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TÍTULO: TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS NO BAIRRO DE PINHEIROS TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: ENGENHARIAS E ARQUITETURA ÁREA:

SUBÁREA: ARQUITETURA E URBANISMO SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): STAFANY FRANCISCO REIS AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): ANDRÉA DE OLIVEIRA TOURINHO ORIENTADOR(ES):

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1. Resumo

O bairro de Pinheiros, localizado na região Sudoeste, ao longo do Rio Pinheiros, é um dos bairros de consolidação mais antiga da cidade de São Paulo e foi escolhido como objeto de estudo por preservar uma importante relação histórica e de significativa centralidade com a cidade. Nas últimas décadas, no entanto, vem ocorrendo uma série de transformações, como constantes processos de demolição, verticalização, interferências urbanísticas, mudanças no padrão fundiário e no perfil socioeconômico de seus moradores. Neste percurso, há a perda de sentido de espaços que propiciavam a convivência e a sociabilidade, bem como a

transformação da paisagem urbana do bairro contribuindo para sua

descaracterização e mudanças na sua identidade cultural. Pretende-se com este trabalho, analisar as transformações e permanências urbanas no bairro de Pinheiros, com o fim de compreender sua atual identidade cultural, considerando sua importância para a cidade de São Paulo, desde sua origem e desenvolvimento até os dias atuais. Busca-se, assim, verificar as transformações que o bairro tem sofrido, em sua estrutura, forma, função e modos de vida da população, e se existem resistências a esses processos, bem como as permanências urbanas ainda existentes, que contribuem para a manutenção da identidade cultural de Pinheiros.

2. Introdução

O bairro de Pinheiros, localizado na região Sudoeste, ao longo do Rio Pinheiros, faz parte do Distrito de Pinheiros, que constitui a Subprefeitura de Pinheiros, junto com os distritos de Alto de Pinheiros, Jardim Paulista e Itaim Bibi.

É um dos bairros de consolidação mais antiga da cidade de São Paulo e foi escolhido como objeto de estudo por preservar uma importante relação histórica e de significativa centralidade com a cidade, já que diversos fatores contribuíram para que Pinheiros se tornasse um importante subcentro de comércio e serviços da região Sudoeste, como sua proximidade com o centro da cidade e a farta oferta de transporte público na região.

Nas últimas décadas, no entanto, vem ocorrendo uma série de transformações, como constantes processos de demolição, verticalização, interferências urbanísticas, mudanças no padrão fundiário e no perfil socioeconômico de seus moradores. Neste percurso, há a perda de sentido de espaços que propiciavam a convivência e a sociabilidade, bem como a transformação da paisagem urbana do bairro contribuindo para sua descaracterização e mudanças na sua identidade cultural.

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Pinheiros sempre foi um bairro de uso predominantemente residencial, com lotes pequenos, sobrados e edifícios baixos, era um lugar que misturava diferentes funções, principalmente em seu núcleo de formação original: Largo de Pinheiros e Largo da Batata, que eram locais de encontro, que concentrava comércio popular, vendedores ambulantes, pessoas de diversas origens que utilizavam o terminal de ônibus, movimento de trabalhadores durante todo o dia e pessoas buscando casas noturnas à noite. Esta dinâmica, no entanto, parece estar sendo combatida, pois a valorização econômica, cultural e, principalmente, imobiliária, aos poucos se mostra contra a mistura que havia no bairro e que era tão típica de sua identidade cultural. Este bairro possui um caráter que deve ser preservado, um espírito do lugar, que se refere tanto aos elementos tangíveis como intangíveis, que devem ser reconhecidos e transmitidos, pois são essenciais para a preservação da identidade das comunidades, já que são esses elementos os responsáveis por dar sentido, emoção e mistério ao lugar, e isso parece ter cada vez menos importância. Locais como esses contribuem para a memória coletiva e devem estar associados à proteção de sua memória, vitalidade, continuidade e espiritualidade.

Deste modo, com este trabalho, procurou-se analisar as transformações e permanências urbanas no bairro de Pinheiros, com o fim de compreender sua atual identidade cultural, considerando sua importância para a cidade de São Paulo, desde sua origem e desenvolvimento até os dias atuais. Buscou-se, assim, verificar as transformações que o bairro tem sofrido, em sua estrutura, forma, função e modos de vida da população, e se existem resistências a esses processos, bem como as permanências urbanas ainda existentes, que contribuem para a manutenção da identidade cultural de Pinheiros.

A hipótese em que se baseou este estudo é a de que as transformações se intensificaram principalmente a partir da década de 90, com a Operação Urbana Consorciada Faria Lima e a posterior Reconversão Urbana do Largo da Batata, nos anos 2000, mas teve início bem antes, já com a inauguração da própria Avenida Faria Lima. Estes instrumentos interferiram na dinâmica do bairro trazendo à tona movimentos de resistência de moradores e usuários, que lutam contra a demolição, verticalização e perda de aspectos importantes para a memória do bairro.

Para a discussão destes temas, a presente pesquisa está estruturada em quatro capítulos: o primeiro tratará da origem do bairro e dos aspectos e percursos que o tornaram uma centralidade na metrópole paulista e lhe concederam tamanha

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importância. O segundo será a respeito das transformações no bairro; o terceiro, trará um panorama geral das permanências urbanas e o quarto irá trazer análises e levantamentos mais aprofundados, a partir de um novo perímetro do bairro.

3. Objetivos

A partir destas referências estudadas, esta pesquisa se propôs a realizar um estudo que tornasse possível compreender os elementos que caracterizam o espírito do lugar no bairro de Pinheiros, para assim analisar o impacto das recentes transformações no ambiente urbano e como as permanências têm sido tratadas, de modo que possam fortalecer a identidade, memória e sentimento de pertencimento deste lugar.

4. Metodologia

A metodologia utilizada para esta pesquisa baseou-se na definição de um perímetro de estudo mais abrangente, revisão bibliográfica, definição de um perímetro de estudo mais concentrado no núcleo do bairro e estudos baseados em análises de mapas, evolução histórica, trabalhos de campo e levantamentos (traçado urbano, áreas públicas, morfologia, tipologia, usos, arquitetura) e ainda a compreensão de atividades, usos, apropriações de espaço e as questões relacionadas ao espírito do lugar.

5. Desenvolvimento

As mudanças que vêm ocorrendo no bairro de Pinheiros e que foram um grande impulso para o estudo deste lugar, são transformações que não se referem somente às intervenções no sistema viário, às reordenações territoriais e espaciais, se referem também aos impactos diretos e indiretos sobre a população, que sofre com a mudança socioeconômica da região que, aos poucos, interfere no perfil dos moradores, trabalhadores e usuários deste bairro, alterando significativamente importantes elementos que contribuem para a memória e identidade deste local. O Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 1966, foi um dos fatores que contribuíram para as mudanças no bairro, pois acreditava-se que este tipo de empreendimento, além de ter sido o primeiro de São Paulo, poderia ser um “polo gerador de uma nova centralidade” (Caldeira, 2015).

Um ano após a inauguração do Shopping, o prefeito José Vicente de Faria Lima anunciou um projeto de alargamento da Rua Iguatemi e, posteriormente, a criação de um novo viário que atravessaria as regiões de Pinheiros, Jardins e Itaim Bibi. De acordo com Caldeira (2015), o anúncio das primeiras desapropriações gerou

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protestos de moradores e pequenos comerciantes destas áreas que seriam afetadas, ainda assim, durante o mandato de Paulo Maluf como prefeito de São Paulo, de 1969 a 1971, foi concluído o primeiro trecho da avenida, entre o Largo da Batata e a Avenida Cidade Jardim, que foi batizado em homenagem ao prefeito anterior, morto em 1969. Também seria proposto um terminal de ônibus do Largo da Batata, que seria instalado nas áreas remanescentes das desapropriações.

O projeto da Avenida Faria Lima permaneceu estagnado por um bom tempo, cerca de duas décadas e meia, até ser retomado em 1993, quando o grande número de desapropriações que estavam previstas para a extensão da avenida motivou moradores da região de Pinheiros a questionarem o projeto.

No entanto, segundo Caldeira (2015), a articulação destes moradores, apesar de ter conseguido a atenção da mídia, não conseguiu alterações no traçado da avenida, mas conseguiram melhores termos de troca relativos às desapropriações.

As obras para construção e alargamento da nova avenida trouxeram para a região muitas empresas e escritórios de setores financeiros, jurídicos, prestadores de serviços, atraindo um grande volume de construções trazendo em seu encalço um volume ainda maior de demolições de residências, comércios e edifícios de importante valor cultural para a memória do bairro.

Além do prolongamento da Avenida Faria Lima, promulgado em 1995 pelo prefeito Paulo Maluf, a aprovação da Lei 11.732, de 14 de março de 1995, que instituía a Operação Urbana Faria Lima, também foi um grande motivador das posteriores transformações que o bairro viria a sofrer.

A Operação Urbana introduziu um conceito inovador para aquela época, que era financiar uma obra pública através da venda de potencial construtivo adicional. A Operação foi dividida em quatro setores: Hélio Peregrino, Olimpíadas, Faria Lima e Pinheiros, interessando a este trabalho o último setor, e trazia como objetivos: realizar melhoramentos viários, obras, equipamentos e áreas públicas no perímetro determinado, além de melhorar a qualidade de vida, a paisagem urbana e a infraestrutura e incentivar o melhor aproveitamento dos imóveis e estimular o adensamento da região.

Em 2004, a Lei 11.732/95 foi revogada e modificada pela Lei 13.769, de 26 janeiro, que adequava a Operação Urbana ao Estatuto da Cidade e passou a ser denominada como Operação Urbana Consorciada Faria Lima. Junto à nova lei, foram incorporados novos objetivos, como a melhoria da acessibilidade viária e de

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pedestres, a reorganização dos fluxos de tráfego, priorizando o transporte coletivo, assim como a criação e qualificação ambiental de espaços públicos e o atendimento habitacional às comunidades que vivem em ocupações irregulares localizados no perímetro ou em seu entorno imediato.

A Reconversão Urbana do Largo da Batata foi um projeto inserido na Operação Urbana Faria Lima e foi realizada através de um concurso público, como já foi citado.

De acordo com Caldeira (2015), o termo de referência do concurso justificava a intervenção devido ao prolongamento da Avenida Faria Lima, a prevista implantação da estação Faria Lima da Linha 4 – Amarela do metrô e a consequente desativação do terminal de ônibus existente no local. O projeto vencedor do concurso realizado em 2002 foi do arquiteto Tito Lívio Frascino, pois foi considerado pela Comissão Julgadora como o que apresentava o melhor conjunto de soluções e facilidade de implantação, já que uma das propostas iniciais era a criação de uma grande esplanada ligando visualmente a Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrate a um empreendimento associado entre o poder municipal e a iniciativa privada, proposto para o terreno onde se instalava a Cooperativa Agrícola de Cotia, falida em 1994. Desde o início, o que se pregava era que este local necessitava de uma revitalização, pois estava degradado, com intensa presença de camelôs e ambulantes e a desorganização devido o terminal de ônibus que existia no largo desde os anos 90, e isso impedia que a iniciativa privada tivesse algum interesse pela região. Não era levado em consideração, contudo, que a iniciativa privada trabalha para os setores que irão gerar a maior renda e isso poderia colocar em perigo os interesses da população local, que utilizava, trabalhava e circulava diariamente por ali:

6. Resultados

Portanto, o que se observou tanto com a Reconversão Urbana do Largo da Batata como com a Operação Urbana Consorciada Faria Lima, foi uma drástica mudança no cotidiano das pessoas que utilizavam aquele local. O comércio local ficou quase inexistente, principalmente durante o período de obras e com a mudança de localização do terminal de ônibus, que diminuiu consideravelmente a circulação de pedestres no Largo. Com isto, o objetivo de valorizar o bairro se tornava cada vez mais presente, porém, sem levar em consideração as necessidades da população que já ocupava aquele espaço. Prova disso é que, somente em junho de 2012, o

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nome “Largo da Batata” foi reconhecido oficialmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, apesar de sempre ter sido conhecido desta forma. Certamente esta foi uma tentativa de valorizar a memória do lugar, porém contraditória, quando a verdadeira identidade, que sempre esteve relacionada aos usos diversos, ao transporte público, ao comércio e consequentemente a grande circulação de pessoas de todos os tipos, estava sendo aos poucos combatida.

Outro pretexto que havia sido usado para justificar as obras de reconversão e também a permissão concedida pelo poder público para a iniciativa privada, de poder construir acima da média permitida pela lei de zoneamento, era que isso traria mais moradores para a região do Largo da Batata. Contudo, não é isso que tem ocorrido, pois de acordo com o levantamento da população recenseada no bairro, feito pelo IBGE, o número de habitantes de Pinheiros, que cresceu constantemente da década de 50 até 80, quando tinha cerca 95.000 habitantes, diminui consideravelmente, chegando a pouco mais 65.000 habitantes em 2010.

Na verdade, o que ocorreu nessa região foi o prolongamento do perfil da Av. Faria Lima para o restante do bairro, ou seja, o bairro teve seu perfil de uso misto modificado para um uso mais empresarial e as residências se transformaram em condomínios verticais de alto padrão.

De acordo com o relatório de avaliação crítica da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, escrito pelo arquiteto Pedro Manuel Rivaben Sales, publicado pelo site Vitruvius em 2005, dos 572.282 metros quadrados agregados ao estoque de potencial construtivo da Operação, 64,2% foram destinados a torres de escritórios e 31,3% destinados às residências verticais de alto padrão, que ocuparam terrenos originalmente destinados às residências horizontais de médio padrão.

Deste modo, podemos concluir que essa operação reafirma a força da dinâmica imobiliária da região, contribui para a perda de escala no bairro, já que as novas construções não levam em consideração e também não estabelecem relações com o tecido preexistente. Com isso, os processos de verticalização e transformação dos usos têm sido acelerados e intensificados.

Quanto ao Largo da Batata, após o encerramento das obras, em outubro de 2013, a Prefeitura de São Paulo previu a instalação de uma série de mobiliários urbanos para tornar o espaço mais acolhedor, porém, a promessa só começou a ser colocada em prática em junho de 2016, com a instalação de mesas e bancos, aparelhos de ginástica, brinquedos infantis. Durante este período, cerca de três

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anos, a população já começava a se apropriar deste espaço e foram realizadas diversas iniciativas por coletivos formados por moradores e frequentadores da região, como por exemplo, o coletivo A Batata Precisa de Você, que implementou diversas melhorias no Largo, inclusive o plantio de 32 mudas de árvores, além de diversas atividades que promoviam a ocupação do espaço.

Quanto às permanências, em Pinheiros não temos elementos a que podemos denominar monumentos, mas existem permanências relacionadas à memória do bairro, como é o caso de alguns edifícios, do traçado de certas ruas, na conformação de quadras e lotes e tipologias residenciais e comerciais. Uma destas permanências é a Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrate, localizada no Largo de Pinheiros, que faz parte da história do bairro desde o período de formação, no século XVI, quando era apenas uma capela, nomeada como Nossa Senhora dos Pinheiros. Portanto, a importância da igreja como uma permanência do bairro está atrelada muito mais à história que ela representa do que pelo edifício em si. A feira da Praça Benedito Calixto também é um elemento cultural muito importante para o bairro e sua importância também está no fato de que a feira surgiu a partir da iniciativa de moradores do próprio bairro, que lutavam pela reforma da praça e por sua utilização para lazer e cultura. Uma das mais importantes permanências do bairro de Pinheiros é o conjunto de prédios construídos na antiga quadra da Sociedade Hípica Paulista, conhecidos como “Predinhos da Hípica”. Em 2007, foi publicado um artigo no site Vitruvius, escrito pela arquiteta e urbanista Cassia C. Nobre, que realizou um estudo a respeito dos “Predinhos da Hípica” e ressaltou que, na época, o conjunto estava em processo de tombamento pelo DPH (Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura Municipal de São Paulo), devido o abaixo-assinado feito pelos moradores, que pediam o reconhecimento do valor urbanístico atribuído ao conjunto. O processo de tombamento não previa o congelamento dos edifícios, o objetivo era preservar as características urbanas que davam singularidade ao conjunto, como o gabarito das edificações, o arruamento, a arborização e os recuos. Porém, os proprietários se mostraram contra o tombamento e entregaram outro documento solicitando a desaprovação do processo, alegando que as restrições do tombamento desvalorizavam os edifícios e não reconheciam valores arquitetônicos e urbanísticos no conjunto. Justamente por isto, o conjunto residencial mostra-se uma forte permanência no bairro, pois apresenta um importante significado para a cidade que, devido à especulação imobiliária, tem se

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verticalizado e adensado cada vez mais, principalmente em Pinheiros. As qualidades urbanísticas obtidas com os predinhos são motivos de preservação, pois se tornaram uma ilha em meio aos altos edifícios que surgem no bairro, mantendo aspectos da identidade e memória de Pinheiros, além de representar uma referência e despertar o sentimento de pertencimento dos moradores com aquele lugar.

7. Considerações Finais

O objetivo proposto no início deste trabalho consistia em realizar um estudo sobre o bairro de Pinheiros, com o intuito de compreender os elementos que caracterizam o espírito do lugar neste bairro, analisar as transformações no ambiente urbano e quais permanências têm contribuído para fortalecer a identidade de Pinheiros.

Ao longo do trabalho buscou-se cumprir estes objetivos e elaborar hipóteses para as questões levantadas. Primeiro, foi feito um trabalho de pesquisa sobre a história e desenvolvimento do bairro e verificou-se que Pinheiros é um bairro muito importante para a cidade de São Paulo, é um dos mais antigos e cumpria uma função de passagem para aqueles que iam ou vinham do Sul do país. Além disso, Pinheiros permaneceu isolado do aglomerado paulistano por muito tempo e precisou desenvolver uma certa autonomia para suprir as necessidades de seus habitantes e dos bairros vizinhos.

Com o acelerado desenvolvimento do bairro após o século XX, devido às atividades atacadistas, varejistas, residenciais e de transporte público e circulação, Pinheiros começou a ser alvo de iniciativas do poder público que deram início ao processo de transformação neste lugar, como a abertura da Avenida Faria Lima nos anos 70 e a aprovação da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, na década de 1990, que também buscava despertar o interesse da iniciativa privada nesta região. Posteriormente, a Reconversão Urbana do Largo da Batata surgiu com o discurso de promover uma “limpeza” no local, que se encontrava degradado, ocupado por camelôs e ambulantes e completamente desorganizado devido o terminal de ônibus que existia no Largo da Batata, quando, na verdade, a real intenção era promover a valorização do lugar e eliminar as atividades populares que davam vida ao coração do bairro.

A hipótese levantada no começo era de que estas intervenções haviam impulsionado os processos de demolição e verticalização em Pinheiros e, de acordo com os resultados apresentados e analisados, acredita-se que esta hipótese esteja correta, pois aspectos da identidade do bairro, como os sobrados, os prédios de

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baixo gabarito e lotes estreitos estão sendo substituídos por condomínios verticais de alto padrão e edifícios corporativos.

Deste modo, o bairro de Pinheiros vem sofrendo uma mudança em suas características urbanas, que alteram a identidade cultural, a paisagem urbana, o padrão fundiário e também o perfil socioeconômico de seus morados. Ainda assim, existem permanências, principalmente relacionadas à morfologia urbana, como é o caso das tipologias, que preservam a identidade do bairro, mas que precisam ser reconhecidas, caso contrário, corre o risco de serem vítimas da verticalização. Também existem movimentos de resistência que lutam contra a verticalização no bairro e buscam promover a apropriação e ocupação de lugares que perderam sua característica de convivência e sociabilidade, como é o caso do Largo da Batata.

8. Fontes Consultadas

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Paulo. São Paulo: Prefeitura Municipal – Secretaria de Educação e Cultura -

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Revalorização e Novos Conteúdos da Centralidade de Pinheiros. 2014.

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