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A PALAVRA DE DEUS CELEBRADA

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Academic year: 2021

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1 A PALAVRA DE DEUS CELEBRADA

“Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora a nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio de seu Filho”(Hb 1, 1-2). Nele “realizou-se nossa perfeita reconciliação e nos foi dado acesso à plenitude do culto divino”(SC 5).

“Na celebração litúrgica é máxima a importância da Sagrada Escritura. Pois dela são lidas as lições e explicadas na homilia e cantam-se os salmos. É de sua inspiração e bafejo (sopro, alento) que surgiram as preces, orações e hinos litúrgicos, e é dela também que os atos e sinais tomam sua significação. Portanto para cuidar da reforma, progresso e adaptação da sagrada liturgia, é necessário que se promova aquele suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura que é confirmado pela venerável tradição tanto dos ritos orientais quanto dos ocidentais (SC 24).

“A Igreja sempre venerou as Escrituras divinas, como venerou ao próprio corpo do Senhor, porque, de fato, principalmente na sagrada liturgia, não cessa de tomar e entregar aos fiéis o pão da vida, da mesa tanto da Palavra de Deus como do Corpo de Cristo. (Dei Verbum, 21).

Começando a conversa

Nas celebrações litúrgicas sempre encontramos a leitura e interpretação das Sagradas Escrituras. Após o Concilio Vaticano II a liturgia da palavra é parte integrante e, em nenhuma celebração cristã, ela poderá faltar. Ela constitui a dinâmica ritual do diálogo da aliança de Deus com seu povo.

Lembramos que a Bíblia é a memória escrita dos fatos que foram acontecendo no dia a dia do povo de Deus; é o reconhecimento dos ‘passos de Deus’ na trajetória do povo (êxodo, exílio, volta do exílio). Antes de serem escritos estes fatos foram vividos e contados oralmente, de geração em geração.

A Sagrada Escritura é a grande testemunha de que Deus sempre fala a seu povo reunido. São várias e significativas as grandes assembleias convocadas por Deus (Qahal) na Primeira Aliança para falar e educar o povo em seu projeto de vida e libertação: Êxodo 19-24, Neemias 8,1-12... entre outras. Hoje quando lemos estes textos buscamos um sentido por trás das palavras. Esta Palavra escrita, quando proclamada em assembleia, tem a força de colocar o povo na presença de Deus, suscitando reverência e uma adesão vital.

São momentos em que o povo entra como parceiro da Aliança: reúne-se a partir da convocação de Deus, escuta, compreende, responde e sela com um sinal de adesão à proposta de Deus. Cada uma destas assembleias constitui uma celebração, com vários elementos rituais.

E o que é celebrar? É realizar uma ação comunitária, festiva, que torna inesquecível, “célebre” um acontecimento ... é destacar da rotina do cotidiano, é ressaltar o significado profundo que tem um acontecimento ou pessoa para a vida de um grupo. É uma ação simbólico-ritual, celebramos com

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2 sinais sensíveis: símbolos, gestos, palavras, cantos, silêncio, espaço, tempo... que ritualizam um acontecimento significativo.

Considerando sob o ponto de vista antropológico, todo o relacionamento de valor (casamento, adesão a um grupo...), um negócio, parceria no comércio, na política, numa associação, se realiza após longa conversa, discussão, troca de ideias, antes da celebração e de concretizar um vínculo.

Hoje vamos aprofundar a celebração da Palavra de Deus para a nossa vida cristã.

A Leitura da Escritura na Celebração Litúrgica

No evangelho, iniciando sua ação ministerial, Jesus entra em dia de sábado o na sinagoga de Nazaré, faz a leitura de Isaias e a comenta, a interpreta numa ação litúrgica. Ele não está no Templo. Está na sinagoga com seus irmãos em oração, em dia de sábado (cf. Lc 4,16-21). Jesus sente-se membro daquele corpo histórico, participante daquela comunidade reunida para a escuta de Deus.

Podemos dizer que o que Jesus realiza na liturgia da sinagoga de Nazaré é a instituição da liturgia cristã da Palavra.

Seu primeiro gesto público é uma leitura da profecia de Isaias que lhe colocaram na mão e Ele lê, proclama dentro de uma ação ritual: “O Espírito do Senhor está sobre mim”(Is 61,1).

O Espírito Santo que desceu sobre Ele no batismo do Jordão, conduziu-o pelo deserto onde enfrentou as tentações e o conduz também na leitura e interpretação da Escritura. Ele, o Verbo encarnado, a Palavra do Pai, torna-se o princípio do livro no qual está escrita a vontade do Pai. “Ele é a PALAVRA que lê as Escrituras”, nos diz Boselli1

Este exemplo que Cristo deu, lendo a passagem da Escritura na celebração sinagogal, a Igreja pode professar no Concílio Vaticano II : “é ELE (Cristo) que fala quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura” (SC 7) e “na liturgia, Deus fala a seu povo, Cristo anuncia ainda o evangelho” (SC 33). São palavras conciliares que mostram a centralidade da leitura das Escrituras na assembleia litúrgica.

Dois textos bíblicos nos apontam a dinâmica ritual, o sentido teológico e o valor espiritual que a Escritura tem na liturgia cristã: o texto de Lc 4, 16-21, com a profecia de Isaias que Jesus lê na sinagoga e o texto de Neemias 8,1-12 na 1ª Aliança. Eles nos trazem elementos fundamentais e constitutivos da Palavra de Deus celebrada: a) a comunidade reunida em assembleia; b) o livro das Escrituras Sagradas e a Palavra proclamada e interpretada; c) a pessoa que proclama a leitura, salmista, cantores... ministérios litúrgicos; d) a atenção à nossa realidade.

Na interação destes elementos, a Palavra de Deus torna-se acontecimento de salvação, evento eficaz, uma ação sacramental. Faz acontecer aquilo que anuncia: realiza nossa transformação pascal (cf. IELM 47). O que Deus fala, acontece. (DABAR) É ação criadora, libertadora, santificadora.

1- A COMUNIDADE REUNIDA EM ASSEMBLEIA:

O primeiro elemento litúrgico é a comunidade dos fiéis reunidos em assembleia. São ouvidos que escutam. Não é qualquer aglomerado de gente, mas pessoas reunidas pela fé em Jesus Cristo, que

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3 aceitaram seu evangelho, são animadas pelo Espírito Santo para compreenderem e viverem o memorial de sua páscoa e darem testemunho dele. Povo sacerdotal pelo batismo. Trata-se de uma comunidade de fé consciente, participativa e comprometida com a transformação de si e do mundo. É o Corpo eclesial de Cristo, Sua presença ressuscitada na reunião dos irmãos e irmãs, sacramento primordial dele na Igreja. (cf. CNBB,doc.108, n.111)

No texto de Neemias 8,1 a assembleia está em plena comunhão: “...Todo o povo, como se fosse uma única pessoa, se reuniu na praça que fica em frente à porta das Águas”. A consciência de ser povo de Deus, a unanimidade de espírito e a busca comum de ouvir e seguir o que Deus iria propor, unia profundamente as pessoas presentes.

Participar da liturgia sem participar ativamente da vida e missão da Igreja, significa não compreender o evangelho de Jesus Cristo e a liturgia celebrada em sua memória.

É bom pensar: Nossas assembleias litúrgicas são iniciadas na fé e recebem a formação cristã e o acompanhamento necessários? São comunidades engajadas no serviço à vida pela caridade, pela atuação social, econômico-política, ecológica em vista da humanização?

Os ritos iniciais têm como finalidade, “fazer com que os fiéis reunidos constituam uma comunidade celebrante (corpo eclesial de Cristo), disponham-se a ouvir a Palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia.” (IGMR 46).

Como são realizados os ritos iniciais: a organização do espaço, a acolhida, o canto e a procissão de abertura, a saudação inicial e o sinal da cruz, a recordação da vida e o sentido da celebração, o momento penitencial ou batismal, o hino de louvor e a oração do dia? A assembleia torna-se povo sacerdotal, celebrando com Cristo e no Espírito Santo o mistério de sua Páscoa? O que precisa ser melhorado para que isto aconteça neste momento ritual? Neste tempo de pandemia, como estamos considerando a assembleia litúrgica? Apenas pessoas isoladas, assistentes pelo vídeo, pela TV, sem congregar?

2) O Livro das Escrituras e a Palavra proclamada e atualizada.

Conforme o texto de Lucas, o segundo elemento da liturgia da Palavra é o livro das Escrituras: “Jesus levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o rolo do profeta Isaías. Abriu o rolo...”(Lc 4,16-17). Trata-se de um texto escrito, que não pertence a quem lê, mas à comunidade, guardiã apropriada da Palavra.

Como o rito prevê, o rolo é entregue ao leitor Jesus por um servente, um ministro. E após ter lido, Ele “fechou o livro, entregou-o ao ajudante”. (Lc 4, 20). O mesmo se dá na liturgia da Palavra, hoje. O Lecionário é colocado no ambão onde a pessoa que lê, recebe a Palavra em suas mãos. Ela não escolhe o texto a ser lido, mas recebe a perícope organizada pela Igreja no Lecionário/Evangeliário. Terminada a leitura quem lê não leva o livro consigo, mas junto com a Eucaristia, permanece na comunidade.

A visibilidade do livro da Lei do Senhor é bem destacada no texto de Neemias 8, 2.4-6. “O povo pede que Esdras, doutor da lei, levasse o livro de Moisés, que Deus tinha dado a Israel. Então o sacerdote Esdras levou o livro da lei até a presença da assembleia”. Ele sobe à estante e lê o livro; os

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4 ministros interpretam e explicam, atualizam; o povo aclama, ora, chora, louva ...E termina numa grande festa realizada nas casas com familiares e vizinhos.

Hoje, na liturgia cristã o Lecionário/Evangeliário que representam a identidade da comunidade, também recebem lugar e gestos que expressam a superioridade da Palavra de Deus sobre a palavra humana e está destinada a todas as pessoas que se abrem à aliança com Deus. É Palavra do Senhor! É Palavra da Salvação!

Trazer o livro bem conservado e com muito respeito na procissão de entrada, colocá-lo na mesa da palavra ou ambão, ou no altar (Evangeliário), ter uma boa proclamação, ser apresentado ou beijado no final, são gestos que criam nos ouvintes a atitude de reconhecimento e de relação de discípulo/as do Senhor que fala, propondo seu projeto.

Segue daí a importância do ministro/a que proclama a Palavra. Proclamar é dar vida ao texto. Não é uma simples leitura. Como nos diz a Ione Buyst2,

o texto recebe um “corpo”, uma alma, uma voz, um rosto, um sentimento...ressoa no espaço. Entra em nossos ouvidos, provoca pensamentos e emoções. Deixa-nos alegres ou preocupados, nos interpela, nos questiona. Cria comunhão com quem fala e com quem recebe a mesma mensagem. Ouvidos e corações atentos acolhem a Palavra proclamada e deixam que criem raízes e dê frutos.

A pessoa que proclama coloca-se a serviço de Jesus Cristo que, através da sua leitura, da sua voz, da sua comunicação... quer falar pessoalmente com o seu povo reunido. "Presente está pela sua Palavra, pois é ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja".

A presença de Jesus Cristo pela sua Palavra é uma presença simbólico-sacramental. Passa pelos sinais sensíveis: o/a leitor/a, a leitura, o tom de voz, o lugar da proclamação, a comunicação entre leitor/a e ouvintes, a disposição em ouvir da parte da assembleia...

Além de uma proclamação viva e clara é preciso que os textos bíblicos sejam interpretados. Na sinagoga após ler, fechar o livro e entregá-lo ao encarregado, Jesus faz a interpretação da leitura. E todos ficaram com os olhos fixos nele... No relato de Neemias, o povo que voltava do exilio não mais compreendia a linguagem do texto lido, houve levitas que em pequenos grupos faziam a interpretação, ajudando as pessoas a compreenderem e acolherem a proposta de Deus.

Pela homilia “restaurada como parte da ação litúrgica”, pelo Concílio Vaticano II, que sugere uma conversa familiar, a leitura recebe saborosa e necessária atualização no hoje da história e da vida da co-munidade. (Cf.IELM,41). É nela que se tecem, num diálogo fraterno, as relações entre fé e vida, liturgia e vida. Para isto é necessário uma boa exegese e de um olhar teológico sobre a realidade atual, que ajudem a situar bem os textos no contexto biblico: social, econômico, político, cultural em que foram escritos e fazer a interpretação, considerando a vida da comunidade e do mistério que está sendo celebrado.

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5 Interpretar é entrar no texto bíblico, com todo o nosso ser, nossa carga cultural, procurar compreender, a partir de Deus, de Jesus Cristo e encontrar uma luz para nossa vida. Bíblia e vida dialogam entre si; interpretam e explica-se mutuamente: formam um “círculo hermenêutico”3.

Não somente quem faz a homilia, mas também os leitores e salmistas interpretam a Palavra, simplesmente pelo fato de proclamá-la. Através destes ministérios, é Cristo que anuncia sua Palavra sempre nova e faz acontecer um novo encontro.

Baseado na Celebração da Aliança do 1º Testamento, o Concílio Vaticano II restaurou para a missa, a relação antiga entre as duas mesas: a mesa da Palavra e a mesa da Ceia eucarística, que “formam juntas um só ato de culto”. (SC 56; cf.IELM 10). Na primeira mesa a aliança é proposta por Deus, proclamada (leituras, homilia) e a assembleia escuta e responde com a profissão de fé e as preces suplicando a vinda do Reino. (cf.IELM 45). Na segunda mesa, a aliança é renovada, selada, efetivada no memorial da páscoa do Senhor com o pão e o vinho que serão repartidos entre todos (cf IELM, 44).

São significativas a respeito, as palavras de alguns Pais da Igreja, como: Cesário de Arles (470-543 - Sermon 78,2, Sources Chrétiennes, 330, p. 241):

“Eu lhes pergunto, irmãos e irmãs, digam o que, na opinião de vocês, tem mais valor: a Palavra de Deus ou o Corpo de Cristo? Se quiserem dar uma verdadeira resposta, certamente deverão dizer que a Palavra de Deus não vale menos que o Corpo de Cristo. E por isso, todo cuidado que tomamos quando nos é dado o Corpo de Cristo, para que nenhuma parte escape das nossas mãos e caia por terra, tomemos este cuidado, para que a Palavra de Deus que nos é entregue, não morra em nosso coração (...)”.

São Jerônimo (+419/420):

“Quanto a mim, penso que o Evangelho é o corpo do Cristo e que a Sagrada Escritura é sua doutrina. Quando o Senhor fala em comer sua carne e beber seu sangue, é certo que fala do mistério (da Eucaristia). Entretanto, seu verdadeiro corpo e seu verdadeiro sangue são (também) a palavra da Escritura e sua doutrina”.

Além da estante da Palavra, há ainda outros meios de vivenciarmos a importância do livro como sinal da Palavra de Deus: antes da leitura do evangelho é feita a aclamação durante a procissão até a estante da Palavra, no final da leitura do Evangelho, o livro é beijado pelo leitor, pelo presidente, e às vezes também por toda a comunidade, quando esta é relativamente pequena. Nos dias de grande festa, podemos incensar o livro antes da leitura de Evangelho.

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A palavra hermenêutica (hermeneuen) vem do grego, e indica a arte da interpretação e também o estudo sobre como fazer isto.

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6 Os sinais realizam o que significam. Mas a significação não é automática: depende da comunicação, depende da compreensão. Depende, portanto de um trabalho a ser feito pela equipe, preparando os leitores e preparando o povo.

É preciso refletir: Como é que poderá haver comunicação entre Jesus e o povo reunido, se os microfones não funcionam direito, se o leitor ou a leitora não se prepara e, improvisa a leitura; se a Estante da Palavra não está organizada e visível? Como é que poderá haver comunicação entre Jesus e o povo reunido se a leitura vem numa linguagem complicada que o povo não acompanha, se a homilia não ajuda a olhar a vida, a realidade do dia-a-dia com os olhos de Deus? Como é que poderá haver

comunicação entre Jesus e o povo reunido se as preces — que são a resposta do povo à Palavra ouvida nas leituras e na homilia — vem prontas e são apenas lidas nos folhetos?

3- A pessoa que faz a leitura - ministro/a da Palavra

Voltamos ao serviço da pessoa que lê. Leitura não é informação, não é noticiário ... Leitura é Jesus Cristo presente com o seu espírito, falando na comunidade, anunciando o Reino, denunciando as injustiças, convocando a comunidade, convidando-a para a renovação da aliança, a conversão, a esperan-ça, a ação, purificando e transformando-nos. Por isso alguém da comunidade é chamado a ser ministro/a servidor/a desta Palavra. É uma missão litúrgica que necessita de uma boa formação técnica, teológica e espiritual assim como quem canta o salmo e faz a homilia, que são também ministro/as da Palavra.

Não só pelo conteúdo da leitura, mas por todo o seu modo de ser e de falar, de olhar, de se movimentar é que o leitor ou e leitora deverão ser, no meio da comunidade sinais vivos do Cristo-Palavra e do seu Espírito. A leitura litúrgica é um acontecimento comunitário e sacramental. Jesus Cristo fala à comunidade reunida, pela pessoa do leitor ou da leitora. 'E o Espírito está presente na pessoa que lê e está atuante também nos ouvintes para que acolham a Palavra em suas vidas. Os ouvintes não são leitores! Os ouvintes devem: ...ouvir, escutar, acolher a Palavra. Ouvem as palavras proclamadas pelos leitores, e têm os olhos fixos neles para não perderem nem um sinal daquilo que é anunciado.

O/a leitor/a deverá ler e meditar a leitura em casa, durante a semana para poder ser ministro da Palavra. A pessoa deve de alguma maneira deixar Cristo se manifestar. Ela empresta sua voz e seu jeito de se comunicar. O/a leitor/a é também ouvinte. Enquanto proclama a Palavra, ele/a presta atenção, com toda a comunidade, para tentar perceber o que o Espírito está querendo dizer à Igreja naquele dia.

Antes da proclamação do Evangelho está previsto um pequeno gesto feito em silêncio que mostra claramente como deve ser a atitude dos leitores. Quando é um diácono que irá fazer a proclamação, este se inclina diante do sacerdote e pede a sua bênção; o sacerdote, então diz: "O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios para que possas anunciar dignamente o seu Evangelho: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Quando é o próprio sacerdote a fazer a proclamação, ele se inclina diante do altar e reza assim: "Ó Deus todo-poderoso, purificai-me o 'coração e os lábios para que eu anuncie dignamente o vosso santo Evangelho". Os dois textos se referem ao coração e aos lábios. Ao coração, porque é nele que acolhemos a Palavra e o Espírito do

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7 Senhor que é Amor; a proclamação deverá partir do coração aos lábios, porque são os instrumentos de comunicação.

"Lábios' significa aqui todo o esforço feito para que a Palavra concebida no coração sob a ação do Espírito, possa atingir o coração dos ouvintes, possa gerar neles a Palavra que quer fazer-se carne outra vez, em nossa vida, em nossa realidade. "Lábios" significa: dicção, entonação de voz, ritmo, respiração, ênfase... Devemos deixar que o Senhor esteja presente neste processo de comunicação e, por isso, deverá ser realizado com toda dedicação e unção possíveis. Também o olhar e a postura do corpo

têm parte neste processo de comunicação e até mesmo o microfone e a instalação de som. (...)4

4- Estrutura e elementos da Liturgia da Palavra

A liturgia da Palavra é estruturada como um amoroso diálogo entre Deus e seu povo, entre Jesus Cristo e sua comunidade animada pelo Espírito Santo.

“A parte principal da Liturgia da Palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. Pois nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação e oferece alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis. Pelos cantos o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ele adere pela profissão de fé. Alimentado por esta Palavra, reza a oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo”. (IGMR,55)

LEITURAS. Mediante as leituras bíblicas é preparada para os fiéis a mesa da palavra de Deus. A

disposição das leituras bíblicas manifesta a unidade dos dois testamentos e da história da salvação [cf. IGMR 57]. A proclamação do evangelho constitui o ponto alto da liturgia da Palavra. A própria liturgia o manifesta cercando-a, mais que as outras leituras, de honra especial.

SALMO RESPONSORIAL. O salmo de resposta na liturgia da Palavra, herança da sinagoga judaica, remonta

às origens da liturgia cristã. Havia desaparecido e foi retomado pela reforma do Concílio Vaticano II,

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8 como parte integrante da liturgia da Palavra, importante por favorecer a meditação da Palavra de Deus. (IGMR, n. 61). Cantado, com melodia simples, com fraseado e cadência bem preparados, expressa o sentido espiritual do salmo e contribui para a sua interiorização. Tem valor de leitura bíblica, porém com um caráter diferente, por sua estrutura poética e lírica.

É executado do ambão, requerendo de quem canta uma atitude orante para que toda a assembleia reze, ao repetir a parte que lhe cabe.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO. A aclamação ao Evangelho “constitui um rito ou ação por si mesma, através

do qual a assembleia dos fiéis acolhe o Senhor que lhe vai falar no Evangelho, saúda e professa sua fé pelo canto” (IGMR, n. 62). Composta de um ou mais aleluias (exceto na quaresma) e um versículo, ligado ao evangelho que vai ser proclamado. Requer um ritmo vigoroso e melodia brilhante. O clima geral é de expectativa, pois o Senhor vai falar.

HOMILIA. Indispensável para alimentar a vida cristã. Explicita algum aspecto das leituras, ou das

orações, levando em conta tanto o mistério celebrado, como a vida do povo [cf. IGMR 65].

O SILÊNCIO. “A Liturgia da Palavra deve ser celebrada de tal modo que favoreça a meditação; por isso

deve ser de todo evitada qualquer pressa que impeça o recolhimento. Integram-na também breves momentos de silêncio, de acordo com a assembleia reunida, pelos quais, sob a ação do Espírito Santo, se acolhe no coração a Palavra de Deus e se prepara a resposta pela oração. Convém que tais momentos de silêncio sejam observados, por exemplo, antes de se iniciar a própria Liturgia da Palavra, após a primeira e a segunda leitura, como também após o término da Homilia” (IGMR, n. 56).

PROFISSÃO DE FÉ. Visa responder à Palavra proclamada da Escritura e explicitada na homilia e professar

os grandes mistérios da fé, antes de iniciar a liturgia eucarística [cf. IGMR 67].

Oração universal. É resposta do povo à Palavra de Deus acolhida com fé, exercício de sua função sacerdotal, intercedendo pela salvação de todos: pela Igreja, polos poderes públicos, pelos que sofrem, pela comunidade local [cf. IGMR 69].

As preces também são fruto do Espírito que nos faz atentos ao mesmo tempo à Palavra proclamada e à história atual dentro da qual devem ir se realizando as promessas do Pai. Ele nos faz pedir de acordo com o desejo e o projeto do Pai. Ele nos une ao Cristo glorificado, sentado à direita de Deus, intercedendo por seus irmãos, acolhendo o clamor do povo oprimido, pedindo libertação. Portanto, as preces devem brotar do momento celebrativo. Devem ser feitas pela comunidade que ficou atenta às leituras e à homilia e que se preocupa com a vinda do Reino dentro de nossa realidade. As preces que vêm impressas nos folhetos, podem às vezes ser muito bern elaborardas, porém, não equivalem à oração viva que nasce por inspiração do Espírito na comunidade, no momento litúrgico e dentro do contexto atual de vida daquela comunidade, daquela assembléia reunida.

5- A organização do conjunto (elenco) das leituras

O elenco das leituras (Lecionários) é organizado com textos do Antigo e Novo Testamento, de modo que o povo possa ouvir as páginas mais importantes das Escrituras Sagradas em três anos aos domingos (Lecionário Dominical - ABC com duas leituras, salmo e evangelho) e em dois anos (par e impar) durante a semana (uma leitura, salmo e evangelho-Lecionário Ferial ou Semanal), passando pela história da salvação e os fiéis possam professar profundamente sua fé. (Cf. SC 51; IEML 60), aderindo mais conscientemente a Cristo. Temos ainda os Lecionários Santoral e dos outros sacramentos e sacramentais, com abundância de textos bíblicos.

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9 Todas as leituras precisam ser compreendidas numa interelação entre si e todas apontando para Cristo e conduzindo para uma adesão a seu evangelho, ponto alto das leituras e, à comunhão com Ele e nele.

No decorrer do Ano Litúrgico e dos vários ciclos do lecionário, a liturgia da Palavra nos ajuda a compreender e vivenciar uma dimensão do único Mistério Pascal de Cristo (Advento, Natal e Epifania, Quaresma, Tríduo Pascal e Tempo pascal e Tempo Comum onde também estão previstas algumas festas e solenidades).

Grande importancia tem a Celebração da Palavra de Deus na Liturgia das Horas e Ofício Divino das Comunidades, entre as formas de oração litúrgica que exaltam a Sagrada Escritura. Forma privilegiada de escuta da Palavra de Deus, onde a Igreja exerce a função sacerdotal de sua Cabeça, “oferecendo-se ininterruptamete” (1Ts 5,17) a Deus o sacrifício de louvor, ou seja o fruto dos lábios que glorificam o seu nome (cf.Hb 13,15). Ritmada pela escuta da palavra de Deus e o canto dos salmos, é a oração que santifica o dia inteiro, fazendo a memória do Mistério Pascal. (cf. Verbum Domini,p.123-124)

6 -Atenção à realidade atual da vida

Outro elemento indispensável a ser ouvido é a realidade atual que estamos vivendo. Nos acontecimentos diários, ordinários e extraordinários Deus se manifesta. Ele age na história pessoal e social, na história da humanidade. Seu Espírito nos ajuda a ler e discernir os sinais da sua presença e ação, hoje.

Por isto na Liturgia da Palavra de qualquer celebração, precisamos compreender as Escrituras a partir desta realidade. Nos ritos iniciais, após a saudação ou no início da liturgia da Palavra é possível introduzir um elemento novo: a recordação da Vida. No Ofício Divino das comunidades (ODC) costuma ser realizado após a abertura, antes do hino. Lembramos os fatos da vida, acontecimentos significativos – a leitura pascal da vida! Não se trata de “intenções” ou “motivos” para a celebração ou “preces dos fieís” que serão feitas após a leitura e atualização dos textos bíblicos.

Estes fatos dialogam na mente e no coração dos participantes, procurando uma palavra do Senhor para o momento atual. Na homilia esta realidade volta a ser considerada ou no momento das preces, com súplica ou ação de graças. O objetivo final é que venha o Reino do Senhor “até que Deus seja tudo em todos” (1Cor 15,28)

Vamos finalizando!

Deus fez de nós um povo sacerdotal e profético, atento aos sinais dos tempos. Neste período de pandemia que se prolonga, sua Palavra volta a ser ouvida e interpretada, rezada, contemplada nas casas, junto à familia. Houve grande esforço da Igreja para incentivar a celebrar a Palavra nas casas, com roteiros bem preparados. Ela constitui o “Corpo de Cristo” que todos podem “tomar e comer” como memorial da Páscoa unida aos gestos diários de cuidado, de solidariedade e partilha. A prática da Leitura Orante (leitura, meditação, oração e contemplação) se desenvolveu entre tantos grupos como método litúrgico de preparação das leituras dominicais e das orações litúrgicas como o prefácio, as antífonas, o canto de comunhão e a bênção final, que são elos da liturgia da palavra no decorrer de toda a celebração.

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10 Mas, é preciso considerar que em muitas comunidades, a liturgia da Palavra ainda sofre de formalismo, da rotina... e também do intimismo, do fundamentalismo. É urgente a cura destes males. Devemos redescobrir a liturgia da Palavra como um diálogo vivo, atual de Jesus com os seus discípulos, um diálogo amoroso, através do qual o Senhor vem alimentar nossa esperança, podar nossos vícios, aprofundar nossa fé, fazer a comunidade prosseguir com mais firmeza no caminho do Reino.

O contato intensivo, vivencial e orante com a Palavra de Deus confere-nos um carater de formação e seguimento de discípulos/as de Jesus Cristo. (cf.CNBB, doc.109,n.92)

Textos de Referências:

BENTO XVI. EXORTAÇAO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL VERBUM DOMINI, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. São Paulo, Paulinas, 2010.

BOSELLI, Goffredo. O sentido espiritual da liturgia. Coleção Vida e Liturgia da Igreja 1. CNBB, 2014

BUYST, Ione. A Palavra de Deus na Liturgia, Coleção Rede Celebra, 1. São Paulo, Paulinas, 2001. _______ Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, um ato de culto, in Eucaristia na vida da Igreja, CNBB, Estudos 89, Paulus, 2005.

________Palavra de Deus: livro ou pessoa viva? Revista de Liturgia n. 89 ano 1988, p. 150-154. CNBB. Orientações para a celebração da Palavra de Deus (32ª.Assembleia geral, Itaici, 13 a22 de abril de 1994. São Paulo, Paulinas, 1994 (Documento 52).

CNBB. Ministério e Celebração da Palavra, Brasília, DF, 2019. (Doc. 108)

CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2019-2023, Brasília Edições, 2019 – Doc. 109

DEISS, Lucien. A Palavra de Deus celebrada: teologia da celebração da Palavra de Deus. Petrópolis, Vozes, 1998

IEML. Introdução geral ao elenco das leituras da missa. Textos encontrados nas primeiras páginas do Lecionário Dominical e Ferial. Traz a teologia e a prática da celebração litúrgica da Palavra de Deus.

VATICANO II, Constituiçao Dogmática “Dei Verbum”, sobre a Revelação Divina. São Paulo, Paulus, 2002.

VATICANO II, Constituição Dogmática “Sacrosanctum Concilium” sobre Sagrada Liturgia (SC), principalmente os nn.6;7;24;33;35; 48;51; 52;53;56.

Maria de Lourdes Zavarez Nova Veneza/GO, julho de 2021

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COMO PREPARAR UMA LEITURA?

Ione Buyst Para poder transmitir a Palavra de Deus contida na leitura e atingir com ela a assembléia, é necessário que o/a leitor/a conheça e entenda aquilo que está lendo. Principalmente as leituras para a celebração de domingo, merecem ser preparadas com esmero, desde o início da semana, lendo e estudando, meditando... acolhendo esta palavra como uma mensagem pessoal, antes de proclamá-la na comunidade. O método da leitura orante da bíblia poderá ajudar.

a) Conheça bem o texto.

As seguintes perguntas também podem ajudar neste trabalho:

- Qual o contexto deste texto na Bíblia? Para quem foi escrito? Em que circunstâncias e ambiente? Em que parte do livro se encontra a passagem que será lida?

- Quais são os personagens que aparecem na passagem da leitura? O que fazem ou dizem? - Qual o assunto, ou a mensagem, ou a idéia principal do texto?

- Qual o gênero literário? (carta? diálogo? parábola? Provérbio?) - Há palavras difíceis no texto? Use o dicionário.

- Tentem perceber as várias partes da leitura (introdução, final, ponto alto, etc.)

b) Sintonize com o texto.

Sintonizar com o texto quer dizer: reconhecer-se dentro do texto, identificar-se com algum personagem ou com a situação narrada no texto. Pergunte-se: Isto serve para nós? Isto diz respeito à nossa realidade? Qual a mensagem de Deus para nós nesta passagem da Bíblia? Vejam também a relação da leitura com a festa litúrgica e com as outras leituras. Pergunte: por que será que foi escolhida esta leitura?

c) Treine a expressão do texto.

- Grife as palavras mais importantes e a frase principal.

- Marque as pausas e os silêncios. (sem o silêncio, a palavra se perde no barulho).

- Procure o tom de voz que combina com o gênero literário do texto, com os sentimentos expressos pelo texto... Dê ênfase às palavras mais importantes.

- Cuide da respiração. Cuide da dicção, pronunciando bem cada palavra, cada sílaba... Diga o texto algumas vezes com voz alta.

(12)

12 d) Faça da leitura uma meditação, uma oração.

Guarde e medite a palavra no coração, como fez Maria (Cf. Lc 2, 19 e 51). 'Coma' a palavra, como fez Ezequiel (3,1-11) e João (Ap 10, 10-11). Aprenda de cor as passagens mais significativas e repita-as várias vezes ao longo do dia, meditando-as.

e) Em frente à assembleia.

- No momento de fazer a leitura, suba à estante com tranqüilidade.

- Coloque-se em pé, com a cabeça erguida; as costas retas para poder respirar melhor; as mãos na estante com o Livro. Onde houver microfone, veja se está ligado e se está na altura e na distância certa.

- Olhe para a assembleia, "reúna", "chame" o povo com o olhar...; jogue como que uma ponte até às últimas fileiras; estabeleça contato. Tudo isto em silêncio. (É o silêncio que valoriza a palavra.). Deixe que também o seu rosto exprima um pouco os sentimentos do Senhor Jesus para com o seu povo.

- Faça a leitura, de maneira calma e pausada, com dicção clara .... Não perca o contato com a assembleia.

- No final da leitura, aguarde a resposta da assembléia e depois, tranqüilamente deixe a estante e volte a seu lugar. E assim, com a ajuda de Deus - possa a leitura se tornar para você e para todos uma palavra de salvação.

f) Como proclamar o evangelho?

Sendo o evangelho o ponto central da liturgia da palavra, merece um destaque especial, principalmente na celebração eucarística (missa) e na celebração dominical da palavra. O ministro da estante e saúda a assembléia: 'O Senhor esteja convosco', ou 'O Senhor esteja com vocês'. Em seguida, anuncia a leitura: 'Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo... (Mateus, Marcos, Lucas, ou João). Enquanto diz isso, faz um pequeno sinal da cruz no livro, depois na testa, na boca e no peito, pedindo interiormente que o Senhor esteja em sua mente, em sua boca, em seu coração quando proclama a palavra. Depois disso, poderá incensar o livro. Em seguida, o ministro proclama o evangelho do dia. Principalmente em dias de festa, ou até mesmo a cada domingo, o evangelho poderia ser cantado, com uma melodia bem simples, tipo salmodia. Mas é preciso treinar bem antes, para que a música expresse e realce o sentido das palavras. No final da proclamação o ministro poderá erguer o livro, apresentando-o à assembléia, enquanto esta repete a aclamação ao evangelho e faz um gesto de apreço e de adesão à palavra ouvida. O livro é para nós um sinal da palavra de Deus; porém, mais importante que o livro é a própria palavra proclamada. Por isso, parece mais lógico mostrar e beijar o livro etc., depois da proclamação e não antes. Se houver procissão antes, não tem como objetivo mostrar o livro, nem aclamá-lo, mas entregá-lo ao ministro e suscitar em nosso coração o desejo de ouvir a palavra do Senhor. Quem carrega o livro na procissão deve ter isso em mente. No final, o ministro beija o livro.

Referências

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