Comunicado
182
Técnico
Sist emas de Manejo
Recomendados para o
Cultivo do Coqueiro Gigant e
Cultivado em Sequeiro
1Engenheiro-agrônomo, mestre em Fit ot ecnia, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Cost eiros, Aracaju, SE 2Biólogo, mest re em Fisiologia Veget al, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Cost eiros, Aracaju, SE 4Engenheiro-agrônomo, dout or em Fitot ecnia, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracaju, SE
ISSN 1678-1937 Dezembro, 2015
Humbert o Rollemberg Font es1
Edson Eduardo Melo Passos2
Sergio de Oliveira Procópio3
O cult ivo do coqueiro da variedade gigant e concent ra-se ao longo da faixa litorânea do
Nordeste, onde predominam pequenos produt ores, que se dedicam à produção do “ coco seco” . Esta região caract eriza-se pela ocorrência de solos arenosos e déficit s hídricos elevados em grande part e do ano, just if icando assim a necessidade de que sejam adot adas prát icas cult urais que permitam a redução das perdas de água do solo, principalment e em se considerando que os plant ios são realizados em sequeiro. Na maioria das vezes ut ilizam-se mudas de má qualidade, não sendo observados os cuidados básicos de preparo de cova, adubação e coroament o das plant as. Em algumas situações, o manejo das entrelinhas é realizado com roçagem mecânica/manual ou gradagem do solo, sendo observado t ambém o consórcio com culturas alimentares sem uma def inição da melhor prát ica a ser ut ilizada, época de realização e das condições de clima e solo onde poderá ser empregada. Nest a condição, observa-se não soment e elevado índice de perda de mudas em campo, como t ambém ret ardament o na precocidade de produção das mesmas.
De acordo com t rabalhos já realizados, a
manut enção do solo coberto com leguminosas e/ ou com veget ação nat ural roçada periodicament e, promoveu retardando do cresciment o e precocidade
de produção quando comparado ao sistema em que o solo f oi mant ido descobert o com gradagens realizadas t rês a quatro vezes ao ano (OCHS, 1963; FREMOND; BRUNIN, 1966; POMIER; DE TAFFIN, 1982). Segundo Ohler (1999), em áreas que apresent am est ação seca def inida, a eliminação da cobertura do solo é essencial para manut enção de boa produção do coqueiro, devendo ser realizada nest e caso, ant es do f inal do período chuvoso evit ando assim perdas de água durant e o período seco. Font es e Costa (1990), Olivin e Ochs (1978), ressalt am a importância desta prát ica em solos arenosos principalment e quando há predominância de areia muit o f ina (0,10 mm - 0,05 mm) em f unção da maior capacidade de ret enção de água. Mais recent ement e, Sumith et al. (2009), Samarajeew a (2004), Senarat hne et al. (2003) e Senarat hne (2011) avaliaram o ef eito de sistemas de manejo sobre a densidade de cobert ura das plantas invasoras e seus reflexos sobre a produção de coqueiros, e concluíram que a ut ilização do herbicida glyphosat e (1,44 kg ia. ha-1) apresentou
o melhor cust o/benef ício. Esses autores verif icaram ainda, que a roçagem const it uiu-se no pior
trat ament o, uma vez que não proporcionou nenhum aumento de produção de frut os, concluindo nest e caso, que a competição é maior por água do que por nut rient es.
Com relação à ut ilização de consorciação de culturas em áreas cult ivadas com coqueiros,
Bonneau e Sugariant o (1999) e Olivier et al. (1994) recomendam est a prática uma vez que f avorece o cresciment o das plantas e assegura redução dos cust os de produção durant e a f ase improdut iva do coqueiral.
Este trabalho apresent a recomendações de prát icas de manejo que poderão ser ut ilizadas pelo produt or de coco gigante, as quais result am de experiment o de campo realizado em propriedade part icular localizada no est ado de Sergipe em solo do t ipo Latossolo Amarelo com predominância da f ração areia (91,66% ). Foram avaliadas a inf luencia da adubação e de dif erent es práticas de manejo das ent relinhas, como roçagem, gradagem e alt ernância destas prát icas realizadas t rês vezes ao ano, comparadas ao consórcio com mandioca e ao cult ivo manual. Todos os t rat ament os f oram t est ados em presença e ausência da adubação, inclusive em relação à cult ura consorciada (Tabela 1). O cult ivo da mandioca f oi realizado obedecendo ao sist ema de produção da região ut ilizando-se a variedade Caravelas sendo o plantio realizado manualment e em covas. As avaliações de
cresciment o dos coqueiros f oram realizadas aos 18, 29 e 46 meses de idade, at ravés do número de f olhas vivas e emitidas, número de f olíolos da f olha
3, e circunferência do coleto (cm). Todas as plant as foram mantidas com coroament o manual realizado em média quat ro vezes ao ano.
Ef eit o da adubação
Na f ase inicial de plant io, observou-se efeit o positivo da adubação para número de f olíolos da folha t rês onde f oi ut ilizado gradagem e t estemunha, enquanto que em relação à circunf erência do colet o, este ef eit o f oi observado para t odos os t rat ament os à exceção do consórcio com mandioca (Tabelas 2 e 3). Constat ou-se por out ro lado, que a part ir dos 29 meses, a compet ição por água do solo limit ou a respost a à adubação, t endo em vist a que o cresciment o dos coqueiros não adubados, mantidos com gradagem, f oi superior àqueles onde f oi
ut ilizada a roçagem na parcela adubada (Tabelas 4 e 5). Esses result ados est ão relacionados em grande part e, à maior eficiência de cont role das plant as daninhas proporcionado pela grade, reforçando assim a necessidade de adoção de práticas de manejo que permit am melhor conservação de água no solo em plant ios realizados em sequeiro para que haja uma respost a posit iva à adubação do coqueiro. Quando se considerou a média dos trat ament os t est ados, verif icou-se interação positiva para adubação em t odas as avaliações realizadas.
Tabela 1. Fert ilizant es e respectivas dosagens em (kg pl-1) ut ilizadas na adubação dos coqueiros, a partir da
implant ação até o quart o ano de idade.
Implantação Ureia Super fosfato simples Cloret o de potássio
Plant io 0,25 0,40 0,40
Ano I 0,60 0,25 0,60
Ano II 1,00 0,90 1,00
Ano III 1,40 1,20 1,00
Ano IV 1,70 2,00 1,30
Tabela 2. Número de f olhas vivas (NFV) e o número de folhas emitidas por planta (NFE) no int ervalo de quat ro meses, em presença (C/A) e ausência (S/A) de adubação, 18 meses após o plant io dos coqueiros.
Trat amentos NFV NFE
C/A S/A C/A S/A
Testemunha 7,40 ab 5,17 ab 2,30 1,90 Roçagem mecânica 7,05 ab 5,10 b 2,25 1,67 Gradagem 7,30 ab 6,37 a 2,80 2,10 Grade+ Roçagem 7,80 a 5,95 ab 2,55 2,12 Consórcio 6,40 b 5,85 ab 2,42 2,05 Média 7,19 A 5,69 B 2,46 A 1,97 B CV (% ) 9,59 9,77
Médias seguidas pelas mesmas let ras minúsculas na coluna e maiúsculas na linha não dif erem entre si pelo t este de Tukey a 5% de signif icância.
Tabela 3. Número de f olíolos da folha número t rês (NF) e circunferência do colet o (CC) em presença (C/A) e ausência (S/A) de adubação, 18 meses após o plant io dos coqueiros.
Tratamentos NF CC (cm)
C/A S/A C/A S/A
Testemunha 39,40 bcA 31,20 B 42,00 bA 30,10 B Roçagem mecânica 37,60 cA 33,00 A 43,10 bA 30,80 B Gradagem 46,80 aA 36,30 B 57,70 aA 36,80 B Grade + roçagem 46,00 abA 35,70 B 55,80 aA 37,00 B Consórcio 32,80 cA 31,20 A 37,40 bA 32,70 A Média 40,50 A 33,50 B 47,20 A 33,50 B CV (% ) 9,47 11,2
Médias seguidas pelas mesmas let ras minúsculas na coluna e maiúsculas na linha não dif erem entre si pelo t este de Tukey a 5% de signif icância.
Tabela 4. Resultados obt idos para número de f olhas vivas (NFV), número de f olhas emit idas (NFE), no int ervalo de quat ro meses, e circunf erência do colet o (CC) em presença (C/A) e ausência de adubação, 29 meses após o plant io dos coqueiros.
Trat amentos NFV NFE CC(cm)
C/A S/A C/A S/A C/A S/A
Testemunha 8,37 6,77 3,02 2,57 84,35 54,50 Roçagem mecânica 7,85 6,07 3,10 2,27 77,75 48,22 Gradagem 12,15 9,45 4,52 3,85 126,60 88,30 Grade+ roçagem 10,20 7,67 3,85 2,80 115,37 64,67 Consórcio 10,92 9,42 4,25 3,65 95,92 74,97 Média 9,90A 7,88 B 3,75 A 3,03 B 100,00 A 66,13 B CV (% ) 11,84 13,20 21,11
Médias seguidas pelas mesmas let ras minúsculas na coluna e maiúsculas na linha não dif erem entre si pelo t este de Tukey a 5% de signif icância.
Tabela 5. Número de f olhas vivas (NFV) e número de f olhas emit idas (NFE) no int ervalo de seis meses, em presença (C/A) e ausência (S/A) de adubação, 46 meses após o plant io dos coqueiros.
Trat amentos NFV NFE
C/A S/A C/A S/A
Testemunha 7,50 c 6,00 bc 4,70 b 3,90 b Roçagem mecânica 8,40 c 5,20 c 5,70 b 3,20 b Gradagem 14,40 a 9,20 a 7,50 a 5,80 a Grade+ roçagem 12,80 ab 7,80 abc 7,80 a 4,50 a Consórcio 10,60 bc 8,40 ab 7,20 a 5,40 a
Média 10,70 A 7,30 B 6,60 A 4,60 B
CV (% ) 16,16 16,46
Médias seguidas pelas mesmas let ras minúsculas na coluna e maiúsculas na linha não dif erem entre si pelo t este de Tukey a 5% de signif icância.
Manejo entrelinhas
Os t rat amentos que ut ilizaram grade de discos para cont role das plant as daninhas apresent aram os melhores result ados, com dest aque para o uso da gradagem no início do período seco com roçagens realizadas durant e o período chuvoso, não dif erindo em relação ao uso da grade durant e t odo o ano (Tabelas 2 a 5). Est e sist ema apresenta a vant agem de reduzir o t empo de exposição do solo descoberto e ref orça a necessidade de reduzir as perdas de água no solo durant e o período seco do ano. O result ado positivo dest a prática est á relacionado com o melhor cont role das plant as daninhas, podendo ser at ribuído t ambém à maior conservação de umidade na subsuperf ície do solo em decorrência do processo de quebra de capilaridade. Por out ro lado, a ut ilização da roçagem mecânica da vegetação nat ural , proporcionou aument o da incidência de gramíneas ent re as plantas de cobert ura, f avorecendo as perdas de água por evapot ranspiração. Verif icou-se t ambém redução significativa do t eor de nit rogênio na f olha número quat ro dos coqueiros, que passou de 1,79% no t ratament o com grade para 1,58% , onde se ut ilizou roçadeira. Est es resultados conf irmam aqueles citados ant eriormente por out ros aut ores, onde o cont role químico das plant as daninhas com herbicida glyphosate (1,44 kg i.a. ha-1) f avoreceu
a produção dos coqueiros o mesmo não ocorrendo em relação à ut ilização da roçagem mecânica com manut enção da veget ação nat ural de cobert ura que apresentou piores result ados, indicando assim que em sist emas de sequeiro, a compet ição por água do solo é maior do que por nut rient es.
Embora os resultados positivos obt idos pelo uso da grade evidenciem a necessidade de redução da compet ição por água no solo em plant ios realizados em sequeiro, deve-se considerar que em f unção dos problemas relacionados com a degradação das propriedades do solo e dos maiores riscos de erosão decorrente da manut enção
do solo descobert o (Figura 1) recomenda-se a ut ilização de prát icas alt ernat ivas de manejo que a exemplo da cobertura mort a, poderá f avorecer cultivo sust ent ável do coqueiro. Em regiões que apresent am bom índice pluviomét rico com boa distribuição de chuvas ao longo do ano, a ut ilização da roçagem mecânica poderá ser indicada desde que associada à ut ilização de cobert ura mort a na zona de coroament o, mant endo-se um raio cobert ura de aproximadamente 2 m a partir do caule do coqueiro (Figura 2).
Figura1. Aspect o do solo mant ido descoberto com o uso da gradagem.
Figura 2. Utilização da cobert ura morta na zona de coroament o com f olhas de coqueiro.
Consorciação com mandioca
Embora inicialment e t enha sido observado ef eit o negat ivo do consorcio com mandioca sobre o desenvolviment o dos coqueiros (Tabelas 2 e 3), verificou-se post eriormente, recuperação do crescimento das plantas onde o número de f olhas vivas e emitidas f oram equiparadas ao t rat ament o
em que f oi ut ilizada a grade (Tabelas 4 e 5). Est es result ados podem ser atribuídos ao ef eit o do sombreament o proporcionado pela mandioca sobre o coqueiro em sua f ase inicial de plantio, sit uação est a revert ida com o cresciment o das plant as, corroborando assim com as cit ações de out ros aut ores que recomendam o uso da consorciação com outras cult uras durante a f ase de crescimento quando é menor a competição por água, nut rient es e luminosidade.
A consorciação pode ser considerada como um método cultural de cont role das plantas daninhas, tendo em vist a que a subst it uição da veget ação nat ural pela mandioca apresent ou result ados positivos sobre o cresciment o dos coqueiros que foram benef iciados pelos t ratos culturais ut ilizados. Recomenda-se, no ent ant o, que seja realizado o manejo adequado do coqueiro e da cult ura consorciada principalment e em relação à adubação, tendo em vist a que os result ados obt idos para análise foliar realizada aos dezoit o meses de idade, demonst raram redução signif icat iva do t eor de pot ássio de 1,38% no trat ament o com gradagem para 0,80% no sist ema consorciado.
Considerações f inais
A utilização da gradagem ou a alt ernância de grade no início do período seco com a roçagem na est ação chuvosa apresent aram os melhores result ados f avorecendo a respost a à adubação dos coqueiros.
A manut enção da veget ação nat ural com a ut ilização da roçagem mecânica prejudicou o cresciment o dos coqueiros em f unção da maior compet ição por água e nut rient es exercida pelas plant as de cobert ura.
O cult ivo consorciado do coqueiro com a mandioca apresent ou ao f inal do período de avaliação, result ados f avoráveis que não dif eriram em relação ao t rat amento que alt ernou o uso da grade com a roçadeira.
Ref erências
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