em risco diz€ndo não ao luminar de sua época", e Galileu caiu porque violou seu lado das regras de patronagem.l6
Considerando todos esses elementos, a "Ascensào da Concepção de Mundo Copernicana" torna-se um assunto de fato complicado. Regras metodológicas aceitas são postas de lado por causa de exigéncias sociais (os patrocinadores precisam ser persuadidos por meios mais efetivos do qu€ argumentação), instrumentos sào usados para redefinir a experiên-cia em vez de serem testados por ela, resultados ìocais são extrapolados para o espaço a despeìto de haver razòes em contrário, analogias abun-dam e, no entanto, tudo isso se mostra, em retrospectiva, ter sido a maneira correta de evitar as restriçòes contìdas nacondição humana. Esse é o material que deveria ser usado para se ter uma compreensão melhor do complexo processo de aquisição e aperfeiçoamento do conhecimento.
Resumindo o conteúdo dos últimos cinco capítuÌos:
Quando a "idéia pitagórìca" do movimento da Terra foi revivìda por Copérnico, encontrou dificuldades que excediam as encontradâs pela astronomia ptolemaìca da época. Falando estrìtamente, tinha-se de considerá la refutada. Galileu, que estava convencido daverdade dacon cepção copernicana e nào compartiìhava a crença bastante comum, em, bora de modo algum universal, em uma experiência estável, procurou novãs espécies de fatos que pudessem dar apoio a Copérnico e, todavia, fossem aceitos por todos. Ele obteve tais fatos de duas maneiras diferen tes. Primeiro, pela inv€nçào de seu teléscópio, que alterou o núcleo senso rioÍ da experiência cotidiana e substituiu-a por fenômenos inrrigantes e inexplicados; depois, por seu pnncipio de relatitidade e por sua d.inâ m1.4, que alteraram os componentes conceituais de tal experiência. Nem os fenômenos telescópicos, nem as novas ìdéias demovimento eram acei
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os outros tipos de movimento com a nota promìssória (devida a Demócrito) de que a Ìocomoção seÍá finalmente capaz de abranger todos os movi' mentos. Assim, uma teoria empírica e abrangente do movimento é subs-titüída por uma teoria mais restrita acompanhada de uma metafísica do movimento, da mesma forma que uma experiéncia "empírica" é substi tuída por uma experiência que contém elementos especulativos. Esse, sugiro, foi o procedimento real seguido por GaliÌeu. Procedendo dessa maneira, ele exibiuestilo, senso dehumor, flexibiÌidade, elegancia e cons-ciêncìa das valiosas fraquezas do pensar humano quejamais foram igua ladas na história da ciência. Temos aqui uma fonte quase inexaurível de materiaÌ para especulaçòes metodoìógicas e, o que é muito mais impor-Ìante, paÍa a recuperação daqueles aspectos do conhecimento que não aDenas ìníormam. mas também nos deleitam-1t
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0 nétod.o de GaÌíIa Juncio\a tambén em outÍos cLnpos Pot exenpLo, pode ser rado para elininat os argumentos exitentes conha o nateriLlisno e paÍa pôÍ fn ao problma flosófco nente / co,po (os prcblrc cintífcos coÌÌespondentes petna necem, contrào, íitocadot). Nao se segue rye deva ser uniursalneíte aplicod.o
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l Para uma discusâo nais detalhada, reneto o leitor a meus Plilosopirical Papers, v l,
No que se refere ao problema mente,/corpo, a situação é exatamente a mesma. Temos mais üma vez observaçòes, conc€itos, princípìos gerais e regras gramaticais que, tomados em conjunto, constituem uma "forma de vida" que, aparentemente, dá sustentaçào a algumas concepções, como o duaÌismo, e exclui outras, como o materialismo. (Digo "aparentemente", poÍque a situação é aqui muito menos clara do que o era no caso da as-tronomia.) E podemos, mais uma vez. proceder da maneira galil€ana, büscar novas interpretaçôes naturais, novos fatos, novas regras gramati' cais, novos princípios que possam acomoda. o materiaÌismo e, então, compdrdr os sistemas lold15 o malerialismo e o. novos fdr05. regras. interpretaçôes naturais e princípìos de um lado; o dualismo e as veÌhas "formas de vida", do outro- Assim. nào há necessidade de tentar de monstrar, como Smart, que o materiaÌismo é compativel com a ideologia do senso comum. Nem é o procedimento suserido tão "desesperado" (Ârmstrong) como dev€ parecer àqueles nào famiÌìarizados com a mu dança conceituaÌ. O procedimento era ìugaÍ comum na Antigüidade e ocorre sempre que pesquisadores imaginativos põem se a caminho em novas dìreçôes (Einstein e tsohr sào exemplos recentes).r
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