Junho de 2019
Relatório Final
Estágio Profissionalizante
Regente: Prof. Dr. Rui Maio
Orientador: Dr. Pedro Amado
Raquel Ferreira Dutra
2013394 | Turma 7 | 2018/2019
Mestrado Integrado em Medicina 6º ano
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Índice
I. Introdução ---1
II. Síntese das atividades desenvolvidas ---1
II.I Saúde Mental---2
II.II Medicina Geral e Familiar ---2
II.III Pediatria ---3
II.IV Ginecologia e Obstetrícia ---4
II.V Cirurgia ---4
II.VI Medicina Interna---5
II.VII Outras atividades ---6
III. Posição Crítica Final ---7
IV. Anexos ---9
Anexo 1 - iMed Conference® 10.0 Lisbon 2018 ---9
Anexo 2 - iMed Conference® 10.0 | Workshops – CRITIC --- 10
Anexo 3 - II Curso de Urgências em Neurologia --- 11
Anexo 4 - Jornadas de Formação da UCF – Vertente Saúde da Criança e do Adolescente “À conversa
com a Fisiatria e o Desenvolvimento” --- 12
Anexo 5 - 2º Workshop de Psiquiatria e Psicologia Forense --- 13
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I. Introdução
O currículo do sexto ano do Mestrado integrado em Medicina na NOVA Medical School engloba o Estágio Profissionalizante, que, por sua vez, compreende os seguintes estágios parcelares: Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Medicina Interna. O presente relatório visa descrever, de uma forma sumarizada, as atividades que desenvolvi durante cada um destes estágios, abordando os pontos mais positivos para mim e de que forma contribuíram, através de ganhos académicos e/ou pessoais, à minha preparação para a prática clínica futura.
Apresentarei por fim uma reflexão crítica que avaliará o cumprimento dos objetivos inicialmente propostos para os estágios parcelares, fazendo uma apreciação global deste último ano do mestrado e a sua importância na minha evolução/formação.
Encontrar-se-ão ainda anexados os certificados das atividades extracurriculares em que participei durante este último ano letivo.
II. Síntese das atividades desenvolvidas
Especialidade Tutor(a) Local Período
Saúde Mental Dr. João Vieira Reis Hospital Júlio de Matos
10/Set/2018 a 4/Out/2018 Medicina Geral e Familiar Dra. Isabel Estrela USF Jardim dos
Plátanos
8/Out/2018 a 2/Nov/2018 Pediatria Dra. Raquel Maia Hospital Dona
Estefânia
5/Nov/2018 a 30/Nov/2018 Ginecologia e Obstetrícia Dra. Andreia Rodrigues Hospital Lusíadas
Lisboa
3/Dez/2018 a 11/Jan/2019 Cirurgia Geral Dr. Diogo Albergaria Hospital Beatriz
Ângelo
21/Jan/2019 a 15/Mar/2019 Medicina Interna Dra. Claudia Mihon Hospital Curry
Cabral 18/Mar/2019 a 17/Mai/2019 1 º S EM ES TRE 2 º S EM ES TRE
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II.I Saúde Mental
Neste primeiro estágio integrei-me na equipa do Serviço de Psiquiatria Geriátrica do Hospital Júlio de Matos durante quatro semanas, tendo frequentado a enfermaria e consulta de Psiquiatria Geriátrica onde aperfeiçoei algumas competências relacionadas à entrevista clínica, nomeadamente a necessidade de empatia na abordagem anamnésica, à avaliação psiquiátrica e realização do exame do estado mental tendo realizado diariamente o Mini Mental State Examination a todos os doentes ali internados. Neste contexto pude desenvolver os meus conhecimentos acerca da marcha diagnóstica e abordagem terapêutica adequada às diferentes patologias psiquiátricas, com subsequente otimização durante o seguimento.
Neste estágio vivenciei uma abordagem terapêutica não apenas na vertente biológica, mas também psicológica e de reabilitação social, por vezes estendendo-se também aos próprios cuidadores que, muitas vezes, apresentavam sinais de sobrecarga. Assisti a algumas reuniões familiares onde se salientou a importância da família e dos técnicos de saúde e assistentes sociais que adquirem um papel fulcral na gestão de cada doente. Tive também oportunidade de assistir, a título de curiosidade, consultas externas de Neuropsiquiatria e de Dependências Comportamentais onde me deparei com situações por si só particulares que me permitiram variar o leque de patologias observadas.
Frequentei também o serviço de urgência no Hospital de São José onde observei essencialmente situações agudas ou crónicas agudizadas com necessidade de uma entrevista clínica direcionada e rápida intervenção terapêutica.
Semanalmente participei nos Journal Clubs do serviço onde eram abordados temas e assuntos emergentes da especialidade que me alertaram para a importância de uma atualização científica constante complementada com discussão multidisciplinar e o seu impacto na evolução enquanto equipa médica.
II.II Medicina Geral e Familiar
No estágio de Medicina Geral e Familiar acompanhei a minha tutora em média 8 horas diárias por quatro semanas. Ao longo do tempo foi me imputado um grau de participação crescente e tive oportunidade de conduzir sozinha algumas consultas. Assisti e/ou participei em consultas de saúde de adultos, saúde infantil e juvenil, consulta de doença aguda, consulta de diabetes, planeamento familiar e saúde materna, onde pude realizar uma anamnese eficiente, aconselhar corretamente medidas preventivas de saúde, identificar situações com necessidade de referenciação, colocar hipóteses diagnósticas apoiadas numa requisição ponderada e fundamentada de exames complementares, e ainda propor medidas terapêuticas de acordo com as preferências do doente e a relação custo-benefício.
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Tive ainda a oportunidade de acompanhar uma visita ao domicílio da qual retirei a importância que uma relação de confiança entre utentes e serviços de cuidados primários tem na adesão terapêutica e saúde dos mesmos. Por fim participei também de uma sessão de educação para a saúde dirigida a utentes na sala de espera da USF com intuito de avaliar o controlo da hipertensão arterial, aferir, com as ferramentas adequadas, o risco de diabetes mellitus tipo 2 e educar quanto às complicações de ambas aconselhando a prática de estilos de vida saudáveis.Consegui assim vivenciar todas as vertentes da medicina preventiva – primária, secundária, terciária e quaternária – e compreender a sua importância e impacto na saúde e qualidade de vida dos doentes.
II.III Pediatria
Na enfermaria da Unidade de Hematologia contactei durante estas quatro semanas maioritariamente com um grupo particular de patologias pediátricas menos frequentes na Pediatria Geral, podendo acompanhar a marcha diagnóstica, debate e implementação de estratégias terapêuticas e avaliação da evolução clínica diária, lado a lado com uma constante atualização dos pais que integravam qualquer decisão tomada pela equipa médica.
Pontualmente foi possível acompanhar a minha tutora em consultorias a outros serviços para a observação de crianças que, apesar de internadas noutra enfermaria, tinham diagnóstico de uma doença hematológica de base com necessidade de avaliação pela especialidade e prescrição de cuidados especiais.
Também visitei o Hospital de Dia onde algumas crianças realizavam terapêuticas crónicas endovenosas. Assisti semanalmente às consultas de hematologia e de hemoglobinopatias onde experienciei as particularidades das diversas fases da consulta e do exame físico direcionado, a interpretação de exames complementares, monitorização laboratorial e clínica, proposta de terapêuticas ajustadas ao contexto social e económico de cada criança, e elaboração de relatórios de informação clínica com uma descrição esclarecedora da patologia, cuidados a ter e eventuais complicações. De ressaltar o papel fulcral de uma boa relação com os pais para o sucesso do tratamento e/ou controlo da patologia em causa.
No serviço de urgência, em contraste com o referido anteriormente, contactei maioritariamente com patologias frequentes da pediatria geral, tendo ampliado o meu conhecimento acerca da sua abordagem sistemática e princípios de atuação.
Tive a oportunidade de assistir a consultas de reumatologia, que se revelaram num grupo de patologias muito específico e restrito do qual não detinha qualquer conhecimento prévio. Presenciei também consultas de imunoalergologia onde assisti a realização e interpretação de testes cutâneos (prick) e epirometrias, enquadrados na monitorização e seguimento maioritariamente de doentes já em idade adulta com patologia alérgica.
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Juntamente com os meus colegas de estágio realizei um trabalho intitulado “Microangiopatias trombóticas primárias” onde abordamos situações atualmente pouco frequentes, mas que se tratam de síndromes graves e potencialmente fatais que necessitam de uma abordagem imediata e sistematizada para o sucesso da terapêutica.II.IV Ginecologia e Obstetrícia
Numa grande parte das quatro semanas do meu estágio em Ginecologia e Obstetrícia acompanhei a realização de ecografias obstétricas – para rastreio de anomalias cromossómicas, determinação do sexo, confirmação do bom desenvolvimento fetal e exclusão de malformações orgânicas, avaliação do crescimento e vitalidade fetais –; e ecografias ginecológicas – maioritariamente de rotina em mulheres saudáveis, mas também diagnósticas, monitorização de patologia prévia e rastreio de causas anatómicas de infertilidade. Na consulta externa observei maioritariamente consultas de obstetrícia, sendo que as de ginecologia, em minoria, respeitavam na maioria ao seguimento anual de rotina, com realização de colpocitologia e rastreio do cancro da mama.
Semanalmente frequentei o serviço de urgência e bloco de partos onde presenciei a abordagem de diferentes situações em graus distintos de urgência, mais uma vez na sua maioria obstétricas, onde tive oportunidade de assistir a vários partos, principalmente cesarianas eletivas, e observar a sua preparação anestésica. Durante um dia tive a oportunidade de visitar o laboratório de procriação medicamente assistida onde observei punções ováricas ecoguiadas, contagem de oócitos aspirados, avaliação e preparação de esperma, e descongelamento e avaliação de qualidade de embriões.
Acompanhei também algumas consultas de infertilidade onde assisti a requisição e interpretação de exames complementares, bem como à clarificação dos casais com gestão de emoções e expectativas, bem como a realização de histerossalpingografias.
Fui uma vez ao bloco operatório onde auxiliei como segunda ajudante numa histerectomia abdominal total. Finalmente, realizei um trabalho baseado no artigo de título “Livebirth after uterus transplantation from a deceased donor in a recipient with uterine infertility”, no qual apresentei o primeiro caso mundial de um nascimento fruto de transplante uterino de uma dadora cadáver.
II.V Cirurgia
Durante a primeira semana deste estágio de oito semanas decorreram sessões teórico-práticas onde foram abordados vários temas que vão desde a gestão e organização hospitalar aos temas de cariz mais clínico,
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contando com uma revisão teórica de diferentes patologias e procedimentos cirúrgicos comuns na prática da especialidade. Também participei no curso TEAM (Trauma Evaluation and Management) onde aprendi os princípios fundamentais da abordagem inicial do politraumatizado, com uma estruturação correta das prioridades.De seguida, e já em contexto prático, realizei o estágio opcional na Unidade de Cuidados Intensivos onde acompanhei a evolução clínica diária de doentes internados, observei e realizei algumas técnicas, revelando tratar-se de uma área intimamente ligada à Cirurgia Geral, onde aprendi a examinar de uma forma estruturada por sistemas um doente neste contexto.
O período seguinte correspondeu ao meu estágio de Cirurgia Geral propriamente dito. Assisti à consulta externa que correspondia essencialmente a primeiras consultas para avaliação de indicação cirúrgica e consultas de seguimento pós-operatório, que me permitiram aperfeiçoar o exame objetivo direcionado, a interpretação de exames complementares, e critérios para proposta terapêutica cirúrgica atendendo sempre à correta clarificação dodoente, permitindo assim uma decisão informada. Acompanhei também o meu tutor na enfermaria onde tive oportunidade de avaliar a preparação pré-operatória e a evolução clínica pós-operatória de vários doentes. No bloco operatório pude assistir a várias intervenções cirúrgicas e participar em algumas delas na realização de procedimentos básicos, e sendo eu grande apreciadora da vertente cirúrgica propriamente dita da especialidade, foi uma atividade que me entusiasmou.
Durante uma semana frequentei ainda o serviço de urgência tendo passado pelas diversas vertentes – pequena cirurgia e trauma, balcão de azuis e verdes, posto de observação rápida e posto de estadia curta – que me deram uma visão mais abrangente de queixas e/ou patologias frequentes da área cirúrgica com diferentes graus de urgência e gravidade.
Findadas as oito semanas, em grupo com os meus colegas de estágio, realizei um trabalho com o título “Negócio da China”, onde apresentamos um caso clínico por nós acompanhado incluindo uma descrição breve e simples, à luz do nosso conhecimento, da técnica cirúrgica realizada.
II.VI Medicina Interna
Durante todo o período deste estágio fui integrada numa equipa que me acolheu como um dos seus membros, delegando-me tarefas progressivamente mais importantes e complexas. Pude realizar diariamente uma abordagem completa de 1 a 2 doentes, que englobava colheita de anamnese e exame objetivo, consulta de registos intercorrências, discussão de hipóteses diagnósticas, requisição e interpretação de exames complementares de diagnóstico, revisão do plano terapêutico e redação de diários clínicos com posterior discussão em equipa médica. Também realizei várias punções arteriais e observei outras técnicas como colocação de cateter venoso central, linhas arteriais e paracenteses.
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Acompanhei a minha tutora nas colaborações a outros serviços, nomeadamente cirúrgicos/ortopédicos, bem como ao Hospital de Dia.A atividade da enfermaria fez salientar o papel fulcral das relações interpessoais para uma abordagem holística de cada doente. Desde o contato diário com a equipa de enfermagem e secretárias do serviço, à colaboração pontual com outras especialidades ou com as assistentes sociais, vivenciei a multidisciplinariedade da especialidade e constatei a sua importância para o outcome clínico do doente.No serviço de urgência do Hospital de São José observei vários doentes com patologias diversas, de forma autónoma com posterior discussão com a minha tutora, o que me permitiu treinar uma abordagem anamnésica, diagnóstica e terapêutica mais dirigida e hierárquica, tendo em conta os quadros clínicos mais frequentes a identificação daqueles que exijam maior atenção e rapidez de atuação. Saliento também o exercício a nível da comunicação com os doentes, familiares e acompanhantes que acresce em dificuldade num ambiente de elevado stress.
Acompanhei também a minha tutora na consulta externa de Medicina Interna para onde, de uma forma geral, os doentes, na maioria com multimorbilidade, eram referenciados para iniciar ou dar continuidade a um estudo complementar, ou para otimização terapêutica de patologias médicas mal controladas, revelando-se numa vertente que complementa as outras áreas da especialidade, sendo possível desenvolver uma abordagem diferenciada e mais centrada no doente como um todo.
Na urgência interna observei a monitorização clínica dos doentes da enfermaria de durante o período noturno, com resolução de eventuais problemas agudos que ocorressem, bem como o apoio a eventuais intercorrências médicas noutras enfermarias do hospital, nomeadamente nos serviços cirúrgicos.
Como habitual, no fim deste estágio realizei em conjunto com os meus colegas de estágio um trabalho sobre “Emergências Oncológicas”, em que abordamos principalmente causas estruturais/obstrutivas.
II.VII Outras atividades
Além das vertentes englobadas pelo estágio profissionalizante, realizei outras atividades que estarão indicadas nos certificados em anexo. Aproveito para referir que frequentei, no âmbito da Unidade Curricular Opcional, um estágio em Neurocirurgia no Hospital dos Lusíadas de Lisboa, sob orientação do Prof. Dr. Victor Gonçalves, devido à curiosidade que mantive pela especialidade que se revelou das poucas não experienciadas ao longo do curso.
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III. Posição Crítica Final
A educação médica pré-graduada representa uma das dimensões da formação em Medicina e pretende desenvolver e consolidar determinadas competências nucleares, nomeadamente aptidões clínicas e
procedimentos práticos como a realização de história clínica e exame objetivo, a elaboração de hipóteses
diagnósticas e requisição dos devidos exames complementares, o planeamento de gestão do doente e propostas terapêuticas, e ainda a correta referenciação. Além destas, outras competências revelam particular importância como atitudes e comportamentos nas relações com outros profissionais, com a sociedade e com o sistema de prestação de cuidados de saúde, bem como aptidões de comunicação
interpessoal com os pares, doentes e familiares, e ainda capacidades oratórias. Simultaneamente deve
existir uma aplicação de princípios éticos em todas as vertentes do exercício clínico.
Findado este ano letivo, considero que os objetivos inicialmente propostos para cada estágio parcelar foram, de uma maneira geral, atingidos.
No que diz respeito às aptidões clínicas os estágios com maior importância no seu desenvolvimento foram sem dúvida os de Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar tratando-se de especialidades que abordam diversas patologias nas quais contactei com um elevado número de doentes diferentes, o que me permitiu treinar uma avaliação adequada e consequente plano de gestão e terapêutica. De referir que o ponto que claramente terá de ser mais trabalhado e no qual me sinto menos à vontade trata-se da prescrição terapêutica adequada, que acredito ser uma competência progressivamente aprimorada com a experiência clínica.
Quanto aos procedimentos práticos penso ter sido nos estágios de Cirurgia Geral e Ginecologia e Obstetrícia onde pude adquirir um treino mais prático em certas técnicas, naturalmente por se tratarem de especialidades cirúrgicas. No entanto penso que poderia ter sido uma valência mais bem trabalhada tendo havido menos oportunidades relativamente a experiências nas mesmas áreas nos anos anteriores.
No âmbito das atitudes e comportamentos nas relações estabelecidas, consegui observar uma evolução bastante favorável em todos os estágios da minha interação com colegas e outros profissionais de saúde que catalisaram uma melhor gestão multidisciplinar dos doentes culminando num benefício acrescentado à sua evolução clínica.
Por sua vez, embora se trate de uma aptidão transversalmente apurada em todos os estágios, a minha capacidade de comunicação interpessoal foi mais desenvolvida em Pediatria e Saúde Mental, uma vez que na primeira lidei com crianças muitas vezes incapazes de comunicar e responder devidamente, havendo necessidade de adquirir ou complementar informação com os pais, e na segunda, no meu caso particular em Psiquiatria Geriátrica, contactei com doentes maioritariamente com síndrome demencial em que a entrevista clínica detinha pouca fidedignidade sendo novamente necessário recorrer aos familiares ou cuidadores.
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Relativamente às capacidades oratórias, pude aprimorá-las ao longo de todo o ano, quer em reuniões de equipa médica em que apresentei e discuti os doentes observados, quer pelos trabalhos realizados em quase todos os estágios com apresentação para os respetivos serviços que melhoraram as minhas aptidões de exposição em público, principalmente no que diz respeito ao cumprimento do tempo indicado e ao foco nos pontos chave de cada assunto. Destaco ainda algumas conferências ou palestras a que tive oportunidade de assistir, por interesse pessoal manifesto nos assuntos abordados em cada uma delas, sendo estas minimamente contextualizadas nas diferentes áreas abrangidas pelo estágio profissionalizante ou simplesmente por fruto da minha curiosidade médica.Fazendo um balanço global deste último ano, é bastante claro que se tratou de um período desafiante a vários níveis. A motivação e entusiasmo com que encarei as variadas atividades clínicas, em cada uma das especialidades por que passei, permitiram-me tomar o máximo proveito do estágio profissionalizante para consolidar competências e adquirir um grau de autonomia crescente essencial para o início da minha prática profissional que se avista brevemente.
Encerro este capítulo não só do meu percurso académico, mas também da minha vida pessoal, sem
sentimento de dever cumprido, mas sim convicta do dever que cumprirei daqui em diante enquanto médica que sempre ambicionei ser. Agradeço e valorizo todos os professores, assistentes, outros profissionais de saúde e colegas que intervieram neste meu trajeto, partilhando comigo conhecimento que de certo ajudou a moldar o meu crescimento e me fizeram abraçar cada vez com mais certeza esta missão.