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Academic year: 2021

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TÍTULO: AVALIAÇÃO DO PERFIL DOS ADEPTOS AO USO DE PLANTAS MEDICINAIS EM POÇOS DE CALDAS - MG

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO

CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE

ÁREA:

SUBÁREA: FARMÁCIA

SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: FACULDADE PITÁGORAS DE POÇOS DE CALDAS

INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): GUSTAVO MOREIRA BELCHIOR, BRUNA DE OLIVEIRA FIGUEREDO

AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): YULA DE LIMA MEROLA

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1 RESUMO

O presente estudo consistiu em avaliar o perfil e os hábitos de consumo dos adeptos à utilização de plantas medicinais no município de Poços de Caldas, sul de Minas Gerais. A metodologia usada foi aplicação de entrevistas estruturadas a população local, onde foram colhidas informações referentes à: idade, sexo, ocupação profissional e se fazia utilização ou não do uso das plantas medicinais com fins terapêuticos. A partir dos resultados obtidos, verificamos que, mesmo tratando-se de uma área urbana, a utilização de plantas medicinais é bastante difundida onde 78% dos entrevistados já fizeram uso de alguma planta medicinal, sendo que somente 22% dos entrevistados não utilizavam plantas medicinais.

Palavras Chaves: Plantas Medicinais; Etnofarmacologia; Uso Popular; Fitoterapia

INTRODUÇÃO

A utilização de plantas medicinais no atendimento á saúde é tão antiga quanto à própria humanidade. Desde as primeiras civilizações remotas buscavam no reino vegetal medicamentos para aliviar o sofrimento provocado por enfermidades ou acidentes. Através da constante observação e da experimentação empírica desses recursos, os povos de todos os tempos e todos os continentes produziram, ao longo da história, uma saber importantíssimo sobre as propriedades das plantas medicinais (ALBUQUERQUE; HANAZAKI, 2006; SILVA, 2013).

Ao longo do tempo o emprego de plantas medicinais na recuperação tem evoluído, desde as formas mais simples de tratamento local, provavelmente utilizada pelo homem das cavernas, até as formas tecnologicamente sofisticadas da fabricação industrial utilizadas pelo homem moderno (LORENZI et al., 2002).

Segundo Kalluf (2008) o termo Planta Medicinal foi definido em 1978 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como qualquer espécie vegetal que contenha substâncias empregadas com finalidade terapêutica na forma in natura, ou que seus princípios ativos sejam precursores utilizados para a semissíntese químico-farmacêutica.

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2 É estimado pela OMS que 80% da população mundial utiliza terapias tradicionais e complementares, sendo as plantas medicinais as que possuem maior destaque (85%) nesses tratamentos (BRASIL, 2006).

No Brasil pesquisas demonstram que mais de 90% da população já fez uso de alguma planta medicinal segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico e Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde (ABIFISA, 2007). A riqueza da diversidade vegetal brasileira contribuiu para que a utilização das plantas medicinais seja considerada uma área estratégica para o país. Segundo Batalha et al. (2007), o país contém cerca de 23% das espécies vegetais existentes em todo o planeta.

Segundo Maciel et al. (2002) as observações populares sobre o uso e a eficácia de plantas medicinais contribuem de forma relevante para a divulgação das potencialidades terapêuticas das plantas, e também desperta o interesse de pesquisadores nas áreas da ciências farmacêuticas como a botânica, farmacologia e fitoquímica, enriquecendo o conhecimento e intensificando a utilização de muitas plantas.

Conforme Melo et al. (2007), existe no Brasil uma farmacopeia popular muito diversa baseada em plantas medicinais endêmicas e não endêmicas do pais, resultado da miscigenação cultural envolvendo africanos, europeus e indígenas. Portanto, a construção do perfil dos usuários locais e seus hábitos de consumo de plantas medicinais são de grande importância principalmente com relação à comercialização e a abertura de novos nichos de mercado e de emprego.

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3 METODOLOGIA

A presente pesquisa foi desenvolvida no município de Poços de Caldas, localizada na região do sul de Minas Gerais, com população de 152.435 habitantes, com uma área territorial de 547.260 Km² de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010).

Trata-se de uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa e quantitativa, sendo a técnica utilizada a aplicação de entrevista estruturada individual e procurou-se estabelecer um esquema padrão de abordagem aos entrevistados.

A coleta de dados foi efetuada nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2014, onde foram aplicados questionários no centro do município de Poços de Caldas e foram entrevistadas 598 pessoas.

Participaram da amostra os indivíduos residentes no município, com 20 anos ou mais anos de idade, que representam 72,44% da população total (IBGE, 2010) para a amostragem foi utilizado o cálculo de amostra aleatória simples proposta por Santos (2009), onde cada elemento da população em estudo tem igual probabilidade de pertencer á amostra, com erro amostral de 4% e intervalo de confiança de 95%, foi obtido um número satisfatório de 598 pessoas.

A tabulação dos dados ocorreu por meio do programa Microsoft Office Excel 2010, com representação gráfica dos resultados.

A inclusão das participantes no projeto obedeceu aos aspectos legais e éticos no desenvolvimento da pesquisa, de acordo com as Diretrizes e Normas da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) avaliado pela instituição responsável pelos locais onde a pesquisa foi desenvolvida.

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir do levantamento realizado, foi possível traçar o perfil do gênero da população estudada, onde 44,66% eram do sexo masculino e 55,33% eram do sexo feminino cujas idades variaram conforme ilustrado no gráfico 1.

Gráfico 1: Porcentagem de acordo com a idade dos entrevistados.

Dentre os usuários e os não usuários, a maioria da população acredita na eficácia e nos efeitos que as plantas medicinais possuem (80,13%). Em relação ao uso ou não de plantas medicinais ficou distribuído da seguinte forma de acordo com o gênero:

Masculino Feminino Utilizam plantas medicinais

Não utilizam plantas medicinais

30,83% 13,83%

47,83% 7,5%

Tabela 1: Índice de consumo conforme gênero.

Assim como demonstrado por Martinazzo e Martins (2004), Silva e Souza (2007), e Zucchi et al. (2013), o público feminino predomina na utilização de plantas medicinais e é a principal detentora e transmissora deste conhecimento popular,

15,17 11,67 15,17 20,00 21,67 11,67 4,33 20 A 29 ANOS 30 A 39 ANOS 40 A 49 ANOS 50 A 59 ANOS 60 A 69 ANOS 70 A 79 ANOS MAIORES DE 80 ANOS

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5 assumindo em suas pesquisas índices valores acima de 60% para o público feminino de consumidoras.

Quanto à ocupação profissional a maior parte da população masculina utilizadora de plantas, são trabalhadores registrados em carteira (24,25%) e aposentados (16,79%). Já na população feminina a maioria se declarou como do lar (34,24%) e trabalhadora registrada em carteira (33,08%).

Gráfico 2: Porcentagem da ocupação profissional dos utilizadores segundo o gênero.

Segundo os dados levantados na pesquisa a maior parte das informações sobre a utilização de plantas medicinais é proveniente da tradição familiar, seguidos dos contatos sociais e pela mídia. Nota-se que tratamentos e acompanhamentos com profissionais são quase nulo, o que indica uma forte necessidade da inserção destes serviços no mercado para seguridade da população.

O uso informal e recomendado por alguém próximo é um método empírico que possui muitas vezes validade e em outras não se verifica da mesma forma, os potenciais de risco ou até mesmo a ineficácia do tratamento estão correlacionados com o uso indevido da planta, seus métodos de extração e posologia interferem na biodisponibilidade dos princípios ativos e em sua ação farmacológica (PANIZZA, 1997; ALONSO, 2008; ITF, 2008) 8,21 24,25 15,67 1,87 0,75 16,79 34,24 33,03 7,88 0,00 6,67 4,85 0 20 40 60 80 100 Do lar Trab. Registrado Trab. autônomo Trab. eventual Estudante Aposentado Feminino Masculino

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Gráfico 3: Origem do conhecimento acerca da indicação de plantas medicinais, em porcentagem.

Em relação aos locais de aquisição das plantas medicinais, a população em sua maioria recolhe as espécies de hortas caseiras (56,05%) ou supermercados e lojas de produtos naturais (30,57%). Outra parcela obtém direto em matas e terrenos onde as espécies nascem espontaneamente (24,42%), porém menos de 20% as adquirem em farmácias aonde existe maior controle de qualidade do produto consumido.

Gráfico 4: Locais de aquisição das plantas medicinais, emporcentagem.

45,86 73,04 20,38 0,42 7,01 5,31 1,91 0 20 40 60 80 100

Avós Pais Vizinhos /

Amigos

Profissionais Televisão Revistas Outros

Entrevistados que utilizam as plantas

56,05 30,57 24,42 19,96 18,05 5,94 0,64 Horta Caseira Supermercado Mato/Campo Farmácia Vizinhos/Amigos Horta Comunitária Outros

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a utilização de plantas medicinais é bastante difundida entre a população de Poços de Caldas, principalmente entre os idosos, que foram mais que maioria dos entrevistados, assim como as mulheres. A indicação das plantas medicinais no tratamento de diversas doenças e seu preparo é transmitida de geração em geração de forma empírica.

Ao mesmo tempo a procura por profissionais do ramo ainda é pequena e sugere um campo de atuação para os farmacêuticos, desde a Assistência Farmacêutica até a pesquisa nos diversos campos.

Neste trabalho, verificou-se que a maioria dos habitantes, de todas as ocupações profissionais, principalmente os trabalhadores, de várias idades e gênero sexual, utiliza as plantas medicinais como uma alternativa na forma de prevenção, tratamento e cura de doenças, indicando um amplo mercado a ser desenvolvido na região.

É sabido que há uma grande preocupação entre diversos pesquisadores em esclarecer aspectos relacionados à identificação e ao uso adequado das plantas medicinais. Logo, surge a necessidade de estudos mais aprofundados, que venham a integrar uma junta de profissionais, a interagir entre si e com a população local a fim de mostrar os benefícios e riscos que a utilização de plantas medicinais pode promover, sempre visando à busca de melhores condições de vida para o ser humano, e a garantia e qualidade de saúde através da utilização adequada das espécies vegetais em seus respectivos ambientes.

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8 FONTES CONSULTADAS

ABIFISA - Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde. Online. Disponível em: <http://www.abifisa.org.br>. Acesso em 11 ago. 2014.

ALBUQUERQUE, U.P.; HANAZAKI, N. As pesquisas etnodirigidas na descoberta de novos fármacos de interesse médico e farmacêutico: fragilidades e perspectivas. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.16, supl., p.678-89, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2006000500015>. Acesso 17 ago. 2014.

ALONSO, J. R. Fitomedicina: curso para profissionais da saúde. São Paulo: Pharmabooks, 2008. 196 p.

BRASIL. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica. A fitoterapia no SUS e o programa de pesquisas de plantas medicinais da Central de Medicamentos. In: Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde. Brasília, 2006. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/fitoterapia_no_sus.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2014.

ITF, Índice Terapêutico Fitoterápico. Petrópolis: EPUB, 2008. 328p.

IBGE. Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia – cidades. Online. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=315180>. Acesso em 13 ago. 2014.

KALLUF, L. de J. H., Fitoterapia Funcional, dos Princípios Ativos à Prescrição de Fitototerápicos, 1ª ed., VP editora, São Paulo, 2008.

LORENZI, H.F.; MATOS F.J.A. Plantas Medicinais do Brasil, nativas e exóticas. 1 ed. São Paulo: Plantarum, 2002.

MACIEL, M.A.M. et al. Plantas medicinais: a necessidade de estudos multidisciplinares. Química Nova, v.25, n.3, p.429-38, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/qn/v25n3/9337.pdf>. Acesso 18 ago. 2014.

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9 MARTINAZZO, A. P.; MARTINS, T. Plantas medicinais utilizadas pela população de Cascável/PR. Arq. Ciênc. Saúde Unipar, v. 8, n. 1, Jan./Abr., Umuarama, 2004. Disponível em: <http://revistas.unipar.br/saude/article/view/234/207>. Acesso em: 12 ago. 2014.

MELO, J.G. et al. Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil: castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum L.), capim-limão (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf) e centela (Centella asiatica (L.) Urban). Acta Botanica Brasilica, v.21, n.1, p.27-36, 2007. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-33062007000100004&script=sci_arttext>. Acesso em 16 ago. 2014.

PANIZZA, S. Plantas que curam. 20ª ed., São Paulo: IBRASA, 1997. 279p.

SANTOS, Glauber Eduardo de Oliveira. Cálculo amostral: calculadora on-line. Online. Disponível em: <http://www.calculoamostral.vai.la>. Acesso em: 11 mar. 2014.

SILVA, J. O.; SOUZA, P. S. de. Levantamento etnobotânico das plantas medicinais utilizadas pela população da Vila Cannã região sudeste – Goiânia, Góias. Ciência Agrotécnica, v.32, p.87-88, 2007. Disponível em: <http://anhanguera.edu.br/home/index2.php?option=com_docman&task=doc_view& gid=225&Itemid=1>. Acesso em: 16 ago. 2014.

SILVA, M. I. G. Utilização de Fitoterápicos nas Unidades Básicas de Atenção á Saúde da Família, no Município de Maracanaú – Ceará. 2013. 160 p. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2013. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2006000400003>. Acesso em 18 ago. 2014.

ZUCCHI, et al. Levantamento etnobotânico de plantas medicinais na cidade de Ipameri – GO. Rev. Bras. Pl. Med., Campinas, v.15, n.2, p.273-279, 2013. Disponível em: <www.scielo.br_pdf_rbpm_v15n2_16>. Acesso em: 16 ago. 2014.

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