Informativo da Produção de Leite
Quanto custam suas novilhas?
Edição 308 . Ano XXIII . Janeiro de 2015. Viçosa - MG
Emerson Leonardo Simão Estudante de Agronomia Bruno Araújo Marzullo Ribeiro Estudante de Medicina Veterinária
Dica do Agrônomo:
Opções do uso da terra após a colheita do milho
para silagem
2
Veja também nesta edição
Momento do Produtor:
Conheça a Fazenda
Tum Tum
3
Uso de inoculantes noprocesso de ensilagem do
milho e sorgo
5
Qualidade do Leite:Estratégias para o
combate de moscas
6
As fases de cria e recria são consideradas como duas das principais atividades dentro das propriedades leiteiras, pois bezerras e novilhas serão as futuras vacas em lactação e irão substituir as atuais, melhorando o potencial genético e produtivo da fazenda.
Porém, a criação destes animais representa a segunda maior despesa na atividade leiteira, respondendo por aproximadamente 20% das despesas operacionais de uma propriedade.
Esta fase é muito onerosa para os produ- tores, pois durante este período despendem de vários recursos, como mão-de-obra e área
significativa para a criação, gerando altos custos e nos quais não tem retorno imediato.
Diante desta situação, o produtor deve decidir entre recriar, adquirir ou terceirizar a criação dos animais de reposição. Assim, para uma análise correta, o produtor deve ter em mãos, tanto índices zootécnicos como idade ao primeiro parto, ganho de peso pon- deral e produção de leite, quanto informa- ções econômicas da atividade como custo de uma novilha ao parto e tempo de retorno do investimento. Logo, com estas informações em mãos o produtor deve escolher o sistema que traga um melhor custo-benefício em sua propriedade.
Se a opção escolhida é a criação dos animais na propriedade, a meta principal é encurtar o período de recria, para que as
novilhas possam parir o mais cedo possível, desde que tenham tamanho e condição cor- poral que maximizem a produção de leite e minimizem problemas metabólicos após o parto. Reduzindo a idade ao primeiro parto (IPP), diminui consequentemente o tempo de retorno do investimento, já que estas co- meçarão a lactação mais cedo, gerando recei- ta mais rapidamente. Tal redução é possível com o acompanhamento do ganho de peso médio, sendo que, se estas tiverem um ga- nho satisfatório, mais cedo elas atingirão a maturidade sexual e serão inseminadas.
Um bom exemplo dentro do PDPL/
PCEPL é a propriedade Varginha II, do se- nhor Alaelson José da Silva. O produtor cria suas bezerras e novilhas com muita dedica- ção, pois sabe o quão importante são estas
Fase de recria Custo operacional efetivo
Descrição Período Quantidade Quantidade
Total Valor uni-
tário Valor Total Silagem de milho 90-150 dias 3 Kg/dia 180 R$ 0,06 R$ 10,80 Silagem de milho 151-450 dias 5 Kg/dia 1500 R$ 0,06 R$ 90,00 Silagem de milho 451-730 dias 10 Kg/dia 2800 R$ 0,06 R$ 168,00
Tifton 400 dias 9 Kg/dia 3600 R$ 0,03 R$108,00
Concentrado 24%
PB 90-730 dias 2 Kg/dia 1280 R$ 0,90 R$ 1.152,00
Vacinação Bruce-
lose - 1 dose 1 R$ 1,60 R$ 1,60
Vacinação Aftosa - 4 doses 4 R$ 1,50 R$ 6,00
Vermífugo - 3 doses 20 R$ 0,07 R$ 1,40
Carrapaticida - 5 aplicações 90 R$ 0,10 R$ 9,00
Medicamentos em
geral - - 1 R$ 15,00 R$ 15,00
Mão-de-obra 91-730 dias 0,1 horas/dia R$ 3,33 R$ 213,12
Total R$ 1774,92
Custo Operacional Total R$ 2.197,92
Custos operacionais da fase de recria na fazenda Varginha em 2014 Índices Zootécnicos Valores Referência
Ganho médio diário (g/ dia) 690 700 Ganho ponderal médio (g/dia) 636 700 Idade à 1a inseminação (meses) 15,11 15 Idade ao 1o parto (meses) 23,9 24 Índices zootécnicos médios da Fazenda Varginha em 2014
Fase de Cria Custo operacional efetivo
Descrição Período Quantidade Quantidade
Total Valor unitário Valor Total
Dose de sêmen - 3 doses 3 R$ 22,00 R$ 66,00
Leite 5-60 dias 6 litros/dia 330 R$ 1,06 R$ 349,80
Leite 61-90 dias 2 litros/dia 60 R$ 1,06 R$ 63,60
Concentrado 18% PB 0-90 dias 0,6 Kg/dia 54 R$ 1,05 R$ 56,70
Vermífugo - 2 doses 10 R$ 0,03 R$ 0,30
Medicamentos em geral - - 1 R$ 15,00 R$ 15,00
Mão-de-obra 90 dias 0,1 horas/dia 9 R$ 3,33 R$ 29.97
Total R$ 581,37
Custo Operacional Total R$ 662,37
Custos operacionais da fase de cria na fazenda Varginha em 2014
fases. Com isto ele vem se destacando no quesito cria/recria, conseguindo ótimos ín- dices zootécnicos, que traduzem a eficiência buscada por tantos produtores. A sua tática consiste sempre no fornecimento de alimen- tação de qualidade, água limpa e fresca, bem como promove todas as etapas de vacinações obrigatórias e controle estratégico de endo e ectoparasitas. Deste modo os animais cres- cem saudáveis, diminuindo os custos com medicamentos e cumprindo o planejamento feito pelo produtor.
As tabelas abaixo mostram os índices zootécnicos médios para o último ano com as devidas referências e a estimativa do custo de produção de uma novilha desde a cria até a 1ª parição, respectivamente, na Fazenda Varginha II:
Podemos observar que a alimentação é o fator de maior participação no custo de for- mação de novilhas, onde representa 62% de todo o custo. Este item é o gargalo de produ- ção, porém dessa forma houve um ganho de peso satisfatório, alcançando uma idade ao primeiro parto de 24 meses. Deve-se então,
estabelecer estratégias como dieta balance- ada, desaleitamento precoce e uso de ali- mentos alternativos no concentrado, onde se possa reduzir este custo. Em contrapartida, a diminuição dos gastos com alimentação pode ocasionar um menor ganho de peso e consequentemente uma maior idade ao pri-
meiro parto aumentando assim o tempo de retorno do capital investido no animal.
Por fim, observa-se os resultados obtidos pelo produtor, nos quais se destaca a alta efi- ciência produtiva da fazenda neste quesito, já que os índices se aproximam muito dos valores de referência. É importante ressaltar
que não existe sistema ideal e cada produtor deve chegar a um sistema de criação que me- lhor se encaixe ao manejo da propriedade, podendo variar tanto positiva quanto nega- tivamente os valores dos custos de formação de novilhas.
Índices Zootécnicos para o último ano na fazenda Varginha II Custos totais Descrição Valor Total COE Total R$ 2.419,74 COT Total R$ 2.860,29
CT R$ 3.203,52
Custos totais de uma novilha na Fazenda Varginha no ano de 2014
Igor Teixeira Santana Estudante de Agronomia
Informativo da Produção de Leite
Dica do Agrônomo Dica do Agrônomo
A importância do aquecimento da água para limpeza de ordenha
André Diogo Guimarães Univiçosa
Opções do uso da terra após a colheita do milho para silagem
A produção de alimento volumoso para os rebanhos leiteiros, principalmen- te no período seco, quando as pastagens naturais tornam-se cada vez mais precá- rias, se tornou prática indispensável nas propriedades leiteiras no nosso país. A utilização de silagem tem se mostrado uma excelente alternativa para enfrentar os períodos críticos do ano, uma vez que o melhoramento genético do rebanho e o aumento do preço da terra exigem que o produtor seja cada vez mais eficiente na utilização de seus recursos. Dentre os di- versos tipos de forragens que servem para a produção de silagem, o milho é a mais utilizada nesse processo, por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e ma- nutenção do valor nutritivo da massa ensi- lada e ter todas as operações mecanizadas.
Apesar de todas essas qualidades, existem alguns entraves quando o milho é cultiva-
do com o intuito de se produzir silagem.
Grande parte dos nutrientes extraídos pela planta não retornam ao perfil do solo, pois toda a massa verde é colhida. Além de não haver uma ciclagem dos nutrientes, princi- palmente o potássio, essa prática, portanto não deixa uma palhada recobrindo a área nos meses subsequentes à colheita, fazen- do com que esse solo se torne mais propí- cio a ação de diversos processos erosivos, reduzindo matéria orgânica, prejudicando a qualidade desse solo para os anos poste- riores.
Sabendo disso, algumas práticas sur- gem como sendo bastante interessantes ao produtor, tanto do ponto de vista de manu- tenção da qualidade do seu solo, quanto do econômico, pois evitam com que essas áre- as fiquem ociosas no período da entressafra dentro da propriedade. A principal delas é a rotação ou alternância de culturas, várias são as espécies que podem ser utilizadas
para essa finalidade, um exemplo clássico, é a utilização de leguminosas como o feijão.
Forrageiras de clima tropical também po- dem ser utilizadas, como a brachiária, que pode ser fornecida aos animais na forma de pastejo e plantas como o sorgo e o milheto, que possuem como característica uma boa rebrota, com isso, o primeiro corte dessas plantas podem ser colhidos e ensilados, e a rebrota serviria como cobertura para o solo.
Existe também a opção de se utilizar as cul- turas de inverno, que em regiões de climas mais amenos e com boa disponibilidade de água através da irrigação se mostram uma excelente alternativa para o produtor.
O azevém e a aveia são as culturas mais utilizadas pelos produtores, devido a uma série de características, como por exemplo, elevados teores de proteína, alta digestibili- dade pelos animais, bem como equilibrada composição mineral. Essas características tornam essas forrageiras bastante atrativas
ao produtor, pois gera uma economia na suplementação do seu rebanho no período mais crítico do ano.
Na região da Zona da Mata Mineira, uma prática comum entre os produtores, é o cultivo do feijão após a colheita do mi- lho para silagem. Essa prática deve ser re- alizada com bastante cautela, pois o feijão também é uma cultura amplamente extra- tivista, além de exigir o uso de herbicidas que possuem um elevado período de per- sistência no solo, podendo ser prejudicial ao cultivo do milho na sequência, porém tem a vantagem de gerar renda com a ven- da do produto final, aumentando a receita da fazenda.
Portanto, são várias as alternativas para um uso mais eficiente da terra, porém, ca- bem aos produtores e aos técnicos avalia- rem qual destas alternativas melhor se en- caixam dentro da realidade do produtor e da região em que estão inseridos.
Sabe-se que a manutenção de uma boa qualidade do leite consiste de um conjun- to de fatores, dentre eles o aquecimento da água.
Para melhor avaliação da temperatu- ra da água, todas as propriedades devem buscar, não só a maneira mais viável para o aquecimento da mesma, como uma manei- ra correta de se verificar a temperatura da água. Em todas propriedades deve haver um termômetro com escala de 0°C a 100°C para que a pessoa encarregada pela higiene do equipamento possa medir as temperaturas da água e das soluções de lavagem.
O primeiro enxague é conveniente fazê- -lo com água morna, aquecida a 35°C a 45ºC, com o aquecimento são retirados ate 97%
dos resíduos do leite, comparando com 80%
de retirada se a água estiver em temperatura ambiente.
A limpeza com detergente alcalino-clo- rado deverá iniciar com uma temperatura de 65ºC à 70ºC. Pois, sob temperaturas menores as gorduras e proteínas do leite se solidifi- cam e se depositam novamente no equipa- mento e sob temperaturas mais altas ocorre a sublimação do cloro. Em geral o tempo de lavagem e de 10 minutos, e o ideal é que no fim da lavagem a água esteja a 45°C.
Para limpeza com detergente ácido a água pode estar em temperatura ambiente ou morna a 35ºC a 45ºC, para evitar o acú- mulo de sais, este acúmulo promove incrus- tações minerais que serão locais de refúgio para bactérias.
Compreender os conceitos básicos de
limpeza e sanitização é fundamental para obtenção de leite de alta qualidade. O objeti- vo básico da limpeza dos equipamentos uti- lizados no processo produtivo é remover da superfície os resíduos orgânicos e minerais provenientes do leite, obtendo assim uma baixa contagem bacteriana total(CBT).
REPRODUÇÃO
Localizada no município de Guaraciaba, está a fazenda Tum Tum do proprietário Áureo de Alcântara. A fazenda se tornou integrante no PDPL/PCEPL em 2009 com uma produção por vacas em lactação de 11,8 L/dia, além de uma taxa de remuneração de capital sem terra de 0%.
Atualmente a produção por vaca em lactação é de 22,4 e a taxa de remuneração de capital com terra é de 12%.
A propriedade é autossuficiente na produção de volumoso para a alimentação do rebanho durante todo o ano. Ele possui uma área de capineira e outras áreas em que costuma plantar milho na safra e safrinha. Na safra de 2014, Áureo op- tou por plantar pela primeira vez sorgo forrageiro em uma das suas áreas, o que o alegrou muito pelo motivo de que a região sofreu com um período atípico de poucas chuvas em momentos cruciais no desenvolvimento do milho, porém o sorgo conseguiu alcançar uma excelente produtividade por possuir uma maior resistência ao estresse hídrico do que o milho, além de ter sido bem manejado pelo produtor.
O Áureo criou um sistema argentino de criação de bezerros adaptado que possui uma ótima funcionalidade, garantin-
do um bom desempenho das bezerras. E este sistema está sendo copiado por outros produtores do convênio devido aos
seus benefícios alcançados na criação.
A administração do produtor, juntamente com a eficiente mão de obra contratada, somada com a estrutura da propriedade e assistência técnica e gerencial oferecida pelo PDPL/PCEPL, permitiu melhorias dos índices técnicos e dos econômicos da fazenda. O aumento da escala de produção tem diminuído os custos, tornando a atividade atrativa. Com um trabalho conjunto entre o produtor, técnico e estagiários do Programa, a expectativa é de um crescimento ainda maior da Fazenda Tum Tum.
Lucas Diogo Fontes Estudante de Zootecnia
A propriedade possui uma sala de ordenha mecanizada com 4 conjun- tos, com extrator automática e no modelo espinha de peixe.
Indicadores 2009 2014 Variação (%)
Produção de Leite (L/ano) 116.801 188.850 61,6
Produção média de leite (L/dia) 11,8 22,4 90
Vacas em lactação/Totaç de vacas(%) 90 86 6
Produção/Àrea para pecuária (L/ha/ano) 2.172,00 6.175,00 184
As vacas em lactação são confinadas em um free stall que o produtor mesmo criou, sendo
também bastante funcional.
A análise do sistema de produção da propriedade rural é uma prática de suma importância para as tomadas de decisões da empresa. Para a realização desta análise é ne- cessário avaliar fatores como a alimentação, genética, sanidade, manejo, reprodução, en- tre outros. A alimentação é considerada o fa- tor de maior impacto no resultado desta aná- lise, pois possui influência direta no custo total do litro de leite. O que se busca dentro do sistema de produção é uma flexibilidade, de modo a poder realizar ajustes em épocas de maiores ou menores rentabilidades, mini- mizando assim os riscos de prejuízos.
O equilíbrio entre o ótimo econômico e o ótimo produtivo ocorre de formas dife- rentes em cada propriedade. Geralmente em sistemas menos intensificados, os custos operacionais são menores e com produções bem distantes do ótimo produtivo. Por outro lado, em sistemas de alta tecnificação o que se observa são produtividades maiores, mas que nem sempre acarretam em maiores ren- tabilidades. Por isso, o que devemos buscar dentro do sistema de produção é um ponto de equilíbrio entre o econômico e produtivo, como ilustrado no gráfico abaixo.
No ponto 1 observa-se uma situação não desejável, pois o produtor ainda pode me- lhorar o produtivo e o econômico, ou seja, o
Análise da curva do
Ótimo Econômico x Ótimo Produtivo
Lucas H. Barbosa Patrícia G. de Castro Estudantes de Zootecnia
2 ORDENHAS MÉDIA L/dia MÉDIA PERÍO- DO L/VACA/DIA
% da Renda no gasto com a
M.O.
% da Renda no gasto
com [ ] SALDO Abril
460 13,65 L 13,13 42,84 17256,06
Maio Junho
Julho
3 ORDENHAS MÉDIA L/dia MÉDIA PERÍO- DO L/VACA/DIA
% da Renda no gasto com a
M.O.
% da Renda no gasto
com [ ] SALDO Agosto
519 20,23 L 9,7 37,51 19666,88
Setembro Outubro Novembro
Tabela 01: Comparação da rentabilidade em diferentes períodos de acordo com o nº de ordenhas. Fonte: PDPL/PCEPL
produtor pode aumentar a produção junta- mente com a rentabilidade.
No ponto 2 observa-se que o produtivo está acima do econômico, o que é uma situ- ação não desejável, pois o maior custo para produzir mais leite não foi recompensado com uma maior rentabilidade. Neste caso, uma das soluções seria uma redução da pro- dução para diminuição dos custos.
No ponto 3 observa-se a melhor situação em que o produtor deve estar, que é o equi- líbrio. Nesta posição o produtor não está no seu melhor ponto produtivo, mas sim em uma situação onde o resultado técnico da produção irá acarretar em um melhor retor- no econômico.
Como exemplo podemos citar o ocorrido na propriedade Boa esperança do produtor Cláudio Cacilhas Sabioni em Visconde do Ria Branco, onde houve um deslocamento do ponto 1 para o ponto 3. Este deslocamento pode ser observado no quadro abaixo, onde foi realizada uma avaliação de quatro meses em dois períodos diferentes, de duas e três or- denhas. Nesta comparação é possível observar que no período de três ordenhas houve um aumento de 6,58 Litros/vaca/dia na média do período, juntamente a isto, houve também um aumento positivo no saldo total da pro- priedade. O produtor está satisfeito com os resultados obtidos na análise e percebeu uma redução nos gastos com medicamentos intramamários e de também de uso geral.
A silagem de forrageiras é a principal forma de armazenamento de alimento vo- lumoso, ou seja, quando colhida no estágio de maturidade correto (planta por volta de 30-35% MS, para o milho e o sorgo), a planta terá açúcares fermentáveis suficientes para que ocorra o processo fermentativo, com o consequente abaixamento do pH da silagem.
Também a escolha de um híbrido de milho e a escolha do sorgo é relevante quando se objetiva um alimento de alta qualidade. Para uma escolha adequada, é necessário ter co- nhecimento sobre os seguintes critérios:
• Produtividade;
• Relação entre produção de fibras e de grãos;
• Grãos no estádio farináceo;
• Tolerância à pragas e doenças;
• Boa janela de corte (baixa velocida- de de maturação dos grãos);
• Teor de FDN e FDA.
Deve se atentar também com o tama- nho das partículas de silagem, que pode interferir no aproveitamento do alimento pelos animais (seletividade). E com a com-
pactação que tem como objetivo a retirada do oxigênio da massa ensilada, deve ter um nível superior a 650 Kg/m³, para obtenção de condição de anaerobiose, favorecendo a fer- mentação para que as qualidades nutritivas sejam similares ao material original.
A ensilagem possibilita o fornecimento de alimento palatável durante todo o ano, principalmente no período de seca. Durante o processo de ensilagem, a forragem verde colocada no silo sofre transformação até a estabilização completa da massa, adquirindo as características de silagem. No intuito de melhorar o processo de fermentação, têm-se utilizado alguns inoculantes.
Há diversas composições de inoculan- tes para silagens no mercado, os inoculan- tes tradicionais são compostos por bactérias homoláticas, ou seja, que produzem (quase que) exclusivamente ácido lático. Dentre elas, o Lactobacillus plantarum é uma das bactérias mais usadas, devido seu vigoroso crescimento, tolerância ao meio ácido e po- tencial elevado de produção de ácido lático.
Modo de Aplicação:
Os inoculantes bacterianos sempre de- vem ser diluídos em água, de acordo com a recomendação do fabricante. Deve ser apli- cado homogeneamente sobre as camadas da
silagem, utilizando a bomba costal.
Por outro lado a maioria dos trabalhos publicados mostra que a inoculação da sila- gem de milho tem pouco efeito na fermenta- ção, perdas de MS e no desempenho animal.
A inoculação com bactérias heteroláticas pode auxiliar na melhoria da estabilidade aeróbia das silagens, porém este caso, na maioria das vezes, é solucionado com di- mensionamento correto de silo e adequado
manejo de retirada.
Conclui-se que a utilização de inoculan- tes não deve ser considerada como substitu- to de manejo adequado de ensilagem, como:
colheita, compactação, escolha do silo, esco- lha do híbrido, armazenamento e vedação.
Em silagens adequadamente preparadas, a utilização de inoculantes apresenta pouco ou nenhum benefício sobre a preservação e a qualidade da silagem.
Uso de inoculantes no processo da ensilagem do milho e sorgo
Henrique Raimundi Estudante de Agronomia
REPRODUÇÃO Gráfico 1: Interpretação da curva de ótimo econômico e produtivo
Qualidade do Leite Qualidade do Leite
Estratégias para o combate de moscas
Amanda Lopes Gentil
Estudante de Medicina Veterinária Letícia Magri P. Ramos
Estudante de Zootecnia
Incomodam, transmitem doenças, cau- sam aversão e em nenhum lugar são bem recebidas. As moscas ocasionam consequên- cias socioeconômicas para pequenos, médios e grandes produtores; e o uso indiscrimina- do e errado de substâncias químicas origi- nou múltiplas resistências tornando impor- tante realizar um controle específico e bem estruturado contra estes ectoparasitas.
Estes insetos desenvolvem-se através do processo denominado metamorfose comple- ta, ou seja, compreendendo os estágios de ovo, larva, pupa e adulto. O ciclo se comple- ta entre 7 e 35 dias, dependendo da tempe- ratura e umidade. Elas disseminam doenças através das patas, asas, abdome e fezes, por exemplo, mastites, diarréias, queratoconjuti- vite, salmoneloses e etc. Também provocam stress permanente nos animais. Por conse-
quência, ocorre queda na produtividade, aumento no custo com tratamentos e menor rentabilidade para o produtor.
Dentro das metodologias para o contro- le, devem incluir aspectos de carácter sani- tário, feridas, rotação, uso correto de inseti- cidas e controle das moscas nas várias fases do seu desenvolvimento. Além do manejo de esterco e do lixo, esse tipo de matéria or- gânica proporciona um ambiente favorável ao desenvolvimento das larvas das moscas.
Existem, basicamente, dois tipos de controle:
ambiental e químico. O controle ambiental se caracteriza por evitar a acumulação de matéria orgânica em decomposição, mantê- -la coberta ou eliminá-la, mudar periodica- mente as camas dos animais, definir um só local para o lixo não orgânico e separar os elementos recicláveis dos não recicláveis. Já no controle químico utiliza-se produtos es- pecíficos para o controle das diferentes fases do ciclo de vida das moscas, preza-se pela re- alização correta das diluições de acordo com
a indicação dos produtos utilizados, aplica- ção da quantidade recomendada da mistura e combinar o controle sobre o animal com o controle sobre as instalações.
Ao adotar qualquer estratégia para o combate destes ectoparasitas o real objetivo é minimizar o impacto econômico, diminuir
o stress dos animais, evitar a transmissão de agentes patogénicos, o desencadear de outras patologias e melhorar a qualidade do ambiente de trabalho. Juntos, todos estes aspectos contribuem para diminuir os preju- ízos e aumentar o nível produtivo de qual- quer propriedade rural.
REPRODUÇÃO
Investimento em conforto para vacas leiteiras
Áquila de Souza Brandão Estudante Zootecnia
Em pauta no cenário mundial, o bem estar animal vem ganhando destaque na produção leiteira. Diversos estudos vem mostrando que vacas leiteiras sob estresse calórico perdem drasticamente desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário, o que por sua vez acaba trazendo prejuízos econômi- cos ao produtor.
A queda no desempenho do rebanho nas épocas mais quentes (verão) do ano é quase que inevitável, já que os animais reduzem o consumo e por sua vez a produção, porém deve partir de nós técnicos e produtores ini- ciativas que busquem o máximo de conforto para nossos animais. Vacas em estresse tér- mico apresentam maior exigência de man- tença devido à maior taxa respiratória para dissipação do calor.
Existem alguns estudos que mostram uma faixa de temperatura na qual o animal se encontra sob conforto térmico chamada de Zona Termo Neutra, a qual é limitada tanto pela temperatura crítica inferior quan- to superior, sendo que estas podem sofrer variações de acordo com a categoria animal
Tabela com a faixa de temperatura dada como normal para cada situação.
Animais Temperatura Re- tal (˚C) Variação Média
Temperatura Crítica
Inferior (˚C) Temperatura Crítica Superior (˚C)
Taurinos, adultos 37,5 - 39,3 (38,3) -6 27
Taurinos, bezerros 37,5 - 39,3 (38,3) 13 25
Zebuinos 37,5 - 39,7 (39,1) 7 35
Fonte: Silva, RG. Introdução a Bioclimatologia Animal. São Paulo: Nobel, 2000.
(jovem ou adulto), raça (taurino e zebuíno), estado fisiológico dentre outras.
Foi pensando nisso que o produtor Her- man Muller proprietário da fazenda Santa Rosa situada no município de Visconde do Rio Branco – MG decidiu investir em um sistema de resfriamento no curral de espera.
Tal sistema possui o seguinte funcionamen- to: ao chegar no curral de espera, os animais são separados em grupos onde são molha- dos através de um sistema de aspersão que fará com que a água penetre entre os pelos e umedeça completamente o pelo e a epi- derme do animal, de forma que os animais sejam resfriados e percam calor por condu- ção e por evaporação da água. Em seguida
os animais são conduzidos a outro curral de espera onde possui um ventilador (próprio para este tipo de sistema) que auxilia no pro- cesso de resfriamento e consequentemente secagem dos animais antes que estes entrem para sala de ordenha.
Tal investimento teve reflexo direto na produção dos animais, haja visto que estes passaram a comer melhor e consequente- mente aproveitar mais o alimento consumi- do, aumentando diretamente sua produção.
Existem trabalhos que mostram aumento de 1l de leite por vaca/dia, o que nos leva a se- guinte suposição: 100 vacas em Lactação x 1l de leite por dia = 100l de leite por dia.
Para cada litro de leite produzido tem-se
um acréscimo de: R$ 0,24 na ração (volumo- so + concentrado) por litro, sendo no mês um gasto de R$ 720,00 a mais.
O acréscimo na conta de energia foi de R$ 300,00 /mês
Considerando o preço do leite de R$ 1,00 teremos no final do mês R$ 3.000,00
R$ 3.000,00 – (720 + 300) = R$ 1980,00.
O montante investido foi de R$ 5.000,00 estando incluso neste valor todo o equipa- mento e mão-de-obra necessária para coloca- -lo funcionando. Levando em consideração a suposição anterior podemos dizer que: R$
5.000,00/1980,00 = 3 meses aproximadamente.
Na propriedade do Sr. Herman Muller não foi possível mensurar este aumento pois concomitantemente a utilização do sistema de resfriamento houve mudança na dieta dos animais.
Com isso podemos concluir que além de ter impacto direto na produção dos ani- mais têm-se também vários outros benefícios como melhora na sanidade do rebanho e nos índices reprodutivos o que nos leva a crer que se trata de um investimento de muita va- lia na atividade leiteira, sem contar o rápido retorno do capital investido.