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Academic year: 2021

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(1)1 . ALINE FERNANDA LIMA . O J ORNAL PASTORAL DA CRIANÇA  COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA . Univer sidade Metodista de São Paulo  Programa de Pós­Gr aduação em Comunicação Social  São Bernar do do Campo, 2007.

(2) 2 . ALINE FERNANDA LIMA . O J ORNAL PASTORAL DA CRIANÇA  COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA . Dissertação  apresentada  em  cumprimento  parcial às exigências do Programa de Pós­  Graduação  em  Comunicação  Social,  da  Umesp  –  Universidade  Metodista  de  São  Paulo, para obtenção do grau de Mestre.  Orientadora:  Profa.  Dra.  Cicília  Maria  K.  Peruzzo . Univer sidade Metodista de São Paulo  Programa de Pós­Gr aduação em Comunicação Social  São Bernar do do Campo, 2007.

(3) 3 . FOLHA DE APROVAÇÃO . A  dissertação  O  JORNAL  PASTORAL  DA  CRIANÇA  COMO  INSTRUMENTO  DE  PROMOÇÃO  DA  CIDADANIA, elaborada por  Aline  Fernanda  Lima, foi  defendida  no  dia  ............. de .................., tendo sido: . (   ) Reprovada  (   ) Aprovada, mas deve  incorporar nos exemplares definitivos modificações sugeridas pela  banca examinadora, até 60 (sessenta) dias a contar da data da defesa.  (   ) Aprovada  (   ) Aprovada com louvor . Banca Examinadora: . Cicília Maria Krohling Peruzzo (Presidente da Banca) . Joana T. Puntel . Sandra Reimão . Área de concentração: Processos Comunicacionais . Linha de Pesquisa: . Projeto temático.

(4) 4 . DEDICATÓRIA . Dedico este trabalho a todos aqueles que se encantam  com a solidariedade, com verdade, com a justiça,  com o respeito, com o amor, com a paz,  com o espírito voluntário;  encantam­se, sobretudo, com o homem enquanto criatura de Deus  e, para que este encanto se reverta em compromisso,  acontecem!.

(5) 5 . EPÍGRAFE  . Ninguém é capaz de dar a voz para o Brasil inteiro,  tem que ter um instrumento!  (Dra. Zilda Arns).

(6) 6 . AGRADECIMENTOS . Agradeço a Deus pela vida.  Agradeço aos meus pais, Sônia e José Camilo, pelo exemplo.  Agradeço aos meus irmãos, Camila, Samuel e Lucas, pelo respeito.  Agradeço aos meus avós, Ranulfo e Elza, pela persistência.  Agradeço aos meus sobrinhos, Caetano e Davi, pela alegria.  Agradeço ao Gustavo pelo companheirismo.  Agradeço aos meus amigos pelo carinho e disposição em ajudar  Agradeço aos meus mestres (de hoje e de sempre) pelo incentivo.  Agradeço aos meus alunos pela motivação  Agradeço à  profa. Dra.Cicília Peruzzo pela sabedoria.  Agradeço à Universidade de Taubaté e às Faculdades Integradas Teresa  D’Ávila pelo apoio.  Agradeço à Pastoral da Criança pelo sonho.  Agradeço a todas as coordenadoras da Pastoral da Criança da Arquidiocese de  Aparecida pela realização do sonho..

(7) 7 . LISTA DE TABELAS, DE ILUSTRAÇÕES E GRÁFICOS . Figura 1: Configuração de redes (tipos) . 46 . Figura 2: Configuração geral de um momento de rede                                                             46  Figura 3: Logomarca da Pastoral da Criança                                                                            90  Figura 4: Organograma da Pastoral da Criança                                                                        95  Tabela 1: Situação de abrangência da Pastoral da Criança no 3º trimestre de 2006                97  Figura 5: Foto do Armazenamento dos 260.000 exemplares do Jornal da Pastoral da Criança  do mês de dezembro de 2006                                                                                121  Figura 6: Foto da Pasta de Registro dos assuntos de interesse do Jornal, material da  coordenadora Maria Auxiliadora de Abreu (Paróquia São Francisco,  Guaratinguetá/SP)                                                                                                 146.

(8) 8 . SUMÁRIO . Resumo  Resumem  Abstr act  Intr odução . 13 . Capítulo I – Movimentos Sociais: os atores da sociedade civil na constr ução  da cidadania                                                                               19  1.  2.  3.  4.  5.  6. . Movimentos sociais, em busca de um entendimento  Importantes suportes conceituais para a compreensão dos movimentos sociais  O papel dos movimentos sociais  Sociedade civil, espaço de socialização e atuação dos movimentos sociais  Movimentos sociais no Brasil  O cenário atual e as perspectivas para os movimentos sociais . 21  26  28  31  39  43 . Capítulo II – A comunicação em favor  da ação coletiva                              50  1.  2.  3.  4.  5.  6.  7. . Conhecendo a comunicação no contexto popular  Comunicação comunitária  Comunicação radical alternativa  Comunicação popular­alternativa  Comunicação como dimensão expressiva dos movimentos sociais  Cidadania: história e comunicação  A comunicação na Igreja Católica . 51  53  54  56  62  68  77 . Capítulo III – Pastor al da Cr iança: missão e comunicação                         85  1.  2.  3.  4.  5. . A infância como o centro da reflexão: o que se diz das políticas públicas  Pastoral da Criança: história e organização  Pastoral da Criança: mística e prática  Pastoral da Criança e a ação voluntária das lideranças  A comunicação da Pastoral da Criança . 86  90  99  102  103.

(9) 9 . Capítulo IV – O J or nal da Pastoral da Cr iança: a comunicação a ser viço da  cidadania                                                                                                          109  1.  O Jornal da Pastoral da Criança: estrutura e organização . 113 . 1.1.  História  1.2.  Conteúdo e dinâmica de trabalho  1.3.  Equipe responsável  2.  O Jornal da Pastoral da Criança e comunicação da Pastoral da Criança . 115  117  122  123 . 3 . 2.1.  Comunicação com vistas à ação Comunitária  2.2.  Linguagem popular  2.3.  Instrumento de formação contínua  2.4.  Transformação social  2.5.  Sentimento de pertença  O Jornal da Pastoral da Criança na prática comunitária . 124  125  126  128  132  133 . 3.1.  A Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida  3.2.  Entendimento do papel do Jornal da Pastoral da Criança  3.3.  O uso do Jornal da Pastoral da Criança na comunidade  A leitura do Jornal  Assuntos de maior interesse  Como é utilizado  A participação no envio das informações  Instrumento para a construção da cidadania  O Jornal faz a diferença? . 134  137  143  143  146  149  152  155  158 . Conclusão . 161 . Refer ências . 169 . Anexos . 176 . Anexo 1 – Equipe da Coordenação Nacional do Jornal da Pastoral da Criança  Anexo 2 – Coordenadoras da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Aparecida  Anexo 3 – Roteiro de entrevista com a equipe da coordenação nacional do Jornal  da Pastoral da Criança  Anexo 4 – Roteiro de entrevista com as coordenações da Pastoral da Criança na  Arquidiocese de Aparecida  Anexo 5 – Exemplar do Jornal da Pastoral da Criança . 177  179  183  186  189.

(10) 10 . RESUMO  Trata­se de um estudo sobre o papel do Jornal Pastoral da Criança enquanto instrumento de  comunicação  popular­alternativa  em  auxilio  a  prática  social  das  lideranças  comunitárias  da  Pastoral  da  Criança  da  Arquidiocese  de  Aparecida.  Seu  principal  objetivo  é  entender  o  tratamento que a entidade tem dado à comunicação por ela realizada e as contribuições que o  Jornal,  importante  canal  de  comunicação  da  Pastoral  da  Criança  com  suas  bases,  tem  oferecido  para  a  promoção  da  missão  da  entidade  e  para  a  construção  da  cidadania  nas  comunidades.  Este  estudo  parte  de  uma  reflexão  sobre  movimentos  sociais,  comunicação  popular­alternativa  e  cidadania  e  incorpora,  para  o  direcionamento  das  reflexões,  os  pensamentos  dos  principais  autores  dessas  áreas.  A  metodologia,  de  natureza  qualitativa,  baseia­se  em  pesquisas  bibliográficas  e  documentais  e  entrevistas  semi­estruturadas,  com  cinco  membros  da  Coordenação  Nacional  da  Pastoral  da  Criança,  uma  coordenadora  arquidiocesana, quinze coordenadoras paroquiais  da Pastoral da Criança  na Arquidiocese de  Aparecida.  A  pesquisa  revela,  entre  outras  resultados,  que  o  Jornal  figura­se  como  um  instrumento  de  comunicação  popular­alternativa  próprio  dos  movimentos  sociais  do  século  XXI e que as lideranças comunitárias têm papel fundamental no bom uso do material, o que  conseqüentemente promove ou não cidadania. . Palavras­chave: movimentos sociais, sociedade civil, comunicação popular­alternativa,  cidadania, Pastoral da Criança, Jornal da Pastoral da Criança..

(11) 11 . RESUMEM  Se  trata  de  un  estudio  sobre  el  papel  del  periódico  Jornal  Pastoral  da  Criança   como  instrumento  de  comunicación  popular  alternativa  en  apoyo  a  la  practica  de  los  liderazgos  comunitarios  de  la  Pastoral  da  Crianza   de  la  Arquidiocese  de  Aparecida .  Su  principal  objetivo es comprender el tratamiento que la entidad suministra  a  la comunicación por ella  realizada y la contribución que el periódico, importante canal de comunicación de la Pastoral . da  Crianza   con  sus  bases  ofrecen  para  la  promoción  de  la  misión  de  la  entidad  y  para  la  construcción de la ciudadanía en las comunidades. Este estudio parte de la base teórica  sobre  movimientos  sociales,  comunicación  popular­alternativa  y  ciudadanía  e  incorpora  para  el  direccionamiento de las reflexiones los pensamientos de autores del área. La metodología, de  naturaleza  cualitativa,  se  basa  en  investigaciones  bibliografias  y  documentales  y  entrevistas  semi­estructuradas,  con  cinco  miembros  de  la  Coordinación  Nacional  de  la  Pastoral  da  Criança , una coordinadora de la Arquidiocese , quince coordinadoras de las parroquias de la  Pastoral  da  Criança  en  la  Arquidiocese  de  AparecidaLa  investigación  revela,  entre  otras  cuestiones, que el periódico es un instrumento de comunicación popular alternativa, propio de  los  movimientos  sociales  del  siglo  XXI  y  que  los  liderazgos  comunitarios  tienen  papel  fundamental en el buen uso del material, que consecuentemente suscita o no ciudadanía. . Palabras­clave:  movimientos  sociales,  sociedad  civil,  comunicación  popular  alternativa,  ciudadanía, Pastoral da Crianza , Jornal Pastoral da Crianza.

(12) 12 . ABSTRACT  This  paper  is  about  the  role  of  Pastoral  of  the  Child  newspaper  as  a  popular­alternative  communication instrument to assist the social practices of Pastoral of the Child Archdiocese  communitarian leaderships, in the city of Aparecida. The main objective is to understand the  treatment  that  the  entity  has  given  to  their  communication  and  the  contribution  that  the  newspaper, an important communication tool from Pastoral of the Child, has been offering for  the entity mission promotion and for the communities´ citizenship construction. This study is  based on the social movements theory, popular­alternative communication and citizenship and  uses  thoughts  from  authors  specialized  on  those  subjects.  The  methodology,  of  qualitative  nature, is based on bibliographical and documental researches and half­structured interviews  with five members of the National Coordination of the Pastoral of the Child, one coordinator  from  the  Archdiocese,  fifteen  parochial  coordinators  from  the  Pastoral  of  the  Child,  at  the  Archdiocese  in Aparecida. The research reveals,  among other matters, that the  newspaper is  seen  as  a  proper  popular­alternative  communication  instrument  of  the  XXI  century  social  movements and that the communitarian leaderships have a fundamental role in the good use  of the material, which consequently promotes or not citizenship. . Key­words:  social  moviments,  civil  society,  popular­alternative  communication,  citizenship,  Pastoral of the Child, Pastoral of the Child Newspaper.

(13) 13 . Intr odução  O  interesse  em  compreender  o  papel  do  Jornal  Pastoral  da  Criança  enquanto  instrumento  de  comunicação  popular­alternativa,  com  vistas  à  construção  da  cidadania  no  âmbito das comunidades, nasceu de uma experiência comunitária muito forte vivida no ano de  2003,  trata­se  de  uma  participação  no  programa  “Universidade  Solidária”.  Em  fevereiro  daquele  ano,  eu  e  mais  dez  alunos  da  Universidade  de  Taubaté,  por  cerca de  vinte  e  cinco  dias,  nos  dirigimos  à  cidade  de  Cabrobó,  sertão  do  Estado  de  Pernambuco  para  desenvolvermos  atividades  junto  à  comunidade. Em uma das  diversas atividades  realizadas,  deparei­me com o trabalho da Pastoral da Criança e me surpreendi com a dimensão das ações  e  com  a  qualidade  dos  materiais  de  comunicação  que  chegavam  até  a  líder  daquela  comunidade  que  se  encontrava  tão  distante.  Naquele  momento  percebi  que  a  Pastoral  da  Criança tinha uma dinâmica muito especial de ação social  e, como comunicadora, encantei­  me com a estrutura comunicativa colocada à disposição dos trabalhos sociais desenvolvidos.  Estava ali a semente do estudo ora realizado.  A  importância  deste  estudo  advém,  sobretudo,  da  extensão  do  trabalho  comunitário  desenvolvido pela Pastoral da Criança em mais de 42.000 comunidades brasileiras, atendendo  cerca  de  1.914.869  crianças  menores  de  seis  anos,  a  partir  da  ação  voluntária  de  272.794  pessoas. Essas comunidades recebem mensalmente o Jornal Pastoral da Criança; são 260.000  exemplares distribuídos para todos os líderes comunitários do país. O Jornal funciona como  um  meio  de  comunicação  que  auxilia  no  trabalho,  ajuda  na  formação  continuada  das  lideranças  e  desenvolve  a  socialização  da  informação  por  meio  da  participação  dos  voluntários no processo de concepção e construção do produto. Outro fator de destaque deste  estudo  está  na  compreensão  das  estruturas  comunicacionais  dos  movimentos  sociais  da  atualidade e da possibilidade de entender como um meio de comunicação vem contribuindo  para a ação social das comunidades.  Outro incentivo à reflexão sobre o Jornal Pastoral da Criança está relacionado a pouca  reflexão realizada sobre as questões comunicativas da entidade, principalmente sobre o Jornal  Pastoral  da  Criança,  o  papel  que  ele  assume  na  prática  social  das  comunidades,  sua  função  enquanto  instrumento de  comunicação,  sua utilização  com  vistas  à  construção da  cidadania,  assim  como,  a  verificação  dos  pressupostos  que  norteiam  sua  proposta  enquanto  material  comunicativo em meio aos movimentos de base. Nesse sentido, podemos afirmar, que várias.

(14) 14 . razões nos incentivaram ao desenvolvimento dessa pesquisa, sendo elas de ordem acadêmica  e pessoal, haja vista a admiração pelo trabalho desenvolvido pela Pastoral da Criança junto às  comunidades.  Diante de um cenário instigante e das perguntas que foram se avolumando a respeito  do  papel  desse  importante  meio  de  comunicação  nos  meios  populares,  dirigimos  nossa  reflexão para a compreensão do papel do Jornal Pastoral da Criança, buscando entender como  esse meio de comunicação da Pastoral da Criança auxilia na missão da Pastoral e, como esse  instrumento  de  comunicação  popular­alternativa  tem  sido  utilizado  nas  comunidades  e  auxiliado na construção da cidadania.  Para o desenvolvimento da reflexão foram, então, dirigidos alguns objetivos, os quais  buscaram,  num  primeiro  momento,  compreender  os  elementos  que  constituem  o  Jornal  Pastoral  da  Criança  (equipe,  organização,  formato,  distribuição,  função),  olhando  especificamente,  para os  ideais  que  norteiam sua presença  dentro do  conjunto de  elementos  comunicativos  da  Pastoral  da  Criança.  Outro  interesse  da  pesquisa  está  em  saber  como  as  comunidades  entendem  o  Jornal,  como  utilizam­no  e  como  aplicam  os  conteúdos  na  ação  concreta  do  movimento.  Uma  questão  fundamental  a  ser  compreendida,  diz  respeito  à  participação das bases na  configuração do  Jornal (envio de  matérias,  forma de participação,  críticas,  sugestões),  assim  como,  a  contribuição  desse  instrumento  de  comunicação  para  a  implementação das propostas da entidade e para a construção da cidadania nos espaços onde é  utilizado, nas comunidades.  Assim posto o problema e os objetivos, pode parecer demasiadamente amplo e difícil  caminhar com vistas ao encontro das respostas, isso devido à compreensão de um universo tão  grande como o da Pastoral da Criança. Para a viabilização do processo investigativo empírico,  dirigiu­se o foco de análise para a realidade particular da Pastoral da Criança da Arquidiocese  de  Aparecida,  jurisdição  eclesiástica  situada  na  região  do  Vale  do  Paraíba,  Estado  de  São  Paulo, que conta com a presença de Pastoral da Criança em dezesseis paróquias, das dezessete  organizadas.  Nesse  universo  foram  entrevistadas  quinze  coordenadoras  paroquiais  ou  de  ramo  (aquelas  que  orientam  o  trabalho  das  comunidades  e  das  líderes  comunitárias),  uma  coordenadora Arquidiocesana (coordena o trabalho das paróquias) e três líderes comunitárias  (desenvolvem as ações junto às comunidades). A escolha desse universo de pesquisa é devido  ao  destaque  da  Arquidiocese  no  âmbito  da  organização  da  Igreja  Católica  do  Brasil.  Neste  espaço  se  encontra  o  Santuário  Nacional  de  Nossa  Senhora  Aparecida,  um  dos  maiores  santuários marianos do mundo, também se pode destacar o fato de a Arquidiocese, neste ano,.

(15) 15 . ser a sede da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe (CELAM, de 13  e 31 de maio de 2007) e de receber o Papa Bento XVI, em sua primeira visita apostólica ao  Brasil.  Outro  elemento  direcionador  da  escolha  do  universo  de  pesquisa  é  o  fato  de  o  pesquisador ser morador da região e grande admirador do trabalho desenvolvido pela Pastoral  da  Criança.  Vale  destacar  que  a  Arquidiocese  de  Aparecida  compreende  o  conjunto  de  dezessete paróquias, localizadas nas cidades de Aparecida, Guaratinguetá, Lagoinha, Potim e  Roseira e que as entrevistas com as coordenações ocorreram entre os meses de  novembro e  dezembro de 2006.  Também  se  aplicou  entrevista  junto  à  equipe  nacional  de  coordenação  do  Jornal  Pastoral  da  Criança  (lideranças,  coordenação,  jornalista  e  diagramador),  a  qual  trouxe  importantes  colaborações  para  o  entendimento  da  proposta  do  Jornal  e  da  comunicação  da  Pastoral como um todo. A coleta de dados ocorreu no mês de novembro de 2006 na sede da  Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, situada na cidade de Curitiba/PR.  Toda a coleta de dados teve a preferência pelo uso das entrevistas  semi­estruturadas,  por conseguir “tratar da amplitude do tema, apresentando cada pergunta de forma mais aberta  possível”  (DUARTE,  2005,  p.62),  além  de  oferecer  mais  riqueza  e  profundidade  de  informação. Para o direcionamento das entrevistas, elaborou­se um roteiro de questões­guia,  diferente para cada público, o qual se caracterizou como um norteador das conversas. Todas  as entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas, o que possibilitou ao entrevistador  manter  uma  conversa  mais  natural  e  mais  atenta  às  questões  centrais  dos  assuntos  que  envolvem  o  objeto  de  estudo  em  questão.  Também  foram  usadas  algumas  anotações  sobre  elementos pontuais das entrevistas.  A coleta de dados em campo se deu após a realização de pesquisa bibliográfica, a qual  possibilitou  a  reflexão  teórica  dos  assuntos  pertinentes  ao  tema  central  do  trabalho,  como  movimentos  sociais,  sociedade  civil,  comunicação  popular­alternativa  e  cidadania.  Outros  temas  de  ordem  secundária  como  comunicação  comunitária,  comunicação  radical,  políticas  públicas  sobre  a  infância  no  Brasil,  foram  trazidos  para  clarificar  questões  que  também  envolvem  o  objeto  de  estudo.  Para  a  devida  reflexão  dos  conceitos  que  sustentam  esta  dissertação,  utilizamos,  como  principais    referências  bibliográficas,  as  contribuições  de  autores  como Maria  da  Glória  Gohn,  Cicília  Maria  Krohling  Peruzzo,  Listz  Vieira,  Alberto  Melucci,  Regina  Festa,  John  D.  H.  Downing,  Máximo  Simpson  Grinberg,  Luiz  Gonzaga  Motta, Joana Puntel, Paulo Freire, dentre outros pensadores que se dedicaram a compreender  o contexto dos movimentos sociais, da comunicação popular­alternativa e da cidadania..

(16) 16 . Os  documentos  e  materiais  institucionais  como  o  site  da  Pastoral  da  Criança,  o  Informativo  Institucional  e  informações  sobre  o  setor  de  Relações  Institucionais,  também  foram utilizados e, seus conteúdos, ofereceram compreensão sobre a organização do trabalho  da Pastoral da Criança e do seu sistema de comunicação.  Vale destacar que a metodologia de caráter qualitativo, que embasou todo o processo  de  pesquisa,  não  deseja  definir  o  tamanho  ou  a  quantidade  do  fenômeno,  tão  pouco  generalizar ou gerar conclusões, mas sim vislumbrar tendências e leituras que nos levem a um  diálogo inteligente e crítico sobre o fenômeno estudado, o Jornal Pastoral da Criança.  A  questão  que  se  apresenta  e  instiga,  leva­nos  a  fazer  algumas  proposições  sobre  o  universo  pesquisado  e  a  apontar  algumas  hipóteses  sobre  as  principais  questões  do  nosso  estudo.  Assim,  ao  olharmos  para  a  comunicação  desenvolvida  pela  Pastoral  da  Criança  e  trabalhada  na  proposta  comunicativa  do  Jornal  Pastoral  da  Criança,  a  ação  da  comunidade,  podemos indicar que:  a) A comunicação da Pastoral da Criança e desenvolvida pelo Jornal presentam suas  bases  fundamentadas  nos  pressupostos  da  comunicação  popular­alternativa,  cujo  ideal  é  promover a participação das comunidades, ligando as ações sociais e pastorais da Pastoral da  Criança às necessidades do povo.  b)  As  comunidades  utilizam­se  do  Jornal  Pastoral  da  Criança.  Se  considerarmos  a  diversidade de realidades, as experiências, as demandas e as diferentes funções atribuídas ao  Jornal, há de se entender que seu uso é múltiplo e variado.  c)  As  comunidades  entendem  o  Jornal  da  Pastoral  da  Criança  como  um  meio  de  informação e formação para o trabalho comunitário, hora apresentando­se como um estímulo  à ação, hora apresentando­se como um meio de identificação, haja vista a forte presença das  comunidades nas páginas do Jornal.  d)  O  Jornal  Pastoral  da  Criança  é  utilizado  e  valorizado,  pois  colabora  para  a  realização do trabalho pastoral e para a transformação das realidades, traduzindo­se como um  autêntico  instrumento  de  comunicação  popular­alternativa  em  favor  da  construção  da  cidadania.  De  tal  sorte,  essa  pesquisa,  ao  longo de  seus  quatro  capítulos, percorre um  caminho  que busca apresentar o Jornal da Pastoral da Criança como um instrumento de comunicação  popular­alternativa  com  vistas  à  construção  da  cidadania.  Para  isso,  promove  um  estudo  conceitual  e  um  estudo  empírico  indo  às  instâncias  organizativas  e  comunitárias.  O  traçado  deste caminho está disposto nos capítulos do presente trabalho..

(17) 17 . No primeiro capítulo, conheceremos as diversas reflexões que cercam o universo dos  movimentos  sociais,  as  teorias  que  objetivam  defini­lo,  as  funções  e  características  desses  atores sociais na sociedade, e seu entendimento enquanto espaço de socialização e atuação da  sociedade  civil.  Também  se  verificou  a  trajetória  histórica  dos  movimentos  sociais  no  contexto da sociedade brasileira, chegando à compreensão sobre o perfil e o papel dos atores  na sociedade atual. Somente a partir dessa reflexão, foi possível entender a dinâmica social e  comunitária que norteia a atuação da Pastoral da Criança.  No  segundo  capítulo  serão  demonstrados,  por  meio  de  pesquisa  bibliográfica,  os  conceitos  sobre  a  comunicação  característica  dos  movimentos  sociais,  a  comunicação  popular­alternativa.  A  construção deste  referencial  teórico  partiu de uma  leitura  diversa  dos  tipos  de  comunicação  entendidos  como  aqueles  desenvolvidos  em  favor  da  ação  social  dos  movimentos  de  base,  seja  a  partir  das  diferentes  formas  de  manifestação  da  comunicação  (meios,  instrumentos,  estratégias,  abordagens,  conteúdos),  seja  pela  própria  compreensão  e  caracterização  daquilo  que  se  entende  por  comunicação  voltada  para  consciência  social  e  construção  da  cidadania.  Assim,  foram  trazidos  os  pensamentos  sobre  comunicação  comunitária,  comunicação  radical,  popular,  alternativa,  para  enfim,  construir­se  a  compreensão  da  comunicação  própria  dos  movimentos  sociais,  a  comunicação  popular­  alternativa. Nesse capítulo, também se buscou entender como a Igreja Católica, instituição na  qual  a  Pastoral  da  Criança  sustenta  sua  organização  e  mística,  vem  trabalhando  a  comunicação de viés popular. Uma reflexão fundamental trazida pelo segundo capítulo foi o  entendimento  do  conceito  de  cidadania,  sua  trajetória  na  história  e  sua  relação  com  a  comunicação.  O terceiro capítulo que buscou sustentação em documentos e materiais institucionais  apresentará a entidade objeto de pesquisa a fim de permitir uma compreensão de sua história,  de sua função social e da dimensão do seu trabalho junto às comunidades. Essa compreensão  da Pastoral da Criança, no entanto, estará associada a uma leitura sobre o cenário das políticas  públicas  dirigidas  à  infância,  um  dos  destaques  do  capítulo  O  principal  enfoque  está  em  construir,  por  meio  desta  compreensão  da  entidade,  seu  papel  enquanto  movimento  social  característico  da  atualidade.  Entendemos  que  esta apresentação  pede  também que  se  aponte  toda  o  sistema  de  comunicação  desenvolvido  pela  Pastoral  da  Criança,  assunto  também  abordado. No  capítulo  quatro,  apresentaremos  o  objeto  de  estudo  em  si,  ou  seja,  o  Jornal  Pastoral da Criança e toda a compreensão do seu papel enquanto instrumento de comunicação  popular­alternativa,  cuja  apresentação  trará  informações  da  estrutura  do  Jornal,  da  sua.

(18) 18 . organização,  bem  como,  da  proposta  enquanto  instrumento  de  comunicação  em  favor  do  trabalho comunitário da entidade. Essas informações serão demonstradas por meio de análises  dos resultados das entrevistas semi­estruturadas feitas com a equipe da coordenação nacional  do Jornal Pastoral da Criança e com as coordenadoras paroquiais e arquidiocesana da Pastoral  da  Criança  da  Arquidiocese  de  Aparecida.  Os  dados  apontarão  como  é  pensado  o  Jornal  dentro  da  missão  da  entidade  e  como  é  utilizado  na  ação  comunitária  das  paróquias,  assim  será possível perceber como se dá a construção da cidadania pelo Jornal Pastoral da Criança.  Com  essa  configuração,  a  dissertação  pretende  apontar,  a  partir  da  experiência  do  Jornal Pastoral da Criança, a participação da comunicação popular­alternativa no trabalho dos  movimentos sociais de hoje, sua contribuição para a ação comunitária e para a construção da  cidadania. Sabemos, contudo, que este estudo é um olhar muito particular de uma realidade  também,  muito  particular,  mas  que  tem  um  grande  sentido  para  muitas  pessoas  e  para  o  pesquisador, de modo especial..

(19) 19 . Capítulo I  Movimentos Sociais: os ator es da sociedade civil na constr ução da  cidadania  Na sociedade em que vivemos, regida pelas relações estabelecidas entre as instituições  sociais e por uma avançada tecnologia (sistema global de comunicação), um número ilimitado  de organismos surge para atender as demandas sociais e mercadológicas. O que se percebe é a  intensificação das relações e a alteração do sentido de local e global, questões que promovem,  cada  vez  mais,  uma  interdependência  entre  as  partes  (Estados,  mercados,  e  até pessoas)  e o  desenvolvimento  de  uma  conexão  entre  o  mundo.  Fatores  políticos,  sociais,  culturais  e  econômicos convergem­se na busca de um modelo único de vida. No século XXI, a sociedade  é mais interdependente. Antony Giddens (2005, p.61) aponta que, ao adotarmos uma maneira  global de vermos o mundo, tornamo­nos mais conscientes de nossas ligações com os povos de  outras sociedades e conseqüentemente mais responsáveis por nossas ações, já que estas ações  geram efeitos sobre todos.  O  que  verificamos,  no  entanto,  com  o  desenvolvimento  da  sociedade  e  da  globalização, além dos benefícios da tecnologia, do avanço da ciência, do estabelecimento de  novas  formas  de  relação  política,  social  e  econômica  entre  os  países  e  da  aclamada  aproximação dos indivíduos, é uma profunda alteração nas experiências cotidianas. O modo  como  agimos,  pensamos  e  nos  relacionamos  com  os  outros  é  alterado,  buscamos  uma  identidade e um espaço em instituições que estão perdendo sua concepção original – a família,  o trabalho, a religião ­, e isso nos leva a uma redefinição de papéis e de conceitos. Por outro  lado, percebemos que toda essa alteração, seja boa ou não, tem sido desigual, pois nem tudo  está à disposição de todos e a grande maioria das pessoas sofre com o descaso e o abandono.  Essa  conjuntura,  própria  de  uma  estrutura  neoliberal,  ao  mesmo  tempo  em  que  promove o desenvolvimento, vem, ao longo dos tempos, favorecendo uma crescente exclusão  social  e  o  acirramento  das  diferenças  entre  os  povos  e  as  classes  sociais.    Um  quadro  de  miséria, violência, ausência total de condições dignas de saúde, educação e moradia, convive,  em  contraste  com  favorecimento  de  políticos,  com  o  desvio  de  verba  pública,  com  a.

(20) 20 . impunidade e com o exagero do supérfluo, situações que cada vez mais depreciam as atuais  formas de relacionamento entre as pessoas.  Este  quadro  caótico de  desenvolvimento,  por  um  lado;  e  segregação,  por  outro,  tem  levado a sociedade a se organizar e protestar pelas divergências de oportunidades e divisão de  benefícios,  trazendo  grandes  desafios  para  o  conjunto  de  atores  sociais 1  que  coletivamente  refletem e constroem a sociedade civil. A fim de direcionar uma análise mais concreta sobre a  formação  dos  sujeitos  coletivos  nos  dias  atuais,  os  quais  se  caracterizam  numa  cultura  globalizada, Scherer­Warren (1999, p.12­13) propõe quatro cenários da globalização a serem  considerados.  O  primeiro  cenário  é  entendido  como  o  de  “homogeneização  da  cultura”,  ou  seja, para a autora, a política  neoliberal estaria  estimulando uma cultura homogênea a partir  do consumismo e da cultura de massa. O outro cenário trata da questão da “fragmentação da  vida  societária”.  Nas  palavras  da  autora:  “Seria  a  instituição  do  mundo do  aqui  e  agora,  da  apologia  da  diferenciação  e  da  individuação  e,  conseqüentemente,  também  do  individualismo” (SCHERER­WARREN, 1999, p.13). Esta questão pode ser associada à idéia  de  crise  dos  movimentos  sociais,  exemplos  concretos  da  vida  coletiva,  que  estariam  se  perdendo. O terceiro panorama fala sobre as “reações fundamentalistas”, ou seja, “diante dos  perigos  da  homogeneização  a  partir  das  culturas  hegemônicas,  haveria  a  reafirmação  de  fundamentalismo  tradicionais  e  a  criação  de  novos  [novas  formas  de  fundamentalismo]  –  regionais,  étnicos,  religiosos  e  políticos”  (SCHERER­WARREN,  1999,  p.13).  Toda  esta  atitude  refletiria  a  busca  pela  proteção  das  doutrinas  e  culturas,  tão  agredidas  pela  globalização.  Por fim, a autora nos apresenta a cenário da “hibridização cultural e identitária”  como sendo a possibilidade de intercâmbio entre as várias culturas. Na sociedade globalizada,  os  atores  de  movimentos  sociais  assumiriam  a  mediação  do  processo  de  sincretismo,  de  simbiose  e  transculturação,  levando  ao  aparecimento  de  uma  “solidariedade  cosmopolita”.  “Este seria um cenário mais propício para o desenvolvimento do que convencionou­se chamar  de cidadania ou sociedade civil planetária” (SCHERER­WARREN, 1999, p.14).  Diante  da  apresentação  desses  cenários,  há  de  se  considerar  o  importante  papel  dos  agentes  de  transformação,  tão  atuantes  nos  problemas  sociais.  A  organização  da  sociedade  civil  (movimentos  sociais,  ONG’s,  associações,  etc)  favorece  o  acesso  e  a  distribuição  igualitária dos bens sociais, a promoção da vida e dos direitos humanos estimula a cidadania,  a participação e a criação de espaços mais democráticos de vida. . 1 . Sob a ótica da ação social coletiva, o ator social pode ser compreendido como um agente de caráter individual  ou coletivo com vistas à mudança do ambiente no qual está inserido, sobretudo no que se refere à questão social..

(21) 21 . A  partir do  entendimento  das  grandes  transformações  que  afetam diretamente  nosso  modo  de  vida  e,  a  partir  do  entendimento  dessa  realidade  social,  buscamos  direcionar  um  estudo  consciente  das  práticas  e  dos  papéis  que  os  movimentos  sociais  vêm  assumindo  na  sociedade, especificamente a brasileira. Neste sentido, apontamos a Pastoral da Criança como  um exemplo concreto do desafio que os sujeitos sociais assumem no contexto histórico­social  atual e a partir de sua missão, buscamos compreender um pouco as manifestações e posturas  desses mecanismos em favor da igualdade entre os indivíduos nos dias de hoje.  Sendo  assim,  direcionamos  neste  capítulo,  nossa  reflexão  para  um  entendimento  do  conceito  de  “movimento  social”,  sua  função  na  sociedade,  suas  formas  de  manifestação  especificamente no cenário brasileiro e latino­americano.  1. Movimentos sociais, em busca de um entendimento  Ao desenvolvermos um estudo cujo enfoque está voltado para o entendimento da ação  de movimentos sociais, inserimo­nos num complexo cenário de conceituações e práticas. Há  uma profusão de  teorias  que destacam categorias  e  matizes  específicas que  levam  em  conta  uma  conjuntura  histórica­cultural;  por  outro  lado,  verificam­se  inúmeras  possibilidades  de  ação e de discursos oriundos das demandas concretas da realidade social a ser atendida. Todos  estes esforços contribuem para esclarecer a participação social dos indivíduos como parte do  processo de integração social.  Para  melhor  refletirmos  sobre  esse  delicado  cenário, utilizaremos, principalmente,  as  reflexões  de  Gonh  (2004a),  contidas  na  obra  Teoria  dos  Movimentos  Sociais.  Paradigmas . Clássicos  e  Contemporâneos.  A  autora  conclui  que  não  existe  um  conceito  único  sobre  movimentos  sociais,  mas  vários,  e  esses  conceitos  estão  diretamente  relacionados  com  o  paradigma  utilizado  pelo  pesquisador  e  o  contexto  histórico  do  momento.  Também  recorreremos  aos  pensamentos  de  Melucci  (2001),  Vieira  (2004)  e  Peruzzo  (2004)  visando  compreender outras análises a respeito dos atores sociais.  Como  ponto  de  partida,  é  possível,  a  partir  da  estrutura  de  análise  apresentada  por  Gohn  (2004a)  –  reconstituição  das  abordagens  norte­americanas,  européias  e  latino­  americanas sobre movimentos sociais – encontrarmos um fio condutor para nossa reflexão, a  qual sustente e direcione um entendimento sobre o conceito de movimentos sociais. A própria  Gohn (2004a, p. 241­271) apresenta um olhar específico a respeito do assunto, e que muito  colaborará para nossa reflexão.  Os movimentos sociais, nas ciências sociais, especificamente  na  sociologia, têm sido  analisados  dentro  da  problemática  da  ação  coletiva  e  indicados  por  alguns  autores  como.

(22) 22 . universo  dos processos de interação social.  O certo  é que há  muito  tempo  esse  assunto  tem  tomado  peso  nas  reflexões  que  buscam  entender  um  dos  fenômenos  mais  marcantes  da  sociedade  moderna. 2 .  É  a  partir  de  um  olhar  voltado  para  o  entendimento  de  que  eles  são  atores  específicos  da  sociedade  civil  na  busca  de  transformações  sociais  em  direção  a  uma  sociedade mais livre e justa que direcionaremos nosso estudo.  Ao  considerarmos  o  diverso  leque  de  olhares  sob  a  noção  de  movimentos  sociais,  estaremos automaticamente nos remetendo a, também, uma diversidade de fenômenos sociais  designados  como  tal.  Essa  visão  decorre  das  várias  tipologias  empíricas  inconsistentes,  da  heterogeneidade  de  formas  de  organização  e  mobilização  que  têm  sido  consideradas  como  movimentos sociais e da difícil conceituação acerca do assunto. Não nos cabe aqui apresentar  ou  aprofundar  a  problemática  dos  elementos  que  são  considerados  no  norteamento  de  uma  definição, mas apontar aquilo que nos auxilia na sua compreensão.  As  diferentes  interpretações  sobre  o  que  é  um  movimento  social  na  atualidade decorrem de três fatores principais: primeiro: mudanças nas ações  coletivas  da sociedade civil, no que se refere a seu conteúdo, suas práticas,  formas  de  organização  e bases  sociais; segundo:  mudanças  nos  paradigmas  de  análise  dos  pesquisadores;  terceiro:  mudanças  na  estrutura  econômica  e  nas políticas estatais (GOHN, 2004a, p.243). . Entendida  a  diversidade  de  caminhos  a  serem  considerados  e  a  dificuldade  de  formulação  do  conceito,  Gohn  (2004a,  p.245)  nos  oferece  parâmetros  mínimos  para  uma  conceituação; isso a partir de manifestações concretas desses atores por ela identificados.  Trata de olharmos para alguns parâmetros mínimos, designados como: a indicação de  interesses  em  comum, o uso da  expressão  movimento  calcada  na  ação  histórica  dos  grupos  sociais, a diferenciação da noção de ação coletiva e de movimento social e a delimitação do  espaço onde ocorre a ação do movimento.  Vistos essencialmente enquanto um coletivo social articulado a um conjunto de ideais  e  práticas,  os  movimentos  sociais  devem  ter  como  primeiro  componente  para  sua  interpretação  os  “interesses  em  comum”  (GOHN,  2004a,  p.245),  isto  porque  os  membros  organizam­se em torno de uma realidade que os aglutina, que os qualifica como defensores de  uma mesma  causa, esta  causa  antecede  o processo de  inserção do  indivíduo  no  movimento.  Podemos  citar,  como  exemplo,  a  luta  contra  a  discriminação  racial,  ela  deve  existir  antes  mesmo que um indivíduo busque engajar­se em alguma ação reivindicatória. . 2 . O  homem  ao  longo  de  sua  história tem  se  organizado  na  busca  de  seus  objetivos  e ideais,  o  que indica  formas  de  movimentos, como exemplo temos o “Quilombo dos Palmares”. No entanto, é na sociedade capitalista que se acirram  as diferenças e os indivíduos mobilizam­se na luta pela obtenção de suas bandeiras..

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