O presente artigo tem como objetivo for-necer elementos que ajudem na elaboração de um artigo científico. Destina-se principalmente aos especialistas em pediatria que sejam ca-pazes de assumir a responsabilidade por sua atualização permanente, de acompanhar o de-senvolvimento científico e de gerar e divulgar novos conhecimentos com produção científica de qualidade. Preparar e enviar um manuscrito para publicação é um desafio, uma atividade al-tamente competitiva, pois há que participar de uma disputa por um espaço nas revistas cien-tíficas, exigindo esforço e dedicação durante todo o processo. No entanto, ao vê-lo publica-do, haverá a satisfação de ter contribuído para o avanço da ciência. O reconhecimento como pesquisador e o destaque merecido pelos seus pares e pela comunidade acadêmica segura-mente serão estímulos para futuros projetos de pesquisa.
1. Como defi nir um artigo científi co?
Q
uando buscamos o signifi cado da expressão“artigo científi co”, destacamos a defi nição da
As-sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)1.
Trata-se de uma apresentação sintética dos resul-tados de investigações ou de estudos a respeito de uma questão. Tem, como objetivo principal, di-vulgar o assunto investigado, o referencial teóri-co utilizado, o método empregado e os resultados alcançados. Consiste, ainda, em tornar público os resultados do trabalho de pesquisa, não só como garantia da autoria, mas também como forma de manifestar atitudes e compreensão do estudo re-alizado sobre determinado tema.
O passo inicial, uma vez tomada a decisão de escrever um artigo, é estar alerta para algumas normas que caracterizam a escrita científi ca, como as exemplifi cadas a seguir:
Como preparar
um artigo científi co
Marilene Crispiano Santos– Doutora em Medicina (Pesquisa Clínica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e – Editora Associada da Revista Residência Pediátrica da SBP.
Marcia Alves Galvão
– Doutora em Medicina (Saúde da Criança e do Adolescente) pela UFRJ) e – Editora Adjunta da Revista Residência Pediátrica da SBP.
Manual de Orientação
S o c i e d a d e B r a s i l e i r aa. Vocabulário:
1. Escolha palavras de fácil entendimento para o público alvo,
2. Evite empregar termos informais,
3. Restrinja o uso de abreviaturas/siglas.
Estas devem estar entre parênteses e pre-cedidas de seus nomes por extenso, no momento em que forem citadas pela pri-meira vez,
4. Números menores que 10 devem ser
es-critos por extenso (“dois”).2
b. Frases e Parágrafos:
1. Dê preferência a frases curtas e na voz ativa, 2. Certifi que-se de que o texto se encontra
de acordo com as normas ortográfi cas e gramaticais vigentes,
3. Distribua os parágrafos com coerência. A fra-se inicial de cada um deles deve fra-servir como
um elo de ligação para o parágrafo anterior.3
2. Quais as seções que devem
constar em um artigo científi co?
T
radicionalmente, um manuscrito apresentaas seguintes seções: Resumo, Introdução incluin-do os objetivos, Métoincluin-dos, Resultaincluin-dos com tabe-las e fi guras, Discussão, Conclusão, e Referências Bibliográfi cas (Figura 1).
Tal modelo, contudo, pode variar, dependen-do dependen-do objetivo dependen-do estudependen-do a ser desenvolvidependen-do. É de grande utilidade rever todas as seções que compõem um manuscrito, de forma a assegurar que nenhuma foi esquecida na apresentação fi -nal do trabalho. Alguns autores recomendam a escolha de um periódico ainda na fase de pre-paração do artigo, já que diferentes periódicos requerem temas e estilos específi cos. Essa pro-vidência pode poupar tempo em modifi cações
posteriores.2,4,5
TÍTULO DO MANUSCRITO
MÉTODOS
RESUMO INTRODUÇÃO RESULTADOS DISCUSSÃO e CONCLUSÃO BIBLIOGRÁFICASREFERÊNCIAS
Figura 1. Composição de um artigo científi co (manuscrito) a ser enviado para publicação.
O eixo principal de um artigo científi co é a co-nexão entre três elementos vitais: a hipótese ou a pesquisa em si, o desenho de estudo e a análi-se. Uma determinada hipótese só poderá ser de-senvolvida por meio de um desenho de estudo específi co, e consequentemente, por uma análise e apresentação apropriadas dos dados. A razão mais frequente da não aceitação de artigos cien-tífi cos para publicação é a discrepância observa-da entre esses três elementos mencionados.
Deve-se ressaltar que ler e escrever são par-tes integranpar-tes de um mesmo processo. A leitura
habitual nos familiariza com a estrutura e o esti-lo da linguagem científi ca.
Vamos então, agora, apresentar cada uma das seções de um manuscrito, lembrando a importân-cia de se seguir rigorosamente as normas de pu-blicação do periódico escolhido – tanto em rela-ção ao conteúdo quanto à forma de apresentarela-ção. Ressaltamos que esse é o modelo mais frequente de publicação, mas não necessariamente da ela-boração do artigo. Começar a escrever os Objeti-vos e Materiais e Métodos pode facilitar a tarefa.
última seção a ser escrita pelos autores, porém, é a primeira a ser lida pelos editores, revisores e, futuramente, pelos leitores. O resumo deverá en-fatizar o ponto de destaque de sua pesquisa, esti-mulando o leitor a lê-lo integralmente. Lembre-se de que seu artigo será acessado através de buscas online, portanto, precisa conter as palavras cha-ves adequadas para que um pesquisador interes-sado possa acessá-lo facilmente. O Resumo deve seguir um formato similar ao do manuscrito: 1) Introdução e/ou Objetivos: deve ser curto e
limitado a duas ou três frases direcionadas para o que se sabe sobre o assunto e porque o estudo seria de interesse. Também deverão
ser incluídos os objetivos do estudo.8
2) Métodos: geralmente se constitui na maior parte do resumo e deve explicar como e o que foi realizado no estudo. Os principais itens a serem incluídos são: desenho de estudo, lo-cal de realização, lo-calculo amostral, método de amostragem, critérios de seleção e exclusão dos participantes, intervenção feita, duração e os instrumentos utilizados. Mencione a aná-lise estatística.
3) Resultados: esta é a parte do resumo mais im-portante e muitas vezes difícil de redigir. Os resultados deverão mencionar o número exato de participantes, incluindo as perdas e os efei-tos adversos se houver. É aconselhável seguir o plano de análise descrito na seção de métodos. Isto facilitará a apresentação de seus dados. 4) Conclusão: leva em consideração a hipótese e
o objetivo da pesquisa e deve conter a respos-ta a esses dois itens.
Um bom resumo se caracteriza pela presença dos quatro “C”, sendo:
1) Completo: porque cobre as principais partes da pesquisa,
2) Claro: porque é bem estruturado e objetivo, com linguagem simples e direta,
3) Coerente: porque os parágrafos estão interli-gados com o texto fl uindo coerentemente, e 4) Consistente: porque há concordância entre o
resumo e o texto principal não levantando dú-vidas quanto a autenticidade dos resultados.
I) TÍTULO:
É a primeira parte de qualquer manuscrito e funciona como uma “vitrine” para a pesquisa. Se adequado despertará interesse dos leitores, ao passo que a escolha de um título fraco poderá comprometer a leitura, independentemente da
qualidade do trabalho.6 Muitas vezes algumas
mudanças no título são feitas ao fi m do estudo para adequá-lo melhor.
Muitos bancos de dados eletrônicos e
web-sites de periódicos utilizam as palavras do título
ou mesmo os descritores/palavras chaves para uma busca nas pesquisas online. Não é incomum que editores decidam a elegibilidade de um ma-nuscrito a ser enviado aos revisores após avalia-ção do título e do resumo.
Portanto, atente para que o título esteja: A. Conciso: em geral 10 a 12 palavras
possibili-tarão uma descrição bem detalhada do tema.7
B. Específi co: títulos vagos e muito abrangentes não são atrativos, pois não conduzem a uma direção em particular.
C. Descritivo: um título descritivo contém todos os elementos de uma pesquisa (paciente, in-tervenção, desfecho e comparação).
A construção de um título adequado envol-ve, sempre que possível seis elementos chaves: 1) local de estudo; 2) população estudada; 3) in-tervenção; 4) condições clínicas dos pacientes;
5) desfecho e; 6) desenho de estudo.7
Vejam o exemplo de um título informativo e
conciso apresentado por Dewan & Gupta7: “Defi
-ciência de vitamina D e o risco para pneumonia grave em menores de cinco anos” e compare com um título mais genérico e abrangente sobre o mesmo tema: “Vitamina D e pneumonia”. O pri-meiro certamente despertará mais atenção dos leitores por conter mais detalhes acerca da pes-quisa realizada.
II) RESUMO:
Importante: Certifi que-se de ler sobre as
“instruções aos autores” do periódico selecio-nado para o envio do artigo e veja se o mesmo atende às orientações dadas.
III) DESCRITORES/PALAVRAS CHAVES:
São importantes, pois têm função de
inde-xação.7,9 São listadas logo abaixo do resumo. A
utilização de palavras chaves corretas, facilitará o acesso ao seu artigo. De forma a saber se as pa-lavras chaves estão adequadas, liste-as e procu-re em Descritoprocu-res em Ciências da Saúde - DECs
(http://www. decs.bvs.br),10 criado pela Bireme
para servir como uma linguagem única na inde-xação de artigos de revistas científi cas, e no
Me-dical SubjectHeading (MeSH) – banco de dados
da US National Library of Medicine (http://www.
nlm.nih.gov/mesh/MBrowser.html).11
IV) INTRODUÇÃO:
Esta seção é onde devemos explicitar as ra-zões e os fundamentos do estudo. É o segmento mais importante para convencer o leitor de que o que você realizou faz sentido. Em geral, a Intro-dução não deve ser longa. Devemos ter em men-te que o foco aqui é o de manmen-ter o leitor com expectativas crescentes em relação ao trabalho, dando a justifi cativa de realização da pesquisa e como ela irá contribuir para o avanço do co-nhecimento na área estudada. Essencialmente, devem constar três elementos principais:
1) O que se sabe sobre o assunto 2) O que ainda não se sabe 3) O que se objetiva fazer
Não há um tamanho padrão a ser considera-do para a introdução. Geralmente se constitui numa das seções mais curtas, com cerca de dois
a três parágrafos2,7 que não deverão ultrapassar
duas laudas em espaço duplo.
O parágrafo inicial dá uma informação ge-ral sobre o assunto da pesquisa. Deve-se ter em mente que a Introdução não é uma revisão de li-teratura, porém deverá convencer os leitores de
que você pesquisou bem o tópico em questão e que apresenta uma hipótese bem consolidada.
O segundo parágrafo representa o setor prin-cipal da pesquisa, ressaltando a lacuna existente na literatura ou até mesmo apresentando uma oposição a uma prática ou a uma premissa vi-gente. Dessa forma, será fácil abordar o próximo passo: a questão central da pesquisa.
No terceiro parágrafo deve-se articular os ob-jetivos e a hipótese, que deverá convencer aos leitores sobre quais os resultados esperados. A hipótese é valiosa mesmo quando provado o
contrário do suposto.7
Deve-se ter em mente que o trabalho será lido por alguém que conhece razoavelmente o assunto, sendo desnecessário um detalhamento exagerado.
Plaxso3 faz uma comparação interessante
en-tre a Introdução e a fi gura de uma pirâmide in-vertida: ao iniciarmos com um texto mais abran-gente, este corresponderia à base invertida, e ao progressivamente especifi carmos os detalhes envolvidos na pesquisa estes representariam, então, o ápice da pirâmide. Em outras palavras, deve-se introduzir o tópico do artigo e discuti--lo em contexto amplo (base voltada para cima) para só então fi nalizar com o objetivo da pesqui-sa e a hipótese (ápice voltado para baixo).
V) MÉTODOS:
A seção de métodos deve explicar o projeto de pesquisa com detalhes sufi cientes para per-mitir ao leitor entender exatamente como a pes-quisa foi conduzida. Em essência, depois de ler o método da pesquisa, o leitor deverá ser capaz de
realizar uma pesquisa similar, se assim desejar.12
Pesquisas médicas são genericamente clas-sifi cadas em primárias e secundárias. Pesquisas secundárias apresentam resultados sumarizados a partir de pesquisas primárias, são os chamados estudos de revisão sistemática e de meta-análi-se. Pesquisas primárias que objetivam sintetizar uma evidência podem ser classifi cadas em: pes-quisa médica básica, pespes-quisa clínica e pespes-quisa epidemiológica. No entanto, cabe ressaltar que nem sempre há uma demarcação clara entre os
diferentes tipos de pesquisa.13
A Figura 2 apresenta uma classificação dos tipos mais comuns de desenhos epidemiológi-cos.
a) População ou Material: deve-se apresentar a
estimativa do tamanho amostral e indicar o número de indivíduos efetivamente selecio-nados, mencionando por quem, de que modo e de onde os participantes vieram. É impor-tante fornecer detalhes do recrutamento. Critérios de inclusão e exclusão devem estar explicitados. A aprovação pela Comissão de Ética em Pesquisa é obrigatória para se iniciar qualquer trabalho, juntamente com o consen-timento informado por escrito quando se tra-tar de seres humanos. É importante estra-tar-se atento para o termo de assentimento livre e esclarecido, quando crianças e adolescentes estiverem envolvidos na pesquisa.
1 estudos descritivos não testam hipóteses, mas podem levantá-las. Serão comprovadas ou não em futuros estudos 2 partem do efeito para a exposição
3 partem da exposição para o efeito
Figura 2. Desenhos epidemiológicos mais comuns.
Estudos Epidemiológicos Caso controle2 Transversal (Seccional) Coorte3 Descritivos1 Analíticos Relato de caso Série de Casos Observacionais Experimentais Randomizado Não Randomizado
b) Desenho: para pesquisas clínicas o número do
registro deve ser encaminhado ao Registro In-ternacional de Ensaios Clínicos (International
Clinical Trials Registry Platform; www.who.int/ ictrp/about/details/en/índex/HTML).14 O tipo
de desenho deve estar bem defi nido.
Vale a pena mencionar aqui o tipo de manus-crito denominado “Relato de Caso”. Trata-se de
mencionado: título, resumo, introdução com ob-jetivo, descrição do caso, discussão (com revisão da literatura). Figuras, tabelas e/ou gráfi cos po-dem ser incluídos.
Nos estudos experimentais discrimine se foram: controlados ou não, controlados por pla-cebo, pareados, paralelos e se houve cross-over. Identifi que caso seja um estudo aberto, unicego ou duplo cego (qual ou quais os elementos ce-gos). Explique o método de randomização ou de pareamento. Deve-se mencionar exatamente o que foi conduzido, quando, como, com que frequ-ência e em que sequfrequ-ência. É preciso considerar o que foi feito antes do início da pesquisa (triagem,
run-in?) e ao seu fi nal (run-out?). Os conceitos de
cada um dos itens mencionados serão objeto de
discussão em publicações futuras.15
c) Mensuração: apresente os fundamentos das
medidas que serão utilizadas para cada uma das variáveis, considerando-se os objetivos do estudo. Informe sobre a validação do mé-todo (acurácia, precisão).
d) Análise: nesta última parte de Métodos,
certi-fi que-se de especicerti-fi car na análise dos dados: • Estatística descritiva: por médias ou
media-nas, desvio padrão, frequências absolutas e relativas, considerando-se os tipos de variá-veis estudadas e
• Métodos para inferência estatística: uma breve descrição deverá incluir o Intervalo de Confi ança calculado. Mencionar os testes estatísticos aplicados. A signifi cância des-tes é usualmente apresentada como valor de p. Muitos revisores e periódicos estão, atualmente, dando preferência ao Interva-lo de Confi ança de 95% por serem mais in-formativos. Métodos estatísticos pouco co-muns ou de nível mais avançado devem ser descritos ou mesmo citados com referência
apropriada.13
Esses dois itens deverão estar de acordo com os objetivos do estudo e indicarão o que será apresentado posteriormente na seção de
“Re-sultados”.16
É importante descrever com detalhes as comparações feitas no estudo e explicar clara-mente a análise conduzida intra e inter-grupos. O tamanho mínimo do efeito (por exemplo: a mínima diferença clínica de importância) as-sim como a estimativa amostral ou o poder do estudo devem ser apresentados. Em muitos casos, particularmente nos estudos observa-cionais, um cálculo formal do número amostral nem sempre é possível por razões práticas (por exemplo: a amostra foi constituída retrospecti-vamente ou já está estabelecida antes do iní-cio do estudo). Mesmo nestas circunstancias é aconselhável apresentar resultados a partir de uma análise estatística formal, para dar uma indicação do poder dos testes de hipóteses e da magnitude das diferenças que os autores se-rão capazes de detectar nesse cenário. Alguns investigadores optam por incorporar o parágra-fo relativo ao “cálculo amostral” à seção sobre “seleção dos participantes”. É imprescindível indicar-se o nível de erro tipo I (alfa),
usualmen-te estabelecido em 5%.16
Deve se esclarecer se a análise foi por “inten-ção de tratar” ou se “por protocolo” e qual o tra-tamento dado às perdas e aos dados não obtidos, assim como foi a estrutura do banco de dados e quem foi o responsável por ele. Indique quem realizou os procedimentos estatísticos com qual
software e a respectiva versão.
Convém reforçar que o modelo exato de “Mé-todos” dependerá do tipo de desenho de estudo. Hoje em dia a maioria dos periódicos conceitu-ados recomenda aos autores para que sigam o protocolo correspondente ao desenho de estudo escolhido. O site Equator Network (http://www.
equator-network.org)17 fornece uma lista
abran-gente de diretrizes para relatar os métodos e resultados de estudos de pesquisa, bem como muitos outros recursos de autores on-line. Isto resultará em uma maior transparência, acurácia
e qualidade do material apresentado.12,13
VI) RESULTADOS
Lembre-se de que esta seção deve apre-sentar fatos e, por isso, não discuta os achados
neste espaço.18 Apresente os resultados em
pa-rágrafos claros, baseados na mesma sequência da seção de “Análise”. Pode-se iniciar com da-dos relativos ao número de pacientes/ partici-pantes. Para facilitar, uma boa opção é utilizar tabelas e fi guras. Se esses elementos expressa-rem os principais achados, então a apresenta-ção dos resultados por escrito fi cará mais fácil. Indique se o tamanho amostral estimado foi de fato obtido. Apresente uma análise inicial de sua amostra por meio de tabela (geralmente a primeira) com informações vitais (demográfi cas e clínicas). Mencione no texto as características que merecem destaque: concentre-se primeiro nos desfechos primários e só então passe aos secundários se for o caso. Evite repetir dados no texto que já se encontram em tabelas ou nas fi guras. Seja conservador ao apresentar a aná-lise e, para isso, mais uma vez consulte o site Equator Network (http://www.equator-network.
org),17 siga os protocolos atuais vigentes,
garan-tindo maior confi abilidade e relatos mais robus-tos que agregam valor aos resultados obtidos. Pode-se fi nalizar com achados inesperados e inicialmente não planejados (análise post-hoc). No entanto, estes deverão estar limitados ao mínimo possível. Torna-se essencial apontar as
perdas ocorridas.18
VII) DISCUSSÃO:
Há várias maneiras de se escrever esta se-ção. Esta é considerada, por muitos, a parte mais difícil do trabalho porque há inúmeros itens a
abordar.4 Cerca de cinco ou seis parágrafos
usu-almente são sufi cientes, correspondendo a
20-25% do texto global.19 Para isso, novamente, é
essencial ser conciso e separar o pensamento da escrita. Assim, o primeiro passo será distinguir os parágrafos que compõem a discussão e que deverão incluir:
a) Mensagem principal (em duas ou três linhas).
Mostre o que se pode inferir e apresente as
implicações de seus resultados, ou seja, res-ponda à pergunta “Quais são os resultados
principais da pesquisa?”20
b) Comparação com a literatura disponível:
mostre o que é novo em seus achados e se eles confirmam as informações já existentes. Sempre inicie pelos seus resultados e poste-riormente os compare com a literatura. Dis-cuta somente as observações e não os me-canismos envolvidos ou interpretações dos achados
c) Pontos fortes e limitações: inicie, sem
exa-geros, por dois ou três pontos fortes do tra-balho. Provavelmente há escolhas no método empregado que introduziram inconsistências. Mencione as limitações, caso contrário, o revi-sor o fará. Lembre-se que nenhum trabalho é
perfeito.19,21
d) Interpretações e mecanismos: nessa parte
devemos perguntar: como explicar os acha-dos? Quais os mecanismos fi siopatológicos, imunológicos, ou outros, que provavelmente formaram a base do trabalho? Direcione esses mecanismos um a um. Pode-se separar esse item em mais de um parágrafo se necessário. Finalize mostrando que os potenciais erros e limitações do estudo envolvidos não foram graves a ponto de explicarem os resultados (negativos). Se houver questões não esclare-cidas, mencione-as.
e) Relevância clínica: o estudo contribuiu para
melhorar a detecção, o diagnóstico, o moni-toramento ou o tratamento da doença? O que ainda falta nesta área?
f) Conclusão: este segmento pode ser bem
organização de temas que já se encontram
dis-poníveis aos leitores2.
A Figura 3 detalha os principais compontes de um artigo científi co (manuscrito) a ser en-viado para publicação.
Uma vez selecionado (previamente) o perió-dico para publicação e tendo terminado a elabo-ração do manuscrito, leia atentamente a seção “Instruções aos autores” e siga todas as orien-tações dadas. É interessante a leitura de alguns dos artigos publicados para observar o estilo e a
Figura 3. Composição de um artigo científi co (manuscrito) a ser enviado para publicação.
– Introdução e/ ou Objetivos; Métodos; Resultados e Conclusão Descrição clara, concisa, coerente, consistente e completa – O que se sabe sobre o assunto – O que ainda não se sabe – O que se objetiva fazer – Desenho de estudo – Participantes e critérios de seleção – Intervenções – Métodos de mensuração – Análise estatística – Resultado principal – Demais resultados citados em ordem específi ca – Outros resultados menos importantes – Mensagem principal – Comparação com a literatura e – Explicação dos resultados – Limitações e pontos fortes – Conclusão com perspectivas – Adequação às normas do periódico escolhido TÍTULO DO MANUSCRITO Conciso Atrativo Informativo MÉTODOS
RESUMO INTRODUÇÃO RESULTADOS DISCUSSÃO e CONCLUSÃO BIBLIOGRÁFICASREFERÊNCIAS
ATENÇÃO
Os periódicos fazem uma seleção muito mais positiva do que negativa, mas em caso do manuscrito ser rejeitado, não entre em pânico. A menos que os revisores tenham convencido
você de que seu trabalho apresenta falhas incontornáveis, considere revê-lo. Aproveite as sugestões feitas por eles (se concordar com elas) e aperfeiçoe a pesquisa.
No caso do manuscrito ser aceito, festeje juntamente com os co-autores!
Agradecimentos:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Triênio 2016/2018
PRESIDENTE:
Luciana Rodrigues Silva (BA)
1º VICE-PRESIDENTE:
Clóvis Francisco Constantino (SP)
2º VICE-PRESIDENTE:
Edson Ferreira Liberal (RJ)
SECRETÁRIO GERAL:
Sidnei Ferreira (RJ)
1º SECRETÁRIO:
Cláudio Hoineff (RJ)
2º SECRETÁRIO:
Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS)
3º SECRETÁRIO:
Virgínia Resende Silva Weffort (MG)
DIRETORIA FINANCEIRA:
Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ)
2ª DIRETORIA FINANCEIRA:
Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP)
3ª DIRETORIA FINANCEIRA:
Fátima Maria Lindoso da Silva Lima (GO)
DIRETORIA DE INTEGRAÇÃO REGIONAL:
Fernando Antônio Castro Barreiro (BA)
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Hans Walter Ferreira Greve (BA) Eveline Campos Monteiro de Castro (CE) Alberto Jorge Félix Costa (MS) Analíria Moraes Pimentel (PE) Corina Maria Nina Viana Batista (AM) Adelma Alves de Figueiredo (RR)
COORDENADORES REGIONAIS: Norte:
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Nordeste:
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Sudeste:
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ASSESSORES DA PRESIDÊNCIA: Assessoria para Assuntos Parlamentares:
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Assessoria de Políticas Públicas – Crianças e Adolescentes com Defi ciência:
Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo (MT) Eduardo Jorge Custódio da Silva (RJ)
Assessoria de Acompanhamento da Licença Maternidade e Paternidade:
João Coriolano Rego Barros (SP) Alexandre Lopes Miralha (AM) Ana Luiza Velloso da Paz Matos (BA)
Assessoria para Campanhas:
Conceição Aparecida de Mattos Segre (SP)
GRUPOS DE TRABALHO: Drogas e Violência na Adolescência:
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Doenças Raras:
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Atividade Física
Coordenadores: Ricardo do Rêgo Barros (RJ) Luciana Rodrigues Silva (BA)
Membros:
Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA) Patrícia Guedes de Souza (BA)
Profi ssionais de Educação Física:
Teresa Maria Bianchini de Quadros (BA) Alex Pinheiro Gordia (BA) Isabel Guimarães (BA) Jorge Mota (Portugal) Mauro Virgílio Gomes de Barros (PE)
Colaborador:
Dirceu Solé (SP)
Metodologia Científi ca:
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Pediatria e Humanidade:
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Transplante em Pediatria:
Themis Reverbel da Silveira (RS) Irene Kazue Miura (SP) Carmen Lúcia Bonnet (PR)
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DIRETORIA E COORDENAÇÕES:
DIRETORIA DE QUALIFICAÇÃO E CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL
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COORDENAÇÃO DO CEXTEP:
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COORDENAÇÃO DE ÁREA DE ATUAÇÃO
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COORDENAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL
José Hugo de Lins Pessoa (SP)
DIRETORIA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
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REPRESENTANTE NO GPEC (Global Pediatric Education Consortium)
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REPRESENTANTE NA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA (AAP)
Sérgio Augusto Cabral (RJ)
REPRESENTANTE NA AMÉRICA LATINA
Francisco José Penna (MG)
DIRETORIA DE DEFESA PROFISSIONAL, BENEFÍCIOS E PREVIDÊNCIA
Marun David Cury (SP)
DIRETORIA-ADJUNTA DE DEFESA PROFISSIONAL
Sidnei Ferreira (RJ) Cláudio Barsanti (SP) Paulo Tadeu Falanghe (SP) Cláudio Orestes Britto Filho (PB) Mário Roberto Hirschheimer (SP) João Cândido de Souza Borges (CE)
COORDENAÇÃO VIGILASUS
Anamaria Cavalcante e Silva (CE) Fábio Elíseo Fernandes Álvares Leite (SP) Jussara Melo de Cerqueira Maia (RN) Edson Ferreira Liberal (RJ) Célia Maria Stolze Silvany ((BA) Kátia Galeão Brandt (PE) Elizete Aparecida Lomazi (SP) Maria Albertina Santiago Rego (MG) Isabel Rey Madeira (RJ) Jocileide Sales Campos (CE)
COORDENAÇÃO DE SAÚDE SUPLEMENTAR
Maria Nazareth Ramos Silva (RJ) Corina Maria Nina Viana Batista (AM) Álvaro Machado Neto (AL) Joana Angélica Paiva Maciel (CE) Cecim El Achkar (SC)
Maria Helena Simões Freitas e Silva (MA)
COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE GESTÃO DE CONSULTÓRIO
Normeide Pedreira dos Santos (BA)
DIRETORIA DOS DEPARTAMENTOS CIENTÍFICOS E COORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS CIENTÍFICOS
Dirceu Solé (SP)
DIRETORIA-ADJUNTA DOS DEPARTAMENTOS CIENTÍFICOS
Lícia Maria Oliveira Moreira (BA)
DIRETORIA DE CURSOS, EVENTOS E PROMOÇÕES
Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck (SP)
COORDENAÇÃO DE CONGRESSOS E SIMPÓSIOS
Ricardo Queiroz Gurgel (SE) Paulo César Guimarães (RJ) Cléa Rodrigues Leone (SP)
COORDENAÇÃO GERAL DOS PROGRAMAS DE ATUALIZAÇÃO
Ricardo Queiroz Gurgel (SE)
COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE REANIMAÇÃO NEONATAL:
Maria Fernanda Branco de Almeida (SP) Ruth Guinsburg (SP)
COORDENAÇÃO PALS – REANIMAÇÃO PEDIÁTRICA
Alexandre Rodrigues Ferreira (MG) Kátia Laureano dos Santos (PB)
COORDENAÇÃO BLS – SUPORTE BÁSICO DE VIDA
Valéria Maria Bezerra Silva (PE)
COORDENAÇÃO DO CURSO DE APRIMORAMENTO EM NUTROLOGIA PEDIÁTRICA (CANP)
Virgínia Resende S. Weffort (MG)
PEDIATRIA PARA FAMÍLIAS
Victor Horácio da Costa Júnior (PR)
PORTAL SBP
Flávio Diniz Capanema (MG)
COORDENAÇÃO DO CENTRO DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
José Maria Lopes (RJ)
PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO CONTINUADA À DISTÂNCIA
Altacílio Aparecido Nunes (SP) João Joaquim Freitas do Amaral (CE)
DOCUMENTOS CIENTÍFICOS
Luciana Rodrigues Silva (BA) Dirceu Solé (SP)
Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho (PE) Joel Alves Lamounier (MG)
DIRETORIA DE PUBLICAÇÕES
Fábio Ancona Lopez (SP)
EDITORES DA REVISTA SBP CIÊNCIA
Joel Alves Lamounier (MG) Altacílio Aparecido Nunes (SP)
Paulo Cesar Pinho Pinheiro (MG) Flávio Diniz Capanema (MG)
EDITOR DO JORNAL DE PEDIATRIA
Renato Procianoy (RS)
EDITOR REVISTA RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA
Clémax Couto Sant’Anna (RJ)
EDITOR ADJUNTO REVISTA RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA
Marilene Augusta Rocha Crispino Santos (RJ) Márcia Garcia Alves Galvão (RJ)
CONSELHO EDITORIAL EXECUTIVO
Gil Simões Batista (RJ) Sidnei Ferreira (RJ) Isabel Rey Madeira (RJ) Sandra Mara Amaral (RJ) Bianca Carareto Alves Verardino (RJ) Maria de Fátima B. Pombo March (RJ) Sílvio Rocha Carvalho (RJ) Rafaela Baroni Aurilio (RJ)
COORDENAÇÃO DO PRONAP
Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida (SP) Fernanda Luísa Ceragioli Oliveira (SP)
COORDENAÇÃO DO TRATADO DE PEDIATRIA
Luciana Rodrigues Silva (BA) Fábio Ancona Lopez (SP)
DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA
Joel Alves Lamounier (MG)
COORDENAÇÃO DE PESQUISA
Cláudio Leone (SP)
COORDENAÇÃO DE PESQUISA-ADJUNTA
Gisélia Alves Pontes da Silva (PE)
COORDENAÇÃO DE GRADUAÇÃO
Rosana Fiorini Puccini (SP)
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE GRADUAÇÃO
Rosana Alves (ES) Suzy Santana Cavalcante (BA) Angélica Maria Bicudo-Zeferino (SP) Silvia Wanick Sarinho (PE)
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO
Victor Horácio da Costa Junior (PR) Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) Fátima Maria Lindoso da Silva Lima (GO) Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Jefferson Pedro Piva (RS)
COORDENAÇÃO DE RESIDÊNCIA E ESTÁGIOS EM PEDIATRIA
Paulo de Jesus Hartmann Nader (RS) Ana Cristina Ribeiro Zöllner (SP) Victor Horácio da Costa Junior (PR) Clóvis Francisco Constantino (SP) Silvio da Rocha Carvalho (RJ) Tânia Denise Resener (RS)
Delia Maria de Moura Lima Herrmann (AL) Helita Regina F. Cardoso de Azevedo (BA) Jefferson Pedro Piva (RS)
Sérgio Luís Amantéa (RS) Gil Simões Batista (RJ) Susana Maciel Wuillaume (RJ) Aurimery Gomes Chermont (PA)
COORDENAÇÃO DE DOUTRINA PEDIÁTRICA
Luciana Rodrigues Silva (BA) Hélcio Maranhão (RN)
COORDENAÇÃO DAS LIGAS DOS ESTUDANTES
Edson Ferreira Liberal (RJ) Luciano Abreu de Miranda Pinto (RJ)
COORDENAÇÃO DE INTERCÂMBIO EM RESIDÊNCIA NACIONAL
Susana Maciel Wuillaume (RJ)
COORDENAÇÃO DE INTERCÂMBIO EM RESIDÊNCIA INTERNACIONAL
Herberto José Chong Neto (PR)
DIRETOR DE PATRIMÔNIO
Cláudio Barsanti (SP)
COMISSÃO DE SINDICÂNCIA
Gilberto Pascolat (PR)
Aníbal Augusto Gaudêncio de Melo (PE) Isabel Rey Madeira (RJ)
Joaquim João Caetano Menezes (SP) Valmin Ramos da Silva (ES) Paulo Tadeu Falanghe (SP) Tânia Denise Resener (RS) João Coriolano Rego Barros (SP) Maria Sidneuma de Melo Ventura (CE) Marisa Lopes Miranda (SP)
CONSELHO FISCAL Titulares:
Núbia Mendonça (SE) Nélson Grisard (SC)
Antônio Márcio Junqueira Lisboa (DF)
Suplentes:
Adelma Alves de Figueiredo (RR) João de Melo Régis Filho (PE) Darci Vieira da Silva Bonetto (PR)
ACADEMIA BRASILEIRA DE PEDIATRIA Presidente:
Mario Santoro Júnior (SP)
Vice-presidente:
Luiz Eduardo Vaz Miranda (RJ)
Secretário Geral: