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Aula 3: Química das Águas

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Aula 3: Química das Águas

Prof

a

. Lilian Silva

2012

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TRATAMENTO DA ÁGUA

As principais operações consistem na decantação, coagulação/floculação, filtração e desinfecção

Estas operações têm como principais objetivos:

- A remoção de material particulado, bactérias e algas;

-Remoção da matéria orgânica dissolvida que confere cor à água;

-Remoção ou destruição de organismos patogênicos tais como bactérias e vírus.

Estas operações podem variar dependendo da fonte de água e igualmente dos padrões a serem alcançados

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Captação - A água que chega à Estação de Tratamento de Água é captada diretamente

nos rios (águas superficiais) ou no subsolo (águas subterrâneas). Porém, a água captada apresenta várias impurezas/ sujidades como lamas, areias, lixos, micróbios e bactérias.

Linha Líquida

Gradagem - A água captada segue pelos canais até ao primeiro processo de

tratamento: a gradagem. Neste tratamento são retirados da água os lixos de maior dimensão como folhas, ramos, embalagens, atc., que ficam retidos em grades por onde a água é forçada a passar.

Decantação - É um processo de separação de partículas em suspensão na água.

Estas partículas, sendo mais pesadas que a água, tenderão a depositar-se no fundo do decantador, clarificando a água e reduzindo em grande percentagem as impurezas.

FIltração - A água passa por filtros de areia ou carvão ativado (e pedra), nos quais

ficam retidas as pequenas partículas sólidas que ainda possam existir.

Desinfeção - Nesta fase é adicionada uma grande quantidade de cloro para que a água

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Figura 1 - Água superficial sendo tratada em uma ETA após a adição de uma agente para floculação de impurezas.

(Floculação: Formação de flocos, em câmaras (floculadores) onde água é levemente agitada, permitindo a aglutinação de impurezas)

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Linha Sólida

Desidratação Mecânica de Lamas - As águas residuais resultantes de lavagem dos filtros, assim como as lamas provenientes do processo de decantação, são encaminhadas para a desidratação mecânica de lamas e transportadas para um destino final adequado.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Para assegurar que a água esteja livre de microorganismos patogênicos, ela deve passar por um processo de desinfecção.

A cloração é o método de desinfecção mais comumente utilizado na maioria dos países.

Quantidades suficientes de cloro, na forma do gás cloro ou ainda de hipoclorito, são adicionadas à água visando destruir ou inativar or organismos alvo.

A cloração permanece como sendo um método confiável, de relativo baixo custo e de simplicidade de aplicação.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

O cloro se apresenta na forma de gás, sob condições normais de pressão e temperatura.

Este gás pode ser comprimido para ser estocado em cilindros, na forma líquida

Como o cloro é um gás altamente tóxico,ele é normalmente dissolvido em água, sob pressão reduzida, e a solução concentrada resultante é aplicada a água que vai ser tratada

O cloro também pode ser encontrado na forma sólida, como hipoclorito de cálcio, Ca(OCl)2, ou ainda na forma de solução, como hipoclorito de sódio,

NaOCl

O gás cloro reage quase completamente com a água para formar o ácido hipocloroso: Cl2 + H2O HOCl + H+ + Cl-

O ácido hipocloroso se dissocia, gerando os íons H+ e OCl-: HOCl H+ + OCl-

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Um dos problemas decorrentes do uso do cloro como agente de desinfecção está relacionado com sua capacidade em reagir com as substâncias orgânicas de ocorrência natural, que podem estar presentes na água.

Estas reações produzem os trialometanos (THM), entre eles o clorofórmio, que é cancerígeno.

Os THM não são removidos da água através do tratamento convencional, e desta forma, deve-se assegurar que a matéria orgânica deve estar ausente da água que vai ser sumetida a cloração.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

•A poluição de águas naturais por contaminantes tanto biológicos como químicos é um problema de âmbito mundial

Poucas áreas povoadas, seja em países desenvolvidos ou não desenvolvidos, não sofrem de uma ou outra forma de poluição

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Desinfecção da Água por Outros Métodos que não a cloração OZÔNIO

Para livrar a água que está sendo purificada de bactérias e vírus nocivos, especialmente daqueles que se originam da matéria fecal humana e animal

Purificação com um agente oxidante mais poderoso que o O2: O Ozônio

O ozônio é algumas vezes usado como um desinfetante no lugar do cloro, particularmente na Europa

Como o ozônio não pode ser armazenado ou transportado porque seu tempo de vida é muito curto

Gerado in situ mediante um processo relativamente caro que envolve descargas elétricas (20.000 volts) em ar seco

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Figura 1 – Um diagrama esquemático de um sistema de tratamento de água utilizando ozônio

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Uma vez que a cloração da água pode levar á produção de compostos organoclorados tóxicos, tem crescido o interesse pelos processos utilizando ozônio para a desinfecção de águas contaminadas

Ozônio é mais destrutivo para os vírus do que cloro

Porém, a solubilidade de ozônio em água é relativamente baixa, o que limita o seu poder desinfectante

Ozônio seja decomposto espontaneamente, durante o tratamento de água, por um complexo mecanismo que envolve: a geração de radicais hidroxila com velocidades da ordem de 1010-1013 L.mol-1.s-1

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Desvantagens na utilização de ozônio:

a)Devido ao curto tempo de vida do ozônio, a água purificada não tem uma proteção residual que evite contaminações futuras;

Algum cloro deve ser adicionado para manter o poder desinfetante através do sistema de distribuição de água.

b) A reação do ozônio em água com bromo leva à formação de compostos orgânicos, especificamente aqueles que contém o grupo carbonila

Formaldeído e outros aldeídos de baixa massa molar e vários outros compostos, alguns deles tóxicos

c) Ocorre reação com íon brometo em água para formar o íon bromato, BrO3-,

um agente carcinógeno, segundo testes realizados com animais

BrO3- pode reagir subsequentemente com matéria orgânica para produzir

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TRATAMENTO DA ÁGUA

•O gás dióxido de cloro, ClO2., é usado de maneira similar em mais de 300

comunidades norte-americanas e em alguns milhares de cidades européias para desinfectar a água

As moléculas de ClO2. operam oxidando moléculas orgânicas por meio de um

mecanismo que envolve a extração de elétrons

ClO2. + 4H+ + 5e- Cl- + 2H 2O

Os cátions radicais orgânicos criados na semi-reação de oxidação subsequente reagem, posteriormente, tornando-se espécies mais

completamente oxidadas

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Vantagens na utilização de dióxido de cloro

O dióxido de cloro não é um agente de cloração: geralmente não introduz átomos de cloro nas substâncias com as quais reage

Oxida a matéria orgânica dissolvida, formando-se quantidades muito menores de subprodutos orgânicos tóxicos que quando é usado cloro molecular.

Desvantagens na utilização de dióxido de cloro

Como o ozônio, não pode ser estocado, já que é explosivo em concentrações elevadas: deve ser gerado in situ pela sua oxidação de sua forma reduzida, encontrada no sal clorito de sódio

ClO2- ClO

2. + e-

 Algum dióxido de cloro é convertido nestes processos em íons ClO2- e ClO 3-

(clorato): a presença dessas espécies na água final tem causado problemas de saúde.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

LUZ ULTRAVIOLETA

Usada para desinfetar e purificar a água

Lâmpadas potentes a vapor de mercúrio, cujos átomos excitados emitem luz UV-C, com emissão a 254nm, são imersas no fluxo de água

Cerca de dez segundos de irradiação são suficientes para eliminar os microorganismos tóxicos

Vantagens na utilização de luz ultravioleta

Podem ser utilizadas unidades menores para atender a pequenas

populações, tanto em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, de maneira que não se faz necessário o monitoramento contínuo dos sistemas químicos

A ação germicida da luz se deve a decomposição severa do DNA dos microorganismos, o que impossibilita sua replicação, deixando as células inativas.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Desvantagens na utilização de luz ultravioleta

O uso de luz ultravioleta para purificar água é complicado devido à presença de ferro dissolvido e de substâncias húmicas, pois ambos absorvem a luz , reduzindo, assim, a quantidade disponível para desinfecção.

Partículas pequenas de sólidos em suspensão na água inibem também a ação da luz UV, já que podem esconder ou absorver as bactérias, além de espalhar ou absorver a radiação.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

•Recentemente, foi desenvolvido na França um sistema de membranas que purifica a água sem necessidade de usar compostos químicos ou luz.

•A água é bombeada sob pressão através de finas membranas com poros de apenas cerca de 1 nanômetro de diâmetro: remoção de bactérias, vírus e todo material de origem orgânica capaz de dar suporte à reprodução das bactérias.

Esses “nanofiltros” permitem a passagem de moléculas de água através do filtro, já que seu tamanho é de apenas alguns décimos de nanômetro, mas

impedem a passagem de outras moléculas orgânicas e bioinôrganicas grandes, cujo diâmetro é muito maior que um nanômetro

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Desinfecção da Água por cloração

O agente mais comum empregado para purificação de água na América do Norte é o ácido hipocloroso, HOCl.

Esse composto neutro e covalente mata microorganismos, passando facilmente através de suas membranas celulares.

Além de ser efetiva, a desinfecção pelo método de cloração é relativamente barata.

O uso de um pequeno excesso do produto pode fornecer água com um poder residual de desinfecção, durante seu armazenamento e fornecimento.

Na América do Norte, a cloração é mais comum do que a ozonização, já que geralmente a água é em sua origem menos poluída do que na Europa

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Como o ozônio, o HOCl não é estável na forma concentrada, não podendo, portanto, ser armazenado.

Em instalações em grande escala (plantas municipais de tratamento de água) é gerado por dissolução de cloro molecular gasoso, Cl2, em água:

Cl2(g) + H2O(aq) HOCl(aq) + H+ + Cl-

No caso em que se permita que o pH da água de reação torne-se demasiadamente alto: ionização do ácido fraco HOCl formando íon hipoclorito, OCl-, que é capaz de penetrar as bactérias em virtude de sua carga elétrica. Nas aplicações de cloração em pequena escala, como em piscinas, a manipulação de cilindros de cloro é inconvenientemente perigosa.

Com mais frequência, o HOCl é gerado a partir de Ca(OCl)2, ou é fornecido na forma de uma solução aquosa de NaOCl.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

•Em água, ocorre uma reação ácido-base para converter a maior parte do OCl

-em HOCl:

OCl- + H

2O HOCl + OH-

Em locais como piscinas, é necessário um controle rigoroso do pH para evitar o deslocamento para a esquerda da posição de equilíbrio dessa reação, que ocorre quando se permite a prevalênica de condições muito alcalinas.

Por outro lado, se a água é ácida, pode ocorrer a corrosão dos materiais de construção de piscina, de maneira que o pH é mantido usualmente próximo de

7 para impedir a corrosão

A manutenção de um pH alcalino impede também a conversão da amônia dissolvida, NH3, em cloraminas NH2Cl, NHCl2 e, especialmente, em NCl3, que é fortemente irritante para os olhos:

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Desvantagens na utilização de cloração

Produção concomitante de substâncias orgânicas cloradas, algumas das quais são tóxicas

HOCl não é apenas um agente oxidante, mas também um agente de cloração

Se a água contém fenol ou um derivado, o cloro substitui facilmente os átomos de hidrogênio do anel para dar lugar a fenóis clorados que têm gosto e odor

ofensivos e são tóxicos

Em algumas comunidades, troca-se o cloro por dióxido de cloro quando o suprimento de água bruta está contaminado temporariamente com fenóis

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Um problema mais generalizado da cloração de água reside na produção de trialometanos (THMs): CHX3 (X = cloro, bromo ou uma combinação de ambos)

O composto de maior preocupação é o CHCl3: produzido quando o HOCl reage com a matéria orgânica dissolvida na água

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Rachel V. R. A. Rios, Lilian L. da Rocha, Tales G. Vieira, Rochel M. Lago and Rodinei Augusti, Chemistry

Department, ICEx, Federal University of Minas Gerais, 31270-901 Belo Horizonte, MG, Brazil

“On-line monitoring by membrane introduction mass spectrometry of chlorination of organics in water. Mechanistic and kinetic aspects of chloroform formation, J. Mass Spectrom. 35, 618–624 (2000)

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Figure 2. MIMS-SIM profile for phenol consumption (m/z 94) and chloroform formation (m/z 83) during reaction with sodium hypochlorite in water.

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TRATAMENTO DA ÁGUA

Figure 5. MIMS SIM monitoring of phenol chlorination by hypochlorite solution: chlorophenol (m/z 128), dichloro (m/z 162), trichloro (m/z 196), tetrachloro (m/z 230), and pentachloro intermediate (m/z 264).

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TRATAMENTO DA ÁGUA

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TRATAMENTO DA ÁGUA

•O clorofórmio é suspeito de ser carcinógeno para o fígado humano, podendo também causar efeitos nocivos na reprodução e no desenvolvimento.

•Não está claro se o carcinógeno da água potável clorada é o próprio THM ou algum sub-produto não-volátil de maior massa molar, presente em concentrações ainda menores, mas cujos níveis poderiam presumivelmente ser proporcionais aos THM´s.

•É importante destacar que a desinfecção da água é extremamente importante para a proteção da saúde pública e que salva muitas vidas

Tanto o tifo como a cólera estavam disseminados na Europa e na América do Norte havia um século

Foram quase completamente erradicados no mundo desenvolvido graças à cloração e a outros métodos de desinfecção da água servida, e à melhoria do saneamento em geral

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Processos Oxidativos Avançados para Purificação de Água

Os métodos convencionais de purificação de água frequentemente não são

efetivos no tratamento de compostos orgânicos sintéticos, como

organoclorados que se encontram dissolvidos em baixas concentrações

Com a finalidade de purificar a água destes compostos orgânicos extra-estáveis têm sido desenvolvidos e disseminados os Processos Oxidativos

Avançados (POAs)

Tais métodos visam a mineralizar os poluentes, isto é, convertê-los inteiramente em CO2, H2O e ácidos minerais, como HCl

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

•A maioria dos POAs são processos à temperatura ambiente que utilizam energia para produzir intermediários altamente reativos de elevado potencial

de oxidação ou de redução

Atacam e destroem os compostos-alvo

A maioria dos POAs envolve a geração de quantidades significativas de radicais livres hidroxila, OH.

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Reação Redox Eº (EPH) / Volt, 25°C F2 + 2e- 2F- 2.87 OH + H+ + e- H 2O 2,33 O3 + 2H+ + 2e- O 2 + H2O 2,07 H2O2 + H+ + 2e- H 3O2+ 1,76 MnO4- + 4H+ + 3e- MnO 2 + 2H2O 1,68 HClO2 + 3H+ + 4e- Cl- + 2H 2O 1,57 MnO4- + 8H+ + 5e- Mn 2+ + 4H 2O 1,49 HOCl + H+ + 2e- Cl- + H 2O 1,49 Cl2 + 2e- 2Cl- 1,36 HBrO + H+ + 2e- Br- + H 2O 1,33 O3 + H2O + 2e- O 2 + 2OH- 1,24 ClO2(g) + e- ClO 2- 1,15 Br2 + 2e- 2Br- 1,07 HIO + H+ + 2e- I- + H 2O 0,99

ClO2(aq) + e- ClO

2- 0,95 ClO + H2O + 2e- Cl- + 2OH- 0,90 H2O2 + 2H + + 2e- 2H 2O 0,87 ClO2- + 2H 2O + 4e- Cl- + 4OH- 0,78 BrO- + H 2O + 2e- Br- + 2OH- 0,70 I2 + 2e- 2I- 0,54 I3- + 3e- 3I- 0,53 IO- + H 2O + 2e- I- + 2OH- 0,49

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

A maioria usa a combinação de fortes espécies oxidantes (O3 e H2O2) com catalisadores (metais de transição ou fotocatalisadores) e/ou irradiação (p. ex.: ultravioleta (UV), ultra-som ou feixe de elétrons).

Tabela 2 - Exemplos de sistemas típicos baseados em POAs.

Sistemas Homogêneos Sistemas Heterogêneos Com Irradiação Sem Irradiação Com Irradiação Sem Irradiação H2O2/UV H2O2/Fe2+ (Fenton)

TiO2/UV Eletro-Fenton O3/UV O3 TiO2/H2O2/ UV Feixe de elétrons O3/HO -Ultra-som (US) O3/H2O2 H2O2/US UV/US

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

•Os radicais hidroxila são espécies extremamente reativas, podendo reagir com a maioria das substâncias orgânicas com uma constante de velocidade na ordem de 106 a 109 L.mol-1.s-1.

•Dependendo da natureza da espécie orgânica, três tipos de mecanismos podem ocorrer durante este ataque :

•- abstração de hidrogênio: OH + CH

3COCH3  CH2COCH3 + H2O (1)

- adição de OH: OH + C6H6  C6H6OH (2)

-transferência de elétron: OH + Fe2+  HO- + Fe3+ (3)

O ataque do radical hidroxila inicia complexas reações em cascata que podem levar a mineralização do composto orgânico.

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Exemplos:

-compostos clorados são primeiramente oxidados a intermediários (aldeídos ou ácidos carboxílicos) e finalmente a CO2, H2O e cloretos;

-enquanto compostos orgânicos nitrogenados normalmente se oxidam gerando nitratos ou N2.

Desde que a geração de radicais OH em solução é um processo relativamente caro,

É mais econômico usar os POAs para tratar apenas os resíduos resistentes aos processos de tratamento convencional, mais baratos

Apropriado integrar um POA a um pré-tratamento das águas residuais por algum outro processo para descartar em primeiro lugar os materiais que

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Sistema H2O2/UV

Para iniciar a produção de radicais hidroxila e começar, assim, as oxidações, é usada frequentemente luz ultravioleta (UV).

Comumente, adiciona-se à água poluída H2O2: que é irradiado na solução com luz UV fornecida por uma fonte potente na faixa de 200–300nm.

O H2O2 absorve luz UV e usa a energia obtida desta maneira para clivar a ligação O-O

H2O2 + h  2 OH (1)

A aplicação deste sistema pode ser apreciado em diversos trabalhos: -degradação de corantes;

-tratamento de esgoto doméstico;

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Sistema H2O2/Fe+2 (Reagente de Fenton)

A capacidade oxidante da mistura de H2O2 com sais de Fe2+ foi inicialmente

observada por Fenton no final do século XIX.

Após 40 anos, foi proposto que o radical hidroxila é a espécie oxidante neste sistema, sendo capaz de oxidar várias classes de compostos orgânicos em uma reação espontânea:

Fe2+ + H

2O2  Fe3+ + OH + OH- k1 = 76 L.mol-1.s-1 (1)

O radical hidroxila formado pode oxidar outro íon Fe2+, na ausência de

substrato:

Fe2+ + OH Fe3+ + OH- k

2 = 3 x 108 L.mol-1.s-1 (2)

•A estequiometria da reação (adicionando prótons para formação da água) é dada por:

2 Fe2+ + H

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

•Devido a características como a realização da reação à temperatura e pressão ambientes, não há necessidade de reagentes ou equipamentos especiais e pode ser aplicado a uma grande variedade de alvos.

•Assim, um grande número de trabalhos tem demonstrado a aplicabilidade deste sistema como:

-degradação de fenóis e clorofenóis;

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Sistema TiO2/UV

No sistema constituído pela interação de TiO2 com a radiação UV ocorre um processo denominado oxidação fotocatalítica.

Neste tipo de processo, um material semicondutor (TiO2, CdS, ZnO, etc) em solução aquosa absorve radiação eletromagnética com energia suficiente para superar o band-gap e, assim, produzir elétrons na banda de condução (eBC) e lacunas na banda de valência (h+

BV).

Dessa forma, o processo se inicia com a formação do par elétron-lacuna: TiO2 + h  e BC + h+

BV (1)

Estes elétrons podem reduzir oxigênio dissolvido gerando íon radical superóxido (O2-) e as lacunas, por sua vez, são capazes de oxidar H

2O ou HO

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

TiO2 (h+) + H

2Oad  TiO2 + HOad + H+ (2)

TiO2 (h+) + HO

-ad  TiO2 + HOad (3)

Estas reações são importantes devido à elevada concentração de H2O ou HO

-adsorvidos na superfície do catalisador.

O substrato pode ser oxidado através de reações com os radicais hidroxila e também quando se encontrar adsorvido na superfície do catalisador, através de reações de transferência de elétrons:

TiO2 (h+) + RX

ad  TiO2 + RXad+ (4)

Entre os semicondutores que têm sido utilizados em aplicações ambientais, o TiO2 é geralmente preferido devido ao seu alto nível de fotossensibilidade, disponibilidade, baixa toxicidade, elevada estabilidade química e baixo custo.

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Ozonização

O ozônio (O3) é um gás incolor, altamente corrosivo, tóxico e de odor pungente.

É um poderoso agente oxidante que foi usado no tratamento de água pela primeira vez em 1893 na Holanda e é ainda um tratamento freqüentemente utilizado na Europa e nos Estados Unidos.

Propõem-se que o ozônio seja decomposto espontaneamente, durante o tratamento de água, por um complexo mecanismo que envolve a geração de radicais hidroxila com velocidades da ordem de 1010-1013 L.mol-1.s-1.

Assim, durante o processo de ozonização em solução aquosa, a oxidação pode ocorrer por meio de dois mecanismos:

- via direta, onde ocorre a oxidação direta do substrato pelo ozônio molecular (O3(aq));

- via indireta, onde a oxidação do substrato é feita por radicais hidroxila produzidos durante a decomposição do O3.

(43)

PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Estes dois caminhos competem pelo substrato, sendo a oxidação direta mais lenta do que a indireta.

Por outro lado, a concentração de O3 é relativamente mais alta do que a de radical hidroxila.

1)sob condições ácidas a via de oxidação por O3 é a preferencial

2) sob condições que favoreçam a formação de radicais livres, tais como irradiação com UV, adição de H2O2 e elevação do pH, a via indireta será favorecida.

A aplicação do ozônio no tratamento de efluentes é bastante difundida tanto para desinfecção quanto para oxidação como, por exemplo, no controle de odor e sabor, descoloração, eliminação de micro poluentes.

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PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

Monitoramento dos Processos Oxidativos Avançados

O objetivo das reações de degradação não é apenas promover o desaparecimento dos substratos, mas sim alcançar a oxidação completa a CO2 e H2O (mineralização).

Para que seja assegurado que tanto os substratos quanto os produtos originados neste processo tenham sido degradados.

 No entanto, a mineralização pode não ser completamente alcançada na maior parte dos tratamentos.

Isto torna necessária a realização de um monitoramento mais adequado dos processos.

(45)

PROCESSOS OXIDATIVOS AVANÇADOS

•A eficiência dos processos oxidativos pode ser monitorada com auxílio de várias análises

Medidas da demanda química e demanda bioquímica de oxigênio (DQO e DBO), que medem o oxigênio necessário para oxidar a matéria orgânica e inorgânica contida na amostra, ou carbono orgânico total (COT), que informa o grau de mineralização ocorrido.

Os ensaios de toxicidade podem ser feitos com organismos (p. ex.: Daphnia.

Magna) para medir a eficiência do processo em relação aos efeitos nocivos

que podem ser causados pelas substâncias remanescentes ou formadas durante o processo.

As análises para caracterização das substâncias formadas no processo: espectroscopia no infravermelho, espectrofotometria ultra-violeta visível e espectrometria de massas, que também podem ser acopladas a técnicas de separação como cromatografias a gás e líquida de alta eficiência.

(46)

INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

 O aporte de substâncias nos mananciais origina-se de várias fontes: -efluentes domésticos e industriais;

-escoamentos superficial urbano e agrícola.

Dependem do tipo de uso e ocupação do solo

Cada uma dessas fontes possui características próprias quanto aos poluentes que transportam, como os efluentes domésticos, que por exemplo, contêm: -contaminantes orgânicos biodegradáveis;

-nutrientes; -bactérias.

Além do mais, a grande diversidade das indústrias existentes contribui para aumentar a variabilidade dos contaminantes aportados nos corpos de água.

(47)

INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

Devido às diferentes espécies aportadas, torna-se praticamente impossível a determinação sistemática de todos os poluentes que possam estar presentes nas águas superficiais, em tempo relativamente curto.

Selecionaram parâmetros físicos, químicos e bioensaios ecotoxicológicos de qualidade de água, levando em conta os mais representativos

CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das Águas

(Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005)

Parâmetros Físicos: temperatura, condutividade elétrica, sólidos totais, sólidos dissolvidos, sólidos em suspensão, cor, turbidez, alcalinidade total, alcalinidade bicarbonato, dureza de cálcio, dureza de magnésio.

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INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

•Parâmetros Químicos: pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO), série de nitrogênio (orgânico, amoniacal, nitrato e nitrito), fósforo total, surfactantes aniônicos, óleos e graxas, cianetos, fenóis, cloretos, ferro, potássio, sódio, sulfetos, magnésio, manganês, alumínio, zinco, bário, cádmio, boro, arsênio, níquel, chumbo, cobre, cromo (III), cromo (VI), selênio, mercúrio.

•Parâmetros microbiológicos: coliformes fecais, coliformes totais e estreptococos totais.

•Bioensaios Ecotoxicológicos: ensaios de toxicidade aguda (0 a 96horas – efeito morte é o mais observado) e crônica (1/10 do ciclo vital até a totalidade da vida do organismo) com Ceriodaphnia dubia, visando a aprimorar as informações referentes à toxicidade causada pelos lançamentos de substâncias tóxicas nos cursos de água.

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INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

Para facilitar a interpretação das informações sobre a qualidade da água de forma abrangente e útil, para especialistas ou não

A partir de um estudos feito em 1970 pela “National Sanitation Foundation” dos Estados Unidos, a CETEB e o IGAM, adaptaram e desenvolveram o Índice de

Qualidade das Águas - IQA

Tal índice incorpora nove parâmetros considerados relevantes para a avaliação da qualidade das águas

Tem como determinante principal a utilização das mesmas para abastecimento público

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INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

Parâmetro Peso - wi

Oxigênio Dissolvido – OD (%OD Sat) 0,17

Coliformes fecais (NMP/100mL) 0,15

pH 0,12

Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO (mg/L) 0,10

Nitratos (mg/L NO3) 0,10 Fosfatos (mg/L PO4) 0,10 Variação na temperatura (0C) 0,10 Turbidez (NTU) 0,08 Resíduos Totais (mg/L) 0,08 IQA =

qi wi 9 i=1

qi = qualidade do parâmetro i obtido através obtido através da curva média específica de qualidade

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INDICADORES DE QUALIDADE DAS ÁGUAS

Nível de

Qualidade

Faixa

Excelente

90 < IQA

100

Bom

70 < IQA

90

Médio

50 < IQA

70

Ruim

25 < IQA

50

Muito Ruim

0 < IQA

25

O IQA reflete a interferência por esgotos sanitários e outros materiais orgânicos, nutrientes e sólidos

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Referências Bibliográficas

1 – BAIRD, C., Química Ambiental, Bookman, 2002, p. 483-524.

2 - http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf (Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005). Consultada em 04/12/12

3 - http://www.igam.mg.gov.br (Qualidade das Águas Superficiais do Estado de Minas Gerais em 2004: Superficiais na Bacia do Rio Jequitinhonha em 2004. Belo Horizonte: IGAM Monitoramento das Águas, 2004, 116p).

4 - http://www.adna.com.pt/educacao-ambiental/tratamento-de-agua. Consultada em 03/12/12

5 - http://agua-molhada.blogspot.com.br/2010_06_01_archive.html. Consultada em 03/12/12

Referências

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