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Direito Tributário - II - 97

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01/02/2019

Direito Tributário - II - 97

Professor: Mauro Lopes

Extinção do Crédito Tributário: PAGAMENTO

Resumo

A Extinção do Crédito Tributário, pelo pagamento, está previsto no art. 156, I do CTN, vejamos:

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:

I - o pagamento;

(...)

O pagamento é a forma direta de satisfação da obrigação, do ponto de vista econômico da fazenda pública,

corresponde a entrega, ao sujeito passivo, do crédito devido. Uma vez entregue a prestação, o liame se

rompe, independentemente de quem tenha feito o pagamento.

Se um terceiro fez o pagamento, na matéria tributária não interessa saber os efeitos decorrentes do

pagamento feito por terceiros, essa situação é decorrente do direito privado, previsto no art. 305 do Código

Civil. O professor sinaliza para a leitura dos art 304 a 307 do CC.

ATENÇÃO:Crime contra a ordem tributária: Ex Sonegação Fiscal. O pagamento do crédito tributário,

acrescido de juros, correção e multa, libera o agente do vínculo obrigacional tributário e traz uma

consequência para o direito penal, art. 9º, § 2º da Lei 10.684/2003, gera a extinção da punibilidade do

agente quando há crime contra a ordem tributária.

Art.9º É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes previstos

nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos arts.

168A e 337A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940

– Código Penal,

durante o período em que a pessoa jurídica relacionada com o agente dos

aludidos crimes estiver incluída no regime de parcelamento.

§1º A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da pretensão

punitiva.

§2º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a pessoa

jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos

oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios.

O CTN prevê á partir do art. 157 a causa de extinção do crédito tributário pelo pagamento, vejamos:

OBSERVAÇÃO:

ilidir é rebater/ contestar/ refutar

elidir é suprimir/eliminar

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Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito

tributário.

Art. 158. O pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento:

I - quando parcial, das prestações em que se decomponha;

II - quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos.

A comprovação do pagamento se dá com o recibo de pagamento.Outra maneira de comprovar o

pagamento é a certidão negativa. Por exemplo o carnê de IPTU, se houver pagamento da última prestação

apenas, não comprova o pagamento do tributo total, assim não há presunção de pagamento conforme

acontece no CC ART. 322.

No inciso II,por exemplo ao comprovar o pagamento do IPTU de um imóvel, apresenta-se o comprovante do

ano de 2019, porém o comprovante não presume o pagamento do IPTU de 2018. Do mesmo modo o

pagamento do IPTU não comprova o pagamento das taxas obrigatórias.

Art. 159. Quando a legislação tributária não dispuser a respeito, o pagamento é

efetuado na repartição competente do domicílio do sujeito passivo.

A legislação sendo omissa, quanto ao lugar do pagamento, o devedor deverá levar o pagamento até o

credor, chamado de divida portable, o contrário ocorre na dívida querable, nesse caso cabe ao credor

buscar o pagamento junto ao devedor. No CC ART. 327, adota-se a dívida quesível ou querable. Nada

impede que a Lei Tributante disponha de forma quesível.

Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o

vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o

sujeito passivo notificado do lançamento.

Há diferença entre legislação e lei. Na primeira considera-se gênero e a segunda espécie. Assim dentro da

legislação podemos encontrar leis, tratados, convenções internacionais e decretos, vejamos:

Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as

convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem,

no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.

Dessa forma o prazo poderá constar de normas complementares, atos normativos, etc vide art. 100 do

CTN, assim o CTN, não elenca o prazo para pagamento de tributo, sendo matéria de reserva de Lei.

Todavia se nada dispuser a legislação tributária aplica-se a regra geral, 30 dias depois da notificação do

lançamento.

OBSERVAÇÃO: O tributo sujeito a lançamento por homologação, a lei deverá estipular o prazo, uma vez

ocorrido o fato gerador, a partir de quanto tempo haverá o pagamento antecipado. A regra geral pressupõe

uma notificação o que não ocorre no tributo sujeito a lançamento por homologação, assim deverá estipular o

prazo

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Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação

do pagamento, nas condições que estabeleça

.

A Lei estabelecendo o prazo para pagamento, também poderá estabelecer o desconto pela antecipação do

pagamento. Ex. IPTU pagamento a vista tem desconto.

MORA

Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de

mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das

penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas

nesta Lei ou em lei tributária.

§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa

de um por cento ao mês.

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada

pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.

A mora no Direito Tributário é automática, independe de interpelação do devedor pelo credor.

A taxa de juros na esfera federal Lei 9.065/95 art. 13 TAXA SELIC. A taxa SELEC serve de índice de

correção monetária, dessa forma a taxa Selic remunera e corrige de uma vez só.

RESP 879844

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1

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC.

EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 03/09/2009; REsp 803.059/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 24/06/2009; REsp 1098029/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; AgRg no Ag 1107556/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no Ag 961.746/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2009, DJe 21/08/2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento anti-isonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerar-se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 4. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação do bis in idem. / Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. / Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543-B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543-A e 543-B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a

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O parágrafo segundo diz respeito a consulta - que é a forma pela qual o contribuinte consulta o fisco para

ter uma dúvida solucionada, nesse caso o contribuinte terá a suspensão da mora caso o vencimento do

tributo ocorra no período de resposta do fisco. Consulta formulada após o vencimento, gera multa e mora.

FORMAS DE PAGAMENTO

Art. 162. O pagamento é efetuado:

I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;

II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo

mecânico.

§ 1º A legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o

pagamento por cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível ou mais

oneroso que o pagamento em moeda corrente.

§ 2º O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o resgate deste

pelo sacado.

§ 3º O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a inutilização

regular daquela, ressalvado o disposto no artigo 150.

§ 4º A perda ou destruição da estampilha, ou o erro no pagamento por esta

modalidade, não dão direito a restituição, salvo nos casos expressamente

previstos na legislação tributária, ou naquelas em que o erro seja imputável à

autoridade administrativa.

§ 5º O pagamento em papel selado ou por processo mecânico equipara-se ao

pagamento em estampilha.

(Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 7. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.

(STJ - REsp: 879844 MG 2006/0181415-0, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 11/11/2009, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: --> DJe 25/11/2009)

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IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO

Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo

sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao

mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros

de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento

determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em

que enumeradas:

I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos

decorrentes de responsabilidade tributária;

II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos

impostos;

III - na ordem crescente dos prazos de prescrição;

IV - na ordem decrescente dos montantes.

Primeiramente, se há duas dívidas, em uma é contribuinte e na outra é responsável, dessa forma será

devido primeiramente aquelas por obrigação própria. Se for contribuinte em ambas, observa-se o inciso II

do art. 163. Observa-se com isso a ordem crescente dos prazos de prescrição, se os prazos forem os

mesmos observa-se os montantes conforme o inciso IV DO ART. 163.

Referências

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