944/99), que determinou a erradicação, pelo Estado e Prefeitura municipal de Cubatão, dos assentamentos ilegais do PESM em Cubatão.
Com a premissa de “contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população da região e para a sustentabilidade social, econômica e ambiental das áreas de intervenção e de reassentamento”, os projetos específicos de intervenção foram concebidos observando as seguintes diretrizes:
Restauração, revitalização, requalificação e conservação de porções do território do PESM recuperados com a intervenção;
Urbanização e adoção de medidas de prevenção aos riscos ambientais e de acidentes geotécnicos nas áreas de recuperação urbana – áreas de consolidação;
Regularização Fundiária dos núcleos que passarão por processo de requalificação urbanística e, portanto, serão consolidados;
Atendimento habitacional às famílias cadastradas nas áreas de intervenção do Programa;
Implantação de projetos e equipamentos de educação socioambiental, de geração de trabalho e renda, de treinamento e capacitação profissional e desenvolvimento comunitário;
e,
Garantia da qualidade e a quantidade do abastecimento de água na Baixada Santista.
No detalhamento do Programa, a aplicação dessas diretrizes determinou a remoção total dos núcleos e das ocupações existentes nas áreas pertencentes ao PESM e a eliminação de todas as situações de risco identificadas nos núcleos desafetados da poligonal do Parque em 1994. As áreas liberadas de ocupantes serão recuperadas ambientalmente e reintegradas ao PESM, de acordo com as diretrizes de seu plano de manejo. Para os núcleos que integram as zonas de amortecimento do Parque, foram elaborados projetos de urbanização e requalificação urbana compatíveis com a localização estratégica que ocupam frente à unidade de conservação.
O Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar recebeu a designação de Programa Estratégico Prioritário e sua implantação está a cargo das Secretarias de Estado da Habitação e do Meio Ambiente, estando ainda diretamente envolvidas as Secretarias da Casa Civil, da Segurança Pública, do Saneamento e Energia, do Emprego e Relações de Trabalho, da Economia e Planejamento, da Saúde, Educação e da Cultura, dos Transportes Metropolitanos e dos Transportes, além da Procuradoria Geral do Estado e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.
A coordenação geral do Programa é realizada pelo Gabinete do Governador, por um assessor especial designado como Secretário (Coordenador) Geral do Programa. A ação coordenada do Estado de são Paulo é desenvolvida em três frentes: Estudos Básicos, Divulgação e Mobilização e Fiscalização e Controle, a seguir resumidas:
Estudos Básicos: Os estudos básicos em Cubatão incluem o trabalho de identificação e classificação das situações de risco, realizados pelo IPT, que definiram as áreas de remoção; os trabalhos de identificação e selagem das edificações e a pesquisa socioeconômica com a constituição do banco de dados da demanda do Programa; a elaboração do diagnóstico das comunidades; a formulação dos projetos básicos de urbanização e de construção de unidades habitacionais. O cruzamento dessas variáveis resultou na lista de famílias que serão retiradas das áreas de ocupação e reassentadas em novos bairros ambientalmente adequados. É importante destacar que apesar do número elevado de famílias que serão removidas, o reassentamento foi reduzido ao máximo permitido, considerando a responsabilidade do Estado de eliminar toda situação de famílias expostas a riscos e de garantir a integridade da unidade de conservação.
Divulgação e Mobilização: Desde o início dos trabalhos, a coordenação do programa vem realizando reuniões com lideranças locais e referentes das comunidades. Um marco importante do processo foi a publicação da lista preliminar de famílias que deverão ser retiradas e que garante o atendimento habitacional das pessoas removidas. As tarefas de divulgação e gerenciamento social passaram a ser desenvolvidas por uma equipe técnica social contratada pela CDHU, que mantém a presença institucional nas áreas por meio de um Núcleo de Atendimento em Cubatão e de três escritórios de apoio técnico (EAT) locais. Nos núcleos habitacionais que não possuem EAT, são realizados plantões semanais para atenção à população. Dentro da estratégia de mobilização e participação, está em processo, atualmente, a organização de Grupos Gestores que, em cada comunidade, serão os canais permanentes de diálogo entre a população e os responsáveis pela intervenção. Até julho de 2009, cinco dos sete núcleos objetos do Programa já contavam com Grupo Gestor formalizado e nos outros dois o processo foi iniciado, mas ainda não concluído.
Fiscalização e Controle: as primeiras medidas tomadas na área de intervenção foram a proibição de qualquer obra que aumentasse a área construída existente e o incremento da fiscalização realizada pela Polícia Militar Ambiental. Terminada a fase de identificação e selagem das edificações foi realizado o congelamento das áreas a cargo do Comando de Policiamento Ambiental e do Comando de Policiamento do Interior, sediado em Santos. Essa operação compreende três níveis de prevenção: a) Primária:
voltada para ações informativas e educativas; b) Secundária: já envolvendo ações policiais ostensivas tais como patrulhamento, controle de acesso e buscas direcionadas, e c) Terciária: lavratura de autos de infração ambiental, condução ao Distrito Policial, denúncia ao Ministério Público, apreensão de equipamentos e materiais, e embargos e suspensão de atividades. A fiscalização e o controle realizado pela Policia Militar Ambiental se mantém de forma bastante ostensiva e eficiente, conseguindo manter sob controle a expansão das ocupações, exceto no núcleo de Pilões, constituído de terrenos particulares em relação aos quais a Polícia Ambiental não possui o mesmo mandato de intervenção.
Destacam-se ainda os seguintes avanços na implantação do Programa:
A SH/CDHU completou os projetos básicos de infraestrutura e urbanização para a Cota 200, Cotas 95/100 e Pinhal do Miranda e para a construção das unidades habitacionais do Jardim Casqueiro – Residencial Rubens Lara (1.840 UH's), do Bolsão 9 (1.154 UH's) e do Bolsão 7 (600 UH’s); licitou os projetos executivos, obras e serviços das intervenções mencionadas e já contratou os serviços e obras do Jardim Casqueiro e Bolsão 9.
Na área financeira, foi aprovada a Carta Consulta à COFIEX autorizando às negociações de recursos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID);
O prazo previsto de implantação do programa é de três anos a partir de 2010, mas, considerando as ações que já vêm sendo desenvolvidas desde 2007, o Programa consumirá, de fato, seis anos para sua implantação. Considerando um prazo de construção de até 18 meses para as novas unidades habitacionais, os processos de remoção e reassentamento das famílias das áreas de intervenção estão previstos para 2010. Ainda em 2009, será possível a
utilização de algumas unidades adquiridas pela CDHU em fase final de construção em outros municípios e das cartas de crédito. Para utilização dessas alternativas, deverão ser estabelecidas prioridades, incluindo a liberação das áreas requeridas para as obras de acesso às áreas de urbanização e do início do Jardim Botânico, a ser implantado em Cubatão, que deverão ser iniciadas ainda em 2009.
2.3.1. Detalhamento das ações do Programa
Os núcleos existentes no Município de Cubatão dentro dos limites do PESM com proposta de remoção integral são: Cota 500, Cota 400, Água Fria e Sítio dos Queirozes. O núcleo de Pilões também será removido apesar de se localizar fora da área do PESM, pois ocupa área de amortecimento do Parque, considerada como de preservação ecológica pela Lei que institui o Plano Diretor do Município de Cubatão3. Os núcleos das áreas de amortecimento do PESM com proposta de urbanização e retirada de parte de seus ocupantes são: Cota 200, Cotas 95/100 e Pinhal do Miranda.
Os projetos, a seguir detalhados, foram desenvolvidos com o objetivo de também contribuírem para o desenvolvimento de novas condições de sociabilidade e sustentabilidade. Na Cota 200, prevê-se a construção de dois mirantes, uma área de eventos com marquise, edifício de uso social, quadra poliesportiva e praças. O bairro terá acesso único à via Anchieta por um viaduto. Nas Cotas 95/100 e em Pinhal do Miranda foram projetadas as construções de um parque linear em APP nas cotas (ao longo de um curso d’água), de um parque no Pinhal do Miranda, ambos com quadras poliesportivas, play-ground e praças, um terminal de ônibus e um centro de eventos. O acesso aos bairros será único, por uma passagem subterrânea sob a via Anchieta.
Outra inovação nos projetos de urbanização voltada a incrementar a segurança dos moradores é a introdução de áreas de encontro, que criam espaços de amortecimento na junção das vias destinadas a pedestres (ruelas e escadarias) e as carroçáveis. Esses espaços receberão tratamento paisagístico para se transformarem em pequenos largos ou praças.
Também será incorporado aos projetos de urbanização um plano de sustentabilidade geotécnica destinado a garantir a segurança das edificações e evitar a ocorrência de acidentes geológicos. O plano contempla quatro ações preventivas voltadas a:
Redução da infiltração, que se realizará pela implantação de um sistema de drenagem superficial, da impermeabilização de todo espaço público, da efetiva manutenção dos sistemas de água e esgotamento sanitário, da eliminação das fossas de infiltração e da implantação de drenos horizontais profundos, permitindo o limite máximo de 1/3 das áreas não edificadas dos lotes em condições naturais;
Estabilização dos taludes, pela impermeabilização dos taludes potencialmente instáveis, da drenagem das estruturas de arrimo e taludes impermeabilizados, e da revegetação de terrenos livres sem problemas de instabilidade;
Monitoramento geotécnico, com a instalação de uma rede de piezômetros e inclinômetros cobrindo toda a área de influência dos núcleos consolidados;
Regulamentação constituída de normas técnicas, adequadas para todas as obras civis, a ser oferecida à Prefeitura Municipal, e apoio à implantação de fiscalização ostensiva de seus cumprimentos, com a previsão de multas e penalizações.
3 Lei Complementar 2512 de 10/09/1998.
Para atender à população que será reassentada, o Programa contará: (i) com unidades que serão construídas nos Municípios de Cubatão, Santos e São Vicente; (ii) com unidades adquiridas da Caixa Econômica Federal (CEF) pela CDHU, vinculadas ao programa PAR (Programa de Arrendamento Residencial) do Governo Federal, disponíveis nos municípios de Peruíbe, Itanhaém e Praia Grande, na Baixada Santista, Cotia e Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Estas unidades estão em fase final de construção e readequação aos novos padrões de uso (pois foram implantadas há já alguns anos e permaneceram inconclusas e desocupadas; (iii) unidades da CDHU em fase final de construção em Guarulhos e São Paulo, também na RMSP.
A construção das unidades em Cubatão, em três áreas - Jardim Casqueiro, Bolsão 9 e Bolsão 7- praticamente ocupam os últimos terrenos disponíveis no município para a construção de habitação de interesse social e, em termos de localização, beneficia a população que será reassentada, por estarem mais próximos ao centro administrativo e de serviços do município e, principalmente, às oportunidades de trabalho. Também a construção de UH’s em Santos e São Vicente, responde a uma maior proximidade com os locais de trabalho.
As novas diretrizes adotadas pela Secretaria da Habitação para os projetos habitacionais do Estado irão facilitar o processo de atendimento dos diferentes segmentos sociais, além de respeitar os padrões culturais dos locais de intervenção. Essas alterações se relacionam principalmente ao conceito de construir novos bairros e não apenas conjuntos habitacionais isolados, o que, na prática, implica na construção de equipamentos sociais de serviços e lazer, na existência de áreas para comércio e serviços, no tratamento dos espaços públicos, arborização, paisagismo etc.
Dentro dessa mesma linha, se destacam ainda a existência de unidades de tipologias diferenciadas, de dois e três dormitórios, dispostas em condomínios horizontais e verticais, com diferentes modelos de construção: edifícios com ou sem elevador, sobre pilotis ou não, casas sobrepostas, sobrados individuais e de uso misto (residencial e comercial), o que facilita o processo de remoção e reassentamento, por responder de maneira mais adequada às necessidades e particularidades dos diferentes grupos sociais identificados nas áreas de intervenção.
Outras inovações compreendem unidades terminadas com azulejo e piso cerâmico nas partes molhadas, elevação do pé direito, disponibilidade de vaga para autos, além de equipamentos que visam diminuir os custos dos serviços e contribuam para a sustentabilidade dos novos condomínios, tais como: energia solar para aquecimento de água, medidores individuais de água, revestimento externo impermeável (pastilha), no caso de edifícios, e janelas mais amplas para aumentar a iluminação natural.
Apresentam-se, na sequência, os planos e projetos elaborados para o componente habitacional do Programa
2.3.1.1. Planos de Urbanização
Como visto, os planos de urbanização envolvem partes dos bairros Cotas 200, 100/95 e o de Pinhal do Miranda/Fabril, que se inserem em Zona de Interesse Público destinadas à habitação de interesse social, no zoneamento do Plano Diretor do Município. Os principais critérios de projeto adotados em todas as intervenções correspondem a condições de acessibilidade e trafegabilidade. Os projetos consideram a restrição ao uso da rodovia pelo tráfego local, garantindo acessibilidade, com segurança, às zonas de ocupação, com a implantação de dispositivos de transposição das pistas da Via Anchieta, em desnível, dando condições de acesso às áreas de ocupação (dispositivo elevado no acesso ao Bairro Cota 200 e passagem inferior entre os bairros cotas 100/95 e Pinhal do Miranda). Com esses dispositivos, serão eliminados os atuais acessos diretos de vias locais, a partir da rodovia, melhorando as condições de segurança dos moradores e dos usuários da rodovia. É ainda prevista implantação de via perimetral, com
acesso à fiscalização das áreas urbanizadas, visando delimitar claramente o espaço de ocupação antrópica, e evitar novas ocupações no Parque Estadual da Serra do Mar.
Áreas de Urbanização: os projetos básicos de urbanização obedeceram à definição das áreas de intervenção conforme os parâmetros acima citados, além de uma faixa de, no mínimo, 15m interna ao perímetro da área desafetada, para implantação da via perimetral de fiscalização. No interior das áreas desafetadas, é prevista a remoção das edificações instaladas em:
Áreas de risco muito alto (R4 e R34) e/ou que demandam soluções de contenção de alto custo;
Na faixa de proteção dos cursos d água, foi liberado espaço de, no mínimo, 15m5 em cada margem, conforme legislação de proteção às Áreas de Preservação Permanente em áreas urbanas já ocupadas;
Na faixa de domínio de linhas de transmissão, foi liberado espaço total de 16m, conforme definição da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL);
Na faixa de domínio da Via Anchieta, as áreas liberadas compreendem 30m de recuo das margens da rodovia;
Os critérios de remoção incluíram também os casos necessários à viabilização das intervenções propostas, principalmente no que se refere à adequação do sistema viário. Os Projetos Básicos das áreas de urbanização contemplaram:
A requalificação do sistema viário, conforme item acima, propiciando acesso a todas as edificações, mesmo que apenas por vias de pedestres, com abertura e distribuição de vias passíveis de receberem veículos de maior porte de forma a atender todos os setores de ocupação (coleta de lixo, ambulância, bombeiro etc.). A este sistema viário estão associadas às redes de infraestrutura básica (energia, drenagem, abastecimento de água, e esgotamento sanitário);
A execução de obras de contenção, onde necessário, e a implantação de plantios de proteção em taludes de corte e aterro;
A implantação de áreas verdes e de lazer, mirantes, equipados com mobiliário urbano e arborização;
A implantação de edificações destinadas a usos institucionais e comunitários, previstos com tipologias que permitem sua adequação a usos diversificados, em função de demandas a serem definidas com a comunidade e com a Prefeitura Municipal (Escola, Creche, Posto de Saúde, Posto Policial, Centro Comunitário e outros).
Destaca-se que a maior densidade de vias recuperadas e implantadas, além de garantir melhor acessibilidade aos moradores, deverá contribuir numa futura regularização fundiária dos locais de intervenção.
Infraestrutura Básica: os projetos executivos para o abastecimento de água e a rede de esgotamento sanitário nos bairros a serem urbanizados prevêem uma rede de abastecimento d’água a partir da adutora do Rio Pilões, que contará com novos ramais, linhas de recalque e reservatórios elevados. O esgotamento sanitário será tratado na ETE – Estação de Tratamento de Esgoto Sanitário, em Cubatão, já existente e operada pela SABESP.
Bairro Cota 200: a intervenção na área considera a remoção de 1.366 edificações, dos quais 1.310 são domicílios, e a permanência de 766 edificações dos quais 716 domicílios. Com estas intervenções, a urbanização do bairro ocorrerá apenas nos setores ao norte da pista ascendente da Via Anchieta.A acessibilidade será propiciada por segmentos de vias marginais às pistas da rodovia que condicionam o
4 Laudo IPT
5 Legislação ambiental para áreas urbanas
acesso às áreas de ocupação e por viaduto elevado que irá possibilitar condições de retorno. A este dispositivo interliga-se o principal eixo viário (Via Coletora), que percorrerá a vertente em seu terço inferior e ao qual se interligarão as vias locais e as vielas de pedestres. A disposição da via coletora, dimensionada para tráfego de veículos coletivos e caminhões, faz com que seja previsível (e desejável) o reforço de usos comerciais e de serviços ao longo de seu percurso. A via também interliga dois equipamentos comunitários, projetados para reforçar centralidades locais:
Um centro esportivo e de lazer, situado na porção leste do bairro, aproveitando quadra de jogos existente, mas atualmente sem infraestrutura de apoio. O projeto prevê pequenas arquibancadas, cobertura com uso polivalente, vestiários, salas para usos comunitários a serem definidos, praça com play-ground, arborização, mobiliário urbano.
Na porção oeste do bairro, foi projetada praça de eventos organizada em dois níveis, aproveitando as condições topográficas locais. Conta com marquise (450 m²), sanitários, quadra poliesportiva, praça de eventos, estacionamento, mobiliário urbano, arquibancada, constituindo um complexo com cerca de 1.400 m².
No conjunto do bairro, pequenas áreas de encontro e mirantes serão ainda implantadas, aproveitando- se locais livres de ocupação e as condições paisagísticas excepcionais da área, assim como é prevista uma edificação para uso comunitário. Todas as áreas liberadas das ocupações serão limpas, após o processo desconstrução das edificações desocupadas, e receberão um tratamento para a recuperação florestal.
Bairros Cotas 100/95 e Pinhal do Miranda/Fabril: estes bairros constituem um conjunto interligado e, em parte, têm ocupação consolidada, onde se concentram os equipamentos de comércio, serviços e institucionais. A intervenção na área considera a remoção de 1.656 edificações, das quais 1.559 são domicílios, e a permanência de 1.670 edificações dos quais 1.579 domicílios. A acessibilidade aos setores que serão urbanizados será assegurada pela implantação de vias marginais às duas pistas da rodovia, com transposição destas por passagem inferior. São as seguintes as principais intervenções urbanísticas previstas:
Bairro Cotas 100/95: ao sistema de acesso marginal à via Anchieta deverão conectar-se duas vias “coletoras” de acesso às áreas de ocupação, e o novo sistema viário terá extensão de cerca de 1.200m e vielas de pedestres com extensão da ordem de 2.900m. É previsto um terminal de ônibus, em área com topografia favorável, associado a edifício para usos comunitários e praça, constituindo um conjunto de facilidades no acesso ao bairro. É proposto ainda um parque linear nas margens do principal talvegue que cruza a área, contemplando áreas de lazer, equipamentos esportivos, recuperação da vegetação das vertentes e da formação de mata ciliar, edificações para uso institucional e comunitário.
Foram ainda reservadas duas glebas com cerca de 2.400m² cada, para uma possível e futura implantação de edifícios habitacionais ou para outros usos.
Bairro Pinhal do Miranda: no setor nordeste desse bairro de ocupação mais antiga e consolidada, a remoção de edificações será relativamente pequena e associada à liberação da faixa de domínio da rodovia e de APP. Entretanto todo o setor sul, nas vertentes do córrego do Grotão, de ocupação mais precária e de Risco R4, será integralmente removido. A proposta urbanística para o setor remanescente considera a hierarquização e melhoria da malha viária existente e a implantação de parque linear ao longo do talvegue que cruza o bairro, parcialmente canalizado, a ser equipado com áreas de lazer, duas quadras esportivas, play-ground, mobiliário urbano e arborização.
Fabril: prevê-se a readequação do sistema viário e a implantação de praça de eventos, com marquise de 100m², em área plana, atualmente utilizada como terminal de ônibus, situada limítrofe à escola Estadual. É também previsto o tratamento das margens do córrego que cruza o bairro, apenas parcialmente canalizado. Este segmento do bairro Pinhal do Miranda merecerá estudo conjunto com a Prefeitura de Cubatão, considerando que a área ocupada é de propriedade da Companhia Santista de Papel.
As áreas desafetadas em que será mantida parte da população têm condições de regularização fundiária.
Na ausência da possibilidade de uso de outro instituto jurídico de propriedade ou posse, os moradores assentados em área pública poderão receber concessão de uso especial para fins de moradia, instrumento regulamentado pela Medida Provisória n.º 2.220, de 2001. Essa concessão tem características semelhantes a um título de posse, podendo ser registrada no cartório de registro de imóveis e prevê o direito sucessório. As áreas privadas estão sujeitas ao instrumento jurídico da usucapião urbano, que poderá ser individual ou coletivo, e a solicitação judicial da usucapião deverá ser parte do processo de regularização das áreas (Lei Federal no. 10.257 de 10 de julho de 2001- Estatuto da Cidade).
2.3.1.2. Planos e Projetos de Reassentamento em Cubatão
As limitações do meio físico e as limitações ambientais, assim como a tipologia da ocupação por equipamentos industriais de grande porte condicionam a descontinuidade da trama urbana e levam a que as raras áreas disponíveis para reassentamento se localizem de modo afastado do centro da cidade.
Residencial Rubens Lara – Jardim Casqueiro: o bairro situa-se na porção meridional do município, na divisa com o Município de Santos. Tem uma ocupação consolidada, apresentando ainda grandes vazios intersticiais, um dos quais a ser ocupado pelo Residencial Rubens Lara. A ocupação atual é predominantemente residencial unifamiliar, com um setor industrial, de comércio e serviços assentado sobre a via local marginal à Via Anchieta e à interligação Anchieta-Imigrantes. A acessibilidade está restrita a um único acesso, no Km 58 da Via Anchieta, com viaduto de transposição para a pista ascendente da rodovia, dirigida para o centro urbano de Cubatão. O tráfego nesta interligação já está saturado nos horários de pico, sendo que o aumento de população em decorrência da implantação do empreendimento pode agravar as condições de acessibilidade ao conjunto. A construção de um novo acesso ao bairro já está sendo estudada pela Secretaria dos Transportes e deverá ser construído concomitantemente com as obras do Residencial.
A concepção do Plano do empreendimento define 10 quadras, organizadas a partir de uma via principal que interliga as zonas de ocupação limítrofes. A esta via estão conectados os sistemas locais, que garantem acesso aos setores de ocupação. A distribuição das áreas públicas atende às determinações da legislação federal e municipal relativas ao parcelamento do solo urbano, cabendo destacar que as áreas verdes e institucionais estão organizadas de forma a atender ao conjunto da área. Este procedimento resultou em áreas verdes e institucionais com dimensões adequadas à demanda por equipamentos sociais e de lazer. As áreas verdes totalizam aproximadamente 28 mil m² (14,3% da área total da gleba).
O projeto paisagístico do empreendimento foi analisado pelo DEPRN – Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais -, e passou a integrar Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA). As Áreas Institucionais estão organizadas em oito lotes, distribuídas ao longo do sistema viário principal, perfazendo um total aproximado de 16mil m² (8,3% da área total da gleba). A destinação