Edit orial
O autor
Ter um a ideia ou opinião na m edicina é algo com um e frequent e; discut i la publicam ent e exige algum em -basam ent o e responsabilidade; publicá- la exige persist ência, t écnica, dedicação, conhecim ent o e disciplina.
O aut or deve reunir t odas as caract eríst icas descrit as e ainda t er alt a dose de com preensão para aceit ar as event uais correções dos edit ores e as regras de edit oração das revist as.
Este exercício de cidadania médica, que é redigir e publicar um trabalho cientíico, é, em parte, recom -pensado pela divulgação de seu t rabalho e pela pont uação em sua carreira acadêm ica.
A divulgação no meio proissional pela publicação é a forma mais correta e lícita de propaganda e tem
um ret orno que é m edido pelo respeit o, qualidade m uit o valorizada na área m édica. A pont uação no m eio
acadêmico é feita através das avaliações dos órgãos federais de controle da produção cientíica, fato que já
discut im os m ais de um a vez em edit oriais com o est e. No m eio acadêm ico o respeit o pelo aut or é t ão grande que est a qualidade é a principal m oeda de t roca na análise de qualquer concurso na vida universit ária. Vale m ais um a publicação em revist a de boa qualidade do que organizar um livro, por exem plo.
Porque esta obvia manifestação de respeito e apreço à igura do autor?
Porque em algum as sit uações est a im port ant e qualidade que um m édico t em é banalizada, pelo núm ero
exagerado de autores relacionados em trabalhos cientíicos.
Na RBO nós não t em os um lim it e claro para núm ero de aut ores por t rabalho, e na m aioria das vezes re-cebem os t rabalhos com at é quat ro ou cinco aut ores. I m aginam os que o prim eiro aut or t enha sido o principal, o segundo o auxiliar m ais at uant e, o ult im o o m ent or e o t erceiro ou o t erceiro e quart o auxiliares em áreas
acessórias do tema ou aluno em processo de iniciação cientíica. Por exemplo, um trabalho sobre tumor ósseo,
t eria o prim eiro aut or com o aquele que organizou os casos, levant ou t odos os pront uários, m ont ou t odas as t abelas, discut iu a análise est at íst ica e redigiu o t rabalho com o auxílio do segundo sob a orient ação do últ im o, o t erceiro ou o t erceiro e quart o se houver, foram o radiologist a e/ ou o anat om opat ologist a.
Out ros colaboradores que event ualm ent e t enham part icipado do t rabalho fornecendo algum a referência
bibliográica, indicando um ou outro caso para a casuística ou oferecendo alguma documentação cientíica po
-dem ser considerados e receber um agradecimento no inal do trabalho, após as conclusões. Não são autores,
pois não part iciparam da est rut uração do t rabalho e, port ant o, não podem ser relacionados. Os aut ores de um t rabalho podem não t er part icipado da execução de nenhum dos at os que são analisados para a confecção do t ext o; ser aut or de um a publicação é um at o int elect ual e não físico. Excelent es t rabalhos são publicados a part ir de revisões sist em át icas, nas quais não há nenhum envolvim ent o dos aut ores com os t ext os considerados.
Na RBO quando recebemos um trabalho com mais de cinco autores temos diiculdade em compreender, especialmente quando se trata de trabalho sobre relato de caso ou análise de uma técnica especíica.
Colocar seis ou set e aut ores em um t rabalho que não é um consenso ou um a pesquisa clínica abert a m ul-t icênul-t rica sugere cerul-t o proul-t ecionism o ou m esm o um favorecim enul-t o, que não deve ocorrer nesul-t a aul-t ividade.
Algum as revist as cit am os seis prim eiros aut ores e colocam os out ros sobre a denom inação et al, que
signiica e outros. A citação nos sistemas de busca eletrônica ou em outros trabalhos será sempre baseada
no prim eiro aut or. Na verdade não há um a hierarquia de valores segundo a ordem de cit ação, e em algum as
situações um nome em qualquer posição do rol de autores confere coniabilidade e respeito ao texto, mas há
um consenso de que os aut ores cit ados t êm que t er relação diret a com o t rabalho.
A RBO m ant erá a sua at it ude de respeit ar t odos os aut ores relat ados, m as sugere nest e edit orial que
esta atitude seja bastante consciente, para evitar a desvalorização e a banalização desta importante igura da educação médica continuada e da editoração cientíica – o autor.