Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região - 2º Grau PJe - Processo Judicial Eletrônico
Consulta Processual
27/06/2016
Número: 0001271-59.2015.5.05.0000
Data Autuação: 28/12/2015
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA - Relator: LEA REIS NUNES DE ALBUQUERQUE
Valor da causa: R$ 1.000,00 Partes
Tipo Nome
IMPETRANTE TELEFONICA BRASIL S.A.
ADVOGADO Fabiana Galdino Cotias - OAB: BA0022164
ADVOGADO OTAVIO PINTO E SILVA - OAB: SP0093542
IMPETRADO Hugo Nunes de Morais
ADVOGADO ANTONY DE TEIVE E ARGOLO - OAB: BA0014988
TERCEIRO INTERESSADO SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TELECOMUNICACOES NO E BA
CUSTOS LEGIS MINISTERIO PUBLICO DO TRABALHO.
Documentos
Id. Data de Juntada Documento Tipo
caa31 46
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 5ª REGIÃO - BA
TELEFÔNICA BRASIL S/A, empresa inscrita no CNPJ sob nº 02.558.157/0001-62, com sede na Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, n° 1376, Cidade Monções, CEP 04571936, na cidade de São Paulo -Capital, SP, vem, por seus advogados, infra-assinados, com fulcro no art. 5º, LXIX, da Constituição Federal e artigos 1º e 7º, II, da Lei 12.016/2009, impetrar
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR INAUDITA ALTERA PARS
contra ato do MM JUIZA FEDERAL DO TRABALHO DA 4ª VARA DO TRABALHO DE. SALVADOR - BA, Dr. HUGO NUNES DE MORAIS, praticado nos autos da Ação Civil Coletiva nº
movida por
0001446-41.2015.5.05.0004, SINDICATO DOS TRABALHADORES EM
, eis que presentes seus requisitos essenciais TELECOMUNICACOES NO ESTADO DA BA (SINTTEL BA)
tendo em vista os motivos de fato e de direito que passa a expor.
I - INICIALMENTE
I.II - Da Comunicação dos atos processuais
Requer, com fulcro nos artigos 236 e 242 ambos do CPC, que as intimações inerentes a este feito sejam procedidas via imprensa oficial, em nome da advogada FABIANA GALDINO COTIAS OAB/BA nº 22.164, no endereço à Rua Tabapuã, nº. 81, 4º andar, CEP: 04533-010, Itaim bibi, São Paulo - SP.
II - Das Peças Adunadas a Segurança
Informa que as peças juntadas aos autos são cópias autênticas e integrais dos autos, sob sua responsabilidade pessoal, nos termos do artigo 830 da CLT (com a redação dada pela Lei nº 11.925/2009).
II - DO CABIMENTO DO PRESENTE REMÉDIO - DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO OFENDIDO E TEMPESTIVIDADE
O presente remédio judicial tem como escopo à correção de abusos e desvios praticados pela entidade coatora, ora Impetrada, a fim de cumprir as garantias constitucionais, para reparar lesão a direitos subjetivos.
Desta feita, dispõe o artigo 1º da Lei 12.016/2009, in verbis:
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Art. 1º: Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. (gn)
Com a devida vênia, a justificar e até mesmo autorizar a medida extrema agora proposta, temos que os requisitos exigíveis na Lei, ou seja, o fumus boni iuris e o periculum in mora estão flagrantemente presentes na hipótese.
III - DOS FATOS
Tramita sob a autoridade impetrada Ação Civil Coletiva (Processo n°. cujas cópias das principais peças seguem anexas, movida pelo litisconsorte 0001446-41.2015.5.05.0004)
SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TELECOMUNICAÇÕES NO ESTADO DA BAHIA.
Trata-se de processo em que o SINTTEL BA requereu na qualidade de substituto processual, que a impetrante se abstenha de alterar os atuais planos de saúde dos substituídos e as respectivas operadoras dos referidos planos, sem a prévia negociação e entendimento com o sindicato.
Em 22 de dezembro de 2015 o MM. Juiz da 4ª Vara do Trabalho de Salvador - BA, Dr. Hugo , nos autos da de nº
Nunes de Morais Ação Civil Coletiva 0001446-41.2015.5.05.0004, deferiu em sede de antecipação de tutela que a impetrante se abstenha de alterar os planos e operadoras dos planos de saúde atualmente assegurados aos substituídos, sob pena de multa diária de R$ 100,00 (cem reais) para cada trabalhador/substituído atingido pelo descumprimento.
Senão vejamos:
"(...)Ora, em que pese a representante da demandada tenha cravado uma eventual impossibilidade
vigência, na esteira do entendimento consubstanciado no verbete de n. 277 da Súmula de Jurisprudência do TST, estabelece na sua cláusula 41ª, parágrafo 7º (ID c77d764, pág. 13), que " As EMPRESAS se comprometem a se reunir previamente com o SINDICATO, para apresentar, discutir e buscar a formalização do entendimento entre as partes das possíveis alterações no
desenho do plano, durante a vigência deste acordo, que impactem diretamente os empregados
.
segurados
Neste particular, reside a supracitada verossimilhança das alegações. O ato unilateral da reclamada, cuja prática ficou demonstrada na ata do MPT acima referida, viola frontalmente a previsão transcrita. Como dito pela representante da acionada, tratou-se de decisão de cima para
baixo, ocorrida "a nível nacional por meio das federações" sem consulta e, muito menos, prévio
entendimento com o SINDICATO autor, conforme previsto (...)"
IV - ILEGALIDADE DA DECISÃO IMPETRADA. DO CUMPRIMENTO DA CLÁUSULA 41 DA ADCT 2014/2015 E DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ALTERAÇÃO PREJUDICIAL
A ilegalidade da decisão impetrada decorre do fato de que a alteração da operadora e do plano de saúde dos empregados da impetrante, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2016, foi efetuado de acordo com o previsto na clausula 41 da ACT 2014/2015, após apresentação, proposta e negociação com a FENATEL E SINTTEL BA, sendo certo que inexiste nos autos qualquer comprovação de que a previsão coletiva não tenha sido cumprida.
Nos autos da supracitada ação civil coletiva, o sindicato ora litisconsorte requereu o deferimento da antecipação de tutela atacada através desta medida sob os fundamentos de que: (i) a clausula 41 da ACT 2014/2015 restou descumprida, posto que a alteração deu-se de forma unilateral, sem prévio ajuste com o sindicato; (ii) não houve negociação com o sindicato e (iii) que a alteração da operadora e planos de saúde é prejudicial aos empregados.
Não lhe assiste nenhuma razão.
Esta previsto na cláusula 41 do ACT 2014/2015:
CLÁUSULA 41ª - ASSISTÊNCIA A SAÚDE As EMPRESAS assegurarão o acesso de seus empregados e dependentes diretos a PLANOS DE SAÚDE, de acordo com um sistema compartilhado de participação nas despesas de custeio, considerando os seguintes valores e critérios previstos nos parágrafos a seguir.
Parágrafo Primeiro:Todos os empregados pagarão uma contribuição fixa mensal, a partir de
janeiro de 2015, no valor correspondente a 1% (um por cento) sobre o salário nominal, o que lhe dará direito ao PLANO DE SAÚDE oferecido pelas EMPRESAS para seu grupo familiar. Esta contribuição mensal passará a ser de 1,5% (um vírgula cinquenta por cento) sobre o salário nominal a partir de 1º de janeiro de 2015. A contribuição mensal está limitada a R$ 300,00 (trezentos reais) a partir de 1º de janeiro de 2015 e a R$ 600,00 (seiscentos reais) a partir de 1º de julho de 2015.
Parágrafo Segundo:Além da contribuição fixa mensal, prevista no parágrafo primeiro, os
empregados que utilizarem o PLANO DE SAÚDE oferecido pelas EMPRESAS, independentemente de eu nível hierárquico, pagarão uma co-participação, exclusivamente a titulo de fator moderador, nos seguintes eventos: a) consultas, b) exames simples e c) atendimento em
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pronto socorro, equivalentes a 20% do custo daqueles eventos e d) terapias, co-participação de 10%. Esta co-participação será devida e descontada em folha de pagamento, quando da realização dos eventos pelo empregado ou por seus dependentes. Estes percentuais de co-participação serão cobrados a partir de 1º de janeiro de 2015, até lá prevalecem as práticas atuais. As EMPRESAS se comprometem a divulgar para os seus empregados o canal de atendimento das operadoras e corretora de saúde para consulta dos eventos, procedimentos, rede credenciada e prévias de reembolso.
Parágrafo Terceiro:Nos casos onde o líquido da remuneração do empregado, relativo a um
determinado mês, não seja suficiente para liquidar os descontos previstos nesta cláusula, o(s) valor(es) devido(s) será(ão) descontado(s) tão logo o líquido da remuneração seja suficiente para liquidá-lo(s), sempre respeitando a legislação no que tange a limitação de descontos em folha de pagamento.
Parágrafo Quarto:Entende-se por dependente direto para efeito deste acordo:
a) Filhos menores de 21 anos de idade;
b) Filhos maiores sem renda própria, até 24 anos de idade, que estejam efetivamente matriculados em curso regular de nível superior; c) Cônjuge ou companheiro(a) que viva maritalmente com o empregado a mais de seis meses.
Parágrafo Quinto:Considerando a contribuição fixa mensal prevista no parágrafo primeiro desta
cláusula, ao EMPREGADO, no caso de rescisão do contrato de trabalho sem justa causa, é assegurado o direito de manter sua condição de beneficiário, nas mesma condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral, seu e de seu grupo familiar, pelo período de 1/3 (um terço) do tempo que tiver contribuído para os PLANOS DE SAÚDE, COM PERÍODO MÍNIMO DE 6 (seis) meses e Máximo de 24 (vinte e quatro) meses, conforme disposto no parágrafo 1ª do Artigo 30° da Lei 9656/98. Considerando a complexidade do tema, as negociações dos valores para o custeio do beneficio serão concluídas e divulgadas até o final do primeiro semestre de 2015.
Parágrafo Sexto: Considerando a contribuição fixa mensal prevista no parágrafo primeiro desta
cláusula, os beneficiários farão jus a assistência medica pós-emprego (aposentados) nos moldes do artigo 31 da Lei 9656/98, desde que assumam o pagamento integral dos custo de assistência médica, seu e de seu grupo familiar. Considerando a complexidade do tema, as negociações dos valores para o custeio do benefício pós-emprego serão concluídas e divulgadas até o final do primeiro semestre de 2015.
Parágrafo Sétimo:As EMPRESAS se comprometem a se reunir previamente com o
SINDICATO, para apresentar, discutir e buscar a formalização do entendimento entre as partes das possíveis alterações no desenho do plano, durante a vigência deste acordo, que impactem diretamente os empregados segurados.
Ocorre Excelência, que o sindicato SINTTEL BA falta com a verdade quando aduz que a referida clausula foi descumprida, por supostamente não ter havido negociação a respeito.
Conforme se comprova através das atas anexas, das reuniões de 11.6.2015, 29 e 30.9.2015 e 17.11.2015, nas quais o assunto foi apresentado e amplamente debatido com a FENATTEL, Federação da qual o sindicato litisconsorte é membro, resta documentalmente comprovado que o representante do SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TELECOMUNICAÇÕES NO ESTADO DA BAHIA, o Sr. Jovanilson Oliveira de Araújo, esteve presente nas negociações, beirando a má-fé as alegações do Sindicato de que a alteração do plano de saúde se deu de forma unilateral, sem prévia negociação.
Desta forma, não há que se falar em descumprimento da supracitada cláusula coletiva, posto que a proposta de alteração da operadora e plano de saúde por parte da impetrante foi diversas vezes debatida com o SINTTEL BA.
Da mesma forma, não foi trazido aos autos qualquer comprovação de que a alteração de operadora seja prejudicial aos empregados da impetrante.
Tem-se que um dos requisitos indispensáveis para a concessão de antecipação de tutela, principalmente em casos como este, em que referida liminar traz enormes prejuízos à parte contrária, no caso a impetrante, deve haver a comprovação de danos de difícil reparação.
No caso em tela sequer foram apontados possíveis danos ou qualquer exemplo de exame ou procedimento que fosse ofertado pelo plano de saúde anterior e não o é pelo novo plano, de forma que a SINTTEL BA em realidade, limita-se a afirmações genéricas, ressaltando que o novo plano não tem a mesma cobertura que o anterior.
Não há como ser apontado qualquer prejuízo com a alteração da operadora, posto que inexistente. Os novos planos apresentados mantém as mesmas características dos antigos planos, preservando em sua totalidade o benefício que sempre foi alcançando aos empregados da impetrante.
Ademais, é de amplo conhecimento a qualidade dos serviços oferecidos pelas novas operadoras, algumas das maiores e mais procuradas do Brasil. Todos os empregados terão assistência médica da melhor qualidade assegurada pelos novos planos, sendo certo que a alteração da operadora esta fundando no princípio da livre iniciativa, conforme preceituado no art. 170 da Constituição Federal.
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Desta forma, resta cristalino que a decisão ora atacada foi proferida com base tão somente na afirmativa do sindicato de que a alteração seria prejudicial aos seus substituídos, sem qualquer comprovação neste sentido.
Não obstante o acima exposto, sendo certo que as alterações não trarão qualquer prejuízo aos empregados, o poder diretivo do empregador lhe confere a liberdade de escolher a operadora e o tipo plano de saúde que oferece aos seus empregados.
Isto porque, a concessão de convênio médico, por mera liberalidade empresarial ou previsto em norma coletiva, como é o caso dos autos, não integra o contrato individual de trabalho para todos os efeitos legais, isto é, não tem natureza de contraprestação pelo serviço prestado, mas sim meramente assistencial, não fazendo desse modo, direito adquirido. Desta forma, a alteração pode existir porque a concessão do plano de saúde tem natureza assistencial, e não salarial.
Não pode deixar de ser observada a dimensão da empresa impetrante, com atuação nacional e numero significativo de empregados, restando evidente sua possibilidade e até necessidade de buscar no mercado as melhores parcerias comerciais, visando negociar melhores condições aos seus empregados e a si própria.
Ademais, conforme se comprova através dos documentos anexos, a manutenção da medida deferida liminarmente trará enormes prejuízos à impetrante, posto que o contrato entre si e a Bradesco Saúde vige somente até 31.12.2015, restando extinto a partir de 1º.01.2016, data em que começa a vigorar os contratos com as novas operadoras.
Ainda, para que os planos atuais seguissem vigentes, seria necessário que a operadora encaminhasse a fatura à impetrante em 15.12.2015, o que não ocorreu mediante a rescisão contratual.
Trata-se assim de medida abusiva e demasiadamente lesiva à impetrante. Vê-se pelos argumentos acima expostos e documentos anexos que os contrato antigos já foram rescindidos, bem como os novos já estão prontos para vigência a partir de 1º.01.2016. Qualquer alteração neste momento, sem tempo hábil para implementação inclusive, trará grandes prejuízos à impetrante.
Desta feita, restam afastados todos os argumentos apresentados pelo sindicato litisconsorte para concessão da decisão atacada, não existindo qualquer justificativa para manutenção da arbitraria decisão proferida pela autoridade coatora.
Neste sentido tem entendido a jurisprudência de maneira uníssona:
"PLANO DE SAÚDE. BANDEIRA. ALTERAÇÃO. Não há que se falar em incorporação ao
contrato de trabalho da bandeira de plano de saúde, notadamente quando a operadora de saúde
complementar contratada pelo empregador não é cláusula contratual. Quando o empregador
assume a obrigação de conceder plano de assistência médica o benefício incorporado é o
fornecimento de assistência o qual será contratado no mercado, dentre as opções ofertadas diante
da livre concorrência. O negócio jurídico entabulado entre empregador e operadora é relação
comercial, unicamente afeta às partes, contratante e contratado, não integrando o contrato de
trabalho. (TRT-2 - RECURSO ORDINÁRIO RO 00020437620125020431 SP
00020437620125020431 A28 (TRT-2), Data de Publicação 30/08/2013)
"SUBSTITUIÇÃO DE PLANO DE SAÚDE EMPRESARIAL Não há como reconhecer ao
trabalhador o direito adquirido à usufruir um específico plano de saúde, pois ensejaria, via reflexa, a obrigação da empresa de manter um contrato permanente com o plano de assistência médica originalmente contratado, o que afronta o poder diretivo do empregador. Por óbvio, o Poder Judiciário não pode interferir nos limites normalmente aceitos como decorrência do poder diretivo do empregador - mais especificamente o poder de organização - que, assumindo os riscos do seu empreendimento, dirige e coordena o seu empreendimento empresarial visando a obtenção de melhores rendimentos. Na hipótese em exame, a empresa migrou o trabalhador e todos os seus dependentes para o plano Sulamérica, contratado em substituição ao anterior, não se vislumbrando em tal conduta, nenhuma ofensa à boa-fé objetiva, como alega o recorrente. TRT-1 - RO: 4580320125010015 RJ , Relator: Evandro Pereira Valadao Lopes, Data de Julgamento: 26/06/2013, Sétima Turma, Data de Publicação: 12-07-2013)
ALTERAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. Não há falar em restabelecimento de condições anteriores quando a troca de plano de saúde contratado pelo empregador não importa em qualquer prejuízo ou alteração na cobertura de serviços para o empregado. (TRT-4 - RO: 15308220105040121 RS 0001530-82.2010.5.04.0121, Relator: BEATRIZ RENCK, Data de Julgamento: 16/05/2012, 1ª Vara do Trabalho de Rio Grande, )
Não discrepa a jurisprudência uníssona do Tribunal Superior do Trabalho nesse particular:
TRANSAÇÃO. PLANO DE SAÚDE. CLUBE DOS VETERANOS. I -Constou da decisão recorrida que o próprio autor abrira mão de seu direito, pelo que se descarta tanto a idéia de que a alteração decorrera de ato unilateral, quanto a de ofensa ao direito adquirido, que pressupõe a falta de concorrência de vontade do detentor do direito.II -Com relação aos artigos 9º e 468 da CLT, que coíbem a alteração contratual prejudicial, ainda que com o consentimento do empregado, tornando-a nula de pleno direito, verifica-se que o Tribunal não registrou lesividade na alteração efetivada pela ré, cuidando apenas de salientar que não houve propósito de fraudar as normas
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de proteção trabalhista e que a alteração da empresa prestadora do plano de saúde não afetou o compromisso assumido pela reclamada relativamente ao oferecimento do benefício [...] (TST - RR: 954003520045120004 da assistência médica, cuja integridade foi preservada.
95400-35.2004.5.12.0004, Relator: Antônio José de Barros Levenhagen, Data de Julgamento: 01/11/2006, 4ª Turma,, Data de Publicação: DJ 17/11/2006.) (grifo nosso)
Portanto, não há como se falar em alteração unilateral e prejudicial, decorrente da mudança de operadora e planos de saúde, devendo ser suspensa a decisão atacada.
VI - PEDIDO DE LIMINAR
DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA
No presente mandamus, é certo ter sido demonstrado acima a necessidade da concessão de liminar para preservação de direitos da ora Impetrante, para
inaudita altera pars, SUSPENDER O ATO COATOR ORA
, o que ora se requer. ATACADO
Segundo Giuseppe Chiovenda "Provar significa formar a convicção do juiz sobre a existência ou não de fatos relevantes do processo"
Pois bem.
A prova inequívoca - na literalidade do dispositivo em comento -, é aquela substancial, robusta, hábil a convencer o juiz de uma certeza pujante sobre as alegações do requerente, de plano, a partir do momento em que é verificada nos autos.
Os documentos acostados aos autos assim como os fatos ora alegados, demonstram o fumus boni iuris.
É a prova cabal que traz ao conhecimento do magistrado material inequívoco para o seu suficiente convencimento acerca da situação que envolve o bem da vida posto em litígio. Conforme preceitua Carreira Alvim:
"Prova inequívoca deve ser considerada aquela que apresenta um grau de convencimento tal
que, a seu respeito, não possa ser oposta qualquer dúvida razoável, ou, em outros termos, cuja autenticidade ou veracidade seja provável. (g.n)
O periculum in mora configura-se pelo fato de que a impetrante poderá ser responsabilizada e prejudicada por obrigações que não têm respaldo legal, ameaçando o patrimônio da impetrante sem respaldo na lei, e nas garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal (arts. 5º, II, XXII, LIV e LV e 93, IX da Constituição da República).
Verifica-se, portanto, que no presente caso, o próprio conteúdo da lei (5º, II, LIV e LV da CF/88) constituem-se na prova inequívoca de que o ato coator é manifestamente ILEGAL E ARBITRÁRIO!
Vale citar CALAMANDREI[1], quando afirmou que providências desse tipo:
"representam uma conciliação entre duas exigências geralmente contrastantes na Justiça, ou seja, a da celeridade e a da ponderação"; "entre fazer logo porém mal e fazer bem mais tarde, os provimentos cautelares visam, sobretudo, a fazer logo, deixando o problema do bem e do mal, isto é, da justiça intrínseca do provimento, seja resolvido mais tarde, com a necessária ponderação (....)" (grifamos)
Como afirmou DINAMARCO[2], nessas hipóteses é melhor
"...errar concedendo cautelas do que errar negando-as: em situação de riscos equilibrados, é preferível optar por soluções que não deixem o direito material sujeito a sacrifício"
No mais, o requisito do periculum in mora caracteriza-se por força da imposição da manutenção da operadora e plano de saúde com contrato já rescindido.
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Assim, é imprescindível obter a liminar pleiteada, restando demonstrada a urgência e necessidade .
de concessão de liminar
Isto posto, resta demonstrada, à saciedade, a presença do requisito do fumus boni iuris para concessão liminar da segurança, com a suspensão dos efeitos do ato atacado.
V - CONCLUSÃO
Pelos motivos expostos, considerando a relevância dos fundamentos do pedido e a manifesta abusividade da decisão impetrada, espera o impetrante a concessão DE MEDIDA LIMINAR para que seja determinada a sustação do ato impugnado, cassando-se a ordem de abster-se de alterar a operadora e plano de saúde dos empregados.
Espera, outrossim, o impetrante que, depois de concedida a liminar pleiteada, seja observada a normal tramitação do processo, nos termos da já citada Lei nº 12.016/2009, deferindo-se a segurança em definitivo ao final.
VI - DOS PEDIDOS
a) Seja deferida a concessão de liminar inaudita altera pars, para que seja suspensa a obrigação de não fazer contida na decisão que concedeu a tutela antecipada, afastando assim a determinação de preservação e manutenção de todas as condições previstas nos planos de saúde atualmente assegurados aos substituídos pelas operadoras Bradesco Saúde e Unimed Seguros, restituindo à impetrante o seu direito líquido e certo de efetuar a implementação da assistência saúde negociada com as Federações representativas dos seus empregados em todo o Brasil, respeitado o princípio constitucional da livre iniciativa (art. 170 CF).
b) Ao final, seja concedida a segurança, para cassar definitivamente o ato coator ora combatido praticado pela autoridade coatora nos autos da Ação Civil Coletiva de nº 0001446-41.2015.5.05.0004, suspendendo definitivamente a obrigação de não fazer contida na decisão que concedeu a tutela antecipada, afastando assim a determinação de preservação e manutenção de todas as condições previstas nos planos de saúde atualmente
assegurados aos substituídos pelas operadoras Bradesco Saúde e Unimed Seguros, restituindo à impetrante o seu direito líquido e certo de efetuar a implementação da assistência saúde negociada com as Federações representativas dos seus empregados em todo o Brasil, respeitado o princípio constitucional da livre iniciativa (art. 170 CF).
VII - DOS REQUERIMENTOS FINAIS
Pede a impetrante seja notificada a MM. Autoridade Coatora a fim de que, no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, tudo conforme as exigências legais.
Por fim, requer seja notificado o litisconsorte necessário para ciência e, em querendo, eventual manifestação sobre o presente Mandado de Segurança:
SINDICATO DOS TRABALHADORES EM TELECOMUNICAÇÕES DA BAHIA -SINTTEL - BA, entidade sindical, sem fins lucrativos, inscrita sede na Rua Bela vista do Cabral, nno CNPJ sob o nº 15.234.784/0001-90 e com º 247, Nazaré, CEP: 40.055-000, Salvador/BA.
Atribui-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), para efeitos de alçada.
Termos em que, Pede deferimento.
São Paulo, 23 de dezembro de 2015.
OTAVIO PINTO E SILVA
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OABSP. 93.542
FERNANDA OLIVEIRA DA SILVA OAB/SP 347.633
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