Relatório sobre a Atividade Profissional
Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física
nos Ensinos Básico e Secundário
Pedro António Pereira Marques
Orientadora: Prof.ª Doutora Maria Dolores Alves Ferreira Monteiro
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Relatório sobre a Atividade Profissional
Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física
nos Ensinos Básico e Secundário
Relatório apresentado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para a obtenção do grau de mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, sob orientação da Prof.ª Doutora Maria Dolores Alves Ferreira Monteiro
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AGRADECIMENTOS
No culminar de mais uma etapa da minha formação profissional e académica é fundamental destacar e agradecer a todos aqueles que direta e indiretamente contribuíram para a sua realização.
À Professora Doutora Maria Dolores Monteiro, pela disponibilidade para orientar este relatório e pela pertinência dos seus conselhos e sugestões.
A todos os professores e alunos com quem trabalhei na EBIS Jean Piaget, por terem contribuído tanto para o meu crescimento e desenvolvimento profissional como pessoal.
Aos meus pais, irmãos e amigos, pela compreensão nas ausências, pelo apoio nos momentos de menor motivação e por terem contribuído para tudo aquilo que sou.
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RESUMO
O presente relatório tem como objetivo efetuar uma análise reflexiva da atividade profissional desenvolvida na Escola Básica Integrada e Secundária Jean Piaget, situada no Concelho de Viseu, no período de 10 anos desde 2005/2006 até 2014/2015.
Assim, num primeiro momento, efetuamos uma descrição global do desempenho docente. Essa descrição está estruturada segundo o disposto no Decreto Regulamentar n.º 26/2012 de 21 de fevereiro, que define as dimensões em que a avaliação docente deve incidir: Científica e pedagógica; Participação na escola e relação com a comunidade; e Formação contínua e desenvolvimento profissional.
Num segundo momento é apresentada a experiência na criação e utilização de recursos na plataforma Moodle para a promoção da aprendizagem dos conhecimentos específicos da Educação Física.
Esta parte é iniciada com um enquadramento teórico não só da área dos Conhecimentos na Educação Física, mas também da utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação, e da plataforma Moodle em particular, no contexto educativo.
Seguidamente são descritos os recursos criados para o desenvolvimento de alguns conhecimentos específicos de matérias inscritas no Programa de Educação Física: Andebol, Basquetebol, Futebol, Voleibol, Ginástica de solo, Ginástica de aparelhos; Ginástica acrobática; Atletismo e Aptidão Física. A maioria dos recursos são testes de cariz formativo que para além de promoverem uma melhoria dos conhecimentos específicos da disciplina pretendem recolher dados que possibilitem regular o processo de ensino e aprendizagem e otimizar a qualidade e o tempo gastos na transmissão presencial de conhecimentos. Por isso mesmo, cada um dos recursos é apresentado descrevendo os seus objetivos específicos e a forma de articulação com as aulas presenciais.
O relatório termina com uma conjunto de conclusões que para além de efetuar um balanço da atividade profissional desenvolvida procura delinear caminhos e estratégias que possibilitem uma melhoria do próprio desempenho docente.
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ABSTRACT
Report of Professional Activity
This report aims to make a reflective analysis of professional activity developed in EBIS Jean Piaget, located in Viseu Municipality, in the 10-year period, from 2005/2006 to 2014/2015.
So at first, we make a global description of the teaching performance. This description is structured according to the requirements of Decree No. 26/2012 of 21 February, which defines the dimensions in which the teacher evaluation shall assess: Scientific and pedagogical; Participation in school and community relations; and continuing training and professional development.
Secondly it presents the experience in creation and use of resources in the Moodle platform to promote the learning of specific knowledge of Physical Education.
This part starts with a theoretical framework not only of the role of knowledge in physical education, but also the use of Information and Comunication Technology, and Moodle platform in particular, in the educational context.
Then are presented resources created for the development of specific knowledge of matters listed in Physical Education Program: Handball, Basketball, Football, Volleyball, Gymnastics; Athletics and Physical Fitness. Most features are tests of formative nature that in addition to promoting an improvement of Physical Education's specific knowledges intend to collect data to enable the regulation of the teaching and learning process and optimize the quality and the time spent imparting knowledge. Therefore, each of the features is presented outlining their specific objectives and how to blend them with the presencial classes.
The report ends with a set of conclusions that besides performing an assessment of the professional activity seeks to outline ways and strategies that enable an improvement in the teaching performance itself.
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ÍNDICE GERAL
Agradecimentos ... iii Resumo ... v Abstract ... vii Índice Geral ... ix Índice de Figuras ... xiLista de Acrónimos ... xiii
Lista de Anexos ... xv
Introdução ... xvii
Parte I - Relatório Sobre a Atividade Profissional ... 1
1. Contexto Escolar ... 3
1.1. Caraterização da Escola Básica Integrada e Secundária Jean Piaget ... 3
1.2. Organização Estrutural da Escola ... 4
1.3. Princípios do Projeto Educativo de Escola ... 6
1.4. Departamento de Educação Física ... 7
1.5. Recursos de Educação Física ... 8
2. Análise da Atividade Profissional Desenvolvida ... 11
2.1. Científica e Pedagógica ... 11
2.1.1. Preparação e organização das atividades letivas ... 11
2.1.2. Realização das atividades letivas ... 14
2.1.3. Relação pedagógica com os alunos ... 16
2.1.4. Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos ... 17
2.2. Participação na Escola e Relação com a Comunidade Educativa ... 19
2.2.1. Cargos e Funções Desempenhadas ... 20
2.2.2. Participação em Atividades ... 22
2.3. Desenvolvimento e Formação Profissional ao Longo da Vida ... 23
Parte II - Utilização do Moodle na Educação Física ... 27
3. Enquadramento Teórico ... 29
3.1. Os Conhecimentos em Educação Física ... 29
3.2. A Utilização das TIC no contexto educativo ... 30
3.2.1. As TIC no processo de ensino e de aprendizagem ... 30
3.2.2. O Ensino Online ... 32
3.2.3. O Moodle ... 33
5. Recursos de Educação Física no Moodle ... 39
5.1. Recursos Andebol ... 39
5.1.1. Desafio 1 ... 39
5.1.2. Desafio 2 ... 41
5.1.3. Ficha de Trabalho de Andebol ... 42
5.2. Recursos Basquetebol ... 42
5.2.1. Desafio 1 ... 42
5.2.2. Desafio 2 ... 43
5.2.3. Ficha de Trabalho de Basquetebol ... 44
5.3. Recursos Futebol ... 45
5.3.1. Desafio de Futsal ... 45
5.3.2. Ficha de Trabalho de Futebol e Futsal ... 46
5.4. Recursos Voleibol ... 46
5.4.1. Desafio 1 ... 46
5.4.2. Desafio 2 ... 47
5.4.3. Ficha de Trabalho de Voleibol ... 48
5.5. Recursos Ginástica ... 49 5.5.1. Desafio Solo ... 49 5.5.2. Desafio Aparelhos... 50 5.5.3. Desafio Acrobática ... 50 5.6. Recursos Atletismo ... 52 5.6.1. Desafio Atletismo ... 52
5.7. Recursos Aptidão Física ... 53
5.7.1. Desafio 1 ... 53
5.7.2. Desafio 2 ... 53
5.8. Glossário de Educação Física ... 54
6. Conclusões e perspetivas de futuro ... 57
7. Referências ... 61 Anexos ... I
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1 - Localização geográfica da EBIS Jean Piaget ... 3
Figura 2 - Vista geral da Disciplina "Educação Física" no Moodle ... 39
Figura 3 - Vista parcial do Desafio 1 de Andebol ... 40
Figura 4 – Vista parcial do Desafio 2 de Andebol ... 41
Figura 5 - Vista parcial do Desafio 1 de Basquetebol ... 43
Figura 6 - Vista geral do Desafio 2 de Basquetebol ... 44
Figura 7 - Vista parcial do Desafio de Futsal ... 45
Figura 8 - Vista parcial do Desafio 1 de Voleibol ... 47
Figura 9 - Vista parcial do Desafio 2 de Voleibol ... 48
Figura 10 - Vista parcial do Desafio de Ginástica de Solo ... 49
Figura 11 - Vista parcial do Desafio de Ginástica de Aparelhos ... 50
Figura 12 - Vista parcial do Desafio de Ginástica Acrobática ... 51
Figura 13 - Vista parcial do Desafio de Atletismo ... 52
Figura 14 - Vista geral do Desafio 1 de Aptidão Física ... 53
Figura 15 - Vista parcial do Desafio 2 de Aptidão Física ... 54
LISTA DE ACRÓNIMOS
DEF – Departamento de Educação Física LMS – Learning Management System
MOODLE – Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment NEE – Necessidades Educativas Especiais
PE – Projeto Educativo
PTE – Plano Tecnológico de Educação
TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação TPC – Trabalho Para Casa
UD – Unidade Didática
W3C – World Wide Web Consortium
LISTA DE ANEXOS
Anexo A – Estrutura Organizacional da EBIS Jean Piaget
Anexo B – Programação das Unidades Didáticas do 3.º Ciclo da EBIS Jean Piaget Anexo C – Mapa de rotação de espaços (Roulement)
Anexo D – Modelo de Plano de aula 2005/2006 Anexo E – Modelo de Plano de aula 2014/2015 Anexo F – Grelha informática de avaliação de alunos
INTRODUÇÃO
O presente documento consiste de um relatório sobre a atividade profissional, tendo sido desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ensino de Educação Física no Ensino Básico e Secundário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Deste modo, procuramos fazer uma descrição e análise crítica do desempenho enquanto professor na Escola Básica Integrada e Secundária Jean Piaget, desde 2005/2006 até 2014/2015.
Na primeira parte do relatório caracterizamos e contextualizamos o estabelecimento de ensino, analisando e descrevendo a prática profissional nas suas várias dimensões: Científica e pedagógica; Participação na escola e relação com a comunidade; Formação contínua e desenvolvimento profissional ao longo da vida.
Na segunda parte analisamos e descrevemos de forma detalhada um aspeto distintivo da prática profissional: a utilização da plataforma Moodle no âmbito da disciplina de Educação Física.
Para o efeito, enquadramos teoricamente quer a importância da área dos Conhecimentos na Educação Física, quer o potencial educativo das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e da plataforma Moodle em particular. Ainda nesta parte apresentamos um conjunto de atividades e recursos que criei na plataforma e que pretendem promover uma melhoria dos conhecimentos dos alunos relativos à Educação Física e, por inerência, dos seus próprios desempenhos.
O relatório termina com um conjunto de conclusões, em jeito de reflexão final, relativo a toda a experiência profissional, procurando não só efetuar um balanço do percurso efetuado mas também, e acima de tudo, lançar pistas e estratégias para o desempenho futuro.
Desta forma este desafio foi encarado como uma oportunidade adicional para rever e analisar criticamente metodologias e procedimentos que tantas vezes se repetem por inércia e de forma inconsciente e que são um obstáculo à melhoria e aperfeiçoamento do desempenho docente em todas as suas dimensões.
1. CONTEXTO ESCOLAR
A atividade docente é, em todas as áreas disciplinares, indissociável do contexto em que decorre. Na disciplina de Educação Física esse contexto é particularmente importante, uma vez que as características da escola, nomeadamente o seu projeto educativo e os recursos espaciais e materiais condicionam e determinam as próprias planificações curriculares.
Após a conclusão da licenciatura em 2005, a atividade profissional foi iniciada na Escola Básica Integrada e Secundária (EBIS) Jean Piaget, estabelecimento onde foram exercidas funções docentes, de forma ininterrupta, desde o ano letivo 2005/2006.
1.1. Caraterização da Escola Básica Integrada e Secundária Jean Piaget
A EBIS Jean Piaget é um estabelecimento de ensino particular e cooperativo, localizado na freguesia do Campo, concelho de Viseu, a cerca de 4 Km a Norte do perímetro urbano da cidade de Viseu (Figura 1).
Figura 1 - Localização geográfica da EBIS Jean Piaget
A EBIS Jean Piaget funciona sob tutela de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, a Nuclisol Jean Piaget, que possui utilidade pública. A escola é parte integrante da rede pública, tendo licença para ministrar o 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico. O
financiamento das turmas desses níveis de ensino é assegurado pelo Ministério da Educação e Ciência ao abrigo de Contrato de Associação.
O corpo docente é constituído por cerca de 30 professores, todos pertencentes ao quadro da escola. O pessoal não docente integra aproximadamente 20 elementos, distribuídos pelas funções e categorias profissionais necessárias ao bom funcionamento da escola.
Em 2014/2015, a escola possui 14 turmas, 5 de segundo ciclo e 11 de terceiro ciclo. Paralelamente existia um curso vocacional de ensino básico na área da agricultura e da transformação alimentar. A oferta educativa da escola integra ainda um conjunto de atividades e clubes que complementam e enriquecem o currículo nacional, dos quais se destacam:
Clube de Música: proporciona aos alunos a aprendizagem de um instrumento musical;
Clube do Ambiente (Eco-link): este clube tem adotado a metodologia apresentada pelo Programa Eco-Escolas, promovendo a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável na escola. O seu trabalho tem possibilitado sistematicamente a obtenção anual do galardão anual Bandeira Verde.
Clube da Saúde: este clube tem como finalidade dinamizar as temáticas da educação para a saúde/sexual previstas pelo Ministério da Educação e Ciência. Clube de Desporto Escolar: o clube de desporto escolar integra vários grupos equipa
que participam nos quadros competitivos distritais, regionais e nacionais. Nos últimos anos a oferta tem-se mantido estável havendo um grupo equipa de Futsal (Infantis Masculinos), um grupo equipa de Ténis de Mesa (Vários Misto); um grupo equipa de Multiatividades (Vários Misto); e um grupo equipa de Xadrez (Vários Misto).
O horário dos diferentes clubes é divulgado aos alunos e encarregados de educação, no início de cada ano letivo, sendo as escolhas efetuadas de acordo com os seus interesses, necessidades e aptidões.
1.2. Organização Estrutural da Escola
A organização pedagógica e administrativa da escola concretiza-se através da Direção, Direção Pedagógica e demais órgãos de âmbito pedagógico, administrativo e de suporte (Anexo A).
A Direção é o órgão superior de administração e de gestão estratégica da escola, responsável pela definição e pela orientação de todas as atividades.
A Direção Pedagógica tem como principais funções: orientar a ação educativa da escola; representar a escola junto do Ministério da Educação em todos os assuntos de natureza pedagógica; planificar e supervisionar as atividades curriculares, complemento curricular e culturais; promover o cumprimento dos planos e programas de estudos velando pela qualidade do ensino e zelando pela educação e disciplina dos alunos.
O Conselho Científico-Pedagógico é constituído pela Direção Pedagógica, representantes dos vários Departamentos de Apoio Pedagógico, Coordenadores de Departamentos e Coordenador dos Diretores de Turma. Reúne ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente sempre que necessário. É convocado e presidido pelo Diretor Pedagógico.
O Conselho de Diretores de Turma é composto por todos os Diretores de Turma e coordenado pelo Coordenador de Diretores de Turma, nomeado pela Direção, de entre os vários elementos pertencentes a este conselho.
O Diretor de Turma é nomeado pela Direção, sendo que enquanto coordenador do Plano de Trabalho de Turma, é o principal responsável pela adoção de medidas tendentes à melhoria das condições de aprendizagem e à promoção de um bom ambiente educativo, competindo-lhe articular a intervenção dos professores da turma e dos pais ou encarregados de educação e colaborar com estes no sentido de prevenir e resolver problemas comportamentais ou de aprendizagem.
O Conselho de Turma engloba todos os professores que lecionam as diferentes disciplinas aos alunos da turma. Estes são responsáveis pelo processo de ensino e de aprendizagem do grupo turma, pelas atividades interdisciplinares, pelo processo de avaliação e pela elaboração, dinamização e avaliação do Plano de Trabalho da Turma.
Os Departamentos Pedagógicos são constituídos pelos elementos dos diferentes grupos disciplinares existentes na escola. Cada Departamento é formado pelo conjunto dos professores que lecionam as respetivas áreas disciplinares:
Departamento de Ciências Exatas (Ciências Naturais, Ciências Físico-Químicas, Matemática e Tecnologias de Informação e Comunicação);
Departamento de Línguas Portuguesa e Estrangeiras (Português, Inglês e Francês); Departamento de Ciências Sociais e Humanas (História, História e Geografia de
Portugal, Geografia e Educação Moral Religiosa e Católica);
Departamento de Artes (Educação Visual, Educação Tecnológica, Educação Musical, Expressão Plástica e Expressão Artística);
Departamento de Educação Física (Educação Física);
Departamento de Educação Especial (Necessidades Educativas Especiais).
O Departamento de Apoio Pedagógico engloba os vários setores, cuja função é auxiliar os discentes em todas as suas necessidades, melhorando a qualidade do ensino.
O Departamento de Suporte, constituído pelo pessoal técnico e pessoal de ação educativa, subdivide-se em vários serviços cuja principal função é auxiliar a comunidade escolar.
A Associação de Pais colabora com a comunidade educativa no alcance dos objetivos e metas da escola e da própria associação, assegurando uma adequada e estreita relação entre a escola e a família.
1.3. Princípios do Projeto Educativo de Escola
No seu Projeto Educativo (PE) a EBIS Jean Piaget define como missão “proporcionar a todos as mesmas oportunidades para crescerem únicos e diferentes”.
Para o efeito, a escola compromete-se com os seguintes princípios:
1 – Princípio da cidadania atuante e de participação democrática onde cada elemento tem voz para o desenvolvimento de valores de liberdade, solidariedade, justiça e respeito pela diferença, assentando no confronto esclarecido entre os direitos e deveres de todos e de cada um;
2 – Princípio de reciprocidade entre o homem e o meio ambiente, no qual está inserido, sensibilizando a comunidade educativa para a realidade ecológica, proteção e preservação do meio envolvente;
3 – Princípio da educação para a saúde, promovendo o crescimento harmonioso do jovem, através de hábitos de vida saudável;
4 – Princípio da especificidade da escola como espaço cultural, permitindo o desenvolvimento artístico e criativo, na defesa do património natural e construído;
5 – Princípio da valorização da Língua Portuguesa como meio privilegiado de expressão de uma identidade cultural;
6 – Princípio da promoção de diferenciação pedagógica, visando a cooperação entre os intervenientes educativos para a equidade e para a aprendizagem ao longo da escolaridade;
7 – Envolver todos os intervenientes da comunidade educativa na melhoria da eficácia e eficiência do social e nos laços familiares que unem os diferentes atores do nosso espaço;
8 – Princípio da promoção da solidariedade, através do espirito de partilha e entreajuda;
9 – Princípio da promoção do espírito criativo e de iniciativa, através da criação de projetos inovadores e diferenciados.
1.4. Departamento de Educação Física
O Departamento de Educação Física (DEF) é composto por três elementos, sendo que atualmente todos possuem habilitação profissional no grupo de recrutamento 620, e dois possuem também habilitação no grupo 260, referente ao segundo ciclo.
O DEF reúne mensalmente de forma ordinária, sendo importante destacar as seguintes funções:
- Realização das planificações do 5.º ao 9.º ano de escolaridade, com seleção e distribuição das matérias pelos vários períodos letivos (Anexo B);
- Definição dos critérios e tipos de instrumentos de avaliação quer para o Domínio dos Conhecimentos e Capacidades quer para o Domínio das Atitudes e Valores;
- Planificação de atividades, nomeadamente no âmbito do Desporto Escolar, que integram o Plano Anual de Atividades da escola;
- Construção do Mapa de Rotação de Espaços (Roulement), a partir do qual cada professor realiza o Plano Anual de cada uma das suas turmas. O Roulement instituído na escola consiste de uma rotação semanal das turmas que têm Educação Física simultaneamente, tendo por base os horários de cada um dos professores e o número da semana de um determinado mês (Anexo C).
A estabilidade do corpo docente do departamento contribuiu para a criação de laços pessoais e profissionais que estão na base de um ambiente profissional agradável e bastante profícuo no cumprimento das suas funções. Ainda assim, é de notar que cada professor planifica as unidades didáticas individualmente e utiliza os seus próprios instrumentos de avaliação, não havendo grelhas de avaliação diagnóstica, formativa ou sumativa construídas em departamento ou pelo menos partilhadas entre professores.
1.5. Recursos de Educação Física
Os recursos espaciais dedicados à Educação Física integram:
um ginásio com 20x10 metros (integra uma parede de escalada); um campo exterior cimentado com 36x16 metros
um campo de areia com 22x12 metros;
um campo de voleibol de praia com 14x12 metros; uma caixa de areia;
um circuito de corta-mato com cerca de 150 metros uma sala de ténis de mesa.
Ao nível dos recursos espaciais os principais constrangimentos estão associados à falta de espaços cobertos e à sua reduzida dimensão e polivalência.
Com efeito, o ginásio pelas suas dimensões, não permite a utilização de duas turmas de forma simultânea. Este facto, leva a que, em momentos de chuva, apenas uma das turmas possa ter Educação Física de acordo com o Plano Anual, ficando uma e por vezes duas turmas obrigadas a alterar e adaptar as suas planificações. A alternativa mais comum é a lecionação na sala de ténis de mesa que possui apenas 3 mesas e alguns colchões vocacionados para a realização de abdominais. As limitações espaciais e materiais da sala de ténis de mesa acabam por impedir a sua utilização com grande frequência, especialmente em turmas com elevado número de alunos. Outras soluções habituais são a deslocação para a sala da turma, para a sala de informática e biblioteca, sendo que estes dois últimos espaços nem sempre se encontram disponíveis em função do mapa de aulas de TIC e da requisição da biblioteca por professores de outras áreas disciplinares.
Por outro lado, a maioria dos espaços apresentam pouca polivalência: a lecionação de futebol e andebol é feita quase exclusivamente no campo exterior, uma vez que o ginásio não tem balizas; a lecionação das Unidades Didáticas (UD) de ginástica de solo, aparelhos e acrobática apenas é possível no ginásio; o campo de areia é utilizado fundamentalmente para jogos pré-desportivos e râguebi, uma vez que não tem balizas nem postes/rede de voleibol; e o campo exterior tem 4 tabelas de basquetebol, mas a sua colocação (2 em cima de balizas e 2 lado a lado) torna pouco funcional a sua utilização.
Ao nível dos recursos materiais, os recursos existentes não sendo um impedimento ao cumprimento dos programas, estão longe do ideal. As principais limitações prendem- -se com o material gímnico, havendo apenas 14 colchões de solo, 1 colchão de queda, 1 mini-trampolim, 1 reuther e 1 plinto.
Existem ainda situações onde a quantidade de material existente cria alguns constrangimentos ao cumprimento dos planos de aula, em particular quando dois professores planificam a mesma matéria, para espaços distintos. Não sendo uma situação muito frequente, dada a pouca polivalência dos espaços de Educação Física da escola, acontece em particular na UD de Voleibol, obrigando os professores a utilizar menos bolas do que pretendiam e a, em consequência, alterar e adaptar os exercícios planificados.
2. ANÁLISE DA ATIVIDADE PROFISSIONAL DESENVOLVIDA
Tendo concluído a licenciatura em 2004/2005, a análise da atividade profissional desenvolvida diz respeito ao período de 10 anos, desde 2005/2006 até 2014/2015. Ao longo desse período o trabalho letivo incidiu predominantemente em turmas do terceiro ciclo, tendo também lecionado em turmas do segundo ciclo no período de 2005/2006 a 2007/2008, e num Curso de Educação e Formação em 2005/2006 e 2006/2007.
O presente relatório foi realizado de acordo com o disposto no Decreto Regulamentar n.º 26/2012 de 21 de fevereiro, que define as diferentes dimensões em que a avaliação docente deve incidir:
Científica e pedagógica;
Participação na escola e relação com a comunidade; Formação contínua e desenvolvimento profissional.
2.1. Científica e Pedagógica
A dimensão Científica e Pedagógica assume um carácter estruturante na profissão docente, integrando não só as funções de planificação, implementação e avaliação, como a própria relação pedagógica estabelecida entre o professor e os seus alunos.
2.1.1. Preparação e organização das atividades letivas
O trabalho de preparação e organização das atividades letivas desempenha um papel determinante da própria qualidade do processo de ensino e de aprendizagem.
Tal como referido anteriormente, a seleção e distribuição das matérias pelos vários anos de escolaridade e períodos letivos (Anexo B) é efetuada em Departamento de Educação Física. Esse processo é efetuado tendo por base os critérios definidos no Programa de Educação Física (Jacinto, Comédias, Mira, Carvalho, 2001), os objetivos do Projeto Educativo de Escola e a análise das principais dificuldades e mais-valias da sua implementação no ano letivo anterior.
O Plano Anual de cada turma, que estipula as aulas dedicadas a cada unidade didática ao longo de todo o ano letivo, é efetuado tendo por base essa seleção e distribuição das matérias, mas também o mapa de rotação de espaços.
Este Plano Anual baseia-se num modelo por blocos, pelo que a lecionação da maioria das Unidades Didáticas é dada de forma intensiva e está circunscrita a um período letivo. Essa opção surgiu de forma natural tendo em conta o número reduzido de espaços cobertos, a pouca polivalência dos espaços dedicados à Educação Física, as limitações dos recursos materiais existentes, e a prática pedagógica já vigente no DEF.
Uma das principais dificuldades com a realização do Plano Anual prende-se com o próprio Roulement (Anexo C). Assim, enquanto algumas turmas realizam Educação Física “sozinhas”, tendo todos os espaços e materiais à sua disposição, outras realizam aula em simultâneo com mais uma ou duas turmas. Este facto, para além de obrigar a uma grande diferenciação das planificações, torna a sua implementação extremamente imprevisível, obrigando a efetuar readaptações nas mesmas sempre que chove.
Embora o problema ao nível dos recursos espaciais se mantenha, o seu impacto tem sido parcialmente amenizado pela diminuição do número de situações onde três turmas têm aulas de Educação Física em simultâneo. Esta melhoria é consequência de uma maior preocupação na construção dos horários e do próprio facto de a escola ter menos turmas que em anos letivos anteriores. Com efeito, a escola tinha 20 turmas do segundo e terceiro ciclo em 2012/2013, tendo apenas 16 turmas em 2014/2015.
Outra dificuldade na construção do Plano Anual prende-se com o facto de a construção dos horários ser sistematicamente concluída a quando do início das aulas, havendo frequentemente alterações aos mesmos nas primeiras semanas de aulas. Isto leva a um atraso na construção do Roulement, instrumento sem o qual não é possível iniciar a planificação das atividades letivas da turma. Deste modo, as primeiras aulas do ano letivo são habitualmente destinadas à avaliação da Aptidão Física, como forma de ganhar tempo para realização das planificações.
As primeiras aulas de cada UD têm como principal função efetuar uma avaliação diagnóstica dos conhecimentos e capacidades do grupo turma, e dos diferentes alunos que o compõem, numa determinada matéria. Com base nessa avaliação, cada unidade didática é planificada de forma a ajustar os seus objetivos e conteúdos às dificuldades e potencialidades dos alunos. Sempre que necessário e pertinente, são efetuadas alterações ao Plano Anual de forma a reforçar o número de aulas de uma determinada matéria.
É com base nos objetivos da UD, e no número de aulas disponíveis para a sua lecionação, que posteriormente são planificadas cada uma das aulas. A elaboração dos planos de aula é feita sequencialmente tendo igualmente em consideração o cumprimento e eficácia da aula anterior.
Ao longo dos dez anos a que este relatório diz respeito, o modelo de Plano de Aula foi sendo simplificado progressivamente, de forma a diminuir o tempo despendido com aspetos formais, e sem grande relevância na qualidade do processo de ensino e de aprendizagem. Assim, em 2005/2006 era utilizado um modelo em tudo semelhante ao criado no âmbito do estágio pedagógico realizado no ano letivo anterior (Anexo D). Era um modelo extremamente detalhado, que partia do princípio de que o plano de aula deveria ser tão pormenorizado quanto possível, de forma a poder ser utilizado, pelo menos em tese, por qualquer professor. Essa pormenorização era evidente quer em aspetos estéticos relacionados com a esquematização da organização dos exercícios, quer na descrição das principais componentes críticas dos diferentes elementos técnicos abordados.
Atualmente é utilizado um plano de aula simplificado (Anexo E) onde os principais elementos são: lista de exercícios e tarefas a desenvolver; objetivos específicos; recursos materiais necessários; e grupos de tarefa. No final de cada aula, é efetuado um conjunto de registos que têm como objetivo confirmar a realização dos exercícios planificados, efetuar uma análise do sucesso e adequação das atividades propostas e dos grupos de tarefa definidos. Esses elementos, tal como referimos anteriormente, são tidos em consideração aquando da planificação da aula seguinte.
No que diz respeito à estrutura do plano de aula, o modelo atualmente utilizado não segmenta, de modo formal, os momentos inicial, fundamental e final da aula. Ainda assim, a planificação contempla, dentro do possível, um exercício de aquecimento que sendo específico da matéria abordada, tenha uma forte componente lúdica. Do mesmo modo, procura-se que o final da aula tenha um momento de retorno à calma que permita não só uma redução dos indicadores fisiológicos mas também a realização de um balanço da aula realizada.
De uma forma geral, procura-se planear poucos exercícios privilegiando a utilização de variantes e o condicionamento de regras e de objetivos dentro da mesma estrutura. Dessa forma não só se reduz o tempo despendido na instrução e na transição entre exercícios, como se consegue aumentar os tempos de empenhamento motor e de aprendizagem.
Ao nível dos Jogos Desportivos Coletivos, procura-se privilegiar a utilização de jogos reduzidos, pelas inequívocas vantagens quer ao nível da maximização dos tempos de empenhamento motor e de aprendizagem, quer ao nível da satisfação que geram na generalidade dos alunos. Em exercícios critério ou de carácter mais analítico procura-se que o número de alunos por bola seja o mais reduzido possível, aumentando o envolvimento dos alunos e reduzindo eventuais tempos de espera.
Relativamente à Ginástica de Solo, nos primeiros anos de atividade profissional era privilegiada a lecionação num modelo com rotação de grupos de alunos por diversas estações. Esta opção, em muito influenciada pela formação inicial, foi progressivamente abandonada por dois motivos: a falta de material gímnico para construir adequadamente as diferentes estações; e a falta de maturidade e autonomia da maioria dos alunos nos 2.º e 3.º ciclos.
A abordagem à Ginástica de Aparelhos cinge-se aos saltos no Minitrampolim (extensão/vela, engrupado, carpa, pirueta, etc.). Tendo em conta que apenas existe um minitrampolim e um colchão de queda na escola, geralmente é planificado um circuito de condição física que os alunos realizam no espaço de tempo entre saltos. Esta é aliás uma estratégia utilizada na abordagem a diversas matérias (Ténis de mesa, saltos e lançamentos do Atletismo, Escalada, etc.) como forma de minimizar os tempos de espera para a realização das atividades.
2.1.2. Realização das atividades letivas
A planificação das atividades letivas, sendo uma parte fundamental do trabalho docente, não é uma garantia, por si só, da qualidade do processo de ensino e de aprendizagem.
Com efeito, é necessário adotar um conjunto de metodologias e estratégias que permitam assegurar o cumprimento dos vários níveis de objetivos, desde o pequeno exercício englobado num determinado plano de aula, aos objetivos e finalidades mais genéricos da Educação Física, enquanto elemento único e indispensável do currículo nacional.
Um primeiro aspeto que é prioritário, tanto ao nível da planificação como na própria condução das aulas é o da maximização do tempo de empenhamento motor. Nesse sentido foram adotados os seguintes procedimentos:
Ser pontual, uma vez que os alunos tendem a espelhar o cumprimento dos horários do próprio professor;
Definir e preparar antecipadamente, o material necessário para a realização de cada aula;
Transmitir os conteúdos e explicar os exercícios de forma breve, mas compreensível; Introduzir exercícios com estruturas simples, complexificando-os progressivamente
Utilizar estruturas de organização comuns a várias matérias, reduzindo o tempo necessário para a sua implementação em novos contextos;
Definir os grupos de tarefa antecipadamente, evitando dessa forma perdas de tempo na formação dos grupos e equipas.
Outro aspeto igualmente fundamental na condução das aulas é a otimização do tempo e da qualidade das aprendizagens. Embora esteja de alguma forma relacionada com o tempo de empenhamento motor, a otimização das aprendizagens assume um carácter mais complexo e subjetivo.
De uma forma geral são adotadas as seguintes estratégias:
Transmitir as componentes críticas fundamentais para a melhoria dos conhecimentos e capacidades dos alunos, adotando linguagem que lhes seja acessível e compreensível;
Analisar a prestação dos alunos, dando-lhes feedback específico e verificando a eficácia do próprio feedback na melhoria do seu desempenho (completar ciclo de feedback);
Realizar diferenciação pedagógica, adequando, quer no momento da planificação quer no decorrer da própria aula, as progressões pedagógicas, os objetivos e as variantes dos exercícios aos conhecimentos e capacidades de um determinado aluno, ou grupo de nível.
Realizar uma gestão rigorosa do tempo de aula, garantindo dessa a forma o cumprimento das planificações.
Efetuar alterações à planificação, no decorrer da própria aula, sempre que se verifica que as atividades e exercícios propostos não estão adequados ou não estão a atingir os seus objetivos específicos.
Uma última preocupação que é tida em consideração na condução das aulas é o assegurar de que as aulas contribuem para o desenvolvimento de sentimentos positivos face à Educação física, contribuindo desse modo a adoção, por parte dos alunos, de estilos de vida saudável, com hábitos de prática de atividade física e desportiva.
Este é um aspeto fundamental, uma vez que encerra em si mesmo a consecução de um dos princípios do PE, o princípio da educação para a saúde, e uma das finalidades do Programa de Educação Física, “promover o gosto pela prática regular das atividades físicas e assegurar a compreensão da sua importância como fator de saúde e componente da cultura, na dimensão individual e social” (Jacinto et al., 2001, p. 6).
Valorizar o empenho e esforço dos alunos na melhoria do seu desempenho, motivando-os através de feedback com uma forte componente de reforço positivo; Definir e negociar objetivos adequados ao nível de desempenho dos alunos;
Na organização dos grupos de tarefa alternar a constituição de grupos com níveis de desempenho homogéneos, em que as tarefas são diferenciadas, com grupos heterogéneos onde os pares com nível de desempenho mais elevado ajudam os seus pares com nível de desempenho mais baixo na superação das suas dificuldades;
Na organização dos grupos de tarefa, ter em conta não só o nível de desempenho, mas também aspetos sociais e emocionais, evitando o desenvolvimento de sentimentos de frustração e exclusão;
2.1.3. Relação pedagógica com os alunos
A qualidade do processo de ensino e de aprendizagem depende em grande medida da relação pedagógica estabelecida entre professor e alunos. Deste modo, procurou-se estabelecer um clima de aula que fosse um elemento promotor e facilitador da consecução dos objetivos da Educação Física.
De forma a evitar comportamentos desviantes e fora da tarefa, sempre que se inicia o contacto com novos alunos procurou-se expor de forma clara e precisa as normas de funcionamento da aula e as consequências na avaliação e a nível disciplinar do seu não cumprimento. Depois é fundamental assegurar a coerência entre as regras estabelecidas e as práticas educativas, uma vez que os alunos são extremamente perspicazes e uma ação inconsequente e inconsistente promove a desacreditação do professor e um aumento dos comportamentos indesejados. Este foi um dos aspetos onde se registou uma maior evolução relativamente aos primeiros anos de atividade profissional, em grande parte pela progressiva familiarização com os procedimentos disciplinares da escola e pela natural aprendizagem com os erros cometidos.
Neste âmbito, o conhecimento do professor relativamente aos procedimentos inerentes ao Regulamento Interno da escola é de extrema importância, pelo que procurou-se estar, tão a par quanto possível, das diversas alterações de que o mesmo foi alvo ao longo dos anos, fruto em parte de alterações na própria legislação.
Por outro lado, procedeu-se à negociação de objetivos de desempenho com os alunos, mantendo-os comprometidos e motivados para a construção e desenvolvimento dos seus conhecimentos e capacidades. Neste âmbito, procurou-se ainda assegurar que os alunos se
sentissem confortáveis para esclarecerem as suas dúvidas e satisfazerem as suas curiosidades seja em ambiente de grupo turma, seja individualmente.
2.1.4. Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos
A avaliação, tal como refere o Despacho Normativo n.º 1/2005, constitui um instrumento regulador das aprendizagens, orientador do percurso escolar e certificador das diferentes aquisições realizadas pelos alunos ao longo do ensino básico.
Assim, segundo o mesmo Despacho, e no âmbito do processo de ensino e de aprendizagem, podem ser implementados três tipos de avaliação: diagnóstica, formativa e sumativa.
A avaliação de carácter diagnóstico, realizada antes do início da unidade de ensino, assume um papel fundamental na verificação dos níveis iniciais de conhecimentos e de capacidades dos alunos e na planificação das próprias atividades letivas. Esta avaliação é realizada no início de cada unidade didática, tendo em conta que as mesmas são lecionadas em blocos intensivos, quase sempre circunscritos a um único período letivo.
A sua operacionalização é efetuada através da utilização combinada de um conjunto de exercícios critério e de grelhas de avaliação diagnóstica criadas especificamente para cada uma das matérias. De uma forma geral, procura-se recolher informações que permitam não só redefinir os objetivos e a extensão da unidade didática, mas também verificar a existência de alunos com níveis de desempenho discrepantes, como ponto de partida para a diferenciação pedagógica e a constituição de grupos de tarefa.
A avaliação de carácter formativo, realizada de forma sistemática em todas as aulas, apesar de assumir um carácter mais informal relativamente aos outros tipos de avaliação, desempenha um papel preponderante na regulação de todo o processo de ensino e de aprendizagem.
Nesse sentido, no final de cada aula, é efetuada uma análise do desempenho global do grupo turma e de cada um dos seus alunos. O registo do desempenho global é efetuado diretamente no modelo de Plano de Aula, enquanto o registo dos desempenhos individuais é realizado numa grelha de registos de avaliação formativa, onde para além de aspetos relacionados com o domínio dos Conhecimentos e Capacidades, são registados elementos relacionados com o domínio das Atitudes e Valores.
De forma complementar ao trabalho efetuado presencialmente, foi construído, de forma progressiva, um conjunto de desafios e fichas de trabalho na plataforma Moodle da escola, que pretendem desenvolver e avaliar os conhecimentos dos alunos relativamente a
algumas das principais matérias do programa. A análise dos resultados dos alunos, facilitada pelas estatísticas da própria plataforma, permite identificar as principais dificuldades e lacunas dos alunos nesta área da disciplina. De referir que o processo de criação, implementação e utilização das atividades e recursos no Moodle no contexto da Educação Física são alvo de uma análise mais aprofundada na segunda parte deste relatório.
No que diz respeito à avaliação formativa, é com base nestes diferentes níveis de análise que são adequadas e readaptadas as propostas pedagógicas, tendo em conta não só as dificuldades e potencialidades evidenciadas pelos alunos mas também aspetos motivacionais e atitudinais.
A avaliação de carácter sumativo, realizada no final da unidade de ensino, tem como objetivo fundamental aferir e certificar os níveis de conhecimentos e capacidades adquiridos e/ou modificados pelos alunos e o grau de cumprimento dos objetivos delineados.
Contrariamente aos outros tipos de avaliação, a avaliação sumativa é realizada no contexto dos critérios e instrumentos de avaliação definidos quer ao nível do Departamento de Educação Física, quer ao nível do Conselho Pedagógico.
Assim, e de forma comum a toda a escola, a avaliação sumativa incide em dois domínios fundamentais: Atitudes e Valores, com uma ponderação de 15%; e Conhecimentos e Capacidades com uma ponderação de 85%.
As Atitudes e Valores são avaliadas tendo em conta os seguintes parâmetros, comuns a todas as áreas disciplinares: participação, comportamento, empenhamento e responsabilidade.
Ao nível dos Conhecimentos e Capacidades, os critérios de avaliação são específicos da Educação Física, estando a avaliação estruturada nas áreas previstas pelo Programa de Educação Física: Conhecimentos, Aptidão Física e Atividades Físicas.
A área dos Conhecimentos tem um peso relativo de 20%, sendo avaliada através de ficha de avaliação ou de trabalho escrito. A opção no período a que este relatório diz respeito tem recaído sistematicamente na realização de uma ficha de avaliação em cada período letivo. Esta decisão justifica-se pela maior objetividade dos critérios de classificação, e por facilitar, através da elaboração de uma matriz, o direcionamento do estudo dos alunos para os conteúdos mais importantes e pertinentes. De notar que a elaboração de matriz é de carácter obrigatório na escola, fazendo parte das funções docentes descritas no Regulamento Interno da escola.
A área da Aptidão Física tem uma ponderação de 10%, sendo avaliada através da aplicação de testes que integram a bateria do Fitnessgram. A avaliação da Aptidão Física é efetuada no início do primeiro período e no final do primeiro, segundo e terceiro períodos, e tem como referência de sucesso, tal como prevê o Programa de Educação Física a Zona Saudável de Aptidão Física.
A área das Atividades Físicas tem um peso relativo de 70% e baseia-se na média aritmética dos resultados da avaliação das Unidades Didáticas lecionadas num determinado período letivo.
A classificação atribuída aos alunos no final de cada período é efetuada com base no preenchimento de uma grelha informática de avaliação sumativa comum a todos os departamentos (Anexo F) e que efetua automaticamente quer a ponderação entre os parâmetros dos vários domínios, quer entre os vários períodos letivos no caso das grelhas do segundo e terceiro períodos. Os parâmetros da grelha são preenchidos numa escala de 1 a 100, sendo a classificação final uma percentagem que é automaticamente convertida na escala de 1 a 5.
De referir que as grelhas de avaliação sumativa atualmente em vigor contemplam uma ponderação predefinida entre as grelhas dos vários períodos. Apesar de contribuir para uma uniformização dos procedimentos de avaliação entre os docentes dos vários grupos disciplinares é um fator que condiciona um pouco as planificações na medida em que como o peso de cada período está predefinido é fundamental assegurar uma distribuição equitativa das unidades didáticas por cada um dos períodos.
Os alunos que apresentem atestado médico que comprove a impossibilidade de realizarem aulas de Educação Física, são avaliados apenas na componente de Conhecimentos, realizando para além da ficha de avaliação de conhecimentos, um trabalho escrito sobre uma das matérias lecionadas no período letivo.
2.2. Participação na Escola e Relação com a Comunidade Educativa
O serviço letivo e não letivo sucessivamente atribuído ao longo dos anos, foi sempre realizado, de forma empenhada e responsável, tendo em vista a consecução dos objetivos e metas da escola.
Assim, procurou-se estar sempre disponível e responder positivamente a todas as tarefas e solicitações, formais e informais, que me foram feitas pelos vários elementos da comunidade educativa, desde a Direção Pedagógica aos próprios alunos.
2.2.1. Cargos e Funções Desempenhadas
A maioria dos cargos e funções desempenhadas ao longo da atividade profissional estiveram relacionados com o Desporto Escolar.
Assim, entre 2005/2006 e 2007/2008 foi assumida a coordenação do Grupo Equipa de Voleibol (Iniciados Masculinos) que participou nos quadros competitivos da então Equipa de Apoio às Escolas de Viseu/Mangualde.
Em 2008/2009 tendo em conta os recursos espaciais e materiais existentes na escola, e o próprio interesse manifestado pelos alunos o Grupo Equipa de Voleibol foi extinto tendo passado a ser responsável pelo Grupo Equipa de Ténis de Mesa (Vários Misto). O Grupo Equipa, que ainda se mantem ativo, teve resultados positivos tanto ao nível da adesão da população escolar, em particular da feminina, como nos próprios resultados desportivos.
Com efeito, os resultados alcançados pelos alunos do Grupo Equipa nos quadros competitivos locais permitiram participar com regularidade em Campeonatos Regionais da modalidade. A esse nível destacam-se os anos letivos 2010/2011 e 2011/2012, onde alunas do Grupo Equipa conquistaram o primeiro lugar nos Campeonatos Regionais de Ténis de Mesa, quer na competição individual quer na competição por equipas de Iniciados Femininos. Em 2011/2012, uma aluna da escola participou ainda nos Campeonatos Nacionais de Desporto Escolar de Ténis de Mesa, no escalão de Juvenis Femininos.
Em 2014/2015, foram assumidas pela primeira vez as funções de Diretor de Turma, ainda que estivesse familiarizado com o cargo pelo facto de nos anos letivos anteriores ter sido sempre adjunto/assessor de outros Diretores de Turma.
O desempenho do cargo é de grande complexidade quer pelo volume de trabalho associado, quer pelo facto de exigir competências sociais na gestão da relação com professores do Conselho de Turma, alunos e Encarregados de Educação.
Ao nível do volume de trabalho destaca-se a necessidade de gerir e organizar em tempo útil a burocracia associada à construção do Plano de Trabalho de Turma, à marcação e justificação de faltas, ao processo de avaliação dos alunos, etc. De notar que a escola funciona com um conjunto de mais de 100 modelos pedagógicos e administrativos internos,
de utilização obrigatória para a maioria dos procedimentos, e cujo preenchimento e arquivamento é maioritariamente da responsabilidade de cada Diretor de Turma.
Ao nível das competências sociais destaca-se o contacto com os Encarregados de Educação. É uma tarefa de extrema complexidade pela necessidade de envolver e comprometer os Encarregados de Educação com o percurso educativo dos seus educandos, pela dificuldade em gerir as suas expetativas de sucesso e as suas frustrações face ao comportamento dos mesmos dentro e fora da escola.
No caso particular, o facto de ter assumido a direção de turma de alunos dos quais não tinha sido professor anteriormente implicou um amplo estudo dos seus processos individuais e a recolha de informações junto de outros professores, em particular dos anteriores Diretores de Turma.
Um outro aspeto que é fundamental na função de Diretor de Turma é o trabalho de organização e comunicação, quer na preparação e gestão das reuniões de Conselho de Turma, quer no estabelecimento de procedimentos comuns entre os vários professores que são essenciais para a criação de um ambiente de turma que propicie o sucesso educativo.
No passado ano letivo, foi ainda assumido pela primeira vez o cargo de Coordenador do Departamento de Educação Física, sendo por inerência o representante do mesmo no Conselho Cientifico-Pedagógico. A Coordenação do Departamento é facilitada pelo facto de existirem apenas três professores de Educação Física na escola e de haver grande conhecimento interpessoal.
Ainda que existissem algumas áreas onde deveria haver maior articulação entre professores, nomeadamente no que diz respeito à criação de instrumentos e critérios de avaliação comuns na avaliação diagnóstica e sumativa das várias matérias, o conhecimento da sensibilidade dos colegas da disciplina levou a que procurasse acima de tudo dar continuidade ao trabalho efetuado nos anos letivos anteriores.
A participação no Conselho Cientifico-Pedagógico, enquanto representante do Departamento de Educação Física, foi uma experiência extremamente gratificante por possibilitar a participação no processo de decisão da maioria dos assuntos relacionados com o funcionamento da escola e a consecução dos objetivos do seu projeto educativo.
Associado maioritariamente à componente não letiva, foram ainda desempenhadas um conjunto diversificado de funções: participação no Grupo de Educação para a Saúde; participação no Eco-Link (Clube do Ambiente); criação de um Dossiê Temático de Educação Física; Apoio individualizado a alunos integrados na Educação Especial; vigilância de exames nacionais e de equivalência à frequência; orientação de estagiários de Motricidade
Humana do Instituto Piaget de Viseu: e substituição de professores ausentes (aulas de substituição).
Dessas funções destacamos em primeiro lugar o apoio, em diversos anos letivos, a alunos da Educação Especial com a medida Currículo Específico Individual do Decreto-lei 3/2008. Uma parte destes alunos apresenta grandes limitações tanto a nível cognitivo como físico, que condicionam o seu perfil de funcionalidade em diversas áreas. É uma tarefa extremamente árdua que exige, desde logo, grande capacidade de individualização e diferenciação pedagógica dada a heterogeneidade dos alunos envolvidos e os diferentes potenciais de aprendizagem. Por outro lado, exige do professor competências sociais e emocionais para gerir os conflitos e frustrações associadas às próprias dificuldades evidenciadas pelos alunos e ao seu ritmo de aprendizagem.
Outra função que gostaríamos de destacar foi a orientação de estagiários do curso de Motricidade Humana do Instituto Piaget de Viseu nos anos letivos 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008. Com efeito, o processo de acompanhamento e monitorização dos alunos envolvidos, apesar de complexo, foi gratificante por sentir que estava a contribuir para a melhoria das suas capacidades e competências nas várias áreas da docência. Por outro lado, a análise do desempenho de outros professores, ainda que estagiários, promoveu o reconhecimento e consciencialização de erros que eram cometidos e que a partir daí se procurou superar ou pelo menos minimizar.
2.2.2. Participação em Atividades
Ao longo do período a que se refere este relatório, realizaram-se naturalmente inúmeras atividades na escola, tendo mostrado sempre disponibilidade quer para participar quer para colaborar na organização das mesmas.
A maioria das atividades em que foram assumidas funções de organização estão relacionadas com o Desporto Escolar, nomeadamente: Corta-mato (fase de escola); Mega Sprinter (fase de escola); Torneio de Basquetebol 3x3; Torneio Interturmas de Futsal; Torneio de Voleibol (4x4) e Torneio de Ténis de Mesa.
Nos anos letivos de 2005/2006 e 2006/2007, foi dado um contributo decisivo na idealização e realização do evento “EBIS em Movimento” e “EBIS em Movimento II”, que era uma espécie de festa da Educação Física que integrava demonstrações gímnicas, jogos de voleibol e de futsal entre professores e alunos do sexo masculino e feminino, torneios de ténis de mesa e de matraquilhos. O evento não teve continuidade em grande parte pela
saída da escola de dois dos professores de Educação Física que mais colaboravam na iniciativa.
Dentro das diversas atividades realizadas fora do âmbito da Educação Física e do Desporto Escolar, destacamos as seguintes:
I Feira Medieval (2005/2006)
Eco-Acampamento na Serra da Freita (2005/2006) Eco-Acampamento no Furadouro, Ovar (2006/2007)
Eco-Acampamento no Bioparque, S. Pedro do Sul (2007/2008) Eco-Acampamento em Leomil, Moimenta da Beira (2008/2009) II Feira Medieval (2013/2014)
Viagem de Estudo a Paris (2013/2014) III Feira Medieval (2014/2015)
Em todas estas atividades o fundamental foi o ser “parte da solução”, quer ao nível logístico, quer ao nível da gestão de expetativas e conflitos.
2.3. Desenvolvimento e Formação Profissional ao Longo da Vida
Um aspeto fundamental para a otimização do desempenho docente é a formação. Os diferentes percursos académicos, profissionais e pessoais levam a que cada professor tenha áreas e domínios onde se sinta mais confiante e mais competente e outras onde se sinta menos confortável e onde possa ter inclusivamente algumas dificuldades.
Nesse sentido, é fundamental que cada um procure formação que lhe permita desenvolver e aperfeiçoar áreas fortes mas também, e sobretudo, eliminar progressivamente as áreas e domínios onde revela maiores dificuldades. Com efeito, a formação realizada no período de dez anos a que este relatório diz respeito, teve como principal intuito o aprofundamento e diversificação de conhecimentos e competências.
Com efeito, uma vez que a licenciatura em Ciências do Desporto e Educação Física, pela Universidade de Coimbra tinha uma forte componente pedagógica e didática a formação entretanto realizada incidiu fundamentalmente em áreas de cariz mais prático e utilitário.
Uma primeira formação que destacamos foi a realização do curso de mestrado em Treino Desportivo para Crianças e Jovens, concluída no final do ano letivo 2007/2008 na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. A
decisão de realizar o curso esteve fundamentalmente ligada ao facto de na época exercer funções de treinador de futebol na formação da Académica de Coimbra.
Ainda assim, a sua frequência promoveu a aquisição de conhecimentos e competências com grande transferência não só para os treinos de Desporto Escolar, até porque havia uma unidade curricular relativa ao mesmo, como também para as próprias aulas de Educação Física.
Outra formação muito importante foi o curso de formação especializada em Educação Especial - Domínio Cognitivo e Motor, realizado no presente ano letivo no Instituto Superior de Ciências da Comunicação e Administração de Aveiro. Esta formação para além de ter contribuído para desenvolver conhecimentos e competências na área da Educação Especial, promoveu uma maior consciencialização e responsabilização relativamente ao próprio papel a desempenhar na construção de uma Escola verdadeiramente inclusiva.
Ao longo destes anos, houve ainda um conjunto de ações de formação de menor dimensão em áreas de competência relacionadas com a Educação Física e o Desporto, a utilização das TIC no contexto educativo, a Educação Sexual, o novo acordo ortográfico, o Socorrismo e as lesões músculo-esqueléticas, e cuja lista apresentamos seguidamente:
Participação no “V Fórum Internacional de Desporto”, organizado pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra e pela Câmara Municipal de Cantanhede (2005/2006);
Participação nas “V Jornadas Técnicas de Futebol + Futsal”, organizadas pelo Gabinete de Futebol do Departamento de Desporto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2005/2006);
Participação nas “VI Jornadas Técnicas de Futebol + Futsal”, organizadas pelo Gabinete de Futebol do Departamento de Desporto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2006/2007);
Participação no “II Meeting de Treinadores de Futebol”, organizado pela Câmara Municipal de Mealhada e pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (2006/007);
Participação na Ação de Formação “Iniciação ao Moodle”, com duração de 2 horas, dinamizado por Judite Lima e Idália Ribeiro, na EBIS Jean Piaget (2007/2008);
Participação no Curso de Treinadores de Futebol UEFA B, realizado em Coimbra, com a classificação final de Apto/Bom (2007/2008);
Participação na Ação de Formação “Utilização de extintores”, com a duração de 2 horas, dinamizada pela Equipa do Plano de Segurança da EBIS Jean Piaget (2008/2009);
Participação nas IV Jornadas Pedagógicas da Associação Portuguesa de Professores de Educação Física, designadas por “Conteúdos Programáticos e Avaliação das Aprendizagens em Educação Física no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário” (2009/2010);
Participação na Formação de Juízes/Árbitros de Ténis de Mesa – Fase 2 (EAE), realizada na E.B. 2,3 Mundão (2009/2010);
Participação na Ação de Formação “Novo Acordo Ortográfico”, com a duração de 2 horas, dinamizada pelo Mestre Alcídio Faustino (2009/2010);
Participação na Ação de Formação “Educação Sexual – Algumas reflexões e caminhos para a sua construção”, com a duração de 3 horas, dinamizada por Isidra Costa (2009/2010);
Participação nas “IX Jornadas Técnicas de Futebol”, organizadas pelo Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2009/2010);
Participação na Ação de Formação subordinada ao tema “Escola Virtual na Sala de Aula”, dinamizada pela Porto Editora (2009/2010);
Participação no Curso de Formação Profissional “Transporte de Cargas e Lesões Músculo Esqueléticas”, com duração de 4 horas, organizado pela Agência Piaget para o Desenvolvimento, concluído com classificação de “Muito Bom” (2010/2011); Participação no “XI Fórum Internacional do Desporto” e no “V Meeting Internacional
de Treinadores de Futebol”, organizado pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (2010/2011);
Participação no Curso de Formação Profissional “Introdução ao Socorrismo”, com duração de 5 horas, organizado pela Agência Piaget para o Desenvolvimento, concluído com classificação de “Muito Bom” (2010/2011);
Ação de Formação “Avaliação Desempenho Docente”, com duração de 20 horas dinamizada por Cristina Brasete, na EBIS Jean Piaget (2011/2012);
Participação, com aproveitamento, na Ação de Formação “Análise exploratória de Dados com Utilização do SPSS”, com a duração de 4 horas, promovida pelo Gabinete de de Apoio à Investigação do Instituto Piaget – Viseu (2011/2012);
Participação, com aproveitamento, na Ação de Formação “Estatística Inferencial com Utilização do SPSS”, com a duração de 4 horas, promovida pelo Gabinete de de Apoio à Investigação do Instituto Piaget – Viseu (2011/2012);
Participação na Ação de Formação “O quadro interativo na sala de aula”, com duração de 4 horas, dinamizado por Judite Lima (2014/2015);
Participação nas Ação de Formação, “Abordagem do Esqui na Escola – Nível Introdutório”, com a duração de 25 horas, organizado pela Associação Portuguesa de Professores de Educação Física (2014/2015);
De notar que o exercício das funções de treinador de futebol, fora do âmbito escolar, até à época desportiva 2012/2013, condicionou substancialmente as próprias oportunidades de formação. Com efeito, o facto da competição federada de futebol decorrer maioritariamente ao fim de semana, impossibilitou a participação em diversas formações com grande interesse e pertinência para a atividade como professor de Educação Física, mas que coincidiam com os compromissos assumidos no âmbito federado.
Assim, continuam evidentemente a existir áreas em que se verifica necessidade de aprofundar e reciclar conhecimentos e competências, nomeadamente a dança, orientação, patinagem e ginástica acrobática, e que será importante desenvolver logo que surjam oportunidades para as quais haja disponibilidade.
3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
3.1. Os Conhecimentos em Educação Física
A Educação Física faz parte dos programas nacionais do primeiro ao décimo segundo ano de escolaridade e, tendo em conta o seu cariz predominantemente prático, assume-se frequentemente que os conhecimentos são uma parte não integrante ou pelo menos negligenciável da disciplina. Esse pressuposto é evidente não só nos quadrantes da sociedade mais afastados da realidade escolar, mas também em elementos da comunidade educativa, nomeadamente nos professores de outras áreas curriculares que frequentemente manifestam a sua estranheza e desconfiança face à realização de trabalhos ou testes de conhecimentos pelos seus pares de Educação Física.
Contudo, a área dos conhecimentos está inscrita nos programas da disciplina a partir do segundo ciclo, sendo uma das áreas de avaliação da disciplina. Com efeito, o Programa de Educação Física é explícito relativamente a este tópico.
Consideram-se, como referência fundamental para o sucesso nesta área disciplinar, três grandes áreas de avaliação específicas da Educação Física, que representam as grandes áreas de extensão da mesma: A - Atividades Físicas (Matérias), B - Aptidão Física e C - Conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção da Aptidão Física e à interpretação e participação nas estruturas e fenómenos sociais no seio dos quais se realizam as Atividades Físicas (Jacinto et al., 2001, p.30).
Como é possível verificar os conhecimentos aparecem na Educação Física desde logo pelos aspetos explicitados no programa relacionados com a compreensão dos fenómenos ligados à criação de hábitos de vida saudável, nomeadamente de aspetos relacionados com a prática de atividade física, alimentação, higiene e educação ambiental.
Contudo a área dos conhecimentos, está também presente de forma implícita na área das Atividades Físicas, que é predominante na Educação Física, uma vez que o primeiro passo para “saber fazer” é saber “o que”, “como”, “quando” e “onde” fazer.
Com efeito, os alunos apresentam níveis de desempenho muito diferenciados, em função da experiência e tempo de prática das várias matérias, mas também em função do nível de conhecimento e familiaridade com os objetivos, regras, técnicas e táticas que lhe estão associadas.
Este diferente background, associado à frequente utilização pelos docentes de uma espécie de gíria desportiva que só uma parte dos alunos compreende, acaba por ser um
fator que, para além de criar desigualdades perante a avaliação, compromete decisivamente o sucesso educativo de grande parte dos alunos.
Por outro lado, este ciclo vicioso potencia ainda a ocorrência de atitudes negativas, por parte dos alunos com níveis de desempenho e de competitividade mais elevados, face aos seus pares com níveis de desempenho mais baixos. Esta tendência, verificada em estudos e análises ao processo de inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais na Educação Física (Campos, 2013; Rodrigues, 2003) é especialmente notória na abordagem aos Jogos Desportivos Coletivos onde existe uma grande interdependência entre os desempenhos individuais e o desempenho coletivo.
Contudo, o tempo disponível para a transmissão de conteúdos teóricos é relativamente reduzido, tendo em conta que o investimento de tempo nesta área acarreta naturalmente uma redução do tempo de empenhamento motor da aula, um aspeto que é particularmente crítico e sensível, tendo em conta o papel que disciplina desempenha no combate ao sedentarismo da sociedade em geral e dos jovens em particular.
É por isso fundamental que, para além de outras medidas pedagógicas e metodológicas, se encontrem mecanismos que sirvam de suporte à aquisição de conhecimentos.
3.2. A Utilização das TIC no contexto educativo
3.2.1. As TIC no processo de ensino e de aprendizagem
Na sociedade contemporânea, frequentemente apelidada de sociedade da informação, a utilização das TIC está cada vez mais massificada, não só no que diz respeito ao número de utilizadores como também, e acima de tudo, nos próprios ambientes e situações em que as tecnologias são utilizadas. Embora o uso das TIC não seja um pré-requisito para sobreviver na sociedade do século XXI, é sem dúvida um elemento fundamental para prosperar na sociedade deste século, sendo o contexto educativo um exemplo inequívoco da sua importância (Selwyn, 2008).
Com efeito, a perceção de que as novas tecnologias têm potencial para a resolução de determinados problemas educativos, associado ao aparecimento, num primeiro momento, do computador pessoal, veio despoletar o desenvolvimento generalizado, por todo o mundo industrializado, de experiências concretas de utilização das TIC em contexto escolar (Costa, 2008).