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PROJECT O D E R ECU PERAÇÃO D A D UNA D A CR ESM INA I A GÊN CIA CASC AIS NATURA

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Academic year: 2021

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PR O J E C T O D E R E C U P E R A Ç Ã O D A D U N A D A C R E S M I N A I AG Ê N C I A CA S C A I S NA T U R A 2º CU R S O D E RE S T A U R A Ç Ã O EC O L Ó G I C A D E SI S T E M A S DU N A R E S | SPECO VI S I T A D E ES T U D O | 21 MA I O 2011

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CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DUNAR

As dunas da Cresmina-Guincho são uma pequena parcela do complexo dunar Guincho-Oitavos localizado no Parque Natural de Sintra-Cascais. Este sistema dunar é bastante particular pois a areia proveniente das praias do Guincho e da Cresmina retorna ao mar mais a sul (entre os Oitavos e a Guia), após migrar sobre a plataforma rochosa aplanada do Cabo Raso. Este sistema designa-se por corredor eólico dunar Cresmina-Oitavos. Trata-se de um sistema activo, semi-aberto, extremamente instável devido à constante mobilização de partículas arenosas pelos fortes ventos que se apresentam com orientação Noroeste-Sudeste (Rebêlo, 1992).

Os cordões dunares são estruturas geológicas frágeis mas muito importantes, uma vez que assumem um papel de protecção dos terrenos interiores da subida do nível do mar. A existência de barreiras impermeáveis estreitou o corredor de transporte de areia acelerando a sua dinâmica. Com a velocidade dos ventos a aumentar, a deposição de sedimentos passou a efectuar-se numa zona mais afastada da linha de costa com consequente diminuição da faixa costeira (área de praia).

No Projecto de Requalificação e Valorização Ambiental do troço de costa Guincho-Guia (UOPG8, 2008), estão enunciados os principais factores que conduziram à degradação ou exercem impacto negativo no equilíbrio do corredor dunar Guincho-Oitavos:

I. A construção da EN 247 induziu alterações na direcção do vento, maior turbulência no fluxo de ar e consequente remoção de areia. A estrada ocasionou igualmente uma maior pressão humana no local, concretizada por elevada circulação de veículos e pisoteio da vegetação, com reflexos negativos na capacidade de fixação das areias;

II. O restaurante Muchaxo e estruturas de apoio turístico a ele associadas funcionam como barreira à circulação do vento (que muda de direcção), impedindo a re-alimentação em areia a Sul da construção;

III. A introdução sem critério de barreiras artificiais, nomeadamente a construção de paliçadas, com acumulações artificiais de areia, que teve em alguns casos uma influência negativa em virtude de uma localização desadequada, nomeadamente na zona de acumulação;

IV. O pisoteio das dunas, onde se inclui a circulação de veículos todo-o-terreno e cavalos, tem consequências nefastas em termos de fixação de areias;

V. As extracções de areia mal conduzidas; esta actividade pode ter consequências diferentes em função dos locais escolhidos e dos métodos utilizados. No entanto, as extracções se forem mal conduzidas são altamente lesivas para este sistema.

Posto isto, é notório que a construção de barreiras, que atravessam o corredor eólico dunar, é a origem do problema no que respeita à modificação da dinâmica do sistema. Segundo REBÊLO et al. (2002), a duna da Cresmina avança na direcção norte-sul, em alguns sentidos, cerca de 10 m por ano. São dados que, a longo prazo, podem ter efeitos dramáticos no que respeita a perda de solos aráveis, infra-estruturas, habitações, etc.

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Figura 1. Cordão dunar Guincho-Cresmina.

As dunas por serem sistemas muito dinâmicos apresentam um delicado equilíbrio ecológico em que as suas fitocenoses se encontram estruturadas segundo um gradiente ecológico muito específico devido às condições de solo pobre (areias) e condições climatéricas agressivas (ventos fortes e salinidade). Para além disso devido à grande pressão humana no local essa vegetação está muito fragmentada e alterada devido à introdução de espécies sem interesse conservacionista.

Desta forma na praia alta, onde o mar deposita os detritos que vêm com as marés, ocorre vegetação halonitrófila da Salsolo kali-Cakiletum maritimae, primeira comunidade de dunas próxima do mar que no local se encontra sem vegetação devido à elevada pressão antrópica, identificando-se pontualmente Cakile maritima (eruca-marítima). Na duna embrionária distinguem-se formações de feno-das-areias e morganheira-das-praias (Euphorbio paraliae-Agropyretum junceiformis), que se encontram pontualmente na base do que resta do cordão dunar primário. Na duna primária surgem comunidades de estorno (Loto cretici-Ammophiletum australis) principalmente nas cristas dunares que existem ao longo de todo o sistema. As areias de dunas fixas são ocupadas por uma série em que a etapa clímax é constituída por um matagal de sabina-das-praias (Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae) funcionando como etapa madura nestes habitats uma vez que colonizam áreas em que as condições específicas de solo e clima não permitem o desenvolvimento de vegetação arbórea (esse facto é notório no efeito que exercem nos indivíduos de Pinus pinaster existentes que apresentam uma forma prostrada). Quando as areias são menos coesas, surge uma comunidade de raiz-divina (Armerio welwitschii-Crucianelletum maritimae), com uma comunidade anual terofítica da Tuberarietea guttatae nas clareiras. Nos troços de linhas de água, que sofrem um longo período de estiagem, surgem tamargais de porte arbustivo da Polygono equisetiformis-Tamaricetum africanae, formações de tamargueira (Tamarix africana e/ou T. gallica) características de solos sub-salinos próprios de águas ricas em bases (Agência Cascais Natura, 2010; Costa et al., 2000).

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ÁREA DE INTERVENÇÃO NA DUNA DA CRESMINA – REGENERADORES E PLANTAÇÃO DE ESPÉCIES HERBÁCEAS

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DESCRIÇÃO DAS ACÇÕES

Gestão de Habitat – Recuperação do cordão dunar e estabelecimento do coberto vegetal 1. Condicionamento de acessos e controlo de pisoteio

Limitação dos acessos ao sistema dunar através da vedação da área de intervenção e colocação de portões que condicionam a circulação de veículos e cavalos que provocam alterações profundas na dinâmica do sistema.

2. Controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras

Erradicação de espécies exóticas consideradas invasoras de acordo com o Decreto-Lei nº 565/99, como é o caso de Acacia spp., Carpobrotus edulis e Cortaderia selloana.

3. Instalação de estruturas biofísicas

Colocação de estruturas biofísicas no início da duna primária, perpendicularmente ao regime predominante dos ventos, com o objectivo de reduzir a velocidade e propiciar a deposição de areias; designadas por regeneradores dunares ou paliçadas, construídas em material vegetal morto (e.g. vime, cana), que apresentam resultados satisfatórios no auxílio do restabelecimento da vegetação dunar (Gallego Fernández et al.2003; Brooks & Agate, 2005; Ley et al., 2007).

4. Plantação de espécies características

Plantação de espécies herbáceas adaptadas às condições biofísicas do local: Elymus farctus subsp. boreo-atlanticus (feno-das-areias) na duna embrionária e Ammophila arenaria subsp. arundinacea (estorno) na duna primária; as espécies graminóides são relevantes no processo de acumulação de areias que, pelo facto de serem vivazes e apresentarem um sistema radicular bem desenvolvido, colonizam rapidamente os ecossistemas dunares. Na duna fixa, em áreas onde se erradicaram espécies exóticas invasoras, plantação de Pinus pinea (pinheiro-manso) e de espécies arbustivas características da vegetação natural potencial (Costa et al., 2000). Apoio à visitação – Recuperação do espaço para um plano integrado de visitação

5. Implantação de percursos interpretativos

Implantação de um circuito pedonal, sob a forma de passadiço sobrelevado em madeira, que permite evitar a destruição da vegetação dunar.

6. Aquisição de mobiliário e sinalética

Colocação de sinalética, bancos e papeleiras ao longo do percurso de forma a apoiar a visitação, bem como painéis interpretativos do sistema dunar Cresmina-Guincho.

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EXECUÇÃO DAS ACÇÕES 1.ESTRUTURAS BIOFÍSICAS

Instalação de regeneradores dunares em cortina na zona mais próxima do mar (duna embrionária) e na duna primária (a seguir à estrada EN 247) (Figura 2), prependicularmemente à direcção predominante dos ventos, onde o coberto vegetal é inexistente, formando faixas paralelas entre si com um afastamento entre linhas de 9 a 12 m.

Figura 2. Fonte: UOPG8 (2008). Zona antes da intervenção.

Os regeneradores dunares são constituídos por varas secas de vime (salgueiro) com 1,80 m de altura em que 0,50 m são enterrados na vala, colocadas na vertical e distribuídas homogeneamente, aproximadamente à razão de 3 kg por metro linear (Figura 3).

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Figura 3. Instalação de regeneradores dunares na praia do Guincho.

Após a conclusão dos trabalhos iniciou-se a monitorização e acompanhamento da retenção de areia promovida pelas estruturas biofísicas.

2.MATERIAL VEGETAL

Erradicação de espécies invasoras

• Chorão (Carpobrotus edulis), arrancado manualmente, incluindo o raizame;

• Erva-das-pampas (Cortaderia selloana), arrancadas manualmente e em solos mais coesos mecanicamente, sempre de forma a remover a totalidade dos rizomas;

• Acácia (Acacia spp.), plantas pequenas arrancadas manualmente e plantas adultas erradicadas através de controlo físico e químico, em que os troncos são cortados pela base junto ao solo e aplicado de imediato o herbicida (glifosato a 50%) por pulverização. O material lenhoso proveniente do corte de acácia foi estilhaçado e espalhado uniformemente no local, em particular em áreas sem vegetação, promovendo a protecção do solo contra a erosão superficial.

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Plantação de espécies herbáceas vivazes

A plantação de plantas herbáceas vivazes ocorreu no período de repouso vegetativo (Janeiro), sendo plantadas num compasso de 1 a 2 m (Figura 5). Na duna embrionária e base da duna primária procedeu-se à plantação de Elymus farctus ssp. boreo-atlanticus e na duna primária Ammophila arenaria ssp. arundinacea, Eryngium maritimum e Lotus creticus. Esta acção pretende auxiliar o processo natural de estabelecimento de outras espécies como Pancratium maritimum, Otanthus maritimus e Artemisia crithmifolia.

Figura 5. Plantação de Ammophila arenaria ssp. arundinacea.

Plantação de espécies arbustivas e arbóreas

Na duna fixa, nas zonas onde se erradicaram espécies invasoras, plantou-se Rhamnus alaternus (sanguinho-das-sebes), Pistacia lentiscus (aroeira) e Phillyrea angustifolia (lentisco). Em solos mais coesos, numa faixa junto à estrada da Areia, procedeu-se à plantação de Pinus pinea (pinheiro-manso) e nas linhas de água de tamargueira (Tamarix africana e T. gallica) (Figura 6).

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O estrato arbustivo de Juniperus turbinata (sabina-da-praia) foi beneficiado em zonas onde se observou dominância de Pinus pinaster (pinheiro-bravo) pelo corte do pinheiro.

MOBILIÁRIO E EQUIPAMENTO 1. Vedação e Portões

Colocação de vedação, em arame galvanizado e postes de madeira tratada, em toda a envolvente da duna da Cresmina, incluindo a parte frontal do cordão dunar da praia do Guincho, e portões de acesso, em madeira tratada, na área vedada (Figura 7).

Figura 7. Condicionamento de acessos e controlo de pisoteio.

2. Passadiços

Percurso interpretativo em passadiços de madeira tratada sobrelevados com largura de 1,5 m. Ao longo do percurso serão colocados diversos equipamentos de apoio ao visitante tais como bancos e papeleiras, painéis informativos e sinalética direccional (Figura 8).

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BIBLIOGRAFIA

Agência Cascais Natura (2010). Cascais Estrutura Ecológica Agência Cascais Natura / EMAC / CMC. 292pp.

Brooks, A. & Agate, E. (2005). Sand dunes, a practical handbook Costa, J.C., Lousã, M., Capelo, J., Espírito

Portuguese Divisory Sector: dunes, cliffs and low Gallego Fernández, J.B., García Mora, M.R. & Vega

costeros. In: Rey Benayas, J.M.; Espigares Pinilla, T. & Nicolau Ibarra, J.M. Mediterráneos. Colección Aula Abierta 20

172.

Ley, C., Gallego-Fernández, J.B. & Vidal, C Ambiente. Santander. 251 pp.

Rebêlo, L.P. (1992). Estudo do Sistema Dunar do Guincho Portugal. Lisboa. 72 pp.

Rebêlo, L.P., Brito, P.O. & Monteiro, J.H. (2002) GPS. Journal of Coastal Research 36: 591

UOPG8 (2008). Projecto de Requalificação e Valorização Ambiental do troço de costa Guincho POOC Sintra-Sado). Parque Natural de Sintra

Promotor:

Parceria:

Financiamento :

Cascais Estrutura Ecológica – Relatório Técnico: Análise e Proposta Agência Cascais Natura / EMAC / CMC. 292pp.

Sand dunes, a practical handbook. BTVC, Conservation Centre. Doncaster.

Capelo, J., Espírito-Santo, M.D., Izco, J., & Arsénio, P. (2000). The coastal vegetation of the Portuguese Divisory Sector: dunes, cliffs and low-scrub communities. Finisterra XXXV (69)

García Mora, M.R. & Vega de Seoane, C.L. (2003). Restauración de ecosistemas dunares Rey Benayas, J.M.; Espigares Pinilla, T. & Nicolau Ibarra, J.M. (eds.) Restauración de Ecosistemas

20. Asociación Española de Ecología Terrestre, Universid

Fernández, J.B. & Vidal, C. (2007). Manual de Restauración de Dunas Costeras

Estudo do Sistema Dunar do Guincho-Cresmina. Relatório de Progresso. Serviços Geológicos de

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Progresso. Serviços Geológicos de

Monitoring the Crismina dune evolution (Portugal) using differential

Requalificação e Valorização Ambiental do troço de costa Guincho-Guia (UOPG 8 do Cascais / Câmara Municipal de Cascais / Cascais Natura.

Referências

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