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AUTOR Joaquim Maria Machado de Assis

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Academic year: 2021

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OBRA ANALISADA O Alienista

GÊNERO Narrativo

AUTOR

Joaquim Maria Machado de Assis

DADOS BIOGRÁFICOS Nascimento: 21 de junho de 1839, Rio de Janeiro.

Morte: 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro.

No dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia Brasileira de Letras, foi eleito presidente, cargo que ocupou até sua morte.

Fundador da cadeira nº. 23, cujo patrono é José de Alencar, seu grande amigo. Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

BIBLIOGRAFIA Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como

tradutor.

= Comédia

Desencantos, 1861.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

= Poesia

Crisálidas, 1864.

Falenas, 1870.

Americanas, 1875.

Poesias completas, 1901.

= Romance

Ressurreição, 1872.

A mão e a luva, 1874.

Helena, 1876.

Iaiá Garcia, 1878.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.

Quincas Borba, 1891.

Dom Casmurro, 1899.

Esaú Jacó, 1904.

Memorial de Aires, 1908.

= Conto

Contos Fluminenses, 1870.

Histórias da meia-noite, 1873.

Papéis avulsos, 1882.

Histórias sem data, 1884.

Várias histórias, 1896.

Páginas recolhidas, 1899.

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Relíquias de casa velha, 1906.

= Teatro [*]

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861.

Desencantos, 1861.

Hoje avental, amanhã luva, 1861.

O caminho da porta, 1862.

O protocolo, 1862.

Quase ministro, 1863.

Os deuses de casaca, 1865.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

= Algumas obras póstumas Crítica, 1910.

Teatro coligido, 1910.

Outras relíquias, 1921.

Correspondência, 1932.

A semana, 1914/1937.

Páginas escolhidas, 1921.

Novas relíquias, 1932.

Crônicas, 1937.

Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.

Crítica literária, 1937.

Crítica teatral, 1937.

Histórias românticas, 1937.

Páginas esquecidas, 1939.

Casa velha, 1944.

Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.

Crônicas de Lélio, 1958.

Conto de escola, 2002.

= Antologias

Obras completas (31 volumes), 1936.

Contos e crônicas, 1958.

Contos esparsos, 1966.

Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998

[*]

Sua primeira peça teatral foi encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.

RESENHA CONTO

do Latim computum, ou seja, "cálculo, conta"; do Grego kóntos, "extremidade da lança"; commentum, "invenção,

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ficção".

O Alienista é um conto que faz parte da obra Papéis Avulsos. Avulsos são eles, mas não vieram para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à mesma mesa.

Observamos crítica ao cientificismo da segunda metade do século XIX, na pessoa do doutor Bacamarte. “A saúde da alma é a ocupação mais digna do médico.” “A ciência é meu emprego único.”

CASA VERDE ou CASA DE ORATES = um hospício na vila de Itaguaí. “Itaguaí é o meu universo.”

ALIENISTA, em psiquiatria, é especialista em doenças mentais. Dr. Simão

Bacamarte é o alienista, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos, regressou ao Brasil.

Através de sua visão é retratada a

burguesia hipócrita da época. É ele quem pretende delimitar quem é são e quem é louco na cidade. Apenas Bacamarte é virtuoso.

"louco imarcescível", no sentido conotativo, impossível de corromper;

incorruptível, inalterável.

Toma a decisão de albergar aqueles que, antes, eram tratados por seus familiares.

Um arroubo. Com ironia, declara que até os justos e os honestos eram loucos.

Conclusão: a maioria dos residentes são levados para tratamento em virtude de apresentar alguma “anormalidade”.

Objetivo: estudar o limite entre a razão e a loucura.

Percebemos, também, um retrato irônico e cruel do sistema de internação

psiquiátrica da época; muito semelhante

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a um presídio.

PERSONAGENS representantes da sociedade corrupta

Considera qualidades humanas - a inveja, a cobiça, a desonestidade, a violência, a luxúria, só para citar algumas. Após algum tempo, os moradores assim

classificados recebem alta; estão curados.

Oportunismo: barbeiro Porfírio

Interesse pessoal e mesquinho: barbeiro Crispim

Lisonjear para obter vantagens: o boticário Crispim Soares

Igreja = função moderadora: padre Lopes Há ainda os dramas dos que estão no poder: a Câmara de Vereadores aprova uma lei em que nenhum vereador poderia ir parar na Casa Verde.

Seu fim é desolador: termina seus dias afastado do convívio social na Casa Verde até a morte; seu mal era incurável.

ACESSE o Caderno Especial em nosso site: Machado de Assis: o bruxo do Cosme Velho. Não perca a chance!

ESTILO DE ÉPOCA Realista

Segunda fase do escritor: realista ou de maturidade - abre espaços para as questões psicológicas – faz análise profunda do ser humano com suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades.

A densidade psicológica da população machadiana abre caminhos para a

compreensão do realismo, antes de tudo, cético. [prof. Antonio Olinto, Academia Brasileira de Letras]

Este conto ilustra, simboliza e critica os valores da sua época.

Conto ou novela?

Apesar de mais longo, não possui características que o insiram dentre as

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novelas. Seu espaço da ação é mais restrito.

Não há detalhismo - exagero nos

pormenores ou nas minúcias – descrições das festas, por exemplo.

Não há muitas células dramáticas. Sabe- se que o conto apresenta um único drama, um só conflito, uma só ação, uma só história.

OBJETIVO: fornecer uma impressão única no leitor.

Logo: certamente é um conto.

INTERTEXTUALIDADE

Livre adaptação do conto O grupo Nós do Morro interpreta o espetáculo "Machado a 3x4". O musical com roteiro de Luiz Paulo Corrêa e Castro e direção de Guti Fraga e Fátima

Domingues cumpre curta temporada no Itaú Cultural.

A nova produção conta a trajetória do médico Simão Bacamarte - personagem que decide criar um hospício em uma cidade do interior com a intenção de estudar as doenças mentais.

Livre adaptação do conto

“Casa Verde” pelo Grupo Milonga Na peça, os autores conduzem o público pelo espaço físico, de forma itinerante, e jogam ideias e conceitos, criando uma sequência de acontecimentos e diálogos ligados diretamente ao mundo

contemporâneo.

Este grupo desenvolve pesquisa corporal e estética na área da cultura popular e na prática de danças nordestinas –

maracatu, frevo, cavalo marinho, etc – além do jogo de capoeira, música e canto.

Literatura em quadrinhos: exploração da linguagem visual

O quadrinista Lailson de Holanda adapta O Alienista, obra de Machado de Assis para os quadrinhos pela editora Escala Educacional. A história que foi originalmente criada para folhetins para o periódico A Estação entre 1881 e 1882

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narra a história de um cientista, Simão Bacamarte, nos caminhos da razão e da loucura numa jornada insana para se mostrar o quanto o ser humano pode ser hipócrita. A obra de Lailson já pode ser encontrada em lojas especializadas e tem 64 páginas.

A HQ "O alienista", adaptação de Fabio Moon e Gabriel Bá, in coleção Grandes Clássicos em Graphic Novel, da editora Agir: médico Simão Bacamarte, de volta à cidade de Itaguaí, decide colocar os loucos na Casa Verde, onde pretende estudar e catalogar os vários tipos de loucura. À medida que quase todos os habitantes vão parar na casa, uma revolta eclode, comandada pelo barbeiro Porfírio. A partir deste enredo, Machado de Assis, antes mesmo de Freud, faz uma análise da loucura e da mente humana.

Por conta das comemorações a

Academia Brasileira de Letras lançou um caderno sobre o bruxo do Cosme Velho.

Bibliografia recomendada

Modos de narrar, modos de fazer ver:

análise semiótica de adaptações para quadrinhos do conto O alienista, Regina Souza Gomes (UFRJ), Luiza Helena Oliveira da Silva (UF Tocantins), Juliana Bessa de Mendonça (UFF), Andressa Abraão Costa (UFRJ)

VISÃO CRÍTICA

BRUXO DO COSME VELHO, por quê?

Machado de Assis morou na Rua da Lapa, 96, no Rio de Janeiro. Tempos depois, se mudou para o Cosme Velho. Passou a ser chamado de bruxo pelos seus vizinhos por seu hábito de queimar seus

manuscritos numa caldeirinha. Sabia?

Machado de Assis criou um estilo próprio:

procedimento científico de investigação que consiste no exame atento das

pessoas de seu tempo – o mundo interno de seus personagens.

LOUCURA, por quê?

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... doença mental, que tinha base

orgânica, e muitos diziam que a psicose, isto é, a loucura, era a expressão de uma alteração do sistema nervoso, que seria a neurose.

Cada doença mental tinha sua etiologia [causa] própria.

"Nosso autor enfrentou muitos

preconceitos de sua época: o preconceito racial, como um mulato escuro que viveu dos 49 dos 69 anos num Brasil

escravocrata; o preconceito social, como um epiléptico de origem muito pobre que tinha grandes ambições literárias, além do preconceito intelectual, como escritor que adotou linguagem concisa e

cristalina, rejeitou o otimismo e a religião e jamais aderiu a modas estéticas".

[Daniel Piza]

Freud está para a psicologia tal como Machado de Assis, para a literatura.

“Machado de Assis está dizendo coisas que Freud diria 25 anos depois.” [Roberto Schwarz]

Freud e Machado de Assis: uma interação entre Psicanálise e Literatura

Editora: Mauad

Luiz Alberto Pinheiro de Freitas, o autor, analisa os personagens femininos da obra de Machado de Assis a partir de uma perspectiva freudiana.

Referências

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