UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE
SANTA CATARINA
CENTRO
SÓCIO-ECONOMICO
DEPARTAMENTO
DE
CIÊNCIAS
DA
ADMINISTRAÇÃO
COORDENADORIA
DE
ESTÁGIOS
GESTOR
PÚBLICO
E
A
LEI
DE
RESPONSABILIDADE
FISCAL
ADRLÀNO
CARLOS
RIBEIRO
CENTRO
SÓCIO-ECONÔMICO
DEPARTAMENTO
DE
CIÊNCIAS
DA
ADMINISTRAÇÃO
COORDENADORIA
DE
ESTÁGIOS
GESTOR
PÚBLICO
E
A
LEI
DE
RESPONSABILIDADE
FISCAL
ADRIANO
CARLOS
RIBEIRO
Í
Orientado
Pelo:
Prof. Sinésio
D.
S.Ostroski
ÁREA
DE
CONCENTRAÇÃO:
ADMINISTRACAO
GERAL
Florianópolis,
2002
Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado e julgado perante a
Banca
Examinadora que
atribui a nota 7,0 (sete) ao aluno Adriano Carlos Ribeiro, matrícula 9420001-7,na
disciplinaEstágio Supervisionado Obrigatório
CAD
5401.F
Sinésio Dubiela Stefano Ostrosld Presidente
Gers
n
Rizz imbro
Gilberto de Oliveira Moritz
A
Lei de Responsabilidade Fiscal significa para os gestores públicos a necessidade demudança
culturalno que
se refere à gestão fiscal.Apesar
de estar de acordocom
as diretrizesdo
Fundo
Monetário Intemacional,podemos
destacarque
a legislação brasileira,comparada
principalmente aosdemais
países latinos, é mais abrangente e objetiva, criando limitações orçamentárias e sanções específicas casonão
hajaum
cumprimento do
dispositivo legal. Trata-se deuma
pesquisa exploratória e bibliográfica.A
Administração Pública, atravésda
reforma
do
Estado, apoiando-sena
burocracia, necessita de gestores públicos quetenham
discernimento das questões envolvidas à
LRF,
precisando deum
conhecimento apurado paraque
as ações praticadasnão
prejudiquem a populaçãobem como
a eles próprios.Assim
sendoo
presente estudo aborda as principais questõesda
legislação,não
tendocomo
objetivo o aprofundamento jurídico, esim
discorrer sobre a necessidadedo
gestor conhecê-la, interpretá- la e contribuir para a sua melhoria, jáque não
houve
tempo
para a sua maturação.SUMÁRIO
RESUMO
... ... ... ... 4 sUMÁRIo... ... ... ... ... ... 5LISTA
DE
SIGLAS
... ... ... ... ... ..8 1INTRODUÇÃO
. . .. . .. . .. . .. .. . . . . . .. .9
1.1Tema
problema
... ... ... ... ... ... ... 9 1.2 Justificativa ... ... ... ... ... ... .. 11 2OBJETIVOS..
... ... ... ... ... 12 2.1Geral
... ... ... ... ... .. 12 2.2Específicos
... .... ... ... ... .. 123
METODOLOGIA
... ... ... ... ... .. 13 3.1Abordagem
da
pesquisa . . . .. . . .. .. . . .. ... 13 4ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
... ... ... ... ._15
4.1Conceituando Administração
Pública ... ... .... ... ...15
4.2 Princípios
da Administração
Pública ... ... ... ... ... ..16
4.2.1 Princípio
da
legalidade ... ... ..16
4.2.2 Princípio
da
impessoalidadeou
finalidade ... ... ..17
4.2.3 Princípio
da moralidade
... ... ... ... .... ...18
4.2.4 Princípio
da
publicidade ... ... .... .... ... .... ..18
4.2.5 Princípio
da
eficiência ... ... ... 194.2.6 Princípio
da
hierarquia ... ... ... ...20
4.2.9 Princípio
da
tutelaou
do
controle ... .... .... .... 214.2.10 Princípio
da
autotutela.. ... ... ... ... .. 215
PRECEITOS
CONSTITUCIONAIS
... ... .... ... ..22
5.1
Determinação do
artigo 163da
Constituição Federal... ... ... ...22
5.2
Tramitação Legal
... ....23
5.3
Elaboração dos orçamentos
públicos ... .... ... .... .... ...24
5.4
A
Lei 4320/64 e a LeiComplementar
n.° 101/2000 ... ... .... ...25
6
MOTIVAÇÕES PARA
IMPLANTAÇÃO
DE
UMA
LEI
FISCAL... .. .27
6.1 Fatores internos ... ... ... ... ... ... ..
27
6.2Fatores externos:
Código de Boas
Práticaspara
aTransparência
Fiscaldo
FMI
eoG7
-Grupo
dos Sete Paísesmais
Desenvolvidos... ... ... ... ..28
6.3 Fatores e
modelos
externos:de
outros países ... ... ... ....29
6.3.1 Fatores externos:
Comunidade
Econômica
Européia... .. .. . .30
6.3.2 Fatores externos: Estados
Unidos da
América
... ... ....30
6.3.3 Fatores externos:
Nova
Zelândia ... .... ... ... ... ... ..316.3.4 Legislação
peruana
... ... .... ....32
6.3.5 Legislação argentina ... ... ...
33
6.3.6 Legislação equatoriana ... ... ... ...
33
6.3.7 Legislação
colombiana
. ... ... .... ... ... ... ..33
7
CARACTERIZANDO
A
LEI
COMPLEMENTAR
N." 101/00... ...34
7.1 Conceitos ... ... ... ... ... ...
34
7.2
Planejamento
... ... ... ... ..34
7
704 oooooo 000000000000 nnnn 000 nnnnnnnn 0000000000 0000 000 0000 00000000 000 00000000000 000000000000000000 000000 000000000 0000 000000000000
7.5
Das
transferências; destinação dos recursos;da
dívida edo
endividamento; e gestãopatrimonial ... ... ..
40
7.6 Transparência... ... ... ... ... ... ... ..
42
7.7
Anexos
da
Leide
Responsabilidade Fiscal ... .... ... ... .... ..43
s
coMENTÁRIos
ALUsIvos
À
LRF
... ... ...45
8.1
Comentários
contrários ... ... ... .... ... ... ....45
8.2
Comentários
favoráveis . ... .... ... ... ... ...45
8.3
Meios
de
comunicação
... ... ... ..46
8.4 Fatos evidenciados
no
presentemomento
... ... ... ... ..46
9
GESTOR
1>ÚBLIco
E
LRF
... ... .... ... .... ....48
CONSIDERAÇÕES
FINAIS.
.... .... ... ... ... ... ..50
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
.... ... ... ...52
ARO
-
Antecipação de Receita OrçamentáriaBCB
- Banco
Centraldo
BrasilBNDES
~
Banco
NacionalDesenvolvimento
Econômico
e SocialCEE
-Comunidade
dos EstadosEuropeus
CEPAL
-Comissão
Econômica
para aAmérica
Latina eo
CaribeCF
~
Constituição FederalFECAM
-
Federação Catarinense das Associações dos MunicípiosFGTS
-
Fundo
Garantia eTempo
de ServiçoFMI
-
Fundo
Monetário IntemacionalFPM
-
Fundo
Participação dos MunicípiosICMS
-Imposto
Circulação Mercadorias e ServiçosINSS
~
Instituto Nacional de Seguridade SocialIPTU
-
Imposto Predial e TerritorialUrbano
ISS
-Imposto
sobre ServiçosLRF
~
Lei de Responsabilidade FiscalMA
-
Maranhão.
MG
~
Minas
Gerais.PASEP
-
Programa
AssistênciaEmpregados
PrivadoPA
-
Plano Plurianual ~TC
-
Tribunal de ContasTCU
~
Tribunal de Contasda
União
1
INTRODUÇÃO
1.1
Tema
problema
A
Administração Pública,no
decorrer dos anos, atravésda
reforma do Estado,vem
adotando,na
sua fonna,mn
enfoque mais gerencial, apoiadana
burocracia, aproximando-sedo
cidadãona
busca de resultados. Versacom
os preceitos constitucionais e de gestão, afim
de que o Estado estejaimbuído
demelhor
atender aos cidadãos. Neste contexto,advém
a LeiComplementar
n. ° 101, de04
demaio
de 2000, estabelecendonormas
definanças
públicas voltadas para a responsabilidadeda
gestão fiscal.Na
erado
conhecimento, o gestor públicotem
um
papel decisivo nacondução da
Administração Pública. Desta forrna, ao
tomar
ciênciada
Lei de Responsabilidade Fiscal,saberá guiar as suas ações, sejam elas direcionadas para os pontos fortes
da
legislação eo
aprimoramento
dos pontos fracos.A
Constituição Federal de 1998 exige a regulamentaçãodo
artigo 163 medianteuma
lei complementar. Aliado a este fato, o Poder Executivo Federal precisava cumpriro
dispostono
artigo 30da
Emenda
Constitucional n. ° 19, de04
dejimho
de 1998.Os
motivosextemos foram
preponderantes para a ediçãoda
Lei .de
Responsabilidade Fiscal.
O
fato por si só se comprova, haja vista que oFundo Monetário
Intemacional, elaborou o
Código
deBoas
Práticas para Transparência Fiscal,que
serve demodelo
de eficiênciana
gestão fiscal, sendo adotadona
legislação brasileira edemais
paísesmembros
como:
Argentina, Peru, Colômbia, Equador, Índia, Chile,México
entre outros.Cabe
destacar
que
países desenvolvidos,como
aNova
Zelândia, Austrália,Reino
Unido, Islândia,Suécia,
Holanda
e EstadosUnidos
também
implantaram modificaçõesno
que tange a leifiscal.
Sabemos
deantemão que
oFundo
Monetário Intemacional, usou o referido código para padronizar a legislação dos paísesmembros,
que se utilizam seu principal serviço,empréstimo
de capital,buscando
desta forma, sanear as contas destes países, tendomaior
segurança para recebimento
do pagamento da
dívida,bem
como
proporcionarnovos
empréstimos,
permanecendo
neste círculo vicioso.A
denominação
é peculiar para cada nação,na
Argentina,denominou-se
Lei deTransparência e Responsabilidade Fiscal; e
na
Nova
Zelândia, amesma
édenominada
deAto
de Responsabilidade Fiscal. ›
A
atitudedo
govemo
brasileiro, de acataruma
determinaçãodo
Fundo
e, porconseguinte, ceder a pressões extemas, gerou inínneras controvérsias
com
a oposição, tendoem
vista que,em
nome
do
equilíbrio entre a receita e a despesa,vem
comprometendo
diversasações de
cunho
social, investimentoem
educação, saúde, transporte, relegadas aum
segundo
plano. Neste sentido, priorizao pagamento
das dívidas contraídas, sobretudo a externa,que
compromete
percentual significativodo
produtointemo
brutodo
Brasil, desvirtuandoda
função precípua
do
Estado,que
é direcionar as suas ações parao
social.O
estudoem
questão analisará os pontos vitaisda
Lei de Responsabilidade Fiscal,abordando os aspectos
mais
relevantes,ou
seja, enfatizandoo
planejamento, a transparência,o controle
ea
responsabilidade por partedo
gestor público nos atos praticados.O
planejamento programará a execução orçamentária e ocumprimento
de objetivos.No
planejamento, serão previstas as metas que desejam ser alcançadas, os limites aserem
estabelecidos,em
quaismomentos
poderão ocorrer a renúnciada
receita, a geração das despesas, incluindo as despesascom
pessoal, dívidas contraídas e as operações de crédito.A
transparência dos atos praticados refleteem
participaçãoda
sociedadena
elaboraçãodo
orçamento e nas prestações de contas. Nestemomento,
o Tribunal de Contas,acaba tendo papel destacado,
como
guardião das contas públicas.Os
sistemas de controle serão exercidos principalmente pelos Tribunais de Contas e sistemas de controle internos dos Entes. Quiçá, sejam divulgados deforma
didática, paraque
a sociedade
compreenda
deforma
simples(que leigospossam
entender os relatórios, tendouma
linguagem acessível) os resultados ali expostos.O
presente trabalhonão
pretende esgotaro
assunto,não
discorrerá sobre esclarecimentos aprofiindados, até porquenão
dispõede
aparato juridico para tanto. Neste escrito, serão tratados as conexões entre a Lei de Responsabilidade Fiscal e o gestor público,com
abordagem
pontual e a partirda
análiseda
lei.“Assim
sendo, quala
importânciado conhecimento
sobre ospontos
fortes e fracos1.2Justificativa ›
A
Administração Pública,no
mundo
globalizado,onde
as informações estão disponíveis a todos e a qualquermomento,
passa poruma
verdadeira revolução, capitaneada pelo cidadão, exigindo transparênciano
tratodo
dinheiro público, participação nastomadas
de decisão e qualidade nos serviços prestados.No
Brasil,não
poderia ser diferente, várias iniciativas estão sendotomadas
neste sentido para minorar a distância entre o gestor público e 0 cidadão.Desta maneira,
podemos
considerar o adventoda
Lei de Responsabilidade Fiscal,como
fator propulsor destas mudanças, constituindo-seem
um
marco na
gestão pública brasileira, atribuindo responsabilidadescom
o dinheiro público e obrigação da divulgação dos atos praticados pela Administração Pública.Logo, o gestor público,
que conduz
processo de gestão fiscal,deve
estaralicerçado
em
conhecimento e atento à função principaldo
Estado,ou
seja,dando
ênfaseà ação social, através deuma
visão que possibilite cumprircom
as determinações' legais, porém, gerando informações qualitativas para astomadas
de decisõesdo
gestor público.2.1
Geral
Analisar a importância
do
conhecimento dos pontos fortes e fracosda
Lei de Responsabilidade Fiscal para o gestor público.2.2 Específicos
-
Definir
o conceito de Administração pública e os seus princípios: constitucionais e de gestão;-
Detalhar os preceitos constitucionais;-
Analisar as motivações para implantação deuma
lei fiscal;-
Caracterizar a LeiComplementar
n.° 101/00; e3
METODOLOGLA
3.1
Abordagem
da
pesquisaNo
que
se refere à sua natureza, seguindo a taxionomia proposta por Vergara (1990), pode-se classificar o presente estudo: quanto às suas finalidades equanto aos
meios
utilizados para que seusfins
sejam atingidos.No
que
diz respeito ao primeiro critério, este estudo deve ser classificadocomo
exploratório.Segundo
Gil (l987:45-46), são exploratónas as pesquisas que se tencionam a proporcionarmaior
familiaridadecom
o problema,com
vistas a tomá-lomais
explícito. Para
Cervo
&
Bervian (l983:56), a pesquisa exploratória descreveprecisamente
uma
determinada situação afim
de descobrir as relações entre oselementos
que
compõem
a situação. Neste sentido, ela requer “(...)um
planejamentobastante flexível para possibilitar a consideração dos
mais
diversos aspectos deum
problema
ou
deuma
situação(CERVO
&
BERVIAN).
Por
conseguinte, levandoem
consideração seus objetivos, qualifica-seo
estudocomo
exploratório devido a sua pretensão de levar a termouma
revisão rigorosada
literaturano
sentido de aprimoraro
conhecimento acercada
Administração Pública, Lei
Complementar
n.° 101, de04 de
maio
de 2000, e Gestor Público,que
objetiva levar a tenno aabordagem
sobre a gestão fiscalno
contextodas organizações públicas
Quanto
ao segundo critério, que é definido por Gil (l987:48)como
oagrupamento
de projetos de pesquisa de acordocom
os procedimentos técnicosutilizados,
o
presente trabalho se constituiem uma
pesquisa bibliográfica.Conforme
o autor, “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado,
constituído principalmente de livros e artigos científicos”(GlL, 1987 :48).
Este estudo, trata~se de
uma
pesquisa bibliográfica porque, de acordocom,
a definição de
Cervo
&
Bervian (1983:55), procura explicar a LeiComplementar
n.° 101, de04 de
maio
de 2000, e seus aspectos relacionados à gestão fiscalno
âmbito da Administração Pública.A
leitura infonnativa é definida porCervo
&
Bervian (1983, p.85)como
presente o objetivo da pesquisa, caso contrário, a leitura informativa
toma-se distrativa ou passatempo.
Os
autoresdefinem
quatro fases principais parao
processode
leiturainformativa
(CERVO
&
BERVIAN,
op.cit:85), quais sejam: leiturade
reconhecimento e pré-leitura; leitura seletiva; leitura críticaou
reflexiva; e leitura interpretativa.A
abordagem do
referencial teórico disponível baseou-seno
processoque
tais fases implicam, a saber:-
levantamentoda
bibliografia disponível;~
seleção das obrasmais
relevantes para os objetivosdo
trabalho;-
análise crítica dos conteúdosdo
referencial selecionado;-
interpretação e correlação dos textos; e-
documentos
disponíveisna
internet.Neste estudo,
em
face de seu caráter exploratório, optou-se por obrasjurídicas
em
seus primeirosmomentos,
afim
de levantar os aspectos principaisda
legislação.Num
segundomomento,
buscou-seem
artigos de revistas indexadas,jomais
emanuais
subsídios a fundamentaçãodo
trabalho.4
ADMIMSTRAÇÃQ
PÚBLICA
Administração Pública é todo aparato
do
Estado, a serviçodo
cidadão, visando àsatisfação
da
sociedade.E
cabe ao gestor público geri-lo, apoiadoem uma
série de princípiosconstitucionais e de gestão, servindo de parâmetro.
4.1
Conceituando Administração
PúblicaSegundo
Meirelles (1999), a Administração Pública,em
sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivosdo
governo;em
sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicosem
geral:em
acepção operacional, é0desempenho
legal e técnico, dos serviços própriosdo
Estadoou
por ele assumidosem
benefício
da
coletividade.Numa
visão global, a Administração é, pois, todo o aparelhamentodo
Estado pré ordenado à realização de serviços, visando à satisfação das necessidadescoletivas, gerando atos de governo,
com
maior ou
menor
autonomia
funcional,segundo
a competênciado
órgão e de seus agentes.São
chamados
atos administrativos. _A
administração é a atividadeque
o Estado desenvolve, através de atos concretos eexecutórios, para a consecução direta, ininterrupta e imediata dos interesses públicos.
Conforme
Faria (2001), a administração pública,em
sentidoamplo
edo
ponto devista subjetivo, formal e orgânico,
compreende
os três órgãosdo
Estado: Poder Legislativo,Poder
Executivo ePoder
Judiciário. Nesta macrovisãoda
administração pública, pode-sedizer
que
o Estado é administrado pelos aludidos Poderes, sendo queo
Executivodetém
a primazia dessa atividade. rO
Poder
Legislativo,embora
tenha por função primordial a edição de leis, exerce funções própriasdo
Executivo edo
Judiciário.A
esse poder,no
âmbito federal,compete
julgar, por crime de responsabilidade, o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Ministros de Estado, os Ministrosdo
Supremo
Tribunal Federal, o Procurador-Geralda
República e
o Advogado-Geral
etambém
os próprios integrantes das duas Casas LegislativasO
Poder
Executivotem
afimção
precípua de exercer a administração pública.Essa
éa sua verdadeira função.
O
Chefedo
Executivo federaldetém
competência exclusivade
iniciativa de lei sobre pessoal, que impliqueaumento
de despesas;além
de outras,em
que
aO
Poder
Judiciáriotem
por atribuição exclusiva julgar,com
força definitiva, osconflitos jurídicos, isto é, exercer
com
plenitude a função jurisdicional.4.2 Princípios
da Administração
PúblicaA
Constituição Federalde
1988,no
artigo 37, elenca quatro princípiosda
administração pública nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, sendoque
outrosnão
previstosna
cartatambém
serão abordados, cadaum
por si. VOs
princípios constitucionais são:-
legalidade;-
impessoalidade;-
moralidade;~
publicidade; e-
-
eficiência (incorporada através
da
Emenda
Constitucional n.° 19/98).Os
princípios de gestão são:-
hierarquia;-
indisponibilidade;-
razoabilidade;-
da
tutelaou do
controle;-
autotutela. 4.2.1 Princípioda
legalidadeEste teve sua inspiração
no
artigo 4°da
Declaração dos Direitosdo
Homem
edo
Cidadão.
O
aludido artigo está assim redigido(FARIA,
2001168):A
liberdade consisteem
fazer tudo que não prejudica a outrem: assim, o exerciciodos direitos naturais de cada
homem
não tem outros limites senão os que asseguremaos membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos. Esses limites somente podem ser estabelecidos
em
lei.Segundo
este princípio, o administrador público,em
todas as ações de sua atividade, está sujeito aosmandamentos
da
lei às exigênciasdo
bem comum,
não podendo
deles se afastarou
desviar, sobpena
de praticar ato inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar,17
prevê a ação popular, o habeas corpus, 0habeas
data, omandado
de segurança eo
mandado
de injunção,
além do
controle pelo Legislativo, diretamenteou
com
auxíliodo
Tribunalde
Contas, edo
controle pela própria administração.A
eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimentoda
lei.Em
outras palavras, isto quer dizer que, enquantona
administração particular prevalece aautonomia
de vontade, que permite fazer tudo oque
a leinão
proíbe,na
administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza.Todo
administrador públicotem
o dever de cumprir oque
a lei determina,uma
vezno
exercício de suas funções, deve se pautarem
beneficioda
coletividade,que
é o único objetivoda
ação administrativa.Em
virtudeda
naturezada
função pública,da
finalidadedo
Estado edo
caráter das leis administrativas, seus preceitosnão
podem
ser desrespeitados, seja pormeio
de acordosou
entendimentos entre seus aplicadores e destinatários. Para tanto, deve ser orientado pelos
princípios
do
Direito eda
Moral, paraque
se ajunte o honesto e o conveniente aos interessessociais.
4.2.2 Princípio
da
impessoalidadeou finalidade
O
princípio da impessoalidade, conhecidotambém como
princípio da finalidade,impõe
ao administrador públicoque
só pratique o ato para o seufim
legal, deforma
impessoal, visando ao alcance dos seus objetivos, desdeque
estejam de acordocom
a lei eointeresse público.
Sendo
o administrador de bens alheios, o gestor público devesempre
atuar voltadopara o coletivo, evitando favoritismo
ou
discriminação.Rocha
apud
(Faria, 2001:69), analisando o referido princípio constitucional, refereque: .
O
princípio republicano e o dever que nele se contém, de se dar trato público à coisa pública, que nesta forma de governo se encarece, fundamentam a impessoalidade administrativa.É
que nela a qualificação pessoal não conta, como não conta a situação pessoal daquele que contém o cargo público e que se deve manter neutro e objetivoem
sua conduta, seja qual for a situação social, econômica ou política partidária do cidadão sobre o qual incidirão os efeitos do ato da Administração.Todo
ato deve ser praticadosempre
com
a finalidade pública,impedindo
oadministrador de buscar outro objetivo de
ou
pratica-lono
interesse próprioou
de terceiros,administrativos
não
podem
ocorrer por motivação de interesses personalizados e beneficentes de pessoas físicas e/ou jurídicas específicas.4.2.3 Princípio
da moralidade
A
moral administrativa é baseadono
princípioda
legalidade.A
moralcomum
é valor comportamental brotado, naturalmente,do
convivio de determinado grupo social.Constitui pressuposto de validade de todo ato
da
administração pública.H
Silva (apud Faria,2001:71) registra: '
Deve-se partir da idéia que moralidade administrativa não é moralidade comum, mas moralidade jurídica. Essa consideração não significa necessariamente que o ato legal seja honesto. Significa, como disse Hauriou, que a moralidade administrativa consiste no conjunto de regras de conduta tirada da disciplina da Administração.
A
moralidade administrativa, considerando os posicionamentos transcritosanteriormente,
tem
pertinênciacom
a moral social,com
a ética,com
a honestidade ecom
o
respeito e zelo pela coisa pública.Mesmo
admitindoque
a moralem
foco integra o sistemajurídico, é forçoso admitir que
nem
sempre
o que é legal é moral,do
ponto de vistado
interesse social.A
importânciado
tema
levou este ao abrigoda
Constituição Federal de 1988,conforme
artigo 37. _Ainda
amesma
Cartaampliou o
campo
do
alcanceda
ação popular, demodo
ainstrumentalizar a sociedade para controlar a Administração, contra os atos praticados
com
imoralidade administrativa, contra o patrimônio público, omeio
ambiente eo
patrimônio cultural. EEm
resumo, todo ato administrativo,além
de obedecer à lei jurídica, deverá obedecer à lei éticada
própria instituição, por considerações de direito eda
moral, pois,como
proclamavam
os romanos,nem
tudoque
é legal é honesto.4.2.4 Princípio
da
publicidadeEm
razãoda
publicidade éque
a Administração toma-se transparente paraque
asociedade e órgãos de controle
possam tomar
conhecimento de seus atos e impugná-los, seviciados
ou
em
desacordocom
legalidade e moral administrativa.A
publicidade administrativa vaialém da
simples e necessária divulgação oficialdo
ato nos órgãos de comunicação, pois implica transparência administrativa, segimda a qual os19
atosdevem
ter a participação ativa e o conhecimento claroda
sociedade, precisandotomar
válido seus efeitos externos.A
publicidade é requisito de eficácia e moralidade.Qualquer lei, ato
ou
contrato administrativoque
vise produzir efeitos jurídicos forados órgãos de
origem
deve ser publicadoem
órgão oficialda
administração, já que, para obter validade universal, é necessário que sejade
conhecimento público.Como
jámencionado,
apublicação dos atos deve ser efetuados através dos órgãos oficiais,
não
sendo obrigatória paraatos
não
concluídos,com
exceção das concorrências etomadas
de preço,em
que geralmenteas
normas
pertinentesimpõem
a publicaçãoda convocação
dos interessados,da
habilitação,da
adjudicação edo
contrato,na
íntegraou
resumidamente.Por
órgão oñcial não deve ser entendido apenaso
diário oficial das entidadespúblicas,
mas
também
os jomais contratados para essas publicações oficiais ,bem
como
aafixação
dos atos e leis municipaisna
sededa
prefeitura e dacâmara
dos vereadores,onde não
houver órgão oficial,
em
conformidadecom
o dispostona
lei orgânicado
município.Finalmente, a publicidade
não
poderá caracterizarpromoção
pessoaldo
gestorpúblico, sob
pena
de lesar os princípiosda
impessoalidade, finalidade e moralidade.4.2.5 Princípio
da
eficiênciaA
competitividadeno
mundo
dos negócios, especialmente,com
a globalizaçãoeconômica, exige das organizações
comportamento
e atuaçãode
modo
a produzir resultados eficazes,com
eficiência.A
eficiência assumiu papel tão relevantena
atividadeeconômica
ena
prestação dos serviços públicosque
o
Congresso Nacional, pormeio da
Emenda
Constitucional n.° 19/98, a erigiu à condição de princípioda
Administração Pública ao lado dos outros quatro arrolados antes,no
caputdo
artigo 37,da
Constituição Federal.administração pública,
embora não
atueem
regra,na
atividade econômica, deve desenvolveras suas atividades próprias,
com
eficiência, produzindo os respectivos efeitos demodo
aatender
com
presteza às exigências e às necessidadesda
sociedade.A
administração pública, apesar denão
ter a função de produzir resultadoseconômicos, deve atuar
em
observância àmáxima
custo/benefício.O
gestor público precisa terem
mente que
ele é gestorda
coisa pública, coisa da sociedade e, por isso, deve planejaraatividade
do
órgãoou
entidade que dirige defonna
a gastarmenos
e obter omáximo
de
resultado social e econômico.4.2.6 Princípio
da
hierarquiaA
Administração Pública, devido ao princípioda
hierarquia, organiza-se estruturalmenteobedecendo
auma
linha vertical de disposição eem
relação aos órgãos.No
topo
da
linha, situa-se o órgãoque
detém
maior poderou
competência.À
medida
que se desce para a base dessa linha, instalam-se órgãos inferioresem
grau de poder,na
proporção ena
ordem
descendentes, demodo
que, ao órgão posicionadono cimo da
hierarquia, todos os outros se subordinam, observados e respeitados os órgãos intermediários.Cada
estruturaorganizacional destes
tem
sua própria competência,uma
parcela de todo. Assim, asoma
de
atribuições de todos os órgãos perfaz o total de competências atribuídasao
órgão posicionadono
cume
da
linha vertical.4.2.7 Princípio
da
indisponibilidadeA
Administração Pública, direta e indireta, está sujeitaao
princípioda
indisponibilidade. Isto quer dizer que a administração, por seus agentes,não
tem
adisponibilidade dos bens e
nem
das coisasque
estão sobo
seudomínio ou
guarda, por se tratar de coisas públicas. Ora, se são coisas públicas, pertencentes à sociedade,não
devem
ser dispostas a critério subjetivo e pessoaldo
gestor. Assim, ao gestor público é proibido distribuir bensou
valores pertencentes ao Estado entre particulares: parentes, amigos, grupose similares.
4.2.8 Princípio
da
razoabilidadeO
princípioda
razoabilidade, defendidona
doutrina administrativa , foi erigidoem
posto de
norma
constitucionalem
alguns Estados, dentre eles o Estado deMinas
Gerais eSão
Paulo. Esse princípiovem
sendo defendidocomo
meio
inibidordo
poder discricionáriodo
administrador público.
O
poder discricionário conferido pelo legislador ao gestor público, paraque
ele, os casos concretos, edite o atoque
julgar melhor, à vistada
vontade legal e nos parâmetrosda
própria lei,pode
levar acomportamento
antijurídicoou
viciado juridicamente .O
princípioda
razoabilidade
tem
por finalidade limitar a liberdadedo
agenteem
pautar-lhe a direção a ser seguida.Na
discricionariedade, o agente transitanuma
faixa legalsem
derivar para asmargens
invisíveis.A
razoabilidade aparececomo
elemento norteadorda
Administração,21
orientando o seu agente à conduta
que melhor
atenda à finalidadeda
lei e aos interessespúblicos de acordo
com
a conveniência e a oportunidade, núcleodo
ato.4.2.9 Princípio
da
tutelaou do
controleO
princípioda
tutelaou do
controle legitima a administração a exercer controle sobre as entidades por ela criadas para atuaremna
prestação de serviços públicos. Essecontrole
não
interferena autonomia da
empresa, fundaçãoou
autarquia que dotadasde
personalidade jurídica própria,com
autonomia
administrativa e financeira.Mas
pode
aadministração,
com
esse poder tutelar, fiscalizar e controlar a aplicação dos recursosfinanceiros e técnicos destinados aos entes
da
administração indireta e, ainda, quantoao
cumprimento
de suas atribuições legais. Esse controle visa impedir a entidade de atuarem
desacordo
com
os objetivos para os quais foi criada.4.2.10 Princípio
da
autotutelaA
autotutela é o poder conferido à administraçãoem
decorrênciada
hierarquia organizacional para controlar a si própria.A
administração, por tal princípio, exerce controle sobre seus órgãos e agentes, dirigentesou
não, visando à legalidade dos seus atos.Em
função dessa competência, à administração pública é lícito rever os seus atos, anulando-os por vícioou
revogando-os por conveniência e oportunidade, e para punir os agentes que infringemO
capítulo abordará a regulamentaçãodo
artigo 163da
Constituição Federal e suaposterior tramitação
no
Congresso Nacionalcomo
acomposição
dos orçamentos públicos,que
depoisda
Constituição de 1988 receberam importância destacada,somado
ao fato que,com
a implantação da LeiComplementar
n°.10l/00, receberam ainda novas atribuições, o gestor público terácomo
norte, o orçamento, seja sua confecção e para sua execução,salientando que a
LRF
não revogou a Lei n.° 4320.5.1
Determinação do
artigo 163da
Constituição FederalDepois
de mais de dez anos dapromulgação da
Constituição Federal de 1988, o Executivo tratou de regulamentar o referido artigo, vários itensque
deverão ser reguladosatravés de lei complementar,
conforme
segue:-
finanças públicas;-
dívida pública interna e externa, incluídas as autarquias, fundações edemais
entidades controladas pelo poder público;-
concessão de garantias pelas entidades públicas;-
emissão e resgates de titulosda
dívida pública;-
fiscalização das instituições financeiras;-
operações decâmbio
realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados,Distrito Federal e dos municípios; e
-
compatibilização das funções das instituições oficiais de créditoda
união,resguardadas as características e condições operacionais plenas voltadas ao desenvolvimento regional.
A
LeiComplementar
n.° 101, de04
demaio
de 2000,não
atendeu a todos os itens especificadosno
artigo 163, tratandocom
ênfase o planejamentoda
ação pública, evitando malversaçãodo
dinheiro público e instituindo urna política de transparência dos atos23
5.2
Tramitação Legal
A
tramitação legal para sua posteriorhomologação
deu-sequando o
Executivo,através
da
Mensagem
Presidencialn
° 485, remeteu o projeto àCâmara
dos Deputados,enfatizando que
tem
como
objetivo a drástica e veloz reduçãodo
déficit público e aestabilização
do
montanteda
dívida públicaem
relação ao produto intemo brutoda
economia.
Conforme
Motta
(2000:23), após longo período de calmaria, o citado artigo 163 foi impactado por:-
emendas
constitucionais (den
° 3/93 e19/68) ;
-
por leis ordinárias (den
° 9.276/96; 9.692/98 e 9.491/97); e-
por leis complementares (den
° 82/95 e 96/99).O
anteprojetodo
regime fiscal responsável,com
111 (cento e onze) artigos, deu-seem
dezembro
de 1998, pelo Ministériodo
Planejamento e Orçamento, submetido à apreciaçãoda sociedade.
Na
mesma
ocasião, publicava-setambém
o anteprojeto de lei complementar, regulando os crimes de responsabilidade relativos ao artigo 163da
Constituição FederallO
anteprojetoda
LeiComplementar n
° 18/99 é a segundaversão,
também
com
111 (cento e onze) artigos, que foi remetidoCâmara
dosDeputados
em
13 de abril de 1999 pelo aviso n.°483 do
Ministérioda
Casa
Civil,acompanhado
da
Mensagem
Presidencialn
°485 de
13 de abril de 1999.
A
terceira versão, elaborada pelo relatorDeputado
Federal Pedro Novais,que
datado
dia20
de janeiro de 2000, reduziu e assumiu aforma
desub-emenda
substitutiva.A
quarta versão é o projetoda
LeiComplementar n
° 18-D, de 1° de fevereiro de 2000,com
76
(setenta e seis) artigos, apresentado pelo relatorda
comissão. Ocorreum
ajustamento redacional; quanto ao conteúdo, notam-semudanças
relativas à práticada
terceirização.A
quinta versão é o projeto de LeiComplementar n
° 18-E,de 2 fev. 2000, reduzido a 75 (setenta e cinco) artigos,
com
alteração numérica a partirdo
artigo 21 (vinte eum).
A
comissão especialPLP
n
° 18/99-
Responsabilidade Fiscal - realizou váriasaudiências públicas até a versão definitiva
da
Lei de Responsabilidade Fiscal.1
5.3
Elaboração
dosorçamentos
públicosA
Constituição Federal de 1988 trouxe inovações quanto à elaboração dos orçamentos, instituindo três leis orçamentárias entre si, sendo: plano plurianual, lei dediretrizes orçamentárias e lei orçamentária anual.
O
plano plurianual é mais abrangente que o plano plurianual de investimentos(substituído), estabelecendo
o
planejamento parao
entez.Tem
a função de determinar as diretrizes, os objetivos e as metasda
administração para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas a programas de duração continuada, abrangendo períodode
quatro anos.Na
definição deGiacomoní
(2000:204), despesas de capital “éuma
categoria declassificação de despesas incorporadas aos orçamentos públicos,
compreendendo
as seguintessubcategorias: investimentos, inversões financeiras e transferências de capital,
ou
seja, os recursos transferidos e outros entes para aplicaçãoem
despesas de capital.”Com
relação as despesas decorrentes das despesas de capital,Giacomoní
(2000:204)alerta para
um
problema
peculiardo
nosso país, “é conhecida a reverência dedicada aos investimentos, desconhecendo-se, quasesempre
que, a partir de sua conclusão, todo equalquer investimento demandará, para sempre, recursos de operação e manutenção.”
Os
programas de duração continuada, de acordocom
Giacomoní
(2000:204),“em
rigor,com
exceção dos investimentos,que
têm
prazos de início e conclusão, asdemais
açõesgovemamentais
inserem-seem
programas de duração continuada.”A
ação políticado
ente, serádefinida na
lei de diretrizes orçamentárias, inovaçãoda
Carta
Magna
de 1988,conforme
artigo 165, parágrafo 2.Assim
sendo a lei orçamentáriaanual, deixou de ser o único instrumento orçamentário.
A
lei de diretrizes orçamentários,ocupa-se
com
as metas e prioridadesdo
exercício seguinte, orientação para elaboraçãodo
orçamento programa, alterações
na
legislação tributária emudanças na
política de pessoal.A
Leide
Diretrizes Orçamentárias segundo dispostona
Constituição Federal:-
compreenderá
as metas e prioridadesda
administração pública federal;-
incluirá as despesas de capital para exercício financeiro subseqüente;-
orientará a elaboraçãoda
lei orçamentária anual;-
disporá sobre as alteraçõesna
legislação tributária; e-
estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.25
A
Lei OrçamentáriaAnual
é constituída por três orçamentos: fiscal, seguridade ede
investimentos das empresas.A
Lei Orçamentária Anual,conforme
a Constituição, éum
documento que
descrevecomo
secompensarão
as renúncias de receitas e osaumentos de
despesas de carátercontinuado; reserva de contingência definida
como
basena
receita corrente liquida para atendimento dos passivos contigentes e outros riscos,devendo
apresentar os anexos de demonstrativo de compatibilidadeda programação
e metas fiscais.Essas exigências
fazem
com
que
o planejamentoassuma
papel fundamentalna
gestão pública.Os
planos plurianuais, as leisde
diretrizes orçamentárias e os orçamentosanuais
não mais
podem
ser elaborados apenas para cumprir formalidade legal,como
por vezesse observa, superestimados e copiados de
um
exercício para o outro e deuma
entidade paraoutra,
sem
qualquercompromisso
com
o cumprimento de
programas e projetos e atividades neles previstos.Os
orçamentos públicos deverão ser compatíveiscom
a situação financeira presente e futura de cada órgão e entidade e representarcom
transparência a definiçãoda
políticaeconômico-financeira
da
Administração Pública e os programas de trabalhodo govemo.
5.4
A
Lei 4320/64 e a LeiComplementar
n.°101/2000
A
Lei n.° 4320, de 17 demarço
de 1964, estabelecenormas
gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados,do
Distrito Federal e dos municípios.A
LeiComplementar
n.° 101/2000não
revoga a Lei 4320/64.Os
objetivos das duaslegislações são distintos.
Enquanto
a Lei 4320/64 se refere anormas
gerais para a elaboraçãoe controle dos orçamentos e balanços, a Lei de Responsabilidade de Fiscal estabelece
nonnas
de finanças públicas voltadas para a gestão fiscal. Por outro lado, a Constituição Federal
deu
àLei n.° 4320/64 status de lei complementar.
No
entanto, existindo alguns dispositivos conflitantes entre as duasnormas
jurídicas, prevalece a vontadeda
leimais
recente.Como
a Lei n.° 4320/1964também
contém
regras sobre plano plurianual, para leide
diretrizes orçamentárias e para lei orçamentária anual, resulta que
há
inter-relacionamento dessas duas leis,uma
complementando
a outra, integrando-seem
alguns aspectos.Confirma
oque
estáno
parágrafo anterior a observação de TeixeiraMachado
eHeraldo
da
Costa Reis ,que
demonstra,com
proficiência, a vinculação dessas leis:Ocorre, porém que, o orçamento evolui para aliar-se ao planejamento, surgindo o orçamento-programa como especialização.
Há
mesmouma
corrente de pensamento que considera o orçamento ligado intrinsecamente ao planejamento e que ele nãopode aparecer como subproduto do planejamento e da contabilidade
Na
prática, ele deve operar ferramenta de ligação dos sistemas de planejamento e definanças.
Com
isto toma-se possível a operacionalização dos planos, porque os monetariza, isto é, coloca-osem
função dos recursos financeiros disponíveis,permitindo que o planejador tenha os pés no chão,
em
face das disponibilidades dosrecursos.
Verifica-se que pelo
menos
três pontosforam
alterados entre essas duas leis:-
conceito de dívida fundada;-
conceito deempresa
estatal dependentecom
todas as suas implicações legais; e-
algumas classificações orçamentárias.O
projeto de leicomplementar
enviado pelo Poder Executivocom
o objetivo desubstituir a Lei 4320/64 continua
em
tramitaçãono
Congresso Nacional até o presentemomento.
3
MACHADO,
Jr., José Teixeira, REIS. Heraldo da Costa.
A
Lei 4320 comentada. 30 ed. Rio de Janeiro: IBAM,6
MOTIVAÇÓES
PARA
IMPLANTAÇÃO
DE
UMA
LEI
FISCAL
A
Leide
Responsabilidade Fiscal foi oriunda de fatores desencadeados dentro tantodo
Brasil,como
no
exterior.Desde o ano
de 1994 o governo brasileirovem
paulatinamente implantando asreformas
em
relação à gestão fiscal,no
intuito de saneá-la.A
primeira ação, assim pode-se denominar, foi oFundo
Social de Emergência.Em
seguida,uma
série demedidas foram
tomadas. Neste sentido,
advêm:
-
Lei Kandir (LeiComplementar
n.° 87/97);-
fundo demanutenção
e desenvolvimentodo
ensino fundamental e valorizaçãodo
magistério-
FUNDEF
-(Emenda
Constitucional n.° 14);-
asemendas
constitucionaisda
reforma administrativa(Emenda
Constitucional n.° 16);-
reformada
previdência; e-
principalmente oprograma
de estabilidade fiscalem
curso.No
plano externo, serão ressaltados os principais relacionamentosda
legislação brasileiracom
a de outros países, as orientações referentes à gestão fiscaldo
Fundo
Monetário Intemacional.
6.1 Fatores internos
O
ceme
da
Lei de Responsabilidade Fiscal éo
estabelecimento deuma
nova
culturada
gestão pública brasileira, sobretudodo
ponto de vista comportamental aoimpor
limitações, aos administradores públicos, estabelecendo regras claras para o planejamento,responsabilidade dos atos praticados e
mantendo
transparênciaAssim
sendo, pode-seenumerar
como
ações eficazes, para atingir os objetivosna
gestão fiscal:-
ajustamento fiscal duradouro;-
refonnaeconômica
orientada para o mercado;-
reformada
previdência social;-
inovação dos instrumentos de política social,aumentando
a abrangência e a-
refonnado
Estado para oaumento da govemança.
6.2 Fatores externos:
Código de
Boas
Práticaspara
aTransparência
Fiscaldo
FMI
eoG7
-Grupo
dos Sete Paísesmais
DesenvolvidosEm
setembro de 1996,o Fundo
Monetário Intemacional publicou a Declaraçãosobre Parceria para
o
Crescimento Sustentávelda
Economia
Mundial
(Pastnershzp forSustainable Global
Growth)
e,em
setembro de 1997,numa
reuniãoem
Hong
Kong,
divulgou oCódigo
deBoas
Práticas para a Transparência Fiscal,o
trecho destacadodo
Código
realça os seus principais aspectos (apudCASTRO,
2000: 17)4:Graças a sua experiência na área de gestão das finanças públicas e à universalidade
de seus paises membros, o
FMI
está bem situado para liderar a promoção deuma
maior transparência fiscal. Assim, o Comitê Interino procura estimular os paísesmembros a aplicarem o presente Código de Boas Práticas para a Transparência
Fiscal. Este Código baseia-se nos seguintes objetivos primordiais: definição clara
das funções e responsabilidades do govemo; divulgação de informações ao público sobre as atividades do govemo; abertura na preparação e execução do orçamento,
bem como na prestação das contas orçamentárias; e avaliação independente da
integridade das informações fiscais.
O
Código define os princípios e práticas que os governos devem adotar para cumprir estes objetivos. Estes princípios e práticas se inspiram nos conhecimentos obtidos peloFMI
sobre as práticas de gestão financeira pública dos paises membros.O
Código facilitará a vigilância das politicaseconômicas pelas autoridades nacionais, mercados financeiros e instituições intemacionais.
A
valiado Código
é enfatizada peloFMI, que
ressaltaque
ao público deveria serproporcionada informação completa sobre a atividade fiscal
do
govemo
do
passado,do
presente e a projeção demn
compromisso
público deveria ser feitacom
a publicação oportunada
infonnação fiscal.Os
próprios paises desenvolvidos, intituladosG7
-Grupo
dos Sete Paisesmais
Desenvolvidos (Estados Unidos, Canadá, França, Inglaterra,
Alemanha,
Itália e Japão)5,conforme
sustenta Castro (2000), que a pretexto de construíremuma
nova
ordem
supranacionalque
a todos beneficiará,querem
mesmo
é preservar os seus próprios interesses.Senão vejamos
(CASTRO,
2001:17 e 18):Nesta economia global crescentemente integrada, na qual a formulação de politicas
cabe principalmente aos Estados Soberanos, nosso desafio é o de promover a .estabilidade financeira global, atuando nacionalmente e por intermédio do incremento da cooperação intemacional. Todos os países, juntamente
com
as4
FUNDO MONETÁRIO
INTERNACIONAL
~Código de Boas Práticas para Transparência Fiscal. Disponível
em: <htpp:www.im£org/extemal/np/fad/tms/por/codep.pdf> Acessado em: 21 fev. 2002.
5
A
29
organizações financeiras internacionais, assim como o setor financeiro privado, precisam, compartilhar desta responsabilidade comum.Acordamos
em
adotar medidas para incrementar a eficácia doFM]
e das instituições internacionais, inclusive para; alcançarum
monitoramento mais eficiente dos compromissos de políticas, não só enquanto estiverem pendentes empréstimos, mastambém após término do programa de condicionantes, a
fim
de reforçar osincentivos ao
bom
desempenho.Os países classificados como mercados emergentes precisam adotar políticas
macroeconômicas responsáveis, inclusive no tocante à estabilidade do regime de
câmbio e políticas fiscais prudentes. Eles devem aderir aos princípios saudáveis de
administração da dívida...
6.3 Fatores e
modelos
externos:de
outros paísesCom
o objetivo de instaurar a lei brasileira, buscou-seno
contextomundial
subsídios para a sua elaboração, inovandoem
diversos aspectos, e foi neste aspectoque a
mesma vem
obtendo êxitoem
detrimento aos outros países. Principalmenteno que
tange asua aplicabilidade,
no
Brasil, todos os entes são incluídos, ao contrário por exemplo,da
Argentina,que
as províncias não estão inclusas.Inicialmente, para ter visão
do
contexto mundial, analisar-se~áo
artigo deDantas
(2002) ,
que
enaltece a legislação brasileira tidacomo
das melhores,quando
se tratada
gestãofiscal.
No
segundo semestre de 1999, seguindo uma tendência que afetou diversos países, a Argentina adotouuma
“Lei de Solvência Fiscal”, comum
espírito parecido com o daLRF
aprovada pelo Brasil no ano passado. Dois anos depois, o setor público argentino está, na prática, falido, e o país,em
meio auma
profunda recessão, estásendo obrigado a renegociar sua dívida.
Este fato, à primeira vista, encobre com
um
véu de ceticismo as esperanças depositadas nas leis de responsabilidade fiscal que proliferaram na década de 90como antídoto para a tendência à
má
gestão fiscal de países emergentes, especialmente na América Latina (...)Em outras palavras, as diversas legislações criadas para controlar a gastança irresponsável variam muito de país para país, e leismalfeitas adiantam muito pouco.
“No Brasil, se investiu muito mais na LRF,
em
termos sociais e políticos, do que noPeru ou na Argentina”, avaliou o economista Juan Carlos Lerda, Cepal. Peru e Argentina têm leis fiscais desde 1999 - antecedem, portanto, a brasileira, que entrou
em
vigorem
maio de 2000. ”Falhas -
No
caso argentino, a lei fiscal tem falhas graves, segundo observou CarlosOliva, consultor de assuntos fiscais do
BNDES
e da Cepal.A
primeira e sériaomissão da Lei de Solvência Fiscal argentina, afinna, é que não inclui os govemos
"subnacionais", isto é, as províncias, no controle de gastos. Apenas o govemo
central está sujeito às regras.
A
importância desta falha ficou clara na recente queda-de-braço entre o govemo central argentino e as provínciasem
tomo do volume de repasses de recursos do primeiro para as últimas. Esse embate, aliás, foium
dos fatores que acabouimpossibilitando o cumprimento do compromisso de déficit zero e contribuiu para erodir ainda mais a credibilidade do país perante a comunidade financeira global eo FMI.
Mas
a inconsistência da lei fiscal argentina é ainda mais profimda, como notou Olivaem
um
estudo sobre LRFsem
diversos países. "Os limites para o déficit público (dalei argentina) se aplicam ao setor público não-financeiro, mas as províncias são
Isto cria
um
problema: quem é responsável se as metas não forem alcançadas?,argumentou, referindo-se à previsão de alcançar o equilíbrio fiscal até 2005.
É
poristo que no item “atribuição de responsabilidade' (“accountability') do quadro, a
Argentina, com o Peru (que tem
um
problema semelhante) são os únicos países cujas leis fiscais "não têm" aquele pré-requisito indispensável (...)6.3.1 Fatores externos:
Comunidade
Econômica
Européia
O
processo de integração daComunidade Econômica
Européia já dura quasemeio
século, oriundo
do
Tratado deRoma. Assim
sendo, Figueiredo (2001:21) enfatizaque
“qualquer
mudança
ou
estabelecimento ésempre
resultantede
um
longo processo dediscussão, feito de
amadurecimento
democrático”, fazendo crítica ao sistema adotadono
Brasil,onde
otempo
de elaboraçãoda
legislação até a sua efetivapromulgação
ocorreu dentrode alguns anos.
Destaca-se
na
legislação brasileira, inspiraçãodo
modelo
da
Comunidade
Econômica
Européia, os seguintes aspectos:-
metas e puniçõesem
protocolos;-
admite desvios desdeque
mantida a tendência de ajuste; e~
os estadosmembros
conduzem,
com
relativa independência, suas próprias políticas, quedevem
convergir para os critérios acordados.6.3.2 Fatores externos: Estados
Unidos
da
América
Os
dois principais preceitosda Bedget Enforcement Act
são: sequestration eo
pay
as
you
go,podendo
ser traduzidas para o português, respectivamente, para limitaçãode
empenho
e compensação.O
Congressofixa
metas fiscais plmianuais e limites de gastos orçamentários por função e limites gastos. Despesas obrigatóriastambém
são limitadas pormecanismos
distintos.
A
legislação que cria as despesas obrigatórias deve se ajustar aos limites (processopay as
you
go) e enquanto que as despesas discricionárias,também
sujeitas a limites, estãosubmetidas ao seqüestro automático.
Para Figueiredo (2001:24),
o
sistema norte-americano apresenta as seguintes definições:A
limitação de empenho (sequestration) consiste na proibição de empenharcom
oespírito proposital de garantir a eficácia dos limites e das metas orçamentárias
estabelecidas para as receitas e despesas.
Ao
passo que a compensação (pay as you go) parte de princípios de neutralidade orçarnentáiia, ou seja, qualquer ato que31
permanente de receitas ou reduçao permanente de despesas. Observa-se que no
modelo americano esses dois mecanismos se completam na busca do equilíbrio fiscal.
6.3.3 Fatores externos:
Nova
ZelândiaO
Ato
de Responsabilidade Fiscaló,promulgado
em
1994, estabelecenormas
jurídicas para a transparênciada
política fiscal e a prestação de contas etoma
0
govemo
formalmente responsável perante o público pelo
desempenho
dasfinanças
públicas.A
abrangência
da
lei esta restritaao
setor públiconão
financeiro.O
processo de reforma gerencial foi bastante longo (de1984
e 1994), passando porduas gestões distintas,
buscando
utilizarmais
efetivamente as forçasde
mercado
para garantira competitividade internacional
do
país. Para tanto, foi necessárioaumentar
a eficiênciado
setor público,bem como
a transparência das contas dos serviços públicosem
relação ao Executivo e ao Parlamento,embora
também
tenha havido muita preocupaçãocom
custossociais e gastos
na manutenção do
setor público pComo
resultadoda
reforma administrativa,promoveu-se
neste paisuma
transfonnação radical
do
setor público.A
grande maioria dos serviços prestados pelo podercentral foi transferida para as
chamadas
agências públicas descentralizadas.Foram
alteradosos critérios de relação trabalhista,
com
a transfofmação de todos os funcionários públicosem
profissionais contratados, e condicionada sua pennanência ao
desempenho
das funções emetas estabelecidas, resultando, assim, condições para a sociedade cobrar da agências os
efeitos esperados.
Anterior ao