• Nenhum resultado encontrado

FAA FACULDADE ANGLO-AMERICANO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "FAA FACULDADE ANGLO-AMERICANO"

Copied!
53
0
0

Texto

(1)

FAA – FACULDADE ANGLO-AMERICANO

LEANDRO PIRES GUERREIRO NATÃ MAIA DA SILVA PRISCILLA RAMOS DE OLIVEIRA

COMO LIDAR COM A MORTE: ESTRESSE E MECANISMOS DE DEFESA NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA CASA DE APOIO

UNICAN DE FOZ DO IGUAÇU – PR

FOZ DO IGUAÇU – PR 2015

(2)

LEANDRO PIRES GUERREIRO NATÃ MAIA DA SILVA PRISCILLA RAMOS DE OLIVEIRA

COMO LIDAR COM A MORTE: ESTRESSE E MECANISMOS DE DEFESA NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA CASA DE APOIO

UNICAN DE FOZ DO IGUAÇU – PR

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Psicologia da FAA – Faculdade Anglo-Americano.

Orientadora: Profª Msc. Marisa Godoy

FOZ DO IGUAÇU – PR 2015

(3)

TERMO DE APROVAÇÃO

LEANDRO PIRES GUERREIRO NATÃ MAIA DA SILVA

PRISCILLA RAMOS DE OLIVEIRA

COMO LIDAR COM A MORTE: ESTRESSE E MECANISMOS DE DEFESA NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA CASA DE APOIO

UNICAN DE FOZ DO IGUAÇU – PR

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Psicologia da FAA – Faculdade Anglo-Americano, pela seguinte banca examinadora:

______________________________

Profª Msc. Marisa Godoy FAA – Faculdade Anglo-Americano (Orientadora)

______________________________

Profª Esp. Jane M. M. Carvalho FAA – Faculdade Anglo-Americano

______________________________

Profª Msc. Mônica Mombelli FAA – Faculdade Anglo-Americano

Foz do Iguaçu, 07 de Novembro de 2015

(4)

Às nossas famílias, que a todo o momento nos apoiaram. Aos nossos professores que não cessaram de nos transmitir seus conhecimentos. Aos nossos colegas que nos incentivaram a não desistir durante os cinco anos de caminhada.

(5)

AGRADECIMENTOS

A vida é dom de Deus, é a Ele a quem vai nosso eterno agradecimento pelos momentos alegres e tristes no qual passamos estes anos de graduação, sem a Sua luz e a Sua presença constante em nossas vidas, tudo seria mais difícil.

Aos nossos pais, pelo dom de nossas vidas, pela educação, carinho e amor que nos deram. Pelo incentivo diário.

Ao professor Tiago Reckziegel, pelos primeiros passos metodológicos que nos orientou na formatação deste trabalho.

À professora Monica Mombelli que deu continuidade ao trabalho de orientação metodológica, disponibilizando materiais para este fim, sem o qual seria difícil a organização deste e que também se prontificou a compor a banca examinadora.

À professora Márcia Ebling, que prontamente assumiu como primeira orientadora, e se comprometeu a nos guiar pelo caminho que acreditava ser o melhor para desenvolvermos um belíssimo trabalho de conclusão de curso e dispor seu CRP para que pudéssemos adquirir todo material psicológico: Manual do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, e o próprio inventário (ISSL).

À professora Marisa Godoy, que posteriormente, assumiu os trabalhos de orientação e que de imediato se colocou a disposição para nos auxiliar, abrindo até mesmo as portas de sua casa para que realizássemos as orientações.

À professora Jane, que se colocou a disposição no empréstimo de materiais que são essenciais para a confecção deste trabalho e que serviu de grande apoio.

À professora e coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade UDC Anglo-Americano, Elaine que não mediu esforços para tornar este belíssimo curso mais acessível a todos os acadêmicos.

À toda equipe de professores que em algum momento de nossa formação fizeram parte do nosso crescimento pessoal e profissional.

À todos os nossos colegas de sala de aula, que doaram um pouco de suas vidas para nos oferecer amizades sinceras, companheirismo que levaremos no decorrer de nossas vidas.

À todos que de uma maneira ou de outra, contribuíram para o nosso crescimento profissional e como pessoa.

(6)

“O homem não pode viver como um ser solitário; por maior que seja sua necessidade de solidão. Ele deve esforçar-se para se comunicar; debruçar-se sobre um ser que possa ajudá-lo a alcançar uma felicidade que não parece estar presente nele” (Groddeck).

(7)

RESUMO

Este estudo teve como objetivo, identificar a existência e o nível de estresse, bem como os mecanismos de defesa utilizados pelos profissionais da Casa de Apoio UNICAN de Foz do Iguaçu diante de pacientes oncológicos e, consequentemente, o risco eminente de morte. Foi realizado um estudo de natureza qualitativa, bibliográfico e pesquisa de campo. Participaram da pesquisa cinco pessoas, sendo que os dados foram coletados em duas etapas: 1) aplicação do Teste Psicológico ISSL (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp), e um questionário semi-estuturado, contendo cinco perguntas. As respostas dos participantes foram gravadas. Em relação ao Teste ISSL, constatou-se que 20% não apresentavam estresse e 80% dos entrevistados estavam estressados, sendo que 80% estavam na fase de resistência e os outros 20% não foi identificado estresse significante. Dos cinco participantes que submeteram-se à aplicação do teste, 100% manifestaram sintomas físicos e psicológicos. Pôde-se concluir que o estresse identificado na grande maioria dos entrevistados, através da pesquisa realizada, encontra-se diretamente ligado às atividades exercidas na Casa de Apoio UNICAN.

Palavras-Chave: Morte. Profissionais da Saúde. Estresse. Mecanismos de Defesa.

Cuidadores.

(8)

ABSTRACT

This study aimed to identify the existence and level of stress and the defense mechanisms used by professionals UNICAN Support Home Foz do Iguassu before cancer patients and consequently the imminent risk of death. A study of a qualitative nature, literature and field research was conducted. The participants were five people, and the data were collected in two stages: 1) Application Testing Psychological (Inventory Stress Symptoms for Adults Lipp), and a semi structured questionnaire with five questions. The responses were recorded. Regarding the ISSL test, it was found that 20% have no stress and 80% of respondents are stressed, and 80% are in the resistance phase and the remaining 20% was not identified significant stress, the five participants who underwent the application of the test, 100% have physical and psychological symptoms. It can be concluded that the study participants who were identified with stress is linked with the work engaged in the House of UNICAN Support principally through interviews.

Key words: Death. Patients. Health Professionals. Stress. Defense mechanisms.

Caregivers.

(9)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 9

2. REFERENCIAL TEÓRICO ... 10

2.1 CASA DE APOIO UNICAN ... 10

2.2 ESTRESSE ... 10

2.3 MORTE ... 14

2.3.1 Breve contexto e definição a respeito da Morte ... 14

2.3.2 Breve histórico da morte: Como a morte é vista em algumas culturas. ... 15

2.3.3 Porque sentimos medo da morte. ... 17

2.3.4 Pacientes oncológicos e profissionais da saúde ... 18

2.4 MECANISMOS DE DEFESA ... 20

2.4.1 O que são Mecanismos de Defesa? ... 20

2.4.2 Mecanismos de Defesa e Profissionais da Saúde ... 25

3. METODOLOGIA ... 29

3.1 Análise de dados ... 30

3.2 Cuidados Éticos ... 30

3.3 População ... 30

3.4 Local ... 30

3.5 Instrumentos ... 30

4. DISCUSSÃO / RESULTADOS ... 31

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 34

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 36

LISTA DE ANEXOS ... 38

(10)

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho buscou conhecer o nível de estresse manifestado pelos profissionais de saúde da casa de apoio UNICAN, diante da perda, onde os mesmos se veem constantemente enfrentando grandes desafios provocados por si próprios ao buscar oferecer o melhor a seus pacientes oncológicos.

Por isso, este estudo tornou-se relevante para os três membros que elaboraram esta pesquisa, tendo em vista que é um assunto de grande interesse dos mesmos e que necessita muito ser discutido e estudado, pois sabe-se que pessoas com altos níveis de estresse podem acabar adoecendo. Segundo Lipp (2015), existem pesquisas em várias partes do mundo enfatizando as implicações do estresse excessivo na saúde mental. E na sua produtividade cotidiana.

No desenvolvimento deste, procurou-se responder, como os Profissionais de Saúde da Casa de Apoio UNICAN enfrentam a morte e qual o nível de estresse diante do paciente oncológico, pois estudos teóricos desenvolvidos mostram que profissionais da oncologia tendem a sofrer desgastes físicos e emocionais, ao cuidar de pacientes oncológicos, entre eles, o estresse, podendo desenvolver uma série de reações e mecanismos de defesa, importantes de serem identificados.

Entende-se que na presença do estresse, a pessoa não consegue exercer o controle dos conflitos internos, ocasionando uma energia em excesso, gerando, desse modo um estado de cansaço, fadiga, euforia, tristeza, sofrendo transformações em seu organismo, mediante as alterações químicas sofridas por conta da situação emocional em que se encontra (SEGANTIN e MAIA, 2007).

Os profissionais da saúde utilizam mecanismos de defesa diante de certas situações, em especial no momento da morte de um paciente, uma vez que outros comportamentos expressam um modo de não entrar em contato com experiências dolorosas. Essas defesas se manifestariam por meio da mais diferentes atitudes, como rejeição, indiferença e, ate mesmo, raiva, considerando-se que o paciente, ao morrer, coloca-os diante de sua própria finitude (NEME e RODRIGUES, 2003).

(11)

2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 CASA DE APOIO UNICAN

A UNICAN – União Iguaçuense de Apoio as Pessoas com Câncer, é uma instituição que fornece assistência e apoio psicossocial às pessoas portadoras de câncer, bem como o seus familiares.

O Projeto conta com equipe técnica contratada, composta por assistente social, psicólogo, nutricionista, musicoterapeuta e cuidadores. Os cuidadores são compostos por três pessoas que se revezam em três turnos, manhã, tarde e noite.

Todas as atividades buscam proporcionar, no processo de tratamento oncológico a possibilidade de melhoria da qualidade de vida, manter a sociabilidade, fortalecer os vínculos familiares e o convívio comunitário.

Dentre as ações e atividades desenvolvidas estão as vivências em grupo, experimentações artísticas, culturais, de lazer, além dos benefícios concedidos como, suplementos alimentares, medicamentos, alimentação, vale transporte entre outros. Tudo isso a fim minimizar os impactos do tratamento do câncer nos pacientes e seus familiares.

A Casa de Apoio UNICAN está localizada no bairro Vila Residencial “A”, em Foz do Iguaçu. Os responsáveis pela casa são: Sr. Rogério e Srª. Neide.

2.2 ESTRESSE

De acordo com Giancarlo Trombini (2004), o estresse se define psicologicamente, de forma complexa, assumindo uma significação variada, de acordo com o contexto que é inserido.

Trombini (2004) diz que a palavra estresse, é comum em nosso linguajar do dia-a-dia, tendo seu significado alterado no decorrer dos anos. Em primeira instância, o estresse significava uma adversidade ou dificuldade, mais adiante uma força instintiva ou um mal-estar, projetado à um objeto ou a um organismo vivo.

Atualmente, o estresse no ser humano e nos animais é entendido como sendo uma situação de mal-estar orgânico, quando age em defesa do organismo diante de uma situação ameaçadora. A palavra estresse pode ser utilizada como um sinônimo de estímulo ambiental nocivo, para transmitir uma consequência orgânica quando

(12)

exposto a varias demandas, sendo elas internas ou externas. O estresse se torna agudo, de acordo com a circunstância vivenciada quando esta é intensa e transitória, ou crônico quando se torna prolongado.

O estresse tem suas variações significativas, podendo ser positivo, sendo conceituado como (eustress) quando diz respeito a vivências satisfatórias e maduras, ou podendo ser chamado de (distress) que é um modo negativo, trazendo ao indivíduo dificuldade e sofrimento. Nos dois casos, a pessoa vivencia de forma defensiva comportamental, sendo de modo psicológico e biológico quando a situação que passou é intensa e prolongada, isso favorece o início de um adoecimento. Sendo o estresse considerado de forma genuína como o causador de mal-estares psicológicos e/ou físicos, torna-se arriscado uma criação de desculpa, para não haver o enfrentamento dos reais problemas, deixando de lado a complexidade de situações (HOLMES, 1997).

O primeiro pesquisador a se interessar pelo assunto estresse como um termo psicossomático foi Walter B. Cannon, conceituando o que se chama de reação de alarme. Em experimentos realizados verificou que quando os animais eram expostos a situações estressantes, se resultavam em reações de alarme automaticamente, tendo como resposta aumento do batimento cardíaco, pressão sanguínea, aumento de gordura glicose hemática, insônia e agitação. O mesmo pesquisador usou a palavra homeostase para caracterizar a manutenção do equilíbrio interno do organismo, que quando submetido à situações estressantes, se obtém diante a atividade do coração, rins, pulmões, glândulas endócrinas e sistema nervoso autônomo (TROMBINI, 2004).

Segundo Vieira (2010), o estresse, ao incitar o aparecimento de emoções, contém resultados complexos de resposta biologicamente e psicologicamente falando, que depende do que significa a situação vivida pelo indivíduo.

Cognitivamente, os aspectos do estresse foram estudados recentemente. Situações similares de estresse vivenciadas podem acarretar resultados variados, significando de modo alternativo, como cada indivíduo percebe e sente a situação vivenciada, pois pode surtir consequências negativas somente para algumas pessoas. Podendo ser separado em duas categorias de eventos estressores, sendo eles:

(13)

• Situações vivenciadas de maneira imprevista, bem identificadas, e com tempo limitado, tendo para a pessoa resultados de grande importância. Tratando-se de situações vivenciadas individualmente.

• Dificuldades do cotidiano, onde se depara com trabalho, família, sociedade, o estresse do dia-a-dia é mais dificultoso em seu reconhecimento, porém, não menos importante, mesmo que seja subvalorizado.

Segundo Limongi (2008), o estresse é mensurado, na interligação entre homem, meio e adaptação. Resultando em elevações e desgastes, além de ser vinculado a condição de modo de vida.

Tem-se o conhecimento de que no decorrer da vida existem circunstâncias que instabilizam a pessoa emocionalmente. Dessa forma, diz-se que a análise de tal situação a define como estressora (BRITTO, E CARVALHO, 2004).

Lipp (2001) define estresse como uma resposta complexa do organismo, em cujo contexto estão presentes reações físicas, psicológicas, mentais e hormonais diante de qualquer situação que seja interpretada pelo indivíduo como desafiante.

Para Britto e Carvalho (2004), o termo estresse tem significado algo que remete ao desconforto, desse modo, é crescente o número de indivíduos que se dizem estressados ou falam sobre outros que também o são. O estresse, na maioria das vezes, é percebido como algo negativo que prejudica a pessoa em sua vida de um modo geral. O fator estressor é tido como uma ocorrência ou situação vivenciada que causa sensação de ansiedade, ameaça, medo, tensão interna ou externa.

O ambiente de trabalho atualmente, se apresenta como um forte gerador de fatores estressantes. No local laboral, é preciso um enfrentamento, de um jeito facilitador, gerando benefícios para o indivíduo e o grupo. O estresse não é definido facilmente, e pode haver varias formas de entendê-lo (BRITTO, E CARVALHO, 2004).

De acordo com Stacciarini e Tróccoli (2001), têm-se duas formas de conceitualização: Sendo o primeiro, o estímulo como resposta, interação e o segundo é a transação em local externo e interno do indivíduo. Observam-se essas três questões, em diferentes formas, conforme a abordagem.

• Sendo ele um estimulo, com foco no impacto do fator estressor;

(14)

• Sendo resposta, na analise da tensão causada pelos estressores;

• Sendo processo, no entendimento a seguir de uma interação pessoa- ambiente.

As diferentes formas de contextualizar o estresse tem levantado a dúvida se o estresse advém do ambiente, de uma característica da pessoa ou de uma interação entre pessoa e ambiente; Entretanto, este acontecimento não se encontra certamente concluído. Sendo o estresse de cunho psicológico e o entendimento dos acontecimentos estressantes é permeado por variáveis cognitivas; não é um acontecimento causal nem a reação da pessoa que conceitua o estresse, mas o modo de ver da pessoa sobre o vivenciado (STACCIARINI E TRÓCCOLI, 2001).

No que diz respeito ao estresse ocupacional, se verifica de igual forma um alongamento na falta de definição na caracterização do estresse. Sendo este, um tópico complexo, estudado atualmente, por causa de doenças alienadas ao estresse em local de trabalho, como: hipertensão, úlcera e outras (FIORELLI, 2003).

O estresse tem se mostrado como uma problematização negativa, de cunho perceptivo, consequência da falta de capacidade de administrar as variadas facetas de pressão enquanto se trabalha. Sendo consequentes alterações na saúde física, mental, de forma que comprometa a pessoa e o trabalho (FIORELLI, 2003).

Segatin e Maia (2007) apontam algumas causas que levam ao estresse no trabalho, estas são classificadas em seis grupos:

• Más condições de trabalho: Turno, carga horaria, acréscimo no pagamento, riscos, tecnologia nova, viagem;

• Papéis estressores: Ambiguidade no papel, conflito entre papéis, nível de responsabilidade para com pessoas e coisas;

• Relacionamento no trabalho: Relacionamento dificultoso com colegas, chefia, subordinados, associada clientela direta ou indiretamente;

• Estressores na carreira: Falta de progressão na carreira, falta de segurança no trabalho, causado pela nova configuração ou ate mesmo, falência da indústria;

• Estrutura organizacional: Modo de gerenciar, pouca participação, comunicação ineficiente;

(15)

• Interação entre trabalho e casa: Administração dificultosa desta interação.

Para Segantin e Maia (2007) a perda da qualidade de vida é notada de vários modos, ressaltando o aparecimento de novas tecnologias, em meio a eles se destaca o estresse.

Dessa forma, observa-se ser de grande valia, desenvolver uma pesquisa dos causadores do estresse, onde o profissional da saúde realiza seu trabalho, e no que isto intervém na saúde mental integral do indivíduo que é cuidado, levando em conta que os causadores de estresse devem ser identificados e considerados, de modo funcional, na intenção de alterar ou diminuir suas manifestações negativas (SEGANTIN e MAIA, 2007).

É perceptível que o estresse tem relação significativa com o sistema psicológico do indivíduo. Dessa forma, a pessoa que está sob estresse, não percebe o peso psicológico que carrega, passando para um estado de confusão mental, causando um desequilíbrio do trabalho que o organismo realiza. Consequentemente, a pessoa tem a frequência das reações psicológicas perdida (SEGANTIN e MAIA, 2007).

Dessa forma, se entende o estresse como o limiar, onde não se consegue exercer o controle mediante os conflitos internos, ocasionando uma energia em excesso, gerando, desse modo um estado de cansaço, fadiga, euforia, tristeza, sofrendo transformações em seu organismo, mediante as alterações químicas sofridas por conta da situação emocional que se encontra (SEGANTIN e MAIA, 2007).

2.3 MORTE

2.3.1 Breve contexto e definição a respeito da Morte

Segundo Lima (2005), o conceito de morte eticamente mais aceito pelo público é a morte encefálica: parada irreversível do funcionamento do organismo como um todo, sendo o todo maior que a soma das partes. Ou seja, o paciente é diagnosticado morto quando, depois de uma série de testes, não é identificado nenhuma forma de atividade neurológica do cérebro ou tronco cerebral.

(16)

2.3.2 Breve histórico da morte: Como a morte é vista em algumas culturas.

Assim como o nascer, a morte faz parte do ciclo vital do ser humano.

Portanto, é algo extremamente natural do ponto de vista biológico. Entretanto, o ser humano caracteriza-se também, pelos aspectos simbólicos, ou seja, pelo significado ou pelos valores que imprime às coisas. Por isso, o significado da morte varia necessariamente no decorrer da história e entre as diferentes culturas humanas.

(COMBINATO e QUEIROZ, 2006).

Segundo Combinato e Queiroz (2006), a morte, em cada tempo e cultura exibe um significado atribuído a ela. No início, esse significado é externo ao indivíduo, pertencendo à cultura. Conforme esse significado é internalizado, transforma-se num instrumento subjetivo da relação do indivíduo consigo mesmo. E assim, o significado externo adquire um sentido pessoal para o indivíduo. Em outras palavras: os conteúdos externos presentes na realidade objetiva, têm significados construídos socialmente por outras gerações, outros homens.

Segundo Caputo (2008), no início da Idade Média a morte era "domesticada"

e "familiar", ou seja, existia uma intimidade com a morte, participando do cotidiano da sociedade, ela era encarada como algo natural. Logo depois, "o corpo do morto passa a se tornar insuportável", desse modo, os corpos começam a ser ocultados em caixões, para não serem mais visíveis aos olhos humanos.

Combinato e Queiroz (2006) afirmam que para o homem ocidental moderno, a morte passou a ser sinônimo de fracasso, impotência e vergonha. Tenta-se vencê- la a qualquer custo e, quando tal êxito não é atingido, ela é escondida e negada.

Mas nem sempre foi assim. Durante muitos séculos, por toda a Idade Média, a morte era entendida com naturalidade, fazendo parte do ambiente doméstico.

No mundo medieval, a relação com o corpo era aberta, expansiva, indisciplinada, transbordante e preguiçosa, muito diferente da relação fechada, contida e individualizada do mundo burguês, que transformou o corpo humano em instrumento de produção e de trabalho. Nesta transformação, o que causa, hoje, repugnância e temor, causava, no mundo medieval, riso, intimidade e familiaridade.

(RODRIGUES, 1995).

(17)

Com o desenvolvimento das sociedades industriais e o desenvolvimento técnico e científico da medicina, a partir do século XIX, a visão da morte e a interação com o paciente moribundo modificaram-se ainda mais radicalmente. A revolução higienista radicalizou a separação entre vivos e mortos, de tal modo que o convívio entre estas duas condições passou a ser visto como uma fonte extremamente importante de perigo, contaminação e doença. (COMBINATO e QUEIROZ, 2006).

Com o desenvolvimento do capitalismo e advento da modernidade, a morte, que estava presente na sala de visita, desloca-se para o hospital e, em alguns casos, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em um ambiente isolado, com janelas fechadas, luz artificial, temperatura constante mantida pelo ar condicionado e equipamentos técnicos, os profissionais da saúde realizam procedimentos altamente sofisticados com pacientes que se encontram em situações limite entre a vida e a morte (OLIVEIRA, 2002).

Em tal condição, o paciente é impedido de sentir e expressar suas emoções, destinado a um sofrimento solitário e discreto. Isso porque os profissionais que lidam cotidianamente com a morte não estão preparados para lidar com o indivíduo em sua plenitude enquanto ser humano dotado de emoções e valores. Baseada no paradigma positivista, a formação e atuação de profissionais na área da saúde tendem a lidar com a doença e a morte do ponto de vista estritamente técnico. Em outras palavras, o profissional da saúde é formado para curar a doença e não para lidar com a pessoa. (COMBINATO e QUEIROZ, 2006)

Através da atividade e das relações sociais que se estabelece com o meio, o indivíduo internaliza esses conteúdos e significados a partir de sua própria experiência e história de vida. Dessa maneira, o conteúdo que tinha um significado externo adquire um sentido pessoal, singular, único para cada pessoa.

(COMBINATO e QUEIROZ, 2006).

Após discorrer um pouco sobre o desenvolvimento e as diferentes visões sobre a morte, em algumas culturas, é possível verificar que as representações do homem diante da morte sofrem modificações importantes no tempo e no espaço.

O velório também deixa de ser realizado na casa da família, na qual antes o corpo ficava exposto e era visitado pelos entes queridos, pois cada vez menos é tolerado a presença do morto em casa, tanto em função de questões de higiene quanto por falta de condições psicológicas de vivenciar esta situação (CAPUTO, 2008, p. 6).

(18)

Fica claro que a morte, vista anteriormente como algo natural,

"familiarizada", passa a ser vista, atualmente, como algo medonho, distante da subjetividade humana, um "tabu".

Assunto que, para o homem, causa desconforto, ansiedade, temores.

Consequentemente o homem tenta fugir do seu futuro inevitável. Sem sucesso, pois a morte faz parte do ciclo de vida, é a unica certeza que temos. Desse modo o homem terá que encará-la, mais cedo ou mais tarde, enfrentando a morte dos entes queridos e por fim facear a própria morte.

2.3.3 Porque sentimos medo da morte.

Essa luta incansável do homem contra a morte, não evita que esta o atinja, porém impede que o homem crie meios de enfrentar e elaborar aquilo que é inevitável (CAPUTO, 2008).

Analisando o contexto histórico sobre a morte, e as várias interpretações dada a ela, percebe-se que de certa forma o temor da mesma está ligado com o contexto histórico e social. Mas uma explicação psicológica faz-nos compreender melhor.

Segundo ROSS (2011), em nosso inconsciente, não podemos conceber nossa própria morte, por isso acreditamos em nossa imortalidade. Entende-se desse modo, que não aceitamos nossa própria, pois para o inconsciente ela é inexistente, logo tememos o desconhecido.

Para Freud não há marca psíquica da morte de si mesmo no inconsciente, pois se morre apenas uma vez.

Enfim, apesar das várias explicações sobre a morte, das culturas diferentes, ainda assim, realmente não sabemos o que acontece após a morte. Isso a torna temida pelo ser humano, a morte é vista como nossa inimiga, algo desconhecido, oculto, associado a coisas ruins e a punição.

(19)

2.3.4 Pacientes oncológicos e profissionais da saúde

O foco do presente trabalho voltou-se para os profissionais de saúde ou pessoas envolvidas com pacientes oncológicos, mas para podermos compreender o porquê dos desafios e complicações do cuidador, temos que entender um pouco sobre o processo que passa o paciente moribundo.

A morte é fria, às vezes rápida e outras vezes lenta e angustiante. Mas é inevitável. A morte faz parte de todo o processo de vida. Para morrer, basta estar vivo. E pessoas que estão de alguma forma ligada a ela, também são contagiadas pelo processo e são mais vulneráveis a adoecer (ROSS, 2011).

Segundo Kovács (2010), nos séculos XXI a morte era vista como inimiga, oculta, vergonhosa, que fere a onipotência do homem moderno. A morte é algo temido, e é feito de tudo para que ela não aconteça. Interpretação esta que leva a um enfrentamento da morte como um processo árduo, exaustivo e doloroso.

Para Menezes (2004), se uma pessoa que está a morrer, sentir que deixou de ter significado para os outros, a solidão está configurada. Conseqüentemente, dependendo de como o moribundo enfrenta a morte começa uma batalha pessoal, sendo notável a quem está a sua volta, como por exemplo a auto-exclusão social.

Kovács (2010) descreve, ainda, que além dos sintomas físicos, estão os sintomas psicossociais: medo da solidão, do abandono, da interrupção dos planos de vida, da perda das pessoas próximas, da dependência e da morte.

O paciente passa por alguns estágios ao tomar conhecimento da fase terminal de sua doença. Definidos por Ross (2011), como: negação, isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Primeiro estágio, negação e isolamento: a negação funciona como um para- choque depois de notícias inesperadas e chocantes, deixando que o paciente se recupere com o tempo, mobilizando outras medidas menos radicais. [...] a negação é uma defesa temporária, sendo logo substituída por uma aceitação parcial. Segundo estágio, a raiva: quando não é mais possível manter firme o primeiro estágio de negação, ele é substituído por sentimentos de raiva, de revolta, de inveja e de ressentimento [...]. Terceiro estágio, barganha: as maiorias das barganhas são feitas com Deus, são mantidas geralmente em segredo, ditas nas entrelinhas ou no confessionário capelão [...], Psicologicamente, as pessoas podem estar associadas a uma culpa recôndita. Quarto estágio, depressão: quando o paciente em fase terminal não pode mais negar sua doença, quando é forçado a submeter-se a mais uma cirurgia ou hospitalização, quando começa a apresentar novos sintomas e tornar-se mais debilitado e mais magro, não pode mais esconder a doença. [...] Quando a depressão é um

(20)

instrumento na preparação da perda iminente de todos os objetos amados, para facilitar o estado de aceitação, o encorajamento e a confiança não tem mais razão de ser. Quinto estágio, aceitação: um paciente que tiver tido tempo necessário e tiver recebido alguma ajuda para superar tudo conforme descrito anteriormente atingirá um estágio em que não mais sentirá depressão nem raiva quanto ao seu destino (ROSS, 2011, p.43-117).

No imaginário social, uma das enfermidades mais associadas à morte na contemporaneidade é o câncer. Em todas as regiões do mundo, mesmo nas que apresentam mais ostensivamente outros sérios problemas de saúde, o câncer revela seus efeitos devastadores (BORGES, 2006).

A pessoa portadora de uma doença crônica grave, como o câncer, coloca em xeque sua própria existência e atribui um significado para sua doença e seu tratamento. Muitas vezes, o câncer traz, inevitavelmente, a ideia do fim da vida e de todas as suas possibilidades. O medo se faz presente, seja pela sua própria morte ou a de um companheiro de tratamento. Esse fato é digno de reflexão, pois gera um intenso sofrimento. Pensar na morte nos faz pensar na própria vida e em como estamos vivendo. O paciente precisa ser ouvido e se sentir acolhido em seu sofrimento, para enfrentar o medo da própria morte, vitimizado pela terminalidade (BORGES, 2006).

O crescente desenvolvimento da medicina e dos hospitais provocou a transferência do lugar da morte para estas instituições. A invenção de procedimentos de alta tecnologia trouxe novas questões sobre vida e morte. Uma questão muito difícil para os médicos é decidir quais pacientes serão encaminhados para Unidades de Terapia Intensiva (UTI) com possibilidade de serem salvos, e quais não irão, com risco de morte (KOVÁCS, 2008).

O profissional da saúde ou cuidador que tem contato direto com o moribundo, tem que fazer escolhas nem sempre fáceis e possíveis de serem realizadas, que podem gerar na equipe de saúde um estresse adicional (KOVÁCS, 2010).

Apesar desses enormes avanços, existem aqueles pacientes cujas doenças se tornam refratárias ao tratamento. Nesse momento, ao lidar com esses pacientes, os objetivos mudam de medidas curativas para medidas apenas paliativas (SANTOS, 2000).

Quando se discute a dificuldade dos profissionais da saúde em lidar com o paciente terminal em sua integralidade, deve-se analisar essa dificuldade no seu

(21)

processo de construção, na sua historicidade e na sua essência, processo esse que vai além de uma experiência imediata e da história individual desse profissional.

O cuidador principal do moribundo ao enfrentar tantos aspectos do sofrimento alheio, pode estar sob o risco de um colapso, esquecendo assim, de sua própria vida, negligenciando seu próprio cuidado (KOVÁCS, 2010).

Ao se priorizar no hospital o salvar o paciente a qualquer custo, a ocorrência da morte ou de uma doença incurável, pode fazer com que o trabalho da equipe de saúde seja percebido como frustrante, sem motivação e significado. Esta percepção pode ser agravada quando procedimentos a serem realizados com pacientes fora de possibilidade de cura não são compartilhados com toda a equipe, fato apontado como uma das razões para o aumento do estresse (KOVÁCS, 2010, p. 5).

A morte em si não é um problema para o paciente, mas sim, o medo de morrer, que nasce do sentimento de desesperança, de desamparo e isolamento que o acompanha. Por isso, o profissional que está em contato com o paciente considerado terminal precisa estar em paz com a vida e com a morte, sabendo que a morte é parte da vida e que por isso precisa ser cuidada (BORGES, 2006).

Tendo em vista que o local da hospitalização, ou melhor dizendo, o ambiente onde se encontra o moribundo, familiares e profissionais, se torna um local carregado, no qual o estresse se faz presente. O fato de não conseguir evitar a morte ou aliviar o sofrimento, traz ao profissional a vivência de sua própria morte e finitude, tornando extremamente doloroso o processo do cuidado da morte do outro (KOVÁCS, 2010).

Portanto, profissionais, cuidadores e pacientes passam por experiências fortes e únicas. Todos com a certeza de que um dia enfrentarão a morte de alguma forma, primeiro a de um ente querido e, por fim, sua própria morte.

2.4 MECANISMOS DE DEFESA

2.4.1 O que são Mecanismos de Defesa?

Mecanismos de defesa são diversos tipos de operações em que se pode especificar a defesa. Os mecanismos predominantes “diferem segundo o tipo de afecção considerado, a etapa genética, o grau de elaboração do conflito defensivo, etc” (LAPLANCHE e PONTALIS, 1988, p. 277).

(22)

Para Laplanche e Pontalis (1988), os mecanismos de defesa são utilizados pelo ego, mas mantém-se em aberto a questão teórica de saber se a sua utilização pressupõe sempre a existência de um ego organizado que seja o seu suporte.

O termo mecanismo é utilizado por Freud para exprimir o fato de que os fenômenos psíquicos apresentam articulações suscetíveis de uma observação e uma analise cientifica. Ao mesmo tempo que destaca a noção de defesa e a situa a base dos fenômenos histéricos, Freud procura especificar outras afeições psiconeuróticas segundo a forma própria como a defesa nelas se exerce.

(LAPLANCHE e PONTALIS, 1988).

Segundo Laplanche e Pontalis (1988), este termo figura, por exemplo, para designar o conjunto do processo defensivo característico de determinada neurose, quer para exprimir a utilização defensiva deste ou daquele destino pulsional.

Após 1926, o estudo dos mecanismos de defesa se tornou um tema importante da investigação psicanalista, sendo consagrado na obra de Anna Freud.

A autora dedica-se a descrever a variedade, a complexidade e a extensão dos mecanismos de defesa, mostrando como o objetivo defensivo pode utilizar as mais diversas atividades, como a defesa pode influenciar, não apenas nas reivindicações pulsionais, mas em tudo que pode suscitar um desenvolvimento de angústia, emoções, situações, exigências do superego (LAPLANCHE e PONTALIS, 1988).

Os mecanismos de defesa do ego estão situados entre o id e o meio ambiente, e são, constantemente, controlados pelo superego. Nesse caso, o ego encontra-se em uma posição bastante difícil. Por isso, diante de certas situações de angústia, mobiliza o processo defensivo. A angústia é motivada pelo perigo de que a organização total do ego possa ser destruída (TALLAFERRO, 2004).

Segundo Tallaferro (2004), o ego constrói barreiras que lhe permitem rechaçar certos impulsos ou solucionar os conflitos originados pela oposição das exigências de cada uma das instâncias psíquicas. Em outras palavras, os mecanismos de defesa são utilizados pelo ego em sua luta contra perigos intrapsíquicos e extrapsíquicos ou ambientais.

Freud empregou pela primeira vez essa denominação em 1894, no artigo intitulado As neuropsicoses de defesa, para indicar a resistência do ego aos instintos. Depois substituiu este termo por uma palavra: repressão. Mas em 1926, em Inibições, sintomas e ansiedade, voltou a empregar a expressão

“mecanismos de defesa”, que tem a vantagem de poder ser utilizado como denominação geral de todas as técnicas diferentes que o ego emprega em

(23)

sua luta contra a as exigências instintivas. A repressão é apena uma da tais técnicas (TALLAFERRO, 2004, p. 77).

Os mecanismos de defesa do ego são: repressão, regressão, isolamento, anulação ou reparação, formação reativa, identificação, projeção, troca de um instinto pelo seu contrário, volta do instinto contra o ego e sublimação. Para Anna Freud alguns mecanismos são capazes de dominar grandes cargas instintivas ou afetos, enquanto que outros, só podem controlar quantidades pequenas (TALLAFERRO, 2004).

Conforme Tallaferro (2004) aponta, não são muito conhecidos os motivos que regem a escolha de um tipo de mecanismo pelo ego, mas no campo da teoria, pode se dizer que essa instancia psíquica recorre a repressão quando necessita combater, sobretudo, os desejos sexuais. A repressão é o mecanismo que oferece maior perigo, em virtude da dissociação simultânea que produz no ego. Os outros mecanismos são empregados, provavelmente, em face dos impulsos agressivos ou apenas complementam o que a repressão deixou inacabado ou o que retorna das ideias proibidas, quando esta falhou.

A repressão é o processo em virtude do qual a libido do sistema pré- consciente é subtraída, de modo que um ato psíquico não possa encontrar o caminho que conduz ao sistema consciente, tornando-se ou permanecendo inconsciente. A histérica, por exemplo, provoca, através da repressão, o afundamento no inconsciente da causa de seus distúrbios (TALLAFERRO, 2004).

Para Tallaferro (2004), a regressão é o processo que conduz a atividade psíquica a uma forma de atuação já superada, evolutiva e cronologicamente mais primitiva do que a atual. A regressão do ego refere-se à atuação mágica, ou seja, a um tipo de expressão característico de um ego imaturo.

O isolamento faz com que se considere separadamente aquilo que, na realidade permanece unido, quando a relação entre a cena traumática, o conflito ou desejo reprimido e o sintoma foi reprimida. É o caso dos neuróticos obsessivos, que conhecem conscientemente, o fato que foi a causa dos seus sintomas, mas não sabem conscientemente que os sintomas provêm daquela vivência (TALLAFERRO, 2004).

Segundo Tallaferro (2004), a anulação ou reparação consiste na realização de um ato determinado com a finalidade de anular ou reparar o significado de um ato

(24)

anterior. Por exemplo, um paciente via-se impelido de rezar de forma obsessiva durante uma doença grave de sua mãe, mas ao terminar a reza aplicava um tapa na boca, ato com que pretendia anular o efeito positivo da reza.

A formação reativa leva o ego a efetuar aquilo que é totalmente tendência do id e que se pretende rechaçar. Por exemplo, se a pessoa luta contra tendências anais, desenvolverá hábitos de limpeza, de ordem e economia obsessiva, se luta contra tendências agressivas, cairá numa bondade indiscriminada e rígida (TALLAFERRO, 2004).

Conforme afirma Tallaferro (2004), a identificação representa a forma mais precoce e primitiva de vinculação afetiva. Consiste em transferir o acento psíquico do objeto para o ego. O ego incorpora o objeto de forma muito semelhante a que a ameba engloba uma partícula de carmim. A identificação pode ser parcial ou total.

Exemplo de identificação parcial, o aluno fuma cachimbo como faz o professor. Na identificação total ele estuda e mantém atitudes idênticas às do professor.

A projeção é um mecanismo de defesa no qual o individuo atribui a um objeto externo suas próprias tendências inconscientes, inaceitáveis para o superego, percebendo-as como características próprias do objeto; em outras palavras, consiste em atribuir tendências próprias a outras pessoas ou coisas. É o mecanismo mais destacado na paranoia (TALLAFERRO, 2004).

Tallaferro (2004) diz que a troca de um instinto pelo seu contrário consiste na mutação do amor a um objeto por ódio a este mesmo objeto. Isso ocorre geralmente em consequência de uma frustação amorosa.

O mecanismo de volta do instinto contra o ego introjeta uma carga agressiva, primitivamente dirigida contra um objeto do mundo exterior, para o ego e chega, as vezes, a destruí-lo, tal como ocorre nos suicídios. Pode ser comparado a um ato de sadismo, em outras palavras, machucar-se em vez de machucar o outro (TALLAFERRO, 2004).

A sublimação pode ser considerada como um processo pelo qual o instinto abandona seu objeto original, pois pelo princípio de realidade, a satisfação poderia originar um castigo. O instinto elege um novo fim, uma relação com outro objeto, seja pessoa ou coisa, que concilie as exigências do princípio de realidade e do superego, e que, além disso, tenha sentido plenamente aceito pela sociedade (TALLAFERRO, 2004).

(25)

A respeito dos mecanismos de defesa, sabe-se que são desencadeados por situações desagradáveis e perigosas que provêm do mundo exterior, o ego mobiliza os seguintes mecanismos defensivos: negação em atos e palavras, negação na fantasia, limitação do ego, identificação com o agressor temido e renúncia altruísta (TALLAFERRO, 2004).

O ego infantil mantém a liberdade de negar tudo o que lhe produza desprazer na realidade, conservando intacta sua opinião sobre ela. Para o adulto, o devaneio, geralmente, tem um papel importante, seja ampliando os limites de uma realidade estreita ou suplantando uma situação real desagradável por outra imaginaria mas satisfatória (TALLAFERRO, 2004).

A negação em atos e palavras pode ocorrer na dramatização e inversão de situações da realidade da criança quando opera com objetos do mundo exterior extremamente diverso. Por isso, diz-se que a negação da realidade constitui uma das muitas motivações básicas dos jogos infantis, particularmente, no jogo de teatro (TALLAFERRO, 2004).

A negação caracteriza-se pelo fato de o indivíduo modificar em sua fantasia uma situação real desagradável, transformando-a em outra mais aprazível.

Tallaferro (2004) diz sobre a limitação do ego:

Entre outros exemplos, Anna Freud cita o de um menino que, desenhando ao mesmo tempo que ela, de repente interrompeu seu trabalho dizendo-lhe para continuar sozinha. Ao comparar seu desenho com o dela, sentiu-se incapaz de realizar algo igual, mas, em vez de se esforçar para consegui-lo, preferiu renunciar logo, limitando dessa forma as possibilidades de seu ego (p. 90).

A identificação com o agressor temido é muito corrente e fácil de identificar na vida cotidiana das crianças e de alguns adultos. Tallaferro (2004) cita o seguinte exemplo:

Uma menina que, com medo de fantasmas, não se atrevia a caminhar pelo vestíbulo escuro de sua casa. Certa vez, porem, teve que cruza-lo, e desde então foi capaz de atravessar recintos escuros; mas ao faze-lo efetuava uma serie de movimentos estranhos. Certo dia em que precisou encorajar a irmã caçula para que fizesse a travessia, revelou sua razão intima para realizar aqueles movimentos insólitos: “Faça como se você mesma fosse o fantasma que você tem medo de encontrar” (TALLAFERRO, 2004. P. 92).

(26)

Por fim, a renúncia altruísta mobiliza especificamente a projeção, que não só serve, para produzir perturbações nas relações humanas, mas também é usada para estabelecer laços positivos e consolidar, assim, as relações interpessoais, ou seja, em lugar de experimentar a vida em si mesmo o sujeito vive a vida dos outro.

Exemplo disso é o da irmã feia que se empenha em comprar vestidos elegantes e joias para a irmã bonita, a fim de que esta atraía um homem e se case com ele.

Quando a irmã bonita for feliz, ela também será, pois a considera como a si própria (TALLAFERRO, 2004).

2.4.2 Mecanismos de Defesa e Profissionais da Saúde

Este capítulo tem por objetivo identificar e analisar as reações emocionais e os mecanismos de defesa utilizados pelos mais diversos profissionais de saúde que lidam com a morte de pacientes, entre eles, os oncológicos.

A Psicologia da Saúde tem seu marco principal em 1978, suas intervenções em diversos contextos e especialmente, em instituições hospitalares diferem das intervenções tradicionais dos consultórios de psicologia clínica. O psicólogo da saúde busca reforçar os aspectos mais estruturados dos pacientes. Os potenciais, as motivações e as capacidades humanas são reforçados nos atendimentos. Focar estes aspectos tem como finalidade auxiliar o paciente e seus familiares a revitalizar sua força e virtude (JUNIOR, 2009).

Existe uma dificuldade dos profissionais da saúde diante da morte, mesmo que tenham que lidar com isso todos os dias. A morte sempre foi um mistério para o ser humano, desde os primórdios quando desenhavam cenas fúnebres nas cavernas. Um mistério não desvendado até hoje e encarado de modo diferente pelos diversos povos do planeta (NEME e RODRIGUES, 2003).

No século XIV e XV passa-se a utilizar caixões, uma forma de ocultar o corpo, insuportável para os olhos, o que não deixa de ser uma maneira de negar a morte (NEME e RODRIGUES, 2003).

No século XX surgiram outras atitudes, a morte passa a ser vergonhosa, procura-se escondê-la. A morte não faz parte mais da pessoa, esta se torna isenta de sua responsabilidade, além disso, a morte não deve ser percebida, dando a impressão de que nada mudou (NEME e RODRIGUES, 2003).

(27)

Os profissionais da saúde, imersos na rotina hospitalar, acabam se apropriando do distanciamento da família, para que esta não incomode o silêncio hospitalar. Neste sentido os pacientes terminais incomodam muito a esses profissionais, uma vez que a terminalidade determina claramente o fim, fazendo com que tenham que pensar e agir, mais cedo ou mais tarde, em relação ao corpo e morte, principalmente, quanto à questão do enfrentamento deste mistério (NEME e RODRIGUES, 2003).

Neste contexto cultural e profissional é possível perceber a dificuldade desses profissionais diante da morte (embora seja quase uma rotina de trabalho), a ponto de essa situação gerar conflito em sua maneira de ver o mundo (NEME e RODRIGUES, 2003).

Segundo Neme e Rodrigues (2003), os profissionais referem-se frequentemente aos sentimentos de impotência e ambivalência. Os mecanismos de defesa são constituídos de diferentes tipos de operação utilizados para neutralizar ansiedades por meio de diversas modalidades de manipulação de conflitos criados entre condições de realidade, impulsos e proibições. Têm a finalidade de reduzir e suprimir qualquer modificação suscetível de por em perigo a integridade e a constância do individuo.

Os mecanismos mentais e as defesas não são privilégios só dos pacientes, os profissionais da saúde também usam destes mecanismos para se defenderem, um deles é a identificação, quando o profissional começa a pensar e sentir como a pessoa da qual está tratando. No segundo, generalização, o profissional experimenta a ansiedade exagerada, perdendo de vista os conhecimentos que possui. O terceiro recurso é o deslocamento, em que a raiva do paciente diante da morte é dirigida para a equipe. O quarto é a progressão, em que os pacientes, por não tolerarem a ideia da morte, fazem acusações, e o profissional, não compreendendo esses mecanismos, pode começar a duvidar da eficácia do seu atendimento (NEME e RODRIGUES, 2003).

A Psicologia da Saúde busca entender os problemas relacionados às vivências de problemas de saúde, assim como, as estratégias mais adaptativas e estruturadas utilizadas pelas pessoas para lidar com a dor, o sofrimento e os obstáculos causados pela doença ou que podem vir a causar uma patologia (JUNIOR, 2009).

(28)

Segundo Junior (2009), uma pessoa com motivação para a vida, com a crença na capacidade de influenciar nos resultados dos eventos e com a opinião de que se pode aprender e crescer a partir das experiências positivas e negativas tende à predisposição, à confiança, ao apoio social, à superação das adversidades.

Portanto, o profissional da saúde deve estar ciente que, além das características personalísticas, o sentido que a pessoa tem da vida, o bem estar subjetivo e a rede de apoio social vão interferir nas formas de enfrentamento frente aos eventos estressores.

Nas doenças crônicas, a dor e o estresse podem estar ligados ao modo como as pessoas lidam com os seus problemas. É inevitável no decurso da vida de uma pessoa se deparar com um evento estressor. Entretanto, as fontes de proteção e a forma como o indivíduo irá enfrentar esta situação adversa poderá desencadear em algo bom ou não para sua vida. A avaliação que a pessoa irá fazer sobre os resultados do enfrentamento do estresse em dado momento da sua vida é subjetiva (JUNIOR, 2009).

Para Junior (2009), a avaliação que a pessoa irá fazer sobre os resultados do enfrentamento do estresse, em dado momento da sua vida, é subjetiva. Desta forma, o fato de estar com câncer não implica necessariamente na experiência do sentimento de infelicidade constante.

A pessoa pode sofrer oscilações quanto ao bem-estar em diferentes momentos da doença. A fase do diagnóstico, do tratamento e da reabilitação são estágios distintos e neles o sujeito pode viver períodos de tensão, estresse e também felicidade, alegria, vitória, entre outros (JUNIOR, 2009).

Pacientes que apresentam história de problemas afetivos ou alcoolismo, diagnóstico em estágio avançado da doença ou evolução rápida, aumento da incapacidade física, paciente com câncer de pâncreas e alguns tipos mutilantes, com insuficiente controle da dor e uso de medicações está mais vulnerável a depressão (JUNIOR, 2009).

Junior (2009) afirma que de forma geral, sentimentos de medo, angústia, ansiedade, tristeza e raiva, associados às perdas relativas à doença e tratamento são normalmente encontrados nos pacientes em tratamento radioterápico. Se considerarmos o câncer como um fator de risco e o tratamento radioterápico um contexto de vulnerabilidade, podemos entender que superar esta etapa do

(29)

tratamento já seria por si só, uma indicação de resiliência. Porém, ao enfrentar a doença e submeter-se ao tratamento é importante avaliar o bem-estar subjetivo como um termômetro para indicar que a pessoa superou a adversidade e o risco de forma positiva.

A partir destes dados pode-se hipotetizar que os benefícios das técnicas mais focais utilizadas por Psicólogos em suas intervenções nas situações de estresse, como o relaxamento e controle de respiração, a visualização e a experiência emocional corretiva, entre outras podem auxiliar o paciente no enfrentamento das adversidades, no controle emocional e orientá-lo em direção às estratégias de enfrentamento do adoecimento e da morte(JUNIOR, 2009).

A preocupação em investigar esse tema surgiu quando, há algum tempo, deu-se atenção à maneira pela qual os profissionais da saúde reagem diante da morte de alguns pacientes. O acontecimento, obviamente, é um problema difícil de ser enfrentado tanto pelo paciente e sua família, quanto pelos profissionais envolvidos. É penoso para o ser humano conviver com sua terminalidade através da morte do outro (NEME e RODRIGUES, 2003).

Do ponto de vista psicológico, os profissionais da saúde podem utilizar mecanismos de defesa diante de certas situações, em especial, no momento da morte de um paciente, uma vez tal comportamento é um modo de não entrar em contato com experiências dolorosas. Essas defesas se manifestam por meio da mais diferentes atitudes, como rejeição, indiferença e, ate mesmo, raiva, considerando-se que o paciente, ao morrer, coloca-os diante de sua própria finitude (NEME e RODRIGUES, 2003).

(30)

3. METODOLOGIA

A metodologia utilizada neste trabalho foi quantitativa e qualitativa. Os estudos denominados qualitativos têm como preocupação fundamental a análise do mundo empírico em seu ambiente natural. Nessa abordagem valoriza-se o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo estudada (GODOY, 1995).

Já nos estudos denominados quantitativo são utilizadas, numericamente, as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas, além da utilização de técnicas estatísticas (RODRIGUES, 2007).

O tipo de pesquisa foi a pesquisa de campo de cunho descritivo exploratório, que consiste em observar os fatos como ocorrem espontaneamente e coletar dados importantes para análise posterior (DI DOMENICO, 2009).

A Pesquisa Bibliográfica consistiu no exame, levantamento e análise do material científico existente sobre o assunto escolhido como tema da pesquisa (DI DODEMICO, 2009).

O instrumento utilizado neste trabalho foi a aplicação do Teste Psicológico ISSL (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp), que visa identificar de modo objetivo a sintomatologia que o paciente apresenta, avaliando se este possui sintomas de stress, o tipo de sintoma existente, seja somático ou psicológico, e a fase em que se encontra. O ISSL apresenta um modelo quadrifásico do estresse, são elas: fase de alerta, resistência, quase exaustão e exaustão (LIPP, 2015).

A fase de alerta é considerada a fase positiva do estresse, na qual o ser humano se energiza através da produção de adrenalina, a sobrevivência e uma sensação de plenitude é quase sempre alcançada. Já na fase de resistência a pessoa automaticamente tenta lidar com os seus estressores de modo a manter o seu equilíbrio interno. Na fase de quase exaustão, o processo de adoecimento se inicia e os órgãos que possuírem uma maior vulnerabilidade genética ou adquirida começam a apresentar sinais de deterioração. Por fim, na fase de exaustão as doenças graves podem ocorrer nos órgãos mais vulneráveis, como enfarte, úlceras, psoríase, depressão entre outros. Este modelo quadrifásico do stress serviu de base para a elaboração do ISSL (LIPP, 2015).

(31)

O Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp foi aplicado à cinco pessoas que lidam diretamente com os pacientes oncológicos que passam pela casa de apoio UNICAN de Foz do Iguaçu, sendo dois profissionais de nível superior e três colaboradores que atuam como cuidadores.

A aplicação do ISSL é prática, fácil e rápida, podendo ser aplicada por indivíduos que não tenham treinamento em psicologia. Porém a sua correção e interpretação deve ser feita de acordo com as diretrizes de Conselho Federal de Psicologia (LIPP, 2015).

Estas pessoas também passaram por uma entrevista, que foi gravada com a autorização dos participantes. A entrevista se baseou em um questionário com cinco questões abertas sobre as reações dos profissionais diante da morte.

3.1 Análise de dados Conforme o Manual de Correções do teste ISSL, pela entrevista gravada com os colaboradores da Cada de Apoio UNICAN e através de discussões bibliográficas.

3.2 Cuidados Éticos Elaborados Termos de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) para cada profissional que serão submetidos ao teste ISSL e aos questionários. Os mesmos foram avaliados no mais absoluto sigilo na identidade de todos estes profissionais.

3.3 População Cinco pessoas: Dois profissionais graduados e três cuidadores.

3.4 Local Casa de Apoio UNICAN.

3.5 Instrumento Inventário de Sintomas de Stress para Adultos (ISSL), entrevista gravada com cinco questões abertas.

(32)

4. DISCUSSÃO / RESULTADOS

Os resultados e discussões encontram-se demonstrados abaixo.

Através da aplicação do teste ISSL, verificou-se que dos cinco participantes, apenas uma pessoa não apresentou níveis de estresse significativo para afirmar que tal pessoa é estressada, contabilizando 20% do total de pessoas submetidas ao teste. As outras quatro pessoas foram diagnosticadas com estresse em nível de resistência, contabilizando 80% do total de pessoas submetidas ao teste. Estes resultados estão representados abaixo em forma de tabulação e gráfico:

Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp

Total Porcentagem

Participantes 05 100%

Sem presença de Stress 01 20%

Stress em Fase de ALERTA 00 0%

Stress em Fase de RESISTÊNCIA 04 80%

Stress em Fase de QUASE EXAUSTÃO 00 0%

Stress em Fase de EXAUSTÃO 00 0%

Sem Estresse 20%

Fase de Resistência

80%

Fase de Alerta 0%

Fase de Quase Exaustão

0% Exaustão

0%

Fases de Stress

(33)

Das quatro pessoas que foram diagnosticadas com estresse, todas elas, 100%, apresentaram graus de sintomas físicos e psicológicos como mostra a tabulação abaixo:

Sintomas de Estresse TOTAL Porcentagem

Apenas Físico 00 0%

Apenas Psicológico 00 0%

Físico e Psicológico 04 100%

Através da tabulação a seguir, demonstra-se a porcentagem de sintomas das quatro pessoas que foram diagnosticadas com estresse. Os participantes com significativos níveis de estresse foram identificados como P1, P2, P3 e P4 para preservação do sigilo.

Participantes Porcentagem

Sintoma Físico Sintoma Psicológico

P1 50% 20%

P2 30% 20%

P3 50% 40%

P4 30% 40%

Em relação ao participante 1 (P1), o resultado mostrou que a área de maior vulnerabilidade de apresentar algum sintoma, será de forma física, com o valor de 50% e de apresentar sintomas psicológicos é de apenas 20%.

Já no participante 2 (P2), o resultado mostrou que a área de maior vulnerabilidade de apresentar algum sintoma, será de aspecto físico, contabilizando 30% e de apresentar sintomas psicológicos é também de 20%.

O participante 3 (P3), foi o que apresentou o maior nível de vulnerabilidade de apresentar algum sintoma físico, com valor de 50%, e de apresentar sintomas psicológicos é de 40% de chance.

Por fim, o participante 4 (P4), foi o único que apresentou o valor de vulnerabilidade psicológica maior que a vulnerabilidade física, sendo 40% de vulnerabilidade psicológica contra 30% de vulnerabilidade física.

(34)

Uma maior incidência de estresse em determinada área significa que a pessoa é mais vulnerável nessa área. Porém, é consideravelmente viável que a pessoa possa em certo momento de sua vida ter um ou outro sintoma característico de estresse sem realmente tê-lo (LIPP, 2015).

Na aplicação do questionário, houve trechos da entrevista gravada nos quais se nota a presença de fatos que acontecem na Casa de Apoio UNICAN que podem ser relevante para um indivíduo adquirir estresse. Em uma das entrevistas, um funcionário diz: “Eu penso: Meu Deus do céu está espalhando, (...) muita gente sabe que está espalhando e sabem que pode vim morrer rápido.” Já em outro momento, o mesmo funcionário diz: “Tem pacientes que chega que estão muito debilitado, com o tumor estourando, saindo pra fora”.

Outro funcionário trouxe uma fala onde descreve sofrer grande impacto quando um paciente vem a falecer: (...) então quando se trata de algum paciente que a gente tem maior afinidade eu falando por mim, eu sinto muito, teve alguns pacientes que eu chorei muito quando eu soube, aqui a gente está tendo aquele contato mais frequente, então a amizade aumenta, a gente tem aquela noticia, eu em alguns momentos eu fiquei muito triste, cheguei chorar mesmo.”

Tem colaborador que lida com naturalidade e utiliza mecanismos de defesa, para lidar com a situação de morte: “Eu acho que pra mim isso se tornou um pouco natural, é ruim, mas se tornou um pouco natural.”

Por fim, identifica-se como mecanismo de defesa principal, identificado na maioria dos colaboradores da Casa de Apoio UNICAN, a negação, tendo em vista que, baseia-se em simplesmente negar os fatos acontecidos à base de mentiras que acabam se confundido e na maioria das vezes contrariando uma à outra.

(35)

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa teve por objetivo investigar como cinco profissionais da saúde da Casa de Apoio da União Iguaçuense de Apoio as Pessoas com Câncer (UNICAN) de Foz do Iguaçu – PR lidam com a morte, bem como, se apresentam estresse e, ainda quais são os mecanismos de defesa utilizados mediante o enfrentamento da morte.

Concluiu-se que estes profissionais se deparam diretamente com pacientes e familiares no momento mais difícil do enfrentamento da enfermidade oncológica, doença de uma fragilidade indiscutível, que ceifa a vida e sem distinção na escolha de suas vítimas, cabendo a estes profissionais, fazer parte da situação dolorosa que os pacientes estão vivenciando.

Durante a pesquisa constatou-se que estes profissionais lidam com uma certa naturalidade, tendo como comportamento automático sentir-se triste pela notícia da morte, porém estão habituados com o processo do morrer, fato este que é corriqueiro e constante na rotina do ambiente onde trabalham. Por conta deste hábito, criou-se uma barreira defensiva, como mecanismo de defesa, para a contínua exposição frente à condição de finitude da vida que os pacientes vivenciam.

Estes profissionais têm participação no processo, enquanto suporte para o prolongamento e promoção da qualidade de vida no tempo restante que a doença impõe ao indivíduo em tratamento.

Através do inventário de sintomas de stress para adultos constatou-se que a amostra deste estudo apresentou os seguintes resultados: Apenas uma pessoa não apresentou níveis de estresse significativo, resultando 20% do total de pessoas que realizaram o teste. As demais foram diagnosticadas com estresse em nível de resistência, resultando em 80% do total de pessoas que realizaram o teste. Em relação ao participante 1 (P1), o resultado mostrou uma maior vulnerabilidade em apresentar algum sintoma, de forma física, com valor de 50% e de forma psicológica de apenas 20%.

Já com o participante 2 (P2), o resultado mostrou que a área de maior vulnerabilidade em apresentar algum sintoma, foi de aspecto físico, contabilizando 30% e psicológico foi também de 20%.

O participante 3 (P3) foi o que apresentou maior nível de vulnerabilidade de

(36)

apresentar algum sintoma, com valor de 50% no aspecto físico, e de apresentar sintomas psicológicos foi de 40% de chance.

Por fim, o participante 4 (P4) foi o único que apresentou menor vulnerabilidade física em relação à psicológica, sendo 30% de vulnerabilidade física, contra 40% de vulnerabilidade psicológica.

Desta forma, pode-se considerar que os profissionais, embora estejam habituados com a rotina de lidar com a morte, no decorrer do acompanhamento junto ao paciente em tratamento, estão expostos à constantes situações estressantes. Portanto, o manejo entre o que se vivencia diariamente e o estresse são inevitáveis, pois mesmo que se tente resistir aos sintomas, eles se fazem presentes.

Nas doenças crônicas, a dor e o estresse podem estar ligados ao modo como as pessoas lidam com os seus problemas, ao longo do decurso da vida.

Entretanto, as fontes de proteção e a forma como o indivíduo irá enfrentar esta situação adversa poderá ser influenciada pela aceitação e elaboração do processo de adoecimento e, consequentemente, da inevitabilidade da morte, em certos casos (JUNIOR, 2009).

(37)

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORGES, A. D. V. S, Percepção da morte pelo paciente oncológico ao longo do desenvolvimento. Psicologia em estudo. Maringá, v. 11, n. 2, Mai/Ago. 2006.

Disponível em :<http://www.scielo.br> Acesso em: 20 de Junho de 2015.

BRITTO, E.; CARVALHO, A. M. P. Stress, Coping (enfrentamento) e saúde geral dos enfermeiros que atuam em unidades de terapia intensiva e problemas renais. Revista Electrônica semestral de Enfermeria. Espanha, Maio, 2004.

DI DOMENICO, Viviane. G. C. Métodos e técnicas de pesquisa em psicologia:

uma introdução. São Paulo: Edicon, 2009.

FIORELLI, José Osmir. Psicologia nas relações de trabalho: Uma nova visão para advogados, juízes do trabalho, administradores e psicólogos. São Paulo: L Tr, 2003.

JUNIOR, Wanderley. P. Resiliência: análise das estratégias de enfrentamento de pacientes em tratamento radioterápico. UCG, Goiás, Jan. 2009.

HOLMES, David S. Psicologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

KOVÁCS, Maria Julia. Desenvolvimento da tanatologia: Estudos sobre a morte e o morrer. Psicologia USP, Ribeirão Preto, v.18, n. 41, Set/Dez. 2008. Disponível em:

<http://www.scielo.br> Acesso em: 01 de Junho de 2015.

LIMONGI, Ana Cristina. Psicologia do trabalho: Psicossomática, valores e práticas organizacionais. São Paulo: Saraiva, 2008.

LIPP, M. E. N. Estresse emocional: a contribuição de estressores internos e externos. Psicologia USP, São Paulo, v. 28, n. 6, Nov. 2001. Disponível em:

<http://urutu.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol28/n6/artigos/art347.htm> Acesso em: 01 de Junho de 2015.

LIPP, M. E. N. Manual de Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015.

NEME, Carmem M. B; RODRIGUES, Olga. M. P. R. Psicologia da Saúde:

Perspectiva interdisciplinares. São Carlos: Rima, 2003.

OLIVEIRA, Eliane, C. N. O psicólogo na UTI: reflexões sobre a saúde, vida e morte nossa de cada dia. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 22, n. 2, Jun. 2002.

Disponível em: <http://www.scielo.br> Acesso em: 07/09/2015.

Referências

Documentos relacionados