2008/04/18
B
EMPOSTAONTHER
OAD- U
MCONCEITODIPLOMÁTICOBruno Caldeira
Os Descobrimentos Portugueses foram porventura a época áurea do povo português. Depois das guerras com Castela, e com a definição das suas fronteiras, a audácia e coragem dos portugueses virou-se para a conquista do mar, até então pouco conhecido, e que nas mentes da Idade Média estava impregnado de lendas fantasiosas, mistérios e medos assombrosos de uma sociedade muito fechada.
Na sua génese, o empreendedorismo e a sagacidade do
Infante D. Henrique veio atestar que a pequena nação chamada Portugal veio dar novos mundos ao mundo com a descoberta de novos territórios e novos povos, até então completamente
desconhecidos e de existência duvidosa aos olhos dos Reinos da Europa. Essa época gloriosa para os portugueses veio moldar o sentido da pátria, criando uma mitologia e heróis próprios, que hoje ainda estão imortalizados no povo português e no mundo.
Virando a página para o Século XXI, e situando no nosso Portugal, é bem sabida a existência de regiões que se desenvolvem económica e socialmente a vários ritmos. No extremo oposto desse nível de desenvolvimento temos o interior, mais precisamente as pequenas aldeias da província que tendem a desaparecer no tempo. Uma dessas aldeias chama-se Bemposta, que pertence ao concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco. A antiga Bemposta do Campo, que foi sede de concelho, concedido pelo foral do Rei D. Manuel I, em 1510.
A pequena Bemposta do Campo foi durante mais de três séculos município, gozando no seu tempo de autonomia política e jurídica, simbolizado pelo seu belo pelourinho. Contudo, o declínio
populacional e de investimento parece irreversível. Mas será mesmo assim? No passado dia 15 de Março, no Museu de Harrow em Londres, deu-se início ao projecto “Bemposta On The Road”. Mas no que consiste efectivamente o projecto “Bemposta On The Road”?
Em termos exógenos, consiste em mostrar através de uma exposição fotográfica, denominada “Bemposta – A Deep Looking”, as cenas quotidianas da Bemposta, as pessoas, o património cultural, os campos, as paisagens, isto é, os momentos peculiares desta aldeia; e em ser
transportada, através de uma exposição fotográfica, para Londres, onde estará a decorrer até ao dia 11 de Maio, e que em Setembro visitará a capital do design europeu, Helsínquia, na sua
universidade. No final do ano, dará um salto até à báltica Lituânia, para ficar patente na sala de exposições da Embaixada de Portugal em Vílnius.
Esta viagem promocional continuará no próximo ano e no mês de Abril atravessará o Oceano Atlântico, até à “Big Apple”, Nova Iorque. E no dia 10 Junho, dia de Portugal e das comunidades portuguesas, vai estar presente em Newark, na galeria “A Ferro”, terra de grande emigração
portuguesa, para finalmente regressar à Bemposta, à sua pátria portuguesa no mês de Setembro de 2009. Toda esta itinerância, remete-nos para a parte endógena, o sopro fundamental da sua
essência.
Como é sabido, uma pequena terra como a Bemposta não tem ao seu dispor recursos económicos que a possam sustentar socialmente, mas a realidade comprova precisamente o contrário. E, sendo assim, tendo como pano de fundo uma exposição fotográfica que retrata uma pequena aldeia, como maximizar esta situação?
Em primeiro lugar, temos que referir que as imagens exóticas e os planos caricatos do objecto da exibição, a fotografia, chamam muita atenção aos visitantes por um completo contraste com o seu quotidiano; por outro lado, as cenas reflectidas na “Bemposta – A Deep Looking”, e como alguém dizia na inauguração no Museu de Harrow, … «existem várias Bempostas no mundo».
Assim, a originalidade, a inspiração do autor, vêm captar nos visitantes da exposição e eventuais turistas da aldeia da Bemposta, da região e do país, um sentimento de simpatia, ternura e de curiosidade. Portanto, estamos na presença de dois factores fundamentais para o sucesso – a originalidade e a afeição. Todavia, e até porque a dimensão territorial desta aldeia em concreto é muito reduzida, apenas 10 Km2, teremos que associar ao factor de desenvolvimento local, o regional e o nacional, pelo menos em termos turísticos, nem que seja apenas pela viagem e as inerentes
despesas de deslocação.
Turisticamente, parece óbvio que a pequena Bemposta pode beneficiar com este projecto o país. A dimensão cultural que aqui já foi referenciada, aliás ela é a cara do projecto, mostra uma parte etnográfica de Portugal e se a intenção é seduzir além fronteiras e fazer desta campanha uma acção de charme do país, é primordial a divulgação nos países que irão acolher a “Bemposta On The Road” de uma forma séria, objectiva e pragmática, o que deverá estar a cargo do Instituto Camões, como representante cultural de Portugal no estrangeiro, nomeadamente através dos seus leitores ou centros culturais, e em certa medida do Turismo de Portugal, aproveitando o efeito de “bola de neve”, isto é, os conhecedores e os amantes de Portugal convidarem também os seus amigos. Se até aqui reportamos apenas à diplomacia cultural, vamos agora entrar na diplomacia económica. Bom, na verdade essa destrinça não existe; o antagonismo da diplomacia económica e cultural só é aqui chamado para fundamentar a importância de uma mera exposição no estrangeiro, que pode implicar nos vários organismos responsáveis para a divulgação do nome de Portugal papéis muito específicos e concretos.
Continuando, o dia da inauguração das várias etapas da “Bemposta On The Road” é indispensável para que a diplomacia económica funcione. Neste caso, as embaixadas portuguesas têm uma função imprescindível no sucesso desse dia.
Primeiro, a presença do representante do Estado português, o Embaixador, revela-se de grande importância, pois poderá incentivar a comparência de personalidades e de entidades que
normalmente colaboram e são convidadas para estes eventos pelas representações diplomáticas portuguesas.
Em segundo lugar, e aí direccionamos para um outro factor - da cooperação com uma entidade local - a relevância da presença do embaixador de Portugal e o apoio logístico e institucional das nossas embaixadas credibilizam ainda mais a iniciativa, testemunhando, inclusive, que o Estado Português apoia efusivamente a internacionalização do país nos vários níveis de acção.
No caso concreto desta situação, foi solicitada à Associação Domvs Egitanae, aquando da
inauguração da exposição no Museu de Harrow, a hora de chegada do Embaixador de Portugal, pois o Council de Harrow, iria estar presente ao mais alto nível e gostariam de cumprimentar o chefe da diplomacia portuguesa no Reino Unido. E com esse interesse por Portugal, o Council de Harrow que alberga cerca de 215 000 habitantes, praticamente a mesma população que todo o distrito de Castelo Branco, arrasta também consigo outras personalidades locais, nomeadamente da área económica, cultural e social.
Como é apanágio num encontro cuja percepção diplomática esteja presente, o momento de
descontracção e de maior informalidade, de troca de opiniões descomplexadas que é sugerido pelo cocktail, e mais uma vez, para além da finalidade principal anteriormente descrita, pode muito bem ser propício para a divulgação dos vinhos portugueses, em regra oferecidos pelo AICEP Portugal Global, e para conhecimento da gastronomia portuguesa.
Esta interligação das várias entidades que promovem o nome e o prestígio de Portugal além
fronteiras - Embaixadas de Portugal, Instituto Camões, Turismo de Portugal e AICEP Portugal Global, em conjugação com a entidade promotora, neste caso a Associação Domvs Egitanae, com as entidades locais acolhedoras do evento - é a chave para o cumprimento dos objectivos propostos. Tudo isto em consonância e com verdadeira vontade de semear para, num curto/médio prazo, colher os frutos apetecidos de uma eficaz e objectiva política diplomática.
Este é o conceito diplomático empregado pelo projecto “Bemposta On The Road”, em que a simplicidade aparente na organização além fronteiras de uma exposição fotográfica tem por detrás dela toda uma complexidade de objectivos, que vão desde da promoção cultural, turística, à captação de investimento económico estrangeiro, ou seja, da divulgação objectiva e moderna do Portugal Europeu. É este conceito diplomático que teremos implementar nas várias paragens da “Bemposta On The Road” e que só poderá ter pleno sucesso se houver uma real colaboração dos organismos oficiais já referenciados pois, aliás, são esses que deverão ter a maior responsabilidade na divulgação deste tipo de acções.
Este é o contributo da nossa organização, Domvs Egitanae, no melhorar da acção diplomática portuguesa, e através do exemplo da promoção de uma pequena aldeia do interior de Portugal, a Bemposta, todo o país pode beneficiar com esta “âncora”. Tal como aconteceu com os
Descobrimentos Portugueses, que abriu os horizontes ao povo português, também queremos que a “Bemposta On The Road” seja o início de um marco importante para a ambição, emancipação e desenvolvimento de todo o interior de Portugal.
58 T
EXTOSR
ELACIONADOS:
2012/01/26T
HE VIRTUESOFDEBATINGDEFENCEPOLICY Tiago Fernandes Mauricio[1]2011/10/20
B
ILHETE DEI
DENTIDADEM
ILITAR[1]
Fernanda Maria Costa[2]2011/06/28
A
NOVAESTRUTURADANATO. A
LGUÉM GANHOU?
Alexandre Reis Rodrigues2011/05/09
E
STUDOSSOBREOFUTURODOFENÓMENODAG
UERRA João Nunes Vicente[1]2011/01/14
J
OSÉM
OURINHO,
UMP
ORTUGUÊSDEQ
UINHENTOS João Brandão Ferreira2010/12/27
A
POLÍCIAQUE NÃOPODEPRENDER[1]
Paulo Pereira de Almeida[2]2010/07/12
F
ORÇASA
RMADAS:
INÚTEISOUINDISPENSÁVEIS?[1]
Paulo Pereira de Almeida[2]2010/05/05
O PR
E ADIGNIDADENACIONAL João Brandão Ferreira2010/01/24
A C
RISEF
INANCEIRAI
NTERNACIONAL, A
SC
AUSASP
ROVÁVEIS– A
SS
OLUÇÕESP
OSSÍVEIS[1]
Eduardo Serra Brandão[2]2009/07/07
O TGV
EAD
EFESAN
ACIONAL João Brandão Ferreira2008/06/12
D
IPLOMACIAE
CONÓMICA: O
QUEÉ? [1]
Daniela Siqueira Gomes[2]2008/04/29
A
NGOLA: A N
OVAR
IQUEZADAÁ
FRICAEPARAOB
RASIL Fábio Pereira Ribeiro (Brasil)[1]2008/04/14
A
IMAGEM DUALISTASOBREOSE
STADOSU
NIDOS Gilberto Barros Lima[1] (Brasil)2008/03/28
H
ISTÓRIAC
ONCISADOT
ERRORISMO– P
ARTEIII
José Vale Faria[1]2008/03/27
H
ISTÓRIAC
ONCISADOTERRORISMO– P
ARTEII
José Vale Faria[1]2008/03/26
H
ISTÓRIAC
ONCISADOT
ERRORISMO– P
ARTEI
José Vale Faria[1]2008/02/16
O
QUEHÁDENOVONA“I
NTELLIGENCE?”[1]
Francisco Proença Garcia[2]2008/01/28
D
UALIDADESG
EOPOLÍTICAS EG
EOESTRATÉGICASP
ORTUGUESAS João Brandão Ferreira2007/12/22
A
CORDEMP
ORTUGUESES!
João Brandão Ferreira 2007/12/10S
EGURANÇA: V
ISÃOG
LOBAL. A
PERSPECTIVADASI
NFORMAÇÕES[1]
Jorge Silva Carvalho2007/10/02
O
SP
ORTUGUESES NOSE
STADOSU
NIDOSDAA
MÉRICA– O
DIAMANTEESQUECIDODAPOLÍTICA EXTERNAPORTUGUESA[1]
Nuno Manalvo[2] 2007/08/13
A A
JUDAP
ÚBLICAAOD
ESENVOLVIMENTO: R
UMOÀE
RRADICAÇÃO DAP
OBREZA?
Daniela Siqueira Gomes2007/07/31
I
DENTIDADEEI
NDIVIDUALIDADEN
ACIONALP
ORTUGUESA João Brandão Ferreira2007/07/18
O M
ARXISMOPedro Conceição Carvalho 2007/07/04
F
ASCISMOEN
AZISMO Pedro Conceição Carvalho 2007/06/20O S
ISTEMAI
NTEGRADODES
EGURANÇAI
NTERNA(SISI)
EASUAARTICULAÇÃOCOM OS
ISTEMADEI
NFORMAÇÕESDAR
EPÚBLICAP
ORTUGUESA(SIRP)[1]
Jorge Silva Carvalho[2]2007/06/04
A
SF
ORÇASA
RMADAS EOS“R
ECURSOS”. O
SRECURSOSF
INANCEIROS,
OSN
ÚMEROS EOSEUS
IGNIFICADO.
João Pires Neves[1] 2007/05/29D
EVEM OSC
HEFES DEE
STADOM
AIORDECLARAROS RENDIMENTOS?
João Brandão Ferreira2007/05/29
O
SSERVIÇOS DEINFORMAÇÕESNOMUNDOACTUAL[1]
Jorge Silva Carvalho[2]2007/05/22
L
IMITES ÀP
RODUÇÃODEI
NFORMAÇÕES NOE
STADO DED
IREITOD
EMOCRÁTICO Jorge Silva Carvalho2007/05/19
A
REGULAMENTAÇÃO DOS
ISTEMADEI
NFORMAÇÕES DAR
EPÚBLICAP
ORTUGUESA–
CONTINUAÇÃO DAR
EFORMA[2]
Jorge Silva Carvalho[1] 2007/05/10
I
NTELIGÊNCIAED
EFESANAT
RÍPLICEF
RONTEIRA: I
MPACTOS DOÚLTIMORELATÓRIO DOFábio Pereira Ribeiro[1] 2007/05/02
S
ERVIÇOSDEI
NTELIGÊNCIAEAD
EFESADAN
AÇÃO[2]
Fábio Pereira Ribeiro[1]2007/04/27
P
OLÍTICADED
EFESAEI
NTELIGÊNCIAE
STRATÉGICA: P
RIORIDADES PARAUMP
AÍSCOMO OB
RASIL[1]
Fábio Pereira Ribeiro[2] 2007/04/26
O G
RANDED
ESAFIODAD
EFESAGrupo de Trabalho do Instituto Humanismo e Desenvolvimento[1] 2007/04/25
A
SF
ORÇASA
RMADAS EAE
CONOMIA Alípio Tomé Pinto[1]2007/04/20
P
OLÍTICADED
EFESA: I
NTERESSESN
ACIONAIS EMJ
OGO Fábio Pereira Ribeiro[1]2007/04/05
A A
LMADASI
NSTITUIÇÕES Alípio Tomé Pinto[1]2007/02/10
O C
ERCOA
PERTA-
SE Eduardo Silvestre dos Santos 2007/02/09E
STRATÉGIAN
ACIONALPARAOM
AR: U
MAQUESTÃO FULCRAL José Castanho Paes2006/12/03
A
NTI-
MILITARISMOP
RIMÁRIO José Castanho Paes [1] 2006/10/26O D
IREITOÀG
UERRAJ
USTA[2]
João Vicente[1]2006/10/26
A G
EOPOLÍTICADER
ATZEL,
LAB
LACHE EK
JELLENEOE
CLODIRDAI G
RANDEG
UERRA Hugo Palma[1]2006/09/25
C
ICLODEC
ONFERÊNCIAS“P
ORTUGALEASR
ELAÇÕESI
NTERNACIONAIS”
Alexandre Reis Rodrigues2006/06/27
O
RGULHOSAMENTESÓS António Borges de Carvalho 2006/06/08F
ORÇASI
NTERNACIONAIS EMT
IMOR. C
ADEIADEC
OMANDO Américo Silva Santos2006/06/07
A GNR
E ASR
ELAÇÕES DEC
OMANDO. O
UTRAPERSPECTIVA António Borges de Carvalho2006/06/06
A GNR
E ASR
ELAÇÕES DEC
OMANDO João Ferreira BarbosaC
ICLODEC
ONFERÊNCIAS«P
ORTUGALEASR
ELAÇÕESI
NTERNACIONAIS» - I
NFORMAÇÃO Alexandre Reis Rodrigues2006/04/06
A S
EXTAG
UERRADEI
NDEPENDÊNCIA João Brandão Ferreira2006/03/28
P
ARAUMALEITURAESTRATÉGICADAHISTÓRIADASRELAÇÕESL
USO-M
AGREBINAS João Brandão Ferreira2006/03/27
O C
OMANDOS
UPREMODASF
ORÇASA
RMADAS António Borges de Carvalho2006/03/19
A G
UERRADOSC
ARTOONS Alexandre Reis Rodrigues 2006/02/25D
IREITOSH
UMANOS:
VIOLAÇÃO EGUERRACIVIL Marcelo Rech[1]2006/02/19
A
FINAL, H
UNTINGTONTINHARAZÃO? S
ENÃO FOROPARADIGMADASCIVILIZAÇÕES,
ENTÃO QUALÉ?
Eduardo Silvestre dos Santos2006/02/07
A P
AZJoão Brandão Ferreira 2006/02/05
G
EOPOLÍTICAP
ÓS-M
ODERNA: R
EPENSARAG
EOPOLÍTICANAE
RADAG
LOBALIZAÇÃO Eduardo Silvestre dos Santos2006/01/09