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(2) 2 . ALINE FERNANDA LIMA . O J ORNAL PASTORAL DA CRIANÇA COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA . Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós Graduação em Comunicação Social, da Umesp – Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Profa. Dra. Cicília Maria K. Peruzzo . Univer sidade Metodista de São Paulo Programa de PósGr aduação em Comunicação Social São Bernar do do Campo, 2007.
(3) 3 . FOLHA DE APROVAÇÃO . A dissertação O JORNAL PASTORAL DA CRIANÇA COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA, elaborada por Aline Fernanda Lima, foi defendida no dia ............. de .................., tendo sido: . ( ) Reprovada ( ) Aprovada, mas deve incorporar nos exemplares definitivos modificações sugeridas pela banca examinadora, até 60 (sessenta) dias a contar da data da defesa. ( ) Aprovada ( ) Aprovada com louvor . Banca Examinadora: . Cicília Maria Krohling Peruzzo (Presidente da Banca) . Joana T. Puntel . Sandra Reimão . Área de concentração: Processos Comunicacionais . Linha de Pesquisa: . Projeto temático.
(4) 4 . DEDICATÓRIA . Dedico este trabalho a todos aqueles que se encantam com a solidariedade, com verdade, com a justiça, com o respeito, com o amor, com a paz, com o espírito voluntário; encantamse, sobretudo, com o homem enquanto criatura de Deus e, para que este encanto se reverta em compromisso, acontecem!.
(5) 5 . EPÍGRAFE . Ninguém é capaz de dar a voz para o Brasil inteiro, tem que ter um instrumento! (Dra. Zilda Arns).
(6) 6 . AGRADECIMENTOS . Agradeço a Deus pela vida. Agradeço aos meus pais, Sônia e José Camilo, pelo exemplo. Agradeço aos meus irmãos, Camila, Samuel e Lucas, pelo respeito. Agradeço aos meus avós, Ranulfo e Elza, pela persistência. Agradeço aos meus sobrinhos, Caetano e Davi, pela alegria. Agradeço ao Gustavo pelo companheirismo. Agradeço aos meus amigos pelo carinho e disposição em ajudar Agradeço aos meus mestres (de hoje e de sempre) pelo incentivo. Agradeço aos meus alunos pela motivação Agradeço à profa. Dra.Cicília Peruzzo pela sabedoria. Agradeço à Universidade de Taubaté e às Faculdades Integradas Teresa D’Ávila pelo apoio. Agradeço à Pastoral da Criança pelo sonho. Agradeço a todas as coordenadoras da Pastoral da Criança da Arquidiocese de Aparecida pela realização do sonho..
(7) 7 . LISTA DE TABELAS, DE ILUSTRAÇÕES E GRÁFICOS . Figura 1: Configuração de redes (tipos) . 46 . Figura 2: Configuração geral de um momento de rede 46 Figura 3: Logomarca da Pastoral da Criança 90 Figura 4: Organograma da Pastoral da Criança 95 Tabela 1: Situação de abrangência da Pastoral da Criança no 3º trimestre de 2006 97 Figura 5: Foto do Armazenamento dos 260.000 exemplares do Jornal da Pastoral da Criança do mês de dezembro de 2006 121 Figura 6: Foto da Pasta de Registro dos assuntos de interesse do Jornal, material da coordenadora Maria Auxiliadora de Abreu (Paróquia São Francisco, Guaratinguetá/SP) 146.
(8) 8 . SUMÁRIO . Resumo Resumem Abstr act Intr odução . 13 . Capítulo I – Movimentos Sociais: os atores da sociedade civil na constr ução da cidadania 19 1. 2. 3. 4. 5. 6. . Movimentos sociais, em busca de um entendimento Importantes suportes conceituais para a compreensão dos movimentos sociais O papel dos movimentos sociais Sociedade civil, espaço de socialização e atuação dos movimentos sociais Movimentos sociais no Brasil O cenário atual e as perspectivas para os movimentos sociais . 21 26 28 31 39 43 . Capítulo II – A comunicação em favor da ação coletiva 50 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. . Conhecendo a comunicação no contexto popular Comunicação comunitária Comunicação radical alternativa Comunicação popularalternativa Comunicação como dimensão expressiva dos movimentos sociais Cidadania: história e comunicação A comunicação na Igreja Católica . 51 53 54 56 62 68 77 . Capítulo III – Pastor al da Cr iança: missão e comunicação 85 1. 2. 3. 4. 5. . A infância como o centro da reflexão: o que se diz das políticas públicas Pastoral da Criança: história e organização Pastoral da Criança: mística e prática Pastoral da Criança e a ação voluntária das lideranças A comunicação da Pastoral da Criança . 86 90 99 102 103.
(9) 9 . Capítulo IV – O J or nal da Pastoral da Cr iança: a comunicação a ser viço da cidadania 109 1. O Jornal da Pastoral da Criança: estrutura e organização . 113 . 1.1. História 1.2. Conteúdo e dinâmica de trabalho 1.3. Equipe responsável 2. O Jornal da Pastoral da Criança e comunicação da Pastoral da Criança . 115 117 122 123 . 3 . 2.1. Comunicação com vistas à ação Comunitária 2.2. Linguagem popular 2.3. Instrumento de formação contínua 2.4. Transformação social 2.5. Sentimento de pertença O Jornal da Pastoral da Criança na prática comunitária . 124 125 126 128 132 133 . 3.1. A Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida 3.2. Entendimento do papel do Jornal da Pastoral da Criança 3.3. O uso do Jornal da Pastoral da Criança na comunidade A leitura do Jornal Assuntos de maior interesse Como é utilizado A participação no envio das informações Instrumento para a construção da cidadania O Jornal faz a diferença? . 134 137 143 143 146 149 152 155 158 . Conclusão . 161 . Refer ências . 169 . Anexos . 176 . Anexo 1 – Equipe da Coordenação Nacional do Jornal da Pastoral da Criança Anexo 2 – Coordenadoras da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida Anexo 3 – Roteiro de entrevista com a equipe da coordenação nacional do Jornal da Pastoral da Criança Anexo 4 – Roteiro de entrevista com as coordenações da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida Anexo 5 – Exemplar do Jornal da Pastoral da Criança . 177 179 183 186 189.
(10) 10 . RESUMO Tratase de um estudo sobre o papel do Jornal Pastoral da Criança enquanto instrumento de comunicação popularalternativa em auxilio a prática social das lideranças comunitárias da Pastoral da Criança da Arquidiocese de Aparecida. Seu principal objetivo é entender o tratamento que a entidade tem dado à comunicação por ela realizada e as contribuições que o Jornal, importante canal de comunicação da Pastoral da Criança com suas bases, tem oferecido para a promoção da missão da entidade e para a construção da cidadania nas comunidades. Este estudo parte de uma reflexão sobre movimentos sociais, comunicação popularalternativa e cidadania e incorpora, para o direcionamento das reflexões, os pensamentos dos principais autores dessas áreas. A metodologia, de natureza qualitativa, baseiase em pesquisas bibliográficas e documentais e entrevistas semiestruturadas, com cinco membros da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, uma coordenadora arquidiocesana, quinze coordenadoras paroquiais da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida. A pesquisa revela, entre outras resultados, que o Jornal figurase como um instrumento de comunicação popularalternativa próprio dos movimentos sociais do século XXI e que as lideranças comunitárias têm papel fundamental no bom uso do material, o que conseqüentemente promove ou não cidadania. . Palavraschave: movimentos sociais, sociedade civil, comunicação popularalternativa, cidadania, Pastoral da Criança, Jornal da Pastoral da Criança..
(11) 11 . RESUMEM Se trata de un estudio sobre el papel del periódico Jornal Pastoral da Criança como instrumento de comunicación popular alternativa en apoyo a la practica de los liderazgos comunitarios de la Pastoral da Crianza de la Arquidiocese de Aparecida . Su principal objetivo es comprender el tratamiento que la entidad suministra a la comunicación por ella realizada y la contribución que el periódico, importante canal de comunicación de la Pastoral . da Crianza con sus bases ofrecen para la promoción de la misión de la entidad y para la construcción de la ciudadanía en las comunidades. Este estudio parte de la base teórica sobre movimientos sociales, comunicación popularalternativa y ciudadanía e incorpora para el direccionamiento de las reflexiones los pensamientos de autores del área. La metodología, de naturaleza cualitativa, se basa en investigaciones bibliografias y documentales y entrevistas semiestructuradas, con cinco miembros de la Coordinación Nacional de la Pastoral da Criança , una coordinadora de la Arquidiocese , quince coordinadoras de las parroquias de la Pastoral da Criança en la Arquidiocese de AparecidaLa investigación revela, entre otras cuestiones, que el periódico es un instrumento de comunicación popular alternativa, propio de los movimientos sociales del siglo XXI y que los liderazgos comunitarios tienen papel fundamental en el buen uso del material, que consecuentemente suscita o no ciudadanía. . Palabrasclave: movimientos sociales, sociedad civil, comunicación popular alternativa, ciudadanía, Pastoral da Crianza , Jornal Pastoral da Crianza.
(12) 12 . ABSTRACT This paper is about the role of Pastoral of the Child newspaper as a popularalternative communication instrument to assist the social practices of Pastoral of the Child Archdiocese communitarian leaderships, in the city of Aparecida. The main objective is to understand the treatment that the entity has given to their communication and the contribution that the newspaper, an important communication tool from Pastoral of the Child, has been offering for the entity mission promotion and for the communities´ citizenship construction. This study is based on the social movements theory, popularalternative communication and citizenship and uses thoughts from authors specialized on those subjects. The methodology, of qualitative nature, is based on bibliographical and documental researches and halfstructured interviews with five members of the National Coordination of the Pastoral of the Child, one coordinator from the Archdiocese, fifteen parochial coordinators from the Pastoral of the Child, at the Archdiocese in Aparecida. The research reveals, among other matters, that the newspaper is seen as a proper popularalternative communication instrument of the XXI century social movements and that the communitarian leaderships have a fundamental role in the good use of the material, which consequently promotes or not citizenship. . Keywords: social moviments, civil society, popularalternative communication, citizenship, Pastoral of the Child, Pastoral of the Child Newspaper.
(13) 13 . Intr odução O interesse em compreender o papel do Jornal Pastoral da Criança enquanto instrumento de comunicação popularalternativa, com vistas à construção da cidadania no âmbito das comunidades, nasceu de uma experiência comunitária muito forte vivida no ano de 2003, tratase de uma participação no programa “Universidade Solidária”. Em fevereiro daquele ano, eu e mais dez alunos da Universidade de Taubaté, por cerca de vinte e cinco dias, nos dirigimos à cidade de Cabrobó, sertão do Estado de Pernambuco para desenvolvermos atividades junto à comunidade. Em uma das diversas atividades realizadas, depareime com o trabalho da Pastoral da Criança e me surpreendi com a dimensão das ações e com a qualidade dos materiais de comunicação que chegavam até a líder daquela comunidade que se encontrava tão distante. Naquele momento percebi que a Pastoral da Criança tinha uma dinâmica muito especial de ação social e, como comunicadora, encantei me com a estrutura comunicativa colocada à disposição dos trabalhos sociais desenvolvidos. Estava ali a semente do estudo ora realizado. A importância deste estudo advém, sobretudo, da extensão do trabalho comunitário desenvolvido pela Pastoral da Criança em mais de 42.000 comunidades brasileiras, atendendo cerca de 1.914.869 crianças menores de seis anos, a partir da ação voluntária de 272.794 pessoas. Essas comunidades recebem mensalmente o Jornal Pastoral da Criança; são 260.000 exemplares distribuídos para todos os líderes comunitários do país. O Jornal funciona como um meio de comunicação que auxilia no trabalho, ajuda na formação continuada das lideranças e desenvolve a socialização da informação por meio da participação dos voluntários no processo de concepção e construção do produto. Outro fator de destaque deste estudo está na compreensão das estruturas comunicacionais dos movimentos sociais da atualidade e da possibilidade de entender como um meio de comunicação vem contribuindo para a ação social das comunidades. Outro incentivo à reflexão sobre o Jornal Pastoral da Criança está relacionado a pouca reflexão realizada sobre as questões comunicativas da entidade, principalmente sobre o Jornal Pastoral da Criança, o papel que ele assume na prática social das comunidades, sua função enquanto instrumento de comunicação, sua utilização com vistas à construção da cidadania, assim como, a verificação dos pressupostos que norteiam sua proposta enquanto material comunicativo em meio aos movimentos de base. Nesse sentido, podemos afirmar, que várias.
(14) 14 . razões nos incentivaram ao desenvolvimento dessa pesquisa, sendo elas de ordem acadêmica e pessoal, haja vista a admiração pelo trabalho desenvolvido pela Pastoral da Criança junto às comunidades. Diante de um cenário instigante e das perguntas que foram se avolumando a respeito do papel desse importante meio de comunicação nos meios populares, dirigimos nossa reflexão para a compreensão do papel do Jornal Pastoral da Criança, buscando entender como esse meio de comunicação da Pastoral da Criança auxilia na missão da Pastoral e, como esse instrumento de comunicação popularalternativa tem sido utilizado nas comunidades e auxiliado na construção da cidadania. Para o desenvolvimento da reflexão foram, então, dirigidos alguns objetivos, os quais buscaram, num primeiro momento, compreender os elementos que constituem o Jornal Pastoral da Criança (equipe, organização, formato, distribuição, função), olhando especificamente, para os ideais que norteiam sua presença dentro do conjunto de elementos comunicativos da Pastoral da Criança. Outro interesse da pesquisa está em saber como as comunidades entendem o Jornal, como utilizamno e como aplicam os conteúdos na ação concreta do movimento. Uma questão fundamental a ser compreendida, diz respeito à participação das bases na configuração do Jornal (envio de matérias, forma de participação, críticas, sugestões), assim como, a contribuição desse instrumento de comunicação para a implementação das propostas da entidade e para a construção da cidadania nos espaços onde é utilizado, nas comunidades. Assim posto o problema e os objetivos, pode parecer demasiadamente amplo e difícil caminhar com vistas ao encontro das respostas, isso devido à compreensão de um universo tão grande como o da Pastoral da Criança. Para a viabilização do processo investigativo empírico, dirigiuse o foco de análise para a realidade particular da Pastoral da Criança da Arquidiocese de Aparecida, jurisdição eclesiástica situada na região do Vale do Paraíba, Estado de São Paulo, que conta com a presença de Pastoral da Criança em dezesseis paróquias, das dezessete organizadas. Nesse universo foram entrevistadas quinze coordenadoras paroquiais ou de ramo (aquelas que orientam o trabalho das comunidades e das líderes comunitárias), uma coordenadora Arquidiocesana (coordena o trabalho das paróquias) e três líderes comunitárias (desenvolvem as ações junto às comunidades). A escolha desse universo de pesquisa é devido ao destaque da Arquidiocese no âmbito da organização da Igreja Católica do Brasil. Neste espaço se encontra o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, um dos maiores santuários marianos do mundo, também se pode destacar o fato de a Arquidiocese, neste ano,.
(15) 15 . ser a sede da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe (CELAM, de 13 e 31 de maio de 2007) e de receber o Papa Bento XVI, em sua primeira visita apostólica ao Brasil. Outro elemento direcionador da escolha do universo de pesquisa é o fato de o pesquisador ser morador da região e grande admirador do trabalho desenvolvido pela Pastoral da Criança. Vale destacar que a Arquidiocese de Aparecida compreende o conjunto de dezessete paróquias, localizadas nas cidades de Aparecida, Guaratinguetá, Lagoinha, Potim e Roseira e que as entrevistas com as coordenações ocorreram entre os meses de novembro e dezembro de 2006. Também se aplicou entrevista junto à equipe nacional de coordenação do Jornal Pastoral da Criança (lideranças, coordenação, jornalista e diagramador), a qual trouxe importantes colaborações para o entendimento da proposta do Jornal e da comunicação da Pastoral como um todo. A coleta de dados ocorreu no mês de novembro de 2006 na sede da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, situada na cidade de Curitiba/PR. Toda a coleta de dados teve a preferência pelo uso das entrevistas semiestruturadas, por conseguir “tratar da amplitude do tema, apresentando cada pergunta de forma mais aberta possível” (DUARTE, 2005, p.62), além de oferecer mais riqueza e profundidade de informação. Para o direcionamento das entrevistas, elaborouse um roteiro de questõesguia, diferente para cada público, o qual se caracterizou como um norteador das conversas. Todas as entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas, o que possibilitou ao entrevistador manter uma conversa mais natural e mais atenta às questões centrais dos assuntos que envolvem o objeto de estudo em questão. Também foram usadas algumas anotações sobre elementos pontuais das entrevistas. A coleta de dados em campo se deu após a realização de pesquisa bibliográfica, a qual possibilitou a reflexão teórica dos assuntos pertinentes ao tema central do trabalho, como movimentos sociais, sociedade civil, comunicação popularalternativa e cidadania. Outros temas de ordem secundária como comunicação comunitária, comunicação radical, políticas públicas sobre a infância no Brasil, foram trazidos para clarificar questões que também envolvem o objeto de estudo. Para a devida reflexão dos conceitos que sustentam esta dissertação, utilizamos, como principais referências bibliográficas, as contribuições de autores como Maria da Glória Gohn, Cicília Maria Krohling Peruzzo, Listz Vieira, Alberto Melucci, Regina Festa, John D. H. Downing, Máximo Simpson Grinberg, Luiz Gonzaga Motta, Joana Puntel, Paulo Freire, dentre outros pensadores que se dedicaram a compreender o contexto dos movimentos sociais, da comunicação popularalternativa e da cidadania..
(16) 16 . Os documentos e materiais institucionais como o site da Pastoral da Criança, o Informativo Institucional e informações sobre o setor de Relações Institucionais, também foram utilizados e, seus conteúdos, ofereceram compreensão sobre a organização do trabalho da Pastoral da Criança e do seu sistema de comunicação. Vale destacar que a metodologia de caráter qualitativo, que embasou todo o processo de pesquisa, não deseja definir o tamanho ou a quantidade do fenômeno, tão pouco generalizar ou gerar conclusões, mas sim vislumbrar tendências e leituras que nos levem a um diálogo inteligente e crítico sobre o fenômeno estudado, o Jornal Pastoral da Criança. A questão que se apresenta e instiga, levanos a fazer algumas proposições sobre o universo pesquisado e a apontar algumas hipóteses sobre as principais questões do nosso estudo. Assim, ao olharmos para a comunicação desenvolvida pela Pastoral da Criança e trabalhada na proposta comunicativa do Jornal Pastoral da Criança, a ação da comunidade, podemos indicar que: a) A comunicação da Pastoral da Criança e desenvolvida pelo Jornal presentam suas bases fundamentadas nos pressupostos da comunicação popularalternativa, cujo ideal é promover a participação das comunidades, ligando as ações sociais e pastorais da Pastoral da Criança às necessidades do povo. b) As comunidades utilizamse do Jornal Pastoral da Criança. Se considerarmos a diversidade de realidades, as experiências, as demandas e as diferentes funções atribuídas ao Jornal, há de se entender que seu uso é múltiplo e variado. c) As comunidades entendem o Jornal da Pastoral da Criança como um meio de informação e formação para o trabalho comunitário, hora apresentandose como um estímulo à ação, hora apresentandose como um meio de identificação, haja vista a forte presença das comunidades nas páginas do Jornal. d) O Jornal Pastoral da Criança é utilizado e valorizado, pois colabora para a realização do trabalho pastoral e para a transformação das realidades, traduzindose como um autêntico instrumento de comunicação popularalternativa em favor da construção da cidadania. De tal sorte, essa pesquisa, ao longo de seus quatro capítulos, percorre um caminho que busca apresentar o Jornal da Pastoral da Criança como um instrumento de comunicação popularalternativa com vistas à construção da cidadania. Para isso, promove um estudo conceitual e um estudo empírico indo às instâncias organizativas e comunitárias. O traçado deste caminho está disposto nos capítulos do presente trabalho..
(17) 17 . No primeiro capítulo, conheceremos as diversas reflexões que cercam o universo dos movimentos sociais, as teorias que objetivam definilo, as funções e características desses atores sociais na sociedade, e seu entendimento enquanto espaço de socialização e atuação da sociedade civil. Também se verificou a trajetória histórica dos movimentos sociais no contexto da sociedade brasileira, chegando à compreensão sobre o perfil e o papel dos atores na sociedade atual. Somente a partir dessa reflexão, foi possível entender a dinâmica social e comunitária que norteia a atuação da Pastoral da Criança. No segundo capítulo serão demonstrados, por meio de pesquisa bibliográfica, os conceitos sobre a comunicação característica dos movimentos sociais, a comunicação popularalternativa. A construção deste referencial teórico partiu de uma leitura diversa dos tipos de comunicação entendidos como aqueles desenvolvidos em favor da ação social dos movimentos de base, seja a partir das diferentes formas de manifestação da comunicação (meios, instrumentos, estratégias, abordagens, conteúdos), seja pela própria compreensão e caracterização daquilo que se entende por comunicação voltada para consciência social e construção da cidadania. Assim, foram trazidos os pensamentos sobre comunicação comunitária, comunicação radical, popular, alternativa, para enfim, construirse a compreensão da comunicação própria dos movimentos sociais, a comunicação popular alternativa. Nesse capítulo, também se buscou entender como a Igreja Católica, instituição na qual a Pastoral da Criança sustenta sua organização e mística, vem trabalhando a comunicação de viés popular. Uma reflexão fundamental trazida pelo segundo capítulo foi o entendimento do conceito de cidadania, sua trajetória na história e sua relação com a comunicação. O terceiro capítulo que buscou sustentação em documentos e materiais institucionais apresentará a entidade objeto de pesquisa a fim de permitir uma compreensão de sua história, de sua função social e da dimensão do seu trabalho junto às comunidades. Essa compreensão da Pastoral da Criança, no entanto, estará associada a uma leitura sobre o cenário das políticas públicas dirigidas à infância, um dos destaques do capítulo O principal enfoque está em construir, por meio desta compreensão da entidade, seu papel enquanto movimento social característico da atualidade. Entendemos que esta apresentação pede também que se aponte toda o sistema de comunicação desenvolvido pela Pastoral da Criança, assunto também abordado. No capítulo quatro, apresentaremos o objeto de estudo em si, ou seja, o Jornal Pastoral da Criança e toda a compreensão do seu papel enquanto instrumento de comunicação popularalternativa, cuja apresentação trará informações da estrutura do Jornal, da sua.
(18) 18 . organização, bem como, da proposta enquanto instrumento de comunicação em favor do trabalho comunitário da entidade. Essas informações serão demonstradas por meio de análises dos resultados das entrevistas semiestruturadas feitas com a equipe da coordenação nacional do Jornal Pastoral da Criança e com as coordenadoras paroquiais e arquidiocesana da Pastoral da Criança da Arquidiocese de Aparecida. Os dados apontarão como é pensado o Jornal dentro da missão da entidade e como é utilizado na ação comunitária das paróquias, assim será possível perceber como se dá a construção da cidadania pelo Jornal Pastoral da Criança. Com essa configuração, a dissertação pretende apontar, a partir da experiência do Jornal Pastoral da Criança, a participação da comunicação popularalternativa no trabalho dos movimentos sociais de hoje, sua contribuição para a ação comunitária e para a construção da cidadania. Sabemos, contudo, que este estudo é um olhar muito particular de uma realidade também, muito particular, mas que tem um grande sentido para muitas pessoas e para o pesquisador, de modo especial..
(19) 19 . Capítulo I Movimentos Sociais: os ator es da sociedade civil na constr ução da cidadania Na sociedade em que vivemos, regida pelas relações estabelecidas entre as instituições sociais e por uma avançada tecnologia (sistema global de comunicação), um número ilimitado de organismos surge para atender as demandas sociais e mercadológicas. O que se percebe é a intensificação das relações e a alteração do sentido de local e global, questões que promovem, cada vez mais, uma interdependência entre as partes (Estados, mercados, e até pessoas) e o desenvolvimento de uma conexão entre o mundo. Fatores políticos, sociais, culturais e econômicos convergemse na busca de um modelo único de vida. No século XXI, a sociedade é mais interdependente. Antony Giddens (2005, p.61) aponta que, ao adotarmos uma maneira global de vermos o mundo, tornamonos mais conscientes de nossas ligações com os povos de outras sociedades e conseqüentemente mais responsáveis por nossas ações, já que estas ações geram efeitos sobre todos. O que verificamos, no entanto, com o desenvolvimento da sociedade e da globalização, além dos benefícios da tecnologia, do avanço da ciência, do estabelecimento de novas formas de relação política, social e econômica entre os países e da aclamada aproximação dos indivíduos, é uma profunda alteração nas experiências cotidianas. O modo como agimos, pensamos e nos relacionamos com os outros é alterado, buscamos uma identidade e um espaço em instituições que estão perdendo sua concepção original – a família, o trabalho, a religião , e isso nos leva a uma redefinição de papéis e de conceitos. Por outro lado, percebemos que toda essa alteração, seja boa ou não, tem sido desigual, pois nem tudo está à disposição de todos e a grande maioria das pessoas sofre com o descaso e o abandono. Essa conjuntura, própria de uma estrutura neoliberal, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento, vem, ao longo dos tempos, favorecendo uma crescente exclusão social e o acirramento das diferenças entre os povos e as classes sociais. Um quadro de miséria, violência, ausência total de condições dignas de saúde, educação e moradia, convive, em contraste com favorecimento de políticos, com o desvio de verba pública, com a.
(20) 20 . impunidade e com o exagero do supérfluo, situações que cada vez mais depreciam as atuais formas de relacionamento entre as pessoas. Este quadro caótico de desenvolvimento, por um lado; e segregação, por outro, tem levado a sociedade a se organizar e protestar pelas divergências de oportunidades e divisão de benefícios, trazendo grandes desafios para o conjunto de atores sociais 1 que coletivamente refletem e constroem a sociedade civil. A fim de direcionar uma análise mais concreta sobre a formação dos sujeitos coletivos nos dias atuais, os quais se caracterizam numa cultura globalizada, SchererWarren (1999, p.1213) propõe quatro cenários da globalização a serem considerados. O primeiro cenário é entendido como o de “homogeneização da cultura”, ou seja, para a autora, a política neoliberal estaria estimulando uma cultura homogênea a partir do consumismo e da cultura de massa. O outro cenário trata da questão da “fragmentação da vida societária”. Nas palavras da autora: “Seria a instituição do mundo do aqui e agora, da apologia da diferenciação e da individuação e, conseqüentemente, também do individualismo” (SCHERERWARREN, 1999, p.13). Esta questão pode ser associada à idéia de crise dos movimentos sociais, exemplos concretos da vida coletiva, que estariam se perdendo. O terceiro panorama fala sobre as “reações fundamentalistas”, ou seja, “diante dos perigos da homogeneização a partir das culturas hegemônicas, haveria a reafirmação de fundamentalismo tradicionais e a criação de novos [novas formas de fundamentalismo] – regionais, étnicos, religiosos e políticos” (SCHERERWARREN, 1999, p.13). Toda esta atitude refletiria a busca pela proteção das doutrinas e culturas, tão agredidas pela globalização. Por fim, a autora nos apresenta a cenário da “hibridização cultural e identitária” como sendo a possibilidade de intercâmbio entre as várias culturas. Na sociedade globalizada, os atores de movimentos sociais assumiriam a mediação do processo de sincretismo, de simbiose e transculturação, levando ao aparecimento de uma “solidariedade cosmopolita”. “Este seria um cenário mais propício para o desenvolvimento do que convencionouse chamar de cidadania ou sociedade civil planetária” (SCHERERWARREN, 1999, p.14). Diante da apresentação desses cenários, há de se considerar o importante papel dos agentes de transformação, tão atuantes nos problemas sociais. A organização da sociedade civil (movimentos sociais, ONG’s, associações, etc) favorece o acesso e a distribuição igualitária dos bens sociais, a promoção da vida e dos direitos humanos estimula a cidadania, a participação e a criação de espaços mais democráticos de vida. . 1 . Sob a ótica da ação social coletiva, o ator social pode ser compreendido como um agente de caráter individual ou coletivo com vistas à mudança do ambiente no qual está inserido, sobretudo no que se refere à questão social..
(21) 21 . A partir do entendimento das grandes transformações que afetam diretamente nosso modo de vida e, a partir do entendimento dessa realidade social, buscamos direcionar um estudo consciente das práticas e dos papéis que os movimentos sociais vêm assumindo na sociedade, especificamente a brasileira. Neste sentido, apontamos a Pastoral da Criança como um exemplo concreto do desafio que os sujeitos sociais assumem no contexto históricosocial atual e a partir de sua missão, buscamos compreender um pouco as manifestações e posturas desses mecanismos em favor da igualdade entre os indivíduos nos dias de hoje. Sendo assim, direcionamos neste capítulo, nossa reflexão para um entendimento do conceito de “movimento social”, sua função na sociedade, suas formas de manifestação especificamente no cenário brasileiro e latinoamericano. 1. Movimentos sociais, em busca de um entendimento Ao desenvolvermos um estudo cujo enfoque está voltado para o entendimento da ação de movimentos sociais, inserimonos num complexo cenário de conceituações e práticas. Há uma profusão de teorias que destacam categorias e matizes específicas que levam em conta uma conjuntura históricacultural; por outro lado, verificamse inúmeras possibilidades de ação e de discursos oriundos das demandas concretas da realidade social a ser atendida. Todos estes esforços contribuem para esclarecer a participação social dos indivíduos como parte do processo de integração social. Para melhor refletirmos sobre esse delicado cenário, utilizaremos, principalmente, as reflexões de Gonh (2004a), contidas na obra Teoria dos Movimentos Sociais. Paradigmas . Clássicos e Contemporâneos. A autora conclui que não existe um conceito único sobre movimentos sociais, mas vários, e esses conceitos estão diretamente relacionados com o paradigma utilizado pelo pesquisador e o contexto histórico do momento. Também recorreremos aos pensamentos de Melucci (2001), Vieira (2004) e Peruzzo (2004) visando compreender outras análises a respeito dos atores sociais. Como ponto de partida, é possível, a partir da estrutura de análise apresentada por Gohn (2004a) – reconstituição das abordagens norteamericanas, européias e latino americanas sobre movimentos sociais – encontrarmos um fio condutor para nossa reflexão, a qual sustente e direcione um entendimento sobre o conceito de movimentos sociais. A própria Gohn (2004a, p. 241271) apresenta um olhar específico a respeito do assunto, e que muito colaborará para nossa reflexão. Os movimentos sociais, nas ciências sociais, especificamente na sociologia, têm sido analisados dentro da problemática da ação coletiva e indicados por alguns autores como.
(22) 22 . universo dos processos de interação social. O certo é que há muito tempo esse assunto tem tomado peso nas reflexões que buscam entender um dos fenômenos mais marcantes da sociedade moderna. 2 . É a partir de um olhar voltado para o entendimento de que eles são atores específicos da sociedade civil na busca de transformações sociais em direção a uma sociedade mais livre e justa que direcionaremos nosso estudo. Ao considerarmos o diverso leque de olhares sob a noção de movimentos sociais, estaremos automaticamente nos remetendo a, também, uma diversidade de fenômenos sociais designados como tal. Essa visão decorre das várias tipologias empíricas inconsistentes, da heterogeneidade de formas de organização e mobilização que têm sido consideradas como movimentos sociais e da difícil conceituação acerca do assunto. Não nos cabe aqui apresentar ou aprofundar a problemática dos elementos que são considerados no norteamento de uma definição, mas apontar aquilo que nos auxilia na sua compreensão. As diferentes interpretações sobre o que é um movimento social na atualidade decorrem de três fatores principais: primeiro: mudanças nas ações coletivas da sociedade civil, no que se refere a seu conteúdo, suas práticas, formas de organização e bases sociais; segundo: mudanças nos paradigmas de análise dos pesquisadores; terceiro: mudanças na estrutura econômica e nas políticas estatais (GOHN, 2004a, p.243). . Entendida a diversidade de caminhos a serem considerados e a dificuldade de formulação do conceito, Gohn (2004a, p.245) nos oferece parâmetros mínimos para uma conceituação; isso a partir de manifestações concretas desses atores por ela identificados. Trata de olharmos para alguns parâmetros mínimos, designados como: a indicação de interesses em comum, o uso da expressão movimento calcada na ação histórica dos grupos sociais, a diferenciação da noção de ação coletiva e de movimento social e a delimitação do espaço onde ocorre a ação do movimento. Vistos essencialmente enquanto um coletivo social articulado a um conjunto de ideais e práticas, os movimentos sociais devem ter como primeiro componente para sua interpretação os “interesses em comum” (GOHN, 2004a, p.245), isto porque os membros organizamse em torno de uma realidade que os aglutina, que os qualifica como defensores de uma mesma causa, esta causa antecede o processo de inserção do indivíduo no movimento. Podemos citar, como exemplo, a luta contra a discriminação racial, ela deve existir antes mesmo que um indivíduo busque engajarse em alguma ação reivindicatória. . 2 . O homem ao longo de sua história tem se organizado na busca de seus objetivos e ideais, o que indica formas de movimentos, como exemplo temos o “Quilombo dos Palmares”. No entanto, é na sociedade capitalista que se acirram as diferenças e os indivíduos mobilizamse na luta pela obtenção de suas bandeiras..
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