Destaque Depec - Bradesco
Ano XII - Número 119- 24 de setembro de 2015Demografia menos favorável impõe a necessidade de encontrar
alternativas para expandir a PEA
A evolução da População Economicamente Ativa (PEA) é um importante determinante do crescimento econômico de um país, já que a maior oferta de mão-de-obra permite ampliar a produção sem que os custos subam de maneira proporcional. Como já discutido em texto anterior1, a composição etária brasileira e o processo de transição demográfica que vêm ocorrendo no País criam grandes desafios para a sustentabilidade do sistema previdenciário sob as regras atuais. Simultaneamente, a despeito da moderação atual, a atividade econômica também encontrará condições menos favoráveis para sua expansão nas próximas décadas, caso os incentivos existentes atualmente para a participação no mercado de trabalho não se alterem.
Isso porque a População em Idade Ativa (PIA), aqui restrita à faixa etária com 15 anos ou mais, tende a apresentar taxas de crescimento cada vez mais baixas, até começar a decrescer após meados da década de 2030 (segundo as projeções populacionais do IBGE – Revisão de 2013). Vale destacar que o Brasil ainda se beneficia do bônus demográfico, período em que a razão entre a população em idade ativa e a população dependente é mais elevada (ou seja, a relação entre o número de pessoas com potencial de gerar renda na economia e de pessoas que em geral vivem de transferências entre gerações – crianças e idosos – é mais alta). Entretanto, no
início da próxima década essa situação deverá se alterar. Na verdade, já se verificam efeitos da desaceleração da PIA sobre o mercado de trabalho em função da cada vez menor entrada de jovens na força de trabalho (pois a população nessa faixa etária vem decrescendo em números absolutos).
Comparação internacional da evolução da taxa de participação
Considerando outros países que já vivenciaram tal processo de envelhecimento populacional, existem duas principais maneiras de expandir a PEA mesmo com a PIA desacelerando ou até caindo. A primeira delas envolve oferecer incentivos para que ocorra um aumento da taxa de participação da PIA, por exemplo, das mulheres. A segunda está associada ao adiamento da idade de aposentadoria. No gráfico que segue, percebe-se que recentemente alguns países conseguiram fazer a PEA crescer mais do que a PIA. Dentre esses, é possível destacar o Chile, a Turquia, Polônia, Rússia e Alemanha. Esses dois últimos países, aliás, apresentam queda da PIA, refletindo o envelhecimento populacional, mas ainda assim apresentam crescimento da PEA. Na direção oposta, com a PIA crescendo mais do que a PEA, estão Estados Unidos, China, Portugal e Japão. No Brasil, a PEA apresentou uma expansão ligeiramente inferior à da PIA nesse período.
Ana Maria Bonomi Barufi
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2 Dietz, M.; Walwei, U. Germany – no country for old workers? ZAF Research Paper, Vol. 44, pp. 363-376, 2011.
Variação média anual da PEA e da PIA entre 2005 e 2013
Fonte: BANCO MUNDIAL Elaboração: BRADESCO
A razão entre a PEA e a PIA, a taxa de participação, é um importante indicador para avaliar o quanto o país se utiliza da sua potencial força de trabalho para crescer. Como mencionado anteriormente, alguns países, mesmo com uma situação demográfica complexa, conseguiram aumentar a entrada de indivíduos na força de trabalho entre 2005 e 2013. No gráfico que segue é apresentada a evolução da taxa de participação de diferentes grupos etários para países selecionados. Dentre os países destacados, a Alemanha conseguiu aumentar de maneira relevante a taxa de participação da PIA com idade mais avançada (55 a 64 anos), em quase 20 pontos percentuais. Dentre os fatores para esse movimento, estão a necessidade de trabalhar por mais anos para complementar a renda familiar, a
diminuição do prazo de concessão de benefícios para pessoas mais velhas em situação de desemprego e a revisão dos planos de aposentadoria, com aumento da idade mínima (de 60 para 65 anos)2.
Além das circunstâncias do mercado de trabalho em si, a decisão de trabalho de indivíduos mais velhos depende significativamente das regras do sistema previdenciário. Adicionalmente, tanto as firmas como os trabalhadores precisam buscar treinamento para permitir que o trabalhador com mais idade possa ser incorporado no ambiente de trabalho, com tecnologias mais novas. Cabe destacar que aqui não se pondera a PEA por nenhuma medida de qualificação ou de produtividade, que seria outro elemento a se considerar para expandir a produção de um país.
20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0% C hi le - 2005 C hi le - 2014 C or ei a do Sul - 2005 C or ei a do Sul - 2014 Pol ôni a - 2005 Pol ôni a - 2014 Tur qui a - 2005 Tur qui a - 2014 R ússi a - 2005 R ússi a - 2014 Por tugal - 2005 Por tugal - 2014 Japão - 2005 Japão - 2014 A lem anha - 2005 A lem anha - 2014 C ol ôm bi a - 2005 C ol ôm bi a - 2014 Est ados U ni dos - 2005 Est ados U ni dos - 2014 B rasi l 2005 B rasi l 2013 C hi na - 2000 C hi na - 2010 15 a 24 25 a 54
55 a 64 Taxa de participação em 2005 e 2014 para
diferentes grupos etários, países selecionados Fonte: OCDE Elaboração: BRADESCO -0,1% -0,1% 0,1% 0,1% 0,2% 0,5% 0,6% 0,6% 0,8% 0,9% 1,0% 1,2% 1,5% 1,5% 1,6% 1,8% 2,0% 0,2% 0,3% -0,2% -0,3% 0,6% 0,5% 0,6% 0,6% 0,8% 0,6% 0,5% 1,1% 1,4% 1,5% 3,0% 2,6% 2,1% -0,5% 0,0% 0,5% 1,0% 1,5% 2,0% 2,5% 3,0% 3,5% Alemanha Rússia Japão Portugal Polônia Itália Holanda França Reino Unido China Estados Unidos Coreia do Sul Brasil Indonésia Chile Turquia Colômbia PEA PIA
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3 OCDE, Country notes: Chile. Economic Policy Reforms 2013: Going for growth, 2013. Disponível em: http://www.oecd.org/eco/growth/Chile.pdf eacessado em 20/09/2015.
4 Verick, S. Female labor force participation in developing countries. IZA World of Labor, Vol. 87, pp. 1-10, 2014.
Em outros países, como se verá a seguir, o aumento da taxa de participação se deveu à entrada de mais mulheres na força de trabalho. No Chile, por exemplo, observou-se crescimento da taxa de participação dos três grupos etários considerados. Analisando os três gráficos que seguem, que apresentam a taxa de participação por gênero para os três grandes grupos etários, observa-se que a taxa de participação das mulheres cresceu de maneira bastante intensa nesse país, e um dos fatores para isso foi a aprovação de uma lei estendendo a licença maternidade paga para 24 semanas, que deu maior garantia e estabilidade às mulheres que estão no mercado de trabalho. Adicionalmente, o governo passou a dar subsídios à contratação de mulheres de baixa renda e ampliou
a cobertura da rede de cuidados para crianças3.
Entretanto, é importante destacar que o Chile ainda apresenta uma das mais baixas taxas de participação de mulheres dentre os países aqui estudados. Movimento semelhante foi observado no caso da Colômbia, que também conseguiu ampliar a taxa de participação das mulheres.
Tendo em vista que estimular a entrada de mais mulheres no mercado é uma possível política para lidar com a desaceleração da população, ao menos no curto prazo, é importante entender o que influencia essa propensão a trabalhar. Dentre os principais fatores discutidos na literatura que afetam essa decisão4, é possível destacar: o nível de desenvolvimento econômico do país, o nível educacional, dimensões sociais (normas sociais relativas a casamento, fertilidade e papel da mulher fora do domicílio), acesso a crédito, características do domicílio e do cônjuge, e definições institucionais (leis, proteções, benefícios).
No caso da Turquia, o aumento da taxa de participação das mulheres também foi determinante para aumentar
a PEA, especialmente para o grupo de 25 a 54 anos (variação de cerca de 15 pontos percentuais na taxa de participação feminina). Percebe-se, entretanto, que nesse país dimensões sociais e culturais fazem com que as mulheres ainda trabalhem muito pouco fora de casa em comparação com os demais países analisados. Mulheres que na zona rural trabalhavam em atividades não remuneradas, ao mudar para áreas urbanas acabam por não trabalhar fora do domicílio. O governo turco passou a adotar medidas para tentar
estimular o trabalho feminino5: auxílio monetário
conforme a família tem filhos, direito ao trabalho em meio período para os pais até o filho atingir a idade escolar e aumento do acesso a centros de cuidado de crianças (o que ainda é uma das maiores limitações atualmente ao trabalho das mães).
Ainda no que concerne à comparação das mudanças das taxas de participação, países em desenvolvimento apresentam uma peculiaridade adicional, que é o fato de que o acesso à educação muitas vezes é restrito a apenas uma parcela da população. No caso do Brasil, no período recente foram criados diferentes mecanismos para a ampliação da oferta de vagas em cursos de nível superior, o que permitiu que muitos jovens ampliassem o seu investimento em capital humano, adiando a decisão de trabalhar. Isso explica de maneira relevante a queda da taxa de participação dos jovens de ambos os sexos no País entre 2005 e 2013. Na China, fenômeno semelhante ocorreu entre 2000 e 2010.
A saída dos jovens do mercado de trabalho também pode se dever à dificuldade de encontrar emprego, que leva ao desalento e à consequente desistência da busca por emprego. Em Portugal, esse fator parece explicar, ao menos, parte da queda da taxa de participação dos jovens, somado à busca por maior qualificação deste grupo.
20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% C hi le - 2005 C hi le - 2014 C or ei a do Sul - 2005 C or ei a do Sul - 2014 Pol ôni a - 2005 Pol ôni a - 2014 Tur qui a - 2005 Tur qui a - 2014 R ússi a - 2005 R ússi a - 2014 Por tugal - 2005 Por tugal - 2014 Japão - 2005 Japão - 2014 A lem anha - 2005 A lem anha - 2014 C ol ôm bi a - 2005 C ol ôm bi a - 2014 Est ados U ni dos -2005 Est ados U ni dos -2014 Brasi l 2005 B rasi l 2013 C hi na - 2000 C hi na - 2010 Homens Mulheres Taxa de participação em 2005 e 2014 para pessoas de 15 a 24 anos, por gênero, países selecionados
Fonte: OCDE Elaboração: BRADESCO
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20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0% C hi le - 2005 C hi le - 2014 C or ei a do Sul - 2005 C or ei a do Sul - 2014 Pol ôni a - 2005 Pol ôni a - 2014 Tur qui a - 2005 Tur qui a - 2014 R ússi a - 2005 R ússi a - 2014 Por tugal - 2005 Por tugal - 2014 Japão - 2005 Japão - 2014 A lem anha - 2005 A lem anha - 2014 C ol ôm bi a - 2005 C ol ôm bi a - 2014 Est ados U ni dos -2005 Est ados U ni dos -2014 Brasi l 2005 B rasi l 2013 C hi na - 2000 C hi na - 2010 Homens Mulheres Taxa de participação em 2005 e 2014 para pessoas de 25 a 54 anos, por gênero, países selecionados Fonte: OCDE Elaboração: BRADESCO 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% C hi le - 2005 C hi le - 2014 C or ei a do Sul - 2005 C or ei a do Sul - 2014 Pol ôni a - 2005 Pol ôni a - 2014 Tur qui a - 2005 Tur qui a - 2014 R ússi a - 2005 R ússi a - 2014 Por tugal - 2005 Por tugal - 2014 Japão - 2005 Japão - 2014 A lem anha - 2005 A lem anha - 2014 C ol ôm bi a - 2005 C ol ôm bi a - 2014 Est ados U ni dos - 2005 Est ados U ni dos - 2014 B rasi l 2005 B rasi l 2013 C hi na - 2000 C hi na - 2010 Homens Mulheres Taxa de participação em 2005 e 2014 para pessoas de 55 a 64 anos, por gênero, países selecionadosFonte: OCDE Elaboração: BRADESCO
Por fim, quanto à taxa de participação do grupo etário com idade mais elevada, a maior parte dos países conseguiu avanços importantes nos últimos anos. Entretanto, o Brasil apresentou ligeiro declínio da taxa de participação feminina e relativa estabilidade da masculina. Os incentivos da estrutura do sistema
previdenciário brasileiro são pouco eficientes para fazer com que os trabalhadores decidam adiar a aposentadoria. Por outro lado, a insuficiência da oferta vagas em creches públicas ajuda a explicar a dificuldade de muitas mulheres ingressarem no mercado de trabalho, especialmente no grupo de mais baixa renda.
Perspectivas para a taxa de participação no caso brasileiro
A análise da seção anterior indica que existem medidas que podem ser tomadas para tentar incentivar as pessoas a fazerem parte da força de trabalho do país. A queda da taxa de participação dos jovens brasileiros não é um problema em si, já que esse grupo etário está buscando maior qualificação. Por outro lado, a relativa estabilidade da taxa de participação das pessoas mais idosas implica que são necessárias mudanças nas instituições brasileiras para estimular a aposentadoria um pouco mais tardia.
Apesar de esta discussão ser mais associada a uma dinâmica estrutural, de longo prazo, a conjuntura também pode afetar a decisão de ingresso na
força de trabalho. No caso do Brasil, a recente desaceleração da economia acaba fazendo com que algumas pessoas passem a buscar emprego para tentar complementar a renda familiar. Por outro lado, conforme passa o tempo e as pessoas não conseguem encontrar emprego, muitas se sentem desencorajadas e acabam saindo da PEA, por desalento. Quanto à possibilidade das pessoas buscarem se qualificar mais diante de uma situação econômica mais desfavorável, isso é mais comum em países nos quais o ensino superior é gratuito ou de baixo custo. No Brasil, apenas parte das vagas de ensino superior é oferecida por instituições públicas, de modo que os indivíduos de mais baixa renda muitas vezes não conseguem arcar com a mensalidade dos cursos e acabam desistindo de estudar e voltando à PEA em busca de emprego e renda.
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1,6% 0,2% -0,3% -0,6% -0,3% -0,2% -0,4% -0,7% 2,6% 2,0% 1,6% 1,9% 1,6% 1,2% 1,0% 0,7% 4,7% 5,0% 3,6% 3,5% 2,7% 2,0% 1,5% 1,4% 4,4% 3,9% 4,6% 4,8% 4,1% 4,1% 4,0% 3,8% 2,7% 1,9% 1,6% 1,8% 1,5% 1,3% 1,2% 1,0% -0,9% 0,9% 2,7% 4,5% 2001 a 2004 2004 a 2007 2007 a 2010 2010 a 2013 2013 a 2016 2016 a 2019 2019 a 2022 2022 a 202515 a 29 anos 30 a 49 anos 50 a 59 anos
60 ou mais Total Taxa de participação em 2005 e 2014 para
pessoas de 55 a 64 anos, por gênero, países selecionados Fonte: IBGE Elaboração: BRADESCO 65% 89% 95% 96% 96% 95% 92% 86% 78% 66% 52% 30% 50% 86% 93% 94% 95% 94% 92% 87% 78% 63% 43% 23% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 a 69 70 ou mais 1995 a 1999 2000 a 2004 2005 a 2009 2010 a 2013 Taxa de participação (PEA/PIA) de homens no Brasil, por faixa etária
Fonte: PNAD / IBGE Elaboração: BRADESCO
Aprofundando a análise das perspectivas da PEA para os próximos anos no Brasil, como mencionado anteriormente, a estrutura demográfica do País tenderá a ser cada vez menos favorável para a expansão da
força de trabalho. Percebe-se que a taxa de crescimento populacional dos jovens já atinge patamares negativos, enquanto que a de pessoas com 60 anos ou mais é muito mais elevada que a do total da população.
Ao longo das últimas duas décadas, a taxa de participação dos homens no Brasil se manteve praticamente estável quando se analisa os indivíduos com 25 a 59 anos. As grandes mudanças foram observadas para os jovens (especialmente com 15 a 19 anos, cuja taxa de participação caiu 15 pontos percentuais entre 1995 e 2013) e para as pessoas com idade mais avançada (acima de 60 anos). Para o primeiro grupo, a ampliação dos investimentos na
oferta de educação e o aumento da conscientização da importância do investimento familiar em capital humano fizeram com que mais jovens deixassem de trabalhar para estudar. Já para o segundo grupo, uma das possíveis razões para esse movimento é a valorização da aposentadoria vinculada ao salário mínimo, além da concessão de mais aposentadorias rurais, o que permitiu que pessoas mais idosas pudessem depender menos da renda do trabalho para sobreviver.
Em contrapartida, a taxa de participação das mulheres cresceu para praticamente todas as faixas etárias. Apenas as jovens e aquelas com 70 anos ou mais apresentaram queda nesse indicador, por motivos semelhantes aos discutidos anteriormente. Vale ressaltar que a maior entrada das mulheres no mercado de trabalho aponta para mudanças relevantes na sociedade. Por um lado, a cultura de que a mulher
deve cuidar da casa e dos filhos torna-se cada vez menos importante, e por outro, a redução da taxa de fecundidade permite que as mulheres participem mais do mercado de trabalho. Um elemento que proporciona essas mudanças é a urbanização cada vez mais intensa, que não só afeta a composição familiar como também gera um custo de vida mais elevado, aumentando a necessidade de que a mulher
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42% 61% 64% 66% 67% 66% 60% 51% 42% 30% 21% 11% 36% 67% 72% 73% 73% 71% 67% 59% 46% 30% 19% 8% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 a 69 70 ou mais 1995 a 1999 2000 a 2004 2005 a 2009 2010 a 2013 Taxa de participação (PEA/PIA) de mulheres no Brasil, por faixa etáriaFonte: PNAD / IBGE Elaboração: BRADESCO Trajetória da taxa de participação média e projeções baseadas em diferentes hipóteses*, 1995 a 2020
Fonte: PNAD / IBGE Elaboração: BRADESCO 68,3% 66,1% 67,6% 67,0% 69,2% 68,5% 65,5% 65,2% 64,4% 63,0% 64,0% 65,0% 66,0% 67,0% 68,0% 69,0% 70,0% 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14* 20 15* 20 16* 20 17* 20 18* 20 19* 20 20*
Taxa de participação hip 2 Taxa de participação hip 1
* Hipótese 1: Taxas de participação constantes para cada grupo etário e gênero (iguais à média do período entre 2010 e 2013), ponderadas pela população projetada para cada grupo;
Hipótese 2: Taxas de participação estimadas por um modelo de regressão para cada grupo etário e gênero, considerando países da América do Sul, e tendo como variáveis explicativas o PIB per capita PPP defasado no tempo e a participação de grandes grupos etários na população.
trabalhe. Por fim, famílias com composição cada vez mais diversificada fazem com que, por exemplo, mães solteiras sejam chefes do domicílio e precisem
trabalhar. De todo modo, ainda existe um espaço relevante para ampliar a taxa de participação das mulheres em relação à dos homens.
Para fazer uma análise prospectiva do comportamento da taxa de participação nos próximos anos e do consequente crescimento da PEA, foram consideradas duas possibilidades. A primeira delas envolveu considerar que apenas a mudança da composição etária da população para os próximos anos seria relevante (envelhecimento populacional mencionado anteriormente). Assim, a hipótese 1 discutida aqui mantém as taxas de participação de cada grupo etário e gênero constantes no nível médio entre 2010 e 2013 e calcula a taxa de participação média multiplicando essas taxas pelo total da população projetada pelo IBGE para cada grupo etário.
A segunda hipótese estabelece uma relação entre as taxas de participação específicas dos grupos
etários e gêneros e algumas características de diferentes países da América do Sul (PIB per capita defasado, participação de grandes grupos etários no total da população). Com essas relações, é feita uma projeção para cada taxa de participação. A partir dessas duas hipóteses, são obtidas duas trajetórias para a taxa de participação média. Nota-se que mesmo a partir da hipóteNota-se 2, com a qual a taxa de participação feminina continua crescendo, a taxa média para o total da população se mantém praticamente estável. Ou seja, caso não sejam tomadas medidas efetivas para incentivar mais pessoas a ingressarem na força de trabalho, a PEA não terá muito espaço para crescer, em especial porque a demografia estará atuando na direção oposta.
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3,0% 4,1% 2,3% 3,3% 2,1% -0,6% 1,7% 1,1% 1,0% 1,9% 1,3% 1,0% -1,0% 0,0% 1,0% 2,0% 3,0% 4,0% 5,0% 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14* 20 15* 20 16* 20 17* 20 18* 20 19* 20 20*Tx crescimento PEA hip2 Tx crescimento PEA hip1
Taxa de crescimento anual da PEA e projeções baseadas em diferentes hipóteses*, 1995 a 2020
Fonte: PNAD / IBGE Elaboração: BRADESCO
* Hipótese 1: Taxas de participação constantes para cada grupo etário e gênero (iguais à média do período entre 2010 e 2013), ponderadas pela população projetada para cada grupo;
Hipótese 2: Taxas de participação estimadas por um modelo de regressão para cada grupo etário e gênero, considerando países da América do Sul, e tendo como variáveis explicativas o PIB per capita PPP defasado no tempo e a participação de grandes grupos etários na população.
Levando em conta a experiência internacional discutida anteriormente, alguns países com uma situação demográfica ainda mais complexa que a do Brasil conseguiram ainda assim expandir de maneira significativa a sua PEA, estimulando o aumento da taxa de participação, em especial de mulheres e idosos. Cabe notar que a taxa de participação brasileira está entre as mais elevadas dos países analisados. Porém, existe espaço para avançar, especialmente para as pessoas com 55 anos ou mais.
Para estimular mais mulheres a ingressarem na força de trabalho, algumas medidas podem ser adotadas: • Ampliar a rede de atendimento da educação infantil
(berçários e creches);
• Criar oportunidades de trabalho mais flexíveis (meia jornada, trabalho em casa, entre outras opções); • Ampliar a discussão sobre o papel da mulher na
sociedade, com aumento do seu empoderamento e redução das desigualdades de gênero no mercado de trabalho.
Para os indivíduos com 55 anos ou mais, as políticas poderiam ser da seguinte ordem:
• Desestimular a aposentadoria precoce, criando restrições formais no sistema previdenciário e ampliando a idade mínima da aposentadoria por contribuição;
• Criar postos de trabalho mais flexíveis;
• Proporcionar programas de treinamento e requalificação profissional;
• Estimular as empresas a contratar trabalhadores com mais idade para perfis específicos de vagas. Tais medidas não exaurem todas as possibilidades e constituem sugestões cuja relação custo-benefício precisa ser avaliada. Destaca-se também que elas buscam criar condições e incentivos para que mais pessoas decidam ingressar na força de trabalho, sem que isso implique em uma redução da produtividade da economia. De todo modo, é necessário ampliar a discussão sobre a questão demográfica e seus impactos sobre o mercado de trabalho e o crescimento econômico do País.
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