DIREITO DO TRABALHO
DIREITO DO TRABALHO
PONTO 1: Prescrição do Trabalhador Rural PONTO 2: Prescrição de Ofício
PONTO 3: Prescrição das Contribuições Previdenciárias PONTO 4: Prescrição Intercorrente
PONTO 5: Prescrição em Acidente de Trabalho PONTO 6: Prescrição do Empregado Doméstico
PONTO 7: Prescrição aplicada aos trabalhadores autônomos PONTO 8: Prescrição do Trabalhador Avulso
1. Prescrição do Trabalhador Rural:
Quando adveio a CF de 1988, a prescrição para o trabalhador rural só se dava com o término do contrato de dois anos contados da data da extinção. Ou seja, não havia prescrição no curso do contrato.
Havia outro dispositivo que o empregador que quisesse de desincumbir das obrigações com relação ao empregado rural poderia ajuizar uma ação de prestação de contas na justiça do trabalho, com uma sentença declaratória de quitação das obrigações, livrando-se dos cinco anos.
Esta regra foi até 2000, com a E.C. 28 que altera o artigo 7º, XXIX1, CF, equiparando os trabalhadores urbanos e rurais. Ou seja, aplica-se a mesma prescrição que do trabalhador urbano. Discussão da constitucionalidade dessa alteração.
OJ-SDI1-38: “EMPREGADO QUE EXERCE ATIVIDADE RURAL. EMPRESA DE REFLORESTAMENTO. PRESCRIÇÃO PRÓPRIA DO RURÍCOLA. (LEI Nº 5.889/73, ART. 10 E DECRETO Nº 73.626/74, ART. 2º, § 4º)”.
Tese que foi aprovada no último Congresso Nacional do Direito do Trabalho - Regra no CC que na relação de dependência não ocorre prescrição enquanto houver a dependência.
1 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
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Na justiça do trabalho também há dependência do trabalhar com o empregador no curso do contrato, portanto, a ausência de proteção contra despedida deveria ser uma causa de impedimento do curso da prescrição. Corrente minoritária.
Márcio Túlio Viana já o defende há algum tempo, ao argumento de que o princípio da proteção se justifica pela existência do inegável poder social, que um dos contratantes exerce sobre o outro. Entende que deve ser contando o prazo de prescrição apenas a partir do término da relação de emprego, quando o empregado passa a ter a possibilidade real (e não apenas retórica) de buscar junto ao Poder Judiciário a satisfação de seus créditos.
Essa tese surgiu na Itália. Tem garantia contra a despedida.
Nesse sentido vem entendendo a jurisprudência italiana que, em decisão paradigmática da Corte Constitucional (sentença n. 63, de 10 de junho de 1966), declarou a inconstitucionalidade das normas acerca da prescrição, contidas no Código Civil de 1942, para o efeito de concluir não haja prazo prescricional em curso durante o período de vigência de contrato de trabalho não contemplado com a tutela real, ou seja, com a verdadeira e efetiva garantia contra a perda do posto de trabalho. A existência mesma de contrato de trabalho em curso constitui, assim, causa de impedimento do curso da prescrição.
Na aludida decisão, a Corte Constitucional Italiana faz afirmação que serve com exatidão à realidade brasileira: “Não existem obstáculos jurídicos que impeçam de fazer valer o direito ao salário. Existem, todavia, obstáculos materiais, isto é, a situação psicológica do trabalhador, que pode ser induzido a não exercitar o próprio direito pelo mesmo motivo pelo qual muitas vezes é levado à sua renúncia, isto é, pelo temor da dispensa; de modo que a prescrição, fluindo durante a relação de emprego, produz exatamente aquele efeito que o art. 36 pretendeu coibir proibindo qualquer tipo de renúncia: mesmo aquela que, em particulares situações, pode se encontrar implícita na ausência do exercício do próprio direito e, portanto, no fato que se deixe consumar a prescrição”.
No Brasil, a necessidade de valorização social do trabalho como fundamento da República e a cláusula expressa no art. 9º2
da CLT, que torna nulos quaisquer atos tendentes a
2 Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação.
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suprimir, fragilizar ou mitigar direitos trabalhistas, determina a compreensão de que a restrição ao direito fundamental de ação contido no art. 7º, XXIX, da Constituição, se opera apenas nas hipóteses em que exista efetiva garantia de manutenção do emprego, sob pena de estarmos (como estamos!) chancelando diariamente renúncia de crédito alimentar, em afronta clara e incontornável ao que estabelecem os artigos 100, § 1º-A, da Constituição e 1.707, do Código Civil. Essa compreensão decorre de um olhar para o ordenamento jurídico como sistema, cujo escopo é fazer prevalecerem os valores eleitos como essenciais em determinado Estado. É, também, fazer prevalecer “a justiça” como um dos “valores supremos de uma sociedade fraterna”, na dicção do preâmbulo do nosso texto constitucional.
Ocorre que a jurisprudência dominante, e bem assim a maior parte da doutrina, vêm negando eficácia plena e imediata ao inciso I do art. 7º da Constituição e, por consequência, chancelando um suposto direito absoluto do empregador, de pôr fim ao vínculo de emprego, sem sequer informar o motivo de seu ato. Ora, se o empregador tem direito de extinguir o vínculo de emprego quando quiser, sem precisar motivar seu ato, não é razoável que os créditos por ele não adimplidos durante o vínculo estejam sujeitos à prescrição.
Assim, enquanto não garantida a plena eficácia do sistema de garantia contra a despedida arbitrária de que cogita o art. 7° da Constituição, a vigência do contrato de emprego constitui elemento impeditivo ao fluxo do prazo prescricional, cuja contagem, pelo menor prazo previsto na Constituição (biênio), tem início tão-somente após o rompimento da relação.
2. Prescrição de Oficio: Houve alteração da redação do §5º3 do art. 219 CPC.
É aplicável ao processo do trabalho? Há duas correntes.
- Corrente contrária:
1) Processo do trabalho tem regra própria. Argumento falho porque sempre foram utilizadas as regras do CC e CPC.
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2) Admite as aplicações de prescrição e decadência do CPC e CC, mas essa regra é contra os princípios do direito do trabalho. Pois não é compatível com o princípio da proteção do trabalhador.
É incompatível na justiça do trabalho porque o Juiz estaria se colocando no lugar do empregador, quebra a paridade do processo.
Além disso, existe uma regra, no art. 1914
do CPC, acerca da renúncia da prescrição pelo devedor.
A maioria entende pelo não reconhecimento da prescrição de oficio.
Súmula 153 TST: “Não se conhece de prescrição não arguida na instância ordinária”.
- Corrente Favorável:
Jurisprudência: decisões minoritárias de aplicação da prescrição de oficio.
TST ainda não consolidou a jurisprudência.
3. Prescrição das Contribuições Previdenciárias:
Art. 114, VIII da Constituição Federal – Compete à Justiça do Trabalho: “a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir”
Artigo 195, I, a - contribuições sociais:
“I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.
4 Art 191. Quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores, ser-lhes-ão contados em dobro os prazos para contestar, para recorrer e, de modo geral, para falar nos autos.
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II - contribuições sociais “do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201”.
Súmula 368 do TST: “A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o salário-de-contribuição”.
Houve alteração da CLT, Art. 876, paragrafo único: “Serão executadas ex-officio as contribuições sociais devidas em decorrência de decisão proferida pelos Juízes e Tribunais do Trabalho, resultantes de condenação ou homologação de acordo, inclusive sobre os salários pagos durante o período contratual reconhecido”.
Natureza das contribuições previdenciárias:
As contribuições previdenciárias não se confundem com créditos trabalhistas.
Discute-se a natureza do crédito previdenciário: tributo ou contribuição especial, com natureza própria.
Entendimento majoritário: natureza tributária.
Prazo prescricional:
Lei 8212/91, art. 45: “o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído” e em seu art. 46 que “o direito de cobrar os créditos da Seguridade Social, constituídos na forma do artigo anterior, prescreve em 10 (dez) anos”.
Súmula vinculante nº 8 do STF considera inconstitucionais tais artigos, porque fixam matéria tributária.
LEF - Lei 6.830/80 (subsidiária em matéria de execução no processo do trabalho) - art. 2º, § 9º: “o prazo para a cobrança das contribuições previdenciárias continua a ser o estabelecido no Art. 144 da Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960”.
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Essa legislação, por sua vez, refere no artigo 144 que “o direito de receber ou cobrar as importâncias que lhes sejam devidas, prescreverá, para as instituições de previdência social, em trinta anos”.
CTN - Art. 174 - “A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva”.
Entendimento majoritário: aplicação do CTN.
Termo Inicial é quando deveria ter sido constituído o crédito. No período do contrato.
4. Prescrição Intercorrente:
A prescrição intercorrente é aquela que se opera na fase de execução, pois era separado o processo de conhecimento e processo de execução.
Se o credor na fase de execução deixar de promover atos de execução por período superior ao estabelecido em lei, o Juiz poderia declarar a prescrição intercorrente com exame do mérito – previsão do CPC até 2005.
Em 2006, o CPC exclui a prescrição intercorrente, passou a arquivar provisoriamente com registro do débito, podendo ser desarquivado a qualquer tempo, se houver bens, para continuar a execução.
Súmula 114 TST: “É inaplicável na Justiça do Trabalho a prescrição intercorrente.”
Devido ao art. 8845 da CLT mencionar as matérias que podem ser alegadas nos embargos de execução, a doutrina reabriu a discussão mencionando que só caberia a prescrição intercorrente.
5 Art. 884 - Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado 5 (cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exeqüente para impugnação.
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Houve alteração da LEF, em 2004, §4º, art. 40: “Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004).”
Súmula 327 do STF: “O direito trabalhista admite a prescrição intercorrente.”
Com essa alteração retornou a discussão: atualmente, o entendimento do TST ainda é da aplicação da sua Súmula. Porém, nos Tribunais há várias decisões contrárias.
5. Prescrição em Acidente de Trabalho:
Até E.C. 45 de 2004 qualquer indenização por dano material e moral decorrente de acidente de trabalho a competência material era da justiça comum. Assim, aplicavam-se as regras do CC.
A E.C. 45/04 altera a competência material – indenização por dano material e moral decorrente de acidente de trabalho para a competência da justiça do trabalho.
Porém, a justiça do trabalho indagou-se qual a prescrição a ser aplicada. Há divergência na doutrina:
1ª corrente - aplica CF - entende que alterou a competência, altera também a natureza, passando a ser trabalhista.
Há dois entendimentos:
- Aplica-se art. 7º, XXIX da CF- prazo de 5 anos.
- Prazo de 2 anos.
2ª corrente - aplica CC – menciona que a natureza jurídica não modificou, permanecendo crédito civil. Dois entendimentos:
- Art. 206, §3º6
, CC - 3 anos.
6 Art. 206, § 3o Em três anos:
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;
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- Regra de transição do art. 2028, CC – “Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.”
3ª corrente – entende que o crédito é civil, mas não se confunde com reparação civil. Portanto entraria na regra geral do CC - art. 2057 - 10 anos.
4ª corrente – entende por não enquadrar no conceito de reparação civil, deve-se analisar o direito específico – no caso vida do trabalhador. Direito de personalidade - Imprescritível.
Para o TST prevalece o entendimento de que se aplica a prescrição trabalhista de 5 anos – prazo do Art. 7º, XXIX, CF.
Discussão – termo inicial:
- Súmula 230 STJ: “A prescrição da ação de acidente do trabalho conta-se do exame pericial que comprovar a enfermidade ou verificar a natureza da incapacidade”.
- Súmula 278 STJ: “O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral”.
6. Prescrição do Empregado Doméstico:
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; V - a pretensão de reparação civil;
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo: a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial; IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. 7 Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.
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Nota-se que com relação ao trabalhador doméstico aplica-se art. 7º, paragrafo único8 , CF. Não aplica a CLT, há lei própria, na qual não há prazo de prescrição.
Há dois entendimentos:
- Entendimento majoritário: sejam aplicáveis os prazos prescricionais constitucionais também a esses trabalhadores. Aplica-se o art. 7º, XXIX, CF.
- Entendimento minoritário: como não há referência de aplicação do inciso XXIX do art. 7º no parágrafo único do mesmo artigo, os empregados domésticos têm direito de ação, mas não há prescrição.
7. Prescrição aplicada aos trabalhadores autônomos:
O entendimento majoritário entende que não se aplica o art. 7º, CF, uma vez que são direitos e restrições previstas aos empregados.
Não há jurisprudência majoritária.
► Estagiário:
A prescrição aplicada:
- Por analogia, é a mesma do empregado.
- Caso reconheça que não relação de emprego, busca-se a regra no CC – regra geral do art. 205 que é prescrição de 10 anos.
Não há posicionamento do TST
► Representante Comercial:
Nesse caso há previsão expressa na Lei do Representante comercial – Lei 4886/65, art. 449
– prazo 5 anos.
8 Art. 7º. Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.
9 Art. 44. Parágrafo único. Prescreve em cinco anos a ação do representante comercial para pleitear a retribuição que lhe é devida e os demais direitos que lhe são garantidos por esta lei.
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Decisões do TST consideram aplicável a prescrição da Lei 4886/65. A diferença na aplicação desta Lei e o art. 7º da CF é que no prazo da lei não há limitador de 2 anos.
► Trabalhadores em geral:
Aplica-se por analogia o inciso XXIX do art. 7º ou busca-se a regra geral do art. 206 do CC.
8. Prescrição do Trabalhador Avulso:
Aplicam-se as mesmas regras que aos empregados, não pode haver diferença – art. 7º, XXIX, CF.
Termo inicial:
Se conta da data de cada prestação de serviço.
OJ SDI I 384: “TRABALHADOR AVULSO. PRESCRIÇÃO BIENAL. TERMO INICIAL. É aplicável a prescrição bienal prevista no art. 7º, XXIX, da Constituição de 1988 ao trabalhador avulso, tendo como marco inicial a cessação do trabalho ultimado para cada tomador de serviço.”