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Psicopedagogia Clínica

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Academic year: 2021

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(1)

Marcia Siqueira de Andrade

Marcia Siqueira de Andrade

Psicopedagogia

Psicopedagogia

Clinica

Clinica

Manual de

Manual de

Aplicação

Aplicação Prati

Pratica

ca

para Diagnóstico de

para Diagnóstico de

Distúrbios do Aprendizado

Distúrbios do Aprendizado

1a edição setembro de 1998 1a edição setembro de 1998 Póluss Editorial Póluss Editorial

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, inclusive de qualquer forma ou meio eletrônico, inclusive processos xerográficos, sem permissão expressa processos xerográficos, sem permissão expressa do editor. (Lei n

do editor. (Lei nfifi9.610 de 19/06/1998, artigo 29)9.610 de 19/06/1998, artigo 29) Todos os direitos reservados pela Póluss Todos os direitos reservados pela Póluss Comunicação Integrada Ltda.

Comunicação Integrada Ltda.

São Paulo São Paulo

(2)

Coordenação Editorial  Coordenação Editorial  Angela Arantes Angela Arantes  Projeto Gráfico:  Projeto Gráfico:

Josimar Silvestre Tanaka

Josimar Silvestre Tanaka

 Revisão:  Revisão: Angela Arantes Angela Arantes Capa: Capa: Cláudio Leme Cláudio Leme

Divisão da Póluss Comunicação Integrada Ltda.

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Rua José Gonçalves Pereira, 34

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04538-010-São Paulo-SP 04538-010-São Paulo-SP Telefone (011) 820-7882 Telefone (011) 820-7882 Telefax (011) 820-6260 Telefax (011) 820-6260 www.poluss.com.br  www.poluss.com.br 

 Aos meus queridos filhos, Bruno e

 Aos meus queridos filhos, Bruno e

 Rodrigo, por me ensinarem

 Rodrigo, por me ensinarem

diariamente a lidar com minhas

diariamente a lidar com minhas

limitações e a reconhecer 

limitações e a reconhecer 

meus talentos.

meus talentos.

 Ao Nilton, por me ensinar a

 Ao Nilton, por me ensinar a

lidar com as diferenças, pois são

lidar com as diferenças, pois são

complemento daquilo que me falta.

complemento daquilo que me falta.

 A Mora, minha irmã, que

 A Mora, minha irmã, que tornoutornou

 possível minha lida pessoal 

 possível minha lida pessoal 

com o não saber.

(3)

Prólogo

Prólogo

(...ou, o começo de tudo é sempre o começo)

(...ou, o começo de tudo é sempre o começo)

 Era uma vez, no Paraíso,

 Era uma vez, no Paraíso,

em algum lugar do passado,

em algum lugar do passado,

a "Mãe-Deus "e duas filhas: Mara e

a "Mãe-Deus "e duas filhas: Mara e Maria.Maria.

 Lá, havia um portão rabiscado. Um dia, "Mãe-Deus " perguntou:

 Lá, havia um portão rabiscado. Um dia, "Mãe-Deus " perguntou:

-- Este portão, quem de vocês rabiscou ? Este portão, quem de vocês rabiscou ?

Mara, prontamente, respondeu:

Mara, prontamente, respondeu:

-- Foi Maria, mamãe, não fui eu! Foi Maria, mamãe, não fui eu!

 Nesse instante, a verdade terrível apareceu: Maria conheceu que a

 Nesse instante, a verdade terrível apareceu: Maria conheceu que a

mãe não era Deus. Ela não via que Mara mentia, não lia pensamentos. Ela

mãe não era Deus. Ela não via que Mara mentia, não lia pensamentos. Ela

não sabia...

não sabia...

 E se a mãe não sabia,

 E se a mãe não sabia,

Maria, sua imagem e semelhança,

Maria, sua imagem e semelhança,

 pensamentos também não leria.

 pensamentos também não leria.

 Então, Maria fez seu

 Então, Maria fez seu

o desejo da Sabedoria.

o desejo da Sabedoria.

Tinha cinco anos: foi expulsa do paraíso nesse dia

Tinha cinco anos: foi expulsa do paraíso nesse dia

 para crescer, ler, dividir-se e multiplicar.

 para crescer, ler, dividir-se e multiplicar. (...)

(4)

 A primeira professora mostrou o livro a Maria,

 A primeira professora mostrou o livro a Maria,

um livro de sabedoria.

um livro de sabedoria.

"Ah! Agora sim conheceria !", pensou Maria.

"Ah! Agora sim conheceria !", pensou Maria.

 Ao final da primeira lição, guardado o livro,

 Ao final da primeira lição, guardado o livro,

Maria, triste, foi embora

Maria, triste, foi embora

 sem nada, de mãos vazias.

 sem nada, de mãos vazias.

 Ela não lia...

 Ela não lia...

Chorou muito

Chorou muito...

O medo de morrer começou naquele dia.

O medo de morrer começou naquele dia.

O tempo passando, Maria crescia.

O tempo passando, Maria crescia.

 Aprendeu a ler, escrever...

 Aprendeu a ler, escrever...

 Aprendeu história e geografia. Lia

 Aprendeu história e geografia. Lia

livros, muitos, o tempo todo, mas

livros, muitos, o tempo todo, mas

 pensamentos ela não lia. E por 

 pensamentos ela não lia. E por 

não ler pensamentos, sofria... O

não ler pensamentos, sofria... O

medo de morrer persistia.

medo de morrer persistia.

 A mãe, que não era Deus, lhe dizia:

 A mãe, que não era Deus, lhe dizia:

- Quando o medo vier, não sofra, escreva,

- Quando o medo vier, não sofra, escreva,

coloque no papel, mas guarde bem, é seu segredo.

coloque no papel, mas guarde bem, é seu segredo.

 E assim Maria fazia,

 E assim Maria fazia,

 seus pensamentos escrevia

 seus pensamentos escrevia

e de todos escondia.

e de todos escondia.

Maria crescendo, se fez professora,

Maria crescendo, se fez professora,

ensinava a ler e escrever as criancinhas,

ensinava a ler e escrever as criancinhas,

não mostrava o livro,

não mostrava o livro,

não mostrava que tudo sabia,

não mostrava que tudo sabia,

 pois com aquelas crianças aprendia...

 pois com aquelas crianças aprendia...

Quando ensinava, percebia.

Quando ensinava, percebia.

 No meio das letras,

 No meio das letras,

nas entrelinhas das escritas,

nas entrelinhas das escritas,

o pensamento das crianças aparecia

o pensamento das crianças aparecia

como um grito cujo som não se

como um grito cujo som não se ouvia.ouvia.

Um dia, ouviu falar numa terra distante

Um dia, ouviu falar numa terra distante

onde se ensinava a escuta

onde se ensinava a escuta

do som que não se

do som que não se ouvia,ouvia,

 se aprendia a mirada

 se aprendia a mirada

daquilo que não se lia.

daquilo que não se lia.

 Lá, Alicia vivia.

 Lá, Alicia vivia.

 E com ela,

 E com ela, aprendentes estudavamaprendentes estudavam

a Psicopedagogia.

a Psicopedagogia.

Maria foi em busca,

Maria foi em busca,

acreditando que aprenderia

acreditando que aprenderia

a não temer mais a morte,

a não temer mais a morte,

a resgatar a plenitude da vida e

a resgatar a plenitude da vida e da alegria,da alegria,

encontrando a Sabedoria querida,

encontrando a Sabedoria querida,

no pensamento do outro,

no pensamento do outro,

que ela não lia.

que ela não lia.

Triste ilusão, mais esta !

Triste ilusão, mais esta !

Os anos se passaram, Maria percebia:

Os anos se passaram, Maria percebia:

as Psicopedagogas

as Psicopedagogas

eram iguais a ela

eram iguais a ela

- Alicia também não lia.

 Alicia também não lia.

Caminhando mais uma estrada de

Caminhando mais uma estrada de ilusão,ilusão,

Maria resolveu tornar-se Doutora em Psicologia

Maria resolveu tornar-se Doutora em Psicologia

(ouvira que os verdadeiros sábios eram

(ouvira que os verdadeiros sábios eram DoutoresDoutores

e viviam nas

e viviam nas Academias...)Academias...)

 Estudou muito - pesquisou, sofreu,

 Estudou muito - pesquisou, sofreu, escreveu.escreveu.

  Apresen

  Apresentou tou tese, tese, julgada julgada por por doutoras doutoras - - compe-

compe-tentes e exigentes. Espanto! Entre

tentes e exigentes. Espanto! Entre

unânimes louvores, Maria,

unânimes louvores, Maria,

aclamada sábia, tornou-se Doutora

aclamada sábia, tornou-se Doutora

em Psicologia.

em Psicologia.

 Desfeita mais esta ilusão, Maria

 Desfeita mais esta ilusão, Maria

ainda não

ainda não compreendia, continuavacompreendia, continuava

a mesma, nada mudara, ela ainda

a mesma, nada mudara, ela ainda

não sabia... não sabia... 1 1 0 0 1111

(5)

Conteúdo Conteúdo Um dia, aconteceu !

Um dia, aconteceu !

 Em um segundo fatídico morria  Em um segundo fatídico morria a ilusão do tudo saber lá fora, a ilusão do tudo saber lá fora, no outro, no livro, na academia... no outro, no livro, na academia...  E ao mesmo tempo

 E ao mesmo tempo a cruzada de

a cruzada de ilusões conformavailusões conformava a sua Autoria. a sua Autoria. Maria - Professora, Maria - Professora,  Psicopedagoga, Doutora  Psicopedagoga, Doutora -mais do que tudo, -mais do mais do que tudo, mais do que ler pensamentos, que ler pensamentos, tornara-se Autora. tornara-se Autora.  Agora ela pode ser,  Agora ela pode ser,

incompletamente, incompletamente, transitoriamente, transitoriamente,  profundamente,  profundamente, maravilhosamente, maravilhosamente, incoerentemente incoerentemente Sábia, Sábia,

 sendo apenas ela mesma,  sendo apenas ela mesma,

Maria... Maria...

Conteúdo

Conteúdo

PREFACIO

PREFACIO DE DE ALICIA ALICIA FERNANFERNANDEZDEZ... ... 1155

INTRODUÇÃ

INTRODUÇÃO...O...1177

A QUESTÃO DO CONHECIMENTO:

A QUESTÃO DO CONHECIMENTO:

DO OBJETIVO E DO SUBJETIVO...

DO OBJETIVO E DO SUBJETIVO...2121 Família: leitura de um sub-texto...

Família: leitura de um sub-texto...2222

O tempo de conhecer ou

O tempo de conhecer ou

re/conhecendo o tempo para se conhecer...

re/conhecendo o tempo para se conhecer... 26 26  PARA

PARA UMA UMA PEDAPEDAGOGIGOGIA DO A DO AFETAFETOO...3311

O

O PAPEL PAPEL DO DO PSICOPPSICOPEDAGEDAGOGOOGO...3333

O

O ATENDATENDIMENTIMENTO O PSICOPPSICOPEDAGEDAGOGICOOGICO...37 37  Psicopedagogia

Psicopedagogia reeducativa...reeducativa...3737

Psicopedag

Psicopedagogia clínicaogia clínica...3838

Psicopedag

Psicopedagogia ogia preventivapreventiva...4040 ETAPAS

ETAPAS DO DO ATENDIMENTO ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICOPSICOPEDAGÓGICO...4343 Diagnóstico

Diagnóstico psicopedagógicopsicopedagógico...4545

Tratam

Tratamento...ento...4949

Alta

Alta...5454 DIAGNÓ

DIAGNÓSTICO PSICOSTICO PSICOPEDAGÓGPEDAGÓGICO...ICO...5555 Aspectos

Aspectos afetivosafetivos...5555

Aspectos cognitivos

(6)
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P

PssiiccooppeeddaaggooggiiaaCCllíínniiccaa IInnttrroodduuççããoo

"Assumindo

"Assumindo

a

a

utoria

utoria

A

A

 A percepção da angústia vivenciada pelos alunos dos  A percepção da angústia vivenciada pelos alunos dos cursos de Psicopedagogia Clínica sob minha coordenação, cursos de Psicopedagogia Clínica sob minha coordenação, no momento em que iniciam o estágio, fez com que eu no momento em que iniciam o estágio, fez com que eu acei-tasse lidar com as minhas próprias angústias e escrevesse tasse lidar com as minhas próprias angústias e escrevesse este livro, buscando sistematizar a metodologia de este livro, buscando sistematizar a metodologia de diagóstico psicopedagógico pesquisada e desenvolvida nos diagóstico psicopedagógico pesquisada e desenvolvida nos últimos seis anos por docentes e discentes sob minha últimos seis anos por docentes e discentes sob minha ori-entação, nas duas universidades em que trabalho . entação, nas duas universidades em que trabalho .

 Escrever, para mim, é lidar com a angústia pois, ao  Escrever, para mim, é lidar com a angústia pois, ao assumir a autoria do meu pensamento, me dou a conhecer  assumir a autoria do meu pensamento, me dou a conhecer  a quem eu não conheço, sem a possibilidade de escolha. E  a quem eu não conheço, sem a possibilidade de escolha. E  abrir mão do conhecimento produzido, a partir da abrir mão do conhecimento produzido, a partir da doloro- sa superação do meu próprio não saber e suportar a  sa superação do meu próprio não saber e suportar a im- possibilidade de controlar o que o outro vai fazer com ele,  possibilidade de controlar o que o outro vai fazer com ele,

o que vai pensar sobre ele. o que vai pensar sobre ele.

 Escrever é deixar de me esconder atrás do que outros já  Escrever é deixar de me esconder atrás do que outros já escreveram, aceitar que des/conheço e não me envergonhar  escreveram, aceitar que des/conheço e não me envergonhar  de mostrá-lo, resgatando nessa condição a minha de mostrá-lo, resgatando nessa condição a minha identida- identida-de, a minha humanidaidentida-de, todos os outros textos e de, a minha humanidade, todos os outros textos e contex-tos a partir dos quais me fiz.

tos a partir dos quais me fiz.

 Escrever é re/conhecer-me neste livro por ter deixado  Escrever é re/conhecer-me neste livro por ter deixado nele minhas marcas, mostrando-o não apenas como mais nele minhas marcas, mostrando-o não apenas como mais um livro, mas como objeto do meu próprio desejo. um livro, mas como objeto do meu próprio desejo.

 E delinear e demarcar o início de um caminho que  E delinear e demarcar o início de um caminho que po-derá ser trilhado por todo aquele que se autorizar a isso. derá ser trilhado por todo aquele que se autorizar a isso.

V) V)

(8)
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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivosubjetivo

A questão do conhecimento:

A questão do conhecimento:

do objetivo e do subjetivo

do objetivo e do subjetivo

"Em grego, borboleta diz-se psychê - anjos

"Em grego, borboleta diz-se psychê - anjos

vindos das distâncias. Acreditamo-nos

vindos das distâncias. Acreditamo-nos

modernos por banirmos a alma do nosso

modernos por banirmos a alma do nosso

vocabulário, por não pertencer à linguagem

vocabulário, por não pertencer à linguagem

do conhecimento. Foi, no entanto, objeto

do conhecimento. Foi, no entanto, objeto

 próprio à epistême antiga, na Física como

 próprio à epistême antiga, na Física como

na Cosmologia. Quer se coloque em

na Cosmologia. Quer se coloque em seuseu

lugar consciência ou reflexão, o sentido

lugar consciência ou reflexão, o sentido

evanesce de suas fendas.

evanesce de suas fendas.

(Guy Hocquengheln e René Schérer,

(Guy Hocquengheln e René Schérer,

 Lane Atonique)

 Lane Atonique)

Espera-se resgatar, aqui, a possibilidade de se

Espera-se resgatar, aqui, a possibilidade de se

pen-sar o indivíduo, indivisível, a menor parte de uma

sar o indivíduo, indivisível, a menor parte de uma

his-tória que se escreve e se inscreve nas relações

tória que se escreve e se inscreve nas relações

vivi-das, percebidas e apreendivivi-das, assumindo as múltiplas

das, percebidas e apreendidas, assumindo as múltiplas

maneiras de con/viver, reconhecendo, não só a

maneiras de con/viver, reconhecendo, não só a

rique-za de cores que permeia o cotidiano, mas também a

za de cores que permeia o cotidiano, mas também a

impossibilidade de se conhecer ou nomear todas elas.

impossibilidade de se conhecer ou nomear todas elas.

Recuperar o individual nas relações sociais

Recuperar o individual nas relações sociais

conside-rando a afetividade, a emoção, resgatando o

(10)
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(13)

Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

do é sem limites pois torna-se a chave para a

do é sem limites pois torna-se a chave para a

compre-ensão de tudo o que veio antes e poderá vir depois.

ensão de tudo o que veio antes e poderá vir depois.

As lembranças e a vivência mostram a intercessão

As lembranças e a vivência mostram a intercessão

dos tempos exterior e interior. Na história se

dos tempos exterior e interior. Na história se

contem- plam esses dois tempos: o tempo de ser e o tempo de

 plam esses dois tempos: o tempo de ser e o tempo de

contar, pois se o homem faz a história ele também é

contar, pois se o homem faz a história ele também é

seu narrador e ao contá-la não pode deixar ao largo

seu narrador e ao contá-la não pode deixar ao largo

suas emoções, suas esperanças, seus afetos, despir-se

suas emoções, suas esperanças, seus afetos, despir-se

de sua subjetividade, para

de sua subjetividade, para mostrá-la imparcialmente.mostrá-la imparcialmente.

A história contada é como o vaso de argila que traz

A história contada é como o vaso de argila que traz

no seu corpo a marca da mão que o modelou; e é essa

no seu corpo a marca da mão que o modelou; e é essa

marca que o torna possível, completo, mostrando-o

marca que o torna possível, completo, mostrando-o

não apenas como um objeto, mas também como o fruto

não apenas como um objeto, mas também como o fruto

de um desejo.

de um desejo.

A compreensão histórica é, portanto, fecundada

A compreensão histórica é, portanto, fecundada

  pela reminiscência. Abandonada a linearidade

  pela reminiscência. Abandonada a linearidade

tempo-ral verifica-se que uma lembrança re/significada na

ral verifica-se que uma lembrança re/significada na

atualidade pode esclarecer retrospectivamente o que se

atualidade pode esclarecer retrospectivamente o que se

 passou. Aquilo que antecede não determina

 passou. Aquilo que antecede não determina

mecanica-mente o que vem depois nem garante sua

mente o que vem depois nem garante sua

compreen-são. Nesse sentido, há como uma inversão do tempo

são. Nesse sentido, há como uma inversão do tempo

e a história é tecida tal qual uma manta onde o avesso

e a história é tecida tal qual uma manta onde o avesso

e o direito se interpenetram e se conformam

e o direito se interpenetram e se conformam

forman-do, nesse movimento, mosaicos multicoloridos.

do, nesse movimento, mosaicos multicoloridos.

A história passa a ser uma re/construção do tempo

A história passa a ser uma re/construção do tempo

libertando as promessas que, adormecidas, acabam

libertando as promessas que, adormecidas, acabam

esquecidas. E, através de um novo olhar talvez se possa

esquecidas. E, através de um novo olhar talvez se possa

A questão do conhecimento: do objetivo e do

A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivosubjetivo

re/viver as verdadeiras experiências de cada

re/viver as verdadeiras experiências de cada

existên-cia resgatando, por um breve momento, seu significado

cia resgatando, por um breve momento, seu significado

mais profundo e verdadeiro, uma vez que

mais profundo e verdadeiro, uma vez que"as rugas e"as rugas e

dobras do rosto são inscrições deixadas pelas

dobras do rosto são inscrições deixadas pelas

gran-des paixões... que nos falaram sem que nada

des paixões... que nos falaram sem que nada

perce-bêssemos, porque nós, os proprietários, não

bêssemos, porque nós, os proprietários, não

estáva-mos em casa. " 

(14)

Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

Para uma Pedagogia do Afeto

Para uma Pedagogia do Afeto

Para uma Pedagogia do Afeto

Para uma Pedagogia do Afeto

O alimento ideal para o desenvolvimento do ser

O alimento ideal para o desenvolvimento do ser

hu-mano é o afeto. Sem ele o homem poderá desenvolver 

mano é o afeto. Sem ele o homem poderá desenvolver 

neuroses, tornar-se psicótico, apresentar retardamento

neuroses, tornar-se psicótico, apresentar retardamento

mental e até morrer. Mesmo assim, ainda hoje a

mental e até morrer. Mesmo assim, ainda hoje a

educa-ção vem ignorando esse aspecto essencial ao ser

ção vem ignorando esse aspecto essencial ao ser

huma-no, como se para aprender pudéssemos prescindir do

no, como se para aprender pudéssemos prescindir do

afeto, do desejo, da emoção. É como se a aprendizagem

afeto, do desejo, da emoção. É como se a aprendizagem

fosse algo restrito a sala de aula.

fosse algo restrito a sala de aula.

Aprender é condição característica e indispensável à

Aprender é condição característica e indispensável à

sobrevivência da espécie humana; é, portanto, um ato de

sobrevivência da espécie humana; é, portanto, um ato de

vida. Mas em nome de um sujeito epistêmico estudado

vida. Mas em nome de um sujeito epistêmico estudado

 por Piaget e adotado pela educação, esqueceu-se do

 por Piaget e adotado pela educação, esqueceu-se do

par-ticular, daquele sujeito que, ao ser concebido, já é fruto

ticular, daquele sujeito que, ao ser concebido, já é fruto

do desejo do outro e que receberá junto com seu nome

do desejo do outro e que receberá junto com seu nome

o

o s ssonhos, as fantasias e esperanças desse outro.sonhos, as fantasias e esperanças desse outro.

A Psicanálise surge, então, como uma possibilidade

A Psicanálise surge, então, como uma possibilidade

para

pararesgatar a função do desejo na aprendizagem mos-resgatar a função do desejo na aprendizagem

mos-trando caminhos, para aqueles que não aprendem ou não

trando caminhos, para aqueles que não aprendem ou não

ensinam,

ensinam,sinalizados pela estrela interior de cada um, poissinalizados pela estrela interior de cada um, pois desejo

desejo vem da raizvem da raiz sid  sid que significa estrela. Seguir oque significa estrela. Seguir o

desejo é pois seguir a estrela, estar orientado, seguir 

desejo é pois seguir a estrela, estar orientado, seguir 

aprendendo pela vida. Deve-se promover a aprendizagem

aprendendo pela vida. Deve-se promover a aprendizagem

plena,

(15)

Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

Porém, justiça seja feita, embora Piaget tenha

Porém, justiça seja feita, embora Piaget tenha

igno-rado a afetividade nos seus estudos, não deixou de

rado a afetividade nos seus estudos, não deixou de

con-siderar sua importância:

siderar sua importância: "...acredito que essas questões"...acredito que essas questões

 particulares relativas ao inconsciente cognitivo são

 particulares relativas ao inconsciente cognitivo são

 paralelas as que levanta em psicanálise o

 paralelas as que levanta em psicanálise o

funcionamen-to do inconsciente afetivo...Em compensação esfuncionamen-tou

to do inconsciente afetivo...Em compensação estou

 persuadido que chegará o dia em que a psicologia das

 persuadido que chegará o dia em que a psicologia das

 funções cognitivas e a psicanálise serão obrigadas a

 funções cognitivas e a psicanálise serão obrigadas a

 se fundir numa teoria geral que melhorará as duas

 se fundir numa teoria geral que melhorará as duas

corrigindo uma e outra, e esse é o futuro que é

corrigindo uma e outra, e esse é o futuro que é

conve-niente prepararmos, mostrando desde agora as

niente prepararmos, mostrando desde agora as

rela-ções que podem existir entre as duas.

ções que podem existir entre as duas.55

 Nada mais urgente, portanto do que a reflexão sobre

 Nada mais urgente, portanto do que a reflexão sobre

os aspectos subjetivos, inconscientes, que interferem na

os aspectos subjetivos, inconscientes, que interferem na

aprendizagem e cuja especificidade pode ser abarcada

aprendizagem e cuja especificidade pode ser abarcada

 pela Teoria Psicanalítica.

 pela Teoria Psicanalítica."Os mecanismos especiais"Os mecanismos especiais

que a Psicanálise tem descoberto no estudo dos

que a Psicanálise tem descoberto no estudo dos

senti-mentos tem, com efeito, sua importância no

mentos tem, com efeito, sua importância no

desenvol-vimento da razão

vimento da razão6 6 ." ." 

Razão e emoção. Essa é a relação que estamos

Razão e emoção. Essa é a relação que estamos

ten-tando equacionar, buscando romper com a visão

tando equacionar, buscando romper com a visão

cartesiana de mundo, característica da cultura

cartesiana de mundo, característica da cultura

ociden-tal e que fragmenta o homem em tantas partes que

tal e que fragmenta o homem em tantas partes que

aca- ba correndo o risco de não reconhecê-lo naquilo que lhe

 ba correndo o risco de não reconhecê-lo naquilo que lhe

é específico: a própria humanidade.

é específico: a própria humanidade.

O Papel do Psicopedagogo

O Papel do Psicopedagogo

O Papel do

O Papel do Psicopedago

Psicopedago

go

go

Muito se tem discutido sobre o papel do

Muito se tem discutido sobre o papel do psicopeda-

psicopeda-gogo, sintoma de que o

gogo, sintoma de que o espaço da Psicopedagogia ain-espaço da Psicopedagogia

ain-da não está definido.

da não está definido.

Pode-se pensar a Psicopedagogia como o espaço

Pode-se pensar a Psicopedagogia como o espaço

 para o qual convergem diferentes áreas do

 para o qual convergem diferentes áreas do

conhecimen-to cujo campo de atuação seria identificado pelo

to cujo campo de atuação seria identificado pelo

pro-cesso ensino/aprendizagem.

cesso ensino/aprendizagem.

Por outro lado, ao se considerar a questão da

Por outro lado, ao se considerar a questão da

apren-dizagem como uma característica da espécie humana

dizagem como uma característica da espécie humana

que tem garantido sua sobrevivência mesmo em

que tem garantido sua sobrevivência mesmo em

con-dições adversas, desloca-se da sala de aula e da relação

dições adversas, desloca-se da sala de aula e da relação

 professor/aluno a reflexão, os estudo e a atuação dos

 professor/aluno a reflexão, os estudo e a atuação dos

 profissionais que pretendem compreender questões

 profissionais que pretendem compreender questões

li-gadas à aprendizagem. Aprender torna-se ato de vida

gadas à aprendizagem. Aprender torna-se ato de vida

humana, não de vida escolar.

humana, não de vida escolar.

A Psicopedagogia, neste contexto, deve ser

A Psicopedagogia, neste contexto, deve ser

entendi-da como uma área interdisciplinar que pretende

da como uma área interdisciplinar que pretende

com- partilhar as reflexões, pesquisas e atuação dos aspectos

 partilhar as reflexões, pesquisas e atuação dos aspectos

relacionados ao processo ensino/aprendizagem.

relacionados ao processo ensino/aprendizagem.

O psicopedagogo não será, entretanto, aquele

O psicopedagogo não será, entretanto, aquele

pro-fissional que acolhe recortes de diferentes teorias e

fissional que acolhe recortes de diferentes teorias e 33

(16)
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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica O Atendimento PsicopedagógicoO Atendimento Psicopedagógico

O Atendimento Psicopedagógico

O Atendimento Psicopedagógico

Já se contou a história da Psicopedagogia no Brasil

Já se contou a história da Psicopedagogia no Brasil

muitas vezes e em muitos lugares, por isso, e não por 

muitas vezes e em muitos lugares, por isso, e não por 

ser menos relevante, ela não será contada aqui,

ser menos relevante, ela não será contada aqui,

nova-mente.

mente.

Apenas como ilustração cabe lembrar que a

Apenas como ilustração cabe lembrar que a

Psicopedagogia chegou ao Brasil vinda da Argentina,

Psicopedagogia chegou ao Brasil vinda da Argentina,

na época da ditadura naquele país, quando inúmeros

na época da ditadura naquele país, quando inúmeros

 profissionais da área foram expulsos de sua pátria, tal

 profissionais da área foram expulsos de sua pátria, tal

qual Adão e Eva o foram do paraíso, e aqui cresceram

qual Adão e Eva o foram do paraíso, e aqui cresceram

e se multiplicaram.

e se multiplicaram.

Psicopedagogia reeducativa

Psicopedagogia reeducativa

Inicialmente, até por uma condição histórica, a

Inicialmente, até por uma condição histórica, a

Psicopedagogia no Brasil teve um caráter reeducativo,

Psicopedagogia no Brasil teve um caráter reeducativo,

adequação do sujeito às condições institucionais. O

adequação do sujeito às condições institucionais. O

 papel do psicopedagogo, e da Psicopedagogia que aqui

 papel do psicopedagogo, e da Psicopedagogia que aqui

nascia, era eminentemente partidário, no sentido de se

nascia, era eminentemente partidário, no sentido de se

impedir a possibilidade de uma avaliação crítica das

impedir a possibilidade de uma avaliação crítica das

condições sociais, institucionais e,

condições sociais, institucionais e,

consequentemente, individuais. A nova proposta só

consequentemente, individuais. A nova proposta só

atuar na conformação do

atuar na conformação do   status quo,  status quo,na validosna validos

valores questionáveis daquele contexto

valores questionáveis daquele contexto his-37

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento PsicopedagógicoEtapas do Atendimento Psicopedagógico

Etapas do Atendimento

Etapas do Atendimento

Psicopedagógico

Psicopedagógico

Vai se tratar aqui, do

Vai se tratar aqui, do atendimento psicopedagógiatendimento psicopedagógicoco

clínico, que poderá ser realizado, conforme já se

clínico, que poderá ser realizado, conforme já se

colocou, tanto no nível de consultório como a nível

colocou, tanto no nível de consultório como a nível

instituci

institucional, não para prevenir, mas onal, não para prevenir, mas para curar.para curar.

Este é um trabalho terapêutico, de promoção da

Este é um trabalho terapêutico, de promoção da

saú-de mental, pois busca-se o pleno saú-desenvolvimento da

de mental, pois busca-se o pleno desenvolvimento da

capacidade cognitiva do paciente, que tem aí

capacidade cognitiva do paciente, que tem aí

envolvi-dos inúmeros conteúenvolvi-dos inconscientes. Como já se

dos inúmeros conteúdos inconscientes. Como já se

fa-lou no início deste trabalho o desejo é o combustível

lou no início deste trabalho o desejo é o combustível

necessário e imprescindível para a mobilização do

necessário e imprescindível para a mobilização do

sis-tema cognitivo em direção ao objeto

tema cognitivo em direção ao objeto do conhecimento.do conhecimento.

O atendimento psicopedagógico nesta linha

O atendimento psicopedagógico nesta linha

considera:

considera:

A - O

A - O paciente nos seus diversos contextos,paciente nos seus diversos contextos,

 biológico, afetivo e cognitivo;

 biológico, afetivo e cognitivo;

B - A família e,

B - A família e,

C - A escola.

C - A escola.

Funda-se, portanto, nesse tripé, e todo o trabalho

Funda-se, portanto, nesse tripé, e todo o trabalho

 passa

 passa por esses três por esses três níveis seja de níveis seja de forma direta, forma direta, seja deseja de

ma

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica Diagnostico PsicopedagógicoDiagnostico Psicopedagógico

Alta

Alta

O processo de alta deverá ser cuidadosamente

O processo de alta deverá ser cuidadosamente

pla-nejado à partir do momento em que houver consenso

nejado à partir do momento em que houver consenso

entre psicopedagogo, escola, família e paciente de que

entre psicopedagogo, escola, família e paciente de que

este último já apresenta condições de resolver sozinho

este último já apresenta condições de resolver sozinho

suas questões cognitivas e emocionais. Isso não

suas questões cognitivas e emocionais. Isso não

signi-fica que todas as causas tenham sido sanadas e os

fica que todas as causas tenham sido sanadas e os

sin-tomas desaparecido, mas que o paciente, único que

tomas desaparecido, mas que o paciente, único que

 pode resolver essas questões, já encontrou o caminho

 pode resolver essas questões, já encontrou o caminho

e está suficientemente fortalecido para superar suas

e está suficientemente fortalecido para superar suas

dificuldades.

dificuldades.

Diagnóstico Psicopedagógico

Diagnóstico Psicopedagógico

Diante das questões colocadas anteriormente,

Diante das questões colocadas anteriormente,

deve-se construir um novo olhar para as dificuldades de

se construir um novo olhar para as dificuldades de

aprendizagem, a mirada psico pedagógica. Essa

aprendizagem, a mirada psico pedagógica. Essa

mira-da pressupõe além do observável, o contexto em que ela

da pressupõe além do observável, o contexto em que ela

apareceu.

apareceu.

Já se falou anteriormente que estaremos buscando o

Já se falou anteriormente que estaremos buscando o

interjogo entre cognição e afetividade nos casos de

interjogo entre cognição e afetividade nos casos de

pro- blemas de aprendizagem sintomáticos.

 blemas de aprendizagem sintomáticos.

Por conta disso estaremos considerando, a seguir,

Por conta disso estaremos considerando, a seguir,

ambas as questões separadamente apenas por questões

ambas as questões separadamente apenas por questões

de ordem didática.

de ordem didática.

Posteriormente os pressupostos teóricos que

Posteriormente os pressupostos teóricos que

embasam a prática proposta, poderão ser identificados,

embasam a prática proposta, poderão ser identificados,

 principalmente na análise do caso clínico apresentado.

 principalmente na análise do caso clínico apresentado.

Aspectos Afetivos

Aspectos Afetivos

Toda relação está permeada de afetos e a dinâmica

Toda relação está permeada de afetos e a dinâmica

inconsciente exerce um papel preponderante no

inconsciente exerce um papel preponderante no

com- portamento manifesto. De que maneira poderemos

 portamento manifesto. De que maneira poderemos

en-tender os amores e os ódios que alguns professores

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

Uma regulação pressupõe um regulador que no caso

Uma regulação pressupõe um regulador que no caso

é a própria estrutura cognitiva enquanto totalidade e que

é a própria estrutura cognitiva enquanto totalidade e que

impõe a todo o processo de equilibração a conservação

impõe a todo o processo de equilibração a conservação

desta totalidade. O processo de aprendizagem

desta totalidade. O processo de aprendizagem

pressu- põe, portanto, um equilíbrio entre seus dois vetores:

 põe, portanto, um equilíbrio entre seus dois vetores:

assimilação e acomodação.

assimilação e acomodação.

O desequilíbrio entre eles caracterizaria um

O desequilíbrio entre eles caracterizaria um

proble-ma de aprendizagem, ocasionando, então, uproble-ma

ma de aprendizagem, ocasionando, então, uma

moda-lidade hipoacomodativa, hipo-assimilativa,

lidade hipoacomodativa, hipo-assimilativa,

hiperacomod

hiperacomodativa ativa ou ou hiperassimilhiperassimilativa.ativa.

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Instrumental para Diagnóstico

Instrumental para Diagnóstico

Psicopedagógico

Psicopedagógico

 No verão, na tarde de ouro,

 No verão, na tarde de ouro,

 Deslizamos vagarosamente.

 Deslizamos vagarosamente.

 Nossos remos são manejados

 Nossos remos são manejados

Sem perícia, no sol ardente:

Sem perícia, no sol ardente:

Mãos gentis, que fingindo vão

Mãos gentis, que fingindo vão

Guiar nosso passeio errante .

Guiar nosso passeio errante .

...Logo mais se calam, de súbito,

...Logo mais se calam, de súbito,

 E vão seguindo em fantasia

 E vão seguindo em fantasia

 A viagem-sonho da heroína

 A viagem-sonho da heroína

 No país de assombro e magia

 No país de assombro e magia

 Em alegre charla com os bichos.

 Em alegre charla com os bichos.

 E crêem um pouco na

 E crêem um pouco na utopia.utopia.

(As aventuras de Alice no País das

(As aventuras de Alice no País das

Maravilhas)

Maravilhas)

Estaremos apresentando a seguir uma bateria de

Estaremos apresentando a seguir uma bateria de

te

tesstetes s cuja tcuja técnica écnica foi aperfeiçfoi aperfeiçoada, oada, à paà partir dasrtir das

  já existentes, juntamente com alunos e

  já existentes, juntamente com alunos e

  professores dos cursos sob minha coordenação,

  professores dos cursos sob minha coordenação,

no atendimento aos pacientes encaminhados às

no atendimento aos pacientes encaminhados às

Clínicas Psicopedagógicas Universitárias que dão

Clínicas Psicopedagógicas Universitárias que dão

suporte aos cursos em questão. É importante

suporte aos cursos em questão. É importante

colocar que a primeira destas clínicas,iniciada em

colocar que a primeira destas clínicas,iniciada em

1991, funciona integrada ao Centro de

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Saú-Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

ao outro, se existe separação entre crianças e adultos,

ao outro, se existe separação entre crianças e adultos,

meninas e meninos, se estão representadas de alguma

meninas e meninos, se estão representadas de alguma

maneira as especificidades de cada um dos dois sexos,

maneira as especificidades de cada um dos dois sexos,

o esquema corporal.

o esquema corporal.

Algumas hipóteses poderão ser levantadas a partir 

Algumas hipóteses poderão ser levantadas a partir 

destas observações, de acordo com o resultado das

destas observações, de acordo com o resultado das

pes-quisas acadêmicas que estão sendo realizadas sob

quisas acadêmicas que estão sendo realizadas sob

mi-nha orientação nestes últimos seis anos, em mais de 860

nha orientação nestes últimos seis anos, em mais de 860

sujeitos.

sujeitos.

Desenhos onde os personagens não possuem mãos

Desenhos onde os personagens não possuem mãos

  pode ser indicativo de dificuldades relacionadas ao

  pode ser indicativo de dificuldades relacionadas ao

desenvolvimento do período sensório-motor, à

desenvolvimento do período sensório-motor, à

possibi-lidade de entrar em contato com o objeto de

lidade de entrar em contato com o objeto de

conheci-mento, ao comprometimento com o vínculo afetivo

mento, ao comprometimento com o vínculo afetivo

mãe/criança.

mãe/criança.

A dificuldade em representar diferenças sexuais

A dificuldade em representar diferenças sexuais

 pode indicar dificuldades na elaboração da castração,

 pode indicar dificuldades na elaboração da castração,

dificuldades de classificação.

dificuldades de classificação.

Da mesma forma a representação do tamanho dos

Da mesma forma a representação do tamanho dos

 personagens poderá revelar dificuldades na elaboração

 personagens poderá revelar dificuldades na elaboração

da questão edípica, dificuldades em lidar com seriação

da questão edípica, dificuldades em lidar com seriação

e ordenação, com a questão do reconhecimento de

e ordenação, com a questão do reconhecimento de

hierarquia.

hierarquia.

O esquema corporal empobrecido, sem detalhes,

O esquema corporal empobrecido, sem detalhes,

repetitivo, pode levar a hipótese de dificuldades

repetitivo, pode levar a hipótese de dificuldades

rela-cionadas à construção de novos esquemas de ação, em

cionadas à construção de novos esquemas de ação, em

lidar com a falta no sentido de reconhecê-la e

lidar com a falta no sentido de reconhecê-la e

superá-la.

superá-la.

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Traços arredondados estão mais relacionados à

Traços arredondados estão mais relacionados à

figu-ra materna, à afetividade, ao subjetivo. Da mesma

ra materna, à afetividade, ao subjetivo. Da mesma

for-ma, traços angulares podem indicar a questão fálica,

ma, traços angulares podem indicar a questão fálica,

masculina, cognitivo, razão.

masculina, cognitivo, razão.

Inúmeros sujeitos com distúrbios de aprendizagem

Inúmeros sujeitos com distúrbios de aprendizagem

relacionados à dificuldade no vínculo estabelecido com

relacionados à dificuldade no vínculo estabelecido com

a mãe reapresentaram o tronco dos personagens cheio

a mãe reapresentaram o tronco dos personagens cheio

de pon

de pontinhos tinhos como scomo se fossem e fossem pequenpequenos botõos botões, (es, (...).)

ou desenham apenas um ponto no lugar do umbigo.

ou desenham apenas um ponto no lugar do umbigo.

Ambos os casos podem representar a dificuldade

Ambos os casos podem representar a dificuldade

sen-tida em separar-se da mãe, ou da figura materna,

tida em separar-se da mãe, ou da figura materna,

causa-da inúmeras vezes pela ausência do pai, ou figura

da inúmeras vezes pela ausência do pai, ou figura

pater-na, que tem como uma das suas funções fazer este corte

na, que tem como uma das suas funções fazer este corte

do cordão

do cordão umbilical emocional, inconsciente mãe/filho.umbilical emocional, inconsciente mãe/filho.

Teste da Família Cinética

Teste da Família Cinética

 Na aplicação deste teste estaremos buscando

 Na aplicação deste teste estaremos buscando

com- preender como se dá o estabelecimento de vínculos

 preender como se dá o estabelecimento de vínculos

entre os membros dessa família.

entre os membros dessa família.

Procedimento: Procedimento:

Entregamos uma folha sulfite sem pauta ao

Entregamos uma folha sulfite sem pauta ao

pacien-te, colocando à sua disposição todo o material gráfico

te, colocando à sua disposição todo o material gráfico

 já elencado.

 já elencado.

O tempo de aplicação não deve ultrapassar uma

O tempo de aplicação não deve ultrapassar uma

ses-são. Para maior segurança do psicopedagogo

são. Para maior segurança do psicopedagogo

iniciante nesta prática, as provas deverão ser 

iniciante nesta prática, as provas deverão ser 

aplicadas uma por ao, seguidas da análise,

aplicadas uma por ao, seguidas da análise,

reflexão e

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico PsicopedagógicoInstrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

e do meio. Os esquemas de ação vão sendo construídos

e do meio. Os esquemas de ação vão sendo construídos

através da assimilação/acomodação surgindo então os

através da assimilação/acomodação surgindo então os

 primeiros esquemas lúdico/imitativos.

 primeiros esquemas lúdico/imitativos.

Aprender demanda assimilação, ou seja, a

Aprender demanda assimilação, ou seja, a

transfor-mação do objeto a ser incorporado, e acomodação,

mação do objeto a ser incorporado, e acomodação,

transformação do próprio organismo que incorpora o

transformação do próprio organismo que incorpora o

objeto de conhecimento. A aprendizagem depende,

objeto de conhecimento. A aprendizagem depende,

 portanto, da função objetivante, da inteligência, e da

 portanto, da função objetivante, da inteligência, e da

função subjetivante do desejo, ou seja, do pensamento

função subjetivante do desejo, ou seja, do pensamento

lógico e do simbólico.

lógico e do simbólico.

Para que o sujeito se aproprie do conhecimento é

Para que o sujeito se aproprie do conhecimento é

ne-cessário que se aproxime dele, que atue sobre ele e que

cessário que se aproxime dele, que atue sobre ele e que

se permita ser transformado por

se permita ser transformado por esse conhecimento.esse conhecimento.

 Necessita, como já foi dito, tomar consciência da

 Necessita, como já foi dito, tomar consciência da

falta, liberar sua agressividade sadia, sua curiosidade e

falta, liberar sua agressividade sadia, sua curiosidade e

agir. Essa ação só será bem sucedida se partir de uma

agir. Essa ação só será bem sucedida se partir de uma

estrutura lógica construída dentro dos limites do já

estrutura lógica construída dentro dos limites do já

co-nhecido por esse sujeito. Estabelecendo parâmetros são

nhecido por esse sujeito. Estabelecendo parâmetros são

formulados através de operações que permitem

formulados através de operações que permitem

estabe-lecer e organizar informações à partir de semelhanças

lecer e organizar informações à partir de semelhanças

e diferenças entre os dados comparados.

e diferenças entre os dados comparados.

Objetivamente a criança inicialmente só consegue

Objetivamente a criança inicialmente só consegue

 perceber semelhanças e num segundo momento lida

 perceber semelhanças e num segundo momento lida

também com as diferenças. Simbolicamente o

também com as diferenças. Simbolicamente o

reconhe-cimento de diferenças implica numa estrutura

cimento de diferenças implica numa estrutura

emocio-nal capaz de lidar com a perda, mais ainda, com a

nal capaz de lidar com a perda, mais ainda, com a

an-gústia decorrente da perda. Quanto mais madura e

gústia decorrente da perda. Quanto mais madura e

fortalecida a estrutura emocional, maior a habilidade

fortalecida a estrutura emocional, maior a habilidade

cognitiva para classificar, seriar, ordenar, etc.

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico PsicopedagógicoInstrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

O

O psicopsicopedagpedagogo clínogo clínico não podico não pode perder de viste perder de vistaa

que o pensamento inteligente é semelhante a uma teia

que o pensamento inteligente é semelhante a uma teia

cuja trama é formada pelo entrelaçamento do objetivo

cuja trama é formada pelo entrelaçamento do objetivo

e do subjetivo.

e do subjetivo.

Dessa forma, ao aplicar os testes deverá buscar na

Dessa forma, ao aplicar os testes deverá buscar na

objetividade dos dados apresentados o enredo

objetividade dos dados apresentados o enredo

subjeti-vo que fica oculto nas tramas ali desveladas.

vo que fica oculto nas tramas ali desveladas.

A dificuldade muitas vezes presentes na ação

A dificuldade muitas vezes presentes na ação

tera- pêutica em articular o objetivo e o subjetivo, o cognitivo

 pêutica em articular o objetivo e o subjetivo, o cognitivo

e o simbólico mostra a necessidade de, mais uma vez,

e o simbólico mostra a necessidade de, mais uma vez,

enfatizar a questão antes de

enfatizar a questão antes de estabelecer um diagnóstico.estabelecer um diagnóstico.

Sondagem da Escrita

Sondagem da Escrita

Este teste possui como objetivo a verificação do

Este teste possui como objetivo a verificação do

ní-vel conceituai da escrita do paciente: se ele está

vel conceituai da escrita do paciente: se ele está

alfa- betizado, ou não e como está sendo o seu processo de

 betizado, ou não e como está sendo o seu processo de

aquisição da escrita, à partir dos níveis identificados

aquisição da escrita, à partir dos níveis identificados

 por Emília Ferreiro, nível Pré-silábico, nível Silábico,

 por Emília Ferreiro, nível Pré-silábico, nível Silábico,

nível Silábico-Alfabético, nível Alfabético.

nível Silábico-Alfabético, nível Alfabético.

Aplicação:

Aplicação:

Será dado ao paciente uma folha pautada e o

Será dado ao paciente uma folha pautada e o

terapeuta ditará as seguintes palavras, após

terapeuta ditará as seguintes palavras, após

certificar-se que o paciente conhece os animais elencados:

se que o paciente conhece os animais elencados:

Elefante Elefante Rã Rã Formiga Formiga Cachorro Cachorro Tigre Tigre

Após as palavras, ditará a seguinte frase:

Após as palavras, ditará a seguinte frase:

O elefante pisou na formiga. O elefante pisou na formiga.

A análise da produção apresentada deverá levar em

A análise da produção apresentada deverá levar em

conta, conforme já dissemos, os níveis de evolução da

conta, conforme já dissemos, os níveis de evolução da

escrita descritas por Emília Ferreiro, e que passamos a

escrita descritas por Emília Ferreiro, e que passamos a

caracterizar seguir, de forma sintética.

caracterizar seguir, de forma sintética.

1

1--Características da Escrita Pré-SilábicaCaracterísticas da Escrita Pré-Silábica

Hipótese central: A escrita é outra forma de desenhar;

Hipótese central: A escrita é outra forma de desenhar;

a escrita representa o objeto e, portanto, guarda suas

a escrita representa o objeto e, portanto, guarda suas

características. Neste nível o sujeito acredita que a

características. Neste nível o sujeito acredita que a

es-crita é outra forma de desenhar as coisas ou escrever é

crita é outra forma de desenhar as coisas ou escrever é

 produzir um traçado que diferencia do desenho por 

 produzir um traçado que diferencia do desenho por 

 possuir alguns traços típicos da escrita.

 possuir alguns traços típicos da escrita.

Desta forma, a escrita do nome próprio é

Desta forma, a escrita do nome próprio é

impossí-vel ou se realiza segundo características das outras

vel ou se realiza segundo características das outras

es-critas, com um número indefinido ou variável de

critas, com um número indefinido ou variável de

grafismos.

grafismos.

As diferenças de significados não são modeladas

As diferenças de significados não são modeladas

objetivamente na produção gráfica por se encontrarem

objetivamente na produção gráfica por se encontrarem

escritas iguais para palavras diferentes; tentativa de

escritas iguais para palavras diferentes; tentativa de

correspondência entre o tamanho do objeto e a escrita.

correspondência entre o tamanho do objeto e a escrita.

A escrita representa os objetos e a criança

A escrita representa os objetos e a criança

imagi-na que ela é um dos atributos do objeto: coisa grande

na que ela é um dos atributos do objeto: coisa grande

têm escrita grande, coisa pequena tem

têm escrita grande, coisa pequena tem escrita pequena.escrita pequena.

Todas as escritas se assemelham, mas as crianças as

Todas as escritas se assemelham, mas as crianças as

consideram diferentes.

consideram diferentes.

A leitura é sempre global: correspondência de todo

A leitura é sempre global: correspondência de todo

sonoro com o todo gráfico, sem buscar correspondência

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico PsicopedagógicoInstrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

 Na leitura tenta passar da correspondência termo a

 Na leitura tenta passar da correspondência termo a

termo, isto é, letra, sílaba para a correspondência

termo, isto é, letra, sílaba para a correspondência

fonema/grafema. A mudança qualitativa em relação ao

fonema/grafema. A mudança qualitativa em relação ao

nível anterior justifica-se pela: superação da

nível anterior justifica-se pela: superação da

correspon-dência global entre escrita e a

dência global entre escrita e a expressão oral que passaexpressão oral que passa

a ser recortada (sílabas orais) para expressar-se em

a ser recortada (sílabas orais) para expressar-se em par-

par-tes do texto (cada letra).

tes do texto (cada letra).

As formas fixas aprendidas do meio geram novos

As formas fixas aprendidas do meio geram novos

conflitos quando a criança propõe a leitura destas em

conflitos quando a criança propõe a leitura destas em

forma de hipótese silábica. O mesmo acontece com

forma de hipótese silábica. O mesmo acontece com

relação à leitura do nome (forma fixa recebida do meio).

relação à leitura do nome (forma fixa recebida do meio).

Estes conflitos ajudam a criança a "ir mais além da

Estes conflitos ajudam a criança a "ir mais além da

sí-laba" para encontrar uma correspondência satisfatória.

laba" para encontrar uma correspondência satisfatória.

4 - Características da Escrita Alfabética 4 - Características da Escrita Alfabética

Hipótese Central: cada fonema corresponde a um

Hipótese Central: cada fonema corresponde a um

grafema e as letras combinam-se entre si para formar 

grafema e as letras combinam-se entre si para formar 

sílabas e palavras. A escrita alfabética já pressupõe o

sílabas e palavras. A escrita alfabética já pressupõe o

conhecimento do valor sonoro convencional das letras.

conhecimento do valor sonoro convencional das letras.

Compreende que os caracteres da escrita correspondem

Compreende que os caracteres da escrita correspondem

a valores menores que as sílabas (antecipação

a valores menores que as sílabas (antecipação quanti-

quanti-tativa) e elabora sistematicamente uma análise dos

tativa) e elabora sistematicamente uma análise dos

fonemas das palavras que vai escrever.

fonemas das palavras que vai escrever.

Constitui o final do processo, pois o sujeito já

Constitui o final do processo, pois o sujeito já

com- preendeu o modo de construção do sistema alfabético.

 preendeu o modo de construção do sistema alfabético.

A partir deste momento não terá problemas de escrita

A partir deste momento não terá problemas de escrita

no sentido conceituai, mas se defrontará ainda com duas

no sentido conceituai, mas se defrontará ainda com duas

dificuldades:

dificuldades:

A - a ortografia das palavras;

A - a ortografia das palavras;

B - a segmentação das palavras quando escrevem

B - a segmentação das palavras quando escrevem

orações .

orações .

A leitura já é realizada alfabeticamente. Neste

A leitura já é realizada alfabeticamente. Neste

ní-vel a escrita e a leitura do nome próprio operam sobre

vel a escrita e a leitura do nome próprio operam sobre

os princípios alfabéticos, aparecendo no entanto,

os princípios alfabéticos, aparecendo no entanto,

pro- blemas ortográficos. A leitura de partes do nome não

 blemas ortográficos. A leitura de partes do nome não

oferece

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Psicopedagogia Clínica

Psicopedagogia Clínica

Testes Piagetianos - Prova do Diagnóstico

Testes Piagetianos - Prova do Diagnóstico

Operatório

Operatório

1 - Conservação de Pequenos Conjuntos

1 - Conservação de Pequenos Conjuntos

 Discretos de Elementos

 Discretos de Elementos

Material:

Material:

20 fichas da mesma forma e tamanho, de

20 fichas da mesma forma e tamanho, de

 plástico ou cartolina, sendo 10 azuis e 10

 plástico ou cartolina, sendo 10 azuis e 10

vermelhas.

vermelhas.

Desenvolvimento:

Desenvolvimento:

1-1-situaçãosituação- Pedir que a criança escolha uma coleção- Pedir que a criança escolha uma coleção

de fichas. O examinador alinha sobre a mesa 6

de fichas. O examinador alinha sobre a mesa 6 dede

suas fichas, e pede que a criança faça uma coleção

suas fichas, e pede que a criança faça uma coleção

equivalente numericamente com suas próprias fi

equivalente numericamente com suas próprias fi

chas.

chas.

"Coloque a mesma quantidade de suas fichas ... o

"Coloque a mesma quantidade de suas fichas ... o

mesmo número ... um número igual ... nem mais

mesmo número ... um número igual ... nem mais

nem menos ..."

nem menos ..."

Registra o que é feito pela criança. Se for preciso, o

Registra o que é feito pela criança. Se for preciso, o

examinador organiza uma correspondência termo a

examinador organiza uma correspondência termo a

termo, com as duas coleções de fichas que já estão

termo, com as duas coleções de fichas que já estão

na mesa para garantir a equivalência inicial.

na mesa para garantir a equivalência inicial.

2-2-situaçãosituação — O examinador espaça ou aproxima as fi — O examinador espaça ou aproxima as fi

chas de sua coleção, sempre mantendo a outra linha

chas de sua coleção, sempre mantendo a outra linha

que fica mais curta ou mais comprida e pergunta:"

que fica mais curta ou mais comprida e pergunta:"

tem a mesma coisa, o mesmo número de fichas, ou

tem a mesma coisa, o mesmo número de fichas, ou

tem igual número? Onde tem mais, onde tem menos,

tem igual número? Onde tem mais, onde tem menos,

como você sabe? " 

como você sabe? " 

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Contra-argumentação:

Contra-argumentação:

O examinador provocará uma reação da criança

O examinador provocará uma reação da criança

afir-mando o contrário de sua resposta inicial. Ele poderá

mando o contrário de sua resposta inicial. Ele poderá

dizer:"

dizer:"uma criança me disse que nesta fileira temuma criança me disse que nesta fileira tem

mais fichas do que na outra. " 

mais fichas do que na outra. " Observa-se a noçãoObserva-se a noção

de conservação ou não conservação da criança.

de conservação ou não conservação da criança.

Pergunta de quantidade:

Pergunta de quantidade:

Conte as vermelhas que sobraram com você, ao

Conte as vermelhas que sobraram com você, ao

mesmo tempo em que esconde as próprias na mão.

mesmo tempo em que esconde as próprias na mão.

Pergunta-se:"

Pergunta-se:"Quantas eu tenho na mão, me respon-Quantas eu tenho na mão, me

respon-da sem contar. Como você sabe?

da sem contar. Como você sabe?

3-3-situaçãosituação — depois de reunir todas as fichas, o exa- — depois de reunir todas as fichas, o

exa-minador coloca 6 fichas azuis em círculo,

minador coloca 6 fichas azuis em círculo,

proceden-do daí em diante como nas situações anteriores e

do daí em diante como nas situações anteriores e

fa-zendo o mesmo tipo de pergunta.

zendo o mesmo tipo de pergunta.

Procedimentos avaliativos:

Procedimentos avaliativos:

Nível I: Nível I:

Condutas não conservativas (até aproximadamente

Condutas não conservativas (até aproximadamente

4 ou 5 anos).

4 ou 5 anos).

 Nas duas situações a criança pode fazer uma

 Nas duas situações a criança pode fazer uma

conta-gem, uma correspondência termo a termo ou global

gem, uma correspondência termo a termo ou global

ou qualquer disposição figurai. Essas repostas são

ou qualquer disposição figurai. Essas repostas são

não conservativas. Poderá ou não resolver a

não conservativas. Poderá ou não resolver a questãoquestão

de quantidade.

de quantidade.

Nível II: Nível II:

Condutas intermediárias. As coleções são

Condutas intermediárias. As coleções são

constitu-ídas por correspondência termo a termo de forma

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Psicopedag

Psicopedagogia ogia ClínicaClínica

correta. As perguntas do examinador dão margem as

correta. As perguntas do examinador dão margem as

seguintes condutas:

seguintes condutas:

A - resposta conservativa para

A - resposta conservativa para umauma

situação e não para outra;

situação e não para outra;

B - vacilações no julgamento durante cada

B - vacilações no julgamento durante cada

situação: tem mais azuis ... não, vermelhas ...

situação: tem mais azuis ... não, vermelhas ...

não, é igual;..

não, é igual;..

C - não justifica com argumentos claros e

C - não justifica com argumentos claros e

 precisos as respostas de conservação;

 precisos as respostas de conservação;

D - resolve corretamente a questão de

D - resolve corretamente a questão de

quantidade.

quantidade.

Nível III:

Nível III:

Condutas conservativas (em torno de 5 anos).

Condutas conservativas (em torno de 5 anos).

Quando a criança

Quando a criança apresenta condutas conservativasapresenta condutas conservativas,,

ela deverá justificar com um ou vários argumentos:

ela deverá justificar com um ou vários argumentos:

A - de identidade — tem a mesma coisa, você não

A - de identidade — tem a mesma coisa, você não

tirou nem botou nada, você só apertou ... você

tirou nem botou nada, você só apertou ... você

só afastou.

só afastou.

B - de reversibilidade — se você botou as

B - de reversibilidade — se você botou as

vermelhas do jeito do azul, fica

vermelhas do jeito do azul, fica igual... seigual... se

você encolher ou esticar de novo os azuis vão

você encolher ou esticar de novo os azuis vão

ficar igual de novo.

ficar igual de novo.

C - de compreensão — você fez mais comprido,

C - de compreensão — você fez mais comprido,

mas as fichas

mas as fichas estão mais longe estão mais longe uma das outras.uma das outras.

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico

2

2

-

-

Conservação das Quantidades de LíquidosConservação das Quantidades de Líquidos

(Transvasamento)

(Transvasamento)

Material:

Material:

Dois vidros iguais (A e A'), de

Dois vidros iguais (A e A'), de diâmetro de 5 cm ediâmetro de 5 cm e

8 cm de altura.

8 cm de altura.

Um vidro mais estreito e mais alto (vidro E),

Um vidro mais estreito e mais alto (vidro E),

Um vidro mais largo e mais baixo (vidro L),

Um vidro mais largo e mais baixo (vidro L),

Quatro vidros iguais, correspondentes a

Quatro vidros iguais, correspondentes a

aproxima-damente 1/4 do volume de A (P1, P2, P3, P4)

damente 1/4 do volume de A (P1, P2, P3, P4)

Uma garrafa de água colorida.

Uma garrafa de água colorida.

Desenvolvimento:

Desenvolvimento:

O examinador faz a criança constatar que os

O examinador faz a criança constatar que os

dois recipientes (A,A') são iguais. Despeja água

dois recipientes (A,A') são iguais. Despeja água

em A e pede que a criança despeje a água em A'

em A e pede que a criança despeje a água em A'

na mesma quantidade que está em A:

na mesma quantidade que está em A:"a mesma"a mesma

coisa, nem mais nem menos... " 

coisa, nem mais nem menos... " 

A seguir pergunta:"

A seguir pergunta:" se você beber o que está em a e se você beber o que está em a e

eu o que está no outro a, será que vamos beber a

eu o que está no outro a, será que vamos beber a

mesma coisa / temos o mesmo para beber?' 

mesma coisa / temos o mesmo para beber?' 

1-1-TransvasamentoTransvasamento - despeja-se a água de A no- despeja-se a água de A no

vidrinho E, estreito e alto. Pergunta:

vidrinho E, estreito e alto. Pergunta:"Será que"Será que

agora vamos beber a mesma quantidade? Um

agora vamos beber a mesma quantidade? Um

tem mais do que o outro? Um tem

tem mais do que o outro? Um tem menos que omenos que o

outro? " 

outro? " 

Pedir explicação:

Pedir explicação:"Como você sabe? Como descobriu?"Como você sabe? Como descobriu?

Você pode me mostrar o porque? " 

Referências

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