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SÔIA MARIA MARAHÃO DE ARAÚJO

PERFIL DO ESIO MÉDIO PRIVADO EM GOIÂIA A

ÚLTIMA DÉCADA DO SÉCULO XX

UIVE RSIDADE CAT ÓLI CA DE GOI ÁS M ESTRADO EM E DUCAÇÃO

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SÔIA MARIA MARAHÃO DE ARAÚJO

PERFIL DO ESIO MÉDIO PRIVADO EM GOIÂIA A

ÚLTIMA DÉCADA DO SÉCULO XX

Diss ertação apresent ad a ao C urso de

Mest rado em Educação da

Univ ersidade C ató lica de Goi ás (UC G), para a obt enção do títul o de mest re em Edu cação .

Área de Con cent ração: Políti ca e Gestão d a Ed ucação.

Ori e ntadora: Profa. Dra. El i an da

Fi gueired o Arant es Ti ball i

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BACA E XAMIADORA

Ori ent ado ra

Pro fa. Drª Eli anda Fi gueired o Arant es Tib all i

Prof. Dr. J os é Ternes

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A minha filha Renat a font e permanent e d e inspi ração , sonhos e es peran ças.

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Lista de Sigl as

ABE – Associação Brasileira de Educação APMs – Associações de Pais e Mestres

BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento BM – Banco Mundial

CEBS – Comunidades Eclesiais de Base

CEFPE – Centro de Formação dos Profissionais da Educação CEMEI – Centros Municipais de Educação Infantil

CEPAL – Comissão Econômica para América Latina e Caribe CEs – Conselhos Escolares

CF – Constituição Federal

CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica

CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação CONFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

COMDATA – Companhia de Processamento de Dados do Município de Goiânia COMOB – Companhia Municipal de Obras

CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito

EAJA – Educação de Adolescentes, Jovens e Adultos EC – Emenda Constitucional

EDURURAL – Programa de Educação Básica para o Nordeste Brasileiro ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio

FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador FHC – Fernando Henrique Cardoso FMI – Fundo Monetário Internacional

FMMDE – Fundo Municipal de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino. FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

FPE – Fundo de Participação dos Estados FPM – Fundo de participação dos Municípios

FUNDEF – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério

FUNDESCOLA – Fundo de Fortalecimento da Escola IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS – Imposto s/ Circulação de Mercadorias e Serviços INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social

ISS – Imposto s/ Serviços

LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LOM – Lei Orgânica do Município

MDE – Manutenção e Desenvolvimento do Ensino MEC – Ministério da Educação e Cultura

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais

PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola. PDE – Plano de Desenvolvimento Escolar

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PIB – Produto Interno Bruto

PIS – Programa de Integração Social

PASEP –Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PME – Plano de Melhoria Escolar

PNAC – Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania PPP – Projeto Político Pedagógico

PRODASEC – Programa Nacional de Ações Sócio-Educativas e Culturais para as Populações Carentes Urbanas

PRONASEC – Programa Nacional de Ações Sócio-Educativas e Culturais para o Meio Rural RME – Rede Municipal de Educação

SAEB – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica SECULT – Secretaria Municipal de Cultura

SEPE – Sindicado dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia – GO SEMEL – Secretaria Municipal de Esporte e Lazer

SENAC – Serviço Nacional do Comércio SENAI – Serviço Nacional da Indústria

SINEPE – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular no Estado de Goiás SINPRO – Sindicato dos Professores

SINTEGO – Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás SME – Secretaria Municipal de Educação

TCE – Tribunal de Contas do Estado

TCMs – Tribunal de Contas dos Municípios

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Lista de Ta belas

Tabel a 1 – Matrículas no En sino Médi o em Goi ás 19 95/ 2002

Tabel a 2 – Percentu al d e Mat rí cul as no Ensino Médio – Goiás 1995/2002

Tabel a 3 – Tax a d e Cresci mento do Nú mero de Mat rícul as no Ensi no Médio – Goi ás – 1 995/ 200 2

Tabel a 4 – Goiâni a – Popul ação

Tabel a 5 – Es tabel eciment os de Ensin o Médi o – Goiânia 19 96/ 2002

Tabel a 6 – Percen tual de Est ab el eci ment os de Ensino Médi o em Goiâni a 1996/ 2002

Tabel a 7 – Taxa de cresci mento do Nú mero de Es tabeleci ment o de Ensi no Médio Tabel a 8 – Taxa de Aprovação, R ep rovação e Aband ono de Ensi no Médio

1998/ 2001

Tabel a 9 – Número de aprovados em Medici na na U FG 1 995/2002 Tabel a 10 – Percent ual de aprov ados em Medi ci na U FG 1995 / 2002 Tabel a 11 – Número de aprovados em Odontol ogi a n a UFG 19 95/2002 Tabel a 12 – Percent ual de aprov ados em Odontolo gi a na U FG 1995/20 02 Tabel a 13 – Número de apro vados em En genhari a Civil U FG 1995/2 003 Tabel a 14 – Percent ual de aprov ados em Engenhari a Ci vil U FG 1995/ 2003 Tabel a 15 – Número de apro vados em En genhari a da C omp. UFG 1998/ 200 3 Tabel a 16 – Percent ual de aprov ados em Engenhari a d a C o mp. U FG 1 998/2003 Tabel a 17 – Número de apro vados em Direito Matut i no UFG 1995/2 002

Tabel a 18 – Percent ual de aprov ados em Direit o Matutino U FG 1 995/ 2002

Tabel a 19 – Número de apro vados em Pu blicidade e Prop aganda U FG 1997/2003 Tabel a 20 – Percentual de aprov ados em Publi ci dade e Propaganda UFG

1997/ 2003

Tabel a 21 – Evol ução do Nº d e In stitui ções de Ensin o Superior 1 990/ 199 8 Tabel a 22 – Inst itui ções d e Ensi no Su peri or po r organi zação acad êmica, 1999 Tabel a 23 – Ex pans ão d a rede de ensino s uperio r em Goiás – 1 996/2 000 Tabel a 24 – Prin ci pais Redes Educacion ai s no Brasil

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Lista de Gráfic os

Gráfico 1 – Porcentagem de aprovação no Vestibular Medicina UFG 1995/2002 Gráfico 2 - Porcentagem de aprovação no Vestibular Odontologia UFG 1995/2002 Gráfico 3 - Porcentagem de aprovação no Vestibular Engenharia Cívil UFG 1995/2002 Gráfico 4 - Porcentagem de aprovação no Vestibular Engenharia da Comp. UFG 1998/2002 Gráfico 5 - Porcentagem de aprovação no Vestibular Direito MatutinoUFG 1995/2002 Gráfico 6 - Porcentagem de aprovação no Vestibular Publicidade e Propag. UFG 1997/2002

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RESUMO

Est e trabalho apresenta u ma revis ão bib liográfi ca e uma pesqui sa d e campo, sob re o t ema que con cerne à eliti zação d o ensin o em Go iâni a, parti cul arment e do Ensin o Médio, com i mplicações na demanda para o ensin o superio r, a parti r das rel ações e mud an ças que sobrevieram com o adv ent o do neoli berali s mo e da gl obali zação, causando i mpact o em t odo s os setores da so ci edade, dent re eles, a Educação, no cont exto soci al, t ant o do aluno q uanto do pro fess or, ress al t an do, tamb ém, a interferênci a d e caus a e cons eqüência dest a relação nos component es curri culares e na vida fut ura do alu no, ou sej a, no mercado de trabal ho. Analis an do discursos d e docentes e do cument os ofi ciais que fundament am a Educação no Brasi l, observa-s e que est a tem sido cal cada em bases ut ópi cas quando se refere ao asp ecto social e predomin ant ement e de base t radi cion ali sta e eliti zant e no que se refere ao processo de acess o do ci dadão ao ensi no e à aprendi zagem, s end o visível a relação de nexo caus al ent re o neoliberalis mo, a tendênci a à privati zação, a excl us ão do aluno menos favoreci do e a el iti zação da soci edade, no cont ex to educaci onal. Con stat ado est a reali dade, é nest e perfil q ue se basei a a p resente diss ert ação.

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ABSTRACT

This work presents a bibliographical revision and a research of field, on the subject that it concerns to the elitização of education in Brazil, particularly average education, with implications in the demand for superior education, to break in the relations and changes that they sobrevieram with the advent of the neoliberalismo of of the globalization, causing impact in all the sectors of the society, amongst them, the education, in the social context, in such a way of the pupil how much of the professor, standing out, also, the interference of cause and consequência of this relation in the curricular components and the future life of the pupil, or either, in the work market. Analyzing speeches of professors and official documents that base the Education on Brazil, it is observed that this has been calcada in descontextualizadas bases when is mentioned to the social aspect and predominantly of traditionalistic and elitizante base as for the processes of and to the access of the citizen to education and the learning, being visible the relation of causal nexus between the neoliberalismo, the trend to the privatization, the pupil and the society, in this specific aspect. Evidenced this aspect, it is in this diapasão that if bases the present paper.

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S UM ÁRI O

LIST A DE SIGLAS E ABR EVIATURAS ... 05

LIST A DE TABE LAS ... 07

LIST A DE GR ÁFIC OS ... 08

RESUMO ... 09

AB STR ACT ... 10

INTRODUÇ ÃO ... 13

CAPÍTU LO I - MENOS ESTADO E MAIS MERC ADO: PR IVATIZAÇ ÃO ESTIMU LADA ... 19

CAPÍTU LO II - ALGUMAS CONSIDER AÇÕES HISTÓR ICAS SOBR E O CONTEXTO EDUC AC IONAL BRASILE IRO NO SÉC ULO XX... 34

1.1. As l eis da Edu cação no B rasil ... 35

1.2. Políti cas Ed ucacionais do Est ado no Perí odo d e Transição ... 46

1.3. Fern an do Henriq ue C ardoso: “A Década da Educação” ... 57

CAPITU LO III – A E LITIZAÇ ÃO DO ENSINO PR IVADO REVELADA EM NÚMEROS ... 63

1.1.O que nos revelam os vestibulares – 1 995/2003 ... 72

1.2.O C resci mento d o Ensino Sup erio r Privado ... 85

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CONSIDERAÇ ÕES FINAIS ... 113 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...116 ANEXOS ...127 Anexo 1 ...128 Anexo 2 ...131 Anexo 3 ...134 Anexo 4 ...138 Anexo 5 ...144 Anexo 6 ...182

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ITRODUÇÃO

Com o p res ent e trabalh o, pret endemos demo nst rar como o cont exto histó ri co neoliberal dos últi mos an os e a l egi sl ação ofi ci al, cont ribuí ram para deli near o perfi l do Ensi no Privado no Brasil e, em esp ecial , em Go iânia, evi denci ando qu e o cresci mento do n úmero d e es col as pri vad as deso bri gou o Est ado co m a ampl iação da rede pública de ens ino de modo a at ender o cres ci ment o populacional e, em es peci al as faix as men os favo recidas da popul ação.

Assi m, al mej amos id enti fi car os vãos e d es vãos l egi sl ati vos que legali zaram a práti ca empres arial no setor d e Ed ucação e a el itização do E nsino Médi o em Goi âni a na últi ma d écada. O que nos l evou a considerar t al pro blemát ica foi uma p rol ongad a con viv ên cia, obs ervação e at uação como pro fess ora em es col as particul ares de ní vel médi o, além de ter chamad o nossa at en ção as vári as report agens sobre es ta t emáti ca publi cadas em periódi cos goi anos e naci on ais , durant e a década que correspond e ao p erí odo d eli mit ado para est a investi gação – an os 90 do séc. XX.

Para a formul ação desse trab alh o ut i lizamos co mo referen ci al várias obs ervações feit as durant e noss a t raj et óri a pes soal e profi ssion al, bem como estu dos real i zados, durant e a gradu ação em Hist ória e o Mestrado em E du cação que nos l evaram a ter u m i nteresse p arti cular pel a pol íti ca ed ucacion al b rasil ei ra em sua rel ação com o perfi l da es col a pri vad a d e ensi no médi o.

As font es i nformati vas dess a pesquisa fo ram as pol ít icas educacionais des en vol vid as e apli cadas p or meio das Lei s de Diret ri zes e Bases promul gadas no contex to hist óri co Republ icano, cuja concepção polít ica esti veram mais próxi mas do eli tis mo soci al, garantin do o cresci mento do Ensino Priv ad o no

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Brasil. A d esp eito do quadro ap arentement e caóti co em que se t ransformou o ensi no no sist ema ed ucacion al b ras ileiro nos últi mo s an os, é bom q ue s e d est aqu e que h á s empre boas es co las priv ad as , de Ensi no Médio qu e procuram oferecer uma edu cação que vis a a formação gl ob al e i nte gral do al uno. Entret ant o obs erva-s e que o cres ci ment o ocorri do em mei o às mu danças po líti cas e econô micas das últi mas décadas , as qu ais colocaram em cen a n ovos probl emas decorrentes da obt enção do lucro fácil e rápi do, que muit as v ezes i gn oram a necess ári a e adequada formação es col ar das novas geraçõ es .

Assi m, ar gument am os arti culist as : “Essenci al s e tor na d es mistifi ca r a trans miss ão da t écnica como sendo a única função d a educação ”. Assi m, “a lógi ca inst rumental reina nte ger a pes soas incapaz es d e refletir e criar ”. Est ari am os vestibulares cobran do refl exão em suas provas? Ou s erá qu e a reali dade classi ficat óri a é conivent e co m a f ast imbecili za ção?

Mes mo sabendo que periódi co s não são font es fidedi gnas, apen as a títul o de i lust ração , vamo s cit ar o Jornal “O Popul ar” devido a publi cação t er aguçado nossa curi osid ad e. est as e outras repo rt agens n ão s ão, logi cament e, noss as prin ci pai s font es, mas el as servi ram p ara nos despert ar ao anali sarmo s o p erfil mercant ilist a de cert as es colas pri vadas e a inoperân ci a do Es tad o em co ibi r tais práti cas, o que to rn a a educação u m ex cel ent e negócio, oferecido até mes mo em cl assi fi cados de j ornais de gran de ci rcul ação co mo aquele que ti vemos a oportunid ad e de l er em “O Po pular”, de 11 de s et embro de 2002, na seção d e negócios – cl assi fi cados, pá gin a 9: “SUPLETIVO - 1º, 2º graus, sem freqüênci a. Conclus ão em 3 0 di as. F: 3941-236 8/9681-2083. (anúnci o nº 8040860)”. No Po pul ar de vint e e cinco de j ulho de 2 003 aparece um arti go sobre s upl etivos rel âmpa gos out ra práti ca qu e se assenta nos desv ão s le gisl ativos e está sendo permiti da. As si m se express a Cristi ano Leobas “Escol a fo rma em apenas 5 meses” – di ret ores de quatro colé gios de Goi âni a co bram providênci as d a Secret ari a Estadual de Educação e do SINEPE e SEPE, para coibi r su pletivo s irregul ares.

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O jornal “O Popul ar ”, de ci nco de maio de 2003, publi cou o art i go “Rede Pú bli ca em Des vantagens ”, assinado p or: Maís a Li ma e Marília C ost a e Silv a, mostrando q ue “é precis o muit o esfo rço para vencer a co ncorrência e qu e a disputa aci rrad a cau sa aut o-ex cl usão”. Argu mentam ainda qu e “o cu rsin ho é um luxo a que p ou cos alunos da r ed e públ ica po dem s e dar. #ão é à toa que os estu dantes dos curso s da área d e biol ógi cas da Uni versid ad e Feder al de Goiás (UFG), on de a ap ro va ção n o vestibular é nota da mente de ca ndida tos da es cola parti cul ar, são os que mais r ecor rem a este r efo rço: mais de ci nqü ent a por cent o admit em q ue passa ram por um cursinho”.

Nest e di apasão, anali sando o En sino Médio Priv ad o em Goi âni a, obs ervamos, em paral elo, o grande cres ci mento do Ensino Priv ado Superi or, e perceb emos q ue est e é muit o maior que do que aqu el e. Assi m co m a int enção de compreendermos a rel ação ex isten te ent re o cres ci ment o desses dois níveis d e ensi no, b us camos conhecer al guns trab alh os sobre o as sun to co mo a d e Jos é Maria B aldin o, que ch amou de “desor dem aparent e”, a exp ans ão o co rrida n a décad a d e 8 0 so b o t ít ulo: o “En sino Sup erio r em Goi ás em Tempos de Euf oria ”, A t es e de Mari a Ant ôni a Go mes, se an alisou o cres ci mento do ensi no superior priv ado e escreveu “A Expans ão e a Reconfiguração do Ensin o Sup eri or Pri vad o nos Anos 90: o caso do muni cí pio d e Go iâni a”. B em como , a t es e do pro fess or Lui z Fernand es Dourado, sob o títul o “Expans ão e Int eri orização d o Ensin o S up erior em Goiás nos Anos 80: A Pol íti ca de Pri vati zação do P úbl i co ”, que muit o n os aux ili aram na formul ação dest a diss ert ação .

É i mport ant e res salt ar qu e n em s empre os números refl et em t oda a riqu eza da realid ad e q ue buscamo s observar, mas dedi camos amplo espaço p ara a apresent ação de estatísticas , gráfi co s e t ab el as cujo s d ad os result aram de uma intensa b us ca no esforço de melh or compreen são de no ss a obj eto de i nvesti gação. Muit as vezes consegu i mos cap tar fragment os des sa real idade através de u m reco rrer contínuo às font es como o IBGE , Cen so Escol ar/ INEP, SEPLAN, B anco de Dados da Univ ersidade Federal de Goiás e ao B an co de Dados d a Secret ari a

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de Educação d e Goiás. Os dado s quantit at ivos, embora apres entem fragmentos da reali dade, são rev el ado res da tot ali dade do obj eto i nvesti gad o q uando con front ados com outros dados e an alis ados q ualit ativ ament e. Esse foi o pro cedi mento qu e ad otamos para d eli near o perfi l do ensi no médi o em Goi âni a.

Para compreendermos o pro jet o Neoli b eral no B rasil e suas estrat égi as para a Edu cação procu ramos o context o int ernaci on al mai s amplo b us cando elucidar os s i gni fi cados p olíti cos da Glo bali zação e Neolib eralismo po r meio d e estu dos já publ icad os que t rat am dess a t emáti ca. Con sta ai n da deste est udo as normas educaci onais do B rasil con tempo râneo an alis adas por meio de su as Leis de Diret ri zes e B as es e das Di retri zes Curricul ares Naci on ais, dando especi al at en ção às realizações, no pl ano Educacional , dos gov ernos da Nov a R epúbli ca.

Real izamos ai nda, al gu mas en trevi stas co m pessoas diret amente envol vidas com a edu cação , na bus ca d o p erfil políti co pedagó gi co e das diret ri zes curri culares da es cola p ri vada de Ens ino Médi o em Goi âni a. Utili zand o os recu rsos da Históri a Oral fi zemo s t ais entrevi st as. Assi m fundament ad a nas ent revist as e dado s estatí st i cos e insp irad a n o farto mat eri al que hoj e s e encont ra publi cado tanto ofici al ment e co mo em out ros v eí culos de co municação, focalizamos a eliti zação d o ens ino médio privado em Goi ân ia.

Pro cedendo através de uma an ális e quant itati va, buscamos del inear o Perfil do Ensino Médi o Pri vad o em Goiânia, refletid a no s processos de s el eção p ara o ensi no superior, o que nos permiti u constatar a concep ção d e Educação direcion ad a pel o Mercad o e p ara o Mercado, demons t rada pelo co nteúdo est atíst ico do s quadros comparat i vos , gráficos e t abel as elaborados du rant e es ta investi gação do ensi no brasil ei ro na década de 90.

O universo pesquis ado, de manei ra di ret a, inclui u dez colé gi os de En sino Médi o, da rede pri vad a de Goiâni a, onde apli camos u ma ent revis ta de 12

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questõ es abert as a q uat ro di retores e s ei s coord en ad ores que nos receberam no s dev idos colé gios , procu rand o con hecer os diferent es aspecto s dessas realidades, a parti r da vis ão obt ida at ravés das res po stas de cada ent revis tad o. O cri tério de escol ha dos col égi os para a ent revist a fundamentou-s e numa list a forn ecida pel a Secret ari a Est ad ual de Educação revelando o Censo Es co lar de 2002, além da represent ati vid ade que el es pos suem em nos sa capi tal , conhecidos como os maio res e melho res, ou ainda pelo tempo que atuam no mercad o do ensino parti cul ar, o que den ota su a credibili dade.

Est e est udo consi st e port anto em u ma i nvesti gação sobre a ess ênci a do fun ci onamento pedagó gi co e das regras internas d e cad a ins titui ção, visando à con cretização dos objetivos propostos.

Para ex por os result ad os de nos sa in vest i gação apresent amos em u m pri mei ro momento, u ma abord agem críti ca so bre a relação Es tad o e mercado no con tex to edu cacional , de u ma forma abran gent e e vincul ada a outras áreas, como a so ci al e a econ ômi ca, d e modo a demon strar qu e a sob repo si ção do mercado ao Est ado leva a est i mu lação d a pri vatização .

Já no s egundo capít ulo, dest acamos o cont ext o educacion al brasil ei ro no sécul o XX, enfocando t ant o a l egis lação qu e rege a área educacio nal no País, quanto as polí t icas educaci onais da nova república, i nv esti gando com maio r ênfase a ch amada “Déca da da Edu ca çã o”, n o governo d e Fernando Henri que Cardos o, po r t er si do est e o Presi dente do B rasil duran te o perí odo que investi gamo s – d écada de 90 do século XX.

Em s egui d a, n o t erceiro capí tul o, dis cu timos a relação que se p ode est abel ecer ent re cresci ment o quantit ativo d o ens ino superi or priv ad o no Brasil e o con seqü ent e e co nsi derável aument o de escol as e cursos p ri vados de en sino médi o no paí s. C omo resul tado apresent amos o perfil das escol as priv ad as de ensi no médio em Goi âni a, na úl ti ma década, no quarto e últi mo cap ítulo .

(18)

As an ális es e con clus ões t erão l u gar na últi ma p art e da p res ent e diss ert ação, qu al sej a, as consi derações finai s.

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CAPÍTUL O I

MEOS E STADO E MAI S MERCADO: PRI VAT IZAÇÃO E STIM ULADA

Ant es d e t er, como enfoque t eóri co, outro s itens abordados po r este estu do, é import ant e dissecar, à lu z de al guns auto res reno mad os, os aspectos con ceituai s e out ras questõ es qu e env olv em a p roblemát ica d o capi tal i smo e do Est ado , pass and o po r uma abo rdagem t eóri ca a respeito da q uest ão do mercado, sem ai nd a adent rarmos n a es peci fi cidade da priv ati zação e su a esti mul ação p elo neo liberali s mo, obj et o d e est udo d est e pri mei ro capít ulo.

É possível obs erv ar que o capit ali smo vi v en ciou u ma p ro funda trans formação desde a cri se int ernaci o nal de 1973. Em pri mei ro l ugar, as emp res as multi naci o nais passaram a s er resp onsáveis pel a mai or p arte do vol ume de produção e comérci o do mun do e, desde ent ão, os invest i mentos no est rangei ro to rnaram-s e cad a vez maiores e a econo mi a cada vez mais gl obali zad a. Em s egundo lu gar, o vol ume d e capit al ger ado pel as empresas parti cul ares sup erou o que estava nas mãos do Est ado, o que cert ament e revel ou a in ferio ridade econô mi ca do go verno di ant e dos gran des mon opólios e incenti vou a pri vati zação de emp resas est at ais. Em t ercei ro l ugar, a con co rrência ent re a Europa o ci dent al, os EUA e o Japão pass aram a ex i gi r um au ment o de efi cácia na produção e uma bu sca frenéti ca p or novos mercad os. Em res post a a ess as exi gên ci as , acon teceu a afirmação dos set ores de serviços de alt a tecnol o gi a.

Sobre o aspecto hist óri co do neol iberalis mo, afirma Azevedo (20 01:09):

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Estado formulada a part i r do século XVII, expr ess ando o ideári o do liberalis mo cl ássi co então emergent e, Est a t eor i a foi sendo paulati namente modif icada e adaptada, à medi da que o a vanço do cap italis mo delin ea va a estr utur a de cl asses com maior niti dez, traz endo -a para o cent ro da cena econô mi ca e políti ca.# es te process o, o Est ado lib eral burguês pas sa a incorpo rar uma nova dimensão de legit imi dad e: a igualda de pas sa pel o alargamento do s direitos pol íti cos do s ci dadãos , proclamado como o meio de garantir a p arti cipação no pod er e seu control e, fundament ado e organiz ado na for ma de uma demo cracia.(A ZEVEDO, 2000: 09)

Dess e modo , pode-s e dep reender que a idéi a bás ica do Neolib erali s mo é de que se os h omens ti ves sem tot al liberdade para inv est ir e lu crar, p romov eriam um desenvol vi mento do mercado capi tal ista que b enefi ci ari a a tod a soci ed ade. Assi m, o Est ado n ão dev e int ervi r na econ omi a, mas si m p ri vati zar os b en s e servi ços e t rans feri r empresas e bancos para a ini ci ativa parti cul ar, b em como os hospi tai s públi cos, a assi stência so ci al (apo sent adori a e pl anos de saúd e) e as universidades públi cas. Os i mpost os q ue são co brados sobre as grandes empresas dev em s er menores, a tít ulo d e i ncentivos fi scais . Tais medi das podem aument ar as di ferenças sociai s , mas, em compens ação, argu ment am os neoliberais, fazem sob rar mai s dinhei ro para os ricos invest i rem na econo mi a, result ando, em médi o prazo, em mais emp regos e melhores s alários .

Nest e di apasão, obs erva-s e qu e as du as medid as anteriores li gam-se ao cort e nos gast os públicos. Nem in vesti ment os em empresas estat ais , nem gastos soci ai s, que podem gerar defi cts na eco nomi a. In clu i aind a, abertura p ara as impo rtações at rav és de baix as taxas alfandegárias e do fi m do cont rol e do governo so bre as operaçõ es financeiras . No mun do int ei ro estão se formando livres mercados, facilidade para contrat ar e d emitir mão-de-ob ra, to rn an do as

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emp res as mais á geis. O i nvesti men to de capit al estrangeiro s em front eiras t orna assi m a economia do pl aneta mult inaci onal e globalizada.

Part indo dess es pressupost os, Ha yek (1977)1 e Fri edman (1984 )2 apresent am u ma propost a neoliberal para os serviços ed ucacionai s, abord ando mais d iret ament e a quest ão das pol íti cas públi cas, e t endo como pri ncípi o chave a no ção de li berd ad e indi vidual co ncebi da pelo lib erali s mo cl ássi co e sint eti zada pel a máxi ma “menos est ado e mai s mer cado”. Ess es aut ores , torn am cl aro como a pret en são neolib eral busca a con st rução da pol ítica co mo mani pul ação d o afeto e do s enti mento, en volvendo o ho mem co mo u m todo. Para isso, t rans forma a discuss ão políti ca em estrat égi a de conv en ci ment o publ i cit ári o; enaltece a pro duti vid ad e da ini ci ativa pri vada em o posi ção à in efi ci ênci a e ao d esp erdí cio dos servi ços públi cos; p ro move uma red efi ni ção d o co nceit o de ci dadani a, on de o agent e políti co se t rans fo rma em agent e econômico, e o cid ad ão em con su mi dor, consid erados el ement os de dest aqu e do p roj eto neolib eral global , con fo rme nos escl arece, ainda, Azevedo (2001: 09):

In corpor ando os arg umento s de A dam Smith e as fo rmu lações de Jeremy Bent ha m e James Mil I, a concepção “utilita rista de d emocracia” concebe a conduçã o da ativi dade. econômi ca pel a “mão invi sível” do mercado como uma condi ção apropri ada à maximização do b em-estar . Os fun da mentos da liberdade e do i ndivi dual ismo sã o t omados aqui para justi fi ca r o mercado como r egul ado r e dis trib uidor da riqu eza e d a rend a, co mpr eend endo -s e que, na medida em que pot en ciali za as habi lidades e a competiti vidade indi vidu ais, possibi l itand o a bus ca ili mitad a d o ganho, o mercado prod uz, inexor avel ment e, o b em-estar soci al .(AZEVEDO, 2 000: 0 9)

1

HAYEK, Friedrich A. von, The Road of Serfdom, Londres, Routledge, 1944. (Trad. española: Camino de Servidumbre, Alianza, Madrid. Trad. português: O Caminho da Servidão, ed. Globo, Porto Alegre, 1983.

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Assi m, pode-s e deduzi r q ue, com o es gotament o do Est ado de bem-est ar soci al que enfati za as Po líti cas Públi cas So ci ais de apoio aos meno s favorecido s sur ge o Estado Mín i mo co mo solução para a cris e fis cal do Estado. O Est ado Mí ni mo reti ra recursos d as políti cas p úblicas a favo r do aj uste fis cal v is ando fazer sob rar recurs os que sejam capazes de gerar u m sup erávit para li qui dar compro miss os int ernacionai s co mo a dívida externa, promover u m aju st e da dívid a int erna ou li berar recu rso s a fav or do grande capital , apoiando os mais favoreci dos e espoli ando os menos.

Def en sor es do “Est ado Mí nimo”, os neol iber ai s credi t am ao mercado a ca pa cid ade d e r egula ção do cap ital e do traba lho e co nsider am “as políti cas públi ca s” as principais responsá vei s pela cris e que p erp assa as soci edades. A interven çã o esta tal estaria af etando o equ ilíbri o d a ordem soci al e moral , na medida em que t end e a des respeitar os prin cí pi os da lib erdade e da i ndi vid uali dad e, valor es básico s do ethos ca pitali sta. (AZE VEDO, 2000 : 18)

Para Ha yek (19 77 ), a in gerênci a est at al é vi st a como u ma t endência que pode co nduzi r ao to talit aris mo e ao “caminh o da servi dão ”. Co m el e con co rda Friedman (19 84) que aponta os ri scos decorrent es d as i nt ervenções est at ais na econo mia e demai s esferas da vi da p ri vada, qu e est ariam int rodu zindo el evado s índi ces d e autoritaris mo n a vida s oci al .

Os neolib erai s v êem os programas d e proteção a trabal hado res, ex cluídos do mercado e pobres, como fato res qu e tendem a to lher a livre ini ci ativ a e a indivi dualid ad e, desesti mul and o a co mp eti t ividade e infri ngi ndo a éti ca. Admit em que os recurs os públi cos es ti mulam a i ndol ên ci a e a permi ssi vi dade soci al . Esta con cep ção foi ex plicit ada po r Ha yek ao afirmar q ue:

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[ ...] o ofereci mento dessa assistênci a, sem dú vida, induz alguns a neglig en ciar a cr iação de r es ervas p ara uma emerg ên cia, como poderia m fa zer por iniciati va própri a se tal assi st ên cia não existisse. Par ece então totalment e l ógi co exi gir, da quel es que apelam par a esse ti po de ampar o em ci rcunst âncias para as quai s poderia m t er -s e precavi do, qu e o f açam p or si mesmos. Uma vez q ue o atendi mento da s necessid ades ext remas da velhi ce, do desemprego, da do en ça, et c. é reconhecido co mo dever da coleti vidade, ind ep endent ement e de os p róprios indi víd uos poder em ou deverem prover essa s event ua lidades, e, em parti cular, uma vez qu e a ajuda é gara ntid a, levando os indi víduos a r eduzir su a ini ciati va pes soal , parece ó bvi o ser neces sári o comp el i-l os a se gar antir em (ou s e proverem) por cont a própri a contra ess as difi culdades nor mais da vid a. (HAY EK, 1983 : 346)

Out ra q uestão cent ral nos ar gument os neol iberais é o que cons ideram como inchamento da máqu ina go vernament al , compreendendo como nefastos os efeit os que as pol íticas soci ai s têm p rovo cado neste sentido, alem de s eus des dobramento s em t ermos de défici t públ ico.

Segu ndo Fri edman (1984), ao to marem para si a res pons abi lidade pelos pro gramas so ci ais, os go vernos geram a necess idade de mai ores receitas, sup rind o-as com o aumento da carga de t ribut os e dos encargos s oci ais.

Ent ret ant o, em rel ação à ed ucação, o neoliberalismo a reco nh ece como u m dos setores pi on ei ro s da i nt ervenção est at al, sendo uma das fun çõ es permit idas ao Est ado guardião. O p rópri o Fri edman não in cl ui a educação ent re as quato rze áreas ond e, na s ua concep ção, os s ubsí di os pú bli cos s ão i n ad mis síveis e assi m se refere ao s eto r:

London/New York, 1984.

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Coer ente co m as i déi as liberai s, a abordagem neol ib eral não questiona a respo ns abilidade do governo em g arantir o a cesso d e todos ao ní vel bás ico do ensino. Aprego a, contudo, a necessi dade d e um outro trat ament o para o sist ema edu ca cio nal. Postu la-se que os poderes púb licos devem transf erir o u di vi dir suas r espons abil idades admi nistrati vas com o seto r p rivado, um meio de estimular a co mpeti ção e o aquecimento do mer cad o, mant endo-se o padrão de quali dade na of ert a dos s er vi ço s. As famílias t eriam, a ssim, a chance de exerci t ar o dir eito de l ivre es col ha d o tipo de ed ucaçã o desejada p ara o s seus filhos. Ao mesmo t empo, minar-se-ia o monopóli o est atal exist ent e na ár ea, di min uin do -se o corpo buro cr át i co, a má quina a dmi nist rati va e, cons eqüentement e os gasto s públi cos”. (FRIE DMA#, 1984: 1 74)

Nest a afi rmação de Frid mam ap arece cl arament e o estí mulo a ini ci ativ a priv ada no setor educaci on al q ue caracteriza n ossa reali d ad e cont emporânea.

H yeke (198 3) defen de o mes mo po nto de vi st a parti ndo de ar gu ment os morais e ét i co s. Para es te aut or, a p róp ria magnit ude do pod er exerci do sobre a ment e h uman a, q ue um sist ema de educação altamente cent ralizado e do minado pel o governo colo ca nas mãos das auto ridades, deveria fazer-nos pel o meno s hesi tar ant es d e acei t á-l os. Assi m se ex press a es se autor:

#a verd ade, quanto mais co ns ci ent es estiver mos do p od er que a educação pod e exercer s obr e a ment e huma na, mais co nvi cto s devemos est ar do peri go de entr egar ess e poder a uma úni ca autor ida de. Hoj e, mais do que nu nca, é indefensável a idéia de que o gover no deve ad ministr ar as es co las , co mo também não mais s e justifi ca a maioria dos arg ument os ant es apres entados em s eu favo r . [...] Hoje, como as tradi ções e instit uições d a educação uni versa l estão firmement e impla ntadas, e co mo a maiori a dos pr obl ema s

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criados pela di stân cia já fo ram res olvi dos p el o tr ansport e moderno , não é mai s necessár io que a ed ucação seja n ão só fin an cia da, mas também minist rad a p elo go verno.(HAYEK, 1983: 450-51)

Considera, ainda, es se auto r, qu e a ed ucação é um mei o d e v alori zação do capit al h umano. Defendendo a i déia d e q ue o ensi no p rofis si onalizan te d ev e s er total mente privati zado, argumenta qu e g rand e part e d o a umento d a r enda que é possí vel auferir em ocupações que exi gem tal t rei na ment o, const ituir á tão -soment e u m r etorno sobr e o ca pital i n vesti do.(Op. Cit ., P. 453 ) Nest e pont o, H yeke t em suas p roposi çõ es refo rçadas pel as idéi as de Friedman que d efend e a possi bilid ad e de s e dar oport unidades para que i ndivíduos sem recurs os, mas tal entosos, pos sam val ori zar est e tipo de capit al. Considerando qu e o fat o de possuírem tal entos e habilid ades, disti n guem ess as pessoas como apt as a nos dar os retornos dos inves timen tos feit os na s ua profi ssional ização. Sugere, nos casos aci ma consi derado s, a possi bilidade de financi amento d a formação, medi ante emp résti mos públi cos ou pri vados , fi cando o benefi ci ári o responsável po r pagar a dívida, qu ando termi nar a sua formação. ( FR IEDMAN, 1984).

Os teóri co s cit ados defendem, ainda, um regi me polít i co lib eral , ou seja, com el ei ções decent es, li berd ad e d e i mp rensa e pl uri parti darismo. Acont ece que neo liberali s mo econômico n ão é a mes ma cois a que lib erd ad e p olíti ca, conforme escl arece Azev edo:

a pol ít ica educacion al, e como outras políticas soci ais, será bem sucedida, na medida qu e tenha por o rienta ção princi pal os dit ames e as l ei s que r egem os mercados , o pri vado. Chama-s e a at en çã o para o fat o de qu e n ão é out ra a mat riz teór ica que não a neo liberal , a fo nte que t em ins pira do proposi ções de políticas que su gerem a adoção de paradigma d a qu al idad e to tal, tal co mo adota do pel as

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empr esas, po r part e dos sist emas d e ensi no. (AZEVEDO, 2000 : 58 )

Pablo Gentili ao criti car o paradi gma neol iberal advert e para a ret órica que sust ent a t al polí tica educacional:

O neo liberal ismo formula um conceito específi co de quali dad e, d ecorr ente da s práti ca s empr es ariai s, e transf er ido , sem media çõ es, para o campo edu ca cio nal. Se os sist emas de Tot al Quali ty C ontrol (TQC ) t êm demon stra do um êxit o compro vado no mundo dos negó cios, deverão p roduzir os mes mos ef eitos pr oduti vos no campo edu ca ci onal .Por ou tro lad o, é imp ort ant e desta car que quan do os neolib er ais enfat iza m que a educação deve est ar subordin ada à s n ecessida des do merca do de tra bal ho, estão se r ef erindo a uma questão muit o esp ecífica: a urg ên cia de que o s ist ema edu ca cio nal se ajuste às demandas d o mun do dos empreg os.(GE# TILI, 1 996, p . 25)

O cresci mento d esord en ado e anárqui co que o s ist ema educacion al ve m sofrend o ulti mament e t em l evado a inevitável cris e d as i nst ituições es col ares . Est amos di ant e d e uma cris e de qu alid ad e como co ns eqü ên ci a da improduti vid ad e caract erí sti ca da atual forma d e gest ão admin istrativa de muit as escol as e das práti cas ped agó gicas i nadequ adas . Infeli zment e qu ant idade e qualidade não cami nharam paral elamente nos últ i mos anos , u ma v ez que, o cres ci ment o do nú mero de es col as e a sua pró pri a ex pans ão n ão nos d ão a cert eza da qu alid ade dos serviços oferecidos. Em suma, vivenci amo s hoj e mais do que uma cris e de qu an tidade, uni vers ali zação e extensão. Emer gem di ant e d os nossos olhos , nesse cont exto neoliberal , práti cas educativ as caren tes de comp romiss o políti co, éti co e d e resp onsabi li dade ci entífi ca. Noss a educação foi est ati zada e pro fundament e ideol o gi zada. Viv en ci amos uma crise geren ci al, ad mini strati va,

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ped agó gi ca e ética o que p rov oca d esprezí veis mecanis mos de exclusão e discri mi nação. Para mud ar essa escol a t em q ue acontecer uma mudança na s ua admi nist ração, ao mesmo t emp o em que as s uas práti cas ped agó gi cas devem torn ar-se mais adequad as e efi cient es e a ofert a edu caci onal mais fl exível .

Pelos parâmet ros neoli berais essa es col a d ev e se adequar aos n ovo s con ceitos de qu alid ade tot al e, além diss o, d eve acontecer uma grande reforma curri cular e a necess ári a requalificação dos seus profes sores. Tal p ropósit o torna a co nst rução de um eficiente e verdadei ro mercado educacional , pois est e deve ser o no vo as pecto das i nstit ui ções es col ares . A cons trução desse mercado é u m dos gran des des afio s a serem at endidos pelas políticas n eo liberais no campo edu cacional . Os n eol iberais argu ment am que a cul pa de todo ess e caos que h oj e se encont ra a educação brasil eira é do Es tad o de B em-estar s oci al e da fal ênci a das polí ticas po pulis tas qu e geraram efeit os i mp roduti vos . Consideram ai nda q ue a d emocraci a na pleni tude de sua realidade d ev e ser um si s tema polít ico que permit a ao s indiví d uos o des en vol vi mento e a capacid ad e de livre escol ha, pot encializando es sa cap acid ad e indivi dual at ravés da concorrência ofereci da pel o mercado.

O cidadão pri vat izado se consti tui no model o id eal de ho mem neoliberal , o grande cons umid or. Uma das estrat égi as do neolib eral ismo é ti rar a es col a da esfera da polít ica e i ns eri -l a n o mun do do mercado on de será reduzida a con di ção de mercadori a qu e pod erá ser co mprad a d eix ando de s er u m s ervi ço a ser p rest ado pelo Est ado e um di reito do cidadão.

Os neolib erais co nsi deram q ue ex istem elementos culpados e responsáveis direto s e outros indi retos pela cris e edu cacional . De um l ado acus am v orazment e o Est ado assis tenci al ista e as in stitui ções que bu scam si stematizar e defender o s direito s dos t rabalh adores , qu e são os si ndi cat os. De o utro lado, promov em uma priv ati zação generalizada, engl ob an do o êxito e o fracasso social, cul pabili zando os in divíduos p el a cri se, já que a i deol ogi a dos direit os s ociai s

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leva os in diví duos a fazerem reivi ndi cações qu e d ev eriam ser outorgad as apenas às pessoas d e gr and e mérit o, qu e rev el assem esforço indivi dual e s e con sa gras sem com o empreendedores e cons u midores. Inevi t av el ment e con sid eram que para s uperar a cris e dev em s er traçadas es trat égi as mais efi ci ent es no pl ano administ rativ o d e mo do a p ermiti r a const rução do necess ário mercad o.

Os p olíti cos, t ecno crat as e int el ectu ais con serv ad ores são unân i mes em admit ir q ue o mercado é a solu ção para enfrent ar a cri se. Consi deram que o s servi ços educacion ai s d ev em ser cont rol ados e aval iados em t emos de qu alid ade; e o mercado d e t rabalho deve geri r e s ubordin ar a produção edu cacional às suas necessidades.

Assi m a pol í tica educaci on al é ori ent ada para atender as n ecessi dades do mercad o d e t rabal ho pro movendo a empregabil idade. Dess a p erspectiva a função soci al d a edu cação es got a-se aí . Os grandes empres ários, q ue são os homens de negócios , defendem a id éi a de qu e nesse novo model o d e s oci edade a es col a t em a fi nalidade de gerar cert as compet ênci a e habi lid ad es i mprescin díveis para q ue as p ess oas desenvol vam su a capaci dade de competi ção no mercado d e t rabalho, que se con fi gura cad a v ez mais s el etivo e rest rito .

Na óti ca neolib eral , os empresários qu e souberam s er bem sucedi dos na vida e conduzi ram com êxito o mercad o, são as p es soas cert as para gerenci ar as escol as e nel as es t abel ecer u ma “liv re con co rrên ci a” para d est acar os mai s cap azes. Ness a óti ca é preciso i ncl ui r o si stema ed ucacional no mercado, p ara neu trali zar a sua i mprodutivi dade e a sua inefi ciência.

Contra esta fal ácia n os adv ert e Arro yo :

(.. .)A qualidade foi red uzid a ao do míni o de l ógi cas utili taristas, de saber es e ha bilid ades parciai s, de conh ecimen tos miúdos,

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mecâni cos, descon ectados de um p roj eto sóci o cultural mais global , e des co nect ados d e uma co ncepção mais rica de formação h uma na. Por outro lado, assist e-se à priori zação d e pr ofis sionai s sem erudição, s em cult ur a, s em compreen são mai s global dos p rocessos soci ais, pol íti cos, produti vos e até t ecnol ógi cos em qu e estão inseridos (ARROYO, 1992, p. 8 ).

Neolib eral is mo e gl obalização não são sinôni mos, mas ocorrem d e forma complementar e arti cul ada. A glob ali zação é a exp ressão hist óri co -soci al da atual forma capit alist a de in cessante mo vi mento de acumulação e intern acionali zação do capit al em esp eci al d o capital fin an ceiro e es pecul ati vo. A globali zação n ão é um process o novo , mas v em sendo amplamente crit icada dev ido ao s eu carát er exclud en te qu e tem cont rib uído para mud ar a ló gica do sen so comum s ob re a qu al repous am as noções de di reitos sociais e de i gu aldade nas s ociedades democráti cas, defendendo a co nst rução d e u ma nova ordem social que apon ta o l ivre mercado como a única solução natural.

O neoliberali s mo d o ponto d e vist a p olíti co é uma s uperest rut ur a ideológi ca cri ada pelo p rocess o de trans formação hist óri ca do capit alismo mod ern o. C o mo práti ca polí tica, é u m con junto de receitas e pro gramas políti cos de efeito ampli ad o, graças ao monopóli o dos avan ços ci entífi cos e t ecnol ógi cos , que possi bilit aram uma ex pans ão do capit al at é at ingi r a at ual et apa de gl obali zação3.

Ulti mament e as pol í ticas neolib erais superval ori zam a educação co mo asp ecto i mp ortantíss imo de cri ação e s us tent ação d e sua h egemoni a sobre out ras ideologi as , daí a grande preocupação dos neoli berais em formular um proj eto de edu cação qu e at enda a ess es fi ns trans formando a con cepção de i gualdade de direito s di fundi da pel o s enso comum. A t rans formação do s en so comum é

3 O tema “globalização”, apesar de estar bastante presente em nosso cotidiano, ainda não atingiu um consenso em termos de sua definição.

Quando se discute a política da globalização, dois são os elementos que á primeira vista aparecem como centrais: o reconhecimento factual de que a globalização existe e configura uma nova ordem internacional e de que são possíveis variadas inserções nessa ordem internacional globalizada.

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fun damental na con s trução, l egit i mação e aceit ação neoliberal , por s e ap resentar como u ma única sol ução para o modelo d e est ado e a única s aída p ara sol ucionar a cris e que o paí s at rav ess a em tod os os aspecto s. Daí decorre a i mpo rt ân ci a das refo rmas educacionais para a conso lidação da he gemoni a neo liberal sobre o utras políti cas ex ist ent es na soci edade, po is a educação compet e mudar a ót ica de mundo das nov as geraçõ es.

A es col a empres a segund o Cost a (1996) consist e em at ribuir-lh e u m con junt o de caract erísticas que su rgi ram das concepções e práti cas utili zadas n a área da produção ind ustri al . A escol a empresa est á s ust ent ada por b as es t eóri cas rel acionad as com uma co ncepção economi cist a e mecani cis ta do ho mem e a vi são reprodut ora da educação que concebe o al uno como matéri a-prima a s er mold ad a à i magem empresari al da es col a. Est a concep ção est á fundament ad a nos model os cl ássi co s da organi zação e admini stração indust rial e d e mo do es p eci al no s trabalho s d e Fred eri ck T ayl or e Hen ri Fa yol.

Frederi ck T aylor é um engenhei ro americano que em 1911 publi ca sua prin ci pal obra Th e Principl es of Sci ent ific Management apresent ando sol u ções para aument ar a efi ciênci a d as emp res as em s eu país. Nas cia assi m a Teori a d a Admin ist ração Cient í fi ca (Sci ent ifi c Management ) que int ro duziu nas emp res as um conjunt o de p rocedi ment os para aumentar su a efi ciên cia t endo como estí mulo a Revol ução Indust ri al e co mo p ropósit o a neces sidade de adequação do ho mem à máq uin a. Co m seu modelo de organi zação do t rabalho Tayl or tornou-se uma das fi gu ras mai s ex pressivas da ép oca e o s eu nome p ass a a desi gnar a corrent e d e pen samento chamad a ta yl o ris mo .

O ta yl o rismo constit ui u ma das marcas domin ant es em v ários aspectos dos modos de organi zação da ação educati va nas escol as . Para Coleman e Hus én a escol a perd eu su a especi fi cid ad e de prolon gamento da famí lia, de li gação ao meio para se trans formar n um tipo de administ ração anôni ma e numa indúst ri a de trans formação: “o ensino tornou-se cada vez mais formal e admini strat i vo, e é

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muita s vezes conceb ido à maneira da indústri a transfo rma dora ou d os s er vi ços cuj o objet ivo é f orn ecer u m pro duto ”. (C OLE MA# e HUSE# , 1990: 55)

Depois de Ta yl or s urge n a Fran ça o livro d o en genhei ro Henri Fayol chamado Admini st ra tion Industri ell e et Général e, out ro do cu ment o clássi co de admi nist ração. Fa yo l não situ ou sua invest i gação ao nív el das t arefas como Ta yl o r, mas no q uadro da est rut ura or gani zaci onal da emp res a entendend o a organi zação co mo u m todo, como u m co rpo.

A escol a como emp resa educat iva é sinteti zad a po r Muño z e Ronan d a seguint e manei ra:

A vis ão pro duti va da escol a acentua a impo rtânci a da eficácia (adequação dos res ultados aos o bjetivo s previ stos ) e d a ef ici ência (us o ad equado dos recurso s): pl anifi ca ção precis a e a justada direção por ob jet ivos, contr ole minuci oso da qu alid ade, sel eção e promo ção do pessoal direti vo e do cent e . (MUÑOZ e ROMA# , 1989 : 74)

Como percebemos Muño z e Roman en fat izam a “eficácia”, a “qu ali dade”, ponto s fund amentai s reivi ndi cados p el o neolib eralismo para a edu cação. A qualidade s e con sti tui na ambi cios a met a que tod os d evem bu s car. Toda melho ri a pen sada para a escola expl ica-se em termos de qu alid ad e, assi m o t ermo qualidade passou a ser o eixo do discurso ed ucacional , a palavra de o rdem mobili zado ra d e p rofess ores e empreendedores . A qu alid ad e pass a a s e cons titui r como met a n ecess ári a.

No B ras il o pro grama “Es col a d e Qu alid ade Total ” foi desenvolv ido por Coset R amos coo rdenadora adju nta do Nú cl eo Central de Qu alid ad e e Produtivi dade subo rdin ado ao Minist éri o de E ducação. A E scol a de Qual id ad e Tot al con sist e numa tent at iv a de ap licar os pri ncípi os empresariais de cont rol e

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de qualidade no campo pedagó gi co. A autora da pro post a sup õe qu e u ma s olu ção possí vel para a cri se educacional do país resi de na concepção do modelo brasil ei ro da Es cola de Quali dade To tal .

Em q ue co nsist e este prog rama d e q uali dad e para a E scol a? Basi cament e, na a pl icação do M éto do Demi ng de Ad mini stração na gest ão d e in stitui ções escolar es . Co sete Ramos destaca que a pa rtir dos ensina mentos de W. Edw ards Deming, e do desenvolvi ment o d e uma série d e estratégi as f undadas na apli cação de s eu célebr e “Mét odo de 14 Po ntos”, é p ossí vel “analis ar e repensar as estr uturas, fun çõ es e atividades da es col a”. As idéias de Deming, de gran de aceit ação no mundo dos n egócios, p od em (e d evem) s er apli cadas ao campo edu ca cio nal já q ue, seg undo a autora, “este ideário, ini cialment e uti liza do p ara empr esa s pr ivadas, pode s er extrapolado para qualquer tipo de orga nização human a, ind ep endent ement e de s eu víncul o, car áter , ta man ho, loca liza ção, área d e atuação ou razão d e s er ”. Toda a propost a da Es col a d e Quali dad e Total baseia -se em uma tradução es colar dos cita dos “ponto s” de Demi ng:

1. Filosofia da Qualidade 2. Constância de propósitos 3. Avaliação do processo 4. Transações de longo prazo 5. Melhoria constante

6. Treinamento em serviço 7. Liderança

8. Distanciamento do medo 9. Eliminação de barreiras 10.Comu nicação produti va

11.Abandon o d as qu otas numéricas 12.Orgulho na execução

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13.Edu ca çã o e a perf ei çoa mento

14.Ação para a Transfor mação”. (GE#TILI, 2001: 14 3-44 )

É a part ir dessa nova ret órica de qu ali dade t ot al que está s e organi zan do a maio ri a das es col as priv ad as , pois é co m a quali dade do p roduto que elas vão competi r n o mercado educaci on al e subordi nar a edu cação ao mercado, at endendo as ex i gênci as do proj eto neocons ervador. Quanto a esta óti ca assi m s e express a En gu it a:

A insi st ência na “excelênci a” e na “qua lidade” si mb oliz a o pass o de preocup ar-se com a ed ucação da maioria e f az e-l o com a edu ca ção da minor i a. A idéia de “excel ên cia ” tr ata d e mo bilizar a competiti vidade entr e as es co las e entr e os alu nos, organi zando a Educação como um campo de provas cuj o obj eti vo pri nci pal é a sel eção dos mel hor es. Buscar a excel ênci a é buscar a est es, aos mais dotados, para tirá-los do sup osto mara smo geral e co locar à sua disposi ção os melhores meios. A idéia d a busca da excelência part e, explícita ou i mpli citament e, da a ceita çã o da imagem de uma soci edad e d ual . Par a a maio ria, par a os qu e o cuparão os postos d e bai xa qual if ica ção, s em espa ço pa ra a i ni ciati va nem capaci d ade d e decisão, qua lqu er educação serve. Para a minor ia, par a os qu e s e sobress aem – este é o sign ifi cado do ver bo to excel em in glês – par a os q ue tomarão as d ecisões p elos demais , deve haver uma educa çã o tamb ém “excel ente”. Teori cament e há primeir o que encon tra-l os, mas, em r eali dad e, se encontram soz inhos, pois já d en omi n aram-s e a sim mesmos ou seus pais já o fiz eram p or el es.” (E# GUITA, 1990: 109)

No próx i mo capít ul o faremos al gu mas consid erações sobre o context o edu cacional b rasil ei ro no s écul o XX, priori zando essa realid ad e a parti r da décad a de t rint a, quando pod emo s const at ar alt eraçõ es si gni ficati vas na con cepção peda gó gi ca nacio nal .

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CAPÍTUL O II

AL GUM AS COSI DERAÇÕE S HI ST ÓRICAS S OB RE O COTEXT O EDUCACI OAL B RASILE IRO O

SÉ CUL O XX

É sabido que a real idade das id éi as p edagó gi cas n a Pri mei ra R epúbli ca (18 89 -19 30) é marcada po r u m p rocess o evolutivo rep resentado p el a co nju nção de doi s movi mento s i deol ógi cos des en volvi dos po r int el ectuais das classes dominant es do p aís . Trat a-se d o “entus ias mo pel a educação” e o “ot i mismo ped agó gi co ”. Esta evolu ção ret rat a o momento fi nal d o império marcado por pro fundas t ransfo rmaçõ es q ue vi savam a mod ern ização.

Com a Repú blica, o elit ismo tem co nti nuid ad e, porém propici an do uma rel ati va abertura para a parti cip ação popular, j á que poli t icament e d es ap areci a o Po der Mod erador e o voto cen sit ári o, d ando l u gar, pel o menos em t es e, a uma cert a parti cipação popul ar.

A popul ação passa t er novas necessi dad es e son ha co m a as censão s oci al através d a Educação. Os anos vint e fo ram p al co de u ma si gnificati va trans formação cultu ral. Lembremos da Seman a de Art e Moderna de 19 22.

O ideário p ed agó gico do Movi ment o da Es col a No va p rinci pal ment e n a vers ão nort e-american a co m o despont ar de educadores como John Dewey e Wi lli am Kilpat ri ck penet ra no B rasil sendo recebid o p el a int el ect ualid ad e jo vem compro met ida com os p robl emas edu caci onais.

A Ped ago gi a Trad icional, a Ped ago gia Nova, e a Pedagogi a Libertári a di gl adi am-s e no cen ári o polí tico-pedagógi co da Pri meira Repúbli ca. Peda go gi a Tradi cional ass ociada as ol i garqui as di ri gentes e a i grej a. A Pedago gi a No va

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nas ceu no i nt eri or d os movi mento s d a b urgu esia e das cl asses medias co m seus sonhos de mod ern ização. A Ped agogi a Li b ert ári a vin cu lou -se aos i nt elect uais li gados aos projetos d os movi men tos soci ai s p opul ares , obj etiv an do trans formação s oci al e em harmoni a co m o mo vi mento operário an arqui sta e anarco -si ndi cal ist a. Não obst ante t odas el as durante a R ep ública tiveram de se con trap or ou s e ali ar a herança pedagó gi ca j esuíti ca.

É a parti r da d écad a de tri nta que fo cali zaremo s as Leis Edu caci on ais no Brasil e perco rrendo t odo o sécul o XX, concen traremos noss a at enção na últi ma décad a, daqu el e s éculo.

É a ch amada “Década da Educação”, ini ci ada no go verno Fernando Henri qu e Cardoso, onde a reali dade neol iberal, qu e s e d eli neav a, to mou corpo e forma, influ en ci and o os diversos s etores da vi da naci onal, d ent re el es, a Educação, sit uada n uma co ntextu ali zação histó ri ca, aci ma de t udo..

1.1. As l eis da E d uc ação no Br asil

Com a R evolução de 1930 al gun s do s reformadores4 educaci onais da décad a de 20 p as saram a ocup ar car gos i mport antes na admini stração edu cacional do go verno do Presi dent e Getúlio Vargas, qu e d á o grande p as so em direção a co ncreti zação dos ideai s p ed agógi cos criando o Mini st ério da Edu cação e as Secret arias d e Educação d os Est ados. Ess a atitude si gni ficou a ampli ação d a parti cipação gov ern ament al no d es env olvi ment o ed ucacional , como também bus car uni fi car, disci plin ar e p ropi ci ar a i ntegração d os sist emas est ad uais.

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O termo reformadores é aqui utilizado para designar a realidade defendida por jovens intelectuais como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Francisco Campos etc, que acompanhando a modernização, a urbanização e a industrialização do país nos anos vinte promoveram reformas educacionais inspiradas nos princípios da pedagogia nova. O “ciclo de reformas estaduais dos anos vinte”, como ficou conhecido tal episódio, contribuiu para a penetração do escolanovismo no Brasil. Podemos perceber também que a pedagogia Nova se apresentou na forma de um pensamento educacional completo, na medida em que compreendia uma política educacional, uma teoria da educação e de organização escolar e metodologia próprias. Esta característica permitiu ao escolanovismo compor um regrário que orientou as reformas educacionais estaduais e que não só combateu a Pedagogia Tradicional como também colaborou para sufocar as possíveis transformações que estavam sendo defendidas pela pedagogia Libertária associada às classes populares.

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O Art . 5º da C onstit uição d e 1934 est abel eceu q ue “compet e priv ati vamente a Uni ão t raçar as di ret ri zes da ed ucação nacio nal”. Es ta Constit ui ção foi pi onei ra no sentido de dedi car u m capítul o à Edu cação . A part ir des sa época a Uni ão vai fi xar um pl ano nacion al d e edu ca çã o, comp reensi vo do ensi no de t odos os graus e ramos comuns e esp eci aliz ados; coo rd enar e fiscalizar a su a execução em todo o t errit ório do Paí s5.

Get úlio Var gas não el aborou um do cu mento l egal único p ara disciplin ar a edu cação, preferiu editar l ei s s eparad as para os diversos graus e mo dali dades d e ensi no, das qu ais s e pode dizer q ue gu ard aram uma cert a uni fo rmid ad e.

O ensino s ecundário pas sou por duas refo rmas no período de Vargas: a pri mei ra em 19 31 e a segunda em 1 942 Quanto aos obj eti vos, tant o a reforma de Franci sco C ampos (1931) qu an do a de Gust av o C apanema (1942), quando eram Mi nist ros da Ed ucação, at ribuí ram ao curso secundári o uma du pl a fi nalid ade: formação geral e preparação para o ensin o sup erio r. Sobre ess a reforma Franci sco C amp os as sim s e express ou:

A fina lida de exclusi va não há de ser a matrí cula nos cur so s superiores; o seu fi m, pelo con trári o, deve ser a for ma ção do homem para tod os os gra nd es set ores da ati vida de na cio nal, cons truindo no seu espírit o to do um sist ema de hábit os, atitudes e comport a mentos que o habil item a vi ver por si mesmo e t omar em qual quer si tuação as decisõ es mais con veni ent es e mai s s eg uras ”. (C AMPOS, 19 31: p.)

As duas reformas mont aram a estrutu ra do en sino s ecundári o em doi s graus co m duração de s et e anos dividid os em u m curs o fun dament al de cin co ano s, s eguido de um curso complemen t ar ou pré-u niv ersit ário de doi s anos. O

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curso fu nd ament al pret endi a o ferecer uma só lida formação geral e o complementar di reci onava-s e para prep arar os candidat os aos cursos sup erio res e est av a divid ido em t rês ramos .

Em 1 942 conti nuaram os dois graus, porém com duração modifi cada: a um curso gi nasial de quatro anos su cedi a um curso cole gi al de t rês anos , que p erd eu seu caráter quas e ex cl us ivo d e preparató rio para o ensino su perior e passo u a preocupar-se mais com a fo rmação geral.

A Constit ui ção 193 7 em s eu Arti go 129 d estinava o ensino técnico-comerci al às “cl asses menos favorecidas”, a part i r d e 1942 esse ramo do ens ino já cont av a com u ma l egisl ação nacional. Na mes ma ép oca foram criados o Serviço Nacio nal d e Aprendi zagem Indu stri al (Senai) e o Servi ço Nacio nal de Aprendi za gem C omerci al (Senac). Ocorreu a regu l amentação do ensino indus tri al em 1942. E m 194 6 foi pro mul gada uma nov a Cons titui ção e o co rre a re gul ament ação de mais doi s ramos do ensi no secu ndário: o en sino no rmal e o ensi no agrí col a. Ess es q uatro ramo s d e ensino também des en volvi am-s e em doi s ci clos .

O ensi no superi or pass ou po r i mp ortant es modi fi caçõ es a p art ir de 1930 . Su rgi ram os Est atut os das Univ ersidades Brasil eiras . Esses est atut os vi goraram com al gumas modi fi cações at é 1968, quando aconteceu a reforma univ ersit ári a.

Embora o Est ado Novo t enha termi nado em 1945, e em 1 946 tivéss emos uma nova constit ui ção a Legi sl ação Edu caci on al herd ad a d o Estado No vo vi gorou at é 1961 q uando teve i ní cio a vi gênci a da Lei d e Di ret ri zes e Bases da Educação Naci on al que é a pri mei ra lei brasil eira que se ocup ou d e todos o s níveis de en sino. Embora s ó foss e promul gada em 20 d e dezemb ro de 1961, a Lei 4 024 t ev e o seu proj eto discuti do no Con gresso Naci onal durant e 13 anos , cul mi nando co m a pro mul gação da Lei 4.024 d e 20 de dezembro de 1961, a Pri meira Lei de Diretri zes e B as es d a Ed ucação Nacional, a q ual ti nh a como u m

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de s eu s post ul ados bási cos que “A edu ca ção de gra u médio, em pros segui mento à minist rada na es cola pri mári a, destina-se à for mação d o adol es cent e.” (art . 33).

Com a Lei nº 4024/61, os currí cul os deixaram de s er ri gid ament e pad ro ni zados , ad mit indo-s e uma cert a v ari edade, s egu ndo as preferên ci as dos est ab el eci mentos em rel ação ás matéri as o ptati vas.

A edu cação b rasil ei ra a parti r de 1964, j unt ament e co m out ro s aspect os da vida naci onal foi s ubmetid a ao autorit ari smo . Os avan ço s popul ares foram con tido s em t od as as áreas e t amb ém na área de edu cação.

Em 13 d e d ezemb ro de 1968 o Presi dente Artu r d a Cost a e Silva co m o obj etivo d e cont er as agit ações soci ais múlti pl as resolveu s urp reend er a Nação, inst alando um si stem a dit at ori al mais rí gi do atrav és do ato i nsti tucion al nº 5 que possi bilit ava ao President e fechar o C on gresso, cas sar mandat os, susp ender direito s políti cos et c. Os estudantes, profess ores e funcionários t ambém foram sub metid os ao nov o re gi me e para os mesmos foi criado o Decret o-lei nº 477 , de 26 de feverei ro de 1969, que co rres ponde a um verd ad ei ro AI-5 di reci onado .

Nest e contex to, convém l embrar Paulo Fr eire, u m p ens ad or co mpromet ido com a vid a, não p ensa idéias, e si m a existênci a. Em Pedago gi a d o Opri mido rel at a-no s su a experiência em cinco anos de exílio, mos trando o p ap el da con sci enti zação, numa educação real mente li bertadora.

Est a peda go gi a hu mani zado ra só é po ssí vel atrav és da uni ão ent re teo ri a e práti ca, onde as lideranças est abel ecem uma rel ação di alógi ca. Ao al cançarem, na práxis est e s aber d a realid ad e, s e des cobrem como seus refazedores perman ent es.

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O trabal ho de Paul o Frei re p od e s er vist o não apenas co mo um mét odo de ensi no, mas como u m processo de co ns ci enti zação, po r lev ar em co nt a a n atu reza políti ca d a edu cação. Para ele o obj eti vo da educação deveri a ser a l i bert ação d o opri mido , que lh e dari a meios de t rans formar a realid ad e soci al à su a volt a, medi ant e "cons ci enti zação" ou conh eci mento críti co do mundo .

No que t an ge à refo rma do Ensi no Superi or, a educação é vi st a co mo meio de t rans formação da soci ed ade: co mo “veícul o de cons ci enti zação das massas de sua sit uação de exploração”, o u co mo “v eí culo d e difusão de idéi as so bre as quais s e ass ent a o regi me”, vari ando s egundo as co rrent es e opções po líti cas de quem a d efend e.

Sab e-se q ue as prin ci pai s inovaçõ es int roduzid as pel a Reforma Univ ersit ária de 196 8 foram: a) a ex tinção d a cát edra e su a substitu ição pel o dep art amento e a concomitant e institui ção d a carreira u niv ers itária abert a; b) o aband ono do modelo d a Faculd ad e de Fil osofia e a or ganização da universi dade em u nid ad es, isto é, em Instit utos (dedi cados à p es quis a e ao ens ino básico) e Faculd ad es e Es col a (d esti nadas à formação pro fissional ); c) cu rrículos flexív eis , curs os parcel ados, s emest rai s, com a in trodução do sist ema de créd itos; d ) a int rodução dos exames vesti bul ares uni fi cado s e dos ci clo s bási cos, co muns a estudant es d e div ersos cursos; e) a i nsti tuição re gul ar do s cursos de pós- graduação (de mes trad o e dout orad o), bem como dos curs os de curt a duração.

Mas n ão era ess a a refo rma que estudant es e profes sores recl amavam, como s e pode obs ervar n a o pini ão de Marilen a C hauí:

“Abri r vagas , ampli ar o corpo docente, aument ar ver bas e recur sos, cri ar cu rs os bási co s para i nt egração de toda a uni ver sidade, pôr u m fim na ti rani a da cát edr a, i nstaura r os dep artament os com seus col egi ados. ‘Fora co m a

Referências

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