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ESTADO DA PARAÍBA
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-PODER JUDICIARIO •
- TRIBUNAL DE JUSTIÇA
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nf Gabinete do Desembargadorss, ,
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ACÓRDÃO
APELAÇÃO CÍVEL N" 035 2005 001 866-8/ 002
RELATOR Desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque
APELANTES Julio Ronaldo Fagundes de Pontes e sua mulher Josinete Monteiro de Souza Fagundes — Advs Geraldo Vale Cavalcante e Geraldo Cavalcante Filho
APELADOS
Hideraldo Dayane Soares Gouveia c outro — Adv Nayara de Castro Mala
•
EMENTA APELAÇÃO C1VEL — NUNCIAÇÃO
DE OBRA NOVA — REFORMA DE PRÉDIO — RECUOS ANTERIORES CONSERVADOS — CONSTRUÇÃO DE PAVIMENTO SUPERIOR — AUMENTO DE ÁREA QUE SEGUE PERFIL URBANÍSTICO DA CIDADE — VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO MUNICIPAL NÃO DEMONSTRADA — PREJUÍZOS EFETIVOS AO PRÉDIO VIZINHO — NÃO COMPROVAÇÃO — EDIFICAÇÃO EM FASE DE ACABAMENTO — PRETENSÃO DEMOLITÓRIA DESCABIDA — DESPROVIMENTO DO APELO
- É cabível ação de nunctação de obra nova na hipótese de reforma de prédio, restringindo-se o embargo ao aumento de área que desrespeita a lei de obras do Município
- Se o aumento de área (construção de pavimento superior) segue o perfil urbanístico da cidade sem
comprovadamente violar a legislação municipal, não :t\ prospera a pretensão demolitária da edificação em fase
de acabamento que conserva os recuos anteriores reforma e que não traz prej uízos efetivos ao prédio vizinho
Vistos, relatados e discutidos estes autos acima identificados Acorda a Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO
7,2••• 11 I t ge, - 0,til .>1\ zN:.1 APELAÇÃO CIVEL rept, mo N°035 2005 001866-8! 002 - "" 11 a Cl RELATÓRIO
Cuida-se de APELAÇÃO CÍVEL (fls 151/157) movida por JULIO RONALDO FAGUNDES DE PONTES E SUA MULHER JOSINETE MONTEIRO DE SOUZA
FAGUNDES contra sentença de fls 145/148, proferida pelo Juízo de Direito da 1' Vara da
Comarca de Sapé, que julgou improcedente a ação de nunciação de obra nova cumulada com perdas e danos morais e materiais movida em face do HIDERALDO DAYANE SOARES GOUVEIA E OUTRO
Em seu arrazoado, o insurgente sustenta que a vergastada sentença deve ser reformada para julgar procedente a ação, determinando-se a demolição do prédio nunctado que supostamente estaria desrespeitando a legislação aplicavel
Contra-razões apresentadas 'as fls 196/199
Instada a se pronunciar, a douta Procuradoria de Justiça emitiu parecer de fls 209/211, opinando pelo provimento do apelo
É o que importa relatar
VOTO
Não merece reparos a sentença profligada Ponderemos
1111 Os recorrentes pretendem a demolição de edificação, cuja
reforma foi embargada por liminar, sob o pálio de despeito ao Codigo Civil c ao Código Urbanístico Municipal
Ab nutzo, cumpre observar que não houve inobservância ao
invocado art 1 301 do Código Civil, porquanto inaplicável 'a espécie, considerando que, no caso sub judzce, não foram abertas j anelas e nem feitos eirado, terraço ou varanda nos termos do dispositivo em liça Por outro lado, no tocante ao art 1 299 do mesmo Diploma, para se perquirir sobre sua suposta violação, curial analisar a legislação municipal
No que diz respeito a legislação municipal, o caso e bastante peculiar
Segundo a lei municipal apresentada (fls 12/18), existem recuos frontal e lateral a serem observados No entanto, de acordo com as fotos acostadas aos autos, verifica-se que o perfil urbanismo de toda cidade de Sapé, ate mesmo pela
r -I- I -t I 1. APELAÇÃO CIVEL -11 •rn N0035 2005 001866-8 / 002
pequena extensão dos terrenos, não atende esses distanciamentos, a exemplo da casa dos próprios autores, que foi construi& colada no muro da casa da outra vizinha (fi 54)
Como bem ressaltado pelo parecer ministerial, a existência de prédios antigos em perfil urbanístico que desrespeita a legislação municipal não justifica a edificação de novos prédios nesses mesmos moldes Ocorre que, no caso em tela, não houve construção nova, mas reforma que observou os mesmos limites anteriores
A questão não gira em tomo de saber se é cabível ou não a ação de nunciação de obra nova no caso de reforma, mas saber se a pretensão demolitária merece ser atendida
•
Ora, quando na vergastada sentença foi assentado que houve mera reforma não foi no sentido de dizer que a ação de nunctação de obra nova seria incabível nessa hipótese, mas para evidenciar que a nova construção conservou as dimensões frontais e laterais anteriores 'a reforma realizada Nesta hipótese, como c cediço na remansosa j urisprudência de nossos tribunais, o embargo não atinge reforma de obra j á existente, restringindo-se ao aumento de área, consoante ilustra o aresto a seguir, in verbis
"NUNCIACAO DE OBRA NOVA REFORMA DA OBRA E AUMENTO DE AREA SE O CONDOMINO, AO PROCEDER REFORMA DE OBRA JA EXISTENTE, PROCURA AUMENTA-. LA, A LIMITACAO DO EMBARGO DA OBRASOMENTE PODE SE RESTRINGIR A ESTA
ULTIMA PARTE AGRAVO DESPROVIDO"
In casu, a construção anterior que foi derrubada para ser reformada já não possuia recuo frontal, consoante se vê claramente na parede do prédio vizinho da foto acostada 'a fl 19, nem recuo lateral, conforme evidenciado na parte interna da parede da edificação do reu na foto 'a fl 60 À guisa de ratificação, o oficio de fl 47 encaminhado pelo secretario de obras e sc.rviços urbanos informa que "quanto ao recuo lateral do pavimento térreo, permanecera o recuo do prédio anterior, pois trata-se de uma reforma e não de uma nova construção"
A modificação substancial que houve foi a construção de um ÇQk.
primeiro andar, de modo semelhante 'a edificação que fica exatamente ao lado (fi 19), -t‘ bem como fotos acostadas 'as (is 53, 56 e 57 No entanto, em relação 'a construção do
1 TJRS Agravo de Instrumento N" 195081500, '-sexta Câmara Civel Tribunal de Alçada do RS, Relator
\t. Moacir Adiers, Julgado em 17/08/1995
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APELAÇÃO CIVEL
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k/MIM M- i N° 035 2005 001866-8 / 002__/.1 __CL _
pavimento superior, os autores não demonstraram desconformidade com a legislação municipal
Vale salientar que a construção embargada não invade o terreno dos autores, que não comprovaram a existência de prejuízos (infiltrações, umidade, etc ) que efetivamente passaram a suportar com a reforma do predio vizinho, o que inviabiliza a demolição na esteira da pacificada jurisprudência de nossos pretórios, que vaticina
"NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA PREJUÍZO -AUSÊNCIA DE PROVA - DEMOLIÇÃO DE IMOVEL VIZINHO - IMPOSSIBILIDADE Não
4111/
restando evidenciados os prejuízos originados de obra realizada em terreno lindem) ao imovel dos autores, impossível acolher-se a pretensão demolitoria, nãoensejando a falta de autorização municipal, por si so, a procedência do pleito" 2
Demais disso, a obra já esta em fase de acabamento, considerando a foto da obra quase finalizada a fl 61 e a revogação pela sentença recorrida da liminar concedida, o que autorizou o adiantamento da reforma por mais um mês, até ter sido novamente paralisada em virtude de provimento de agravo de instrumento Nesse diapasão, atender pretensão demolitória, além de não encontrar respaldo jurídico nos argumentos acima esposados, seria medida desarrazoada e desproporcional em completo prej uizo para o recorrido
411
Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao apelo,
confirmando a sentença em todos os seus termos
É COMO voto
Presidiu h Sessão o Exmo Desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque Participaram do j ulgamento, além do relator, Desembargador Marcos
Cavalcanti de Albuquerque o Dr Fábio Leandro de Alencar Cunha (Juiz convocado para
substituir a desembargadora Marta de Fátima M Bezerra Cavalcanti) e o Dr Carlos Neves da .!‘ Franca Neto (Juiz convocado para substituir a Des Maria das Neves do Egito Araujo Duck],
Ferreira)
Presente ao julgamento a Exma Dr a Otanilza Nunes de Lucena, Procuradora de Justiça
2 TJMG Processo n 1 0453 06 008557 9/001(1) Rtlatora Desa Eulma do Carmo Almeida Publicaçlo
‘t do DJ 27/04/2007
t,"4 is è fl -‘-~ I APELAÇÃO CiVEL ttal wani.rintro ' N° 035 2005 001866-8 / 002
Sala de Sessões da Segunda Câmara Cível, do E.. -. nb Justiça da Paraíba, João Pessoa, 15 de j ulho 2008
esembargador Marcos av'alcant Alb ergue Relator
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