Índices de Obras Públicas Registram Aceleração Generalizada!
Denise Cyrillo (*)
Neste início de ano, não se pode afirmar que as perspectivas da economia brasileira melhoraram. As políticas básicas para o controle efetivo da inflação e retomada do crescimento são pouco discutidas. A proposta recorrente é o aumento de impostos, o que tenderá a agravar ainda mais a crise econômica. Em relação a esse tema, a Lei Nº 12.844/2013 sofreu várias modificações em função da publicação da Lei 13.161/2015. Entre as modificações, estão aumentos da alíquota de contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta para diversos setores, e a possibilidade de opção por esse regime no início do ano, em particular, para cada obra, no que tange à Construção Civil, com aumento de alíquota de 2% para 4,5% sobre o faturamento. Neste cenário, os índices de obras públicas calculados pela FIPE, desconsiderando a desoneração,1 registraram uma
aceleração generalizada. Como se observa na Tabela 1, o custo direto das obras aumentou em média de 0,08% (PAV) a 1,41% (TER), contra 0,00 (SGPMO) a 0,49% (TER), calculado em dezembro do ano passado (sob o regime desonerado).
O Índice Geral de Edificações, em janeiro de 2016, apresentou um aumento de 0,38 p.p. em relação à variação calculada em dezembro de 2015. Examinando-se a contribuição das diferentes categorias de insumos, observa-se que, para esse índice, a pressão altista veio dos materiais, 1,02%, enquanto os salários sofreram ligeiro recuo de 0,11%. Equipamentos e Serviços também registraram aumento (0,13% e 0,20%, respectivamente). Comportamento semelhante foi observado para o e Índice de Serviços Gerais com Predominância de Mão de Obra (SGPMO). O aumento de 0,32% também foi puxado pelo reajuste significativo dos materiais (1,11%).
1
“Em virtude da Resolução SF 94, de 23-12-2015, que fixa o índice a ser aplicado nos contratos indexados ao índice de Preços de Obras Públicas que tenham sido objeto de reequilíbrio contratual, a partir desta
Índices de Obras Públicas
– IPOP
anunciados
Os Índices de Preços de Obras Públicas são calculados pela Fipe desde de 1974. São usados para reajuste dos contratos de obras públicas pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e publicados no Diário Oficial do Estado.
Em relação aos índices referentes a obras pesadas, o índice de Terraplenagem deu continuidade a sua trajetória de aumento, registrando reajuste de 1,41%, como já indicado. Nesse caso, a categoria de equipamentos que pressionou o índice, com uma variação de 2,27%. Já o índice de Pavimentação (0,08%) foi contido justamente porque os equipamentos utilizados nesse tipo de obra sofreram deflação de 0,37% e a mão de obra ficou com salários estagnados. Assim, também nesse índice, como no IGE, a pressão altista teve origem nos materiais, cujos preços, na média, aumentaram 0,13%.
Índices Geral Materiais Equipamentos Serviços Mão de Obra
IGE 0,39 1,02 0,13 0,20 -0,11
TER 1,41 0,62 2,27 - 0,15
PAV 0,08 0,13 -0,37 - 0,00
SGPMO 0,32 1,11 - 0,17 -0,12
Fonte: Banco de dados SIPOP/FIPE.
Obs.: IGE - Índice Geral de Edificações, TER - Índice de Obras de Terraplenagem, PAV - Índice de Obras de Pavimentação, SGPMO - Índice de Serviços Gerais com Predominância de Mão de Obra.
O Gráfico 1 mostra os diferenciais das variações dos preços dos insumos segundo categorias e tipo de obra. Destaca-se o aumento dos custos dos equipamentos que participam das obras de terraplenagem, bem como o aumento dos materiais, que pressionou os quatro índices.
Os setores mais representativos na composição dos índices de obras públicas estão listados na Tabela 2, onde se observam várias informações, desde a variação mensal dos preços médios dos insumos, às variações acumuladas no ano de cada setor, para cada um dos três índices dos calculados pela FIPE. Para o IGE, observa-se também a variação anual relativa a 2015, de cada um dos setores. No que tange a esse índice, todos os setores registraram aumentos em seus preços médios, com exceção de três: Extração Mineral, sem variação; Material de Transporte (-0,55%) e Indústria da Borracha (-4,81%). Dentre os setores que tiveram variação positiva, a Indústria Química (3,19%), a Indústria de Produtos Plásticos (2,32%) e a Indústria Metalúrgica (2,07%) foram as que mais pressionaram o preço médio dos materiais no IGE. Cabe destacar que
Tabela 1 – Índices de Preços de Obras Públicas - Variação Mensal (%) – Janeiro/2016
Gráfico 1 - Variação dos Preços Médios de Insumos de Obras Públicas Segundo Categorias – Janeiro/2016
-0,50 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50MAT EQU SER MO
Vale ainda destacar a inflação, ocorrida em 2015, de alguns setores, em relação aos insumos que participam do IGE. Como se observa na Tabela 2, a Indústria de Extração Mineral foi a que conseguiu o mais baixo reajuste, apenas 1,60%. No outro extremo, três setores registraram aumentos de dois dígitos, a saber: Indústria de Produtos Plásticos (16,06%), Indústria da Borracha (11,89%) e a Indústria de Material Elétrico/Comunicações (11,85%). Destas, verifica-se que a Indústria da Borracha perdeu mais de 6 p.p. do que havia acumulado em 2015, neste primeiro mês de 2016!
Em relação às obras pesadas, a Indústria Mecânica reajustou seus preços de modo expressivo (2,97% e 1,20%), pressionando o custo dos equipamentos. No caso do PAV, entretanto, os insumos do setor de Materiais de Transporte (-1,55%) sofreram forte queda, determinando a deflação do preço médio dos equipamentos nesse índice. Em relação ao TER, a Indústria de Minerais Não Metálicos foi outro setor que pressionou esse índice, com um aumento de 2,24%.
Tabela 2 – Índices de Preços de Obras Públicas por Setor
Variação Mensal em 2016 e Acumulada nos Anos de 2016 e de 2015 (%)
SETORES DE ATIVIDADES IGE TER PAV
Jan/16 Dez/15 Acum /16 Acum/15 Jan/16 Acum /16 Jan/16 Acum /16
01- Extração Mineral (EM) 0,00 -0,31 0,00 1,60 0,00 0,00
02- Indústria de Minerais Não Metálicos (IMNM) 0,22 -0,09 0,22 4,25 2,24 2,24 0,15 0,15
03- Indústria Metalúrgica (IMET) 2,07 -0,72 2,07 2,31
04- Indústria Mecânica (IMEC) 0,60 0,16 0,60 6,43 2,97 2,97 1,20 1,20
05- Indústria Material Elétrico/Comunicações (IME/C) 0,35 0,36 0,35 11,85 06- Material de Transporte (MT) -0,55 0,36 -0,55 3,09 -1,05 -1,05 -1,55 -1,55
07- Indústria de Madeira (IMAD) 0,68 1,61 0,68 9,91
08- Indústria da Borracha (IBORR) -4,81 0,66 -4,81 11,89 1,16 1,16 1,43 1,43
09- Indústria Química (IQ) 3,19 0,42 3,19 9,56 0,57 0,57 0,10 0,10
10- Indústria de Produtos Plásticos (IPP) 2,32 1,80 2,32 16,09
11- Serviços da Construção (SC) 0,22 0,65 0,22 4,28
12- Energia Elétrica e Outros serviços Públicos (EE) 0,00 0,00
O comportamento da inflação acumulada dos custos de obras públicas, segundo vários períodos, desde a implantação do Plano Real, está apresentado na Tabela 3. Esses custos acumulam mais de 400% desde abril de 1994, chegando a 740% no que se refere ao índice PAV. A inflação dos últimos 11 anos, por sua vez, variou entre 96,4% e 134,2%. No ano passado, com a desorganização da política econômica, a inflação da economia se descontrolou e o segmento de obras pesadas enfrentou um aumento médio em seus insumos de 25,27% (PAV) e 18,47% (TER), enquanto os índices gerais de edificações e de serviços registraram acréscimo em torno do que era o teto da meta de inflação da política do Banco Central (6,29% e 6,60%, respectivamente). A evolução da projeção anual, mês a mês, desde janeiro de 2015, pode ser visualizada no Gráfico 2, tornando evidente que o setor, que responde por boa parte das melhorias em infraestrutura, enfrentou, em 2015, uma forte aceleração inflacionária, onerando os investimentos tão necessários da área!
Neste início de ano, infelizmente, não se tem indícios de grandes mudanças. 2016 se inicia com variações positivas, ainda que moderadas, dando continuidade ao processo inflacionário vivenciado em 2015. No acumulado de 12 meses, apenas o índice de Pavimentação apresentou um recuo expressivo, em relação ao ano passado, com uma variação de 13,47%, inferior 11,8 p.p. ao acumulado em 2015. Os demais índices registram acumulados de 12 meses da mesma ordem de grandeza do observado nos acumulados de dezembro de 2015.
Tabela 3
Índices de Preços de Obras Públicas –
Variações
Acumuladas
(%)
Períodos IGE TER PAV SGPMO
Abr /1994 – Jan /2016 506,946 443,688 749,445 572,361
Abr /2004 – Jan /2016 124,977 96,443 134,221 132,062
Jan /2015 – Dez /2015 6,293 18,469 25,275 6,595
Fev /2015 – Jan /2016 6,460 18,460 13,414 6,653
Jan /2016 – Jan /2016 0,393 1,409 0,080 0,319
Gráfico 2 – Índices de Obras Públicas - São Paulo Acumulados de 12 Meses
Série Sem Desoneração (Jan/2015 a Jan/2016)
0,000 5,000 10,000 15,000 20,000 25,000 30,000
jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 dez/15 jan/16 IGE TER PAV SGPMO
Índice de Preços de Obras Públicas
Metodologia
CYRILLO, D. C.; FAVA, V. L. Índices de Preços de Obras Públicas e o Plano Real.
Estudos Econômicos
.
Instituto de Pesquisas Econômicas, São Paulo, v. 25, p. 151-180, 1995.
Mais informações:
Série Estatística
Índices de Preços de Obras Públicas – Março de 1994 = 100
(sem desoneração)
Edificações Pavimentação Terraplenagem Serv.
Gerais
Geral Mat.
Constr.
Mão de Obra
Equip. Geral Mat.
Constr.
Mão de Obra
Equip. Geral Mat.
Constr. Mão de Obra Equip. Predom. M. O . Ago 565,733 482,176 720,820 379,403 651,118 724,223 737,196 346,083 434,057 656,530 770,979 293,424 626,715 Set 565,529 481,653 720,538 377,594 652,065 725,285 737,975 346,672 435,770 656,411 771,724 295,810 626,512 Out 565,632 481,463 721,090 379,968 652,055 725,205 737,913 346,931 441,580 655,791 771,834 304,281 626,526 Nov 567,531 484,688 721,987 381,364 660,420 736,707 737,422 347,603 449,095 670,804 771,483 309,811 628,196 Dez 568,183 484,890 722,893 382,229 678,621 762,011 736,559 348,062 453,331 675,928 766,613 314,666 628,751 Jan/15 570,118 488,338 723,361 384,105 748,979 858,415 738,650 352,690 458,963 676,146 768,907 322,313 630,418 Fev 572,325 491,612 723,991 384,838 754,586 865,950 738,230 353,789 472,738 713,763 768,689 328,789 632,328 Mar 574,074 494,653 724,319 392,489 756,571 868,020 739,455 355,745 487,931 716,310 771,037 349,283 633,891 Abr 577,493 500,845 724,213 393,290 757,603 869,339 738,721 356,449 489,173 717,407 770,113 350,782 636,726 Maio 588,445 501,163 750,813 393,045 759,466 870,220 753,377 356,570 486,390 719,976 775,883 345,213 651,272 Jun 591,710 502,562 757,138 391,445 760,748 871,199 761,073 356,341 491,433 720,857 782,507 351,249 655,266 Jul 600,155 503,916 777,404 393,787 763,509 871,621 790,081 356,940 497,139 720,623 822,388 354,514 666,347 Ago 601,726 503,611 781,261 398,603 763,225 870,117 794,845 358,996 510,426 720,808 827,367 372,718 668,347 Set 601,019 502,626 780,892 399,360 784,388 899,447 796,598 358,550 525,537 722,717 829,681 393,251 667,494 Out 601,851 504,658 780,044 401,666 801,473 922,444 796,319 361,292 535,465 745,842 829,580 399,343 667,966 Nov 604,494 509,501 780,484 401,525 848,449 988,223 797,048 359,567 533,565 756,756 830,356 392,750 670,212