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Mecanismos de Defesa e Profissionais da Saúde

No documento FAA FACULDADE ANGLO-AMERICANO (páginas 26-30)

2.4 MECANISMOS DE DEFESA

2.4.2 Mecanismos de Defesa e Profissionais da Saúde

Este capítulo tem por objetivo identificar e analisar as reações emocionais e os mecanismos de defesa utilizados pelos mais diversos profissionais de saúde que lidam com a morte de pacientes, entre eles, os oncológicos.

A Psicologia da Saúde tem seu marco principal em 1978, suas intervenções em diversos contextos e especialmente, em instituições hospitalares diferem das intervenções tradicionais dos consultórios de psicologia clínica. O psicólogo da saúde busca reforçar os aspectos mais estruturados dos pacientes. Os potenciais, as motivações e as capacidades humanas são reforçados nos atendimentos. Focar estes aspectos tem como finalidade auxiliar o paciente e seus familiares a revitalizar sua força e virtude (JUNIOR, 2009).

Existe uma dificuldade dos profissionais da saúde diante da morte, mesmo que tenham que lidar com isso todos os dias. A morte sempre foi um mistério para o ser humano, desde os primórdios quando desenhavam cenas fúnebres nas cavernas. Um mistério não desvendado até hoje e encarado de modo diferente pelos diversos povos do planeta (NEME e RODRIGUES, 2003).

No século XIV e XV passa-se a utilizar caixões, uma forma de ocultar o corpo, insuportável para os olhos, o que não deixa de ser uma maneira de negar a morte (NEME e RODRIGUES, 2003).

No século XX surgiram outras atitudes, a morte passa a ser vergonhosa, procura-se escondê-la. A morte não faz parte mais da pessoa, esta se torna isenta de sua responsabilidade, além disso, a morte não deve ser percebida, dando a impressão de que nada mudou (NEME e RODRIGUES, 2003).

Os profissionais da saúde, imersos na rotina hospitalar, acabam se apropriando do distanciamento da família, para que esta não incomode o silêncio hospitalar. Neste sentido os pacientes terminais incomodam muito a esses profissionais, uma vez que a terminalidade determina claramente o fim, fazendo com que tenham que pensar e agir, mais cedo ou mais tarde, em relação ao corpo e morte, principalmente, quanto à questão do enfrentamento deste mistério (NEME e RODRIGUES, 2003).

Neste contexto cultural e profissional é possível perceber a dificuldade desses profissionais diante da morte (embora seja quase uma rotina de trabalho), a ponto de essa situação gerar conflito em sua maneira de ver o mundo (NEME e RODRIGUES, 2003).

Segundo Neme e Rodrigues (2003), os profissionais referem-se frequentemente aos sentimentos de impotência e ambivalência. Os mecanismos de defesa são constituídos de diferentes tipos de operação utilizados para neutralizar ansiedades por meio de diversas modalidades de manipulação de conflitos criados entre condições de realidade, impulsos e proibições. Têm a finalidade de reduzir e suprimir qualquer modificação suscetível de por em perigo a integridade e a constância do individuo.

Os mecanismos mentais e as defesas não são privilégios só dos pacientes, os profissionais da saúde também usam destes mecanismos para se defenderem, um deles é a identificação, quando o profissional começa a pensar e sentir como a pessoa da qual está tratando. No segundo, generalização, o profissional experimenta a ansiedade exagerada, perdendo de vista os conhecimentos que possui. O terceiro recurso é o deslocamento, em que a raiva do paciente diante da morte é dirigida para a equipe. O quarto é a progressão, em que os pacientes, por não tolerarem a ideia da morte, fazem acusações, e o profissional, não

Segundo Junior (2009), uma pessoa com motivação para a vida, com a crença na capacidade de influenciar nos resultados dos eventos e com a opinião de que se pode aprender e crescer a partir das experiências positivas e negativas tende à predisposição, à confiança, ao apoio social, à superação das adversidades.

Portanto, o profissional da saúde deve estar ciente que, além das características personalísticas, o sentido que a pessoa tem da vida, o bem estar subjetivo e a rede de apoio social vão interferir nas formas de enfrentamento frente aos eventos estressores.

Nas doenças crônicas, a dor e o estresse podem estar ligados ao modo como as pessoas lidam com os seus problemas. É inevitável no decurso da vida de uma pessoa se deparar com um evento estressor. Entretanto, as fontes de proteção e a forma como o indivíduo irá enfrentar esta situação adversa poderá desencadear em algo bom ou não para sua vida. A avaliação que a pessoa irá fazer sobre os resultados do enfrentamento do estresse em dado momento da sua vida é subjetiva (JUNIOR, 2009). também felicidade, alegria, vitória, entre outros (JUNIOR, 2009).

Pacientes que apresentam história de problemas afetivos ou alcoolismo, diagnóstico em estágio avançado da doença ou evolução rápida, aumento da são normalmente encontrados nos pacientes em tratamento radioterápico. Se considerarmos o câncer como um fator de risco e o tratamento radioterápico um contexto de vulnerabilidade, podemos entender que superar esta etapa do

tratamento já seria por si só, uma indicação de resiliência. Porém, ao enfrentar a doença e submeter-se ao tratamento é importante avaliar o bem-estar subjetivo como um termômetro para indicar que a pessoa superou a adversidade e o risco de forma positiva.

A partir destes dados pode-se hipotetizar que os benefícios das técnicas mais focais utilizadas por Psicólogos em suas intervenções nas situações de estresse, como o relaxamento e controle de respiração, a visualização e a experiência emocional corretiva, entre outras podem auxiliar o paciente no enfrentamento das adversidades, no controle emocional e orientá-lo em direção às estratégias de enfrentamento do adoecimento e da morte(JUNIOR, 2009).

A preocupação em investigar esse tema surgiu quando, há algum tempo, deu-se atenção à maneira pela qual os profissionais da saúde reagem diante da morte de alguns pacientes. O acontecimento, obviamente, é um problema difícil de ser enfrentado tanto pelo paciente e sua família, quanto pelos profissionais envolvidos. É penoso para o ser humano conviver com sua terminalidade através da morte do outro (NEME e RODRIGUES, 2003).

Do ponto de vista psicológico, os profissionais da saúde podem utilizar mecanismos de defesa diante de certas situações, em especial, no momento da morte de um paciente, uma vez tal comportamento é um modo de não entrar em contato com experiências dolorosas. Essas defesas se manifestam por meio da mais diferentes atitudes, como rejeição, indiferença e, ate mesmo, raiva, considerando-se que o paciente, ao morrer, coloca-os diante de sua própria finitude (NEME e RODRIGUES, 2003).

No documento FAA FACULDADE ANGLO-AMERICANO (páginas 26-30)

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