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CDU: 02:001.2
INFORM AÇÃO, COSM OVISÃO, INTERDISCIPLlNARIDADE E
BIBLlOTE-CONOM IA
SEBASTIÃO DE SOUZA
'Departamento de BibJioteconomia e Documentação Universidade Federal da Paraiba
58000 João Pessoa,PB
A partir de discussões em sala de aula, em torno do tema cultura letrada e cultura analfabeta, apresentam-se definições de interdisciplinaridade e suas correlações com a informação, com a teoria evolutiva de E. Morin e de T. de Chardin e com a Biblioteconomia. Em conclusão algumas questões são levan-tadas, a fim de inserir a Biblioteconomia nessecontexto cósrnico-evolutivo inter-disciplinar.
HRODUÇÃO
Este trabalho originou-se das exposições sobre alguns tem as do program a da
olina Biblioteca Pública e Cultura Local, do Curso de M estrado em
Bibliote-m ia da UFPb.
Durante as discussões da segunda unidade do program a, estudo
antropológi-cultura, cultura letrada e cultura analfabeta; cultura brasileira, cultura
popu-'olclore: cultura, ideologia e classe social, várias vezes se apelou para a
inter-inaridade, a fim de m elhor explicar os itens abordados.
\ssim , a psicologia e a psicanálise foram cham adas para explicar os
proble-lativos à aprendizagem , num a cultura de analfabetos; a história das civil
i-para se com provar a luta dos cam poneses contra um a ideologia, no caso
nam , contra o im perialism o am ericano, e no Brasil, contra um a corrupção
patente e não m ais enganadora, tanto a nível nacional quanto estadual
; a antropologia cultural e estrutural, com o não podia deixar de ser,
entra-sxplicacão entre as relações da cultura letrada, cultura analfabeta e
lingua-ocioloqia e a econom ia pol (tica tam bém foram cham adas para elucidar
Inform ação, Cosm ovisão, Interdisciplinaridade ...
tros pontos do program a, assim com o a lingüística, a educação e a própria flora m edicinal.
Em um a das aulas, o próprio professor perguntava: "o que significa a inter.
disciplinaridade, no contexto de um a civilização, da escrita e da cultura do anal-fabeto e com o ela age face àcultura popular?"
Através da linguagem , apelou-se para a inform ação objeto da Bibliotecono-m ia, para se explicar as tendências sociais desta e até que ponto a Biblioteconom ia privilegia a cultura letrada, em detrim ento da cultura popular; ou até que ponto a Biblioteconom ia, se socializando, continua do lado do poder dom inante. A com -putação apareceu nesse contexto, assim com o a cibernética e a ciência da inform a-ção, quando se perguntou com o o bibliotecário faria para levar a inform ação ao analfabeto, num a sociedade cada vez m ais cibernetizada e cada vez m ais rnicro. com putadorizada. Até que ponto o bibliotecário, assum indo o progresso científi-co, estaria assum indo tam bém a ideologia do poder dom inante, em detrim ento de sua função social, que é inform ar, não apenas a elite, m as fazer a inform ação fluir
até aqueles que não podem chegar até ela, por causa de barreiras quase intranspo-níveis com o a
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línqua, a escrita, a classe social, etc.?Disso tudo resulta a im portância da interdisciplinaridade no contexto das ciências, funcionando com o união na dispersão e com o fator de unidade na com-plexidade das m esm as; e, no caso específico da Biblioteconom ia, a interdiscipli-naridade contribuirá para a sua delim itação científica, para sua m aior socialização e para a com preensão m ais profunda do seu objetivo principal.
Com plem entando este trabalho serão apresentados os conceitos de interdis-ciplinaridade e as relações interdisciplinares encontradas em Anderla, E. M orin e T. de Chardin, com o um a contribuição para o surgim ento de um a nova fase da Bi· blioteconom ia no Brasil.
2. AINTERDISCIPLlNARIDADE E AS CIÊNCIAS
O desenvolvim ento das ciências é um dos capítulos m ais interessantes na his-tória das civilizações, pois ao longo de sua cronologia está incluso todo o progresso
da hum anidade.
A ciência, definida de form a sim ples com o processo acum ulativo de conhe-cim entos, cujo avanço não se opera aos pulos, m as passo a passo, porque a ciência não dá saltos, já esteve atrelada à filosofia, à sabedoria e até já se confundiu com elas no período áureo da filosofia grega antiga, quando o sábio, para ser sábio, ti, nha que ser tam bém filósofo, e não se concebia um filósofo que não fosse tam bém sábio.
A partir de então as ciências foram surgindo, se m ultiplicando e se especial! zando, a tal ponto que alguns autores afirm am que o fenôm eno citado no Antigo Testám ento, no qual ninguém m ais se entendia, cada um falando um a língua dife'
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rente, aconteceu tam bém com a história das ciências, cada um a procurando andar sozinha, criando um a verdadeira Torre de Babei no seio delas próprias.
Entretanto, com o o espírito hum ano sem pre foi capaz de síntese, e
especial-mente a partir da invenção da im prensa, que perm itiu m aior e m ais fácil com
uni-cação entre os sábios da época, com eçaram a surgir os estudiosos que tentaram congregar as ciências dentro de um a classificação m ais lógica e de conform idade com suas inter-relações e interdependências.
Dentre outros destacam os a classificação de Augusto Com te, que, baseando-se na filosofia das ciências, procurou enquadrá-Ias dentro de um a ordenação lógica de dependência um a da outra. Ele talvez tenha sido um dos prim eiros a atinar para a interdisciplinaridade das ciências, sem , porém , ter citado tal term o.
A própria noção de com paração das ciências a um grande quebra-cabeças, onde cada ciência seria um a peça bem definida, para que todas juntas form em um todo harm ônico, revela a im portância e a atualidade da interdisciplinaridade nas ciências, nas suas aplicações práticas no contexto da sociedade ou no contexto de um a ciência, tanto assim que nenhum a disciplina pode se cham ar ciência se não tiver bem explicitado o seu conceito, sua term inologia e sua interdisciplinaridade.
3.INTERDISCIPLlNARIDADE: CONCEITOS
A interdisciplinaridade é o feed-back das ciências; é o que faz com que as ciências dispersas se voltem para suas origens.
Não se pode definir interdisciplinaridade sem antes se definir seu elem ento m ais sim ples: a disciplinaridade. Esta é o estudo de um a área específica ou espe-cializada, enquanto que a interdisciplinaridade inclui, em sua noção, certa hierar-quia entre as disciplinas e seu relacionam ento em cada nível hierárquico.
Segundo Japiassu (4:72,74), "disciplinaridade significa a exploração cientí-fica especializada de determ inado dom ínio hom ogêneo de estudo", e "interdisci-plinaridade é a axiom ática com um a um grupo de disciplinas conexas e definidas no nível hierárquico im ediatam ente superior, o que introduz a noção de finalida-de"
O m aior ou o m enor grau de interdisciplinaridade depende do grau de intera-ção e de cooperaintera-ção entre as disciplinas, de tal form a que "cada disciplina saía en-riquecida no final do processo interativo", no dizer de Brandão (2:5).
A interdisciplinaridade é um a "decorrência da própria evolução das ciências e um a exigência das necessidades da sociedade m oderna, a que se acham ligados a ciência e o ensino", com o diz Lins Filho (5:7).
Gass salienta ainda que "a evolução inovadora do ensino universitário exige, cada vez m ais, um enfoque interdisciplinar; trata-se, antes de tudo, de se ensinar as disciplinas, em função das relações dinâm icas que elas m antêm com outras dis-ciplinas e com os problem as da sociedade." (Lins Filho, 5:9).
Berger, citado por Lins Filho, define interdisciplinaridade "com o a
Inform ação, Cosm ovisão, Interdisciplinaridade ...
ção entre duas ou m ais disciplinas, que pode ser estabelecida desde a m ais sim ples com unicação das idéias até a integração recíproca dos conceitos básicos da episte.
m ologia, da term inologia, da m etodologia e dos processos de ensino e pesquisa" (5:9).
Entre os estudiosos atuais da interdisciplinaridade podem os citar Heckhausen, que distingue seis possfveis form as de relação interdisciplinar; Jantsch, que estabe.
lece distinção entre os diversos conceitos de disciplinaridade, m u Iti e
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pluridisclpu, naridade, inter e transdisciplinaridade; Piaget, que estabelece seus conceitos a respei.to das m esm as distinções de Jantsch; e Boisot, que define interdisciplinaridade, a partir do conceito de disciplinaridade, com o "um conjunto constituído de três ele. m entos: objetos, fenôm enos e leis" (5:11).
No Brasil, Japiassu tratou da interdisciplinaridade das ciências e Lins Filho fez um a revisão de literatura sobre ela. Am bos constam da bibliografia citada no final deste trabalho. Na Biblioteconom ia, tem os os estudos de Antonio M iranda sobre Biblioteconom ia Com parada e alguns artigos, entre os quais o de Vieira e Brandão, tam bém citados na bibliografia.
4. INTERDISCIPLlNARIDADE E INFORMAÇÃO
Baseado na afirm ação de Anderla, de que tudo é inform ação e que todas as nossas ações sociais, políticas, econôm icas, culturais e adm inistrativas se reduzem à inform ação, e baseados ainda na estrutura interna da Ciência da Inform ação, um a ciência nova que está em prestando à Biblioteconom ia a sistem atização teórica
de que ela precisa, podem os afirm ar que, após esses dois fatos, a Biblioteconom ia está se renovando. Prim eiram ente porque viu m elhor explicitado seu objeto ma-terial - a inform ação, alargando tam bém seu cam po de atuação e sua abrangência, pois, se tudo é inform ação, tudo, de certa form a, passa a ser tam bém objeto da Bi· blioteconom ia. Dissem os tudo, de certa form a, para não cair no extrem ism o do pan-inform acionism o, afirm ando que, se tudo é inform ação, tudo tam bém será ob-jeto da Biblioteconom ia. Esse extrem ism o é perigoso, pois engendra, no seu ínti-m o, uínti-m silogisínti-m o sofisínti-m ático, onde a conclusão passa a ser m aior do que a pre m issa.
Anderla, entretanto, afirm ando que inform ação é tudo, com pletava que, na realidade, só o que é conhecido e pode ser captado pela inteligência hum ana é inform ação, ficando o ignoto, o desconhecido, com o inform ação em potencial.
Esse alargam ento da noção de inform ação, se de um lado contribuiu para despertar a Biblioteconom ia para a im portância do seu objeto, por outro lado in-fluenciou para que ela revisse suas posições interdisciplinares, tendo em vista que,
com o alargam ento dos horizontes inform acionais, ela tam bém percebeu que suas relações com as dem ais ciências cresceram e passaram a se efetuar num nível tam ' bém m aior de interação.
Que elem ento m ais interdisciplinar do que a inform ação? Ela está contida nO
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âm ago de cada ciência, de cada disciplina. Isto faz da Biblioteconom ia um a m eta-ciência, um a supraeta-ciência, não no sentido de ser superior às outras, m as no sen-tido de ser um a ciência auxiliar de todas as outras, um a ciência essencialm ente in-terdisciplinar e transdisciplinar. A inform ação é o fator de unidade nas relações in-terdisciplinares da Biblioteconom ia, pois o que a une às dem ais é exatam ente a in-form ação.
5. A INTERDISCIPLlNARIDADE EM EDGAR MORIN
A interdisciplinaridade é um elem ento de destaque na teoria evolutiva das ciências de Edgar M orin. Ele com eça dizendo que "o conhecim ento só tem valor enquanto é vivo e se relaciona com outros conhecim entos; e a evolução do conhe-cim ento cienHfico não é apenas acum ulação do saber, é tam bém transform ação, ruptura, passagem de um a teoria a outra. As teorias científicas são m ortais, exa-tam ente porque são cienHficas". (8s.p.).
"É necessário que toda ciência se interrogue sobre suas estruturas ideológi-cas e sua ligação sócio-cultural. Nenhum a ciência se sobrepõe a outra; o físico não é m ais inteligente que o sociólogo só porque este ainda não conseguiu fazer da so-ciologia um a ciência. Isso porque, na sociologia, as regras do jogo científico são m uito m ais difíceis de serem estabelecidas do que na física. Nela, sociologia, a verificação experim ental é quase im possível, porque a subjetividade está sem pre presente em suas pesquisas". (8:s.p.).
A teoria de E. M orin sobre a evolução das ciências está baseada na trilogia física-biologia-antropossociologia e, portanto, na própria relação interdisciplinar das ciências.
Em sua teoria, a prim eira cadeia, o prim eiro elo epistem ológico das ciên-cias, a prim eira articulação é constituída pelo conceito genérico do ser-m áquina, que abrange as organizações físicas, biológicas e antropológicas, e a segunda arti-culação é a organização comunicacional (cibernética), que abrange as m esm as organizações.
"Essas duas articulações form am um todo com plexo e policêntrico, onde a biologia se fundam enta na trsica e a antropossociologia na biologia. Assim , os con-ceitos físicos de m áquina, produção, trabalho, etc., e os conceitos que em anam da nossa própria cultura, são interligados e inter-relacionados." (9 :273).
Com o pode se dar essa interação se física, biologia e antropossociologia são disciplinas distintas? Prim eiram ente a m ente hum ana, que criou a dispersão das ciências, é capaz de reunificá-Ias; e depois, com o acrescenta M orin, "há sem pre, em todo conceito frsico ou biológico, a presença clandestina de um antroposso-ciOm orfism o; e em todo conceito antropossocial a presença clandestina de um a realidade f(sico-biológica." (7275).
No tocante à trsica, o grande conceito elaborado por ela e ainda não derru-bado até hoje é o da energia, um conceito com plexo, que de fato cor responde a
6.A INTERDISCIPLlNARIDADE E A COSMOVISÃO
A teoria evolutiva de E. M orin tem certa sem elhança com a teoria de Teilhard
de Chardin, que, por sua vez, baseou-se em Pascal.
Pascal colocava o hom em com o ponto interm ediário entre duas grandezas: o
infinitam ente grande e o infinitam ente pequeno. Sua teoria, baseada na
quantida-de, buscava colocar a criatura hum ana não com o centro do universo, m as com o
um ser capaz de captar a infinita grandeza de um átom o e a infinita pequenez de
um a galáxia.
Chardin reduziu tudo a um a evolução cósm ica, a um a cosm ovisão, onde
tudo evolui, onde cada etapa anterior prepara a seguinte, onde tudo se interliga e
se inter-relaciona.
"O universo, para Teilhard, é um enorm e processo dinâm ico, no curso do
qual seres inscritos em séries e conjuntos nos aparecem sucessivam ente,
evoluti-vam ente; e, à m edida que se com plexifica, a m atéria se interioriza cada vez m ais,
até a conscientização. Tudo é gênese contínua; é cosm ogênese prolongando-se
em biogênese, antropogênese, nooqênese." (3:23).
"Tudo o que existe está sob o signo de um a fundam ental união: ser é unir.
O que é um átom o senão a união de partrculas em torno de um núcleo; um a
mo-lécula senão a união de átom os; células senão a união de m oléculas, e assim por
diante, ao longo do ciclo da vida?" (3:24).
O fenôm eno m ais im portante, no entender de Chardin, "é a vida; e no m
un-do vivo, o fenôm eno m ais im portante é o hom em : ponto crítico, lim iar, em ersão,
eclosão de um a ordem superior da realidade, inauguração do todo novo,
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cristiv?e liv-re, renovação do universo, flor." (3:25).
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um a extraordinária sim plificação do universo frsico. /IA noção de energia é ao m esm o tem po abstrata e terrivelm ente concreta, pois a m edida da energia, a força
de trabalho, é que abre as portas para a m anipulação, transform ação e poder i lim
i-tado no seio da sociedade." (9:277).
/IA vida (biologia) é um fenôm eno super e m eta m ecânico, super e metact,
bernético, m as não m etafísico. A vida é um a totalidade poli m ecânica, constitur;
da espaço-tem poralm ente de ecossistem as, de ciclos, de reproduções, de seres indt.
viduais nos quais vão em ergir a afetividade e a inteligência." (9 :280s).
A antropossociologia é a articulação psicobioffsica. Ela utiliza todos os ele-m entos físicos e biológicos e os aplica à sociedade, à cultura. O cérebro hum ano (antropossociologia). com o ser vivo (biologia). pode ser com parado a um a m
áqui-na (física); e na ciência m oderna tanto existe a física social, a biologia social,
co-m o existe a antropossociologia física ou biológica. Um a não pode ser desintegrada
da outra, sob pena de perder sua unidade na com plexidade de cada um a; e com o
através da física, da biologia e da antropossociologia podem os atingir todas as
de-m ais ciências, pode-se concluir que a noção evolutiva de E. M orin é interdiscipl inar.
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Nesse contexto não há espaço para dispersão, rupturas e separações; tudo
tem sentido, tudo evolui e flui interdisciplinarm ente, de form a gradual; tudo
pro-gride lentam ente, cada fase preparando a seguinte; é o cam inhar de Alfa para Óm
e-ga, a estrela Vega da cosm ovisão, na qual toda a evolução se com pletará.
7. CONCLUSÃO - A BIBLlOTECONOMIA INTERDlSCIPLlNAR
Após estas considerações em torno da interdisciplinaridade, algum as ques-tões devem ser colocadas:
a) com o inserir a Biblioteconom ia nesse contexto cósm ico-evolutivo?
b) com o fazer da Biblioteconom ia um a profissão m ais interativa e interdisciplinar? c) com o incentivar suas relações com as ciências ditas informacionais, sem correr
o risco de perder sua identidade social?
d) com o esperar do profissional um a postura interdisciplinar quando ele nunca
foi alertado e nem treinado para isso?
e) com o sugerir novas linhas interdisciplinares de ação a um a profissão atrelada àcultura das elites e à ideologia do poder?
A prim eira conseqüencia dessas colocações é que a Biblioteconom ia não
po-de m ais ser vista apenas com o um a ciência social recente; tem os que considerá-Ia
tam bém em relação ao seu passado histórico e, com o tal, ela é tão antiga com o o
próprio homem. A partir do m om ento em que rudes pinturas nas paredes das ca-vernas com eçaram a surgir, registrando caçadas, a( estava presente tam bém a
in-form ação, e a Biblioteconom ia com eçava a fazer a sua história.
Segundo M orin, "nós estam os num a era histórica onde os desenvolvim entos
cientrficos, técnicos e sociais estão cada vez m ais em estreitas e m últiplas
inter-relações" (8:s.p.). Assim , outra conseqüência é a inserção da Biblioteconom ia na
cadeia espistem ológica defendida por ele, pois, se tudo decorre da natureza, a
fí-sica, fluindo através da vida, a biologia, e gerando organizações sociais, a
antropos-sociologia, que necessitam continuadam ente de inform ação, objeto da
Bibliote-conom ia, então esta garante seu lugar na trilogia m oriniana e na interdisciplinari-dade das ciências.
Por outro lado não se trata, no caso brasileiro, de rom per com o passado
tradicionalista e elitizante da Biblioteconom ia, pois, segundo a cosm ovisão
tei-Ihardiana, cada fase prepara a seguinte. Assim , se a Biblioteconom ia no Brasil
está eivada de acom odação, conservadorism o, falta de profissionalism o e m uitos
Outros vícios que fazem dela um a inocente útil ao sistem a reinante, nada im pede,
entretanto, que com ece a surgir, em seu âm ago, a sua nova fase, baseada no tripé
inform ação, socialização e interdisciplinaridade, baseada na consciência de classe e
na unificação total apregoada pela Era de Aquário.
Andrade, em suas aulas, acrescenta que /lê preciso prim eiro que haja a alie-nação, para que depois venha a desalienação; não se pode construir o socialism o
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senão com um a tentativa de destruição do capitalism o selvagem ." Por isso, se a Biblioteconom ia está passando por um a crise, a crise da alienação, da falta de iden· tidade social e autoconhecim ento, ela terá que buscar na inform ação, na sociatt.
zacão, na interdisciplinaridade e na praxis a antrtese necessária para a sua desa· lienação, para a sua inserção na unidade e com plexidade das ciências, para a sua
evolução gradual em busca da estrela Vega, o Óm ega da unidade universal, onde
a sua evolução finalm ente se com pletará.
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Comunicação recebida em 12.08.85Abstract:
Information, Cosmovision, Interdisciplinarity and Librarianship
Based on discussions developed in the classroom about culture, several definitions about interdisciplinarity are presented. It is also developed the relationship of information with the evolutive theory of E. Morin and T. de Chardin. Finally, some questions are raised about the cosmic·evolutive and interdisciplinary scope of librarianship.
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