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Revista Orixas e Africanos - Abril de 1997

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“0.11' ASE AWO D IM ”

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“NKOSISIKELA1’AFJHKA E 0 BRASIL”

“Olha o poder da pele negra” * ^ O '' “Deus abençoe a Africa e o Brasil”

ÒRÍSÀ* & AFRICAI OS

ÓRGÃO OFICIAL DE DIVULGAÇÃO DO CULTO E DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

A no X - Edição n9 41 - Diretor-Presidente: A dhem ar D'Óm olu - Editor Chefe: Nelson N. Neto - D iretora-Adm inistrativa: Rose D'Dangbé

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e Ouidah, ponto de partida dos escravos para o Novo Mundo.

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2

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s- a r u c a d o c

ABRIL/1997

Editorial

CarOs leitores!

H á sempre um a razão para enveredarmos por um outro caminho em busca de uma mudanças; quando se pensa em m udar algum a coisa, temos sempre a certeza que será para m elhor, pois se assim não fosse, para que então efetuar uma mudança?

No m undo da tecnologia informativa, o im por­ tante não é vencer, e sim competir. Em agosto de 1989 ao lançarmos o primeiro número de nosso jo r­ nal, o fizem os com m uito sacrifício. M ais tarde, tivemos um a parada obrigatória. No lim iar de 1992, reiniciamos os nossos trabalhos com a mesma espe­ rança e a m esm a garra, em bora soubéssem os que iríam os encontrar m uitas dificuldades, prin cip al­ m ente a financeira. M as graças a ajuda de inúmeros zeladores e anunciantes, chegamos até o número 33 na cor tradicional que o preto e branco (PB).

No final de 1995, realizamos uma outra façanha, que foi editar o nosso jornal em cores (Edição 34); Hoje, estam os buscando uma nova form a e uma

nova m aneira de levar até aos senhores, as notícia, c u ltu r a e os a c o n te c im e n to s d o C u lto A fro Brasileira em formato de Revista.

P ara nós, é um a esc alad a m uito grande, po is , estam os realizando um a das m ais difíceis tarefas, ■ que é fazer e por em circulação um a Revista volta­ da especialm ente para a divulgação do Culto e da Cultura negra.

Não somos o prim eiro e tam bém não seremos o últim o à re a liz a r este tipo de tra b a lh o , m ais o importante de tudo, é realizar um a mudança, m a i s l que seja pra melhor, e acreditamos que essa m udan­ ça, alcançará esse objetivo.

Para tanto, esperamos continuar a receber a soli­ dariedade irrestrita de nossos Zeladores e de nos­ sos Anunciantes, pois graças a eles, é que de hoje em d iante estarem os ap resen tan do aos olhos do m undo este novo visual, este novo Layout de pági­ nas, pois, o que ontem era um m odesto jornal, hoje passa a ser uma revista.

Sumário

Povo de Candomblé, volta às suas origens! - P. 1 Disk Santo - P. 03

Osvaldo Mutalê - PP. 04 e 05

Iniciação dentro da Umbanda na T. E. S. Francisco de Assis - PP. 06 e 07

Abassá de Azunsu - P. 09

Danielle de Yemonja - PP. 10, 11 e 12 Nossas Ervas Medicinais - P. 13 Coluna da Mulher - P. 14

Nação Jeje perde seu Guerreiro Branco - PP. 15, 16 e 17 Nossos Deuses Africanos - Exu Elegbará - PP. 18, 19 e 20 Cheif lyalode Ifafunke Motunra-io Olagbaju Yeye Oshun Of Lagos-Land - Lagos Nigéria - PP. 21, 22 23 e 24

A grande festa da Cigana Rainha das Estradas - P 25 Tiãozinho de Oxóssi - PP. 26, 27 e 28

Esoterismo

Vamos falar dos Ciganos - P. 29 As velas na mitologia Cigana - P. 29 Aries - O signo do mês - PP. 30, 31 e 32 Aromaterapia - Perfumes - P. 33

No Caderninho da Kriz & Sociais de Rose D’Dangbé PP. 34 e 35 Religião - P. - 36

Vânia de Freqüen recebe obrigação de 3 anos - P. 37 Marina de Oxaguiã tira mais um barco - P. 38

Ebâmi Loiá “Lelê do 40” , recebe obrigação de 21 anos - PP. 39 e 40

0 R15AS £• AFRICANO

Jornal Ò risàs & A fricano s - A rtes G ráficas e Editora Ltda - ME

Diretores Responsáveis: Rose D'Danc)bé & Adhemar Costa ÒRISÀS & AFRICANOS - “OJU ASE AWO DÚDU” Órgão Oficial de Divulqação do Culto e da Cultura Afro-Brasileira

O E S P A Ç O

Fundado no dia 16 de agosto de 1986, por Adhemar B. da Costa Registrado no INRI, sob o ns 100542945, em 07 de maio de 1987

EDITOR CHEFE: Nelson Noronha Netto DIRETORA ADMINISTRATIVA - Rose D’Dangbé EDITOR E REPÓRTER FOTOGRÁFICO - Adhemar D’Omolu

Administração, Redação e Circulação

Rua do Governo, 408 S/202 - Realengo - RJ - CEP. 21770/100

338-0173

Os textos, fotografias

e demais criações intelectuais publicadas

neste exemplar, não podem ser utilizados,

reproduzidos, apropriados ou estocados em sistema de banco de dados ou processo similar, em

qualquer forma ou meio-mecânico, eletrônico, microfilmagem, fotocópia, gravação etc.

Sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais. Produção Gráfica: Editora SAVIR - Telefax: 627-4269

Todos os direitos sobre matéria, reportagem e fotos desta edição, são reservados à:

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ABRIL/1997

O li f E A f .

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3

Osvaldo Mutalê recebe

obrigação de 14 anos

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A b a s s á O x ó s s i M u ­d e

talê, que fica l o c a l iz a d a à R u a A le x a n d r e A m a r a l, 1 6 0 - J d . T e r r a Firm e - Santíssim o - C E P 2 3 0 9 8 -1 2 0 , v i­ veu nos dias 08 e 15 de d e z e m b r o , m o ­ m entos de rara beleza e e s p le n d o r , p o is o B ab alorixá O svaldo M utalê pode realizar o seu g ra n d e sonho, q u e fo i f e s t e j a r a o b rig a ç ã o de seu 14 an os, dada pelo seu zelador O dé Taió.

C o m o s a b e m o s m u ito b e m , re c e b e r um a obrigação atu al­ mente, está sendo um a c o is a m u ito d if íc il, levando-se em con si­ d e ra ç ã o que, a atu al falta de numerário por p a r te de q u e m q u e r que seja, está levando muitos filhos-de-santo a adiarem a realização da m e sm a , p o r e sse motivo, m esm o tendo j á se u s 21 a n o s de santo raspado, pode somente naquela data, o zelador receber a de 14 anos.

DAS GRANDES

PRESENÇAS

Foi uma festa m ui­ to concorrida, tanto a r e a liz a d a n o d ia 08 q u a n to a no d ia 15, q u e c o n to u c o m o

com parecim ento de vários irmãos-de- santo, de todos os seus fdhos, e ami­ gos, que foram particip ar da grande fe stiv id ad e em lo u v o r a O xóssi e a Oxum, entre elas estavam: Nenen de

N anã, E ké d i M ariza de Ewá, Jô de Oyá, Ekédi Adilceia da Oxun, Josilene

de Iansã, Arlindo de Xangô, Coquinho de Oxóssi, Waldo de Oxóssi, Sônia de Xangô, M ô n ica de Ogun, D a yse de Yemanja, Marcley de Logun, Geraldo de Onira, E la ir dos Santos, G elson G u im a r ã e s , R o b e r to do O gu n, Juvenal, Nininha de Oxalá, M aria do

S o c o rro , E k é d i D e- n iz e d e O b a lu a iê , Fom o R egina de Ia n ­ sã, F om otinho D a n i­ e l de O xa g u iã , S a l­ va d o r, D o fo n itin h a J a n a in a d a O x u n , A lv a n ir , R e n a ta da Oxun, M argana, M í­ ria m , A n a C r is tin a da Oxun, M aria A p a ­ r e c id a d e X a n g ô , S e r g in h o d a O xu n , A n a L ú cia da N anã, Serginho de Ogunté, L á z a r o d e X a n g ô , Ogã Acarajé, Sandra, Z é lia , F á tim a da Oxun, Sônia, Izabel, Vilma da Oxun, N il- céia de Nanã, M aria do Carmo, Valter de Oxalá, Conceição de Oxalá, A lex de Oxós­ si, N e u z a de Ia n s ã , Sueli de Iansã, Diogo S é rg io , A n a L ú c ia , O lin d in a S a n ta n a , Angélica, Sueli, Alice, Alice de Xangô, Ekédi V a lé ria d e O x ó ss i, M aria Rosa, Sônia de Iansã e Ogã César de Oxóssi; dos filh o s da

c a sa : C o n c e iç ã o de Xangô, D iná de Oxa­ lá , A d r ie n e (M u ta - kevi de Iansã); N o r­ m a ( M u t a c o s s u n d e O s s â i m ) ; B e r - n a d e te (M u taloxu n da Oxun); Fábio (Mu- tairá de Xangô); Dir- ce (M uta O d é A ro ci de O xóssi); F abiano (M u ta O d é G o n g o - birô de O xóssi); R o ­ n a ld o d e O g u m , A c y d e I a n s ã , M arco d e Ogum , W ilson de Iansã, S é r g io d e X a n g ô , A n a d e O gu m , R icardo de O xum arê, S a n d o va l de Oxóssi, W anderley de X angô, Wal- la c e d e O x ó s s i, V in íc iu s e M a r- quinho do Ogun.

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A r i i f C A N O í

ABRIL/1997

As e n tra d as triu n fais de Oxóssi e de Oxum

T

anto no dia 08 quanto no dia 15, o que os convidados pude­ ram presenciar foi um espetá­ cu lo m a ra v ilh o . O dé T aió sem p re p re s ta tiv o , fe z tu d o o q u e p o d e ria fazer para que o brilhantismo do ritual não fosse empanado, e isso ele conse­ guiu, graças a seu esforço como tam ­ bém, de seus filhos e netos, que deram tudo de si.

N o dia 08, d epois das ap resen ta­ ç õ e s h a b itu a is , c h e g o u o g ra n d e m om ento do O rixá patrono adentrar ao barracão devidam ente param enta­ do, a fim de tom ar o tradicional rum,

Oxum Rainha de Oyó,

Deusa das águas

doces, rios, lagos,

cachoeiras e também

da riqueza e da beleza

e quando isso ocorreu, o O rixá rece­ beu um a grande ovação por parte de to d o s os p re sen tes. O svaldo teve o p r a z e r de d a r a seu p a i O x ó s s i M utalê, um a vestim enta riquíssim a, em reconhecimento a obrigação de 14 anos recebida.

No dia 15, quando foi comemorado os 7 dias de sua obrigação, foram ren­ didas as justas e m erecidas honrarias sua m ãe O xum , e a m esm a ganhou uma indumentária digna do seu título -

Não só de Rainha de Oyó, como tam ­ bém, de Deusa das águas doces - rios, la g o s, c a c h o e ir a s - b em co m o da riqueza e da beleza. E mais uma vez

os assistentes prestaram-lhe as devidas hom enagens, e em altas vozes grita­ vam a sua saudação Ora ieiê ôôô - Eri

ie iê ô ôô . E e la m o stro u to d a a sua

b e le z a e seu fa s c ín io , d a n ç a n d o e fazendo os seus atos característico, -

como se estivesse banhando-se, pen- teando-se, perfum ando-se e colocando as su as ricas jó ia s . E p ara m ostrar

todo o seu carinho e respeito, os seus filhos jogaram pétalas de flores e per­ fum e no Orixá. D epois de toda essa

saudação, a mesm a iniciou a sua des­ pedida, deixando nas mentes de todos os c o n v id a d o s p re s e n te s , a d o ce e m eiga lembrança de sua presença, e a e s s ê n c ia do p e r fu m e q u e e x a la v a ainda no ar..

Em am bas as festas, o B abalorixá Osvaldo M utalê, fez questão de ofe­ re c e r aos seus co n v iv a s, um ja n ta r digno de um rei e de um a rain ha,

onde os m esm os se d eliciaram com um a farta e sofisticada qualidades de ig uarias, que foi acom panhado com vinho, refrigerante e cerveja.

Essa festa em homenagem a obriga­ ção de 14 anos do B a b a lorixá O s­ v a ld o M u ta lê , f ic a r á a rq u iv a d a e entrará na história das grandes festivi­ d ad e de c a n d o m b lé re a liz a d a s no Estado do Rio de Janeiro. ■

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ABRIL/1997

O [USAS í' AFRICANOS

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N ação Jeje M a h i p erd e

o seu G u e rre iro Branco

M

uitos ainda não estão acreditando, mas o fato o co rreu , e foi um ch oqu e p ara todos que compareceram ao Ilê de São Bento a fim de comprovarem se era ou não verdade, e ao chegarem lá, puderam consta­ tar a triste e dolorosa perda, morreu Luiz D’Jagun.

perm aneceu nove anos em casa de Ilber mas não raspou o seu santo com ele, isso foi m otivado por causa do seu Exu, tendo no entanto, assen­ tado o seu santo, e com o seu centro de Umbanda que ficava localizado à Rua Coimbra n° 450, onde ele cuidava de mais de setenta médiuns.

QUEM FOI ESTE HOMEM?

NASCE O “MITO LUIZ DE JAGUN”

Dona Ercília, achou por bem, não mexer em seu Orixá, embora soubesse que o mesmo era filho de Obaluaiê.

Aos 15 anos de idade, Dona Ercília encaminhou-o à Casa do Caboclo Roxo, que ficava situado na Praça Seca, a partir daí, o m esm o passou a freq ü en tar o Terreiro, que era de Umbanda, - Omo- locô -, passando então a receber os seus G uias e s p iritu a is , E xu da P ed ra e Caboclo da Lua Alta.

Quando tinha seus 18 anos, Luiz pas­ sou a freqüentar algumas casas de can­ domblé, mas os seus Orixás ainda não h av iam se m a n ife sta d o , em b o ra o mesmo sentisse influência de Oxumarê, Obaluaiê e Oxalá, e foi nesse estado que ele chegou até à casa de Ilber de Azauani, e tomou o seu primeiro Bori. Nessa oportunidade estavam presente o já falecido Jorge D’Yemanjá que ajuda­ va muito o Ilber e a Ekédi Tereza. Luiz Luiz nasceu às 15 horas do

dia 24 de fevereiro de 1947, numa segunda feira de carna­ val, na Beneficência Espanho­ la, na rua do Riachuelo; Mais tarde os seus pais foram morar na Ilh a do G o v ern ad o r; na Tijuca e de lá mudaram para a Rua Belisário Pena, na Penha, onde o mesmo passou a maior parte de sua infância e de sua juventude.

Luiz foi empresário; Cria­ dor do primeiro Vídeo de Can­ domblé no Brasil; Foi enredo de E sco la de Sam ba; Im or­ talizado no Museu da Imagem e do Som; Criador de vários eventos; Produtor Carnavales­ co; Radialista - apresentador do mais antigo programa do

Culto Afro “Despertar do Candom­ blé”, iniciado na Rádio Continental e levado ao ar atualmente pela Rádio Tamoio - e Escritor.

INÍCIO DE SUA VIDA ESPIRITUAL

Sua vida espiritual iniciou-se aos 9 anos de idade no Terreiro de Umbanda de Dona Ercília, da Vovó Maria Baiana, que ficava localizado nos fundos de sua residência. Mas a sua via espiritual ficou mais aguçada, foi quando aos 4 anos de idade, pode acompanhar os seus pais em uma viagem à Portugal, e ao chegar lá, teve o privilégio de colocar as suas pequeninas m ãos no túm ulo de São Bento.

Q uando já estava com seus treze anos de idade, Luiz sentiu a necessida­ de de cuidar de sua parte espiritual, mas

Em 18 de maio de 1974, L u iz foi ra sp ad o p o r seu

Z ezinho da Boa Viagem, e

co n tin u o u a cu id ar se seus (70) filhos e transferiu-se do núm ero 354 para o núm ero 450 da mesma Rua Coimbra, onde inaugurou a sua primeira casa de C andom blé, pois o espaço era maior.

AS GRANDES FRASES DITAS COM ORGULHO

- Sou filho de Zezinho da

Boa Viagem; neto de Antônio Pinto “Tata Fomutinho”, que vem ser do Kwê Cejà Undê, sou bisneto de Gaikú “Maria Angorense”.

- Na claridade há sempre

uma sombra, eu sou a luz com certeza! - Hei! Menino me chama o Machado!

FAZER O SANTO

Doutra feita, ao ser perguntado como ele se sentiu após fazer o seu santo, Luiz enfatizou:

- Fazer Santo para mim, fo i um novo ho rizo n te ; as m ãos de meu zela d o r foram leves, e eu consegui não só um

amigo, mais sim, um pai.

O mundo do Santo, prosseguiu Luiz, me trouxe novas amizades; e ao abrir a minha casa, eu fu i privilegiado pêlos Orixás, pois, ao recolher os meus p ri­ meiros barcos, eu pude contar com a presença de meu zelador.

Tanto assim, que no convite de minha feitura, fiz questão de colocar essa peque­

nina frase muito significativa: - “Nada se

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ABRIL/1997

A p rim e ira h o m en ag em

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m 1975, na segunda edição do Jornal Ritual e Magia, do fina­ do Jo sé D ias R o x o , L u iz foi eleito como:

- “A maior revelação jovem de 75 no Candomblé do Rio de Janeiro.

• A CRIAÇÃO DO “ILÊ DE SÃO BENTO” - Ao com pletar um ano de santo ele conversou com o seu zelador e d e c id ira m re c o lh e r o seu p rim eiro barco, sendo Humberto de Oxóssi o seu Rumbono, depois deste, mais vinte e um barcos foram recolhidos, e das setenta pessoas que o acompanha­ va, sessenta e três lhe esperaram e fizeram santo com ele.

Como o espaço físico tornou-se pequeno, Luiz resolveu comprar - sem dinheiro - um o sítio localiza­ do na Estrada do Quafá 678, em Santíssimo, com aproximadamente 5.000 metros quadrados. Os seus amigos acharam aquilo uma loucu­ ra, pois o terreno era um a mata fechada e ele estava sem dinheiro. M as m esm o assim ele topou a briga e durante muito tempo, com­ prando com sacrifício, material de demolição, ele conseguiu construir a Casa de Jagun, surgindo assim o Ilê de São Bento, onde ele con­ seguiu uma grande façanha, ras­ pando m ais de 676 filh o s-d e - san to, co n firm an d o inúm eros Ogãns e Ekédis, de seus filhos de santo surgiram muitos netos. • CANDOMBLÉ NÃO SE FAZ SOZINHO - Uma vez esse repórter per­ guntou-lhe, como ele se sentia em ter sobre os seus ombros, a grande respon­ sabilidade de cuidar de tantas pessoas que lhe procuravam e de seus inúmeros filhos. E com aquele sorriso matreiro, Luiz me respondeu:

- Olha! E uma coisa que eu não sei

explicar. Sei que é muito difícil cuidar de tantas pessoas; de fic a r aqui às vezes enclausurado; perdendo a minha moci­ dade; deixando de me divertir. Mais eu sou f e liz assim mesmo. E como todo mundo sabe, casa de candomblé é assim mesmo, e candomblé não se faz sozinho.

M uitas p essoas - inclusive as que estão dentro do candomblé - falam mal de nossa religião, mas para mim o can­

domblé é uma família, e terá sempre os

m esm os p ro b lem a s que uma grande

família tem, há ciúme entre os próprios

irmãos, pois um acha que eu dou mais atenção há um do que há outro, mas para isso, o dirigente, tem que saber conduzir essas pessoas que fazem parte

da família.

Mas quando existe uma dificuldade, todos se dão às mãos e se ajudam. E é por essa razão que volto afirmar a você,

meus filhos-de-santo, são muito bons; são solidários e se respeitam entre si, as casadas sempre trazem os seus maridos, form ando desta maneira, uma grande

comunidade.

• O INÍCIO E O FIM DA “CHICA

XOXA” - Com o falecimento do Doté Luiz de Jagun, termina um dos quadros mais polêmico de um programa de rádio,

que é o famoso “Chica Xoxa”. Algum tempo atrás, Luiz me confidenciou que o objetivo do quadro polêm ico “Chica Xoxa”, era apenas brincar com as pes­ soas sem citar nome de ninguém, há não se estivesse autorizado para tal. Ele fazia a coisa de uma maneira jocosa, e sempre que isso ocorria, a “pessoa” encaixava direitinho a carapuça em sua cabeça. Além desse quadro que agora se encerra com o falecimento de Luiz, ele também levava ao ar os seguintes: Ativando os Axés; Folheando um livro chamado Axé e Como vai você, esses quadros tinham com objetivo louvar e reveren­ ciar os Axés de todas as nações, bem como, enaltecer o Candomblé e valori­ zar o povo-do-santo.

Um outro quadro que passou há ser até motivo de bate boca dentro e fora do Candomblé, era No tempo da antiga. Ao apresentar esse quadro, ele chamava à atenção de todos para as normas e éti­ cas de respeito que o povo-do-santo devia cultivar.

• A SSIM O PO VO Q U IS ...O S MELHORES DO CANDOMBLÉ - A fim de valorizar mais ainda o povo do candomblé, Luiz que tinha uma imagi­ nação muito grande, criou várias coisas im portantes no sentido de difundir a nossa religião, e uma delas foi o tão polêm ico vídeo sobre a cultura afro- brasileira falando sobre o dia-a-dia de uma casa de candomblé. Esse vídeo foi lançado em todo Brasil. Nesse vídeo quis Luiz mostrar não só a sua ativida­ de na área cultura, como também, valo­ rizar o culto e as pessoas. Pois segundo as suas palavras, o Pai- de-santo é na realidade um psi­ cólogo; um advogado; e um con­ selheiro, onde tem como finalida­ de, desenvolver uma ação social da maior importância.

Em 1994 Luiz apresentou no Scala pela prim eira vez um dos grandes show - onde pode reunir mais de três centena de adeptos do culto e da cultura afro-brasileira - intitulado Assim o povo quis...os m elhores do Candom blé, que segundo as suas palavras, tinha o objetivo de m exer com a mente das pessoas, no sentido de que as mesmas não tivessem vergonha de dizer que eram condomblécistas. Esse show foi apresentado nos anos de 95 e 96, sendo que, em 24 de setem b ro de 1996 foi no Im perator, e o seu objetivo era p re m ia r in ú m ero s Z e la d o re s, E k édis, O gãns e C om u nicado res do Rádio e da Im prensa que difundem a religião.

• OS VINTE E UM ANOS DE LUIZ AO SOM DE ÓRGÃO E VIOLINO -No dia 27 de m aio de 1995 quando comemorou os seus 21 anos de feitura. O Doté Luiz de Jagun, organizou uma das maiores festas de candomblé já reali­ zada no Estado do Rio de Janeiro, sendo por nós registrado como “o maior espe­ táculo do semestre” Nessa oportunida­ de foi registrado que mais de 2.500 pes­ soas comparecerem ao Ilê de São Bento, - entre os mais famosos Zeladores do Rio de Janeiro - que puderam pela pri­ m eira vez, aguardar o início de uma festa religiosa ao som de músicas suá­ veis executadas por um a organista e quando term inou a festa religiosa, o Dote convidou-os para participarem do Jour Gras, sendo os mesmos recebidos ao som de Violino. As comemorações pelos seus 21 anos, só term inou na segunda-feira. ^

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ABRIL/1997

ORÍSAS £'• AFR IC A N O S

7

Luiz é in te rn a d o e o p era d o

L

ogo depois das comemo­rações dos seus 21 anos de santo, o Doté Luiz foi internad o e subm etido a uma intervenção cirúrgica, e nessa época m uitas pessoas do can­ dom blé ficaram p reo cupadas pelo seu estado de saúde, mas graças à Deus o mesmo se saiu bem e retornou às suas ativida­ des espirituais. E quando reali­ zou o seu tradicional Olubajé, e ao responder uma pergunta for­ mulada por nosso reportagem, o mesmo enfatizou:

- O meu pa i Jagun provou que me quer muito e que eu sou um bom filho. Tudo que tenho e tudo que sou, agradeço a ele; sei que a vida é uma constante guer­ ra, e graças ao meu Pai Jagun, vou vencendo às batalhas que me são impostas: mais eu sou filho de quem?

Não é de um Guerreiro! Agora mesmo

acabei de ser presenteado, e todos que me conhecem sabem qual fo i o presente, eu mesmo fiz questão de informar ao meu público e o meu presente, também deu ampla repercussão ao assunto, -

esse presente era o retorno ao Ilê de sua filha Gina de Iansã - Portanto, a

vida é isso que eu disse, uma constante guerra, onde nos que somos filh o s de Orixá e guerreiros, temos que saber lutar e esperar, pois, a paciência, é uma

dádiva dos grandes sábios.

• LUIZ ORGANIZA PASSEATA DE PROTESTO - No dia 12 de outubro de 1995, um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, num gesto impensado ou querendo se promover, diante das come­ ras de TV chutou a Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Esse gesto gerou as mais discutidas polêmicas entre cató­ licos e espíritas do Brasil.

No dia 14 de novembro, o Doté Luiz de Jagun organizou e colocou no centro nervoso da cidade - Av. Rio Branco e Presidente Vargas - inúmeros adeptos do Candom blé e da U m banda do Rio de Janeiro, com o seguinte lema: - Deus é

um só! Agredir a religião dos outros, também é violência.

Esse ato praticado pelo finado Luiz, mostrou a sua eterna preocupação com a nossa religião, tendo em vista que, o ato praticado pelo pastor, foi uma afronta aos seguidores da religião católica, da um banda e do candom blé, tendo em vista ser N.S. da Aparecida a padroeira

do Brasil.

• LUIZ É IM O R T A L IZ A D O NO MIS - Numa deferência toda especial entre tantos zeladores ae santo existentes no Estado do Rio de Janeiro, o Doté Luiz de Jagun em 1995 foi convidado a prestar os seus depoimentos e tornou-se assim im o r ta liz a d o no M u seu da Imagem e do Som. Nessa oportunida­ de, co m p areceram inúm ero s filh o s, n eto s-d e-san to e am igos, que foram levar o seu apoio e a sua estrita solida­ riedade.

• SEU Ú L T IM O D E SE JO DEVE SER RESPEITADO - Nossa reporta­ gem tomou conhecimento que, antes de falecer, o Doté Luiz de Jagun havia feito um testamento, no qual doava todo o espaço do Ilê de São Bento, para uma Entidade Filantrópica “Azilo dos L e p r o so s” , e q ue, um O ficia l de Justiça deu o prazo de 90 dias para desocuparem o espaço físico. Em se tratando de testamento, a vontade do testamentário deve ser respeitada.

Não nos cabe entrar no m érito da questão, pois seus herdeiros legítimos - Ekédi Alda e Ialorixá Fátima D ’Oxa- guiã, devem resp eitar o desejo, que quando em vida, Luiz manifestou. • CANDOMBLECISTAS SE DESPE­ DEM DO “GUERREIRO BRANCO” - Nos dias 20 e 21 de fevereiro, inúme­ ros adeptos do Candomblé e da Umban­ da, comparecerem ao Ilê de São Bento e ao Cemitério do Caju, a fim de presta­ rem às suas últimas homenagem a esse bravo guerreiro, que iria completar no dia 24\2\97 cinqüenta anos de idade. Tudo já estav a prep arado para ser a

D oté L uiz D ’Jagun 24 Fevereiro 47 20 Fevereiro 97

m aio r fe sta , onde v ário s am igos já tinham inclusive, recebido o convite para participarem da festividade.

Mais isso não pode acontecer, e ao invés de rirem e se divertirem, todos que co m pareceram ao Ilê de São B ento desta vez, foram para chorar e lamentar a perda tão irreparável.

S abem os p e rfe ita m e n te que não somos imortais; que estamos apenas de passagem, mas mesmos assim, é uma situação muito triste, muito dolorosa. Para alguns, foi apenas mais um que par­ tiu, mais para os seus familiares; para os seus filhos-de-santo e para o Candom­ blé não.

O povo-do-santo sabe muito bem o que perdeu, e por algum tempo ainda irá se lem brar de suas brincadeiras, - da C hica X oxa - de seu g esto , de sua maneira de ser; das grandes festas reali­ zadas no Ilê de São Bento, enfim... não devemos blasfemar conta os desígnios de Oxalá, porque irmão, você criou uma lenda, onde a frase era: Assim... O povo quis, os melhores do Candomblé.

Permita-me plagiar essa sua frase e com tristeza dizer: - “Assim”... Jagun quis, levou um dos melhores do Jeje Mahi”

D escanse em paz L uiz, e queira receber onde você estiver, essa humil­ de homenagem, deste seu irmão que também é um “Guerreiro Düdü” e de sua irmã Rose D ’Dangbé.

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oRfCAc & /¡.rnrc/i.Mos

ABRIL/1997

NOSSAS ERVAS MEDICINAIS

E

xiste pessoas que não gostam de usar determinado tipo de remédio e prefe­

rem as nossas qu erid as p lan tin h as com umentes chamadas ervas medicinais.

Como sabemos muito bem, o uso de plàntas medicinais requer no entanto, um certo cuida­ do, pois como diz o velho ditado, o que é bom para um não é para outro; mas no fundo mesmo elas não causam nenhum mal - depen­ dendo do seu uso certo. Ao adquirir ervas medicinais, tenha sempre o cuidado de que as mesmas estejam bem frescas e em bom esta­ do. Se por ventura você não for usá-la ime­ diatamente, coloque-as na geladeira enroladas em papel jornal e na última gaveta, a fim de que a mesma não venha queimar-se com a temperatura baixa. Mais é aconselhável que você deve usá-las o mais rápido possível, pois m uitas ervas perdem a substância da sua essência.

Chá - Ensinar a fazer chá soa até ridículo. Afina, pode existir alguém neste mundo que não seja capaz de preparar uma bebida quen­ te com um punhado de folhas? E pouco pro­ vável. Mas quando se trata de chás medici­ nais, não custa nada relembrar algumas regri- nhas básicas para que o resultado do trata­ mento seja o melhor possível.

* Use sempre bule de louça ou vidro. Os de metal, além de oxidarem o conteúdo, podem desprender partículas não muito saudáveis. * Prefira, sempre que possível, ervas frescas. Descarte as mofadas ou amareladas.

* Não se deve adoçar os chás. Mas se você não conseguir tomá-lo, use, pelo menos, mel puro ou açúcar mascavo. Refinado, jamais.

Tome o chá, no máximo, 15 minutos depois de preparado. Não guarde o resto. Ele perde as propriedades.

Use água filtrada ou mineral sem gás para fazer seus chás. Assim, você diminui a quan­ tidade de produtos químicos usados em seu tratamento.

COMO PREPARÁ-LO

Infusão ou tisana - É usada para os chás de flores ou folhas. Quando a água levantar fer­ vura, apague o fogo, jogue as ervas e abafe. Ao jogas as ervas na água quente, o processo de fervura se renova por alguns segundo. As infusões são feitas de uma só erva ou de mis­ turas. Depois de 10 a 15 minutos, o chá pode ser tomado.

Decocção - E feita com as partes duras da p la n ta : ra iz , ca u le , c a sc a ou sem en te. Coloque tudo na chaleira e ferva em fogo baixo até começar a sentir bem o cheiro da planta. Em seguida, apague o fogo, deixe o chá esfriar naturalmente, coe e beba.

Maceração -Não vai ao fogo. Mistura-se as e rv a s na água, v in a g re , ó le o ou vinho. Aguarde-se um certo tempo, que pode ser de algum as horas ou semanas. A m aceração feita em água não deve ser consumida depois de 12 horas por causa da formação de bacté­ rias.

Dicas do Bem V ive r

Enfarte do miocárdio - Como preventivo,

ingira freqüentemente cebolas assadas, fr i­ tas ou sob forma de sopas.

Artrite, ciática e reumatismo - Cozinhe

folhas e flores de verbena em um pouco de vinagre. Assim que tiver evaporado, colo­ que a verbena sobre um tecido e aplique a cataplasma quente sobre a parte dolorida.

Problemas com os olhos - Se os seus

olhos estão avermelhados porque você passou da conta na bebida, ou porque não dormiu bem, coloque em um copo cheio de água recém-fervida 1 colher das de chá de flores de camomila ressecadas. Deixe as flores na água por cinco minutos e, em seguida, coe a mistura, de preferência usando um pequeno tecido bem fin o . Espere a mistura esfriar e banhe os olhos.

Inflam ações de dentes e garganta

-Macere um punhado de cocleária seca por 5 dias em lOOml de álcool 60°. Filtre e tome 10 gotas em 1 cálice de água morna.

Tosse - Coloque 5 ameixas em meio litro

de água fria e ferva por 10 minutos em fogo baixo. Adoce com mel, beba o líquido

em pequenos goles e coma os frutos.

OS VERDADEIROS BARALHOS

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ABftlL/1997

9

lyaolóòrisá Danielle

D'Yemen ¡a tira mais um barco

Òsóòsi, Osun e Yemonja

M

ais uma vez as portas do Ilê A se Yem onja Solú Tuyagba Omi foram abertas, a fim de

que, os ilustres adeptos do culto afro- brasileiro e altas autoridades, pudessem u ltrapassar o um bral, a propósito de participarem da grande festa realizada no dia 26 de janeiro.

Essa jovem Ialorixá, a cada dia que passa, vem desp o n tan d o no cenário C andom blecista do Estado do Rio de Janeiro, tanto assim que, nas festas que são realizadas em sua casa, aparecem sempre novos convidados, mostrando desta m aneira que, não só os novos como também os antigos zeladores vão lhe p re stig ia r e co n h ecer o G rande

Palácio de Yemonja, localizado à Rua Soldado Cristóvão Garcia - Quadra 20 - lote 8 - Vila leda - Campo Grande.

No dia 26 por exemplo, além de seu zelador Antônio Carlos de Oxóssi; de sua genitora Zanir de Logunedé, e dos filhos da casa que são as figuras mar­

cantes em todas as festas realizadas no llê, nossa reportagem constatou a pre­ sença das seguintes personalidades do c a n d o m b lé e do m undo a r tístic o : Ia lo r ix á R e g in a C élia do A x é Opô A fonjá; Guilherme de O gum ” avô de s a n to de D a n i e l le ”; C â n d id o de Bagan; A triz Léa Vibranovisk; M ina Karê, Ozéias de Iansã, Cafunjaname; M a ta m b a L e sô ; Iv o n e te “I a l a x é ”; Tânia da O xun B auila; Ogã A cioli; E kéd i Rosim ere de Oxóssi; Carlinho de O g u n ; O lodo O bá W illia m de Oxaguiã; J a u n e ’s de Ogun; Paulo de Xangô; Robson de Guiã; A na Carolina de I a n s ã ; M a ria I s a b e l de N a n ã ; Namia de Xangô; Marcelo; Márcio de Oxóssi; Carla do Ogun; Anastácia de Obaluaiê; Antônio de Ogun; Cleusa de L o g u n ; N ádia de O gun; A ndreia de Iansã; Zeli da Oxun; Jorge de Jagun; K átia de Ia n sã ; A d ria n a de X angô; E u z e lv i de O x u m a rê ; J o ã o de Yemanjá; M arli da O xun; Valdete de O x a lá ; A n tô n io C a rlo s de O g u n ; J u d ite de O b a lu a iê ; A le x a n d r a de Obaluaiê; Rosilene de Oxóssi; Rogério de E x u ; L ú c ia de O x ó ssi; Ia ra de Iansã; Ivia de Iansã; A n a da O xun; E k é d i K á tia de Ia n s ã ; P a u lo de Logun; Lurdes de Oxóssi; Ekédi Daise

de O g u n ; X im e n e de Ó ba; N e li de O yá; L u iz A lb e r to de O x a g u ia ; V a lq u ir ia de O yá; M a rc o s de Yem anjá; Fábio de Omolu; Bárbara de Obaluaié; Tuca de Yemanjá; Daniel de Odé; Bruno de Logun; Álexandra,

no iva do Yaô da O x u n ; L id iv a n de O x ó ssi; W a lte r de O x a lá ; E k é d i J o r g e te de O x ó ss i; J o r g e L u iz de Xangô; Dengo de Xangô; M anoel de O gum ; Graça da O xu n; L u c ia n i de Iansã. &

“O

que

importa é

moderar

a confiança

com cautela

e segurar o

valor com

a vigilância’

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G RfSAS & A FR í CA MOS

ABRIL/1997

A f o v o s / « ¿ T s

os sews

Orunkó’s

inda que tenha sido realizada

em dia de domingo, a festa foi bem concorrida, em bora tenha chov id o em alguns m om entos, m as m esmo assim, além das pessoas acima citad a s, h av iam outros co nvidados. Eram 18:50 hs quando ocorreu a pri­ m eira saída do novo barco, vindo na ordem tradicional do barco, vindo à frente Osóòsi, seguido de Osun e de

Yemonja.

N e ssa p rim e ira a p re s e n ta ç ã o ao público, podia-se ver como deveria ser as d e m a is , te n d o em v is ta q u e a I a lo r ix á D a n ie lle e o B a b a lo r ix á Antônio de Oxóssi - seu zelador -, rea­ lizaram o tradicional ritual dentro da nação Efã, onde foram cantados inú­ meros orík i’s “cântico de louvor que

c o n ta os a tr ib u to s e f e i t o s de um Orixá”.

N a segunda saída, que ocorreu às 20:15 hs, mais um a vez pudem os ver a sim plicidade estam pada no semblante da Ialorixá Danielle, aliada com a res­ ponsabilidade, levando-se em conside­ ração que chegara o grande momento

d a fe s ta , q u e é o u v ir o n o m e dos Iaô’s.

Coube ao Babalorixá Guilherme de O g u m , p e d ir o O ru n k ó do Ia ô de Oxóssi, e isso ocorreu às 20:17 hs; às 20:20 hs, a Ialorixá R egina C élia de Yemonja, pediu ao Iaô que desse o seu O runkó para que todos os presentes pudessem ouvir; e finalmente às 20:24 h s , c o u b e ao B a b a lo r ix á A n tô n io C arlos solicitar o O runkó do Iaô de Yemonja.

Como sabemos m uito bem, quando ocorre esse fato - já citado por mim em inúmeras reportagem -, às pessoas novas e até às antigas de santo, viram e m se u s O rix á s , m o s tra n d o d e s ta form a, a força do Axé. Isso ocorreu em casa de Danielle e ocorrerá sempre em todas as casas de santo, pois faz p a r te do r i t u a l C a n d o m b le c is ta . D epois que os novos Ia ô ’s deram os s e u s O ru n k ó ’s, os m e sm o s fo ra m recolhidos, a fim de trocarem as suas indumentárias, e posteriorm ente retor­ narem ao salão, a fim de tom arem o tradicional rum.

Antônio vira em

seu pai Oxóssi

O u tro m o m e n to m a rc a n te da fe s ta , fo i q u an d o G u ilh erm e de O gun, virou O xóssi na cabeça do B abalorixá A ntônio, seu filho-de- santo. Esse ato foi afim de prestar as devidas hom enagem não só a A n ­ tônio, que estava completando seus 29 anos de santo de Antônio, como também a seu Pai Oxóssi.

Quando isso ocorreu, vários zela­ dores que estavam presentes assistin­ do a festa, também viraram em seus Orixás, entre esses zeladores estavam Cândido de Bagan, Marcelo de Iansã e C arm em de O x u m arê, em b o ra, tenha havido outros mais, que não nos foi possível anotar os seus nomes.

Tão logo isso ocorreu, os Orixás foram recolhidos, a fim de trocarem as suas indumentárias, enquanto isso, foi feito uma pequena pausa, ocasião em que foi servido aos convidados, aque­ les gostosos salgadinhos, acompanha­ dos do tradicional refrigerante.

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èiisM b m m u m

ii

A entrada triunfal dos Orixás

D

epois da tradicional pausa, che­gou o momento triunfal da festa, fo i q u a n d o to d o s os O rix á s adentraram ao salão, devidamente para­ m entados, vindo à frente O xóssi de A ntônio, seguido dos dem ais até ao mais novo Iaô. Foi um espetáculo de rara beleza, onde mais uma vez pude­ mos constatar o bom gosto das confec­ çõ e s a p re s e n ta d a s e u sa d a s p ê lo s Orixás. Aliás, a esse respeito, a Ialorixá D an ielle está de p arabéns, porque a cada dia que passa, ela mostra ao públi­ co o seu bom gosto, aliado com a sim­ plicidade, não importa se é Iaô ou quem for ã sua casa, pois, os Orixás quando vão para o salão a fim de tom arem o trad ic io n a l rum , ad en tram ao salão ricamente paramentados, dentro de uma simplicidade, pois vestimenta de Orixá não é fantasia de carnaval. E de um a um, o público que a essa altura superlo­ tava o barracão, pode assistir as tradi­ cionais danças dos Orixás e fazer coro nas mais lindas cantigas..

• O xóssi suspende Ogã - D urante o transcurso da festa, pudemos também assistir O xóssi virado do B abalorixá Antônio Carlos, suspender o seu novo Ogã, - A ntônio Carlos de O xaguiã, q ue vem h á ser e sp o so da fu tu ra Ekédi, que será confirmada no próxi­ mo dia 17 de maio de 1997 - foi um ato não esperado pelo público presente, e que abrilhantou m ais ainda a festa, porque o futuro Ogã irá sempre lembrar que foi suspenso no dia da saída dos três Iaôs.

Mais tudo que é bom dura pouco, e depois que todos os Orixás - Oxóssi, Oiá, Oxum, Yemanjá - receberam o tradicional, a festa foi chegando ao seu final. E quando isso ocorre, nota-se na fisionom ia dos convidados, a grande triste z a , pois a luz que em anou em todos os momentos, estava prestes a se apagar, a fim de dar lugar a outro cená­ rio, que é a confraternização entre os convidados, momento em que é servido o tradicional jantar.

Foi lindo, muito lindo, e temos cer­ teza que essa festa entrará para os anais da histó ria do candom blé no Rio de Janeiro. Valeu Ialorixá Danielle, que sua Mãe Yemonjá possa lhe dar muitos anos de vida e saúde, a fim de que você continue a ajudar aqueles que batem em sua porta, pois você é uma das poucas zeladores que vive para o santo e não vive do santo. Axé! muito Axé.

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O m AS ft AFRICA M i

ABRIL/1997

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ABRIL/1997

ORfSAS & Arrrt€ftw<js

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O Culto Afro

- 1° ò R i s À

Exu

E legbará

B

em meus queridos leitor, a partir desta nova edição, vamos apri­ morar os nossos conhecimentos, vou atender os inúm eros pedidos de nossos leitores, que concerne em falar sobre os nossos Deus Africanos, que são os nossos O risàs. É um a h o n ra m uito grande, fa la r sobre as nossas divindades oriundas das regiões africa­ nas e que fazem parte da nossa religião afro-brasileira.

• XIRÊ “SIRÉ” - Muitos freqüenta­ dores de candomblé ouvem falar nessa palavra, e poucos sabem o seu signifi­ cado na essência da palavra. Ela tam ­ bém é confundida como O ro” parte da

cerimônia ritual que tem a finalidade de “acordar” os orixás = toques mais intensos, cânticos especiais”. O Xirê é

a ordem em que são tocadas, cantadas e dançadas as invocações aos Orixás, no início das cerimônias festivas ou inter­ nas das casas de candomblé.

Na abertura do Xirê quem vem na frente é Exu, pois ele é o primeiro a ser invocado e en viado p ara cham ar os dem ais O rixás, tendo em vista ser o m esm o o m ensag eiro de todos eles, pois Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. Mas para que isso ocorra, é necessário que seja efetuada a primeira e tradicionais cerimônia que chama-se “P adê”. • PADÊ - Existem dois tipos de Padê; o primeiro é o ritual propiciatório, com oferenda a Exu, realizado antes do iní­ cio de toda cerimônia pública ou priva­ da dos cultos afro-brasileiros, que tam­ bém é chamado de despacho de Exu.

“Enviar Exu, p or meio de oferendas de comidas, bebidas, cânticos e sacrifício animal, aos orixás, para levar-lhe pedi­ dos e ao m esm o tem po im pedi-lo de perturbar a cerimônia que será realiza­ da e neutralizar as suas tendências a p r o v o c a r m a l-e n te n d id o s en tre os serem humanos e em suas relações com os deu ses e, a té mesm o, dos deuses entre si.

O despacho ou padê é feito antes de qualquer cerimônia afro-brasileira reli­ giosa, exceto na Casa Grande de Minas. De manhã cedo é sacrificado um galo e os seus exés são colocados ao lado do assentamento de Exu, e também é colo­ cados três oberós com farofa (dendê, água, mel e otim) Não confundir Padê com despacho ou ebó.

Conclusão, o Padê tem por finalida­ de pedir ao m ensageiro Exu, que é o elemento dinâmico e de comunicação, que proteja a cerimônia que vai ser rea­ lizada, pois ele tem o poder de viajar de um mundo para outro, tendo em vista que, ele representa a continuidade da vida e o poder da m ultiplicação dos antepassados. Após ser realizada a tra­ dicional cerimônia, quando lhe é ofere­ cida a respectiva oferenda, o mesmo vai ao encontro dos Deuses e chama-os, pois ele pode deslocar-se instantanea­ mente para qualquer lugar, seja qual for a distância, pois usa o sei instrumento po dero so que é o O go. “M a cete de

madeira escura, esculpido de form ato de um - falo (Pênis) terminando por um gorro recurvo para trás, enfeitado de búzios e contas. É objeto mágico de Exu (e um dos seus instrumentos, no C an dom blé), ten d o a fa c u ld a d e de transportá-lo, em segundos, a lugares

lo n g ín q u o s, e de atrair, p o r um p od er m agnético, objetos situados a distân­ cia ig u a lm e n te g ra n d e , segundo a crença africa­ na. E também chamado de cacete nodoso com o qual Exu ataca seus inimigos. O fa lo a n tig am en te era a d o ra d o p ê lo s a n tig o s como símbolo da fecu ndi­ da d e da n a tu re za ), dai, nasce a crença que, Exu é que preside o ato sexual, que garante a expansão da vida”.

Em síntese, no candom­ blé tradicional ele é o men­ sa g e iro e n tre os n o sso s Deuses e os hom ens. Por essa razão, ele é o elemento dinâmico de tudo que exis­ te, e o princípio de comuni­ cação e ex pansão , sendo po r tan to , o p rin cíp io de vida individual.

• IN V O C A Ç Ã O À EXU NO M O ­ MENTO DO PADÊ - Em alguns ter­ reiros tradicionais, o padê pode ser bem complexo, no entanto, o mais comum é realizado da seguinte forma: “é coloca­

da no centro do salão do candomblé, uma quartinha com água e uma vela acesa; em seguida éfeita há invocação há Exu, com cantos e danças ao redor da referida quartinha de barro e da vela acesa, onde são feitos os pedidos.

A invocação a Exu é feita geralmente pelas seguintes cantigas:

I a

Inã inã mo jubá ê é mo jubá Inã inã mo jubá ê agô mo jubá

2a

A ji qui barabô é mo jubá auá cô xê A j i qui barabô é mojá ê omóde có é có qui

Barabô mo jub á élébara Exú lonã

3a

Bará ô bébé Ti rir í Lónã Exú Tiriri Bara ô bébé Tiriri Lónã Exú Tiriri r

Òdara lô xorô ódara lô xorô lónã Odara lô xorô ê lô xorô ódara lô xorô lónã

5a

Elébára exú ô xa querê querê Ekésã bará exú ô xa querê querê.

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14

W t M . ü

fi- AFIííCAMOC

ABRIL/1997

O despacho do padê de Exu

E

xistem várias invocações e sauda­ções para Exu, mais as citadas acima, são as mais comuns. Logo depois desta saudação, chegam os ao momento do despacho do padê de Exu, e nesse momento o Ogã canta as seguin­ tes cantigas:

Xônxô óbé, xônxô óbé Odara cô lòrí éru larôiê Xônxo óbé, ódara cô lôlí ébó Agô umbó umbó larôiê Agô umbó umbó larôiê

Após esse momento, a quartinha com água é levada para fora pela lá Morô ou

pela Dagã e a água é derramada sobre

a terra, propiciando os ancestrais míti­ cos. Em seguida são entoados outros cânticos, que através deles, são demons­ trados a alegria pela aceitação da ofe­ renda.

• PADÊ DE CUIA - Existe também, o tradicional Padê de Cuia. Porém essa cerim ônia só pode ser realizada em casa de candomblé que têm pelo menos 7 anos de inaugurada, ou seja, casa de raiz. Nesse padê, é cultuado os ances­ trais, que são invocados no padê. • F A L A N D O S O B R E È SÜ OU ELÉ G B A R A - E xiste m uitas coisas que se pode falar do primeiro Orixá do Siré que é Exu, embora exista pessoas

que o defina como sendo um orixá ou um ebora de múltiplos e contraditórios

aspectos, principalm ente por ser ele uma figura controvertida do panteão afro-brasileiro. De caráter irascível, astucioso, grosseiro, vaidoso, indecen­ te, gosta de suscitar dissensões e dispu­ tas, de provocar acidentes e calamida­ des públicas e privadas.

Por possuir essas qualidades, os pri­ meiros missionários, assustados compa- raram-no ao diabo cristão, que lhe dão chifres, garfos, tridentes, lanças, capa verm elha e p reta e ca rto la fazendo dele, o símbolo de tudo o que é malda­ de, p erversidade, objeção, ódio, em oposição à bondade, à pureza, à eleva­ ção e ao amor de Deus.

• EXU UM SERVIDOR - Se for tra­ tado com consideração, ele mostrará o seu lado bom, reagindo favoravelmen­ te, m ostrando d essa m aneira ser um serviçal prestativo, e ser o mais huma­ no dos orixás, ou seja: nem completa­ m e n te m a u , n em c o m p le ta m e n te bom. E ssa particularidad e vem do princípio de que cada ser humano tem um Exu que o protege e que assegura o seu desenvolvim ento, como também.

cada orixá tem seu Exu servidor e parti­ cular, ’’Esse particular vem da teoria

da nação Jeje-M ahi, po is o legbanô, q u e en c a rn a o L e g b á do p r ó p r io

Vodun, pois acreditam os daomeianos

que cada Vodun tem o seu p ró p rio

L egbá, ou o seu p o d e r o c u lto ” que

tom a nom e esp ecial. M as para que isso ocorra, é necessário que as pessoas não o esqueça, oferecendo-lhe sempre um sacrifício ou uma pequena oferen­ da, caso contrário, poderá esperar todas as catástrofes.

• PESSOAS USAM ORGULHOSA­ M E N T E O SEU N O M E - A qui no Brasil, existem várias pessoas que usam 0 seu nome, entre essas pessoas

pode-1

Cada ser humano

tem o seu Exu

ê

O mais humano

I

dos Orixás

mos citar os nomes de Gardel de Exu M arabô e de M azinho do 7 Capas, embora, existam outras mais, mas essas duas são as mais populares. No entan­ to, na Á frica , há p esso as que usa orgulhosam ente nomes como Esúbíyú (concebido por Exu) ou Esütósin que sig n ifica (Exu m erece ser adorado). Isso tudo se deve por ter ele duas coisas primordiais, que são as qualidades e os defeitos, bem como ainda, ser dinâmico e jovial..

• EXU E SUA DESCENDÊNCIA P ara m uitos, Exu é tido com o filho m ais novo de O xalá, en tretan to , no mito yorubá, dizem que ele é o filho prim ogênito. Este fato deve-se a p re­ p o n d e râ n c ia do rito da n aç ão J eje Mahi “Jeje Mar rim ” , pois nessa nação Exu chama-se Legbá, Elegbará e par­ tindo dessa premissa, Legbá é para os daomeanos o filho mais novo de Mawú e Lisa, e para os descendentes dessa nação, o último filho de uma família, é tido como o mais sábio e o mais esper­ to, e essa característica quem tem é ju s­ tamente Exu.

Vam os a b r ir a q u i um p e q u e n o parêntese, a fim de que se possa falar desses dois Voduns daom eianos que são Mawu-Lisa, e que estão entre os grandes deuses ”Os dois deuses cone­

xos Mawu-Lisa estão ligados ao culto

do céu. Mawu tem atributos andrógi­ nos, mas os sacerdotes daomeianos lhe dão sempre características femininas. Lisa tem, ao contrário, atributos mas­ culinos. Mawu é também uma expres­ são g era l p a ra p o d e r e fo r ç a e seu culto significa o culto geral das enti­ dades celestes. Na mitologia daomeia- na, há con tudo, a referên cia a um Criador, que não fo i Mawu, nem Lisa. Era N ana-B uluku (que através dos Yoruba, passou ao Brasil com o nome de Nananburucu ou Nanan, que deu n a scim en to a d ois gêm eo s, M aw u, m ulher que comanda a noite e Lisa, homem que comando o dia. Passaram assim Mawu a significar a lua, e Lisa, o sol. Os dois irmãos coabitam em cer­ tas ocasiões, quando há, p or exemplo, o eclipse da lua. Mawu e Lisa tiveram quatorze filh os, outros tantos deuses ou Voduns do panteão daom eiano”. (Texto tirado do livro da coleção de Arthur Ramos (as culturas negras).

• EXU O REI DE K ÊTO - E xiste

uma lenda que diz que, Exu teria sido um dos c o m p a n h e iro s de O dü d uà. quando da sua chegada a Ifé. Naquela ép o ca ele ch a m a v a-se Esü O basin. Mais tarde conforme conta a lenda, ele passo u a ser um dos a ssiste n te s de O rum ilá, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo ainda nos conta a lenda Exu tomou-se o Rei de Kêto sob o nome de Esu Alákétu. • EXU EMBRIAGA OXALÁ - Exu teve inúmeros desentendimentos e bri­ gas com vários O rixás, nem sem pre saindo vencedor. Entre essas brigas ele obteve seus sucessos e seus insucessos nas relações com Oxalá, ao qual fez passar alguns maus instantes, em vin­ gança por não haver recebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por O ludam áre - o deus suprem o -, para criar o m undo. Exu provou-lhe uma sede tão intensa que Oxalá bebeu vinho de palm a em excesso, ficando completamente embriagado.

• OXALÁ APO DERA-SE DA CA- BACINHA DE EXU - Outra lenda nos conta que houve uma disputa entre Exu e Oxalá, a fim de saber qual dos dois era o mais antigo e, em conseqüência, o m ais re sp eitá v el. O xalá p rov ou sua superioridade durante um combate ceio de peripécias, ao fim do qual ele apo­ derou-se da cabacinha que encerra o poder de Exu. tran sfo rm an do -o em seu servidor.

Referências

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