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Ciênc. saúde coletiva vol.9 número2

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Academic year: 2018

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271

DEB

A

TED

ORES DISCUSSANT

S

Pesquisa em saúde e os objetivos

do milênio

Health research and the millennium goals

Ciro Mortella

1

O trabalho parte do reconhecimento de que

saúde leva ao desenvolvimento e não o

contrá-rio, minimizando a simultaneidade entre estado

da saúde e estado da pobreza. Seguem-se outros

argumentos que apontam as razões para um

es-forço planetário pró-saúde: a) países ricos não

pesquisam doenças dos pobres; b) a dificuldade

de acesso dos menos favorecidos a

medicamen-tos e a diagnósticos, apontando como

responsá-veis as falhas do mercado; c) a fuga de cérebros

dos países pobres, entre outros pontos.

A partir deste quadro, o autor justifica os

objetivos – claramente meritórios – das Nações

Unidas.

Carlos Morel defende, então, políticas de

pesquisa coordenadas com ações práticas, de

maneira a maximizar a eficácia. Como

suges-tão, propõe que a pesquisa faça parte da

políti-ca nacional de saúde, ordenando-se, assim,

prioridades, padrões de pesquisa e estímulos à

investigação. Critica a falta de aporte de

recur-sos, no Brasil, mencionando que a maioria dos

recursos para pesquisa é gerada internamente.

Nesse sentido, sugere associação com o capital

externo, inclusive para pesquisas estratégicas

(comparadas com aquelas voltadas para o

cur-to prazo). Em seguida, trata de prioridades

pa-ra pesquisa, mediante a categorização das

doenças (em três categorias). O texto termina

com uma sugestão para uma ação

governa-mental mais bem definida (no âmbito

orça-mentário e no de planejamento plurianual).

Em resumo, reitera a importância do

Esta-do como indutor da pesquisa na área de saúde.

Os fatos apresentados são conhecidos:

ini-qüidade social e inércia de soluções. O autor

assume que o elemento indutor preponderante

é a determinação do Estado. Com isto, há uma

simplificação dos problemas.

A determinação do Estado, como

realiza-dor, esbarra na indisponibilidade de recursos.

Seria necessário aprofundar os elementos

jurídicos, fiscais e institucionais que

merece-riam ser debatidos para uma mudança. Neste

âmbito, há desde procedimentos burocráticos

que entravam a pesquisa até preconceitos

pro-tecionistas sobre o comando das pesquisas.

Es-tes são temas delicados, para os quais a

grande-za dos objetivos – sempre meritórios – não foi

suficiente para sensibilizar uma mudança.

O texto não detalha as relações entre a

ini-ciativa privada e os organismos indutores,

as-sim como não faz uma análise mais

aprofun-dada de como a iniciativa privada se insere nas

prioridades em saúde que determinam a

políti-ca públipolíti-ca articulada.

Valeria uma reflexão sobre os dados de

pes-quisa em saúde realizada pela iniciativa

priva-da no Brasil, em comparação com outros

paí-ses desenvolvidos e em desenvolvimento, como

a Coréia.

Uma análise comparativa dos orçamentos

de organismos públicos, como o Ministério da

Ciência e Tecnologia, e dos investimentos

pri-vados também seria muito esclarecedora.

Também é necessário indagar por que os

in-vestimentos privados em pesquisa no Brasil

en-contram-se nos níveis atuais e não em outros e

qual a real possibilidade de se articularem

políti-cas indutoras de prioridades em saúde, sem uma

política mais ampla de estímulo à pesquisa e

tec-nologia voltada ao desenvolvimento econômico.

1 Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica. [email protected]

Os dilemas do desenvolvimento

científico e tecnológico brasileiro

The dilemmas of the Brazilian scientific

and technological development

Cristovam Wanderley Picanço Diniz

2

Das palavras-chave às referências bibliográficas,

“A pesquisa em saúde e os objetivos do milênio:

desafios e oportunidades globais, soluções e

po-líticas nacionais”, do dr. Carlos Morel, carrega o

exercício reflexivo do cientista, a perspectiva

or-ganizacional do administrador e o choque de

realidade do formulador de políticas. Aponta

oportunidades em meio às nossas fragilidades,

e metodologias coletivas em meio às nossas

ini-ciativas isoladas para perseguir o que ele

deno-mina de salto científico-tecnológico-sanitário

que os países necessitam para atingir os

Referências

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