DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
CONCEITO DE OBRIGAÇÃO:
“A obrigação é uma relação jurídica de
caráter pessoal e transitório em que o titular
do crédito pode exigir o cumprimento da
prestação de dar, fazer ou não fazer, que
poderá ser executada no patrimônio do
devedor, observando-se os princípios da
dignidade da pessoa humana, da solidariedade
e da isonomia.”
AULA DO DIA 05/03/2015
Espécies de obrigações – obrigação de dar
(coisa certa e de coisa incerta), fazer, não
fazer.
I) OBRIGAÇÃO DE DAR, FAZER E NÃO FAZER.
Como já discorrido em aulas anteriores, o direito das obrigações estão vinculadas a uma prestação, assim, o adimplemento (cumprimento) da obrigação, tendo como seu objeto, poderá ser uma prestação de dar, fazer ou deixar de fazer algo.
Levando-se em consideração a prestação exigida do devedor pelo credor, poderá ser de coisa ou de fato, tendo como coisa:
* Coisa certa – é o bem determinado pelo seu gênero e espécie, por sua qualidade e sua quantidade.
* Coisa incerta – é o bem determinado tão somente pelo seu gênero e quantidade ou sem predeterminação de sua extensão.
* Fazer ou não fazer – São comportamentos exigidos do devedor, por lei ou pela vontade humana, para a satisfação dos interesses do credor.
Conforme ensina Silvio Rodrigues, a obrigação de dar é realizada mediante uma prestação de coisa, enquanto que a obrigação de fazer é adimplida através de uma prestação de fato.
Obrigação de dar é aquela cuja prestação é a entrega de uma coisa móvel ou imóvel, pouco importando se a entrega do bem se dá em caráter definitivo ou temporário, para a caracterização da obrigação de dar. Assim, a obrigação de dar, segundo Fabio Ulhoa, é a prestação devida pelo sujeito passivo, que consiste em entregar alguma coisa para o sujeito ativo. A expressão técnica que identifica o ato de entrega é designado de “TRADIÇÃO”, quando o devedor se obriga a dar uma coisa ao credor, a tradição representa a execução da obrigação. Antes da tradição, a obrigação ainda não se cumpriu, após, estará cumprida.
Segundo o critério de propriedade da coisa objeto da prestação, têm-se três hipóteses a considerar;
# A primeira é que a coisa pertence ao patrimônio do devedor, ao ser entregue ao credor, passará para o patrimônio do credor, operando-se a transferência do domínio (propriedade) sobre a coisa. (Ex. É o caso do vendedor de uma coisa, que a partir da entrega e do pagamento, o comprador adquire a propriedade, o domínio sobre a coisa).
# A segunda hipótese é que na obrigação de dar, o objeto entregue poderá ser revestido de caráter temporário, desta forma, não será transferido o domínio (propriedade) para o credor (ex. locação de um carro ou uma casa).
# A terceira hipótese é a da restituição da coisa, se assim o é, não se altera a condição de propriedade, tão somente se opera a restituição da coisa ao seu proprietário. (É o chamado obrigação de restituir, neste caso só cabe a interpretação da coisa certa, determinada).
A obrigação de dar coisa certa, consiste na entrega de bem determinado e individualizado com existência, portanto distinta das demais, é possível entretanto, que a obrigação de dar, não seja específica, porém genérica, se o objeto for a entrega de um bem indeterminado sobre a
qualidade
, como por exemplo, açúcar, vinho ou café. Segundo menciona Roberto Senise, as principais regras da obrigação de dar coisa certa são:A) A pessoa é obrigada a entregar a coisa ajustada e não outra, podendo o credor recusar o recebimento de outro bem ainda que mais valioso (Ex. coisa com valor sentimental).
B) A obrigação de dar coisa certa abrange o acessório, salvo convenção em sentido contrário ou quando as circunstâncias do caso levarem o julgador a uma conclusão diversa, (vide artigo 233/234).
C) O devedor responde pela conservação da coisa até a tradição, por que a coisa ainda pertence a ele, correndo os riscos para aquele que se encontra na posse da mesma. (art. 235).
Assim, os frutos percebidos, pertencerão ao devedor, uma vez que ainda não foi formalizada a tradição (entrega da coisa), podendo exigir o aumento do preço, não
concordando o credor, em proceder ao pagamento dessa forma, a obrigação será extinta (art. 237 e § único).
D) O devedor responde pela não entrega da coisa, sendo compelido a assim agir arcando ainda com a indenização por perdas e danos. (art. 236).
E) O credor pode aceitar a coisa deteriorada, sem culpa do devedor no estado em que se encontra, obtendo o abatimento respectivo do preço sob pena de extinção da obrigação. (art. 235).
F) Se a coisa se perder sem culpa do devedor, antes da tradição ou mediante condição suspensiva, a obrigação será extinta. (art. 234).
G) O devedor que trabalhou ou efetuou gastos para o melhoramento ou aumento da coisa presume-se de boa fé, dando-se a ele o direito de ser ressarcido se ambas as despesas foram realizadas para a inserção de benfeitorias necessárias e úteis. (art. 242). Se agir de má fé, terá direito tão somente às benfeitorias necessárias.
H) Aplicam-se o princípio da boa fé objetiva quanto aos frutos percebidos, devendo verificar se as partes adotaram ou não a conduta que se poderia ordinariamente delas se exigir, na análise do caso concreto. (art. 242 § único).
Por outro turno, temos a obrigação de dar coisa incerta, cuja PRESTAÇÃO é relativamente indeterminada até que se dê a escolha do bem. É, portanto, prestação de indeterminação transitória, daí por que se fala que o bem é determinável. (art. 243).
As regras básicas são:
A) O devedor escolhe o bem a ser por ele entregue, salvo convenção em contrário. Somente não poderá dar a coisa pior, nem ser obrigado a prestar a melhor. (art. 244).
B) Antes da escolha não poderá alegar a perda ou a deterioração do bem, se ainda não há a escolha e a determinação, mesmo com a ocorrência de força maior ou de caso fortuito. (artigo 246).
Ensina Silvio Rodrigues que não pode cogitar de riscos sobre uma coisa indicada tão somente pelo gênero, porém ainda não indicada mediante concentração, citando que o gênero jamais perece, quando houver a ilimitação de sua quantidade para que o devedor dele disponha em prol do credor. (ex. o vinho de determinada safra, sem especificar se é tinto, rose, branco, etc. ou os animais de uma determinada fazenda, sem especificar quais animais).
C) Realizada a escolha, opera-se a concentração, devendo o credor ser cientificado a respeito e regendo – se a relação jurídica pelas normas da obrigação de dar coisa certa.
D) A dívida em dinheiro deve ser paga em moeda, segundo determina o princípio do nominalismo, trata-se de obrigação pecuniária, cuja obrigação é a entrega de soma de valor nominal da moeda, no local de cumprimento.
E) Dívida de Valor é aquela que consiste na entrega de uma importância correspondente à obrigação, levando-se em conta a atualização a ser aplicada.
OBRIGAÇÃO DE FAZER
Obrigação de fazer é aquela que consiste em uma conduta positiva ou comissiva do devedor, que cumpre com a prestação em prol do credor ou de terceiros, ou seja, como mencionado anteriormente, se cumpre com a realização de um fato.
Esse adimplemento, ou a obrigação de fazer não pode ser compulsoriamente exigida da pessoa do devedor, cabendo seu adimplemento por fato de terceiro (pago pelo devedor), quando se tratar de obrigação “intuitu personae”, ou seja, somente uma pessoa específica deva cumprir a obrigação, será adimplida por meio de pagamento de indenização por perdas e danos.
Espécie da obrigação de fazer:
# Subjetivamente fungível - quando a obrigação possa ser realizada por terceiros (dar aula de piano na escolinha) # Subjetivamente INFUNGÍVEL quando a obrigação não puder ser realizada por terceiros, por que geralmente advém de qualidades pessoais do devedor ou de critérios predispostos pelo credor (o maestro João Carlos Martins). As características básicas da obrigação fungível, são: A) Que seu cumprimento se dá por conduta positiva ou comissiva do devedor – por si ou por terceiros à custa do devedor. (empreiteiro que contrata a pintura de uma casa, poderá fazer por si ou pela paga de terceiros auxiliares) (art. 249).
B) O descumprimento da obrigação de fazer fungível e exeqüivel acarreta sua execução específica ou sucessivamente o pagamento de indenização por perdas e danos. (art. 247).
C) O descumprimento da promessa de fato de terceiro, gera a responsabilidade por perdas e danos do devedor que deixar de executar o ato.
D) A impossibilidade de prestação, sem culpa do devedor, acarreta a extinção da obrigação. (ex. o devedor sofre um acidente, ficando paraplégico). (art.248).
E) A impossibilidade da prestação por culpa do devedor possibilita que o credor possa exigir dele o pagamento de indenização por perdas e danos. (art. 248).
As características da obrigação de fazer infungível, são: A) A impossibilidade da prestação, sem culpa do devedor, acarreta a extinção da obrigação (ficar paraplégico ou ter que amputar uma das mãos no caso do pintor “artista”). B) A impossibilidade da prestação por culpa do devedor possibilita que o credor possa exigir dele o pagamento de indenização por perdas e danos (o cantor deixar de comparecer no show ou um artista, deixar de comparecer em uma apresentação artística).
C) O Erro sobre a pessoa do devedor acarreta a nulidade da obrigação de fazer de caráter infungível.
OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER
Esta Obrigação consiste na abstenção de determinado comportamento pelo qual o devedor se torna responsável. As principais regras são:
A) A prática do ato cuja abstenção se exigiu propicia o seu desfazimento, sob pena de indenização por perdas e danos.( art.251).
B) No caso de urgência, poderá o credor mandar que o devedor desfaça o ato, e, no caso de sua recusa, o próprio credor poderá mandar desfazê-lo independente de autorização judicial sem prejuízo de ressarcimento
devido (art. 251 § único). (Ex. retomada de uma casa ou terreno invadido).
Há que tomar cuidado com as providências adotadas pelo credor, para que não se caracterize ABUSO DE DIREITO, caracterizando em ato ilícito o excesso praticado.
C) Extingue - se a obrigação de não fazer pela impossibilidade não culposa de seu cumprimento, isto é, da abstenção do ato, como sucede quando da ocorrência de força maior ou caso fortuito. (aplicação de multa por não economizar água nesta crise hídrica, em decorrência de um acidente no cano condutor da caixa de água de um condomínio).
Saudações acadêmicas.