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Poluição sonora e a degradação da qualidade ambiental

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA MARCELO DIAS BRASIL CARVALHO

POLUIÇÃO SONORA E A DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL

FLORIANÓPOLIS 2010

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MARCELO DIAS BRASIL CARVALHO

POLUIÇÃO SONORA E A DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Orientador: Prof. Dr. Adão Daniel da Silva

FLORIANÓPOLIS 2010

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MARCELO DIAS BRASIL CARVALHO

POLUIÇÃO SONORA E A DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovado em sua forma final pelo Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 30 de Junho de 2010.

Prof.e orientador Adão Daniel da Silva Universidade do Sul de Santa Catarina

Prof. Dilsa Mondardo

Universidade do Sul de Santa Catarina

Prof. Fernando Grass Guedes Universidade do Sul de Santa Catarina

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Dedico este trabalho aos meus avós Heloisa e Ariosto, aos meus tios Rozemi, Carla e Braz e a minha irmã Thaieni.

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AGRADECIMENTOS

Ao Professor e orientador Adão Daniel. A todos os professores do curso de Direito que contribuíram na minha formação pessoal e no meu crescimento profissional.

A todos que direta ou indiretamente contribuíram para que ao longo dessa jornada eu pudesse de todas as formas possíveis, concretizar este projeto de vida.

Se hoje estou apto a me tornar um Bacharel em Direito, é porque no decorrer desta jornada tive o apoio de todos vocês e sou muito grato por isso.

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A terra é a própria quintessência da condição humana e, ao que sabemos, sua natureza pode ser singular no universo, a única capaz de oferecer aos seres humanos um habitat no qual eles podem mover-se e respirar sem esforços nem artifício. O mundo – artifício humano – separa a existência do homem de todo ambiente meramente animal; mas a vida, em si permanece fora desse mundo artificial, e através da vida o homem permanece ligado a todos os outros organismos vivos.

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RESUMO

A poluição sonora, hoje, tem sido vista como uma grande ameaça ao meio ambiente. Sabe-se que é um dos problemas mais graves que ocorrem nos grandes centros urbanos. Isso se dá devido ao grande aumento da industrialização no país e no mundo em geral. É um problema que ocorre em quase todas as grandes cidades do mundo e, afeta diretamente ao próprio causador, o homem. O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre o meio ambiente e sobre os danos causados pelo excesso de sonoridade relacionado ao meio em que se vive denominado de meio ambiente, uma vez que o planeta está sofrendo grandes transformações devido a má organização mundial, à falta de conscientização sobre os problemas que o excesso de sonoridade pode causar sobre os seres que aqui habitam, mais precisamente ao homem. Devido a isto, se tem vontade de mostrar os perigos, as causas do estresse no meio em que se vive, os animais atingidos por altos decibéis de sonoridade e a situação da saúde do ser humano que sofre grandes transformações por essa má qualidade de vida a que é submetido nos dias de hoje.

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LISTA DE SIGLAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística NBR – Norma Brasileira Regulamentatória

OMS – Organização Mundial de Saúde ONU – Organização das Nações Unidas

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 10

2 MEIO AMBIENTE, TIPOS DE MEIO AMBIENTE E A IMPORTÂNCIA DO MEIO AMBIENTE ... 14

2.1 MEIO AMBIENTE ... 14

2.1.1Tipos de meio ambiente ... 14

2.1.2 Importância do meio ambiente ... 15

3 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL ... 17

3.1 PRINCÍPO DA PREVENÇÃO E PLANEJAMENTO ... 17

3.1.1 Princípio do limite ... 18

3.1.2 Princípio democrático ... 19

4 CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA E EDUCAÇÃO ... 20

4.1 CIVILIZAÇÃO E ECOCIVILIZAÇÃO ... 21

4.1.1 Benefícios da constitucionalização ...22

4.1.2 Responsabilidade social das empresas ... 23

5 POLUIÇÃO SONORA ... 24

5.1 DISTINÇÃO ENTRE SOM E RUÍDO ... 25

5.1.1 Fontes da poluição sonora ... 27

5.1.2 Efeitos do ruído ... 31

5.1.3 Ruído e as indústrias ... 33

5.2 SAÚDE PÚBLICA ... 33

6 CRIME AMBIENTAL ... 38

6.1 OBRIGAÇÃO DE REPARAÇÃO CIVIL ... 38

7 CONCLUSÃO ... 41

REFERÊNCIAS ... 43

APÊNDICES ... 46

APÊNDICE A ... 47

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1 INTRODUÇÃO

Olhando ao redor do mundo se vê por toda parte sintomas que sinalizam grandes devastações no planeta terra e na humanidade. O crescimento material desordenado, ilimitado, mundialmente integrado, extenua os recursos da terra e compromete o futuro das gerações vindouras. A terra em sua história conheceu fenômenos meteorológicos inimagináveis, mas sempre sobreviveu. Sempre salvaguardou o princípio da vida e de sua diversidade. A degradação crescente da terra denuncia a imaturidade do ser humano frente à vida, ao outro, ao futuro.

Pode-se dizer mais que o fim do mundo, se estará assistindo ao fim de um tipo de mundo. Precisa-se de um novo paradigma de convivência que funde uma relação mais benfazeja para com a terra e o homem e, inaugure um novo pacto social e ambiental entre os povos no sentido de respeito e de preservação de tudo que existe e vive.

Há um descuido e um descaso perante o planeta Terra, que está sofrendo violentamente com a poluição que atinge níveis insuportáveis, porém nem tudo ainda esta degradado.

Um princípio de autodestruição está em ação, capaz de liquidar o sutil equilíbrio físico-químico e ecológico do planeta e devastar a biosfera, pondo assim em risco a continuidade da vida.

Precisa-se de mais educação, formação e informação. Para isso, importa-se socializar os conhecimentos, aumentar a massa crítica da humanidade, democratizar as relações de poder e reformar a cidadania ativa. Mais importante que saber, é nunca perder a capacidade de aprender e conviver respeitando o diferente e os limites.

Importa construir uma nova casa humana, “Ethos”, ou aquela porção do mundo que se reserva para organizar, cuidar e fazer o habitat da humanidade. Tem-se que reconstruir a casa humana comum – a Terra – para que nela possa a todos manter. É preciso salvaguardar o planeta e assegurar as condições de desenvolvimento do ser humano, rumo a formas mais coletivas de realização da essência humana.

Esta nova casa deve emergir da natureza mais profunda do ser humano. A partir de dimensões que sejam por um lado fundamentais e por outro,

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compreensíveis a todos, para que tenha seiva suficiente a dar sustentabilidade a uma nova florada humana com frutos sadios na posteridade.

Tudo isso quer dizer, cuidar do próprio núcleo ecológico, descobrir as razões para conservá-lo e, fazê-lo desenvolver dentro da dinâmica que lhe é própria.

Tanto o indivíduo quanto a comunidade local, devem se inserir no meio, cuidá-lo, utilizar os recursos de forma moderada, diminuir os desgastes, reciclar materiais, conservar a biodiversidade, cuidar de praças, lugares públicos, casas e escolas, igrejas e hospitais, estádios e monumentos.

Esse cuidado só se efetivará através de um processo coletivo de educação com acesso a participação na maioria das informações e, troca de experiências.

Desde o descobrimento houve uma preocupação com o meio ambiente no Brasil, normas de proteção à flora e fauna e, início de leis de política nacional do meio ambiente.

A constituição de 1824, o código criminal de 1830 e a lei 601 de 1850 estabeleceram sanções administrativas e penais às infrações decorrentes do mau uso do meio ambiente. O código civil de 1916, a criação do código florestal, do código das águas e do código de caça foram criados disciplinando regras para a proteção do meio ambiente. Mais recentemente na Eco-92, foram propostas ações de proteção, mas muito pouco foi concretizado.

O cumprimento das normas e leis só se obtém pela consciência ecológica e pela educação.

Dentre as agressões e transgressões se sobressaem os referentes à poluição sonora que cada dia se torna mais ampla e contundente.

Cabe ao poder público, não apenas conceder licença para as atividades poluidoras, mas vistoriar, inspecionar monitorar e auditar estas mesmas atividades.

O crescimento desordenado da população e, a má administração governamental, fizeram com que as obras públicas e obras privadas não tivessem o devido cuidado na sua elaboração para se evitar esse tipo de problema que ocorre hoje, a poluição sonora. Além dos espaços estarem cada vez menores nas cidades, a concorrência do mercado em geral se banalizou com as questões de marketing, onde se faz de tudo para vender um produto. Não importa se vai ser aos “gritos” ou a um som em altos decibéis. Nota-se hoje no mercado, o que importa é vender, obter lucro, sem se importar com as leis ou as normas que estão estabelecidas na 11

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sociedade, o planejamento urbano é fundamental. Segundo Luis Paulo Sirvinkas (2008, p.348) “O planejamento urbano é fundamental para o controle de emissões de ruídos causados pelas atividades sociais e econômicas.”

Muito se fala em poluição do meio ambiente, poluição das fábricas, das águas, do ar. Sabe-se a importância dessas questões, mas também se vive em um ambiente de muita tensão, onde nem se percebe os sons que estão ao redor do ser humano. Porém, a vida humana, a vida animal, enfim, a vida como um todo, é prejudicada por estes excessos de decibéis a que está sendo submetida diariamente.

Os excessos já passam despercebidos devido ao grande número de sonoridade e, a quantidade em que ela ocorre ao redor das pessoas, por isso o mal que os afeta é extremamente grande.

A saúde do ser humano, assim como a saúde dos animais, degrada-se aos poucos e, com isso, os problemas ambientais vão surgindo e se tornando mais complexos.

O Estatuto do Estado, a Constituição Federal, é centrado no “homem”, ou seja, na vida humana e não na vida em geral.

O Brasil é considerado um Estado desenvolvimentista, por buscar sempre o desenvolvimento, sempre pensando em evoluir científica e tecnologicamente, em crescer financeiramente, como atualmente dita o Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.

O meio ambiente hoje sofre pela depredação do homem e reage a tal fato. Podem-se ver atualmente grandes desastres, grandes transformações no mundo devido a falta de consciência da humanidade.

A constituição no seu preâmbulo é bem clara ao falar de “bem estar”. Bem estar ou estar bem, significa que o ser humano tem o direito de se sentir em um ambiente agradável, sem que seus direitos sejam violados.

A constituição está centrada no homem e não na vida em geral, porém, é o próprio ser humano que acaba por degradar o ambiente, somente a ele cabem as responsabilidades pelo mal que faz a vida.

A proporção gigantesca atingida pela devastação ambiental, aliada aos problemas ambientais causados pela ação humana, vem provocando uma conscientização planetária no sentido de se preservar o meio ambiente. Parece que, 12

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finalmente, o homem se deu conta de que é parte integrante do meio ambiente e que depende deste para viver.

Ressalta a Constituição Federal de 1988 no seu preâmbulo a seguinte colocação:

Nós representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da Republica Federativa do Brasil.

Como prevê a Constituição Federal de 1988, os Direitos básicos do ser humano estão garantidos de forma com que haja uma harmonia entre ambos. Harmonia entre o povos, entre homem e natureza, enfim, para que o meio ambiente evolua positivamente.

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2 MEIO AMBIENTE, TIPOS DE MEIO AMBIENTE E A IMPORTÂNCIA DO MEIO AMBIENTE

2.1 MEIO AMBIENTE

Todos os seres humanos e todos os seres que aqui se encontram, fazem parte do meio ambiente e interagem um com outro, mesmo que despercebido. Forma-se neste meio ambiente um ciclo, que dele é retirado todos os componentes para poder sobreviver, aos quais são: alimento, ar, água, enfim, todo um conjunto que, bem cuidado, só traz benefícios, mas que ao ser deixado de lado sem os devidos cuidados, acabam afetando diretamente o ser humano, é o que se vê hoje em dia, com as grandes devastações naturais.

Define-se meio ambiente da seguinte forma:

Ambiente indica o lugar ou a orla onde habitam os seres vivos. É o habitat dos seres vivos. Esse habitat (meio físico) interage com os seres vivos formando um conjunto harmonioso de condições essenciais a vida como um todo. A expressão meio ambiente já esta consagrada na legislação, na doutrina, na jurisprudência e na consciência da população. Assim entende-se por “meio ambiente o conjunto de condições, leis, influências, alterações e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (art. 3º, I, da lei n. 6938/81). Logo meio ambiente é o universo composto basicamente de animais, plantas, água,

terra, ar, fazendo disso uma cadeia alimentar onde umsobrevive e depende

do outro. É o conjunto de condições, leis, influências e infra-estrutura de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Porém a natureza não depende do homem para sua

sobrevivência, mas sim o homem depende dela.

(<http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/o_que_e_meio_ambiente.htm >)

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2.1.1 Tipos de meio ambiente

Existem dois tipos de meio ambiente, o natural e o artificial. Nesse sentido, averba Celso Antonio Pacheco Fiorillo:

Meio ambiente natural é aquele constituído pela atmosfera, pelos elementos da biosfera, pelas águas (inclusive pelo mar territorial), pelo solo, pelo subsolo, (inclusive recursos minerais), pela fauna e flora. Concentra-se pelo fenômeno da homeostase, consiste no equilíbrio dinâmico entre os seres vivos e meio em que vivem. (2008, p. 20-21)

Hoje, devido ao fato do mundo ser em certas regiões super povoado e em outras, pouco povoado, o homem, com capacidade de pensamento, inventou um tipo de moradia, a qual hoje se compreende como edificações, “casas conjuntas”, que mal planejadas trazem grandes perturbações sonoras a seus habitantes.

Celso Antonio Pacheco Fiorillo ensina:

Meio ambiente artificial é aquele compreendido pelo espaço urbano construído, consiste no conjunto de edificações (chamado de espaço urbano fechado), e pelos equipamentos públicos (espaço urbano aberto). (2008, p. 20-21)

2.1.2 Importância do meio ambiente

Agride-se o meio em que se vive muitas vezes mais por prazer, do que por necessidade em usar de modo indevido tudo aquilo que traz uma satisfação momentânea, não dando valor ao resto da “vida” como o ar, a água e a terra.

O meio ambiente é o meio em que todos vivem e, é dele que se consegue retirar todos os produtos para sobrevivência. Tudo que se faz aqui na terra provém da natureza. A palavra natureza é de origem Latina: (natura, naturam, naturea ou naturae) e, aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o fato de ser natural.

O homem de forma “irracional” acaba destruindo a base essencial de seu sustendo e, não percebe que naquele pequeno gesto de jogar lixo em lugares impróprios, ter um consumo de energia acima do recomendado, ou por gasto 15

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excessivo de água, afetará seus descendentes em um futuro próximo, de formas ainda não dimensionáveis e inimagináveis pela população em geral.

O ser humano é racional e, dentro desta racionalidade, ele sabe que é um ser egoísta e, acha ser mais forte que a natureza, entretanto, apenas faz parte do conjunto.

O homem depende da terra, mas ela não depende dele para sobreviver. A natureza se reconstitui, o homem não.

No ensinamento de José Joaquin Canotilho:

No regime constitucional brasileiro, como em outros países, apesar do expresso reconhecimento de um direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o direito à saúde – no sentido de possibilidade de desenvolvimento pessoal tranquilo – pode e deve ser entendido como incluidor da proteção contra riscos (e degradação) ambientais. (2007, p. 92)

A lei veio para travar ou tentar diminuir a ação maléfica do homem ao meio em que se vive hoje. A Constituição Federal brasileira adotou uma forma de fazer com que toda essa agressão que a natureza sofre hoje pelo homem seja coibida com leis específicas. Todavia, pouca fiscalização se faz para que a agressão diminua. O Brasil é um país imenso, onde há muitas florestas, rios, enfim, um meio natural que só tem a trazer benefício aos humanos, porém, ele deve saber dosar e ter limites no uso dessas riquezas que os rodeiam.

A constituição de 1988 na sua elaboração com toda sua amplitude de valores a qual ela agrega sobre as coisas, não poderia se esquecer de defender o meio ambiente assim como defende os diretos dos homens, ditando e esclarecendo o artigo 225 nos seguintes termos:

A preocupação com o meio ambiente esteve presente na elaboração da Constituição Federal. O legislador constituinte inseriu o capítulo sobre o meio ambiente no artigo. 225, caput. da Constituição: Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e

futuras gerações.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm)

Dessa forma, a preocupação que o legislador teve com a defesa do meio ambiente deu-se o encargo ao Poder Público como um fiscalizador, uma vez que o meio ambiente é de uso comum, ou seja, de toda a população.

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3 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL

3.1 PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO E PLANEJAMENTO

Entende-se o princípio da prevenção da seguinte forma:

O princípio da prevenção estabelece que quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve

ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes e

economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental.

(SIRVINKAS 2008, p.57)

Paulo Affonso Leme Machado (2008, p.73) defende que: “[...] A maneira mais eficaz de proteger a saúde humana e o meio ambiente dos perigos que esses resíduos representam é a redução ao mínimo de sua geração.”

Nos dias de hoje, olhando para os centros urbanos, vê-se que não há planejamento nem prevenção no que se refere a construções, espaços de lazer e esportes. Tudo é improvisado e, o poder público, faz vistas grossas para se eximir de sua responsabilidade como gestor.

Atualmente, os centros urbanos produzem má qualidade de vida para todos os seres humanos e demais seres da natureza. O crescimento desordenado dos aglomerados urbanos transforma tudo, não respeitando os morros e encostas, os terrenos alagados e as zonas ribeirinhas, transformam-se tudo em condomínios fechados ou em “vilas e favelas”. Os condomínios ostentam o luxo e o poder e, as vilas e favelas, expõem as chagas sociais da pobreza, abandono e falta de condições mínimas para se viver com dignidade.

Não se trata de impor limites no crescimento, mas, mudar o tipo de desenvolvimento: planejado, organizado, considerando as “pessoas” como prioridades.

O crédito fiscal oportuniza a aquisição de bens que além do conforto, poluem o meio ambiente de forma contínua e violenta. O excesso de carro nas ruas, os aparelhos de som, a propaganda comercial sonora provocam desconforto nos moradores dos centros urbanos.

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O planejamento é indispensável para um crescimento sustentável e ecologicamente equilibrado, onde se toma da natureza somente o que ela pode repor, respeita-se e se preserva os recursos naturais para as futuras gerações.

A sociedade deve ser capaz de assumir novos hábitos, nova postura e proteger um desenvolvimento que se preocupa com os equilíbrios ecológicos e o bem estar dos seres humanos e animais.

O desenvolvimento social busca melhorar a qualidade da vida humana. Isto implica valores como a vida saudável e longa, educação, participação política, democracia social e participativa, garantia de respeito aos direitos humanos e proteção contra todo tipo de violência.

Através do planejamento global e consciente, o poder público previne os malefícios do progresso desordenado.

Tem o seguinte entendimento Celso Antonio Pacheco Fiorillo (2008, p.48-49): “De fato, a prevenção é preceito fundamental, uma vez que os danos ambientais, na maioria das vezes, são irreversíveis e irreparáveis.”

Comenta ainda: “A prevenção e a preservação devem ser concretizadas por meio de uma consciência ecológica, a qual deve ser desenvolvida através de uma política de educação ambiental.” (FIORILLO 2008, p. 48-49).

Acrescenta que: “De fato, é a consciência ecológica que propiciará o sucesso no combate preventivo de dano ambiental.”

3.1.1 Princípio do limite

O princípio do limite é o modo que se viu para controlar a emissão de ruídos e ter uma norma padronizada para certas emissões de ruídos. Existem padrões internacionais pré-estabelecidos pela OMS e pela ONU.

Sabe-se que hoje, não adianta impor leis e limites se não houver uma grande fiscalização por parte dos órgãos públicos. Tudo o que o legislador explicita na lei é para o benefício de algo ou alguém, seja em prol da natureza, ou do homem, mas sempre mantendo a harmonia entre ambos. O princípio do limite é voltado para fazer com que essa harmonia se perfaça sem que seja preciso a intervenção do poder coercitivo do Estado, mais precisamente a polícia. Portanto, esse princípio 18

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tem como objetivo a conscientização do homem para agir de forma coerente com a natureza, não a agredindo sem necessidade.

Fala-se muito em desenvolvimento sustentável, para isso, faz-se necessário ditar e promover parâmetros de consumos, gastos, emissões para que se tenha uma melhor qualidade de vida. Do mesmo modo, deve haver uma fiscalização rigorosa das entidades públicas, para que esse princípio do limite seja respeitado em sua plenitude.

Nessa mesma linha de pensamento, ressalta-se:

Também voltado para a Administração Pública, cujo dever é fixar parâmetros mínimos a serem observados em casos como emissões de partículas, ruídos, sons, destinação final de resíduos sólidos, hospitalares e líquidos, dentre outros, visando sempre promover o desenvolvimento sustentável.

(http://www.jurisambiente.com.br/ambiente/principios.shtm#Princ%C3%ADpi o%20do%20Limite)

3.1.2 Princípio democrático

Todo o cidadão como membro da “polis” tem o dever de estar informado e ter participação efetiva sobre tudo o que diz respeito aos cidadãos e a natureza, uma vez que ele faz parte dela, é de dever do cidadão elaborar, desenvolver medidas de melhorias de vida junto aos governantes.

Assegura ao cidadão o direito à informação e à participação na elaboração das políticas públicas ambientais, de modo que a ele deve ser assegurado os mecanismos judiciais, legislativos e administrativos que efetivam o princípio. Esse princípio é encontrado não só no capítulo destinado ao meio ambiente, como também no capítulo que trata os direitos e deveres

individuais e coletivos.

(http://www.jurisambiente.com.br/ambiente/principios.shtm#Princ%C3%ADpi o%20Democr%C3%A1tico)

A participação do povo em seu País sempre será essencial para um bom desenvolvimento do mesmo. A ligação entre população e política deve ser a mais conjunta possível, fazendo com que assim haja um melhor esclarecimento das coisas que ocorrem e que diz respeito aos próprios interesses do população.

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4 CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA E EDUCAÇÃO

A consciência ecológica está intimamente ligada à preservação do meio ambiente. A importância da preservação dos recursos naturais passou a ser preocupação mundial e nenhum país pode se eximir de sua responsabilidade.

A evolução do homem foi longa até atingir uma consciência plena e completa da necessidade de salvaguarda do meio ambiente agredido por todas as formas de poluição.

A consciência ecológica é formada por meio do conhecimento da relação homem versus ambiente, com a regulamentação do art. 225, §1° VI da CF pela Lei n° 9795 de 27 de abril de 1999 que dispõe sobre a educação ambiental. Assim, esta educação deve ser promovida pelo poder público em todos os níveis de ensino. Por educação ambiental, entende-se “os processos por meio ambiente dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade’” (art.1º da Lei n° 9795/99)

No artigo 10 a Lei diz: “a educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.”

O que é o homem sem o meio ambiente sadio equilibrado e preservado? Se todos os outros seres vivos se extinguirem, o homem provavelmente morreria de uma grande solidão de espírito, pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Homem e natureza são interdependentes. Sabe-se hoje que a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. O homem não teceu o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido fará a si mesmo. Há uma estreita ligação em tudo. O futuro da humanidade está ligado à preservação do meio em que se vive.

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4.1 CIVILIZAÇÃO E ECOCIVILIZAÇÃO

O mundo com o desenvolvimento de novas tecnologias, modernizou-se de uma forma muito rápida. Forma essa que fez o homem perder a noção de onde e como esses avanços iriam afetar o ecossistema. Devido a isto, ao mesmo tempo em que ele faz coisas boas, coisas ruins também são geradas, é um efeito dominó.

Incomum hoje é ver um pássaro na rua ou em uma árvore. Nos centros urbanos só se vem pombos, espécie a qual mais se adapta ao meio das grandes cidades. Florianópolis é exemplo disso. É muito comum sair no centro da capital e se deparar com um a sua frente.

Porém, não se acha outra espécie de pássaro. Afastam-se devido ao desenvolvimento urbano das grandes cidades e ao barulho imenso ou a sonoridade descontrolada.

Vivemos em um Estado desenvolvimentista, que a cada dia seus interesses econômicos falam mais alto que os interesses de preservação da nossa fauna. Conservar pássaros na cidade não seria interessante para o desenvolvimento de uma metrópole, porém, os direitos dos animais estão sendo violados de forma brutal, uma vez que as autoridades competentes deixam de fiscalizar corretamente os locais, os horários e, a quantidade de sonorização produzida por cada comércio, hotel, fábrica, carro, enfim, tudo aquilo que gera barulho a mais que o permitido por lei.

Cada país possui problemas particulares, bem como problemas incomuns. Não é tarefa fácil para quem governa deixar de lado interesses pessoais, em busca de um benefício geral, sabe-se que altos valores financeiros são gastos para reparar danos ambientais, entretanto, cada país quer “arrumar somente a sua casa”, fazendo com que os problemas globais continuem.

No presente contexto civilizacional, de que foram sumariamente levantados apenas alguns dados relevantes, constata-se “a incapacidade de pensar em conjunto os problemas locais e os problemas globais”. (AZEVEDO, 2008, p. 22)

Acrescenta ainda que:

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Essa dificuldade vem de longe, sendo coletânea do nascimento da ciência moderna, que sempre cultivou, por sua própria índole o dado parcelar, o que lhe permitiu, simultaneamente, avançar tanto tão pouco. (AZEVEDO, 2008, p. 22)

4.1.1 Benefícios da constitucionalização

Com a imensa devastação que o homem gerou no meio ambiente, chegou um ponto que somente com leis, com normas, pode-se tentar fazer algo em busca de ajuda pela natureza. Como tudo no ser humano, no homem em geral, as coisas devem ser impostas por meio repressivo, para que ele entenda os malefícios que causa a si próprio.

É como no direito penal, que impõem regras de natureza psicológica, como a prisão, como meio de cura, por ter praticado um ato ilícito ou um crime.

O ser humano tem toda capacidade de estar bem com a natureza, usá-la de forma sustentável. A constitucionalização do meio ambiente veio para alertar que certos atos não condizem com essa capacidade que o homem tem de fazer o bem. Nesse sentido, afirma José Joaquim Canotilho:

Mais do que um impacto político e moral, a constitucionalização do ambiente traz consigo benefícios variados e de diversas ordens, bem palpáveis, pelo impacto real que podem ter na (re)organização do relacionamento do ser humano com a natureza. (2007, p. 69)

A competência para legislar sobre a poluição sonora é concorrente. Assim compete à União, aos estados e ao Distrito Federal criar novas normas de controle da poluição (art. 24, VI, da CF). Os municípios também poderão legislar sobre o controle da poluição com base no seu peculiar interesse (art. 30, I da CF) ou suplementar as normas federais ou estaduais (art. 30, II da CF), no entanto, a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios possuem competência comum para combater a poluição em todas as suas formas. (art. 23, VI, do CF). Todos os entes públicos de direito público interno tem competência legislativa, administrativa e, consequentemente, poder de polícia ambiental para exercer o controle da poluição sonora, fiscalizando e aplicando as penalidades cabíveis.

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4.1.2 Responsabilidade social das empresas

A industrialização é necessária ao progresso e ao desenvolvimento. Os grandes centros urbanos já despertaram para a necessidade de planejar o espaço a ser ocupado pelas indústrias. Para diminuir os efeitos da poluição gerada pelas atividades industriais, são criados e desenvolvidos os distritos industriais fora das cidades ou em bairros afastados. O barulho das máquinas, a fumaça das chaminés, o volume de trânsito de caminhões transportando os produtos, tornam necessário o planejamento e a escolha do local adequado para a instalação das indústrias.

A grande maioria dos empresários industriais já se preocupa com a poluição do meio ambiente e o bem estar de seus funcionários. A própria lei define quem é empresário e suas responsabilidades frente ao meio ambiente.

[...] A organização estaria presente quando para o exercício da atividade o indivíduo utilizasse trabalho alheio e capital próprio e alheio. Com a devida vênia, contudo, entendemos que não é imprescindível a utilização de capital alheio para que alguém exerça atividade empresarial; entendemos, portanto, poder haver organização mesmo sem a presença de capital de terceiros injetados direta ou indiretamente no negócio. O sujeito que somente compra à vista, por exemplo, e não utiliza dinheiro emprestado de ninguém para levar adiante sua atividade negocial, por esse simples fato não deixa de ser empresário. (NEGRÃO, 2003, p. 48)

O art. 966 do Código Civil diz que: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.”

Já o artigo 4º da lei 6.938/81 assevera, ainda: “I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico”.

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5 POLUIÇÃO SONORA

Observa-se que a poluição sonora é muito comum e, está presente constantemente na vida das pessoas, principalmente nas grandes cidades. O ser humano, só percebe o barulho em excesso quando ele já ultrapassou “todos os limites” possíveis de ser suportável, no entanto, ao perceber que o barulho está ao seu incômodo, o efeito prejudicial ao ouvido já foi causado, mais tarde afetando as demais partes do corpo humano, fazendo com que sua qualidade de vida se torne precária no dia a dia.

A poluição sonora é entendida da seguinte maneira:

Poluição sonora é a emissão de ruídos desagradáveis que ultrapassados os níveis legais e de maneira continuada pode causar em determinado período de tempo prejuízo a saúde humana e ao bem estar da comunidade. É toda vibração emitida acima dos níveis suportáveis do ser humano, causando lesões no sentindo auditivo. A poluição sonora não deixa resíduos, não tem efeito acumulativo no meio, mas pode ter um efeito acumulativo no homem. É também um dos contaminantes que requer menor quantidade de energia para ser produzido, tem um raio de ação pequeno. É percebido somente por um sentido: a audição. Isto faz com que muitas pessoas subestimem o seu efeito. A população aumenta a cada dia que passa. O planeta hoje sofre com a superpopulação, principalmente nas grandes cidades, nas capitais mais precisamente. Com isso, os problemas aumentam, a fiscalização para impedir que as leis sejam descumpridas se torna mais difícil e assim os

agentes poluidores são constantes.

(http://www.scribd.com/doc/3793753/Poluicao-sonora-2)

Com o trânsito desordenado, com a falta de condições das estradas e, falta de fiscalização nos grandes centros urbanos, os carros se tornaram a principal arma no que diz respeito à poluição sonora bem como a poluição do ar. Sabe-se que o acúmulo de carros, bem como os grandes congestionamentos, fazem com que buzinas sejam acionadas desordenadamente e o ar sendo poluído pelos escapamentos dos carros em baixo movimento, polui-se com a fumaça e com o barulho simultaneamente.

A poluição sonora se encontra em todos os meios, seja em residências, nas ruas, nas fábricas, o barulho é intenso e sem controle, devido a isto, verifica-se que São Paulo é a cidade que mais sofre com essa poluição, conforme site do IBGE: “O barulho dos carros é a principal causa de poluição sonora hoje. Nas principais ruas da cidade de São Paulo, os níveis de ruído atingem de 88 a 104 decibéis. O máximo tolerável é 85 decibéis.”

(25)

5.1 DISTINÇÃO DE SOM E RUÍDO

Ruído é tudo aquilo que traz aos seres humanos e animal uma sensação de mal estar uma vez escutado em excesso. Traz dores, tonturas, enfim, um aglomerado de coisas que se soma a uma série de doenças psicológicas e físicas no ser animal e humano e, até mesmo, ao ser vegetal.

Paulo Affonso Leme Machado (2004 p. 614) defende que: “Entende-se o ruído como uma junção de sons que ao se propagarem na atmosfera causam sensações desagradáveis ao ser humano ou animal.”

O ruído é um agente poluente e traz grandes malefícios ao homem, bem como a natureza, aos animais que rodeiam as grandes cidades. O ruído em excesso é prejudicial à saúde humana, uma vez que ele afeta diretamente a audição dos seres, tanto humano quanto animal.

Na mesma linha de pensamento Celso Antonio Pacheco Fiorillo (2008, p.174) entende que: “O ruído possui a natureza de agente poluente”.

Sabe-se que som é tudo aquilo que se escuta diariamente, que o ouvido humano é capaz de captar sem que aja um transtorno para o mesmo. A partir do momento em que este som se torna indesejável ou, se mistura com demais sons prejudicando e perturbando a audição, passa-se a denominar ruído.

Complementa ainda Celso Antonio Pacheco Fiorillo:

Som é qualquer variação de pressão (no ar, na água...) que o ouvido humano possa captar, enquanto ruído é o som ou conjunto de sons indesejáveis, desagradáveis, perturbadores. (2008, p.174)

Os ruídos denominados constantes, ou seja, aquele barulho que passa a ser diário, fazendo com que o ser humano comece a ter problemas na saúde, como todos os supracitados, entende-se como o mais prejudicial. Os flutuantes já variam pelo tempo, fazendo com o que em algum momento ele se torne perturbador ao ouvido humano. Os transitórios seriam os que ocorrem em algum momento do dia, como uma buzina de um automóvel.

A esse respeito, Fiorillo (2008 apud, SIRVINKAS 2008, p.347) “define os ruídos quanto ao seu aspecto temporal em: contínuos - aqueles que se mantêm 25

(26)

constantes; flutuantes - os que variam periodicamente; transitórios - aqueles ocasionais; de impacto - aqueles transitórios com alta pressão acústica.”

.

Evidencia que:

O critério de distinção é o agente perturbador, que pode ser variável, envolvendo o fator psicológico de tolerância de cada indivíduo. Também importa saber o tipo de ruído verificado, pois os ruídos descontínuos, como os decorrentes de impacto, podem, por exemplo, interromper o sono com

mais facilidade do que os contínuos.

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Com o passar dos tempos, problemas foram desaparecendo e outros surgindo, como um ciclo. Indústrias surgindo, tecnologia em plena ascensão, todavia, a tranquilidade de muitos desaparecendo. A busca pela cidade grande tem seus prós e contras, não existe uma definição do que é mais benéfico, morar em um local de “agito”, porém com todo um aparato que uma cidade do interior não possui, ou, morar na tranqüilidade de uma cidade onde não se tem todos os avanços.

Na história do planeta, evidencia-se que:

O tempo foi passando, centenas e centenas de anos, até que no afã do prosseguir, melhorando as condições de vida do Ser Humano, a indústria em desenvolvimento constante, trouxe consigo o ruído intensivo e nocivo, intoxicando-o aos poucos, lesando-o lenta, constante e irreversivelmente. Há cerca de 2.500 anos a humanidade conhece os efeitos prejudiciais do ruído à saúde. Existem textos relatando a surdez dos moradores que viviam próximos às cataratas do Rio Nilo, no antigo Egito. O desenvolvimento da indústria e o surgimento dos grandes centros urbanos acabou com o silêncio de boa parte do planeta. O primeiro decreto que se conhece para a proteção humana contra o ruído no Brasil, é de 6 de maio de 1824, no qual se proíba o "ruído permanente e abusivo da chiadeira dos carros dentro da cidade", estabelecendo multas que iam de 8 mil réis a 10 dias de cadeia, que se transformavam em 50 açoites, quando o infrator era escravo. (http://www.profcupido.hpg.ig.com.br/poluicao_sonora.htm)

As leis estão postas no Brasil, para tanto, deve-se cumprir. Sabe-se que é um problema generalizado a questão da poluição sonora, mas, para isso, deve-se primeiramente ter consciência do mal uso de eletrodomésticos nas residências, para só depois cobrar dos agentes públicos, os problemas que acontecem fora delas.

Como vemos então uma breve análise das leis 7.347/85 e 6.938/81, 9.605/98 e 8.078/90 que explicam:

Por se tratar de problema social difuso, a poluição sonora deve ser combatida pelo poder público e pela sociedade, individualmente, com ações

(27)

judiciais de cada prejudicado, ou coletivamente, através da ação civil pública (Lei 7.347/85), para garantia do direito ao sossego público, o qual está resguardado pelo artigo 225 da Constituição Federal.

Na legislação ambiental, poluição é definida no art. 3, III, da Lei 6.938/81 como:

A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente, prejudiquem a saúde, segurança e o bem estar da população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.

A Lei 9.605/98, que trata dos crimes ambientais, em seu artigo 54, configura crime “causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar danos à saúde humana [...]”, o que inclui nesta figura delituosa a poluição sonora pelas consequências que produz como dito.

A Lei 8.078/90 do Código do Consumidor, proíbe o fornecimento de produtos e serviços potencialmente nocivos ou prejudiciais à saúde (artigo 10), podendo-se considerar como tais os que produzem poluição sonora.

A Resolução 008/93 do CONAMA estabelece “limites máximos de ruídos para vários tipos de veículos automotores”.

5.1.1 Fontes da poluição sonora

Verifica-se pelas ruas das cidades a diversidade de agentes geradores de poluição sonora, que se tornam em determinadas horas e momentos muito além do permitido por lei e suportáveis pelo corpo humano.

Sobre o desafio dos grandes centros urbanos Luis Paulo Sirvinkas evidencia que:

Hoje, sabe-se que o grande desafio nos grandes centros urbanos além do controle da poluição atmosférica é o controle da poluição sonora (atividades comerciais e industriais, entidades religiosas, trânsito, alarmes, propaganda ruidosa, casas noturnas com isolamento precário, eletrodomésticos, etc. (2008, p. 343).

(28)

“A diversidade das fontes causadoras de poluição sonora está se tornando objeto de preocupação do Poder Público e da coletividade.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261).

“Parece claro que tudo o que precisa aparecer ou se tornar objeto de conhecimento público o fará com a utilização de recursos de emissão de ruídos.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261).

“Para um melhor entendimento, trabalhar-se-á de forma isolada as principais fontes de emissão de ruídos excessivos.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261).

O número de igrejas aumentou consideravelmente nos dias de hoje e, devido a falta de acústica no ambiente interno, os níveis de decibéis também aumentaram consideravelmente. A Constituição assegura o direito de crença, porém, deve-se estar dentro das normas estabelecidas.

Segundo o art. 5º, inciso VI, da Constituição da República Federativa do Brasil, no tocante à realização de cultos religiosos, surge uma questão interessante, pois, em princípio, constitui um direito fundamental do indivíduo.

Talvez um dos maiores problemas entre as grandes cidades são as casas noturnas, muitas delas inadequadas para funcionar, os níveis de decibéis são altíssimos, fora dos padrões adequados, causando assim, transtorno a quem mora ao redor.

“Uma das principais fontes causadoras de poluição sonora são os bares e casas noturnas que, apesar da imensa perturbação, aumentam dia a dia.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Esta fonte é típica dos grandes centros urbanos, onde os bares e as casas noturnas são objeto de diversão de muitas pessoas.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Todavia, os ruídos produzidos por essas atividades acabam por

prejudicar o sossego de moradores vizinhos.”

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Para tanto, aplica-se, também, a Resolução 001/90 do CONAMA no que diz respeito ao seguimento da NBR 10.151 para controle da intensidade do ruído.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Cumpre dizer que os bares e as casas noturnas, para o seu regular funcionamento, deverão se adequar aos padrões fixados para os níveis de ruídos e 28

(29)

vibrações previstos na NBR 10.152.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261).

Com a melhora na economia do Brasil e, melhora no emprego, muitas pessoas aderiram ao transporte aéreo, logo, a frota de aviões tende a aumentar, fazendo com que o barulho intenso se torne um grande problema para a população da maioria das capitais.

“O transporte aéreo também é fonte de poluição sonora, de modo que os ruídos por eles produzidos mostram-se incompatíveis com os padrões permitidos.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Não se deve perder de vista que, nos casos em que os aviões quebram a barreira do som, aspectos inanimados do meio ambiente também são atingidos.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Esta fonte de poluição sonora se acentuou com a chegada dos aviões a jato que são acompanhados de ruídos de grande intensidade.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“A prevenção aos malefícios da poluição sonora deve ser feita ainda que o aeroporto tenha sido instalado na localidade antes da ocupação residencial.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

O Brasil é um país em extremo avanço econômico, tecnológico e, cada vez mais a industrialização vem se desenvolvendo. Na grande maioria existem critérios de absorção de ruídos, devido ao grande maquinário no qual possuem, mas, muitas ainda não são padronizadas e emitem um grande volume de ruído.

“Os ruídos causados pelas indústrias afetam o meio ambiente do trabalho e a vizinhança de um modo geral (meio ambiente artificial).” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Tanto isso é verdade que a poluição sonora e o estresse auditivo são a terceira maior incidência de doenças do trabalho.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Caracteriza-se a indústria como fonte poluidora do meio ambiente artificial quando o ruído projeta-se para além do âmbito interno do estabelecimento, causando ruídos ambientais contínuos, vindo a atingir a vizinhança bem como os próprios trabalhadores. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Deve-se ater a um problema grave que ocorre nas empresas, o ruído que projeta-se para fora é o mesmo que está dentro da própria

(30)

empresa, fazendo com que a população tenha sua saúde prejudicada uma vez que ela não utiliza-se de aparelhos de proteção individual.

“Constata-se que, principalmente nas indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, o ruído se apresenta como algo nefasto à saúde do trabalhador.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Existem poucas regulamentações adiantadas no campo da prevenção e

manutenção de um ambiente de trabalho sadio.”

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Um dos maiores causadores de emissão poluente de sonoridade é o veículo automotor. Percebe-se nas avenidas e ruas das metrópoles o efeito que causam as pessoas. A vida agitada do dia a dia faz com que muitos entrem em estresse e, esse nervosismo se reflete no trânsito.

Observa-se nessa mesma linha de raciocínio que:

O trânsito é o grande causador do ruído na vida das grandes cidades. As características dos veículos ruidosos são o escapamento furado ou enferrujado, as alterações no silencioso ou no cano de descarga, as alterações no motor e os maus hábitos ao dirigir: acelerações e freadas

bruscas e o uso excessivo da buzina.

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Segundo Celso Antonio Pacheco Fiorillo, os veículos automotores são a principal fonte de ruídos urbanos, sendo responsáveis por cerca de 80% (oitenta por cento) das perturbações sonoras devido ao uso excessivo da buzina.

Percebe-se o avanço imenso da tecnologia, novidades de produtos eletrodomésticos são lançados a cada dia, atraindo aos olhares de consumidores aflitos para adquirir uma novidade tecnológica. Mas muitas dessas “maravilhas”

trazem sons perturbadores e mal utilizados.

“A poluição sonora causada pelos eletrodomésticos tem como origem, normalmente, produzir os seus efeitos no interior da casa.” <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261>

A Resolução 20/94 do CONAMA, institui o selo ruído a fim de que seja identificado o nível de potência sonora (medida em decibel) emitido por cada eletrodoméstico.

(31)

5.1.2 Efeitos do ruído

Sabe-se que o número de pessoas que procuram centros médicos, psicólogos, ou seja, toda a área relacionada com a saúde, queixando-se de estresse excessivo, problemas de pressão descontrolada, dores na cabeça, ouvidos, enfim, toda uma perturbação corporal causada pelo som, é expressivo.

Ressalta-se que:

[...] O ruído é o principal poluente depois da contaminação hídrica. O barulho permeia atividades por 24horas e é apontado como uma das causas da falta de qualidade de vida em grandes cidades. (DIÁRIO CATARINENSE, 28 de abril de 2010)

O ser humano em grande maioria só percebe o mal que o ruído faz em sua saúde após o problema já lhe ter afetado em grandes medidas, que é o momento que a surdez começa a ser sentida, zumbidos passam a ser incômodos, hipersensibilidades físicas, conforme se explica:

O ruído é um dos maiores inimigos dos ouvidos. As lesões causadas pela exposição prolongada ao ruído ou a um ruído intenso podem ser permanentes ou temporárias; quando as exposições se repetem, podem provocar uma lesão permanente. A perda de audição não é a única sequela do traumatismo sonoro: os zumbidos e a hipersensibilidade física ou psicológica a certos sons também são classificados como lesões auditivas. (http://saude-publica.blogspot.com/2005/03/poluio-sonora.html)

O ruído normalmente vem de grandes cidades, onde há maior concentração de veículos, de pessoas, indústrias, no qual deve haver também uma imensa responsabilidade social de cada morador, para amenizar este mal que os afeta.

A esse respeito Fiorillo (2008, p.177) observa: “O ruído é um fenômeno tipicamente urbano, sendo este aspecto do meio ambiente grande objeto de preocupação do Poder Público e da coletividade.”

Muito pode ser feito para eliminar esse grande problema instalado nas cidades, basta haver uma fiscalização forte, onde não possa haver funcionamento de ambientes poluidores fora das regras, nas ruas, nas cidades, nas residências.

(32)

Havendo fiscalização dos próprios cidadãos, o problema certamente seria eliminado. A lei já ampara o bem estar do ser humano, mas para isso, ele deve torná-la efetiva.

É importante esclarecer que: “[...] a poluição sonora não é, ao contrário do que pode parecer numa primeira análise, um mero problema de desconforto acústico.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“O ruído passou a constituir atualmente um dos principais problemas ambientais dos grandes centros urbanos e, eminentemente, uma preocupação com a saúde pública.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Trata-se de fato comprovado pela ciência médica os malefícios que o barulho causa à saúde.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Os ruídos excessivos provocam perturbação da saúde mental. Além do que, poluição sonora ofende o meio ambiente e, conseqüentemente afeta o interesse difuso e coletivo, à medida em que os níveis excessivos de sons e ruídos causam deterioração na qualidade de vida, na relação entre as pessoas, sobretudo quando acima dos limites suportáveis pelo ouvido humano ou prejudiciais ao repouso noturno e ao sossego público, em

especial nos grandes centros urbanos.

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

A Organização Mundial da Saúde considera como parâmetros mundiais de níveis de decibéis suportáveis pelo homem:

• Limite tolerável 65 dB(A), acima de 65 dB(A) já é considerado como estresse;

• Num limite superior à 85 dB(A), já há comprometimento auditivo; • Ruídos com intensidade de até 55 dB não causam nenhum problema; • Ruídos de 56 dB a 75 dB podem incomodar, embora sem causar grandes

malefícios à saúde;

• Ruídos acima de 85 dB, a saúde será afetada dependendo do tempo de exposição;

• Ruídos de 100 dB podem causar ‘trauma auditivo' e, consequentemente, surdez;

• Ruídos de 120 dB, além de lesar o nervo auditivo, provocam zumbido, tonturas e aumento de nervosismo;

• Ruídos de 140 dB podem destruir totalmente o tímpano, provocando o estouro do mesmo.

(33)

5.1.3 Ruído e as indústrias

Entende-se que hoje se gasta muito menos com a prevenção do que com o problema já posto. O mundo moderno em que se vive, dá a possibilidade que a industrialização seja modernizada de forma que seus trabalhadores não sofram e, não fiquem à exposição de coisas que causam um malefício desnecessário ao corpo.

Ressalta-se novamente que:

[...] O consumidor precisa exigir equipamentos que não agridam o meio ambiente, recicláveis, biodegradáveis e mais silenciosos. Projetos e construções devem priorizar estudos das emissões de barulho, formas de diminuir esse impacto e plano de monitoramento de ruído. Mas para isso é necessário conscientizar as pessoas de que o excesso de ruído prejudica a saúde. Estão comprovadas pela ciência e pela literatura médica. (DIÁRIO CATARINENSE, 28 de abril de 2010)

Nesse sentido, afirma Fiorillo:

Caracteriza-se a indústria como fonte poluidora do meio ambiente artificial quando o ruído projeta-se além do âmbito interno do estabelecimento, causando, basicamente, o que se chamam ruídos ambientais de fundo, ou seja, contínuos. (2008, p. 181)

Mais adiante comenta: “Entende-se que o ruído causado pelas indústrias, afeta o meio ambiente artificial (a vizinhança de modo geral) e, o meio ambiente de trabalho.” (2008, p. 181).

“Sabe-se que hoje a poluição sonora e o estresse auditivo são a terceira maior causa de incidência de doenças do trabalho.” Fiorillo (2008, p. 181).

5.2 SAÚDE PÚBLICA

O Brasil é um país onde os centros urbanos estão cada vez mais cheios, a população do interior está cada vez mais em busca de novas oportunidades de empregos, oriundas das crises ocorridas nos campos, devido ao fato do clima estar alterado, não trazendo mais o lucro que o campo dava a décadas atrás.

(34)

A esse respeito, Sirvinkas (2008, p.343) observa: “Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) constatou que o Brasil será o país dos surdos, tendo em vista a intensidade dos ruídos produzidos, principalmente nos grandes centros urbanos.”

São Paulo é a maior cidade do Brasil, a mais concorrida entre as pessoas em busca do emprego, de moradia, enfim, de uma vida melhor. Contudo, a qualidade de vida ambiental se torna prejudicada pelo crescimento desordenado da cidade, onde, constata-se que há mais de dois veículos por morador. A poluição do ar contribui muito para tornar São Paulo uma cidade sem qualidade de vida.

Logo, Sirvinkas (2008, p.343-345) observa: “A cidade de São Paulo segundo pesquisa realizada por especialistas, é a segunda cidade mais barulhenta do mundo, estando atrás somente de Nova York.”

Mais adiante, Sirvinkas (2008, p. 345) comenta: “O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) estabeleceu normas gerais de emissões de ruídos.”

“Trata da resolução nº.001, de 8 de março de 1990, do (CONAMA).” (SIRVINKAS, 2008, p. 345)

O mesmo autor ainda afirma que “na realidade essa resolução foi baixada para dar validade à (NBR) nº. 10.152, que dispõe sobre avaliação de ruídos em áreas habitadas, criada pela (ABNT).” (2008, p.345)

O CONAMA, ao estabelecer normas para emissão de ruído, mostra-se com interesse em amenizar o problema da poluição sonora no Brasil. Sabe-se que o problema com o decorrer dos anos tende a agravar cada vez mais e, com isso, os gastos e problemas públicos aumentarão provavelmente. A industrialização não para de crescer e, a tendência para os anos seguintes é de maior crescimento, uma vez que o Brasil é um país em expansão, porém um país despreparado politicamente para receber este crescimento.

Nesse sentido, afirma:

Ressalta essa norma que a emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, obedecerá o interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes estabelecidos nesta resolução. (SIRVINKAS, 2008, p. 345)

A saúde pública no Brasil sempre foi um problema grave, onde falta de condições médicas hospitalares sempre fizeram do (SUS) um nome a “temer” pelo 34

(35)

ser humano que necessita deste atendimento público. Logo, sabe-se que não tomar medidas preventivas quanto a poluição sonora, seria dar espaço para um futuro de complicações generalizadas na saúde pública do Brasil. Os problemas com os ruídos são classificados em indiretos e diretos. Estes causam sérias complicações no organismo do indivíduo, como cansaço, problemas mentais, impotência, pressão arterial elevada, bem como outros problemas. Aquele, mais ameno, porém não menos relevante que os diretos, causam incomodo nos seres humanos, bem como dores auditivas e problemas de comunicação entre os indivíduos.

Nesse sentido, afirma:

Os efeitos dos ruídos podem causar graves problemas para a saúde humana, tais como: problemas auditivos, dificuldade na comunicação com as pessoas, dor de ouvido, incomodo. Esses seriam os indiretos. (SIRVINKAS, 2008, p. 347)

Ressalta ainda que “Já os diretos são classificados como: distúrbios clínicos, insônia, aumento da pressão arterial, complicação estomacal, fadiga física e mental, impotência sexual. (SIRVINKAS, 2008, p. 347).

Entende-se que o mais adequado a se fazer para a não ocorrência desses distúrbios no corpo é a prevenção sonora.

Celso Antonio Pacheco Fiorillo ensina sobre Direito Ambiental:

Tais como: zoneamento ambiental, critérios para licenciamento de uma atividade (estudo do impacto ambiental), o monitoramento ambiental, o relatório de impacto de vizinhança, o revestimento acústico dos estabelecimentos e o uso de equipamentos apropriados. (2008, p. 186)

O mundo com toda essa devastação vem se manifestando e reagindo de forma com que o homem perceba o mal que faz ao planeta e a ele mesmo.

É visível em qualquer cidade, principalmente naquelas que existe uma maior aglomeração de veículos, de empresas, de população, enfim, como a maioria das capitais do Brasil e do resto do mundo, ver a quantidade de poluentes no ar e nas águas.

Acaba-se por desfrutar de todo mal que se faz à vida da natureza, respira-se um ar poluído, bebe-respira-se de uma água impura e, alimentam-respira-se de um solo contaminado.

(36)

Nesse sentido, afirma Granzinera: “Meio ambiente e saúde pública são dois temas indissociáveis. Não há como descrever um desses termos sem recorrer ao outro.” (2009, p. 15)

Mais adiante comenta:

Segundo Hipócrates, o homem era saudável apenas quando apresentava adequado equilíbrio entre seus humores, o que implicava uma relação harmoniosa dele com a natureza. “Do mesmo modo, contemporaneamente, ainda que seja definida somente como objetivo distante, a saúde do homem é argumento essencial para a proteção do meio ambiente”. (GRANZIERA, 2009, p. 15)

É de suma importância para a saúde humana a conscientização de que: “Os especialistas da área da saúde auditiva informam que ficar surdo é só uma das consequências.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Os ruídos são responsáveis por inúmeros outros problemas como a redução da capacidade de comunicação e de memorização, perda ou diminuição da audição e do sono, envelhecimento prematuro, distúrbios neurológicos,

cardíacos, circulatórios e gástricos.

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Muitas de suas consequências perniciosas são produzidas inclusive, de modo sorrateiro, sem que a própria vítima se dê conta.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“O resultado mais traiçoeiro ocorre em níveis moderados de ruído, porque lentamente vão causando estresse, distúrbios físicos, mentais e psicológicos, insônia e problemas auditivos.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Além disso, sintomas secundários aparecem: aumento da pressão arterial, paralisação do estômago e intestino, má irrigação da pele e até mesmo impotência sexual.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Estas nocividades estão em função da durabilidade, da repetição e, em

especial, da intensidade auferida, em decibéis.”

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

A Organização Mundial da Saúde, segundo Rosane Jane Magrini, relata que ao ouvido humano não chega a ser agradável um barulho de 70 decibéis e, acima de 85 decibéis ele começa a danificar o mecanismo que permite a audição. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

(37)

Não tem uma forma de saber a quantos decibéis está o som que passa ao redor do homem a não ser com um “decibelímetro”, aparelho usado para aferições da pressão sonora em determinado ambiente.

“Na natureza, com exceção das trovoadas, das grandes cachoeiras e das explosões vulcânicas, poucos ruídos atingem 85 decibéis. O ouvido é o único sentido que jamais descansa, sequer durante o sono.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Com isso, os ruídos urbanos são motivos a que, durante o sono, o cérebro não descanse como as leis da natureza exigem. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Desta forma, o problema dos ruídos excessivos não é apenas de gostar ou não, é, nos dias que correm, uma questão de saúde, a que o Direito não pode ficar indiferente.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

“Há de se lembrar que o mundo do direito não está alheio aos atos lesivos provocados pelo ruído, na medida em que ele atinge a saúde do homem.” (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Apesar de todos saberem os efeitos da poluição sonora e, inobstante haver Leis Municipais, legislação específica e até outros projetos isolados, de nada adiantam, se a fiscalização dos órgãos competentes, notadamente

das Prefeituras, continuarem praticamente inoperantes.

(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5261)

Assim entende a jurisprudência:

SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça. AI. nº. 2002.024176-3. 2º turma. Apelante Ministério Publico. Apelado: Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Relator: Des. Luiz Cézar Medeiros. Florianópolis, 12 de maio de 2003. Disponível em http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?qID=AAAGxaAALAAAZx 1AAE&qTodas=polui%E7%E3o+sonora&qFrase=&qUma=&qCor=FF0000

SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça. AC. nº. 2002.011726-4. 2º turma. Apelante Ministério Publico. Apelado: Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. Relator: Des. Maurílio Moreira Leite. Florianópolis, 6 de ago de 2002. Disponível em http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?qTodas=polui%E7%E3o+s

onora&qCor=FF0000&qTipoOrdem=relevancia&d-49489-p=3&qID=AAAGxaAAJAAANDgAAD&qFrase=&qUma=

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6 CRIME AMBIENTAL

O cuidado com meio ambiente foi sendo deixado de lado. Não existe a consciência individual, cada um é responsável não apenas por si, mas por todos. Cada pessoa precisa se sentir parte do ecossistema local e da comunidade biótica, considerando tanto a natureza como a cultura. A agressão e o uso desordenado e exploratório do meio atingem níveis que são considerados crimes ambientais.

É urgente despertar o espírito de sobrevivência e de respeito aos ecossistemas os quais o homem participa.

O crime ambiental está em alta, por ser bastante abordado na mídia e, quem viola e vai contra as leis impostas pelos governos acerca do meio ambiente, sendo a sua culpabilidade um pressuposto da pena.

Nesse sentido, afirma Lanfredi:

A vida, no dia a dia, oferece ao observador, como de cupis, inúmeras situações de danos, que nada mais significam que incômodos ou prejuízos provocados pelas forças naturais ou por obra do homem. (2007, p. 55)

Ainda sobre o mesmo assunto, ressalta Geraldo Ferreira Lanfredi: “O dano, do ponto de vista jurídico, é qualquer lesão injusta a valores protegidos pelo direito, inclusive a de caráter moral. Deve reparar o dano quem causa prejuízo a outrem. (2007, p. 55)

6.1 OBRIGAÇÃO DE REPARAÇÃO CIVIL

A cultura brasileira tem nas festas uma de suas características. É comum ver barulho em excesso por todos os lados, em todas as partes, seja das músicas, das propagandas comerciais em busca de divulgar suas promoções. Buzinas usadas descontroladamente por motoristas irresponsáveis e pelas novas tecnologias deste século como os alarmes dos carros, no qual, este é um dos fatores que mais poluem o meio ambiente. Está no artigo 229 do Código Brasileiro de Trânsito: usar

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equipamento de alarme ou que produza sons e ruídos que perturbem o sossego, constitui uma infração média, que pode render multa e apreensão do veículo. Esta é a avaliação do promotor de Justiça Rui Arno Richter, titular da 28ª Coordenadoria de Meio Ambiente de Florianópolis.

Segundo Rui Arno Richter, “faltam normas e parâmetros específicos do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAM) para amparar a fiscalização da poluição sonora vinda do tráfego.”

Pouco se ouve barulhos naturais, como o das águas, dos ventos nas árvores, ou principalmente dos pássaros, que são os animais que mais estão próximos do homem e são também os que mais sofrem com este tipo de abuso sonoro que se observa principalmente nas grandes cidades.

Nesse sentido, afirma Geraldo Ferreira Lanfredi:

Ainda que a conduta do agente, que causa o dano, seja lícita, autorizada pelo poder competente, embora obedeça normas técnicas para o exercício de sua atividade, se dessa atividade resulta prejuízo ambiental, tem ele a obrigação de indenizar. (2007, p. 99-100)

Lanfredi (2007, p.99-100) cita ainda “A responsabilidade, além de objetiva, é integral, não se limitando à indenização a um teto, mediante forma de “seguro-poluição.”

Dispõe a lei 6.938 em seu artigo 14 que conforme a lei 6.938/81 estão estabelecidas as seguintes sanções a quem descumpre as regras impostas para preservação do meio ambiente:

Art 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores:

I - à multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTNs, agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito Federal, Territórios ou pelos Municípios;

II - à perda ou restrição de incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Poder Público;

Referências

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