• Nenhum resultado encontrado

Radiol Bras vol.50 número5

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Radiol Bras vol.50 número5"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

344

Radiol Bras. 2017 Set/Out;50(5):338–348 Cartas ao Editor

Plasmocitoma pancreático difuso: uma entidade rara

Diffuse plasmacytoma of the pancreas: a rare entity

Sr. Editor,

Paciente de 50 anos, masculino, com diagnóstico de mieloma múltiplo há 10 meses, em tratamento quimioterápico, após iní-cio de quadro de dor abdominal procurou o serviço de urgência e emergência. Exames laboratoriais revelaram discreta elevação das enzimas pancreáticas e, posteriormente, tomograia com-putadorizada (TC) de abdome total com contraste demonstrou aumento difuso e exuberante do parênquima pancreático, com captação homogênea pelo meio de contraste iodado na fase por-tal (Figu ra 1). Inicialmente, pensou-se em pancreatite aguda, porém, não houve melhora clínica, laboratorial e radiológica. Optou-se por se realizar biópsia guiada por TC, que demons-trou, no histopatológico, neoplasia maligna formada por células atípicas pouco coesas, com núcleos hipercromáticos, volumosos e excêntricos, compatível com neoplasia de células plasmoci-toides (Figura 2A). Estudo imuno-histoquímico complementar revelou expressão de CD138, associada a monoclonalidade para cadeia leve de imunoglobulina kappa, conirmando o diagnós-tico de iniltração pancreática por plasmocitoma (Figura 2B).

O mieloma múltiplo é caracterizado por proliferação de plasmócitos malignos originários da medula óssea e representa 10% das neoplasias hematológicas. O plasmocitoma extramedu-lar corresponde a 5% dos tumores de células plasmáticas, com idade média de apresentação em torno de 55 anos e predomi-nância no sexo masculino. Eles podem ser primários, quando ocorrem como massas solitárias sem o envolvimento da medula óssea, ou secundários, como parte do mieloma múltiplo, apre-sentação mais frequente(1–4)

. O local mais comum de acometi-mento extramedular é o trato respiratório superior (80%), porém,

outros locais como tratos gastrintestinal e geniturinário, sistema reticuloendotelial, tireoide, pulmões, pele e testículos também podem ser envolvidos(4)

.

Relatórios de plasmocitoma extramedular afetando o pân-creas são escassos, havendo pouco mais de 25 casos descritos, a maioria com aparência de massa focal e apenas um de iniltra-ção difusa do pâncreas, sendo o nosso paciente o segundo caso relatado na literatura(2–6)

. A cabeça pancreática é o local mais comum de apresentação, determinando, na maioria dos casos, dor abdominal e icterícia obstrutiva(1–4)

. Os achados radioló-gicos de plasmocitoma pancreático não são muito especíicos. Na apresentação focal destaca-se massa sólida homogênea ou heterogênea, multilobulada, com realce variável, enquanto na forma difusa o único caso relatado revelou aumento volumétrico difuso do pâncreas com lobulação dos contornos e captação pre-dominantemente homogênea na fase portal, semelhante ao caso aqui referido(1,6)

.

A TC é o método de escolha para investigação, entretanto, não é possível excluir outras doenças, como adenocarcinoma, linfoma e metástase, sendo o histopatológico fundamental para o diagnóstico(3)

. No caso ora relatado, com apresentação difusa, as principais hipóteses foram pancreatite e linfoma. Descartou-se linfoma devido ao quadro clínico e laboratorial, que indicava pancreatite como o diagnóstico mais provável. No entanto, com base na história prévia de mieloma múltiplo e persistência dos sin-tomas, considerou-se a possibilidade de iniltração pancreática por plasmocitoma.

O tratamento para plasmocitoma extramedular envolve a combinação de radiação local, quimioterapia e, em casos sele-cionados, cirurgia(4).

O plasmocitoma pancreático é uma entidade rara e perma-nece sendo alvo de muitos estudos. Diante de um paciente com

Figura 2. A: Histopatológico de-monstrando neoplasia maligna

formada por células atípicas pouco

coesas, com núcleos hipercromá-ticos, volumosos e excêntricos,

compatível com neoplasia de

células plasmocitoides. B: Imuno-

histoquímica revelou expressão

de CD138, associada a monoclo-nalidade para cadeia leve de

imu-noglobulina kappa, conirmando o diagnóstico de iniltração pan -creática por plasmocitoma.

B

A

Figura 1. Tomograia computado -rizada de abdome total, secção axial sem contraste (A) e com

contraste fase portal (B)

demons-trando aumento difuso e exube -rante do parênquima pancreá-tico, com captação homogênea pelo meio de contraste iodado.

(2)

345

Radiol Bras. 2017 Set/Out;50(5):338–348

Cartas ao Editor

http://dx.doi.org/10.1590/0100-3984.2016.0052

Camila Soares Moreira de Sousa1, Carla Lorena Vasques Mendes de Miranda1, Marcelo Coelho Avelino2, Breno Braga Bastos3, Ilan Lopes Leite Mendes1

1. Med Imagem – Radiologia, Teresina, PI, Brasil. 2. Hospital de Urgência de

Teresina Prof. Zenon Rocha, Teresina, PI, Brasil. 3. UDI 24 horas – Radiolo -gia, Teresina, PI, Brasil. Endereço para correspondência: Dra. Camila Soares Moreira de Sousa. Med Imagem – Radiologia. Rua Paissandu, 1862, Centro. Teresina, PI, Brasil, 64001-120. E-mail: [email protected]. mieloma múltiplo e aumento focal ou difuso do pâncreas, a

hi-pótese de plasmocitoma deve ser considerada, evitando retardo do diagnóstico.

REFERÊNCIAS

1. Hue SS, Azhar R. Plasmacytoma of the pancreas: an unusual manifestation of multiple myeloma. Singapore Med J. 2013;54:e105–7.

2. Smith A, Hal H, Frauenhoffer E. Extramedullary plasmacytoma of the pancreas: a rare entity. Case Rep Radiol. 2012;2012:798264.

3. Hatem M, So B, Gray R, et al. Plasmocytoma presented as pancreatic head mass. Radiol Case Rep. 2015;10:81–7.

4. Pallavi R, Ravella PM, Popescu-Martinez A. An unusual pancreatic

mass: a case report and literature review. Transl Gastrointest Cancer.

2014;3:106–10.

5. Hiller N, Goitein O, Ashkenazi YJ. Plasmacytoma of the pancreas. Isr Med Assoc J. 2004;6:704–5.

6. Wilson TE, Korobkin M, Francis IR. Pancreatic plasmacytoma: CT indings. AJR Am J Roentgenol. 1989;152:1227–8.

Um caso raro de pneumórraque epidural associada a pneumomediastino espontâneo

A rare case of pneumorrhachis accompanying spontaneous pneumomediastinum

Sr. Editor,

Pré-escolar do sexo feminino, sete anos, com quadro de dispneia e edema cervical associados a tosse, foi atendida em outro serviço onde foram prescritos anti-inlamatórios e aeros-sol. Evoluiu com piora da dispneia e da tosse, além de tiragem intercostal e aumento de volume cervical. Foi atendida em nosso serviço em regular estado geral, orofaringe sem alterações, edema cervical e periorbital bilateralmente, murmúrio vesicular dimi-nuído, com sibilos esparsos, frequência respiratória de 30 incur-sões por minuto, tiragem intercostal, crepitações subcutâneas à palpação torácica anterior e posterior, sinal de Hamman negativo. A radiograia de tórax da admissão (Figura 1) mostrou pneumo-mediastino e extenso enisema subcutâneo. Foram realizados cor-tes tomográicos de tórax (Figura 2), que demonstraram, ainda, o raro achado de pneumórraque. A paciente foi mantida em in-ternação hospitalar por cinco dias em tratamento de suporte, tendo havido remissão completa dos sintomas.

A síndrome de Hamman é condição incomum na prática médica, ocorrendo em aproximadamente 1/30.000 admissões hospitalares(1) e em 1% dos casos de asma(2). Suas principais

cau-sas são: exercício físico intenso, trabalho de parto, barotrauma pulmonar, mergulhos em grandes profundidades, tosse em paro-xismos de forte intensidade, vômitos, inalação de drogas entor-pecentes, asma brônquica e biotipo longilíneo(1,2).

O marco inicial da isiopatologia da síndrome de Hamman é a superdistensão e ruptura alveolar, que resulta de uma alta pressão intra-alveolar, de uma baixa pressão perivascular, ou de ambas. Após o evento inicial, o ar penetra livremente no me-diastino durante o ciclo respiratório, buscando equilibrar os gradientes pressóricos(3,4). Desencadeantes conhecidos incluem

Figura 1. Radiograia de tórax em posteroanterior mostrando pneumomedias

-tino (cabeças de setas) e extenso enisema subcutâneo em regiões supracla -viculares e axilares (setas).

†

†

Figura 2. TC de tórax nos planos axial (A) e sagital (B) demonstrando

pneumór-raque (setas) e enisema mediastinal (cabeças de setas).

A

B

Imagem

Figura 2. A: Histopatológico de- de-monstrando neoplasia maligna  formada por células atípicas pouco  coesas, com núcleos  hipercromá-ticos, volumosos e excêntricos,  compatível  com  neoplasia  de  células plasmocitoides
Figura 1.  Radiograia de tórax em posteroanterior mostrando pneumomedias- pneumomedias-tino (cabeças de setas) e extenso enisema subcutâneo em regiões  supracla-viculares e axilares (setas).

Referências

Documentos relacionados

A infecção fetal pelo VZIK causa graves anomalias no desenvolvimento do SNC, e apesar de os achados de neu- roimagem na síndrome congênita pelo VZIK não serem patognomônicos,

In CT and MRI studies of congenital Zika syndrome, the indings most commonly reported are a reduction in head circumference and a dramatic reduction in brain volume, both of

We also analyzed ten cases of patients treated at the Hos- pital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), in the city

RM, sequência T1 pós-contraste, corte axial demons - trando meningioma homogêneo (seta), com intenso realce, localizado na fossa posterior e provocando rechaço do parênquima

Contrast-enhanced, axial T1-weighted MRI sequence, showing a homogeneous meningioma (arrow), with intense enhancement, located in the posterior fossa and encroaching upon the

Professor Associado da Divisão de Radiologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Ribeirão Preto,

A: Radiograph of the left hip, in an antero- posterior view, approximately one year after valgus intertrochanteric osteotomy, showing signs of early hip osteoarthritis and

A ressonância magnética (RM) revelou lesão hiperintensa nas imagens ponderadas em T1 e levemente hi- perintensa em T2, na região dos núcleos caudado e putâmen à direita, sem