Em agosto, as vendas reais do autosserviço apresentaram alta de 2,53%
na comparação com o mês
imediatamente anterior e alta de 2,63% em relação ao mesmo mês do ano de 2013, de acordo com o Índice Nacional de Vendas, apurado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No resultado acumulado (jan/ago), as vendas apresentaram alta de 1,63% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os índices já estão deflacionados pelo IPCA do IBGE.
Em valores nominais, as vendas do setor apresentaram alta de 2,79% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a agosto do ano anterior, alta de 9,31%. No acumulado do ano as vendas cresceram 7,94%. Variações Período de análise – mês/14 Variação Nominal Variação Real* (IPCA/ IBGE) Ago/14 x Jul/14 2,79% 2,53% Ago/14 x Ago/13 9,31% 2,63% Acumulado/ano 7,94% 1,63%
ECONOMIA
Nesta edição:
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30 de Setembro de 2014As projeções econômicas para o ano de 2014 continuam piorando (ver página 6 deste boletim), mas alguns indicadores anunciados nos últimos dias continuam impactando de forma positiva as vendas do autosserviço. A taxa de desemprego num nível historicamente baixo para o mês de agosto e o aumento da massa salarial na base mensal e interanual continuam contribuindo para as vendas positivas.
“Além dos fatores relacionados à renda do consumidor brasileiro, um aspecto que favoreceu as vendas de agosto foi a composição do calendário do mês de agosto, que contou com cinco finais de semana cheios”, afirmou Sussumu Honda, presidente do Conselho Consultivo da Abras. “O resultado do mês veio de encontro às nossas expectativas e nos fez aproximar um pouco mais da nossa projeção de vendas reais de 1,9% no ano”, finalizou.
Composição do calendário contribuiu para resultado
Índice Abras acumula alta de 1,63% até
agosto
Setor vende bem em agosto e acumula 1,63% em 2014
>> Conjuntura –2
Desemprego em nível historicamente baixo para agosto: 5,0%
>>Abrasmercado – 3
Mesmo com alta da carne, abrasmercado cai em agosto: -1,0% >>Projeções – 6 Exportações desabam e déficit em transações correntes aumenta
Nº44
>>Abrasmercado – 4Por regiões, Norte continua com a cesta mais cara do País
>>Indicadores – 7
Indicadores macroeconômicos e do varejo
Associação Brasileira de Supermercados
>>PMC– 5 &omércio varejista diminui o ritmo e acumula crescimento de 3,5% no ano
Puxada por carnes, seção de alimentos e bebidas volta a subir em agosto
As medidas macroeco nômicas de ajuste econômic o implement adas desde o fim do ano passado já começara m a surtir efeito, refletidas no resultado do PIB do primeiro trimestre, que no acumulad o dos últimos 12Análise do mercado - pg. 02
Conjuntura - pg. 02
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado, para o conjunto das seis regiões pesquisadas, no
mês de agosto de 2014, em R$ 2.055,50. Este resultado foi considerado
1,7% maior do que o obtido em julho (R$ 2.022,04) e 2,5% acima do registrado em agosto do ano passado (R$ 2.005,72). Regionalmente, em relação a julho último, o rendimento cresceu em todas as regiões, a saber: Recife (0,6%); Salvador (1,2%); Belo Horizonte (4,2%); Rio de Janeiro (1,2%); São Paulo (1,4%) e Porto Alegre (2,5%).
A taxa de desocupação em agosto de 2014, foi estimada em 5,0% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Frente a julho (4,9%), a taxa não apresentou variação significativa. No confronto com
agosto de 2013 (5,3%) não houve variação
estatísticamente significativa.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de agosto apresentou variação de 0,25%, bem acima da taxa de 0,01% de julho. Com isso, o acumulado no ano fechou em 4,02%, acima dos 3,43% de igual período de 2013. Considerando os últimos 12 meses o índice foi para 6,51%, acima do teto da meta de inflação do Banco Central.
A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em 48,2bilhões em agosto de 2014, aumentou 2,4% em relação a julho. Na comparação com agosto do ano passado esta estimativa cresceu 1,8%.
Dado mais atualizado, o IPCA-15 teve variação de 0,39% em setembro e ficou 0,25 ponto percentual acima da taxa de 0,14% de agosto. Com isso, o IPCA-15 acumulado nos meses de julho, agosto e setembro foi de 0,70%, acima do resultado de igual período de 2013 (0,50%). No ano, o IPCA-15 foi para 4,72%, superior à taxa de 3,97% do mesmo período de 2013. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 situou-se em 6,62%, acima dos 12 meses imediatamente anteriores (6,49%). Em setembro de 2013, a taxa havia sido 0,27%.
Os preços dos alimentos voltaram a subir e foram para 0,28%, depois de recuarem 0,32% em agosto. A alta foi motivada, principalmente, pelas carnes, que ficaram 2,30% mais caras de um mês para o outro, pela refeição fora de casa, que teve aumento de 0,90%, além do leite longa vida, com 1,47%.
IPCA-15: alta de 0,39% em agosto e
6,49% acumulado em 12 meses
Vestuário (de -0,18% para 0,17%), despesas pessoais (de -0,67% para 0,31%) e comunicação (de -0,84% para 0,56%) também mostraram alta em setembro, enquanto haviam apresentado variações em queda no mês de agosto. No grupo dos artigos de residência (de 0,41% para 0,43%) as variações ficaram próximas de um mês para o outro.
Cebola apresenta a maior
queda no ano
No resultado acumulado de 12 meses, os produtos que mais pressionaram a inflação na cesta Abrasmercado foram o tomate, com 27,4%, o leite em pó integral, com 19,5%, e a carne traseiro, com 16,1%. Os produtos com as maiores quedas nos preços no acumulado de 12 meses foram pela ordem: batata (-38,5%), feijão (-33,4%) e a farinha de mandioca (-21,1%).
No resultado acumulado do ano, os produtos que mais pressionaram a inflação na cesta Abrasmercado foram a cebola, com 26,5%, o leite em pó integral, com 12,0%, e o ovo, com 10,8%. Os produtos com as maiores quedas nos preços no acumulado do ano foram pela ordem: batata (-29,3%), farinha de mandioca (-24,4%) e o feijão (-20,0%).
Em agosto, o Abrasmercado, cesta de 35 produtos de largo consumo analisada pela GfK em mais de 600 estabelecimentos de autosserviço espalhados em todo o País, apresentou queda de -1,00%, em relação a julho de 2014.
Na comparação com o mesmo
mês do ano anterior, o
Abrasmercado apresentou alta de 4,43%, passando de R$ 355,85 para R$ 367,88. Em agosto de 2013, o Abrasmercado assinalava uma queda de -0,16% em relação ao mês anterior, acumulando alta de 4,11% no ano e de 10,2% em 12 meses. O que mostra que os preços dos principais produtos
vendidos nos supermercados
estão com preços mais estáveis neste ano.
Os produtos com as maiores altas em agosto, na comparação com o mês anterior, foram: carne traseiro, com 2,50%; leite longa vida, 2,50%, extrato de tomate, 2,37%; sabão em pó, 1,57%. A carne traseiro obteve alta nos preços em quatro das regiões, a maior alta foi registrada na Região Centro-Oeste, onde variou 6,72%. O leite longa vida, por sua vez, teve sua maior alta, de 3,67% na Região Centro-Oeste. O extrato de tomate apresentou a sua maior alta, de 4,17%, na Região Norte. Já os produtos com as maiores quedas foram: batata, -21,88%; o feijão, -8,59%; o tomate, -8,47%; e o óleo de soja, com queda de -6,43%.
A batata teve queda em todas as regiões e a maior delas foi na Região Nordeste, -31,53%. O feijão, por sua vez, teve a maior queda na Região Norte, -18,62%.
Mesmo com alta da carne, Abrasmercado cai em agosto: -1,0%
Maiores quedas (Mês x Mês anterior - %) BATATA -21,88 FEIJÃO -8,59 TOMATE -8,47 ÓLEO DE SOJA -6,43
Abrasmercado - pg. 03
Comparativo Abrasmercado x IPCA Abrasmercado IPCA
Variação Mensal (Ago/14 versus Jul/14) -1,00% 0,25%
Acumulado no Ano(Jan/14 a Ago/14) 2,09% 4,02%
Variação 12 meses (Ago/14 versus Ago/13) 4,43% 6,51%
Maiores altas (Mês x Mês anterior - %)
CARNE TRASEIRO 2,63
LEITE LONGA VIDA 2,50
EXTRATO DE TOMATE 2,37 SABÃO EM PÓ 1,57
Abrasmercado
Período
Valor em R$
Agosto/13 R$ 355,85 Agosto/14 R$ 367,8 Var. (%)Mês x Mesmo mês do ano anterior
4,43
Período
Valor em R$
Julho/14 R$ 371,60
Agosto/14 R$ 367,88
R$ 401,17
R$ 353,33 R$ 340,65
R$ 404,70
R$ 331,69
Em agosto, a cesta da Região Norte permaneceu com o posto de cesta mais cara do País, e apresentou queda de -2,33%. Na região, os produtos que apresentaram maiores quedas de preços
foram a batata (-22,0%) e o feijão (-18,62%).
A segunda cesta mais cara do País continua sendo a da Região Sul, com valor de R$ 401,17 oscilação de -1,38% no mês. Na região, os produtos que apresentaram maiores quedas de preços foram a batata (-23,64%) e o biscoito cream craker (-10,95%).
A Região Sudeste apresentou queda de -0,99%, na relação de um mês para o outro. Na região, os produtos que apresentaram maiores quedas de preços foram a batata (-16,60%) e o tomate (-10,19%).
A Região Nordeste apresentou queda de, -0,70% na relação de um mês para o outro, com destaque para a queda nos preços da batata (-31,53%) e do pernil (-23,51%). A cesta regional ficou em R$ 331,69.
Na Região Centro-Oeste obteve alta
de 0,82%, atingindo o valor de R$ 340,65, as maiores altas da região
foram verificadas na farinha de mandioca (14,10%) e na margarina cremosa (7,05%).
Em agosto, Brasília passou a ter a cesta mais cara do País, com o valor de R$ 420,40, e variação de 1,89% no mês. Destaque para a queda no preço da farinha de mandioca (-26,86%).
Interior do Rio Grande do Sul apresentou entre as capitais e municípios pesquisados a maior queda nos preços do País, com variação de -2,66%, atingindo o valor de R$ 300,60. Na região, os produtos que apresentaram as maiores quedas no mês foram a batata (-28,38%) e a farinha de trigo (-12,44%).
Na Grande São Paulo, a cesta Abrasmercado apresentou em agosto/2014 variação de -1,57%, atingindo o valor de R$ 367,29. Os produtos que apresentaram queda nos preços foram a batata (-20,91%) e o tomate (-18,06%).
Por regiões, Norte continua com a cesta mais cara do País
Cidade de Brasília tem a cesta mais cara: R$ 420,40
PMC - pg. 05
Em julho, o comércio varejista do País registrouvariação de -1,1% no volume de vendas e de -0,7% na receita nominal, ambas as taxas em relação ao mês anterior (ajustadas sazonalmente). Na série de volume, este resultado não ocorre desde outubro de 2008, quando a variação também foi de -1,1%. Para a receita nominal, é o segundo mês consecutivo com taxa negativa, após 24 meses apresentando crescimento. Quanto à média móvel, o volume de vendas gerou variação de -0,6%, enquanto na receita foi de -0,1%.
Nas demais comparações, obtidas das séries originais (sem ajuste), o varejo nacional apresentou, em termos de volume de vendas, taxas de -0,9% sobre julho do ano anterior e de 3,5% e 4,3% nos acumulados do ano e dos últimos 12 meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou variação de 5,9%, 9,8% e de 10,8%, respectivamente.
Em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal, seis das dez atividades registraram variações positivas em termos de volume de vendas. Em ordem de magnitude das taxas, os resultados foram: veículos e motos, partes e peças (4,3%); material de construção (3,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (2,1%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,9%); combustíveis e lubrificantes (0,8%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,0%).
A atividade de móveis e eletrodomésticos exerceu o maior impacto na formação da taxa do varejo, com decréscimo de -9,2%, no volume de vendas em relação a julho de 2013. Esta variação foi influenciada pelo menor ritmo de crescimento do crédito com recursos livres que, segundo o Banco Central, nos últimos 12 meses passou de 9,2% em julho de 2013 para 5,0% em julho deste ano.
O segmento de tecidos, vestuário e calçados, que apresentou variação no volume de vendas de -4,4% com relação a igual mês do ano anterior, representou a segunda maior contribuição à taxa global do varejo.
Hipermercados, supermercados, produtos alimentí-cios, bebidas e fumo, com variação de -0,1% em julho, sobre igual mês do ano anterior, foi o setor responsável pela terceira maior participação no índice geral. Esta atividade teve seu desempenho influenciado pela redução do número de dias úteis comparado com o mesmo mês do ano anterior, em função dos feriados decorrentes da Copa do Mundo.
PMC: comércio varejista diminui ritmo e acumula crescimento de 3,5% no ano
semestre
Artigos farmacêuticos apresentam maior
crescimento do varejo em 12 meses
Abrasmercado
Projeção para o PIB 2014 continua em queda: agora é 0,29%
Projeções – 26/9/2014
Índices/Indicadores 2014 2015 PIB (% de crescimento) 0,29 1,01 Produção Industrial (% de crescimento) -1,95 1,50Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)
2,35 2,45
Taxa Selic - fim de período (% a.a.)
11,00 11,38
IPCA (%) 6,31 6,30
IGP-M (%) 3,66 5,50
Fonte: Boletim Focus - Banco Central
Segundo analistas de mercado consultados pelo Banco Central, em seu Boletim Focus, a perspectiva para o PIB de 2014 é de crescimento de 0,29%.
Há um mês, o mercado previa expansão de 0,70%. Para 2015, a previsão para o crescimento é de 1,01%.
As projeções indicam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) irá fechar 2014 em 6,31%, acima dos 5,91% de 2013. Para 2015, expectativa é de alta de 6,30%.
Para o IGP-M, a previsão é de que o índice encerre o ano em 3,66%. Para 2015 a projeção é de 5,50%.
A previsão para a Selic foi mantida em 11% para 2014. Para 2015 a perspectiva é de 11,38% ao ano.
De acordo com o levanta-mento de 26/9, a previsão do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 é de 2,35. A previsão para o dólar no fim de 2015 está em R$ 2,45.
Exportações desabam e déficit em transações correntes aumenta
Segundo dados divulgados pela Secex no início de setembro, nos oito primeiros meses 2014 foi contabilizado um superávit de US$ 249 milhões na balança comercial brasileira. Com isso, o saldo comercial passou a ficar positivo. O saldo deste ano também teve melhora frente ao mesmo período do ano passado, quando foi registrado um déficit (importações maiores do que exportações) de US$ 3,75 bilhões.
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, as exportações somaram US$ 154 bilhões, ao passo que as importações totalizaram US$ 153,7 bilhões. Apesar do resultado agora positivo, a perspectiva é de que a balança encerre o ano com déficit da ordem de R$ 1,5 bilhão, o que é um resultado temerário, pois basta observar o gráfico abaixo pa-
de produtos industrializados que tenham competitividade no mercado internacional. Independentemente dos pro- blemas estruturais do País (lo-gística, tributário, formação de mão de obra...), a taxa de câmbio tem uma parcela importante no resultado. Apenas em 2014, o câmbio foi apreciado em cerca de 10% e, ao nível atual de R$ 2,35/2,40 está no mesmo patamar que era praticado em 2005. Embora ajude o brasileiro a ir pro exterior,
prejudica em muito a
competitividade das expor- tações brasileiras.
ra verificar que se trata de um dos piores anos da história.
Com o fraco resultado comercial, o Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 5,489 bilhões em agosto, com o rombo coberto pelo ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que somaram US$ 6,84 bilhões no período. No acumulado em 12 meses, o saldo negativo na conta corrente do País ficou em 3,47% do PIB. Diante desse quadro, o BC manteve em US$ 80 bilhões de dólares a projeção de saldo negativo em transações correntes para 2014. Em poucas palavras, o País vem se sustentando com base na poupança externa. Para o País voltar a crescer de forma sustentável, é imprescindível voltar a ter expressivos superávits comerciais e ter uma cesta de produtos industrializados competitiva em nível inter-