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(1)

Vómitos na Criança

Ana Paula Mourato

Unidade de Gastroenterologia Pediátrica Hospital de Santa Maria

INTRODUÇÃO



Vómito/regurgitação:

um

dos

motivos mais frequentes de consulta

em Pediatria



Pode ser:

– Um

sintoma

de

um

processo

autolimitado

– Primeira manifestação de um processo

(2)

Vómito



Expulsão forçada, através da boca, do

conteúdo gástrico

Vómito



Activação arco neural



Precedido salivação, sudação,

taquicardia, palidez, náusea

(3)

Reflexo Emético

Activação do arco neural

VÓMITO

Desencadeantes



Distensão do estômago ou i. delgado



Quimioreceptores do i. delgado ou cérebro



Aumento da pressão intracraniana



Dor



Rotação da cabeça



Estímulos orofaringe

(4)

Regurgitação



Expulsão involuntária e sem esforço do

conteúdo gástrico



Sem relação com reflexo emético



Não associado a náusea

Vómitos - Causas

MÉDICAS

CIRURGICAS RARAS

HISTÓRIA CLÍNICA

(5)

Vómitos -

Causas

MÉDICAS CIRÚRGICAS RARAS

•Gastroenterite •RGE •Infecções Urinárias Respiratórias OMA Meningite Sepsis •Intolerância PLV •Estenose piloro •Estenose/Atrésia duodenal •Invaginação •Malrotação •Volvo •Duplicação •D. Hirschsprung •H. Congénita Supra-renal •HICraniana •D. Metabólicas •Insuf. renal VÓMITOS D. Ap. Digestivo Infecções D. Metabólicas D. Endocrinológicas D. Renais D. Neurológicas Traumatismo Imunológicas Stress Fármacos

(6)



Valorização da idade



Caracterização dos vómitos e queixas

associadas



Inquérito alimentar



Medicamentos e alergias



História doença prévia



Avaliação da repercussão sobre o estado

– Consciência

– Hidratação

– Ponderal

VÓMITOS EM PEDIATRIA

DIAGNÓSTICO

Caracterizar os seguintes elementos:



circunstâncias em que se dá o vómito



horário



relação com as refeições



inicio agudo/ crónico



volume



conteúdo



presença de sangue



persistentes/transitórios



sintomas associados (febre, perturbações do

(7)

DIAGNÓSTICO

Esclarecer:



hábitos alimentares



alergias



medicamentos



cirurgia anterior



doença crónica/doença GI de base

Independentemente do diagnóstico, a repetição do vómito

pode levar a:



desidratação



desnutrição

VÓMITOS NO RN E LACTENTE

As causas mais frequentes de vómito na

criança pequena são:

1.

malformação digestiva e obstrução

2.

infecção

3.

erro dietético

4.

vómitos associados a doença crónica

5.

doença metabólica

(8)

VÓMITOS NO RN E LACTENTE

1. Malformação digestiva e obstrução

Estenose hipertrófica piloro



hipertrofia das fibras musculares do esfíncter pilórico



intervalo livre de 2 a 3 semanas em que o RN está bem



vómitos pósprandiais, alimentares, nunca biliares,

em jacto e sem febre



ondas peristálticas visíveis e a palpação da oliva

pilórica são elementos característicos



diagnóstico: ecografia



Tratamento: cirúrgico

VÓMITOS NO RN E LACTENTE

2 - Infecção



Sépsis



Infecções ORL



Infecção urinária



Gastroenterite aguda



Meningite.

(9)

VÓMITOS NO RN E LACTENTE

3 – Erro dietético

Preparação errada do biberão - quantidade excessiva de

pó para o volume de água

4 – Vómitos associados a doença crónica

– intolerância às proteínas de leite de vaca

– intolerância ao glúten

– fibrose quistica

5 – Doença metabólica



causa rara de vómitos no lactente



Exemplos:

– hiperplasia congénita suprarenal

– galactosémia

– fructosemia

HISTÓRIA FAMILIAR <---> risco de doença atópica

“tendência familiar”

Não

5 %

1 familiar

20 - 40 %

2 familiares

40-60 %

Kjellman Acta Paediatr 1976

(10)

Avaliação Clínica

APLV ligeira a moderada



GI:VÓMITOS, regurgitação, diarreia, rectorragias,

obstipação.



Dermatológicos: dermite atópica, angio-edema

(lábios e palpebras), urticária.



Respitatórios : rinorreia, tosse seca, pieira



Gerais: choro persistente,cólicas do lactente

(>3h/dia, 3 dias/ semana, 1 semana)

Avaliação Clínica

APLV Grave

 1 ou mais dos seguintes sintomas:

 GI: VÓMITOS recusa alimentar, diarreia crónica, má progressão ponderal, enteropatia

exsudativa, confirmação endoscópica e histológica de colite grave ulcerada

 Dermatológicos: dermite atópica exsudativa grave, anemia

 Respitatórios : dispneia, laringoedema agudo, obstrução bronquica

(11)

VÓMITOS NA CRIANÇA MAIOR

Causas mais frequentes:

 Digestivas – Gastroenterite aguda – Oclusão – Invaginação – Apendicite – Úlcera  Extradigestivas – Infecciosas • Pneumonia, meningite – Cíclicos – Psíquicos

No adolescente não esquecer:

– gravidez e a patologia ovárica – litiase biliar e renal

– Tumor cerebral

1- Vómito/Regurgitação

2 – Sintomas acompanhantes

3- Tipo de vómito

4 – Exame Objectivo

5- Exames Complementares

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

(12)

Vómito/Regurgitação



Distinção por vezes difícil



Podem coexistir

1 - Vómito/Regurgitação

-Regurgitação sem esforço -Sem náusea

-Sem bilis ou sangue

-Sem outros sintomas

-Aparentemente saudável -Boa progressão ponderal

(13)

RGE

•Má progressão ponderal •Dificuldade alimentar •Esofagite : Dor, HDA Anemia Estenose Péptica •Complicações pulmonares •Sindroma de Sandifer

RGE

(14)

Barreiras anti-RGE



EEI



Ângulo de His



Peristaltismo esofágico



Esvaziamento gástrico



gravidade

(15)

VÓMITOS NO RN E LACTENTE

 Refluxo patológico: a maioria cura até aos 18 meses, espontaneamente ou com meios terapêuticos

 Complicações: malnutrição, infecções respiratórias de repetição, anemia e estenose esofágica

 DIAGNÓSTICO

 PH metria

 Trânsito esofágico baritado

 Cintigrafia

 Manometria

 Endoscopia

(16)

ACALÁSIA

(17)

1- Vómito/Regurgitação

2-Sintomas acompanhantes

3- Tipo de vómito

4 – Exame Objectivo

5- Exames Complementares

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

Vómito

Principal Sintoma

Sintomas Associados

(18)

2- Sintomas acompanhantes

•Criança febril?

•Vómito + outros sintomas gastrointestinais?

•Dor e relação temporal com o vómito

•Letargia ou irritabilidade

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

1- Vómito/Regurgitação

2-Sintomas Acompanhantes

3- Tipo de Vómito

4- Exame Objectivo

5- Exames Complementares

(19)

2 – Tipo de Vómito

1.Alimentares

2.Biliares

3.Hemáticos

Vómitos Alimentares

Imediato ou poucas

horas após refeições Várias horas após refeições

Obstrução mecânica ou funcional

•Intolerância Alimentar

(20)

Vómitos Biliares

Obstrução Intestinal

Total

Atrésia

Parcial

Estenose

Vómitos Hemáticos

Lesões vasculares Lesões mucosa Coagulopatias Outras

(21)

Vómitos Hemáticos

Lesões vasculares •Varizes esofágicas •Telangiectasia hemorrágica hereditária Lesões mucosa •Esofagite •Mallory-Weiss •Gastrite •Úlcera stress •Intol. Prot. Leite

Coagulopatias •Hemofilia •Def. VitK •D. Hep. Crónica Outras •Ingestão sangue materno •H. nasofaringea

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

1- Vómito/Regurgitação

2-Sintomas Acompanhantes

3- Tipo de Vómito

4- Exame objectivo

5- Exames complementares

(22)

Exame objectivo

(23)

SINAIS DE ALARME

Vómitos biliosos, em jacto,hemorrágicos

após os 6M, letargia

Hepatoesplenomegália,fontanela hipertensata,

macro ou microcefalia,dor e/ou distensão abdominal,

Febre persistente

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

1- Vómito/Regurgitação

2-Tipo de Vómito

3- Sintomas acompanhantes

4- Exame Objectivo

5- Exames complementares

(24)

Exames

complementares

Confirmação

Diagnóstica

Avaliação Efeitos

Secundários

Metabólicos:

Desidratação

Alcalose metabólica

Hipocaliemia

Hipocloremia

Hipoglicemia

Cetose

Efeitos Secundários

Físicos:

Malnutrição

Mallory-Weiss

Esofagite

(25)

o

Acidose

Metabólica

Diarreia

Suspeitar:

Doença Metabólica

SE:

Hipoglicemia

Hipocetótica

Doença Metabólica

SE:

(26)

Letargia

Vómitos inexplicados

Suspeita D. Metabólica

Gasimetria

AMÓNIA

Hiperamoniémia Transitória do RN

TRATAMENTO

Medidas a tomar

 Suspender a alimentação habitual, incluindo o leite

 Oferecer à criança:

• Água chalada açucarada • Água com açúcar • Miltina, Diorolyte...

 Não permitir grande ingestão de líquidos de uma vez (2 colheres de chá de 3/3 ou de 5/5 min)

 Após uma pausa alimentar e se a criança estiver a tolerar bem os líquidos, poderá reiniciar os alimentos sólidos com moderação.

 Evitar introduzir precocemente: leite, citrinos ou alimentos condimentados.

(27)

TRATAMENTO

RGE

Conselhos a dar às mães:

 Evitar a ingestão de ar na mamada

– nariz desobstruido

– Tamanho do orifício da tetina – biberão inclinado

– eructação no meio e no fim da mamada

Medidas dietéticas:

 fraccionar as refeições  espessar as refeições Medidas posicionais:

 inclinação do tronco de 30º

Terapêutica farmacológica/ cirúrgica indicada quando falham as medidas anteriores

TRATAMENTO

Anti-eméticos contra-indicados:

Anomalias estruturais do tracto GI ou emergências cirúrgicas: EHP,apendicite aguda, obstrução intestinal, lesões expansivas

Referências

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