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Funções reais de variável real

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Academic year: 2022

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(1)

Func ¸ ˜ oes reais de vari´ avel real

Linguagem da matem´atica

Revis˜oes sobre func¸ ˜oes reais de vari´avel real Func¸ ˜oes trigonom´etricas inversas

Teoremas sobre func¸ ˜oes cont´ınuas e deriv´aveis

Paula Oliveira

2020/21

Universidade de Aveiro

(2)

Conte´ udo

1 A linguagem da Matem´atica 1

1.1 Defini¸c˜oes e Teoremas . . . 1

1.1.1 V´ıdeos complementares . . . 5

1.2 Conceitos de Supremo e ´Infimo . . . 6

1.2.1 Axioma do Supremo . . . 7

1.3 Distˆancia no Conjunto dos N´umeros Reais . . . 7

1.3.1 Aproxima¸c˜ao de N´umeros Reais . . . 8

1.3.2 Vizinhan¸ca . . . 8

1.4 A reta “acabada” . . . 9

1.5 Topologia da reta R . . . 9

1.5.1 Conjunto aberto, conjunto fechado . . . 11

1.5.2 Ponto de acumula¸c˜ao e ponto isolado . . . 11

1.6 Solu¸c˜oes dos exerc´ıcios do cap´ıtulo . . . 13

2 Fun¸c˜oes reais de vari´avel real: recordar 14 2.1 Conceito de fun¸c˜ao . . . 14

2.2 Fun¸c˜ao composta . . . 15

2.3 Fun¸c˜oes injetivas e fun¸c˜oes sobrejetivas . . . 17

2.4 Fun¸c˜oes mon´otonas . . . 17

2.5 A fun¸c˜ao inversa . . . 18

2.6 Fun¸c˜oes pares e ´ımpares . . . 19

2.7 Fun¸c˜ao limitada . . . 20

2.8 As fun¸c˜oes exponencial e logar´ıtmica . . . 21

2.9 Limites de fun¸c˜oes reais de vari´avel real . . . 21

2.9.1 Defini¸c˜ao sequencial de limite . . . 22

2.9.2 Limite usando vizinhan¸cas . . . 23

2.9.3 Limites infinitos e limites “no infinito” . . . 24

2.9.4 Limites laterais . . . 25

2.9.5 Propriedades dos limites . . . 25

2.9.6 Teoremas sobre Limites . . . 27

2.10 Fun¸c˜oes cont´ınuas . . . 29 1

(3)

2.10.1 Propriedades das fun¸c˜oes cont´ınuas . . . 29

2.10.2 Ass´ıntotas . . . 31

2.11 Fun¸c˜oes deriv´aveis . . . 32

2.11.1 Derivada de uma fun¸c˜ao num ponto . . . 33

2.11.2 Reta tangente . . . 33

2.11.3 No¸c˜ao de diferencial . . . 34

2.11.4 Derivadas laterais . . . 35

2.11.5 Continuidade e derivabilidade . . . 36

2.11.6 Fun¸c˜ao derivada . . . 36

2.11.7 Limites laterais da fun¸c˜ao derivada . . . 37

2.11.8 Regras de deriva¸c˜ao . . . 37

2.11.9 Derivadas de ordem superior . . . 38

2.11.10 Derivada da fun¸c˜ao composta . . . 38

2.11.11 Derivada da fun¸c˜ao inversa . . . 39

2.12 Solu¸c˜oes dos exerc´ıcios do cap´ıtulo . . . 39

3 As fun¸c˜oes trigonom´etricas 42 3.1 Fun¸c˜oes trigonom´etricas diretas . . . 42

3.1.1 As fun¸c˜oes secante, cossecante e cotangente . . . 43

3.2 Fun¸c˜oes trigonom´etricas inversas . . . 45

3.2.1 Fun¸c˜ao arco seno . . . 45

3.2.2 Fun¸c˜ao arco coseno . . . 46

3.2.3 Fun¸c˜ao arco tangente . . . 48

3.2.4 Fun¸c˜ao arco cotangente . . . 49

3.3 Exerc´ıcios . . . 50

3.4 Solu¸c˜oes dos exerc´ıcios do cap´ıtulo . . . 51

4 Teoremas sobre fun¸c˜oes cont´ınuas e fun¸c˜oes deriv´aveis 53 4.1 Teoremas sobre fun¸c˜oes cont´ınuas . . . 53

4.1.1 Teorema de Bolzano . . . 53

4.1.2 Teorema de Weierstrass . . . 54

4.2 Teoremas sobre fun¸c˜oes deriv´aveis . . . 57

4.2.1 O Teorema de Rolle . . . 57

4.2.2 O Teorema de Lagrange . . . 59

4.2.3 M´aximos e m´ınimos locais . . . 62

4.2.4 Convexidade, concavidade e pontos de inflex˜ao . . . 63

4.3 Teorema e regra de Cauchy . . . 66

4.4 Solu¸c˜oes dos exerc´ıcios do cap´ıtulo . . . 72

(4)

A linguagem da Matem´ atica

Neste cap´ıtulo vamos fazer uma introdu¸c˜ao `a linguagem usada em C´alculo e recordar algumas propri- edades da L´ogica.

O intuito ´e ajudar o estudante a entender um texto matem´atico, a saber distinguir defini¸c˜oes de teoremas e conseguir elaborar demonstra¸c˜oes simples.

Video sobre a L´ogica Matem´atica

https://www.youtube.com/watch?v=tiARjzPh2pI&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI

1.1 Defini¸ c˜ oes e Teoremas

A Matem´atica ´e constitu´ıda pordefini¸c˜oeseaxiomas, aceites como verdadeiros, como por exemplo,

“Um triˆangulo ´e um pol´ıgono com 3 lados”, e porteoremas, que tˆem de ser demonstrados, como por exemplo o Teorema de Pit´agoras e a f´ormula resolvente da equa¸c˜ao do 2° grau.

V´ıdeo que explica o conceito de defini¸c˜ao

https://www.youtube.com/watch?v=18iD4hgRh-U Praticando defini¸c˜oes:

https://www.youtube.com/watch?v=gvrI2BIiTvg&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=3 e

https://www.youtube.com/watch?v=oJ4zybyqu9k&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=4 Para provar os teoremas usa-se adedu¸c˜ao, um racioc´ınio que tem uma ´unica condi¸c˜ao:

n˜ao se pode deduzir algo falso a partir de factos verdadeiros.

Um teorema ´e um facto verdadeiro que pode ser deduzido pelas leis da L´ogica a partir de defini¸c˜oes ou de outros teoremas. ´E frequente formular um teorema na forma “se P ent˜ao Q”, que se escreve

“P ⇒Q” (lˆe-se “P implica Q”).

Video com o conceito de teorema

https://www.youtube.com/watch?v=jq4RAQlq9Dk&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=5 A implica¸c˜ao material ´e importante, pois ´e a base do racioc´ınio matem´atico:

1

(5)

uma dedu¸c˜ao ´e uma sequˆencia de implica¸c˜oes materiais verdadeiras.

A tabela de verdade da implica¸c˜ao material ´e a seguinte

P Q P⇒Q

V V V

V F F

F V V

F F V

Repare-se que s´o n˜ao ´e poss´ıvel deduzir uma proposi¸c˜ao Falsa a partir de uma proposi¸c˜ao Verdadeira, este ´e o ´unico caso em queP ⇒Q´e Falsa.

V´ıdeo sobre a implica¸c˜ao ( se ... ent˜ao e a contrapositiva)

https://www.youtube.com/watch?v=cKOhcsn4bzw&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=6 e sobre a contrapositiva

https://www.youtube.com/watch?v=iIeHPP_FOLc&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=7 e sobre o se e s´o se

https://www.youtube.com/watch?v=PJefle3wi9g&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=8 exerc´ıcios

https://www.youtube.com/watch?v=hdaNc7vbo84&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=9

Exerc´ıcio 1.1Verifique queP ⇒Q e ∼Q⇒∼P tˆem a mesma tabela de verdade.

Observa¸c˜ao 1.1. ∼P significa a nega¸c˜ao da proposi¸c˜aoP, assim,∼V =F e ∼F =V.

A implica¸c˜ao material pode ser definida usando outros conetivos l´ogicos. Pela sua defini¸c˜ao, a im- plica¸c˜ao material P ⇒Q s´o ´e falsa quando P ´e Verdadeira e Q´e Falsa, ou seja, quando∼P ´e Falsa e Q´e Falsa. Esta ´e exatamente a propriedade da disjun¸c˜ao de ∼P e Q, logo

P ⇒Q´e equivalente a ∼P ∨Q.

Usando as leis de De Morgan pode-se verificar que

∼(P ⇒Q) ´e equivalente aP∧ ∼Q.

Se A(x) e B(x) s˜ao condi¸c˜oes, a implica¸c˜ao material A(x) ⇒ B(x) tamb´em o ´e. No estudo do seu Conjunto Solu¸c˜ao (C.S.) usa-se a express˜ao equivalente∼A(x)∨B(x).

Exemplo 1.1. x2 > x + 2 ⇒ x2 < 3x ´e equivalente a ∼ (x2 > x + 2)∨x2 < 3x, ou seja, x2−x−2≤0∨x2−3x <0; ent˜ao o seu C.S. em R´e [−1,2]∪]0,3[= [−1,3[.

Exerc´ıcio 1.2Indique o valor l´ogico das seguintes proposi¸c˜oes:

1. n∈N∧2n2≥3n+5⇒2n <5;

(6)

2. x∈R∧x2+1<0⇒xex= senx.

Observa¸c˜ao 1.2. N˜ao ´e f´acil perceber o porquˆe deF ⇒V eF ⇒F serem verdadeiras! Mas “se uma uma andorinha ´e um mam´ıfero ent˜ao um c˜ao ´e uma ave.” ou “se uma uma andorinha ´e um mam´ıfero ent˜ao um c˜ao ladra.” s˜ao proposi¸c˜oes verdadeiras...

A proposi¸c˜ao “para todo o x, se x ∈ N ent˜ao x ∈ Z” ´e equivalente a N ⊆ Z (verdadeira) e assim a implica¸c˜ao material tem de ser verdadeira para x=−1 (F⇒V) e para x=π (F⇒F).

Os enunciados de teoremas podem ser escritos sob a forma de implica¸c˜ao H ⇒ T em que H e T s˜ao ditas, respetivamente,hip´otese e tesedo teorema. Supondo que a hip´otese ´e verdadeira, para que a implica¸c˜ao seja verdadeira ´e necess´ario que a tese tamb´em seja verdadeira.

Umexemplosatisfaz a hip´oteseesatisfaz a tese. Umcontra-exemplosatisfaz a hip´otesemas n˜ao satisfaz a tese.

Uma implica¸c˜ao ´everdadeirase n˜ao admitir contra-exemplos. Como os enunciados dos teoremas s˜ao verdadeiros por defini¸c˜ao, segue-se que um teorema admite apenas exemplos — n˜ao admite contra- exemplos.

Ao contr´ario, uma implica¸c˜ao ´efalsase admitir contra-exemplos, ou seja uma implica¸c˜ao que admitir um contra-exemplo n˜ao´e um teorema.

Exemplo 1.2. A implica¸c˜ao “Se mn´e par ent˜ao m e ns˜ao pares” n˜ao pode ser um teorema:

ˆ a implica¸c˜ao admite exemplos – sem= 2 e n= 4 ent˜ao a hip´otese ´e V e a tese V;

ˆ mas admite tamb´em contra-exemplos – sem= 1 e n= 2 a hip´otese ´e V e a tese F.

A rec´ıproca de A⇒ B ´e B ⇒ A. Mesmo que A ⇒B seja verdadeira, B ⇒ A pode n˜ao o ser. Por exemplo,

O enunciado “Sem ens˜ao pares ent˜ao mn´e par” ´e um teorema, contudo, a sua rec´ıproca, “Semn´e par ent˜aom e ns˜ao pares”, n˜ao ´e um teorema.

Existem situa¸c˜oes em que A ⇒ B e B ⇒ A s˜ao ambas verdadeiras. Nestes casos escreve-se A ⇔ B (lˆe-se “A se e s´o se B” ou “A´e equivalente a B”).

Exemplo 1.3. “O n´umero mn´e par se e s´o sem oun´e par”.

Se A ⇔B for V, A e B s˜ao equivalentes pois tˆem o mesmo valor l´ogico para toda a concretiza¸c˜ao das vari´aveis.

V´ıdeo sobre condi¸c˜ao necess´aria e suficiente

https://www.youtube.com/watch?v=N1Xlamd1PpY&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=10 Num teorema H ⇒ T, ´e suficiente que a hip´otese seja verdadeira para se poder afirmar que a tese ´e

verdadeira; diz-se que H ´e condi¸c˜ao suficiente paraT.

Exemplo 1.4. “n´e par” ´e condi¸c˜ao suficiente para “2n´e par”.

Observa¸c˜ao 1.3. Quando a hip´otese for falsan˜aose pode concluir que ´e falsa a tese!

Note-se que, no exemplo anterior, mesmo que nseja ´ımpar, 2n´e par.

No teoremaH⇒T, para se garantir que a hip´otese ´e verdadeira ´e necess´ario que a tese seja verdadeira;

diz-se queT ´e condi¸c˜ao necess´aria paraH.

(7)

Exemplo 1.5. “m ´e m´ultiplo de 2” ´e condi¸c˜ao necess´aria para “m ´e m´ultiplo de 4”. Contudo, a condi¸c˜ao “m´e m´ultiplo de 2” n˜ao ´e suficiente para “m ´e m´ultiplo de 4”, j´a que 6 satisfaz a primeira condi¸c˜ao mas n˜ao satisfaz a segunda.

Se o enunciado forH ⇔T,H ´e condi¸c˜ao necess´aria e suficienteparaT. Exemplo 1.6. “n´e par” ´e condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para “3n´e par”.

Para provar que um teorema ´e verdadeiro ´e preciso demonstrar que s´o admite exemplos, ou seja, que n˜ao admite contra-exemplos.

Observa¸c˜ao 1.4. Mostrar alguns exemplos n˜ao prova nada! O enunciado “Sen´e par ent˜ao n+ 1

´

e primo” ´e verdadeiro paran= 2,4,6 (trˆes exemplos). . . ent˜ao ´e um teorema?

Podem fazer-se v´arios tipos de demonstra¸c˜oes. Vamos aqui referir os mais usados em C´alculo.

Na demonstra¸c˜ao diretagarante-se que s´o existem exemplos.

A partir da hip´otese chega-se `a tese por dedu¸c˜oes sucessivas. Assim, sempre que a hip´otese ´e verda- deira, tamb´em o ´e a tese de cada implica¸c˜ao at´e ao fim.

Exerc´ıcio resolvido 1.1. Prove que “sen∈N´e m´ultiplo de 9 ent˜ao n´e m´ultiplo de 3”.

Resolu¸c˜ao: Sejanum n´umero natural arbitr´ario.

n´e m´ultiplo de 9⇒ ∃k∈N:n= 9k

⇒n= 3(3k)

⇒ ∃h∈N:n= 3h (h= 3k)

⇒n´e m´ultiplo de 3.

Exerc´ıcio 1.3Mostre que

1. A soma de dois n´umeros ´ımpares ´e par.

2. A soma de um n´umero par e de um n´umero ´ımpar ´e ´ımpar.

3. O produto de n´umeros ´ımpares ´e um n´umero ´ımpar.

A demonstra¸c˜ao indireta deH⇒T ´e uma demonstra¸cao direta de ∼T⇒∼H.

As duas implica¸c˜oes s˜ao equivalentes mas a demonstra¸c˜ao direta da segunda garante que se∼T ´e V, tamb´em∼H ´e V, ou seja, se a tese ´e falsa a hip´otese n˜ao pode ser verdadeira.

Na demonstra¸c˜ao indireta garante-se quen˜ao existem contra-exemplos.

Exemplo 1.7. Prove, no conjunto dos n´umeros naturais, que “se m2 ´e ´ımpar ent˜ao m´e ´ımpar”.

A implica¸c˜ao dada ´e H ⇒T, onde a hip´otese ´e H =“m2 ´e ´ımpar” e a tese ´e T =“m´e ´ımpar”, que ´e equivalente a

∼T ⇒∼H: “sem n˜ao ´e ´ımpar ent˜ao m2 n˜ao ´e ´ımpar”, ou seja,

“sem ´e par ent˜ao m2 ´e par”

Sejam um n´umero natural par qualquer.

m´e par⇒ ∃k∈N:m= 2k

⇒m2 = (2k)2 = 4k2 = 2(2k2)

⇒ ∃r∈N:m2 = 2r (r= 2k2)

⇒m2 ´e par

(8)

Exerc´ıcio 1.4Mostre que:

1. Se m´e ´ımpar ent˜ao m2 ´e ´ımpar .

2. O produto de dois n´umeros ´e par se e s´o se pelo menos um deles ´e par.

3. Se uma fun¸c˜ao ´e mon´otona em sentido estrito ent˜ao ´e injetiva.

Na demonstra¸c˜ao por redu¸c˜ao ao absurdo garante-se que os contra-exemplos s˜ao contradi¸c˜oes.

Para provar queH ⇒T, mostra-se que a sua nega¸c˜ao ´e falsa, ou seja, que

∼(H ⇒T)⇔H∧ ∼T ´e uma contradi¸c˜ao

Observa¸c˜ao 1.5. Se n˜ao houver contra-exemplos H∧ ∼T ´e uma condi¸c˜ao imposs´ıvel.

Exemplo 1.8. Prove que “sen2 ´e par ent˜aon´e par”.

A hip´otese ´e H: “n2 ´e par”. A tese afirma que n ´e par, logo a sua nega¸c˜ao ´e ∼ T: “n ´e ´ımpar”.

Assume-se portanto que H∧ ∼T, ou seja, n2 ´e par∧n´e ´ımpar. Ent˜ao:

ˆ n2+n´e ´ımpar, porque ´e a soma de um n´umero par com um n´umero ´ımpar;

ˆ n2+n=n(n+ 1) ´e par porque ´e o produto de um n´umero par (n+ 1) por outro n´umero.

Ent˜ao, o n´umerom=n2+n´e simultaneamente par e ´ımpar, o que ´e um absurdo.

Exerc´ıcio 1.5

Demonstre, por redu¸c˜ao ao absurdo, que se “n´e m´ultiplo de 6 ent˜ao n´e m´ultiplo de 3”.

Exerc´ıcio 1.6Supondo quef´e mon´otona crescente, mostre que∀x1, x2∈Df,f(x1)< f(x2)⇒x1≤x2. 1.1.1 V´ıdeos complementares

V´ıdeo sobre o e e o ou

https://www.youtube.com/watch?v=ervAO0B4110&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=11 V´ıdeo sobre a nega¸c˜ao

https://www.youtube.com/watch?v=OHI_oow77Ho&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=12 Sobre os quantificadores existencial e universal

https://www.youtube.com/watch?v=qidPwUkbrgw&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=13 O que ´e uma prova?

https://www.youtube.com/watch?v=OTwf5NOW3Jk&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=14 como provar?

https://www.youtube.com/watch?v=Ib0qTQawLqw&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=15 como provar - 2

(9)

https://www.youtube.com/watch?v=enVGqihzK5k&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=16 como provar - 3

https://www.youtube.com/watch?v=zpgdEjadhx8&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=17 Como provar - final

https://www.youtube.com/watch?v=CRMo1lq1HYM&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=18 Contraexemplo

https://www.youtube.com/watch?v=Y10bbxPVTwE&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=19 contraexemplo 2

https://www.youtube.com/watch?v=2pXnKpJ5_xs&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=20

Prova pela contrapositiva

https://www.youtube.com/watch?v=X9zLK6LS2Po&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=21 Prova por redu¸c˜ao ao absurdo

https://www.youtube.com/watch?v=E89vPUjLe-Q&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=22 Prova por redu¸c~ao ao absurdo - 2

https://www.youtube.com/watch?v=nQg50KFROcw&list=PL7RjLI0hJPfClF1VUbV6rxEKhisvGKeiI&index=23

1.2 Conceitos de Supremo e ´ Infimo

Conceitos de majorante, minorante, ´ınfimo e supremo

https://www.youtube.com/watch?v=JCdvXsaHyrc&list=PL25tUR5VG8k9WEXvDh7-NITMPYXYZPvkm&index=4 SejaA um subconjunto n˜ao vazio deR,A⊆R. Diz-se queA ´e um conjuntomajorado se

∃M ∈R:a≤M, ∀a∈A,

(existeM Rtal queaM, qualquer que sejaaA) ondeM ´e um majorantede A.

Ao menor dos majorantes d´a-se a designa¸c˜ao de supremo de A, i.e., s∈R diz-se osupremo de A, supA, se as duas condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:

ˆ ∀a∈A, a≤s(s´e majorante de A);

ˆ ∀ε >0,∃b∈A: s−ε < b (s´e o menor dos majorantes deA).

Diz-se queA ´e um conjuntominorado se

(10)

∃m∈R:m≤a, ∀a∈A,

(existemRtal queam, qualquer que sejaaA) ondem´e um minorantede A.

Ao maior dos minorantes d´a-se a designa¸c˜ao de´ınfimo deA, i.e.,i∈Rdiz-se o´ınfimo de A, infA, se as duas condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:

ˆ ∀a∈A, i≤a(i´e minorante deA);

ˆ ∀ε >0,∃b∈A: b < i+ε(i´e o maior minorante deA).

1.2.1 Axioma do Supremo

Considere-se o conjunto dos n´umeros racionais cujo quadrado ´e menor do que 2:

A=

x∈Q:x2 <2 . No universo R o conjunto A tem supremo, supA = √

2, contudo, como √

2 ∈/ Q, no universo Q o conjuntoA n˜ao tem supremo.

Traduzimos este resultado dizendo que o conjunto dos n´umeros reais ´e completo e o conjunto dos n´umeros racionais ´e incompleto.

Axioma 1.1. Axioma do Supremo: Qualquer subconjunto deRmajorado (resp. minorado) tem supremo (resp. ´ınfimo) em R.

V´ıdeo sobre o axioma do supremo

https://www.youtube.com/watch?v=7VptJl59GVc

Sejam s= supAe i= infA. Se s∈A,sdiz-se m´aximo de A; sei∈A,idiz-se m´ınimode A.

Exemplo 1.9. SejaA=]−√

3,4]∪ {3π}.

O supremo de A´e 3π e como o supremo pertence aA, 3π ´e m´aximo do conjunto A.

O ´ınfimo deA´e−√

3, contudo, como −√

3 n˜ao pertence aA, o conjunto A n˜ao tem m´ınimo.

1.3 Distˆ ancia no Conjunto dos N´ umeros Reais

v´ıdeo sobre o m´odulo como distˆancia

https://www.youtube.com/watch?v=nD-SKAVfWTs

A distˆancia entre dois n´umeros reais ´e dada pord(a, b) =|a−b|e satisfaz os seguintes axiomas:

i. d(a, b)≥0, ∀a, b∈R ii. d(a, b) = 0 se e s´o se a=b

(|ab| ≥0) (|ab|= 0a=b)

iii. d(a, b) =d(b, a),∀a, b∈R iv. d(a, b)≤d(a, c) +d(b, c),∀a, b, c∈R (|ab|=|ba|) (|ab| ≤ |ac|+|bc|)

(11)

Observa¸c˜ao 1.6. A distˆancia de qualquer ponto a zero ´e d(a,0) =|a−0|=|a|. Ent˜ao, pelo axioma (iv), obtemos a desigualdade triangular:

|a−(−b)| ≤ |a−0|+| −b−0| ⇔ |a+b| ≤ |a|+| −b| ⇔ |a+b| ≤ |a|+|b|.

Observa¸c˜ao 1.7. Se a∈R eδ >0, dizer que d(x, a)< δ significa quex∈]a−δ, a+δ[ ou ainda que a−δ < x < a+δ.

Assim, o conjunto dos pontos cuja distˆancia a 3 ´e inferior a 2,d(x,3)<2, ´e

A={x∈R:|x−3|<2}={x∈R:−2< x−3<2}={x∈R:−2 + 3< x <2 + 3}=]1,5[.

1.3.1 Aproxima¸c˜ao de N´umeros Reais

Defini¸c˜ao 1.1. Sejam z um n´umero real e δ um n´umero real positivo (δ >0). Diz-se que o n´umero real y ´e umaaproxima¸c˜ao dez com erro inferior a δ se a distˆancia entre z e y ´e inferior a δ,

d(z, y) = |z−y| < δ Exemplo 1.10. 1. Sejaz = √

2 = 1.414213562. . ..

ˆ 1.4 ´e uma aproxima¸c˜ao de √

2 com erro inferior a 0.1: |√

2−1.4| < 0.1

ˆ 1.414 ´e uma aproxima¸c˜ao de √

2 com erro inferior a 10−3: |√

2−1.414| < 0.001 1.414 ´e umamelhor aproxima¸c˜ao de √

2 do que 1.4!

2. O intervalo de n´umeros reais ]2.998,3.002[ pode ser representado na forma |x−3|<0.002.

Exerc´ıcio resolvido 1.2. Determine um n´umero real r tal que,

“Se a distˆancia de x a 2 ´e menor do quer e a distˆancia de y a 6 ´e menor do quer, ent˜ao a distˆancia de x+y a 8 ´e menor do que 0.1.”

Traduzindo o problema em linguagem matem´atica temos:

|x−2|< r

|y−6|< r

=⇒ |(x+y)−8|<0.1

Como|(x+y)−8|=|(x−2) + (y−6)| ≤ |x−2|+|y−6|< r+r = 2r,basta que2r= 0.1, ou seja, r= 0.05 (naturalmente que se r for superior a este valor a desigualdade mant´em-se v´alida).

1.3.2 Vizinhan¸ca

V´ıdeo sobre o conceito de vizinhan¸ca

https://www.youtube.com/watch?v=EwQHTNcc8bs

Uma vizinhan¸ca de um ponto a ∈ R ´e um intervalo aberto, contendo o ponto a. Usualmente denota-se porV(a).

No ˆambito desta disciplina vamos considerar apenas vizinhan¸cas centradas no ponto a, isto ´e, intervalos do tipo ]a−δ, a+δ[, comδ >0.

Definimos ainda:

(12)

ˆ vizinhan¸ca esquerda de a, que se denota por V(a), como sendo um intervalo ]a−δ, a[, com δ >0.

ˆ vizinhan¸ca direita de a, que se denota por V(a+), como sendo um intervalo ]a, a+δ[, com δ >0.

E usual dizer que o raio da vizinhan¸´ ca ]a−δ, a+δ[ ´e δ ou que se trata de uma vizinhan¸ca de raioδ de a. Se for necess´ario especificar o raio da vizinhan¸ca usam-se as nota¸c˜oes Vδ(a), Vδ(a) e Vδ(a+).

Exemplo 1.11. ˆ V(2) =]0,4[=]2−2,2 + 2[, sendo δ= 2;

ˆ V(2) =]1.99,2.01[=]2−0.01,2 + 0.01[, sendo δ= 0.01;

ˆ V(0) =]−0.001,0[, sendoδ = 0.001;

ˆ V(100+) =]100,100.05[, sendoδ = 0.05.

1.4 A reta “acabada”

Se adicionarmos ao conjunto dos n´umeros reais os elementos +∞ e −∞ obtemos um novo conjunto, designado porreta acabada,R,e

Re =R∪ {−∞,+∞}.

A no¸c˜ao de ordem estende-se naturalmente a este conjunto definindo

−∞ < x < +∞,∀x∈R.

Podemos, parcialmente, estender a aritm´etica de Ra R. See a∈R, ent˜e ao:

a+∞= +∞ sea6=−∞, a− ∞=−∞ sea6= +∞

a×(+∞) =

+∞ se a >0

−∞ se a <0 a×(−∞) =

−∞ se a >0 +∞ se a <0

a+∞=

+∞ se a >1 N D se a= 1 0 se 0< a <1

a−∞=

0 se a >1 N D se a= 1 +∞ se 0< a <1

Note-se que as express˜oes +∞ − ∞, 1±∞e 0×(±∞) n˜ao est˜ao definidas e portanto n˜ao tˆem qualquer significado (dizem-se indetermina¸c˜oes).

Vizinhan¸cas de ∞:

ˆ O conjunto ]b,+∞[, comb∈R´e uma vizinhan¸ca esquerda de +∞;

ˆ O conjunto ]− ∞, b[ comb∈R´e uma vizinhan¸ca direita de−∞.

1.5 Topologia da reta R

Aqui fazer um v´ıdeo curtinho com estas no¸c˜oes

Nesta sec¸c˜ao vamos referir algumas no¸c˜oes que no 2ºsemestre ser˜ao definidas emRn.

(13)

Complementar - O complementar de um conjunto A ⊆ R, denotado por R\A, ´e o conjunto de todos os elementos que est˜ao emRe n˜ao est˜ao emA.

Interior - a ∈ A diz-se ponto interior do conjunto A ⊆ R, se existe uma vizinhan¸ca V(a) de a, contida emA,V(a)⊆A, isto ´e,a∈A´e ponto interior aA se e s´o se

∃δ >0 : ]a−δ, a+δ[

| {z }

Vδ(a)

⊆A.

Ointerior de A´e o conjunto de todos os pontos interiores de Ae denota-se por Int(A).

Exterior - a ∈R\A diz-se ponto exterior a A⊆ Rse existe uma vizinhan¸ca V(a) de acontida no complementar de A,V(a)⊆R\A, isto ´e,

∃δ >0 : ]a−δ, a+δ[⊆R\A.

a∈R´e ponto exterior deA se e s´o se ´e ponto interior de R\A. (Porquˆe?)

Oexterior deA ´e o conjunto de todos os pontos exteriores de A e denota-se por Ext(A).

Fronteira - Um ponto a∈Rdiz-seponto fronteira deA⊆R se toda a vizinhan¸ca de ainterseta A e interseta o complementar deA (R\A), isto ´e,

∀δ >0,]a−δ, a+δ[∩A6=∅∧]a−δ, a+δ[∩R\A6=∅.

a∈R´e ponto fronteira deA se e s´o se ´e ponto fronteira de R\A. (Porquˆe?)

A fronteira de A ´e o conjunto de todos os pontos fronteira de A e denota-se por Frt(A).

Fecho (ou aderˆencia) - O conjunto formado pelos pontos fronteira e pelos pontos interiores de A ⊆ R designa-se por fecho ou aderˆencia de A e denota-se por A, A = Int(A)∪Frt(A). Os pontos de Adesignam-se por pontos aderentes ou pontos de aderˆencia.

Exemplo 1.12. SejaA= [−1,0[∪]0,1[∪[π,5[.

ˆ −1 e 0 n˜ao s˜ao pontos interiores a A nem aR\A;

ˆ −

√2

2 , 0.5 e 4 s˜ao pontos interiores a A;

ˆ Int(A) = ]−1,0[∪ ]0,1[∪]π,5[;

ˆ R\A = ]− ∞,−1[∪ {0} ∪ [1, π[∪ [5,+∞[;

ˆ Ext(A) = ]− ∞,−1[∪]1, π[∪]5,+∞[;

ˆ Frt(A) = {−1,0,1, π,5};

ˆ A = [−1,1]∪[π,5].

Exerc´ıcio 1.7SejaA=]− ∞,1] ∪ {3} ∪]10,35]. Determine:

ˆ O interior de A;

ˆ O complementar deA;

ˆ O exterior deA;

ˆ A fronteira deA;

ˆ O fecho de A.

(14)

1.5.1 Conjunto aberto, conjunto fechado

Aberto - Um conjunto A⊆Rdiz-se aberto emRseA = Int(A).

Fechado - Um conjunto A ⊆ R diz-se fechado em R se o seu complementar ´e aberto, isto ´e, se R\A = Ext(A).

Exemplo 1.13. S˜ao conjuntos abertos os conjuntos ]−1,4[ ; ]2,3[∪]3,5[ ; ]2,+∞[ ;R;∅.

S˜ao conjuntos fechados os conjuntos [−1,4] ; ]− ∞,3] ; [2,3] ∪ [4,+∞[ ; R;∅.

Os conjuntos [−1,3[ e ]4,7] n˜ao s˜ao abertos nem fechados.

Observa¸c˜ao 1.8. R e∅ s˜ao conjuntos abertos efechados.

Proposi¸c˜ao 1.1. Um conjunto A ⊆ R ´e fechado em R se e s´o se coincide com o seu fecho, i.e., A = A. Equivalentemente, um conjunto A ⊆ R ´e fechado se e s´o se cont´em a sua fronteira, i.e., A⊇Frt(A).

Exemplo 1.14. SejaA= [2,8]∪ {0,1,9}.

ˆ Int(A) =]2,8[

ˆ Frt(A) ={0,1,2,8,9}

ˆ A= Int(A)∪Frt(A) =A Logo, A´e um conjunto fechado.

1.5.2 Ponto de acumula¸c˜ao e ponto isolado

SejaA ⊆R. Um ponto a∈ Rdiz-se ponto de acumula¸c˜ao de A se toda a vizinhan¸ca de a, V(a), interseta A\ {a}:

∀V(a),V(a) ∩ A\ {a} 6= ∅

Usando as vizinhan¸cas centradas no ponto, podemos escrever a defini¸c˜ao de ponto de acumula¸c˜ao na forma:

a∈R´eponto de acumula¸c˜ao de Ase e s´o se ∀δ >0, ]a−δ, a+δ[∩ A \ {a} 6= ∅.

Ao conjunto dos pontos de acumula¸c˜ao deA chama-se derivado de A e denota-se porA0.

Um ponto a∈ A diz-se ponto isolado de A se existe uma vizinhan¸ca de a, V(a), que interseta A apenas no pontoa:

∃V(a) :V(a)∩A={a}.

Usando de novo as vizinhan¸cas centradas no ponto, podemos dizer que

a∈A´e um ponto isolado de Ase e s´o se ∃δ >0 : ]a−δ, a+δ[∩A = {a}.

Observe queA0∩ {pontos isolados de A}=∅ e queA0∪ {pontos isolados de A}=A.

Exemplo 1.15. SejaA = ]−√

7,3] ∪ {π}. Ent˜ao o derivado deA ´e A0 = [−√

7,3] eπ ´e o ´unico ponto isolado de A. o fecho deA´e o conjunto [−√

7,3]∪ {π}.

Observa¸c˜ao 1.9. Em Re, o ponto +∞ (resp. −∞) pode ser considerado ponto de acumula¸c˜ao e de aderˆencia de todo o subconjunto deRsuperiormente (resp. inferiormente) ilimitado.

Por exemplo, se A = [3,+∞[ podemos dizer que, em Re, a = +∞ ´e um ponto de acumula¸c˜ao e um ponto de aderˆencia de A.

(15)

Proposi¸c˜ao 1.2. Se A⊆R, verificam-se as seguintes propriedades:

1. Int(A)⊆A;

2. Int(A)∩Frt(A) = Ext(A)∩Frt(A) = ∅;

3. Int(A)∪Frt(A)∪Ext(A) = R;

4. Int(A) ⊆ A0;

5. Int(A)∩Ext(A) = ∅;

6. A = A∪Frt(A);

7. Ext(A) = Int(R\A);

8. O limite de uma sucess˜ao convergente ´e um ponto de aderˆencia do conjunto dos seus termos, i.e.,

Sel= lim

n→+∞un ent˜aol∈ {un:n∈N} Exemplo 1.16. As propriedades da proposi¸c˜ao 1.2 aplicadas aos conjuntos

1. A= [2,3[:

ˆ Int(A) =]2,3[⊆A

ˆ Frt(A) ={2,3}

ˆ R\A=]− ∞,2[∪[3,+∞[

ˆ Ext(A) =]− ∞,2[∪]3,+∞[= Int(R\A)

ˆ Int(A) = [2,3]

ˆ A= Int(A)∪Frt(A) =]2,3[∪{2,3}= [2,3]

ˆ A0 = [2,3]

3 ´e ponto de acumula¸c˜ao de A porque qualquer vizinhan¸ca de 3 intersetaA.

∀δ >0,]3−δ,3 +δ[∩A6=∅.

Repare que como 3∈/ A n˜ao ´e necess´ario escrever interseta A\ {3}.

ˆ Todos os pontos deA s˜ao pontos de acumula¸c˜ao de A.

ˆ A n˜ao tem pontos isolados.

2. e B=

xn= 5 + 1

n :n∈N

:

ˆ Int(B) =∅ ⊆B

ˆ Frt(B) =B∪ {5}

Note-se que 5 ´e o limite da sucess˜ao (xn)n.

ˆ R\B =]− ∞,5]∪

5 + 1

n+ 1,5 + 1 n

:n∈N

∪]6,+∞[

ˆ Ext(B) =R\(B∪ {5}) = Int(R\B)

ˆ Int(B) =∅

ˆ B = Int(B)∪Frt(B) =B∪ {5}

(16)

ˆ B0 ={5}

5 ´e ponto de acumula¸c˜ao de B porque qualquer vizinhan¸ca de 5 cont´em pontos deB:

∀ >0,∃xn∈B :xn∈]5−,5 +[

As condi¸c˜oesxn∈]5−,5 +[ e|xn−5|< s˜ao equivalentes. Assim,

|xn−5|< ⇔ 1

n < ⇔n > 1 e se, por exemplo, n=

1

+ 11,xn∈B∩]5−,5 +[;

ˆ Todos os pontos deB s˜ao pontos isolados, porque encontramos sempre uma vizinhan¸ca de cada um deles que s´o interseta o conjunto B no pr´oprio ponto.

Observe-se que para cadaxn∈B, o ponto de B mais pr´oximo de xn ´e xn+1 e d(xn, xn+1) =|xn−xn+1|= 1

n(n+ 1).

Assim, se considerarmosδ = 2n(n+1)1 , o ´unico ponto de B que est´a em ]xn−δ, xn+δ[ ´e o pr´oprio xn:

]xn−δ, xn+δ[∩B ={xn}.

1.6 Solu¸ c˜ oes dos exerc´ıcios do cap´ıtulo

Exerc´ıcio 1.2 1. Falso;

2. Verdadeiro.

Exerc´ıcio 1.7

ˆ Int(A) =]− ∞,1[]10,35[;

ˆ R\A=]1,3[]3,10]]35,+∞[;

ˆ Ext(A) =]1,3[]3,10[]35,+∞[;

ˆ Frt(A) ={1,3,10,35};

ˆ A=]− ∞,1] ∪ {3} ∪ [10,35].

1

1

e-se caracter´ıstica de 1

e ´e o maior inteiro que n˜ao excede 1 .

(17)

Fun¸ c˜ oes reais de vari´ avel real: recordar

Este cap´ıtulo ´e uma breve revis˜ao do que foi estudado sobre este tema no ensino secund´ario e que ´e suposto os estudantes recordarem para ser usado na unidade curricular C´alculo I. Este cap´ıtulo pode ser complementado com materiais dispon´ıveis na wiki Matem´atica Elementar.

2.1 Conceito de fun¸ c˜ ao

v´ıdeo da khan academy

https://youtu.be/AX_l02JuJ84

Sejam A e B conjuntos n˜ao vazios. Uma fun¸c˜ao f : A → B ´e uma correspondˆencia que a cada elemento x∈A associaum ´unico elemento f(x)∈B. Isto escreve-se

f : A → B

x 7→ f(x) e, em nota¸c˜ao l´ogica, ∀x∈A,∃1y∈B:y=f(x) O quantificador∃1 significa “existe um e um s´o” ou “existe um ´unico”.

Chama-se dom´ınio de f ao conjunto A, conjunto de chegada ao conjunto B e contradom´ınio (ouconjunto das imagens) de f ao conjunto dado por

f(A) ={f(x) : x∈A} ⊆B

O dom´ınio de f denota-se porDf e o seu contradom´ınio porCDf =f(Df).

v´ıdeo sobre o contradom´ınio -khan academy https://youtu.be/4-1hb1KsZN8

A fun¸c˜aof ´ereal de vari´avel realse tem conjunto de chegadaRe o dom´ınio def ´e um subconjunto de R, isto ´e,Df ⊆R.

f : Df ⊆R → R x 7→ f(x) .

E preciso distinguir entre o dom´ınio de uma fun¸´ c˜ao e o dom´ınio da sua express˜ao (ou seja, o maior subconjunto de R onde esta tem significado). Uma fun¸c˜ao definida s´o por uma express˜ao tem o dom´ınio da express˜ao.

Fun¸c˜oes que diferem apenas no dom´ınios˜ao diferentes!

14

(18)

Exemplo 2.1. A fun¸c˜aog:R+0 →R dada porg(x) =x2 n˜ao est´a definidapara valores negativos apesar destes fazerem parte do dom´ınio da express˜ao x2.

Observe-se queg´e a restri¸c˜ao def ao conjuntoR+0. A restri¸c˜ao denota-se da seguinte formag=f|

R+0.

f(x) =x2

g(x) =x2

Figura 2.1: Gr´afico das fun¸c˜oes f(x) =x2 com dom´ınioDf =Re g(x) =x2 com dom´ınioDg =R+0.

V´ıdeo de um exemplo da khan academy https://youtu.be/9X8pd1u3uAU

Exemplo 2.2. O dom´ınio da fun¸c˜ao definida por

h(x) =





 1

1−x2 sex≥0

√x+ 1 sex <0

´

e o conjunto

Dh={x∈R: 1−x2 6= 0∧x≥0}∪{x∈R:x+1≥0∧x <0}= [−1,0[∪[0,+∞[\{1}= [−1,+∞[\{1}

Chama-se gr´afico da fun¸c˜ao f ao subconjunto deR2 definido por Grf =

x, f(x)

∈R2 : x∈Df

Os gr´aficos, sendo conjuntos de pontos no plano, permitem representar graficamente uma fun¸c˜ao.

Nem sempre as curvas no plano s˜ao fun¸c˜oes. Explique porque ´e que uma circunferˆencia n˜ao pode ser o gr´afico de uma fun¸c˜ao.

2.2 Fun¸ c˜ ao composta

v´ıdeo sobre fun¸c˜ao composta khan academy https://youtu.be/aRp10PXGhF8

e

https://youtu.be/cqzAAT2TSCA e ainda com tabelas

https://youtu.be/CXw4H-QVyYk e com gr´aficos

https://youtu.be/v-VSBJZJLs0

(19)

Exemplos

https://youtu.be/4TcUN0lcVBI finalmente

https://youtu.be/pTIwwa30Iqc

Dadas duas fun¸c˜oesf :Df ⊆R→Re g:Dg ⊆R→R, se o contradom´ınio def for um subconjunto do dom´ınio deg ( CDf ⊆Dg) pode definir-se a fun¸c˜ao compostag◦f:

g◦f : Df → R x 7→ g(f(x)) Exemplo 2.3. Considere as fun¸c˜oesf e g definidas porf(x) =√

x e g(x) =x2. Vamos determinar as fun¸c˜oesg◦f e f◦g (ou seja, os dom´ınioseas respetivas express˜oes anal´ıticas).

ComoDf =R+0 eDg =R(eCDf =CDg =R+0 — verifique!), tem-se que (g◦f)(x) = (√

x)2 =x, com o dom´ınio Dg◦f ={x∈R:x∈R+0 ∧f(x)∈R}=R+0 (f◦g)(x) =

x2=|x|, com o dom´ınio Df◦g ={x∈R:x∈R∧g(x)∈R+0}=R Se h for uma fun¸c˜ao real de vari´avel real definida pela composi¸c˜ao de duas fun¸c˜oes, ou seja, se

h(x) = (g◦f)(x) =g f(x)

ent˜ao o dom´ınio da fun¸c˜ao composta,h, ´e definido por: Dg◦f ={x∈R:x∈Df ∧f(x)∈Dg}.

Exemplo 2.4. Considere-se a fun¸c˜ao definida pela express˜ao anal´ıtica f(x) =

r 4−x x2−2x.

O dom´ınio de f ser´a o maior subconjunto de R onde a express˜ao anal´ıtica tem significado. Note-se quef =g◦h comg(x) =√

x e h(x) = 4−x

x2−2x. Assim, Df ={x∈R:x∈Dh∧h(x)∈Dg}

=

x∈R:x2−2x6= 0∧ 4−x x2−2x ≥0

=]− ∞,0[∪]2,4]

poisDh={x∈R:x2−2x6= 0}e Dg=R+0.

Exerc´ıcio 2.1Considere a fun¸c˜ao definida porh(x) = ln(1−√ x):

1. Sendoh=g◦f, com g(x) = lnx e f(x) = 1−√

x, determineDh.

2. Seja i(x) = ln(x+ 1). encontre j de forma a que h=i◦j e verifique queDi◦j =Dh.

Exerc´ıcio 2.2Sejam f :Df →R dada porf(x) = 1

x−4 e g:Dg→R dada porg(x) = 5 +√ 1−x 1. Determine os dom´ınios de f e g,Df e Dg, e o contradom´ınio de g,CDg=g(Dg).

2. Qual ´e o dom´ınio da fun¸c˜ao f+g? E de f g?

(20)

2.3 Fun¸ c˜ oes injetivas e fun¸ c˜ oes sobrejetivas

Defini¸c˜ao 2.1. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→R diz-se injetiva se

∀x, x0 ∈Df, x6=x0 ⇒f(x)6=f(x0).

Pode provar-se a injetividade de uma fun¸c˜ao usando o facto de que a fun¸c˜aof ´e injetiva se e s´o se

∀x, x0 ∈Df, f(x) =f(x0)⇒x=x0. Defini¸c˜ao 2.2. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→R diz-se sobrejetiva se

∀y ∈R,∃x∈Df :f(x) =y.

Pode mostrar-se que uma fun¸c˜ao realf ´e sobrejetiva mostrando que o seu contradom´ınio ´eCDf =R. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→Rdiz-se bijetivase ´e injetiva e sobrejetiva, ou seja,

∀y∈R,∃1x∈Df :y=f(x).

Exerc´ıcio 2.3 Considere a fam´ılia de fun¸c˜oes fa : R → R definidas por fa(x) = ax com a ∈ R+. Existe alguma fun¸c˜ao desta fam´ılia que n˜ao seja injetiva?

2.4 Fun¸ c˜ oes mon´ otonas

Defini¸c˜ao 2.3. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→R ´emon´otona crescente se

∀x1, x2∈Df, x1 < x2 ⇒f(x1)≤f(x2) e ´e mon´otona decrescentese

∀x1, x2 ∈Df, x1< x2 ⇒f(x1)≥f(x2).

Defini¸c˜ao 2.4. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→R ´emon´otona estritamente crescente se

∀x1, x2∈Df, x1 < x2 ⇒f(x1)< f(x2) e ´e mon´otona estritamente decrescente se

∀x1, x2 ∈Df, x1< x2 ⇒f(x1)> f(x2).

Exerc´ıcio 2.4 Sejaf :R\ {0} →R definida por f(x) = 1x. Mostre, usando a nega¸c˜ao da defini¸c˜ao, quef n˜ao ´e mon´otona decrescente no seu dom´ınio.

Observe, contudo, que a fun¸c˜ao ´e mon´otona decrescente em R e mon´otona decrescente em R+. v´ıdeo sobre intervalos de monotonia e sinal de f da Khan Academy

https://youtu.be/GXbzYAXbyqI

(21)

2.5 A fun¸ c˜ ao inversa

V´ıdeo da khan academy

https://youtu.be/brpV5xR4xrc tamb´em

https://youtu.be/DpZPbeTriFk gr´afico

https://youtu.be/dDyjvI4B-78 Fun¸c~ao invert´ıvel?

https://youtu.be/TSAIIxWBzOw

Sejaf :Df →R uma fun¸c˜ao injetiva. Ent˜ao, acada y∈CDf est´a associado umunico´ x∈Df tal quey =f(x). Por isso, conclui-se que existe uma fun¸c˜ao g:CDf →Rtal quey=f(x) ⇒ g(y) =x.

Denota-se porf−1 a fun¸c˜ao (dita inversade f) que satisfaz esta propriedade. Se existe, a inversa ´e

´ unica.

Uma fun¸c˜ao diz-seinvert´ıvel se admite inversa.

f ´e invert´ıvel (com inversag) se e s´o se existe g:CDf →R:∀x∈Df,(g◦f)(x) =x.

Observa¸c˜ao 2.1. O gr´afico def−1 ´e obtido do gr´afico def por simetria em rela¸c˜ao `a retay=x.

Figura 2.2: Fun¸ao inversa

Nunca confundira fun¸c˜ao inversa com a potˆencia def de expoente −1 f−1(x)6= f(x)−1

= 1

f(x)

Observa¸c˜ao 2.2. Repare-se que se f invert´ıvel e a sua inversa ´e f−1, ent˜ao f ´e a inversa de f−1 e portanto (f◦f−1)(y) =y,∀y∈CDf =Df−1.

Por´em, pode haver fun¸c˜oes f e g : CDf → R tal que (f ◦g)(y) = y, ∀y ∈ CDf, sem que f seja invert´ıvel!

Exerc´ıcio 2.5Prove que a fun¸c˜ao definida porf(x) =x2 n˜ao ´e invert´ıvel. Verifique que seg(x) =√ x, ent˜ao f(g(y)) =y,∀y∈CDf.

Por´em, g n˜ao ´e f−1 nemf ´eg−1. Porquˆe?

Teorema 2.1. Sef ´e estritamente mon´otona ent˜ao f ´e injetiva (e invert´ıvel).

A rec´ıproca ´e verdadeira?

(22)

Teorema 2.2. A fun¸c˜ao f ´e estritamente crescente [resp. decrescente] em Df se e s´o se a fun¸c˜ao f−1 ´e estritamente crescente [resp. decrescente] emCDf.

Exerc´ıcio 2.6Verifique quef(x) =x2 comDf =R0 ´e invert´ıvel e determine a sua inversa.

Teorema 2.3. Sejamf egduas fun¸c˜oes invert´ıveis. No seu dom´ınio, a fun¸c˜ao compostaf◦gtamb´em

´

e invert´ıvel e a sua inversa ´e(f ◦g)−1 =g−1◦f−1. ver o v´ıdeo da khan academy

https://youtu.be/9YzYFj71rSk e https://youtu.be/swhfRCbj_gY

Exerc´ıcio 2.7Determine as inversas (com dom´ınios!) def(x) = 1

1 +x, de g(x) =√

x e def ◦g.

2.6 Fun¸ c˜ oes pares e ´ımpares

v´ıdeo da khan academy

https://youtu.be/gHIZ5_3u5JA exemplo

https://youtu.be/FXAm5WiMFhM

Seja D ⊆ R um conjunto sim´etrico em rela¸c˜ao `a origem, isto ´e, se x ∈ D o seu sim´etrico, −x, tamb´em est´a emD:

∀x∈D,−x∈D Uma fun¸c˜ao f :D⊆R→R diz-se

ˆ par sef(−x) =f(x),∀x∈D.

ˆ ´ımpar sef(−x) =−f(x),∀x∈D.

As fun¸c˜oes pares tˆem gr´aficos sim´etricos em rela¸c˜ao ao eixo das ordenadas. As fun¸c˜oes ´ımpares tˆem gr´aficos sim´etricos em rela¸c˜ao `a origem do referencial.

Figura 2.3: Fun¸ao par e fun¸ao ´ımpar.

Exemplo 2.5. Considerem-se as fun¸c˜oes definidas emR porf(x) = 2x4−3x2,g(x) =−2x3+ 4x e h(x) = 2x2−3x.

f ´e uma fun¸c˜ao par;g ´e uma fun¸c˜ao ´ımpar e hn˜ao ´e par nem ´ımpar.

(23)

2.7 Fun¸ c˜ ao limitada

Defini¸c˜ao 2.5. Uma fun¸c˜ao f :Df ⊆R→R diz-se limitada se

∃M ∈R:∀x∈Df,|f(x)| ≤M.

Pode traduzir-se a defini¸c˜ao de fun¸c˜ao limitada de forma equivalente por:

∃A, B∈R:A≤f(x)≤B, ∀x∈Df.

Em linguagem corrente poderemos dizer que o gr´afico de uma fun¸c˜ao limitada est´a contido entre duas retas paralelas ao eixo das abcissas.

Exemplo 2.6. A fun¸c˜ao definida emRpor f(x) = x23+4 ´e uma fun¸c˜ao limitada. Basta observar que x2+ 4≥4, ∀x∈Re portanto,

0< 3

x2+ 4 ≤ 3 4.

Contudo, a fun¸c˜aog(x) = x+43 , comx6=−4 n˜ao ´e limitada. Qualquer que seja o n´umero real positivo L, existex∈Dg tal queg(x)> L, basta escolher x tal que−4< x < 3

L −4.

−8 −6 −4 −2 2 4 6 8

−6

−4

−2 2 4 6

g(x) = 3 x+ 4 f(x) = 3

x2+ 4

x=−4

Figura 2.4: Gr´aficos das fun¸c˜oesf e g.

O gr´afico da fun¸c˜ao f situa-se entre as retasy= 0 ey = 3

4, mas o gr´afico da fun¸c˜aog n˜ao ´e limitado.

(24)

Exerc´ıcio 2.8Sejaf :R→Rdefinida porf(x) =x2. Mostre quef n˜ao ´e limitada.

2.8 As fun¸ c˜ oes exponencial e logar´ıtmica

As fun¸c˜oes exponencial, expa, e logar´ıtmica, loga, de basea∈R+\ {1}s˜ao a inversa uma da outra.

expa : R → R

x 7→ y = expax=ax

loga : R+ → R

x 7→ y= logax

ˆ Dexp =R=CDlog e Dlog =R+=CDexp

ˆ S˜ao estritamente mon´otonas

crescentes sea >1 e decrescentes se 0< a <1

ˆ Pelas propriedades da inversa,

logaax=x,∀x∈Re alogax=x,∀x∈R+

Assim, usando as propriedades do logaritmo, obt´em-se a importante f´ormula (base a=e)

∀x∈R+,∀y∈R, xy =eylnx.

basea >1 base 0< a <1 Figura 2.5: Fun¸ao exponencial e fun¸ao logar´ıtmica.

2.9 Limites de fun¸ c˜ oes reais de vari´ avel real

Nesta sec¸c˜ao recorda-se a no¸c˜ao de limite e algumas propriedades dos limites de fun¸c˜oes reais de vari´avel real.

O conceito de limite - v´ıdeo https://youtu.be/_WOr9-_HbAM

Para efeitos de limite vamos considerar a reta acabadaRe (isto ´e, consideraremos os casos em queael poder˜ao assumir os valores±∞) e se Dfor ilimitado superiormente (resp. inferiormente), +∞ (resp.

−∞) ´e um ponto de acumula¸c˜ao deD.

(25)

2.9.1 Defini¸c˜ao sequencial de limite

Sejaf :D⊆R→R,a∈Re um ponto de acumula¸c˜ao de De l∈Re. Diz-se quef tem limitel quando x tende para aemD,

x→alimf(x) =l,

se para toda a sucess˜ao (xn)n∈N, de elementos de D, distintos dea, que tende paraa,

n→+∞lim xn=a, a correspondente sucess˜ao das imagens (f(xn))n∈

Ntende para l,

n→+∞lim f(xn) =l.

Em linguagem simb´olica temos:

x→alimf(x) =l⇔ ∀(xn)n, xn∈D\ {a}:xn→a⇒f(xn)→l.

Recordemos que o limite, quando existe, ´eunico.´ Exemplo 2.7. Sejaf(x) = x

x2+ 2 comDf =R, e considere-se a sucess˜ao xn= 1+(−1)n n . xn∈Df \ {1},∀n∈N, lim

n→+∞xn= 1 e lim

n→+∞f(xn) =13. Considerando apenas esta sucess˜ao poderemos concluir que lim

x→1f(x) = 1 3?

Figura 2.6: A no¸ao de limite.

Considere a sucess˜ao definida por un= 1−20

n e calcule os primeiros 30 termos da sucess˜ao (f(un))n. Ainda acha que o limite de f(x) quando x tende para 1 ´e 1

3?

Deveremos ter cuidado com as conclus˜oes, quando consideramos apenas uma sucess˜ao! Para garantir que o limite ´e 1

3, devemos considerar qualquersucess˜ao:

∀(xn)n, xn∈Df \ {1},∀n∈N, xn→1 ⇒ f(xn) = xn

x2n+ 2 → 1

12+ 2 = 1 3. Exemplo 2.8. Considere a fun¸c˜ao definida emRpor

f(x) =

1 +x se x≥1 1−x se x <1

(26)

Se considerarmos as sucess˜oes de termo geral xn = 1 + 1

n e yn = 1− 1

n, ambas convergentes para 1, temos que

f(xn) = 1 +xn= 1 + 1 + 1

n = 2 + 1

n ef(yn) = 1−

1− 1 n

= 1 n.

A sucess˜ao (f(xn))nconverge para 2 e a sucess˜ao (f(yn))nconverge para 0. O que nos permite concluir que n˜ao existe limite def(x) quando xtende para 1.

2.9.2 Limite usando vizinhan¸cas

Podemos definir o limite em termos de vizinhan¸cas:

x→alimf(x) =l ⇐⇒ ∀V(l), ∃V(a) : f(D∩ V(a)\ {a})⊆ V(l),

ou seja, para cada vizinhan¸caV(l) del∈Re, existe uma vizinhan¸ca V(a) dea∈Re tal quef(x)∈ V(l), para todo o x∈ V(a)∩D, distinto dea.

Exemplo 2.9. Voltando `a fun¸c˜ao do exemplo 2.7, f:Df⊆R→Rdada porf(x) = x x2+ 2:

Figura 2.7: A no¸ao de limite-2.

x→1limf(x) = 1

3 porque para cada vizinhan¸ca de 1

3, V(13), existe uma vizinhan¸ca de 1, V(1), tal que, f(V(1))⊆ V(1

3), ou seja,

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, 0<|x−1|< δ⇒

f(x)− 1 3

< .

em que V(13) =1

3 −,13 +

e V(1) =]1−δ,1 +δ[.

Exemplo 2.10. Considerem-se as fun¸c˜oes g ef. g(x) =

(xlnx sex >0

x sex <0 e f(x) =

sen (x−1)

x−1 sex6= 1

0 sex= 1

O dom´ınio de g´eR\ {0}, mas existe lim

x→0g(x).

x→0lim+g(x) = lim

x→0+xlnx= 0 e lim

x→0g(x) = lim

x→0x= 0.

O dom´ınio de f ´e Re o lim

x→1f(x) existe mas ´e diferente de f(1).

x→1limf(x) = lim

x→1

sen (x−1) x−1 = lim

y→0

seny y = 1

(27)

Figura 2.8: Gr´afico da fun¸aog.

Figura 2.9: Gr´afico da fun¸c˜ao f.

2.9.3 Limites infinitos e limites “no infinito”

Exemplo de v´ıdeo com polin´omios https://youtu.be/ArORO9UVlRo

A defini¸c˜ao de limite dada aplica-se quer no caso dea=±∞, quer no caso de l=±∞, considerando vizinhan¸cas esquerdas de +∞ ou vizinhan¸cas direitas de−∞.

Se a∈R, V(a) =]a−δ, a+δ[ Se l∈R, V(l) =]l−ε, l+ε[

Se a= +∞, V(a) =]δ,+∞[ Se l= +∞, V(l) =],+∞[

Se a=−∞, V(a+) =]− ∞, δ[ Sel=−∞, V(l+) =]− ∞, [

Sejam f : D ⊆ R → R, a ∈ Re um ponto de acumula¸c˜ao de D e l ∈ Re. Em linguagem simb´olica o

x→alimf(x) =l escreve-se Se l, a∈R

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, 0<|x−a|< δ⇒ |f(x)−l|< . e basta notar que V(l) =]l−, l+[ eV(a) =]a−δ, a+δ[

Se l∈R e a= +∞

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, x > δ ⇒ |f(x)−l|< . e basta notar que V(l) =]l−, l+[ eV(a) =]δ,+∞[

Se l= +∞ e a∈R

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, 0<|x−a|< δ⇒f(x)> . e basta notar que V(l) =],+∞[ e V(a) =]a−δ, a+δ[

Se l= +∞ e a= +∞

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, x > δ ⇒f(x)> . e basta notar que V(l) =],+∞[ e V(a) =]δ,+∞[

(28)

Se l=−∞ e a= +∞

∀ >0, ∃δ >0 : ∀x∈D, x > δ⇒ −f(x)> . e basta notar que V(l+) =]− ∞, [ eV(a) =]δ,+∞[

Exemplo 2.11. Usemos a defini¸c˜ao para mostrar que lim

x→−∞

1 x = 0.

∀ >0,∃δ >0 :−x > δ⇒ 1 x −0

< ⇔ ∀ >0,∃δ >0 :−x > δ ⇒ −1 x < .

Observe-se que se −x > 1

ent˜ao −1

x < . Assim,

∀ >0,∃δ= 1

>0 :−x > δ⇒ 1 x −0

| {z }

=−1x

< ⇔ ∀ >0,∃δ = 1

>0 :−x > 1

⇒ −1 x < .

2.9.4 Limites laterais

Exemplo em v´ıdeo

https://youtu.be/Y7sqB1e4RBI

Diz-se quef tem limitelquando x tende para a, por valores `a direita de aemD

x→alim+f(x) =l

se, para cada vizinhan¸ca V(l) de l em Re, existe uma vizinhan¸ca direita V(a+) de a em R, tal que f(x)∈ V(l), para todo ox∈ V(a+)∩D, ou seja,

Se l∈R, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a, a+δ[∩D⇒ |f(x)−l|<

Se l= +∞, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a, a+δ[∩D⇒f(x)>

Se l=−∞, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a, a+δ[∩D⇒ −f(x)>

Diz-se quef tem limitelquando x tende para a, por valores `a esquerda de aemD

x→alimf(x) =l

se, para cada vizinhan¸ca V(l) de l em R, existe uma vizinhan¸e ca esquerda V(a) de a em R, tal que f(x)∈ V(l), para todo ox∈ V(a)∩D, ou seja,

Se l∈R, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a−δ, a[∩D⇒ |f(x)−l|<

Se l= +∞, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a−δ, a[∩D⇒f(x)>

Se l=−∞, ∀ >0,∃δ >0 :x∈]a−δ, a[∩D⇒ −f(x)>

2.9.5 Propriedades dos limites Unicidade do limite Se existe em Re o lim

x→af(x) ent˜ao esse limite ´e ´unico. Porquˆe?

(29)

Limite e limites laterais Sejamf :D⊆R→Re aum ponto de acumula¸c˜ao de D,

x→alimf(x) =l se e s´o se lim

x→af(x) = lim

x→a+f(x) =l.

a menos quef esteja apenas definida `a direita de aou `a esquerda dea.

Se f est´a definida apenas `a direita dea,

x→alimf(x) = lim

x→a+f(x) e se f est´a definida apenas `a esquerda dea

x→alimf(x) = lim

x→af(x)

Todas as propriedades enunciadas para limites tamb´em s˜ao v´alidas para os limites laterais.

2.9.5.1 Infinit´esimos e infinitamente grandes

ˆ Se lim

x→af(x) = 0,f diz-se um infinit´esimo coma.

ˆ Se lim

x→af(x) =±∞,f diz-se um infinitamente grande coma.

Teorema 2.4. Sejam f :D⊆R→Ruma fun¸c˜ao e a um ponto de acumula¸c˜ao de D.

ˆ Se lim

x→af(x) = 0, com f(x)6= 0 numa vizinhan¸ca dea, ent˜ao lim

x→a

1

|f(x)| = +∞.

ˆ Se lim

x→a|f(x)|= +∞, ent˜ao lim

x→a

1 f(x) = 0.

Estes resultados costumam traduzir-se dizendo que o inverso de um infinit´esimo ´e um infinitamente grande e que o inverso de um infinitamente grande ´e um infinit´esimo.

Ver o v´ıdeo da khan academy https://youtu.be/ArORO9UVlRo e

https://youtu.be/YqfV4fa12IE e ainda

https://youtu.be/XknP7qYDKX8

e respondam ao question´ario no fim do v´ıdeo

2.9.5.2 Propriedades Aritm´eticas dos Limites

Sejam f :Df ⊆R→Re g:Dg ⊆R→R,aum ponto de acumula¸c˜ao de Df ∩Dg.

Se lim

x→af(x) =l e lim

x→ag(x) =m, coml, m∈Re, ent˜ao:

• lim

x→a(f(x)±g(x)) =l±m; • lim

x→a(f(x)g(x)) =l m; • lim

x→a

f(x) g(x) = l

m sem6= 0.

Observa¸c˜ao 2.3. ˆ N˜ao est˜ao definidas as opera¸c˜oes do tipo±∞×0; +∞−∞(indetermina¸c˜oes).

(30)

ˆ O quociente l

m pode ser encarado como um produto: l× 1 m.

Assim, as indetermina¸c˜oes do tipo e 00, podem ser consideradas como 0× ∞(ou vice-versa).

ˆ Se pn

f(x),∀x∈Df e √n

l existem emRe lim

x→af(x) =lent˜ao lim

x→a

pn

f(x) =? E sel= +∞?

Alguns doslimites not´aveis que deveremos ter presentes s˜ao os seguintes:

• lim

x→0

senx

x = 1 • lim

x→0

cosx−1

x = 0 • lim

x→0

ex−1

x = 1 • lim

x→0

ln(x+ 1)

x = 1

• lim

x→+∞

ex

xp = +∞, p∈R • lim

x→+∞

lnx

xp = 0, p∈R+ • lim

x→0+xplnx= 0, p∈R+. 2.9.6 Teoremas sobre Limites

Teorema 2.5. (Teorema da Permanˆencia do Sinal) Sejam f :D⊆R→R uma fun¸c˜ao ea um ponto de acumula¸c˜ao de D.

Se lim

x→af(x) =l6= 0 ent˜ao existe uma vizinhan¸ca dea, V(a), tal que, para todo o x∈ V(a)∩D\ {a}, f(x) tem o sinal del.

Se lim

x→af(x) =l >0 ent˜ao existe uma vizinhan¸ca de a,V(a) , tal que f(x)>0,∀x∈ V(a)∩D\ {a}.

Se lim

x→af(x) =l <0 ent˜ao existe uma vizinhan¸ca de a,V(a) , tal que f(x)<0,∀x∈ V(a)∩D\ {a}.

Teorema 2.6. (Teorema do Enquadramento) Sejam f, g e h fun¸c˜oes definidas em D ⊆ R e a um ponto de acumula¸c˜ao deD. Se existe uma vizinhan¸caV(a)deatal que f(x)≤h(x)≤g(x), ∀x∈ V(a)∩D\ {a} e

x→alimf(x) = lim

x→ag(x) =l∈Re, ent˜ao

x→alimh(x) =l.

Exerc´ıcio 2.9Para cada uma das fun¸c˜oes cujos gr´aficos est˜ao esbo¸cados nas figuras abaixo indique, caso existam emRe, os limites lim

x→a+f(x) e lim

x→af(x).

(31)

Figura 2.10: Fun¸oes do exerc´ıcio 2.9.

Exerc´ıcio 2.10Mostre, usando a defini¸c˜ao de limite que lim

x→12(x+ 1) = 4.

Exerc´ıcio 2.11 Seja f : ]1, +∞[→ R definida por f(x) = 1

x. Mostre, usando sucess˜oes, que

x→+∞lim f(x) = 0.

Exerc´ıcio 2.12 Sejaf : D ⊆ R → R. Se existe uma sucess˜ao (xn)n∈N : xn −→ a, xn ∈ D\{a} e (f(xn))n∈

N n˜ao converge ent˜ao que dizer sobre 1. lim

x→af(x)?

2. lim

x→0sen1 x =?

Exerc´ıcio 2.13Justifique que:

1. lim

x→ax=a 2. lim

x→ac=c;

3. lim

x→0

1

x n˜ao existe em Re; 4. lim

x→0

1

x2 = +∞.

Exerc´ıcio 2.14Calcule:

1. lim

x→0

sen(x2) x2 ; 2. lim

x→+∞

senx x ;

(32)

3. lim

x→−∞

5x2−sen(3x) x2+ 10 . Exerc´ıcio 2.15Seja lim

x→af(x) =l. Indique o valor l´ogico de cada uma das proposi¸c˜oes:

1. Se l= 0 existe uma vizinhan¸ca de a,V(a), tal quef(x) = 0,∀x∈ V(a)∩D\ {a};

2. Se l= 2π existe uma vizinhan¸ca de a,V(a), tal quef(x)>0,∀x∈ V(a)∩D\ {a};

3. Se l=−∞existe uma vizinhan¸ca de a,V(a), tal quef(x)<0,∀x∈ V(a)∩D\ {a}.

2.10 Fun¸ c˜ oes cont´ınuas

Defini¸c˜ao 2.6. Seja f : D ⊆ R → R. A fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em a ∈ D se e s´o se para toda a vizinhan¸ca V(f(a))de f(a), existe uma vizinhan¸ca V(a) de a, tal que

f(V(a)∩D)⊆ V(f(a)).

A defini¸c˜ao de continuidade pode ainda traduzir-se por:

∀ >0,∃δ >0 :∀x∈D,|x−a|< δ⇒ |f(x)−f(a)|<

Da defini¸c˜ao resulta imediatamente que se a for ponto isolado de D, a fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em a.

Contudo, n˜ao iremos estudar a continuidade em pontos isolados do dom´ınio da fun¸c˜ao.

Se a∈Dfor um ponto de acumula¸c˜ao de D, dizer quef ´e cont´ınua emasignifica que

x→alimf(x) =f(a).

Se f n˜ao for cont´ınua em a,f diz-sedescont´ınuaema.

Defini¸c˜ao 2.7. Seja f :D⊆R→R. f diz-se cont´ınua se ´e cont´ınua em todos os pontos deD.

Observa¸c˜ao 2.4. 1. Seja f :D⊆R→Re A⊆D. f ´e cont´ınua emA se e s´o se f|A´e cont´ınua.

2. Se a fun¸c˜ao est´a definida num intervalo [a, b], f diz-se cont´ınua em a se lim

x→a+f(x) = f(a).

Analogamente, f diz-se cont´ınua emb se lim

x→bf(x) =f(b).

2.10.1 Propriedades das fun¸c˜oes cont´ınuas

Teorema 2.7. (Propriedades aritm´eticas das fun¸c˜oes cont´ınuas) Se f : Df ⊆ R → R e g : Dg ⊆ R → R s˜ao fun¸c˜oes cont´ınuas em a ∈ Df ∩Dg ent˜ao as seguintes fun¸c˜oes tamb´em s˜ao cont´ınuas ema:

(a) f±g; (b) f·g; (c) f

g, se g(a)6= 0.

A rec´ıproca da proposi¸c˜ao anterior ´e falsa. Dˆe exemplos de fun¸c˜oes descont´ınuas em que

ˆ f±g seja cont´ınua;

ˆ f·gseja cont´ınua;

ˆ f

g, com g(a)6= 0 seja cont´ınua.

(33)

Teorema 2.8. (Composi¸c˜ao de fun¸c˜oes ) Se f :Df ⊆R→ R tem limite l ∈R quando x tende para ae g:Dg ⊆R→R´e cont´ınua em l∈Dg ent˜ao a fun¸c˜ao composta g◦f tem limiteg(l) quando x tende para a:

x→alimg(f(x)) =g( lim

x→af(x)) =g(l).

Como consequˆencia, a composi¸c˜ao de fun¸c˜oes cont´ınuas ´e cont´ınua.

Corol´ario 1. Se f :Df ⊆ R → R ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua em a e g :Dg ⊆ R→ R ´e cont´ınua em f(a)∈Dg ent˜ao a fun¸c˜ao composta g◦f ´e cont´ınua em a.

Teorema 2.9. (Continuidade da fun¸c˜ao inversa) Seja Df um intervalo de n´umeros reais, f : Df ⊆ R → R uma fun¸c˜ao cont´ınua em Df e invert´ıvel. Ent˜ao a sua inversa, f−1 : CDf → R, ´e cont´ınua em CDf.

Exerc´ıcio 2.16

Caracterize a fun¸c˜ao inversa da fun¸c˜ao f e estude-a quanto `a continuidade, sendo (a)f(x) = e1−2x (b)f(x) = 5 ln(x−3)−1

4 2.10.1.1 Mais algumas indetermina¸c˜oes

Se h:D⊆R→R, ´e definida porh(x) =f(x)g(x) e f(x)>0, ∀x∈D, pode usar-se a transforma¸c˜ao f(x)g(x)=elnf(x)g(x) =eg(x) lnf(x)

para efeitos de determina¸c˜ao do seu limite.

Como a fun¸c˜ao exponencial ´e cont´ınua, se existir o lim

x→ag(x) lnf(x) ent˜ao,

x→alimf(x)g(x)=elim

x→ag(x) lnf(x) .

Este facto usa-se para “levantar”indetermina¸c˜oes do tipo 00, 1 e ∞0. Exerc´ıcio resolvido 2.1. Determinar o limite lim

x→0+2xsenx. Resolu¸c˜ao: lim

x→0+x = 0 e lim

x→0+senx = 0, o que conduz a uma indetermina¸c˜ao do tipo 00. Atendendo a que, x >0 porquex→0+,

xsenx = eln (xsenx) = esenxlnx e lim

x→0+esenxlnx =e lim

x→0+senxlnx basta determinar o lim

x→0+senxlnx.

x→0lim+senxlnx= lim

x→0+

senx

x xlnx= 1·0 = 0 Ent˜ao,

x→0lim+2xsenx= 2 lim

x→0+esenxlnx= 2e lim

x→0+senxlnx

= 2e0 = 2 Exerc´ıcio resolvido 2.2. Determinar o lim

x→0+

1 x

tgx

.

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