CONTROLE BIOLÓGICO DO PERCEVEJO Pachycoris torridus NA CULTURA DO PINHÃO MANSO EM ÁREA EXPERIMENTAL DO GRUPO AGROPALMA NO
MUNICÍPIO DE TAILÂNDIA NO ESTADO DO PARÁ
Diogenes do Nascimento Pessôa, Agropalma S/A, [email protected] Sebastião do Espírito Santo Sinimbu, Agropalma S/A, [email protected]
Brígida de Souza , UFLA , [email protected]
Elielson Lobo de Almeida, Agropalma S/A, [email protected]
RESUMO: O percevejo Pachycoris torridus é uma praga que possui um alto potencial de interferência na produção de óleo, visto que seu alvo de atuação são as sementes, do qual por meio de sua alimentação promove o chochamento. Os meios de controle químico são de resposta imediata a contenção da praga, no entanto podem promover um desequilíbrio biológico muito intenso em meio ao extermínio de insetos predadores e parasitóides. Neste contexto o uso de inseticidas biológicos surge como uma alternativa ao manejo integrado da praga, de modo a combater a causa sem, contudo gerar efeitos ambientais negativos.
PALAVRAS CHAVE: Percevejo, Pachycoris torridus, Pinhão manso, Jatropha curcas, Extrato vegetal, Óleo de neem, Controle biológico, Controle natural, Inseticida orgânico.
INTRODUÇÃO
Os defensivos agrícolas podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas, podem ser classificados como
Nos últimos anos houve grande crescimento na utilização de defensivos agrícolas no Brasil, que é um dos maiores consumidores, o que tem sido associado ao aumento vertiginoso dos riscos de contaminação prejudiciais à saúde. O descuido com estes produtos pode ser fatal e causar agravos à saúde, tais como: irritações na pele e nos olhos, problemas respiratórios, câncer em vários órgãos e distúrbios sexuais, como a impotência e a esterilidade (ANVISA, 2008). No meio ambiente, o uso abusivo têm trazido comprometimentos relativos à contaminação do ar, solo, água e dos seres vivos, determinando a extinção de espécies de menor amplitude ecológica (Stoppelli & Magalhães, 2005).
Na agricultura convencional, as práticas de campo se direcionam para o efeito do desequilíbrio ecológico existente. Este desequilíbrio gera a reprodução exagerada de insetos, fungos, ácaros e bactérias, que acabam se tornando "pragas e doenças" das lavouras. Com isso aplicam-se “agrotóxicos” nas culturas buscando exterminar esses organismos. Contudo, o desequilíbrio quer seja no metabolismo de plantas, quer seja na constituição físico-química e biológica do solo permanece. Permanecendo a causa, os efeitos (pragas e doenças) cedo ou tarde reaparecerão, exigindo maiores frequências de aplicações ou maiores doses num verdadeiro "círculo vicioso".
Neste contexto surge o Manejo Integrado de Pragas (conhecido como MIP), que se constitui como um plano de medidas voltadas para diminuir o uso de defensivos agrícolas na produção convencional, buscando aperfeiçoar o uso desses produtos no sistema. O objetivo dessa estratégia não é o de eliminar os agentes, mas reduzir sua população de modo a permitir que seus inimigos naturais permaneçam na plantação agindo sobre suas presas favorecendo a volta do equilíbrio natural desfeito pela plantação e pelo uso dos defensivos agrícolas. Dessa forma, requer o entendimento do sistema da plantação como um todo e o conhecimento das inter-relações ecológicas entre os insetos agressores, seus inimigos naturais e o ambiente onde esta plantação está inserida.
O princípio da agricultura convencional de atacar apenas os efeitos permanece à medida que todas as práticas se voltam para o controle de pragas e doenças e não para o equilíbrio ecológico do sistema. Contudo, existe uma preocupação em se utilizar produtos químicos apenas quando a população desses organismos atingirem um nível de dano
econômico (em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos significativos), diminuindo a contaminação do ambiente.
Como alternativa ao MIP temos a cultura popular brasileira que é rica em dicas para o controle ou repelência de pragas de plantas. A busca de alternativas para o combate das pragas, visando à melhoria do meio ambiente, redução de custos e uma vida saudável tem como opção o uso de óleos e extratos vegetais obtidos por meio de plantas que possuem efeito inseticida junto a insetos causadores de danos as culturas agrícolas.
CULTURA COM FINALIDADE OLEAGINOSA
O pinhão manso (Jatropha curcas L.), também conhecido por pinhão-da-índia, pinhão-de-purga, pinhão-de-cerca, pinhão-dos-barbados, pinhão-branco, pinhão-paraguaio, pinhão-bravo, purgante-de-cavalo, figo-do-inferno, mandobi-guaçu, medicineira, pinhão-croá, purgueira ou, simplesmente purga, é uma espécie da família das Euforbiáceas, a mesma da mandioca, seringueira e mamona (Figura 01). Trata-se de um arbusto grande, com altura variando entre 3 e 5 m, rústico, com origem na América tropical, de onde foi levado pelos navegadores portugueses para todas as demais partes tropicais do mundo.
É uma planta arbórea de rápido crescimento, semidecídua, ou seja, possui folhas que caem em determinada época do ano. As folhas, verde-escuras e brilhantes, apresentam recortes nos bordos e formato de coração. Apresenta dois tipos de flores (femininas e masculinas) de cor amarelo-esverdeada. A florada é longa, sendo a polinização feita por abelhas e muitos outros tipos de insetos. Cada inflorescência, em forma de cacho, dá origem a 10 ou mais frutos. Os frutos são cápsulas ovóides, achatadas nas extremidades, com 2,5 a 3,0 cm de comprimento por 1,8 a 2,2 cm de largura. As sementes secas têm entre 1,5 a 2,0 cm de Figura 01 – Área experimental do Grupo Agropalma: Cultivo de Pinhão Manso.
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comprimento por 1,0 a 1,3 cm de largura. O tegumento é rijo e quebradiço e uma película branca cobre a amêndoa, rica em óleo (INFOBIBOS, 2009).
Apresenta-se como uma possível oleaginosa para a agricultura familiar, dada a potencialidade de resistir a regime de stress hídrico e ainda manter sua capacidade produtiva dentro de níveis economicamente viáveis. É uma cultura com bom potencial de geração de renda, em função das expectativas de suas produtividades, além de poder ser empregada em áreas degradadas e aproveitar áreas de pouco uso nas propriedades familiares. No entanto, a cultura não deve ser vista como milagrosa, torna-se clara a necessidade de desenvolvimento tecnológico para sua expansão (Roscoe, 2009)
Na região norte, especificamente no município de Tailândia-Pará, por meio de observações no campo experimental do Grupo Agropalma, as condições ambientais propiciam a proliferação de insetos (Tabela 01). Temos que as referidas condições climáticas também atuam na fisiologia da planta, de modo que uma característica de desfolha total em determinadas épocas do ano não ocorram, ou seja, com isso não haverá a quebra nos ciclos das pragas, promovendo assim problemas com insetos das quais em outras regiões não sejam de grande significância.
MORFOLOGIA DO INSETO PRAGA
Com o aumento do cultivo e adensamento do plantio, criam-se fatores que propiciam o aparecimento de pragas antes consideradas secundárias e muitas vezes nem observadas como causadoras de problemas a cultura (Lima et al., 2008).
O Pachycoris torridus é um inseto da ordem Hemíptera, subordem Heteroptera, onde são classificados os insetos chamados de percevejos. A ordem Hemíptera tem como
Ano Temperatura Máxima (°C)
Temperatura Mínima (°C)
Insolação (h/dia)
Temperatura Média (°C)
Umidade (%)
Prec.
Pluv.
(mm/ano)
2007 34,82 22,16 6,36 26,94 81,68 2.256
2008 32,41 21,95 6,60 25,36 79,22 2.467
2009* 31,78 22,48 5,30 26,31 84,74 1.469
Tabela 01 – Condições climáticas do Município de Tailândia (PA) as proximidades da estação meteorológica situada na Agropalma (km 74 da PA-150).
Fonte: Grupo Agropalma - Estação Meteorológica / km 74 da PA-150.
* Dados atualizados até maio/2009
característica insetos com o aparelho bucal do tipo sugador labial tetraqueta, portanto insetos sugadores.
Foram observados, na área experimental da Agropalma, percevejos nas colorações preta, verde, vermelha, marrom, dentre outras tonalidades de misturas, como preto-esverdeado e marrom claro. Possui pronoto e escutelo, bem desenvolvidos, com 22 pintas coloridas (8 no pronoto e 14 no escutelo) que variam em vermelho, amarelo, laranja e marrom (Figura 02).
Estas colorações observadas na área experimental superam as citadas por Monte (1937) e Lima et al (2008) no estado do Maranhão. Outra característica observada é o fato de algumas pintas possuírem em seus contornos as colorações verdes ou pretos.
Figura 02 – Variação na coloração do pronoto/escutelo e pintas.
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Colocam em média 68 ovos, com variação de 13 ovos (média proveniente de 400 posturas coletadas), na coloração marfim do qual vai sofrendo alterações na tonalidade findando no vermelho, isto ocorre em um espaço de tempo de 9 dias, tempo este que caracteriza o período médio da postura a eclosão (Figura 03). A parte ventral do corpo é verde metálico. As pernas são escuras com reflexos esverdeados. As asas ficam escondidas abaixo do escutelo. O inseto possui variação de 12 a 14 mm de comprimento e de 8 a 9 mm de largura (Bondar, 1913).
Este percevejo ataca as sementes, objetivo alimentar primário, do qual para o seu alcance requer o ferimento dos frutos. Observou-se que o fruto é o item alimentar secundário promovido pela praga em fases iniciais em virtude do seu sistema bucal não alcançar a semente. Por esse motivo devemos ter especial atenção a esta praga junto à cultura do pinhão manso, pois em qualquer fase do percevejo há a ocorrência de danos a cultura.
CULTURAS COM AÇÃO INSETICIDA SOB ANÁLISE
NEEM - é uma árvore originária da Índia, sendo nativa da região de Burna e das zonas áridas do subcontinente indiano e sudoeste asiático. A ação dos extratos de neem sobre insetos é bastante variável de espécie para espécie. Há registro de ação sobre mais de 300 espécies. A principal substância ativa do Nim (neem) é a Azadirachtina, sendo que outros triterpenóides, geduninas, nimbin, liminóides entre outras substâncias, agem conjuntamente aumentando a ação inseticida dos extratos. A média é de 46,7% de óleo e 3,6 miligramas de azadiractina por grama de semente.
Devido à semelhança da Azadirachta com o hormônio da ecdise (processo que permite o inseto trocar o exoesqueleto e assim poder crescer), perturba essa transformação, e em altas concentrações pode impedí-lo, causando a morte do inseto. Ao contrário dos inseticidas químicos, atua no sistema hormonal do inseto, sobre o sistema nervoso ou digestivo. Na
Figura 03 – Postura recém realizada (A). Percevejo fêmea sobre postura, protegendo-a de parasitóides e predadores (B). Postura prestes a eclodir (C).
A
B
C
FOTO: Dpessoa
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presença do extrato do Neem, o inseto deixa de se alimentar, é repelido ou acaba morrendo por problemas que ocorrerão na metamorfose da larva e pupa.
O efeito da Azadiractina em diferentes estágios de desenvolvimento do inseto consiste na diminuição do ganho de peso, atrasa ou interrompe a muda (ecdise) levando à morte; a larva adulta demora a amadurecer, e as fêmeas que conseguem amadurecer e por ovos, apresentam baixa viabilidade de descendência; Deformação da pupa depois da eclosão, morte na eclosão, redução de ovoposição, machos impotentes, levando a morte. Ou seja, os produtos de Nim (neem) não provocam a morte imediata do inseto, mas a interrupção do seu crescimento e conseqüente diminuição da população da praga, enquadrando-se perfeitamente no conceito de Controle Biológico (Wikipedia, 2009)
TIMBÓ - Cipó trepador muito conhecido no norte do país. É uma planta narcótica e venenosa, não se utiliza internamente. É utilizado por ribeirinhos para anestesiar nos lagos e/ou igarapés os peixes, para em seguida coletá-los. Da raiz dessas plantas é extraída a ‘rotenona’ que é o princípio ativo ao qual foi atribuída atividade inseticida.
OBJETIVO
Com o cultivo em maiores área, o pinhão manso tornou-se atrativo para uma espécie de percevejo, que pode causar chochamento de seus frutos, com prejuízo para a qualidade das sementes e consequêntemente do óleo (Figura 04). Por esse motivo, este trabalho teve por objetivo avaliar a potencialidade do óleo de neem e do extrato de timbó, como alternativas ecologicamente corretas ao controle do percevejo Pachycoris torridus. Além de apresentar a ação de uma vespa que atua como parasitóide dos ovos do percevejo, que contribuirão ao processo de manejo integrado da praga.
Figura 04 – Ação de percevejos sobre frutos verdes, maduros e secos (A e C). Percevejo introduzindo seu sistema bucal picador sugador que vai até o albúmen, gerando como consequência a redução no potencial de óleo das sementes (B).
A B C
FOTO: Dpessoa FOTO: Dpessoa FOTO: Dpessoa
MATERIAIS E MÉTODOS
1. EFEITO DE ÓLEO E EXTRATO VEGETAL
O trabalho foi desenvolvido no laboratório e casa de vegetação do Grupo Agropalma, uma empresa do agronegócio do cultivo de dendê, no Município de Tailândia, Estado do Pará, durante os meses de abril, maio e junho de 2009.
1.1 – ANÁLISES IN VITRO DESENVOLVIDOS EM LABORATÓRIO
O percevejo Pachycoris torridus foi a praga alvo do estudo. Os insetos utilizados nos bioensaios provieram do campo experimental da Agropalma, situado no km-74 da PA-150.
A ação inseticida do azadiractina foi estudada utilizando extratos vegetais de neem
(Azadiractha indica) por meio de dois produtos comerciais, dos quais foram designados por T-neem1 (1.000 ppm azadirachtina + 2.000 ppm karanjinina + extratos vegetais ativos)
T-neem2 (90 % óleo de neem + 5 % emulsionante + 5 % sinergista ). A ação inseticida do rotenona foi estudado utilizando extrato vegetal de timbó (Derris sp) por meio de um produto comercial designado por T-timbó (4 % extrato vegetal + 96 % solvente orgânico).
Foram retirados dos produtos comerciais alíquotas de 5 ml, dos quais foram adicionadas a 44,5 ml de água mais 0,5 ml de espalhante. Com isso, foram obtidas soluções estoques a 10 % do produto comercial. Destas soluções estoques foram retirados volumes necessários a obtenção de 50 ml de solução nas concentrações de (0,2 %), (0,5 %), (0,7 %) e (1 %), homogeneizados manualmente. As testemunhas foram constituídas de água (0 %).
Foram utilizados percevejos adultos de ambos os sexos, selecionados ao acaso no campo experimental. Cinco percevejos foram colocados em potes cilíndricos de plástico transparente com furos para respiração (Figura 05). O pote foi considerado como uma
repetição, sendo 20 repetições para cada tratamento. O esquema fatorial foi de 3 (Tratamentos) x 5 (Concentrações) x 20 (Repetições), totalizando 300 unidades amostrais.
Figura 05 – Layout dos potes com percevejos submetidos aos tratamentos a base de óleo de neem e extrato de timbó.
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Nos potes contendo os percevejos foram aspergidos cerca de 1,5 ml das soluções, de acordo com os tratamentos. Após 24 h o excesso de solução acumulado no fundo dos potes foi retirado.
As avaliações foram feitas a cada 24 horas, durante 4 dias, por meio do registro de mortalidade e/ou perda de mobilidade simbolizada pela inclinação das patas para cima.
Devido à existência de ação negativa do produto, os dados foram avaliados em uma escala de notas de 11 pontos, onde (1) = ineficiência do produto e (11) = produto altamente eficiente. Esses dados foram submetidos à análise estatística de Kruskal-Wallis modificada, para dados não paramétricos, e as médias comparadas pelo Teste de Tukey modificado, em nível de 5% de significância (ZAR, 1984).
1.2 – ANÁLISES DESENVOLVIDAS EM CASA DE VEGETAÇÃO
Mudas de pinhão manso com frutos foram colocadas em gaiolas de madeira com tela plástica verde. Cada muda recebeu o equivalente a 100 percevejos adultos de ambos os sexos, selecionados ao acaso no campo experimental (Figura 06). Em seguida preparou-se 50 ml de solução a 1 % dos tratamentos T-neem1, T-neem2 e T-timbó. Com auxilio de um borrifador fez-se a aspersão sobre as plantas e insetos.
As avaliações foram feitas a cada 24 horas, durante 7 dias, por meio do registro de mortalidade e/ou perda de mobilidade simbolizada pela inclinação das patas para cima.
Figura 06 – Gaiola utilizada para conter percevejos submetidos a testes com inseticidas a base de extratos vegetais de neem e timbó.
FOTO: Dpessoa
1.3 - DESCRIÇÃO E AÇÃO DE INIMIGOS NATURAIS
Em abril de 2009 foi observado, no campo experimental de pinhão manso, ovos de percevejos parasitados. Estes foram levados ao laboratório e analisados. O parasitóide tratar- se de uma vespa da ordem Hymenóptera, família Scelionidae, superfamília Platygastroidea (Figura 07). Para obtenção de uma análise mais detalhada da ação do parasitóide, fizeram-se coletas diárias de posturas dos percevejos (um total de 400 posturas), a fim de obter o percentual médio de parasitismo, além de análises diárias de seu comportamento.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
1.1- EFEITO DE ÓLEO E EXTRATO VEGETAL
Os primeiros dados do efeito positivo do óleo e extratos vegetais foram registrados 24 horas após a aplicação. Os dados subsequentes foram analisados a cada 24 horas até seu quarto dia. Os resultados do efeito inseticida dos produtos naturais sobre Pachycoris torridus estão apresentados na Tabela 02.
Extratos Média Contraste
T-timbó 90,1 a
T-neem1 70,9 b
T-neem2 66,8 c
Figura 07 – Parasitóide de ovos de percevejo (Pachycoris torridus) da cultura do pinhão manso (A). Parasitóide sobre postura de Pachycoris torridus (B)
A
B
Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre sí ao nível de 5% de probabilidade (Tukey).
Tabela 02 – Ação inseticida de óleo e extratos vegetais sobre Pachycoris torridus – Efeito de diferentes tratamentos em condições de laboratório in vitro (média de 20 repetições).
FOTO: Dpessoa
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No que se referem aos tratamentos estabelecidos, observou-se que o tratamento T-timbó foi o que apresentou melhor resultado, logo em seguida tivemos o tratamento T-neem1 também com bons resultados e não muito distante, mas diferindo ao nível de 5%
pelo teste de Tukey o tratamento T-neem2.
Assim como os tratamentos, todas as concentrações também diferiram ao nível de 5%
de significância (Tabela 03), o que nos leva a evidenciar uma correlação positiva entre dosagem e efeito inseticida.
Por meio da tabela 04 é possível perceber que os tratamentos a base de óleo de neem (T-neem1 e Tneem2), mesmo diferindo (p=0,005) apresentaram valores muito próximos. Isto se deve ao fato dos produtos comerciais, mesmo sendo à base de óleo de neem, possuem diferentes formulados, onde temos que o T-neem1 possui em sua formulação: azadirachtina, karanjinina e extratos vegetais ativos, já o T-nnem2 possui na formulação: óleo de neem, emulsionante e sinergista.
Concentração Média Contraste
1,0 % 110,7 a
0,7 % 89,0 b
0,5 % 82,4 c
0,2 % 57,8 d
Testemunha 39,8 e
Tabela 03 – Ação inseticida de óleo e extratos vegetais sobre Pachycoris torridus – Efeito de diferentes concentrações em condições de laboratório in vitro (média de 20 repetições).
Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre sí ao nível de 5% de probabilidade (Tukey).
Os resultados in vitro, servem como meio de obtenção da ação de produtos em contanto direto com o inseto, estes produtos independentes dos resultados em laboratório podem apresentar em casa de vegetação outros diferentes resultados em virtude de fatores do acaso e não controláveis presentes em ambientes externos, com esse intuito foram estabelecidos a aplicação dos melhores resultados dos tratamentos a base de neem e timbó em Pachycoris torridus em condições de casa de vegetação.
Os resultados apresentados mostram que o Tratamento T-neem1, que possui na sua formulação: azadirachtina, karanjinina e extratos vegetais ativos é o que apresentou melhor ação inseticida em condições de casa de vegetação.
Esse resultado nos leva a crêr que o tratamento T-timbó, que em condições de casa de vegetação passou a ser o segundo melhor resultado, tem por agente causal a sua formulação a 96 % de solvente orgânico, que em sistema fechado (in vitro) é um fator a ação inseticida, no entanto em ambientes abertos este fator não estabelece atuação.
Devemos ter consciência de que estes produtos a base de óleos e extratos vegetais não possuem efeito inseticida de ação imediata, seus resultados iniciais podem ser observados 24 horas após a aplicação, no entanto com baixas incidências de mortalidade que vão progredindo de forma paulatina com o passar dos dias requerendo assim novas aplicações em intervalos de tempo. O objetivo inicial da utilização destes produtos não é o extermínio do inseto praga, mas sim mantê-lo em um nível de equilíbrio, em virtude de sua extinção acarretar na supressão de outras espécies quer sejam predadoras ou parasitóides.
Óleo /
Extratos Análise CONCENTRAÇÕES
TRATAMENTOS 0% 0,2% 0,5% 0,7% 1%
T-timbó Total 377 698 958 1.097 1.376 4.501 Média 37,7 69,8 95,8 109,7 137,6 90,1
T-neem1 Total 377 438 689 874 1.166 3.543 Média 37,7 43,8 68,9 87,4 116,6 70,9
T-neem2 Total 439 597 825 700 778 3.339 Média 43,9 59,7 82,5 70,0 77,8 66,8
Tabela 04 – Análise do total e média de mortalidade sobre os tratamentos e concentrações (dados não paramétricos convertidos a paramétricos – média de 20 repetições in vitro)
1.2- INIMIGOS NATURAIS: PARASITÓIDES
Em meio às análises realizadas observou-se que a fecundação dos ovos de percevejo por meio do parasitóide ocorre logo após o término da ovoposição do percevejo. Como quem fica sobre a postura é a própria fêmea, esta promove a proteção dos ovos por meio da movimentação das duas patas traseiras, mas o parasitóide é insistente, por isso este espera do cansaço do percevejo para parasitar os ovos. Daí o motivo do parasitismo dos ovos pelas bordas. O parasitóide no processo de fecundação “abraçasse” ao ovo do percevejo e neste introduz seu material genético (ovos), com no máximo 24 horas os ovos de percevejo de coloração marfim passam a obter coloração cinza progredindo com o passar do tempo a coloração grafite (Figura 08).
A fecundação da fêmea do parasitóide ocorre logo após a sua eclosão. Os machos ficam, por meio da vibração de suas antenas, checando a eclosão dos ovos, quando detectam a existência de uma fêmea, inicia-se a disputa por meio de um intenso bater de asas e vibração das antenas sobre outros machos que venham a se aproximar, seguido de mordidas. Quando ocorre da eclosão, o macho domina a fêmea promovendo assim o ato de cópula.
Os resultados da análise de parasitismo mostraram que 31,1 % dos ovos são parasitados por esta vespa, isto equivale a uma média de 22 ovos parasitados a cada postura de 68 ovos de percevejos, com variação no parasitismo de 16 ovos (para mais ou para menos).
Com a eclosão dos ovos do percevejo (parasitados e não parasitados), percebe-se que Figura 08 – Percevejo fêmea sobre sua própria postura, com ovos na coloração grafite indicando que houve parasitismo (A). Postura de percevejo com ovos parasitados em toda borda (B).
A B
FOTO: Dpessoa
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os parasitóides matem uma relação de proximidade junto ao ninho do percevejo, como se este parasitóide efetivamente fizesse parte das ninfas de percevejos (Figura 09).
Este trabalho evidencia as diversas contribuições que as empresas públicas e privadas podem estabelecer junto ao processo de avanço tecnológico e sustentável para a cultura do pinhão manso como alternativa a produção de biodiesel.
Por fim, estes estudos não são conclusivos, devemos ainda estabelecer o efeito dos extratos em condições de campo e ainda a ação conjunta com inseticidas convencionais visando o uso mais racional e menos agressivo dos defensivos agrícolas ao meio ambiente.
CONCLUSÃO
Os óleos e extratos vegetais a base de neem e timbó possuem efeito inseticida junto ao percevejo Pachycoris torridus, agente causal do chochamento de frutos de pinhão manso, e a sua ação inseticida é diretamente proporcional a concentração aplicada.
A vespa da ordem Hymenóptera, família Scelionidae e superfamília Platygastroidea, observada no campo experimental, reduzir a proliferação do percevejo Pachycoris torridus em 31,1% (nas condições estudadas), sendo este parasitóide um excelente agente no controle biológico da praga.
Figuras 09 – Percevejos mudando de ninfa, as proximidades observam-se parasitóides (A).
Parasitóides aguardando a eclosão de fêmea para cópula (B).
A B
FOTO: Dpessoa FOTO: Dpessoa
AGRADECIMENTOS
A todos que contribuíram para a realização deste trabalho, fica expresso aqui a minha gratidão, especialmente:
- José Stanley (Gerente do Departamento de Fitossanidade) e Nhandejara Nascimento (Assistente Técnico do Departamento de Fitossanidade) pelo apoio em meio à disponibilização do laboratório e a mão de obra utilizada na realização dos experimentos.
- Ricardo Tinôco – (Chefe de Departamento de Fitossanidade) pelo apoio na identificação dos insetos (percevejo e parasitóide)
- William Nascimento – (Supervisor Agrícola do Controle de Qualidade) pelo apoio no acompanhamento das análises de posturas do percevejo no campo experimental.
- José Malta – (Assistente do Departamento de Fitossanidade) pelo apoio a obtenção das fotos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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