Cenário Macro para 2016
23 de Novembro de 2015
Silvia Matos (IBRE/FGV)
De acordo com a datação do Codace (Comitê de Datação de Ciclos
Econômicos), a atual recessão se iniciou no segundo trimestre de 2014. Esta será uma recessão mais longa e similar às recessões dos anos 80
Esperamos uma contração do PIB de 3,3%. Para 2016, de 3,0%
A confiança das empresas e dos consumidores encontra-se em
patamares historicamente muito baixos
Deterioração expressiva do mercado de trabalho: aumento do
desemprego e queda da renda real
Economia Brasileira em 2016:
3
Com a desvalorização da taxa de câmbio e a recessão, as importações
contraíram fortemente. O ajuste externo está em curso
Mas o “calcanhar de Aquiles “ da economia brasileira é a política
fiscal
A trajetória da dívida bruta é insustentável
Economia Brasileira em 2016:
4
Projeções PIB Trimestral (TsT)
0.7% -1.1% 0.1% 0.0% -0.7% -1.9% -1.2% -1.1% -0.1% -2.0% -1.5% -1.0% -0.5% 0.0% 0.5% 1.0% 2 0 1 4 .I 2 0 1 4 .I I 2 0 1 4 .I II 2 0 1 4 .I V 2 0 1 5 .I 2 0 1 5 .I I 2 0 1 5 .I II 2 0 1 5 .I V 2 0 1 6 .I Oficial 1ª Divulgação Média das taxas de contração do PIB em
Boletim Macro IBRE 5
Projeções PIB
Ótica da Oferta
Atividades 2014/2013 2015/2014 2016/2015 PIB 0.1% -3.3% -3.0% Agropecuária 0.4% 2.1% 1.6% Indústria -1.2% -6.1% -6.0% Extrativa 8.7% 5.6% 0.5% Transformação -3.8% -9.9% -9.5% Construção Civil -2.6% -7.0% -5.9% Eletricidade -2.6% -6.0% -0.4% Serviços 0.7% -2.0% -1.6%Boletim Macro IBRE
Projeções PIB
Ótica da Demanda
Atividades 2014/2013 2015/2014 2016/2015
PIB 0.1% -3.3% -3.0%
Consumo das Famílias 0.9% -3.4% -3.2%
Consumo do Governo 1.3% -1.6% -1.5%
Investimento -4.4% -11.8% -10.2%
Exportação -1.1% 4.1% 2.2%
Trimestre contra o mesmo trimestre do ano anterior (%)
Crescimento Trimestral – Consumo das Famílias
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 1 9 9 6 .I 1 9 9 6 .II I 1 9 9 7 .I 1 9 9 7 .II I 1 9 9 8 .I 1 9 9 8 .II I 1 9 9 9 .I 1 9 9 9 .II I 2 0 0 0 .I 2 0 0 0 .II I 2 0 0 1 .I 2 0 0 1 .II I 2 0 0 2 .I 2 0 0 2 .II I 2 0 0 3 .I 2 0 0 3 .II I 2 0 0 4 .I 2 0 0 4 .II I 2 0 0 5 .I 2 0 0 5 .II I 2 0 0 6 .I 2 0 0 6 .II I 2 0 0 7 .I 2 0 0 7 .II I 2 0 0 8 .I 2 0 0 8 .II I 2 0 0 9 .I 2 0 0 9 .II I 2 0 1 0 .I 2 0 1 0 .II I 2 0 1 1 .I 2 0 1 1 .II I 2 0 1 2 .I 2 0 1 2 .II I 2 0 1 3 .I 2 0 1 3 .II I 2 0 1 4 .I 2 0 1 4 .II I 2 0 1 5 .I 2 0 1 5 .II I 2 0 1 6 .I 2 0 1 6 .II I
A confiança encontra-se em patamares
historicamente muito baixos
Dados com ajuste sazonal. Fonte: FGV/IBRE
60 70 80 90 100 110 120 130 140
65.0 70.0 75.0 80.0 85.0 90.0 95.0 100.0 105.0 110.0 115.0 120.0 ICC ICOM
Consumidor e Comércio: ainda em desaceleração
Dados com ajuste sazonal, médias móveis de 3 meses. . Base: média dos últimos 60 meses = 100 Fonte: FGV/IBRE
Aumento do Desemprego
Fonte: IBGE e FGV/IBRE
Taxa de Desemprego ( Média Trim, %)
(PNAD Contínua - Brasil)
Em % PEA PO TD
2014 1,1 1,5 6,8
2015 1,9 0,0 8,5
11
Aumento do Desemprego
Recessões Anteriores
7.0% 9.8% 10.5% 10.3% 9.2% 8.90% 6.0% 6.5% 7.0% 7.5% 8.0% 8.5% 9.0% 9.5% 10.0% 10.5% 11.0% 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 PNAD-C retropoladaDesaceleração Expressiva da Massa Real de
Rendimentos
Fonte: IBGE e FGV/IBRE
Decomposição do Crescimento da Massa do Rendimento Real do Trabalho
(em %, trim x trim ano anterior)
-6 -4 -2 0 2 4 6 8
mar/13 jun/13 set/13 dez/13 mar/14 jun/14 set/14 dez/14 mar/15 jun/15 set/15 dez/15 mar/16 jun/16 set/16 dez/16
Renda Média (RM) População Ocupada (PO) Massa = RM x PO
Renda Real inflação
Renda
Nominal Massa Salarial
2013 3.5 5.6 9.1 5.4
2014 1.1 6.2 7.3 2.6
2015 -0.3 9.7 9.4 0.6
13 Boletim Macro IBRE
“Boa notícia”: Ajuste Externo
15 Boletim Macro IBRE
Inflação em 2015 e 2016: 10,0% e 7,1%
7.7 6.7 17.2 8.3 10.0 7.1 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015E 2016ECenário Fiscal: Estamos em uma trajetória fiscal
insustentável
17
Os gastos do governo central crescem continuamente desde a
constituição de 88, em torno de 0,4% do PIB ao ano
Em um primeiro momento este aumento contínuo foi financiado pelo
Imposto Inflacionário. Com o Plano Real, os gastos têm sido financiados pelo aumento contínuo da Carga Tributária
Houve excepcional crescimento da receita entre 1999 e 2010, de 6,9%
ao ano deflacionado pelo IPCA, comparado ao crescimento real médio do PIB de 3,4% no mesmo período. Isto permitiu que o dia da verdade da política fiscal fosse jogado para frente....
E agora a conta chegou! Como vamos pagá-la?
Cenário Fiscal: Estamos em uma
trajetória fiscal insustentável
Evolução do gasto não financeiro da União excluindo
transferências para Estados e municípios ( % do PIB)
Pessoal INSS Custeio LOAS/BPC
Seguro-Desemprego e Abono Salarial
Bolsa Escola, Vale Gas, Bolsa
Familia.
Custeio Saúde e Educação
Investimento Total gasto
social e INSS TOTAL
1991 3,8% 3,4% 1,0% 0,0% 0,5% 0,0% 1,5% 0,7% 5,5% 11,0% 1994 5,1% 4,9% 0,9% 0,0% 0,5% 0,0% 1,9% 0,5% 7,4% 13,9% 1995 5,1% 4,6% 0,9% 0,0% 0,5% 0,0% 2,0% 0,5% 7,1% 13,6% 2002 4,8% 6,0% 1,2% 0,2% 0,5% 0,2% 1,8% 1,0% 8,7% 15,7% 2003 4,5% 6,3% 1,3% 0,3% 0,5% 0,2% 1,7% 0,4% 9,0% 15,1% 2010 4,4% 6,8% 1,3% 0,5% 0,8% 0,5% 2,0% 1,1% 10,6% 17,4% 2014 4,3% 7,7% 2,4% 0,8% 1,0% 0,6% 2,2% 1,2% 12,3% 20,1% Variação 0,5% 4,3% 1,3% 0,8% 0,5% 0,6% 0,7% 0,5% 6,8% 9,1% Por ano 0,02% 0,19% 0,06% 0,03% 0,02% 0,03% 0,03% 0,02% 0,30% 0,39%
19
Fonte: Receita Federal e Tesouro Nacional
70% do crescimento dos gastos do gov. central
pode ser explicado pelas Transferências de Renda
3% 3% 4% 4% 6% 10% 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16% 18% 20% 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Transferência de Renda Salários Outros Custos Investimento Subsídios
... É explicado pelo número de beneficiários
Número de Beneficiários dos programas de transferência de renda (milhões)
Fontes: Receita Federal e Tesouro Nacional
9 10 12 13 14 15 17 20 22 24 26 28 29 30 28 18 18 19 20 21 21 22 22 23 24 24 25 26 27 28 7 9 11 11 11 12 13 13 14 14 14 0 10 20 30 40 50 60 70 80 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014
21
Fonte: OCDE, CEPAL e Receita Federal
Crescimento Contínuo da
Carga Tributária
-11,8 p.p
+8,1 p.p
Descompasso entre Receita e Despesa
deve permanecer....
Fontes: IBRE, Receita Federal e Tesouro Nacional. Elaboração IBRE/FGV 13.0 14.0 15.0 16.0 17.0 18.0 19.0 20.0 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Receitas e Despesas Primárias Recorrentes Em % do PIB
24
Déficit Primário em 3 anos consecutivos!
Cenário “Status Quo”
24
Fontes: IBRE, e Banco Central. Elaboração IBRE/FGV
Superávit Primário Consolidado (em % do PIB)
3,3 1,9 2,6 2,9 2,2 1,8 -0,6 -1,0 -1,2 -3,0 -2,0 -1,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Não Recorrente Recorrente Primário G.R. Primário E.E. Primário S.P.C.
Cenário Fiscal: Receitas Potenciais para 2016
+ R$ 78,4 Bilhões (1,27% do PIB)
Não Recorrentes: + R$ 43,5 bilhões (0,71% do PIB)
Leilão de usinas hidroelétricas: + R$ 11,0 Bilhões (0,18% do PIB) Venda de ações ao público da Caixa Seguridade e IRB: + R$ 4,0 Bilhões (0,06% do PIB)
Dividendos da Caixa Seguridade: + R$ 2,3 bilhões (0,04% do PIB)
Legalização de recursos repatriados do exterior – RERCT: + R$ 11,1 bilhões (0,18% do PIB)
Concessões e Outorgas (PIL): + R$ 1,5 bilhões (0,02% do PIB)
Operações com Ativos: + R$ 13,6 bilhões (0,22% do PIB)
Receitas Recorrentes: + R$ 26,9 bilhões (0,57% do PIB)
REINTEGRA: + R$ 2,0 bilhões (0,03% do PIB) Aumento de alíquota de 15% para 18% IRRF + Limitação em 5% da TJLP (JCP): + R$ 1,1 bilhões (0,02% do PIB)
Tributação progressiva dos ganhos de Capital pelo IRPF: + R$ 1,8 bilhões (0,03% do PIB)
Regime Especial para a Indústria Química: + R$ 0,8 bilhão (0,01% do PIB)
Cide Combustíveis: + R$ 13,2 bilhões (0,21% do PIB)
26
Resultado Primário com Receitas Potenciais
Superávit Primário Consolidado (em % do PIB)
3,3 1,9 2,6 2,9 2,2 1,8 -0,6 -1,0 0,1 -2,0 -1,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Trajetória de dívidas bruta insustentável
(primário em patamares muito baixos)
54.8% 53.3% 58.9% 67.5% 72.2% 75.0% 75.8% 82.1%
2012 2013 2014 2015E 2016E 2017E
31
O ajuste fiscal é inevitável. A crise fiscal não decorre apenas do
descontrole expressivo das contas públicas nos últimos anos
A crise é mais profunda e requer um ajuste fiscal mais severo e
estrutural. Desde 1991, a despesa pública tem crescido a uma taxa maior do que a renda nacional
Esse desequilíbrio tem resultado na necessidade de aumentos
contínuos da receita tributária como fração do PIB, onerando a produção e prejudicando a geração de renda e de emprego
A crise atual é mais severa. O esforço fiscal necessário para corrigir
os desequilíbrios é hercúleo
Caso o governo consiga evitar a crise aguda decorrente do
descontrole fiscal dos últimos anos, restará a extensa e difícil agenda de retomada do crescimento econômico
Ou seja, o ajuste macroeconômico é apenas parte da agenda
necessária para a retomada do crescimento. Mas sem ele a crise será bem mais aguda