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Regimento Interno do Senado Federal Prof. Eduardo Sampaio

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Das Atribuições Privativas; Da Convocação e Do Comparecimento de Ministro De Estado; Da Alteração ou Reforma do Regimento Interno; Da Questão de Ordem; Dos Documentos Recebidos e Dos Princípios Gerais do Processo Legislativo

Regimento Interno do Senado Federal

Prof. Eduardo Sampaio

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Sumário

MARCANDO O EDITAL 3

DAS ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS 3

DOFUNCIONAMENTOCOMOÓRGÃOJUDICIÁRIO 3

Aspectos materiais acerca do processo e julgamento do crime de responsabilidade 3 Aspectos processuais acerca do processo e julgamento do crime de responsabilidade 8

Aspectos do Regimento Interno do Senado Federal 15

DAESCOLHADEAUTORIDADES(CONST.,ART.52,IIIEIV) 17

DASUSPENSÃODAEXECUÇÃODELEIINCONSTITUCIONAL(CONST.,ART.52,X) 23

DASATRIBUIÇÕESPREVISTASNOSARTS.52E155DACONSTITUIÇÃO 24

Da Autorização para Operações Externas de Natureza Financeira 24

Das Atribuições Estabelecidas no art. 52, VI, VII, VIII e IX, da Constituição 26

Da Atribuição Estabelecida no art. 52, XV, da Constituição Federal 27

Das Atribuições Relativas à Competência Tributária dos Estados e do Distrito Federal 30

Disposições Gerais 31

DA CONVOCAÇÃO E DO COMPARECIMENTO DE MINISTRO DE ESTADO 32

DA ALTERAÇÃO OU REFORMA DO REGIMENTO INTERNO 37

DA QUESTÃO DE ORDEM 39

DOS DOCUMENTOS RECEBIDOS 43

DOS PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO LEGISLATIVO 43

QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 51

LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS 58

GABARITO 61

RESUMO DIRECIONADO 62

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Marcando o edital

Finalizaremos nesta aula o estudo do Regimento Interno do Senado Federal, abordando os seguintes temas:

Título X – Das Atribuições Privativas

Título XI – Da Convocação e Do Comparecimento de Ministro de Estado

Título XII – Da Alteração ou Reforma do Regimento Interno

Título XIII – Da Questão de Ordem

Título XIV – Dos Documentos Recebidos

Título XV – Dos Princípios Gerais do Processo Legislativo

DAS ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS

Veremos nesta aula uma série de informações relevantes relacionadas aos dispositivos regimentais que tratam sobre as atribuições privativas do Senado, previstas no art. 52 da Constituição Federal.

DO FUNCIONAMENTO COMO ÓRGÃO JUDICIÁRIO

Sobre esse tema, devo mencionar que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADPF 378/DF, tratou em detalhes acerca do rito do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Observe que esse assunto está intimamente ligado ao conteúdo deste tópico, uma vez que repercute de maneira significativa na aplicação das normas do RISF nessa hipótese.

Desse modo, ainda que sob o risco de aprofundar demais a temática, considero pertinente realizarmos uma análise relacionada aos atuais parâmetros acerca do processo de impeachment do Presidente da República, uma vez que essa matéria pode vir a ser exigida em prova, mesmo que de maneira indireta.

Aspectos materiais acerca do processo e julgamento do crime de responsabilidade

Crimes de responsabilidade são, em sua essência, infrações de natureza político-administrativa passíveis de serem cometidas por determinadas autoridades. Perceba, portanto, que estamos diante de infrações de natureza política e, não, crimes apenados na esfera penal. Ok?

A fim de explicar melhor essa distinção, farei o comparativo acerca da competência para processo e julgamento do Presidente da República, nos casos de cometimento de crimes comuns (ou seja, de natureza penal) e de crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas).

Segundo o art. 102, inciso I, alínea “b”, da CF/88, compete ao Supremo Tribunal Federal (STF) processar e julgar, originariamente, o Presidente da República nas infrações penais comuns. Sobre esse tema, informo que o processo ocorrerá mediante ação penal.

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Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;

Na sequência, destaco que o art. 52, inciso I, da CF/88 prevê que compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (infração político- administrativa). Essa responsabilização ocorrerá por meio do processo de impeachment.

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

Ainda no que se refere ao Presidente da República, devo salientar que, segundo dispõe o art. 85 da CF/88, são crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

I - a existência da União;

II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV - a segurança interna do País;

V - a probidade na administração;

VI - a lei orçamentária;

VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Chamo sua atenção para o fato de que as hipóteses mencionadas possuem caráter exemplificativo, ou seja, não impedem que o Presidente da República venha a ser processado e julgado pelo cometimento de crime de responsabilidade previsto em outra norma.

Nesse cenário, o parágrafo único do referido dispositivo constitucional determina que esses crimes (isto é, os crimes de responsabilidade) serão definidos em lei especial (nacional), que estabelecerá as normas de processo e julgamento.

Complementando essa informação, faz-se necessário destacar que a Súmula Vinculante 46 do STF prevê que a definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.

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Sobre o tema, convém mencionar que a Lei n° 1.079/50 foi recepcionada, em sua maior parte, pela Constituição Federal de 1988 e prevê as normas acerca do processo e julgamento nas hipóteses de crime de responsabilidade.

Somente o Presidente da República poderá cometer crime de responsabilidade?

Diversas são as autoridades submetidas a julgamento por crime de responsabilidade. Em nível federal, cito os seguintes exemplos, a título de conhecimento:

▪ Presidente e Vice-Presidente da República;

▪ Ministro de Estado;

▪ Comandante da Marinha, Exército e Aeronáutica;

▪ Membros dos Tribunais Superiores;

▪ Membros do TCU

▪ Chefes de missão diplomática de caráter permanente;

▪ Procurador-Geral da República;

▪ Advogado-Geral da União

▪ Membros do CNJ e CNMP

Em se tratando de crime de responsabilidade, o Senado Federal é responsável pelo processo e julgamento de quais autoridades?

Você lembra que na primeira aula do nosso curso, ao estudarmos as competências privativas do Senado Federal, fiz um agrupamento das competências do Senado, de acordo com um ponto em comum? Ótimo!

Vamos agora retomar essa ideia.

Dentre os grupos que criei, estava o das competências relativas ao processo e julgamento de autoridades.

Dessa forma, no que se refere a esse assunto, destaco que compete privativamente ao Senado Federal:

❖ Processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

❖ Processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade;

Em tais situações, funcionará como Presidente do Senado o Presidente do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.

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Reproduzindo a essência do parâmetro constitucional indicado, o art. 377 do RISF estabelece que:

Art. 377. Compete privativamente ao Senado Federal (Const., art. 52, I e II):

I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República, nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado- Geral da União, nos crimes de responsabilidade.

Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o Senado funcionará sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal (Const., art. 52, parágrafo único).

Desse modo, estas são as autoridades que serão processadas e julgadas pelo Senado Federal em caso de cometimento de crime de responsabilidade:

✓ O Presidente da República

✓ O Vice-Presidente da República

✓ Os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com os praticados pelo Presidente da República;

✓ Os Ministros do Supremo Tribunal Federal,

✓ Os membros do Conselho Nacional de Justiça

✓ Os membros do Conselho Nacional do Ministério Público,

✓ O Procurador-Geral da República

✓ O Advogado-Geral da União

Os Ministros de Estado serão sempre julgados pelo Senado, em caso de cometimento de crime de responsabilidade?

Como vimos, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica somente serão processados e julgados pelo Senado Federal no caso de crime de responsabilidade que tenha sido praticado em conexão com infrações da mesma natureza de autoria do Presidente da República.

Acerca dessa hipótese, cabe salientar que, nos termos do art. 51, inciso I, da CF, compete privativamente à Câmara dos Deputados autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.

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Nesse contexto, é entendimento do Supremo Tribunal Federal que, se Ministro de Estado cometer crime comum ou crime de responsabilidade sem conexão com o praticado pelo Presidente da República, não haverá necessidade de autorização pela Câmara dos Deputados e deverá ele ser julgado pelo STF, conforme estabelece o art. 102, inciso I, alínea “c”, da CF/88.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;

Dessa maneira, observe o seguinte esquema:

Processo e Julgamento do Ministro de Estado

Senado Federal STF

- Crime de responsabilidade praticado em conexão com infrações da mesma natureza de autoria do Presidente da República.

(Necessidade de autorização pela Câmara dos Deputados)

- Crime de responsabilidade praticado sem conexão com crime de responsabilidade de autoria do Presidente da República.

- Crimes comuns.

(Sem necessidade de autorização pela Câmara dos Deputados)

A Lei n° 1.079/50 prevê o rito de processo e julgamento de quais autoridades?

A Lei n° 1.079/50 regula o processo e julgamento dos crimes de responsabilidades cometidos pelo Presidente da República, Ministros de Estado, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Procurador-Geral da República, Governadores e Secretários de Estado.

Os Senadores e Deputados Federais poderão sofrer processo de impeachment?

Não há previsão constitucional ou legal nesse sentido. Desse modo, o entendimento prevalecente é de que o processo de impeachment não se aplica aos Senadores e Deputados Federais. No entanto, devo destacar que o parlamentar poderá perder o mandato, caso seja configurada a quebra de decoro parlamentar.

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Art. 55, CF/88 - Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;

II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;

Art. 25, RISF - Se algum Senador praticar, dentro do edifício do Senado, ato incompatível com o decoro parlamentar ou com a compostura pessoal, a Mesa dele conhecerá e abrirá inquérito, submetendo o caso ao Plenário, que sobre ele deliberará, no prazo improrrogável de dez dias úteis.

Realizada a análise geral acerca dos aspectos materiais referentes ao crime de responsabilidade, podemos agora verificar em detalhes os aspectos processuais relacionados a essas infrações político- administrativa.

Aspectos processuais acerca do processo e julgamento do crime de responsabilidade

Conforme antecipei, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADPF 378/DF, acabou por definir o rito do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, ocorrido no ano de 2016.

É possível notar que o STF não se limitou a declarar a inconstitucionalidade de alguns dispositivos Lei n°

1.079/50, mas agiu como verdadeiro legislador positivo, ao traçar o rito do processo de impeachment, sendo o que a doutrina conceitua como uma sentença manipulativa de efeito aditivo.

Desse modo, é essencial que analisemos as disposições da Lei do Impeachment (Lei n° 1.079/50) sob o prisma da decisão do STF na ADPF 378/DF. Afinal, significativas foram as mudanças trazidas pela Corte, seja pela não recepção de diversos dispositivos da norma referida (em virtude do tratamento atual dado pela Constituição Federal de 1988), seja pela interpretação conforme a Constituição dada a alguns de seus artigos.

De maneira resumida, impeachment pode ser conceituado como o processo que visa apurar se determinadas autoridades (Presidente da República, Ministro de Estado, Governador etc.) praticaram ou não crime de responsabilidade.

Acerca de sua natureza, destaco que o processo de impeachment possui natureza político-jurídica, ou seja, é possível que ocorra o controle de atos relacionados a aspectos procedimentais e de legalidade (conforme ocorreu no julgamento da ADPF 378/DF). Todavia, ressalto que não se admite o controle judicial acerca do mérito da decisão do Poder Legislativo, em evidente respeito ao princípio constitucional da separação dos poderes.

Dada a importância do assunto, faz-se necessário adentrarmos de maneira mais aprofundada no estudo do processo de impeachment do Presidente da República, tendo como parâmetro as normas da Lei do Impeachment e o conteúdo da ADPF 378/DF. Ok? Vamos lá!

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Quem pode apresentar denúncia contra o Presidente da República?

Segundo o art. 14 da Lei n° 1.079/50, é permitido a qualquer cidadão denunciar o Presidente da República ou Ministro de Estado, por crime de responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados.

Complementando essa informação, menciono que o art. 16 da referida lei dispõe que a denúncia assinada pelo denunciante e com a firma reconhecida, deve ser acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da declaração de impossibilidade de apresentá-los, com a indicação do local onde possam ser encontrados, nos crimes de que haja prova testemunhal, a denúncia deverá conter o rol das testemunhas, em número de cinco no mínimo.

Em termos gerais, como se dará o processo e julgamento do Presidente da República nos crimes de responsabilidade?

Considerando as regras presentes na Lei n° 1.079/50 e a decisão do STF no âmbito da ADPF 378/DF, dou início ao estudo desse assunto informando que será um procedimento bifásico, ou seja, será composto por duas fases distintas:

Juízo de Admissibilidade da Acusação

Juízo de Mérito da Acusação

Nesse contexto, faremos uma análise minuciosa acerca das fases que envolvem o processo de impeachment.

JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA ACUSAÇÃO REALIZADO PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS

O juízo de admissibilidade da acusação realizado pela Câmara dos Deputados decorre do art. 51, inciso I, da CF/88, no sentido de que compete privativamente à Câmara dos Deputados autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.

Devo salientar que o juízo prévio de admissibilidade da Câmara ocorrerá em relação a qualquer acusação contra o Presidente da República, ou seja, em função de crime comum ou de responsabilidade.

Além disso, informo que essa autorização é tida como mera condição de procedibilidade, para que seja possível o prosseguimento da acusação no Senado Federal. Dito de outra forma, a Câmara dos Deputados exerce um juízo político acerca da acusação, que ocorrerá em um momento pré-processual (acontecerá antes da instauração do processo pelo Senado Federal).

Entenda que a Câmara apenas autoriza a instauração do processo, que será feito a juízo do Senado Federal. Nos dizeres do Ministro Luís Roberto Barroso:

“Lembre-se que a Câmara dos Deputados somente atua no âmbito pré-processual, não valendo a sua autorização como um recebimento da denúncia, em sentido técnico. Assim, a admissão da acusação

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a que se seguirá o julgamento pressupõe um juízo de viabilidade da denúncia pelo único órgão competente para processá-la e julgá-la: o Senado.”

Com base na fundamentação apresentada, o STF declarou que os arts. 23, §§ 1º, 4° e 5º; 80, 1ª parte (que define a Câmara dos Deputados como tribunal de pronúncia) e 81, da Lei nº 1.079/50 não foram recepcionados por serem incompatíveis com os arts. 51, I; 52, I; e 86, § 1º, II, da CF/1988.

Uma vez apresentada a denúncia, o Presidente da Câmara dos Deputados é obrigado a recebê-la?

Não. Segundo o posicionamento do STF, o Presidente da Câmara dos Deputados realizará exame liminar da idoneidade da denúncia, podendo rejeitá-la liminarmente, caso entendesse que a acusação seja flagrantemente inepta ou sem justa causa.

Note, desse modo, que essa atuação não se restringe apenas a análise de aspectos burocráticos, sendo, conforme vimos, um juízo decisório, passível de recurso ao Plenário da Câmara dos Deputados (art. 218, § 3º, do RICD).

Além disso, devo informar que o STF, ao julgar a ADPF 378/DF, posicionou-se no sentido de que não há direito a defesa prévia ao ato de recebimento pelo Presidente da Câmara dos Deputados previsto no art. 19 da Lei nº 1.079/1950.

O que ocorrerá após o recebimento da denúncia pelo Presidente da Câmara dos Deputados?

Uma vez recebida a denúncia pelo Presidente da Câmara, será ela lida no expediente da sessão seguinte e despachada a uma comissão especial eleita.

Sobre a Comissão Especial da Câmara dos Deputados, convém mencionar que, segundo o posicionamento do STF (ADPF 378/DF), não é possível a formação da comissão especial a partir de candidaturas avulsas, de modo que eventual eleição pelo Plenário da Câmara estará limitada apenas a confirmar ou não as indicações feitas pelos líderes dos partidos ou blocos parlamentares.

A votação da eleição da Comissão Especial da Câmara dos Deputados poderá ocorrer de maneira secreta? E as demais votações no decorrer do processo de impeachment?

Não. Conforme o teor da ementa do julgamento da ADPF 378/DF:

“No impeachment, todas as votações devem ser abertas, de modo a permitir maior transparência, controle dos representantes e legitimação do processo. No silêncio da Constituição, da Lei nº 1.079/1950 e do Regimento Interno sobre a forma de votação, não é admissível que o Presidente da Câmara dos Deputados possa, por decisão unipessoal e discricionária, estender hipótese inespecífica de votação secreta prevista no RI/CD, por analogia, à eleição para a Comissão Especial de impeachment. Em uma democracia, a regra é a publicidade das votações. O escrutínio secreto somente pode ter lugar em hipóteses excepcionais e especificamente previstas. Além disso, o sigilo do escrutínio é incompatível com a natureza e a gravidade do processo por crime de responsabilidade. Em processo de tamanha

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magnitude, que pode levar o Presidente a ser afastado e perder o mandato, é preciso garantir o maior grau de transparência e publicidade possível.

Quais as decisões possíveis de serem tomadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados?

Uma vez cumprido os trâmites previstos, o Plenário da Câmara realizará o juízo de admissibilidade da acusação contra o Presidente da República.

Caso o juízo seja negativo, ocorrerá o arquivamento da denúncia. No entanto, o juízo positivo realizado por 2/3 (dois terços) dos membros da Câmara resultará na autorização para que o Senado venha a instaurar o processo de impeachment (observe que a Câmara apenas autoriza a instauração do processo).

JUÍZO DE MÉRITO DA ACUSAÇÃO REALIZADO PELO SENADO FEDERAL

No que se refere ao rito do processo de impeachment no Senado Federal, ressalto que neste ponto o STF atuou ativamente na definição do procedimento a ser seguido.

Com o advento da Constituição Federal de 1988, o entendimento do STF é no sentido de que o Senado Federal passou a ter a competência para instaurar o processo de impeachment, sendo a atuação da Câmara apenas no sentido de autorizar essa instauração.

Desse modo, uma vez que a Lei do Impeachment se mostrou omissa (no tocante às normas a serem seguidas nesse momento inicial de atuação do Senado), o STF entendeu que há de se estender o rito relativamente abreviado da Lei nº 1.079/1950 para julgamento do impeachment pelo Senado, incorporando- se a ele uma etapa inicial de instauração ou não do processo, bem como uma etapa de pronúncia ou não do denunciado. Na visão da Corte Suprema, essas etapas são essenciais ao exercício, pleno e pautado pelo devido processo legal, da competência do Senado de processar e julgar o Presidente da República.

Diante da ausência de regras específicas acerca dessas etapas iniciais do rito no Senado, deve-se seguir a mesma solução jurídica encontrada pelo STF no caso Collor, qual seja, a aplicação das regras da Lei nº 1.079/1950 relativas a denúncias por crime de responsabilidade contra Ministros do STF ou contra o PGR (também processados e julgados exclusivamente pelo Senado).

Desse modo, com base na regulamentação realizada pela Corte, o procedimento do Senado passou a ter três votações distintas:

Juízo de Acusação (instauração do processo)

Juízo de Pronúncia do

Acusado Juízo de Mérito

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Juízo de Acusação

Uma vez autorizada a instauração pela Câmara dos Deputados, o Senado Federal também constituirá uma comissão especial, a fim de que seja analisado o pedido de impeachment e elaborado um parecer.

Dessa maneira, o parecer será submetido a discussão e votação nominal pelo Plenário do Senado Federal (em um só turno e mediante quórum de maioria simples), a fim de decidir se o Senado receberá ou não a denúncia autorizada pela Câmara dos Deputados.

Nesse contexto, se o Senado não admitir a denúncia (lembre-se que, segundo o STF, o Senado não está vinculado ao posicionamento da Câmara dos Deputados), os autos serão arquivados. Todavia, se a denúncia for admitida, o processo de impeachment será instaurado.

Com o recebimento da denúncia, o processo estará formalmente instaurado e, a partir deste momento, teremos os seguintes efeitos:

o O Presidente do STF passará a presidir o Senado Federal no julgamento do Impeachment;

o O Presidente ficará suspenso de suas funções pelo prazo de até 180 dias;

o Decorrido o prazo de 180 dias, caso o julgamento não tiver sido concluído, cessará o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

Qual é a condição imposta pela Lei do Impeachment para que seja possível a instauração do processo?

Como condição de procedibilidade, isto é, para que seja possível a instauração de processo de impeachment do Presidente, o art.15 da Lei n° 1.079/50 determina que a denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo.

No entanto, devo advertir que, depois de instaurado o processo de impeachment, a renúncia do Presidente não produzirá efeito, como ocorreu no impeachment do Presidente Fernando Collor. Ou seja, o ato de renunciar não extingue o processo quando já tiver sido iniciado.

Juízo de Pronúncia

Realizada a instrução probatória, o Plenário do Senado discutirá e votará (em um só turno) o parecer da comissão especial. Essa deliberação correrá mediante votação ostensiva (voto aberto) e exigirá o quórum de maioria simples.

Se o Senado entender que não procede a acusação, será o processo arquivado. No entanto, se a Casa decidir que a acusação procede, ocorrerá a pronúncia do acusado, sendo ele submetido a julgamento de mérito.

E aí? Conseguiu diferenciar as fases de julgamento existentes no juízo de acusação e no juízo de pronúncia? Não? Tudo bem. Vou explicar de outra forma!

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Fazendo um comparativo com o rito do Tribunal do Júri, entenda que o juiz decide em um primeiro momento pelo recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público, determinando, em seguida, a citação do réu, a fim de que ocorra a instrução probatória necessária, em respeito ao devido processo legal.

Após a ocorrência dos atos relacionados à instrução, o juiz decidirá se existem ou não indícios quanto à materialidade do fato (isto é, indícios acerca do cometimento de crime doloso contra a vida) e de sua autoria (o acusado pode ser o culpado pelo crime).

Perceba que o juiz pode se convencer que não há indícios suficientes que justifiquem a submissão do acusado ao julgamento perante o Tribunal do Júri (decisão de impronúncia) ou que os indícios existentes evidenciam que o acusado, de fato, deva vir a ser julgado pelo Tribunal do Júri (decisão de pronúncia).

Por fim, haverá a decisão de mérito, que resultará na condenação ou absolvição do acusado e será realizada pelo Tribunal do Júri, formado por sete jurados.

Agora ficou fácil entender a distinção de cada juízo, não é mesmo? Note que essas decisões ocorrerão em momentos distintos e sucessivos do processo. Nesse contexto, destaco que a atuação do Senado Federal seguirá essa mesma essência.

Juízo de Mérito

É no juízo de mérito que o Presidente da República será julgado pelo Plenário do Senado Federal, mediante voto aberto, apenas sendo admitida a acusação se for atingido o quórum de 2/3 (dois terços) dos membros do Senado, o que equivale, no mínimo, a 54 senadores votando favorável à condenação do Presidente da República, em virtude do cometimento de crime de responsabilidade.

Desse modo, se o Senado negar o cometimento de crime de responsabilidade pelo Chefe do Executivo, o Presidente será absolvido. Entretanto, na hipótese de condenação (voto de 2/3 dos membros do Senado), implicará a imposição das seguintes penas autônomas: perda do cargo e a inabilitação para o exercício de função pública por 8 (oito) anos.

Dando continuidade, devo salientar que:

✓ O STF entende que, no curso do procedimento de impeachment, o acusado tem a prerrogativa de se manifestar, de um modo geral, após a acusação;

✓ Segundo o STF, o interrogatório deve ser o ato final da instrução probatória;

✓ As penas previstas poderão ser aplicadas, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis (denúncia criminal realizada pelo Ministério Público, por exemplo). Considerando o disposto no art. 3° da Lei n° 1.079/50, posso afirmar que a imposição da penalidade não exclui o processo e julgamento do acusado por crime comum, na justiça ordinária, nos termos das leis de processo penal.

✓ Em caso de condenação, o Vice-Presidente assumirá a Presidência, objetivando completar o mandato.

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As penas são autônomas, ou seja, poderão ser aplicadas de maneira isolada ou conjuntamente.

No caso do julgamento da Presidente Dilma Rousseff, ocorreu um fracionamento da votação, tendo sido a ela aplicada a pena de perda do cargo, mas o Senado deixou de aplicar a penalidade de inabilitação para o exercício de função pública pelo prazo de 8 anos.

A decisão condenatória do Senado será formalizada mediante qual instrumento?

Com base no que estabelece o art. 35 da Lei n° 1.079/50, a decisão condenatória do Senado será formalizada mediante resolução.

Confirmando essa informação, apresento o teor da Resolução n°35, de 2016, que dispõe sobre as sanções no Processo de Impeachment contra a Presidente da República, Dilma Vana Rousseff:

Por fim, chamo sua atenção para a distinção existente entre a inabilitação da função pública e as causas de inelegibilidade previstas na legislação eleitoral. Perceba que a inabilitação possui caráter mais abrangente, uma vez que alcança as funções públicas eletivas ou não, enquanto a inelegibilidade está ligada, de modo geral, à impossibilidade de exercício de mandatos eletivos.

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Aspectos do Regimento Interno do Senado Federal

Vimos nos tópicos anteriores o contexto geral do processo e julgamento do Presidente da República, no tocante ao cometimento de crime de responsabilidade.

Entendo que, sem perder a objetividade, é necessário que tenhamos uma visão mais ampla dos assuntos, a fim de não sejamos surpreendidos com uma questão objetiva mais elaborada, que misture conhecimentos do Direito Constitucional com o Regimento Interno do Senado, ou até mesmo com uma questão subjetiva que trate sobre o tema de maneira mais aprofundada.

É possível verificar o impacto do cenário atual do processo de impeachment nas disposições do RISF, ao analisarmos que o art. 382 do RISF prevê que, no processo e julgamento a que se referem os arts. 377 a 381 (funcionamento do Senado como órgão judiciário) serão aplicados, no que couber, o disposto na Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950. Ocorre que o posicionamento do STF no julgamento da ADPF 378/DF foi o inverso do contido na referida norma. Observe:

“A aplicação subsidiária do Regimento Interno da Câmara dos Deputados e do Senado ao processamento e julgamento do impeachment não viola a reserva de lei especial imposta pelo art. 85, parágrafo único, da Constituição, desde que as normas regimentais sejam compatíveis com os preceitos legais e constitucionais pertinentes, limitando-se a disciplinar questões interna corporis.”

Desse modo, perceba que as normas regimentais que passaremos a analisar serão aplicadas, de fato, apenas em caráter subsidiário, limitando-se a disciplinar questões internas do Senado.

No entanto, ressalto que as disposições regimentais devem ser seguidas à risca em questões que exijam o conhecimento literal do RISF. Dito isso, vamos ao que interessa para o nosso contexto (estudo do RISF)!

Iniciando o estudo do RISF, convém mencionar que o art. 378 do RISF, reproduzindo o disposto do parágrafo único do art. 52 da CF, determina que, em qualquer hipótese, a sentença condenatória só poderá ser proferida pelo voto de dois terços dos membros do Senado, e a condenação estará limitada à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das sanções judiciais cabíveis.

Na sequência, o art. 379 do RISF prevê que, em todos os trâmites do processo e julgamento serão observadas as normas prescritas na lei reguladora da espécie (sabemos que, atualmente, o rito a ser aplicado é o constante na Lei n° 1.079/50, interpretada sob o prisma da decisão do STF na ADPF 378/DF).

Considerando exclusivamente as regras contidas no RISF, quais são as normas a serem seguidas durante o processo e julgamento das autoridades submetidas ao Senado Federal?

Segundo o art. 380 do RISF, para julgamento dos crimes de responsabilidade das autoridades indicadas no art. 377, serão obedecidas as seguintes normas:

I - recebida pela Mesa do Senado a autorização da Câmara para instauração do processo, nos casos previstos no art. 377, I, ou a denúncia do crime, nos demais casos, será o documento lido no Período do Expediente da sessão seguinte;

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II - na mesma sessão em que se fizer a leitura, será eleita comissão, constituída por um quarto da composição do Senado, obedecida a proporcionalidade das representações partidárias ou dos blocos parlamentares, e que ficará responsável pelo processo;

III - a comissão encerrará seu trabalho com o fornecimento do libelo acusatório, que será anexado ao processo e entregue ao Presidente do Senado Federal, para remessa, em original, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, com a comunicação do dia designado para o julgamento;

IV - o Primeiro Secretário enviará ao acusado cópia autenticada de todas as peças do processo, inclusive do libelo, intimando-o do dia e hora em que deverá comparecer ao Senado para o julgamento;

V - estando o acusado ausente do Distrito Federal, a sua intimação será solicitada pelo Presidente do Senado ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado em que ele se encontre;

VI - servirá de escrivão um funcionário da Secretaria do Senado designado pelo Presidente do Senado.

Destaco que as informações mencionadas já foram objeto de questionamento pela banca examinadora.

No entanto, ressalto que se tratava de momento bem anterior ao julgamento da ADPF 378/DF pelo Supremo Tribunal Federal. Vejamos:

(FGV - Senado Federal – Analista Legislativo – 2008) A Constituição Federal estabelece que ao Senado compete o julgamento de Presidente e Vice-Presidente da República, em crimes de responsabilidade. Essa atribuição privativa do Senado possui regras regimentais, que devem ser cumpridas. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir:

I. A Mesa do Senado deve receber autorização da Câmara para instauração do processo.

II. A leitura do documento ocorrerá na sessão seguinte ao recebimento, sendo eleita Comissão, composta por um quarto dos membros do Senado, de acordo com a relação de proporcionalidade das representações partidários ou blocos parlamentares.

III. A Comissão encerrará o seu trabalho com a entrega de libelo acusatório ao Presidente do Senado Federal.

IV. Não estando o acusado no Distrito Federal, caberá ao Presidente do Senado solicitar sua intimação ao Presidente do Tribunal de Justiça do local onde ele estiver.

V. Servirá de escrivão um funcionário do Supremo Tribunal Federal, por este indicado, na condição de Presidente do órgão julgador.

Assinale:

a) se somente as afirmativas I, III e V estiverem corretas.

b) se somente as afirmativas III, IV e V estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas.

d) se somente as afirmativas III e V estiverem corretas.

e) se somente as afirmativas I, II, III e IV estiverem corretas.

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RESOLUÇÃO: Vejamos os itens constantes na questão, de acordo com as respectivas normas regimentais que fundamentam cada informação.

Item I – Certo. De fato, o art. 380, inciso I, do RISF prevê que o início da atuação do Senado Federal ocorrerá após o recebimento da autorização da Câmara para instauração do processo pela Mesa do Senado. Observe:

“Art. 380. Para julgamento dos crimes de responsabilidade das autoridades indicadas no art. 377, obedecer-se- ão as seguintes normas:

I - recebida pela Mesa do Senado a autorização da Câmara para instauração do processo, nos casos previstos no art. 377, I, ou a denúncia do crime, nos demais casos, será o documento lido no Período do Expediente da sessão seguinte;”

Item II – Certo. Segundo o art. 380, inciso II, do RISF, na mesma sessão em que se fizer a leitura, será eleita comissão, constituída por um quarto da composição do Senado, obedecida a proporcionalidade das representações partidárias ou dos blocos parlamentares, e que ficará responsável pelo processo.

Item III – Certo. Nos termos do art. 380, inciso III, do RISF, a comissão encerrará seu trabalho com o fornecimento do libelo acusatório, que será anexado ao processo e entregue ao Presidente do Senado Federal, para remessa, em original, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, com a comunicação do dia designado para o julgamento.

Item IV – Certo. Conforme estabelece o art. 380, inciso V, do RISF, estando o acusado ausente do Distrito Federal, a sua intimação será solicitada pelo Presidente do Senado ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado em que ele se encontre.

Item V – Errado. A despeito do que afirma o item, o art. 380, inciso VI, do RISF dispõe que servirá de escrivão um funcionário da Secretaria do Senado designado pelo Presidente do Senado.

GABARITO: E

Por fim, devo ainda mencionar que o art. 381 do RISF, reproduzindo o disposto no art. 86, § 1º, II, e § 2º, da CF/88, determina que, instaurado o processo, o Presidente da República ficará suspenso de suas funções.

No entanto, se decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do Presidente da República, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

DA ESCOLHA DE AUTORIDADES (CONST., ART. 52, III E IV)

Relembro novamente que, ao estudarmos as competências privativas do Senado Federal na primeira aula do nosso curso, apresentei o grupo das competências relativas à aprovação e escolhas de autoridades.

Lembra disso? Ótimo!

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Nesse contexto, ressalto que compete de maneira privativa ao Senado Federal:

(art. 52, inciso III, CF) Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:

a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;

b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;

c) Governador de Território;

d) Presidente e diretores do banco central;

e) Procurador-Geral da República;

f) Titulares de outros cargos que a lei determinar;

(art. 52, inciso IV, CF) Aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente;

(art. 52, inciso XI, CF) Aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato;

(art. 52, inciso XIV, CF) Eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII, da CF/88.

Note que, em algumas situações, a arguição (também chamada de sabatina) das autoridades será realizada de maneira pública, enquanto, nos casos de escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente, tal procedimento ocorrerá em sessão secreta. No entanto, em todas essas situações, a votação será secreta, por expressa previsão constitucional.

Além disso, para que seja possível a exoneração de ofício do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato, faz-se necessário sua aprovação pela maioria dos Senadores (ou seja, maioria absoluta), mediante votação secreta.

Visto as disposições constitucionais relativas ao tema, podemos avançar no estudo, analisando neste momento as normas regimentais relacionadas à escolha das autoridades pelo Senado Federal.

Acerca desse assunto, informo, de início, que o art. 383 do RISF prevê que, na apreciação do Senado Federal sobre a escolha de autoridades, serão observadas diversas normas nele contidas. Nesse contexto, cabe conhecermos em detalhes que normas serão essas.

O inciso I do referido artigo dispõe, em síntese, que a mensagem enviada pelo Presidente da República será lida em plenário e encaminhada à comissão competente, devendo estar acompanhada de amplos esclarecimentos sobre o candidato e de:

a) curriculum vitae, no qual constem:

1. as atividades profissionais exercidas pelo indicado, com a discriminação dos referidos períodos;

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2. a relação das publicações de sua autoria, com as referências bibliográficas que permitam sua recuperação;

b) no caso dos indicados na forma do inciso III do art. 52 da Constituição Federal (as autoridades mencionadas nas alíneas

“a à f”), declaração do indicado:

1. quanto à existência de parentes seus que exercem ou exerceram atividades, públicas ou privadas, vinculadas a sua atividade profissional, com a discriminação dos referidos períodos;

2. quanto à sua participação, em qualquer tempo, como sócio, proprietário ou gerente, de empresas ou entidades não governamentais, com a discriminação dos referidos períodos;

3. de regularidade fiscal, nos âmbitos federal, estadual e municipal;

4. quanto à existência de ações judiciais nas quais figure como autor ou réu, com indicação atualizada da tramitação processual;

5. quanto à sua atuação, nos últimos 5 (cinco) anos, contados retroativamente ao ano em que se deu sua indicação, em juízos e tribunais, em conselhos de administração de empresas estatais ou em cargos de direção de agências reguladoras;

c) argumentação escrita, apresentada de forma sucinta, em que o indicado demonstre ter experiência profissional, formação técnica adequada e afinidade intelectual e moral para o exercício da atividade;

d) no caso dos indicados na forma do inciso IV do art. 52 da Constituição Federal (chefe de missão diplomática de caráter permanente), relatórios produzidos pelo Ministério das Relações Exteriores contendo:

1. informações sobre o Estado ou organização internacional para o qual o candidato foi indicado;

2. relação dos tratados e acordos assinados com o respectivo Estado ou organização internacional, bem como dos contratos de empréstimos e financiamentos oficiais concedidos pelo Brasil, incluindo os atos referentes a perdão ou renegociação de dívidas e a renúncia fiscal, diferenciando entre atos em vigor e atos ainda sujeitos à aprovação do Congresso Nacional, nos termos do art. 49, inciso I, da Constituição Federal;

A respeito da formalidade relativa à resposta negativa relacionada aos itens constantes no art. 383, inciso I, alínea “b”, apresento o seguinte esquema:

Informação Resposta negativa

- Quanto à existência de parentes seus que exercem ou exerceram atividades, públicas ou privadas, vinculadas a sua atividade profissional, com a discriminação dos referidos períodos;

- Quanto à sua participação, em qualquer tempo, como sócio, proprietário ou gerente, de empresas ou entidades não governamentais, com a discriminação dos referidos períodos;

- Quanto à existência de ações judiciais nas quais figure como autor ou réu, com indicação atualizada da tramitação processual;

- Quanto à sua atuação, nos últimos 5 (cinco) anos, contados retroativamente ao ano em que se deu sua indicação, em juízos e

A resposta negativa deverá ser declarada por escrito.

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tribunais, em conselhos de administração de empresas estatais ou em cargos de direção de agências reguladoras;

De regularidade fiscal, nos âmbitos federal, estadual e municipal;

A declaração deverá ser acompanhada de documentação comprobatória emitida pelos órgãos competentes.

O exame das indicações a que se refere o art. 52, inciso III, da CF/88 estará submetido a quais etapas?

Relembrando o conteúdo do dispositivo constitucional, informo que o art. 52, inciso III, CF estabelece que compete privativamente ao Senado Federal aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:

✓ Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;

✓ Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;

✓ Governador de Território;

✓ Presidente e diretores do banco central;

✓ Procurador-Geral da República;

✓ Titulares de outros cargos que a lei determinar;

Nesse cenário, o art. 383, inciso II, do RISF determina que o exame das indicações feitas na forma do inciso III do art. 52 da Constituição Federal seguirá as etapas nele previstas.

Sobre esse tema, menciono inicialmente que o relator apresentará o relatório à comissão, com recomendações, se for o caso, para que sejam apresentadas informações adicionais.

Na sequência, será concedida, automaticamente, vista coletiva aos membros da comissão e divulgado o relatório por meio do portal do Senado Federal. Ressalto que o portal do Senado Federal possibilitará à sociedade encaminhar informações sobre o indicado ou perguntas a ele dirigidas, que serão submetidas ao exame do relator com vistas ao seu aproveitamento, inclusive quanto à necessidade de realização de audiência pública em face das informações e indagações recebidas.

Além disso, cabe salientar que o relator poderá discutir com os membros da comissão o conteúdo das questões que serão formuladas ao indicado.

Dando continuidade, informo que a comissão convocará o candidato para, em prazo estipulado, não inferior a 5 (cinco) dias úteis, ouvi-lo, em arguição pública, sobre assuntos pertinentes ao desempenho do cargo a ser ocupado (Const., art. 52, III).

Para inquirição de candidato, cada Senador interpelante disporá de 10 (dez) minutos, assegurado igual prazo para resposta, imediata, do interpelado, facultadas réplica e tréplica, ambas também imediatas, por 5 (cinco) minutos.

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Por fim, devo frisar que, uma ver realizados os atos mencionados, o relatório será votado pela Comissão.

Quais serão as regras a serem aplicadas em relação à arguição de candidato a chefe de missão diplomática de caráter permanente?

Com base no que dispõe o art. 383, inciso III, do RISF, a arguição de candidato a chefe de missão diplomática de caráter permanente será feita em reunião secreta, devendo ser aplicado o procedimento descrito no inciso II do referido artigo (referente ao exame das indicações das autoridades constantes no art.

52, inciso III, da CF), no que couber.

Quais as os atos que a Comissão poderá realizar?

Nos termos do art. 383, inciso V, do RISF, a comissão poderá realizar:

Arguição do candidato

Audiência pública (art. 93 do RISF)

Investigações; e

Requisitar, da autoridade competente, informações complementares.

Quais informações deverão conter no relatório?

De acordo com o art. 383, inciso V, do RISF, o relatório deverá conter dados sobre o candidato, passando a constituir parecer com o resultado da votação, aprovando ou rejeitando o nome indicado.

Como será realizada a reunião da comissão destinada à votação do relatório?

A reunião será pública, sendo a votação procedida por escrutínio secreto (votação secreta), vedadas declaração ou justificação de voto, exceto com referência ao aspecto legal.

Uma vez constituído o parecer da comissão, como será realizada sua votação pelo Plenário do Senado?

De acordo com o art. 383, inciso VII, do RISF, o parecer será apreciado pelo Plenário em sessão pública, sendo a votação procedida por escrutínio secreto.

Convém ressaltar, no entanto, que a manifestação do Senado Federal e das comissões sobre a escolha de chefe de missão diplomática de caráter permanente será procedida em sessão e reunião secretas.

Uma vez realizada a deliberação pelo Senado Federal, será feito algum tipo de comunicação ao Presidente da República?

Sim. Conforme determina o art. 383, inciso VIII, do RISF, a manifestação (resolução) do Senado será comunicada ao Presidente da República, consignando-se o resultado da votação.

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Como se dará a eleição dos membros do Conselho da República pelo Senado Federal?

De início, menciono que, segundo o art.89, inciso VII, da CF/88, o Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.

Complementando essa informação, o art. 52, inciso XIV da CF/88 estabelece que compete privativamente ao Senado Federal eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII, da Constituição Federal.

Seguindo esse contexto constitucional, o caput do art. 384 do RISF dispõe que a eleição dos membros do Conselho da República será feita mediante lista sêxtupla elaborada pela Mesa, ouvidas as lideranças com atuação no Senado.

Conforme prevê o § 1º do art. 384 do RISF, a eleição será realizada por meio de cédulas uninominais, considerando-se eleito o indicado que obtiver a maioria de votos, presente a maioria absoluta dos membros do Senado (ou seja, o regimento exige o quórum de maioria simples).

Uma vez eleito o primeiro representante do Senado, será procedida à eleição do segundo, dentre os cinco indicados restantes, obedecido o mesmo critério previsto no § 1º.

No entanto, devo ressaltar que, se, na primeira apuração, nenhum dos indicados alcançar maioria de votos, será realizada nova votação, e, se mesmo nesta, aquele quórum não for alcançado, a eleição ficará adiada para outra sessão, a ser convocada pela Presidência e, assim, sucessivamente.

No mais, informo que serão aplicadas no processamento das eleições, no que couber, as normas regimentais que dispuserem sobre escolha de autoridades.

Por fim, o art. 383, § 5º, do RISF prevê ainda que será aplicado o disposto neste artigo, quanto à eleição dos suplentes, previstos na Lei nº 8.041, de 5 de junho de 1990.

Como se dará a destituição do Procurador-Geral da República antes do término do seu mandato?

O art. 128, § 2º, da CF/88 dispõe que a destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.

No mesmo sentido, o art. 52, inciso XI, da CF/88 determina que compete privativamente ao Senado Federal aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato.

Nesse cenário, o art. 385 do RISF estabelece que a mensagem do Presidente da República solicitando autorização para destituir o Procurador-Geral da República, uma vez lida em plenário, será distribuída, para apresentação de parecer, à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), devendo ser aplicado na tramitação da mensagem, no que couber, o disposto para escolha de autoridades, sendo que a destituição somente se efetivará se aprovada pela maioria absoluta de votos.

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DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DE LEI INCONSTITUCIONAL (CONST., ART. 52, X)

Segundo o art. 52, inciso X, da CF/88, compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.

Sobre esse tema, destaco que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar determinado caso concreto (em um recurso extraordinário, por exemplo), poderá declarar incidentalmente (ou seja, apenas para aquele processo) a inconstitucionalidade de uma determinada lei. Ok?

Nessa situação, com o intuito de que o entendimento da Corte Suprema seja empregado como regra, caberá privativamente ao Senado Federal suspender a eficácia (no todo ou em parte) da lei objeto de declaração difusa de inconstitucionalidade.

Do ponto de vista doutrinário, devo salientar algumas informações relevantes sobre o tema (a título de conhecimento):

✓ A suspensão realizada pelo Senado poderá ocorrer em relação a leis federais, estaduais, distritais ou municipais que forem declaradas inconstitucionais pelo STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade (ou seja, de modo incidental);

✓ O Senado Federal não está obrigado a suspender a eficácia da lei declarada inconstitucional. Se isso não ocorrer, a norma continuará válida e será eventualmente declarada inconstitucional apenas nos casos em que o STF vier a analisar incidentalmente, até que a matéria seja objeto de controle concentrado de constitucionalidade, por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

✓ Não é possível que o Senado, ao suspender a execução de lei inconstitucional, venha a alterar a extensão da decisão do STF (ampliando, interpretando ou restringindo);

✓ A resolução que suspende a lei declarada inconstitucional (resolução suspensiva) é irrevogável, ou seja, não poderá ser posteriormente revogada pelo Senado;

No tocante ao procedimento adotado, informo que o art. 386 do RISF estabelece que o Senado conhecerá da declaração, proferida em decisão definitiva pelo Supremo Tribunal Federal, de inconstitucionalidade total ou parcial de lei mediante:

Comunicação do Presidente do Tribunal;

Representação do Procurador-Geral da República;

Projeto de resolução de iniciativa da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Na sequência o art. 387 do RISF dispõe que a comunicação, a representação e o projeto mencionados deverão ser instruídos com o texto da lei cuja execução se deva suspender, do acórdão do Supremo Tribunal

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Federal (acórdão é a decisão do colegiado), do parecer do Procurador-Geral da República e da versão do registro taquigráfico do julgamento.

Essas exigências se justificam pelo fato de que o Senado não poderá alterar a extensão da decisão do STF e, por isso, necessita ter conhecimento do exato alcance da decisão.

Dando continuidade, informo que, segundo o art. 388 do RISF, uma vez lida em plenário, a comunicação ou representação será encaminhada à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que formulará projeto de resolução suspendendo a execução da lei, no todo ou em parte.

No caso em que o Senado toma conhecimento da declaração de inconstitucionalidade mediante a apresentação de projeto de resolução de inciativa da CCJ, não faz sentido que ocorra seu encaminhamento novamente à CCJ, não é mesmo? Isso justifica o fato de o art. 388 do RISF se referir somente à comunicação ou representação.

Por fim, faz-se necessário ressaltar que a elaboração da resolução suspensiva se trata de uma decisão terminativa da CCJ, pois, de acordo com o art. 91, inciso II, do RISF, cabe às comissões (no caso, a CCJ), no âmbito de suas atribuições, dispensada a competência do Plenário, nos termos do art. 58, § 2º, I, da Constituição, discutir e votar projetos de resolução que versem sobre a suspensão da execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (Const., art.

52, X).

DAS ATRIBUIÇÕES PREVISTAS NOS ARTS. 52 E 155 DA CONSTITUIÇÃO

Da Autorização para Operações Externas de Natureza Financeira

De acordo com o art. 52, inciso V, da CF/88, compete privativamente ao Senado Federal autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.

Ou seja, perceba que, se a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios ou até mesmo os Territórios (se existentes) tiverem interesse em realizar operação externa de natureza financeira (por exemplo, um empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID), necessitarão de autorização do Senado Federal, sendo uma competência privativa da Casa.

Nesse cenário, o art. 389 do RISF dispõe que o Senado apreciará pedido de autorização para operações externas, de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios (Const., art. 52, V), instruído com:

I - documentos que o habilitem a conhecer, perfeitamente, a operação, os recursos para satisfazer os compromissos e a sua finalidade;

II - publicação oficial com o texto da autorização do Legislativo competente;

III - parecer do órgão competente do Poder Executivo.

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Veja que o RISF estabelece uma série de documentos que deverá instruir o pedido de autorização.

Todavia, devo destacar que é lícito (permitido) a qualquer Senador encaminhar à Mesa documento destinado a complementar a instrução ou o esclarecimento da matéria.

Sobre o procedimento a ser adotado na tramitação do pedido de autorização para operações externas, de natureza financeira, o art. 390 do RISF prevê as normas a serem seguidas:

❑ Uma vez lida no Período do Expediente, a matéria será encaminhada à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a fim de ser formulado o respectivo projeto de resolução, concedendo ou negando a medida pleiteada;

❑ A resolução, uma vez promulgada, será enviada, em todo o seu teor, à entidade interessada e ao órgão a que se refere o art. 389, III (órgão competente do Poder Executivo), devendo constar do instrumento da operação.

Note que o encaminhamento da matéria à CAE é justificado pela competência que essa comissão possui na estrutura do Senado. Além disso, outro aspecto que merece destaque é o fato de que o projeto de resolução será elaborado, seja a autorização concedida ou negada.

Na sequência, cabe ressaltar que, segundo o art. 391 do RISF, qualquer modificação nos compromissos originariamente assumidos dependerá, do mesmo modo, de nova autorização do Senado.

Merece destaque o fato de que, nos termos do art. 392 do RISF, também serão aplicadas as regras constantes neste tópico (arts. 389 a 391) nos casos de aval da União, Estado, Distrito Federal ou Município, para a contratação de empréstimo externo por entidade autárquica subordinada ao Governo Federal, Estadual ou Municipal.

Vimos que a CAE é a comissão responsável pelo exame do pedido de autorização para a realização de operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, sendo a ela incumbido, inclusive, a formulação do projeto de resolução que concede ou nega a matéria pleiteada.

No entanto, de acordo com o parágrafo único do art. 390 do RISF, no caso de mensagens propondo perdão e reescalonamento de dívidas de que o Brasil seja credor, a matéria será encaminhada para parecer da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) antes de seu exame pela Comissão de Assuntos Econômicos.

Perceba que nessa hipótese não se trata apenas de uma questão financeira, sendo também um assunto que diz respeito às relações do Brasil com outros países. Isto é, são situações que repercutem nas relações exteriores.

Desse modo, em virtude de não ser apenas uma operação financeira, mas, acima de tudo, um tema de política internacional do Brasil, faz-se necessário que a matéria também seja examinada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), por se tratar da comissão que detém conhecimento técnico para tal análise.

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Conforme mencionei anteriormente, a competência privativa do Senado para autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios está prevista no art. 52, inciso V, da CF/88. Ok?

Desse modo, é possível concluir que essa matéria não poderá ser objeto de decisão terminativa por parte da CAE, em virtude de vedação expressa nesse sentido. Vejamos o disposto no art. 91, § 1º, inciso V, alínea b, do RISF:

Art. 91, § 1º O Presidente do Senado, ouvidas as lideranças, poderá conferir às comissões competência para apreciar, terminativamente, as seguintes matérias:

V - indicações e proposições diversas, exceto:

b) projetos de resolução a que se referem os arts. 52, V a IX, e 155, §§ 1º , IV, e 2º , IV e V, da Constituição;

Das Atribuições Estabelecidas no art. 52, VI, VII, VIII e IX, da Constituição

Lembre-se que na aula inaugural do curso, ao tratar das competências privativas do Senado, criei o grupo relacionado as competências relativas ao controle fiscal, que buscam, em resumo, o controle do gasto público e do endividamento dos entes políticos.

Dentre essas competências, informo que ao Senado Federal compete privativamente:

❖ Fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

❖ Dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal;

❖ Dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno;

❖ Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

Nesse cenário, reproduzindo o texto constitucional, o RISF prevê que:

Art. 393. Compete ao Senado:

I - fixar limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (Const., art. 52, VI);

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II - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo poder público federal (Const., art. 52, VII);

III - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (Const., art. 52, VIII);

IV - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (Const., art. 52, IX).

Nesse sentido, nos termos do art. 393, parágrafo único do RISF, as decisões do Senado, quanto às competências mencionadas, terão forma de resolução tomada por iniciativa:

❑ Da Comissão de Assuntos Econômicos nestes casos:

➢ dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo poder público federal.

➢ dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno.

➢ estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

❑ Da Comissão de Assuntos Econômicos, por proposta do Presidente da República, neste caso:

➢ fixar limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Mais uma vez, informo que, em virtude de previsão expressa nesse sentido (art. 91, § 1º, inciso V, alínea b, do RISF), as matérias constantes neste tópico não poderão ser objeto de decisão terminativa da CAE, devendo, dessa forma, serem apreciadas pelo Plenário do Senado.

Da Atribuição Estabelecida no art. 52, XV, da Constituição Federal

Nos termos do art. 52, inciso XV, da CF, compete privativamente ao Senado Federal avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios.

Nesse contexto, considerando o disposto no art. 99-A do RISF, destaco que compete à Comissão de Assuntos Econômicos avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados, do

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