A APLICAÇÃO DAS DIMENSÕES DO
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E
OS NÍVEIS DA COMPETITIVIDADE
SISTÊMICA: O CASO DO ARRANJO
PRODUTIVO DE CALÇADOS DE
CAMPINA GRANDE
Hélio Cavalcanti Albuquerque Neto (UFCG)
Charles Cavalcante Marques (UFCG)
Romário Alves Guimarães (UFCG)
Flora Magna do Monte Vilar (UFCG)
Egidio Luiz Furlanetto (UFCG)
O presente projeto está inserido no convênio firmado entre o SEBRAE-PB e a UFCG, tendo como objetivo identificar as influências dos indicadores de sustentabilidade na competitividade de Arranjos Produtivos Locais (APL’s) no Estado da Paraíbba, tomando como referência os indicadores de sustentabilidade e conceitos de competitividade sistêmica. Para os fins do presente projeto de iniciação científica - PIBIC, o estudo foi realizado no APL de calçados de Campina Grande - PB. O pressuposto básico da pesquisa é de que quanto mais adequadas forem às políticas, as ações direcionadas para a geração da competitividade local em setores e atividades econômicas, dentro das perspectivas e diretrizes dos indicadores de sustentabilidade, melhores serão as condições para viabilização do desenvolvimento local sustentável. A metodologia da pesquisa obedeceu às seguintes etapas: 1) identificação do APL a ser estudado; 2) Contextualização e caracterização do APL; 3) Identificação das dimensões e indicadores de sustentabilidade e competitividade; 4) Cálculo do índice de desenvolvimento sustentável de cada dimensão e posteriormente da cidade de Campina Grande; 5) Avaliação da competitividade do APL de Calçados de Campina Grande. Com base nos resultados da pesquisa foi possível concluir que o município de Campina Grande apresenta um grau de sustentabilidade médio, necessitando melhorias nas dimensões geográficas e político-institucionais. Quanto à competitividade, o APL de Calçados de Campina Grande apresenta baixo nível de competitividade.
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Palavras-chaves: Arranjo Produtivo Local, Sustentabilidade, Competitividade
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1. Introdução
Os estudos nas áreas de conhecimento relacionadas às ciências sociais aplicadas, especificamente na economia e na administração nos temas desenvolvimento econômico, gestão da inovação e estratégias organizacionais, de maneira geral, adotam enfoques direcionados para o crescimento da atividade econômica e com uma visão limitada dos aspectos sociais e institucionais, ou seja, há uma tendência em se pensar o desenvolvimento apenas sob o ponto de vista econômico, voltado para o aspecto competitivo, centrado em questões de ordem financeiras, tributárias e de geração de receitas, sem considerar adequadamente a necessidade da formação de identidades e de diferenciação das regiões e das suas organizações para enfrentarem um ambiente de extrema competitividade.
Para Goulet (1996), o desenvolvimento só tem autenticidade quando é possível torná-lo sustentável e essa sustentabilidade precisa ser garantida em três domínios: 1) o econômico, o qual tem sua viabilidade dependente do uso de recursos que não se esgote irreversivelmente e de um padrão de manejo do lixo resultante da produção que não destrua a vida; 2) a política, baseada na conscientização de todos os membros da sociedade acerca da necessidade da viabilização de um sistema político pautado na busca do bem comum e não interesses particulares e 3) o social e cultural centrados na proteção aos fundamentos da vida comunitária.
Esta nova forma de pensar, o desenvolvimento parece haver certo consenso de que o mesmo só pode ser alcançado com a condução de projetos direcionados para a preservação dos recursos ambientais presentes, adequando-os às particularidades do entorno da localidade. Durante muito tempo acreditou-se que o fator econômico era o único determinante do desenvolvimento. Hoje, sabe-se que o desenvolvimento tem múltiplas dimensões, dentre elas: a econômica, a social, a cultural, a ambiental e físico-territorial, a político-institucional e a científico-tecnológica que mantém umas em relação às outras, certo grau de autonomia. Todas estas dimensões têm influências no processo de desenvolvimento, tornando-se necessário identificar os inúmeros fatores e condicionantes externos que interfiram favorável ou desfavoravelmente no desenvolvimento de uma dada localidade, região ou país. Nestes casos, estas dimensões precisam ser contextualizadas para contingências específicas, considerando o seu caráter mutável e dinâmico.
A partir destas considerações, é da mais absoluta importância que as políticas de desenvolvimento regional levem em consideração a viabilização do desenvolvimento local sustentável, através da busca de maior competitividade para os setores produtivos.
Desta forma, o presente trabalho examina a relação entre indicadores de sustentabilidade e o crescimento econômico juntamente com a competitividade no local, considerando que as teorias do crescimento econômico refletem uma tendência de inclusão de outros aspectos complementares de ordem política, social, institucional, ambiental, etc. na perspectiva de que nos modelos de crescimento estes aspectos são interdependentes e inter-relacionados.
O pressuposto básico da pesquisa é de que quanto mais presentes e adequadas forem às políticas e ações direcionadas para a geração da competitividade local em setores e atividades econômicas, dentro das perspectivas e diretrizes dos indicadores de sustentabilidade, melhores serão as condições para viabilização do desenvolvimento local sustentável. Assim sendo, o objetivo da pesquisa que originou o presente artigo consistiu em verificar as influências dos
4 indicadores de sustentabilidade na competitividade do Arranjo Produtivo Local de Calçados de Campina Grande.
2. Fundamentação teórica
2.1 A sustentabilidade e o desenvolvimento sustentável
A definição de sustentabilidade, ou desenvolvimento sustentável, embora utilizado de forma ampla nas duas últimas décadas, é um conceito em permanente construção e reconstrução, e corresponde à definição mais abrangente dos modelos de desenvolvimento nascidos na modernidade.
A sustentabilidade é um termo que tem origem na agricultura, sendo uma palavra dinâmica, visa manter a capacidade de reposição de uma população, isto é, manter sua biodiversidade sem perdas para o funcionamento do ecossistema - em longo prazo - para possibilitar sua sobrevivência e continuidade como espécie. Para Rabelo & Lima (2007) apud Begon, Townsend e Harper (2007) sustentabilidade significa algo que possa ser repetido em um futuro previsível, levando sempre em consideração de que práticas insustentáveis, no hoje, não podem ser aceitas com base na crença de que os avanços tecnológicos, no futuro, as tornarão sustentáveis.
Embora o termo traga diversas interpretações, a noção de sustentabilidade pode ser vista como sobrevivência. O conceito de Meio Ambiente é visto de forma sistêmica, pois o ser humano não é apenas um mero consumidor nessa cadeia trófica, mas também um grande causador de impactos ambientais irreversíveis na natureza. Meio ambiente é o resultado das interações ecológicas, sociais e econômicas, sendo capaz de provocar efeitos diretos em todos os seres vivos do planeta devido ao modo de uso dos recursos naturais e do seu espaço (CAVALCANTI 1997; RODRIGUEZ, 1997). Desse modo, o meio ambiente é formado pela interação entre três outros sistemas: o humano, o natural e o social, que formam outros subsistemas.
O debate sobre sustentabilidade necessita sair do plano teórico e se tornar operacional. Para que isso seja possível torna-se necessário pensar uma maneira de quantificar tal sustentabilidade. A identificação da informação relevante, capaz de potencialmente esclarecer a existência de quaisquer processos não-sustentáveis de desenvolvimento na relação entre sociedade e meio ambiente, é algo somente possível para uma sociedade se ela dispuser de instrumentos técnico-científicos e políticos construídos com essa finalidade. A necessidade de mensurar sustentabilidade levanta-se como condição para a construção de soluções sustentáveis em desenvolvimento (ALBUQUERQUE NETO et al. 2008).
Rabelo & Lima (2007), afirmam que na busca de uma forma de quantificar a sustentabilidade, os indicadores de sustentabilidade são essenciais para concretizar um processo de desenvolvimento em bases sustentáveis, através da operacionalização de um conjunto de variáveis que são relevantes para a comunicação de informações e, por conseguinte, para a compreensão da realidade investigada.
2.2 As dimensões de sustentabilidade
Para Martins (2008), na busca por um novo modelo de desenvolvimento sustentável torna-se necessário o reconhecimento da diversidade dessa estrutura através das múltiplas dimensões da sustentabilidade e os objetivos distintos que orientam os modos de vida da sociedade. Waquil et al. (2005) apud Martins (2008) faz uma análise e verificação dos processos de desenvolvimento sustentável em territórios rurais no Brasil, objetivando caracterizar os espaços
5 geográficos de forma multidimensional, através da percepção das distinções e identidades próprias, definiu e utilizou as seguintes dimensões: social – melhoria da qualidade de vida através do acesso a serviço de saúde, educação, moradia e segurança; demográfica – limites da capacidade dos recursos em relação as condições da localização e composição da população; econômica – tendências de crescimento econômico e formação/distribuição de renda; político-institucional - fortalecimento da cidadania e das instituições; ambiental – manutenção da capacidade de sustentação dos ecossistemas em relação à ação humana; e cultural - fortalecimento da cultura. Sendo estas, as dimensões utilizadas no presente estudo, dadas a adequação aos propósitos aqui almejados.
Portanto, podem-se ter várias abordagens das dimensões de sustentabilidade, devido as diferentes percepções existentes. Assim, é importante que as dimensões de sustentabilidade estejam definidas de acordo com a realidade investigada, caracterizando-a da melhor forma possível e permitindo a mensuração da sustentabilidade.
2.3 Os indicadores de sustentabilidade
As principais funções dos indicadores são as de comparar lugares e situações, avaliar condições e tendências em relação às metas e aos objetivos, prover informações de advertência, e antecipar futuras condições e tendências.
Segundo Rabelo & Lima (2007), indicadores surgem de valores e geram valores. E os indicadores de sustentabilidade possuem algo mais: têm o papel adicional de informar e orientar indivíduos, empresas, ou grupos, a reconhecerem que o comportamento e escolha de cada um têm efeitos sobre o estado da sustentabilidade que se busca.
2.4 Sistemas de indicadores de sustentabilidade
A preocupação sobre indicadores de sustentabilidade é enfatizada ao redor do mundo, com cerca de 560 iniciativas de indicadores de sustentabilidade (IISD,2006; OECD, 2003). No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trabalha com 59 indicadores de sustentabilidade, que se baseiam nos 58 indicadores da Commission on Sustainable
Development (CSD, 2005) formando um escopo de quatro dimensões: ambiental, social,
econômica e institucional.
Alguns tipos de sistemas têm sido utilizados para identificar e desenvolver indicadores de sustentabilidade, e segundo Van Bellen (2002) os sistemas mais difundidos são o Ecological
Footprint Method, o Dashboard of Sustainability e o Barometer of Sustainability, visto
estes apresentarem perspectivas de desenvolvimento sustentável.
Os indicadores de sustentabilidade são dinâmicos e variam de acordo com a natureza do objeto de estudo. Embora haja sugestões de indicadores que contemplem as dimensões da sustentabilidade (social, econômica, ambiental e institucional) não se pode adotá-las sem que os mesmos estejam contextualizados na análise a ser realizada. Portanto, não existem indicadores de sustentabilidade definitivos, o que justifica, de certo modo, os diversos sistemas de indicadores existentes.
2.5 Competitividade
O cenário mundial está marcado por um novo dinamismo econômico, baseado na ampliação da demanda por produtos e processos diferenciados, viabilizados pelo desenvolvimento intensivo e acelerado novas formas de organização, cujo formato, tem despertado muito interesse, especialmente em relação à diversidade de abordagens e critérios para
6 caracterização e análises desse tipo de aglomeração de empresas que considera a localização da produção e os vínculos produtivos mantidos pelas empresas e instituições locais.
Considerando a relevância dos APLs para o desenvolvimento local, as instituições juntamente com a sociedade e os agentes produtivos devem buscar estruturar esses arranjos em bases cada vez mais sólidas e sustentáveis. Pois, diante da diversidade de elementos e aspectos que proporcionam vantagens competitivas para as empresas nas aglomerações, cuja principal característica é a especialização produtiva, torna-se necessário reconhecer que existem variáveis que podem de forma inesperada alterar os rumos da competitividade de um aglomerado. Dessa forma, deve-se buscar o monitoramento do ambiente de inserção como forma de reduzir as incertezas e vulnerabilidades a partir de uma visão integrada dos aspectos sociais, ambientais, econômicos, culturais, políticos-institucionais presentes nesse contexto e através da ação coletiva articular os diferentes atores em torno de objetivos comuns que resulte em vantagens competitivas sustentáveis como forma de atingir um desenvolvimento local sustentado.
Nesse contexto, para compreender a competitividade em APLs é necessário abordar aspectos relacionados ao seu funcionamento, como os vínculos de articulação, interação, cooperação, confiança, processo de aprendizagem e inovação, da capacidade de auto-fortalecer e estabelecer vantagem competitiva, através da formação de redes cooperativas. De acordo com Olave & Neto (2005) a manutenção e o aumento das vantagens competitivas estão associadas diretamente à mobilização de conhecimentos, habilidades tecnológicas e experiências voltadas ao desenvolvimento de novos produtos, novos processos e novos serviços. A busca de maior produtividade leva a criação de redes de subcontratação, de cooperação e a novas formas de relacionamentos entre as empresas, com características bastante heterogêneas. Segundo Britto (2002), as condições competitivas atuais impõem desafios específicos à sobrevivência das empresas, geralmente mais vulneráveis no que se refere aos canais de suprimento, comercialização e financiamento.
Nessa perspectiva, a existência de APLs e o aproveitamento das sinergias coletivas geradas por suas interações, e destas com o ambiente onde se localizam, vêm efetivamente fortalecendo as oportunidades de sobrevivência e crescimento, constituindo-se em importante fonte geradora de vantagens competitivas duradouras. A participação em tais formatos organizacionais é estratégica para as empresas como forma de superar barreiras e comercializar seus produtos em mercados nacionais e internacionais, fortalecendo assim, o desenvolvimento local.
As interações ocorridas entre desempenho, capacitação e estratégia competitiva apresentam-se da seguinte forma: o desempenho de uma empresa é determinado pelas capacitações que reúne, enquanto as estratégias visam modificar as capacitações, de modo a adequá-las às metas de desempenho da empresa, sendo por elas eliminadas em um processo de interação dinâmica. Sendo assim, a análise do modelo de competitividade apresentado é composto por fatores de sucesso da competitividade divididos em níveis:
Fatores Empresariais (nível da empresa): referentes aos aspectos intra-organizacionais os quais a empresa detém poder de decisão e podem ser controlados ou modificados através das condutas ativas assumidas, sendo eles: gestão competitiva, capacidade inovativa, capacidade produtiva e recursos humanos.
7 Fatores Estruturais (nível da indústria e do mercado): relacionados a diversas formas de competição e colaboração nas cadeias produtivas, envolvendo aspectos relacionados ao mercado, configuração da indústria, e regime de incentivos e regulamentação da concorrência. Fatores Sistêmicos (nível do sistema produtivo como um todo): relacionados aos aspectos inter-organizacionais ressaltando a importância das externalidades, tais como: aspectos macroeconômicos, político-institucionais, Legais-regulatórios, Infra-estruturais, Sociais e Internacionais.
A Figura 1, mostra de uma forma sucinta, uma visão integrada da competitividade nos contextos empresariais, estruturais e sistêmicos.
Figura 1 - Fatores determinantes da competitividade. Fonte: Martins (2008)
3. Procedimentos metodológicos
O presente estudo situa-se na categoria de pesquisa exploratória, já que o tema abordado é pouco explorado e de caráter recente. Quanto à forma de abordagem, o trabalho classifica-se como uma pesquisa quantitativa, além de ser descritiva, visto que retrata características da cidade de Campina Grande. A pesquisa tem como base os construtos metodológicos utilizados por Martins (2008), no seu estudo sobre o APL de confecções na cidade de Campina Grande. As etapas desenvolvidas foram:
− Cálculo e avaliação dos indicadores de sustentabilidade: Foram escolhidos os indicadores de sustentabilidade, buscando dados que os representem para posteriormente analisar os resultados obtidos, e por fim realizar a mensuração da sustentabilidade na cidade em questão;
− Estudo e avaliação da competitividade do APL: Aplicou-se um questionário as empresas do APL para obter a avaliação da competitividade do setor;
− Análise dos resultados e considerações: A partir da avaliação dos indicadores de sustentabilidade e da competitividade, fez-se o cruzamento de informações relativas ao desempenho dos indicadores.
Ademais, foram realizadas as seguintes técnicas de pesquisa: Pesquisa bibliográfica, para o embasamento teórico da temática de sustentabilidade e Pesquisa documental com o intuito de obter dados e informações sobre os Indicadores de Sustentabilidade no município de Campina Grande, assim como sua respectiva competitividade.
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4. Análise dos Resultados
4.1 Caracterização do Arranjo Produtivo Local de calçados de Campina Grande
O surgimento da atividade coureira em Campina Grande iniciou-se no ano de 1923 com a criação de Curtumes na cidade. Sua produção destinava-se inicialmente à confecção de selas, arreios e rédeas para montarias, porém a existência ulterior de um grande rebanho bovino, ovino e caprino, na região, deu origem a indústria do couro e esta, por sua vez, criou as pré-condições para a fabricação de calçados. Assim, esta vocação histórica aparece como explicação predominante do desenvolvimento do arranjo produtivo de calçados de Campina Grande. Atualmente, de acordo com os estudos de Silva et al. (2008) existem 33 empresas produzem exclusivamente calçados, que visa atender principalmente a população local e o mercado regional, incluindo-se alguns estados da região Norte do país, competindo basicamente em custos.
Em estudo realizado pela RedeSist o segmento industrial direcionado no sentido da produção de calçados de Campina Grande foi classificado como sendo um verdadeiro “arranjo produtivo local” (Cassiolato & Szapiro, 2002).
No arranjo de Campina Grande destaca-se, também, uma importante característica, e esta, talvez, uma das mais decisivas para o desenvolvimento do mesmo, trata-se da presença de uma expressiva série de instituições, as quais foram criadas através da junção de esforços de diferentes esferas da sociedade no sentido de prestar apoio ao setor. Entre as mais importantes instituições merecem destaque o SEBRAE por efetuar pesquisas no APL, a Universidade Federal de Campina Grande, onde o Curso de Engenharia de Produção possui uma ênfase de estudo coureiro-calçadista e o SENAI conta com uma escola localizada no Centro de Tecnologia e Calçados Albano Franco (CTCC), especializada em couro e calçados contando com laboratórios certificados pelo INMETRO onde são realizados vários ensaios para empresas locais e de outros estados, prestando um serviço valioso para o setor.
4.2 Análise da Sustentabilidade do APL
Para a escolha das dimensões e variáveis dos indicadores de sustentabilidade, primeiramente estudou-se o IDS Brasil 2004, elaborado pelo IBGE (2004), que congregam estatísticas e indicadores já consagrados e amplamente utilizados, além de indicadores integrados por informações apenas recentemente associadas ao tema do desenvolvimento, portadores de novos conteúdos e ilustradores de novos desafios.
Entretanto, o IDS Brasil refere-se aos indicadores de regiões e estados brasileiros e este projeto se reporta a análise dos indicadores de Campina Grande e, devido à ausência de disponibilidade de todos os indicadores referenciados no IDS Brasil 2004 para municípios, apenas alguns indicadores foram selecionados para análise e execução deste projeto de pesquisa
Verificou-se a disponibilidade da coleta de dados destes indicadores nos municípios da Paraíba. Selecionados os indicadores, classificou-se cada um em uma dimensão correspondente, a saber:
Dimensão Social: Esperança de vida ao nascer (anos); Taxa de mortalidade infantil (por 1000
nascidos vivos); Prevalência de desnutrição total. Imunização contra doenças infecciosas infantis (%); Oferta de serviços básicos de saúde; Taxa de escolarização (%); Taxa de alfabetização (%);
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Dimensão Demográfica: Taxa de crescimento da população (%); Taxa de urbanização;
Densidade Demográfica; Razão entre a população masculino/feminina; População residente por faixa etária;
Dimensão Político-institucional: Despesas com Ciência e Tecnologia; Despesas com
educação; Despesas com cultura; Despesas com Assistência Social; Despesas com desporte e lazer; Despesas com urbanismo; Despesas com habitação urbana; Despesas com saneamento urbano; Despesas com gestão ambiental; Despesa total com saúde por habitante (R$); Acesso a serviços de Telefonia Fixa; Comparecimento nas eleições; Número de Conselhos Municipais; Acesso à justiça; Transferências intergovernamentais União;
Dimensão Econômica: Produto Interno Bruto per capita; Participação da indústria no
Produto Interno Bruto; Índice de Gine da distribuição do rendimento; Renda per capita; Renda proveniente de rendimentos do trabalho (%); Renda familiar per capita (%); Balança comercial (U$$);
Dimensão Ambiental: Qualidade das águas; Volume de águas tratada (1000m³/ano);
Consumo médio per capita de água L/(hab*dia); Acesso ao sistema de abastecimento de água (%); Acesso a esgotamento sanitário (%); Acesso a serviço de coleta de lixo doméstico (%);
Dimensão Cultural: Bibliotecas; Ginásios de esportes e estádios; Cinemas; Unidades de
ensino superior; Teatro ou salas de espetáculos; Centro cultural;
Como os indicadores apresentados acima possuem diferentes unidades de medida, se fez necessária a transformação em índices para permitir a agregação nas respectivas dimensões. Para tal adotou-se o procedimento de Waquil et. al. (2007) e Martins (2008), onde são ajustados os valores observados das variáveis a escalas cujo valor mínimo é 0 (zero) e valor máximo é igual a 1 (um), criando condições para a agregação nas seis dimensões, a estimação do IDS.
Quando as variáveis são escolhidas deve-se definir o tipo de relação que cada uma delas tem com o entorno geral. Para cada variável, é necessário identificar se ela mede uma situação em que, ao aumentar seu valor, favorece (melhoria do sistema) ou desfavorece (piora do sistema) o processo de desenvolvimento. A operacionalização é feita da seguinte forma:
Se a relação é positiva: M m m x I − − = Se a relação é negativa: M m x M I − − = Onde:
I = índice calculado referente a cada variável, para cada município analisado; x = valor observado de cada variável em cada município analisado;
m = valor mínimo considerado; M = valor máximo considerado.
Neste caso, torna-se necessário a escolha dos níveis mínimos e máximos de cada variável de acordo com o que se deseja comparar. No caso específico deste estudo, foram considerados os valores mínimos e máximos do estado da Paraíba. Para quantificar o estudo da sustentabilidade desde o valor mínimo é 0 (zero) até o valor máximo, utilizou-se o grau de sustentabilidade proposto por PNUD/ONU (1998), onde se qualifica em 5 graus, cada grau
10 representa um estágio de sustentabilidade e uma coloração. Os graus de sustentabilidade são descritos na figura a seguir:
Figura 2 - Graus de sustentabilidade. Adaptado de Rabelo & Lima (2007)
Nos itens a seguir, retrata-se a análise de cada dimensão, assim como seus indicadores.
4.2.1 Dimensão Social
Esta dimensão apresenta o melhor índice, sendo que não é o ideal, visto que o indicador de imunização a diversas doenças, tais como sarampo, tríplice e poliomielite são de sustentabilidade crítica. Entretanto, taxas de esperança de vida ao nascer, alfabetização e número de habitantes por estabelecimento de saúde são excelentes. Observa-se na Tabela abaixo, que os indicadores Taxa de analfabetismo funcional %, Coeficiente de mortalidade por homicídios, e Coeficiente de mortalidade por acidentes de transporte são indicadores negativos, porém como todos apresentam baixos índices, caracterizando um bom índice sustentável, e a metodologia aplicada afirma que quanto mais próximo de 1 (um) melhor é o índice de sustentabilidade, houve uma conversão dos índices calculados, por isso que tiverem um grau de sustentabilidade excelente e bom.
4.2.2 Dimensão Político-institucional
O Índice desta dimensão revela um estado crítico das despesas com ciência e tecnologia, habitação urbana e gestão ambiental. Porém apresentam acessos a justiça e despesas com saneamento urbano excelente, assim como o comparecimento a eleições. Enfim, a dimensão apresenta um grau de sustentabilidade média.
4.2.3 Dimensão Econômica
Observou-se que esta dimensão possui sustentabilidade média, porém possui uma participação da indústria no Produto Interno Bruto ideal, mesmo com o índice de gini da distribuição do rendimento em stado crítico.
4.2.4 Dimensão Demográfica
A dimensão possui o pior desempenho, sendo seu grau de sustentabilidade qualificado como ruim. A maioria dos índices calculados está bem abaixo do ideal, apenas a taxa de urbanização e de crescimento da população que estão em bom patamar.
4.2.5 Dimensão Ambiental
Tal dimensão possui a sustentabilidade média, pois um grande número de índices, como o serviço de coleta de lixo, o lixo queimado na zona rural, e o volume de água tratada por desinfecção são críticos. Verifica-se que o abastecimento da rede geral urbana é excelente, enquanto o abastecimento da rede geral rural é considerado médio.
11 Evidencia-se uma sustentabilidade média, tendo bibliotecas e museus no estado ideal, entretanto o número de ginásios estádios, cinemas e unidades de ensino superior, estão em um baixo grau de sustentabilidade.
Os resultados obtidos com a realização da pesquisa apontam o nível de sustentabilidade identificado em Campina Grande, a partir da análise das médias das dimensões utilizadas, calculadas pela média aritmética total dos índices. A partir das dimensões explicitadas, foram escolhidos indicadores a fim de realizar o cálculo de seus respectivos índices, que foram necessários para o cálculo final do Índice de Desenvolvimento Sustentável (IDS) da cidade retrocitada.
DIMENSÃO ÍNDICE MÉDIO COLORAÇÃO GRAU DE SUSTENTABILIDADE
Social 0,689135265 Boa Demográfica 0,457128913 Ruim Político-Institucional 0,510245994 Média Econômica 0,600117876 Média Ambiental 0,620760676 Média Cultural 0,542380952 Média IDS 0,569961613 Média
Tabela 1 - Índice Médio das Dimensões e IDS Médio
Utilizando-se o recurso matemático de aproximação decimal, o IDS de Campina Grande é 0,57.
4.3 Análise da competitividade do APL
A análise dos resultados da competitividade do APL de Calçados de Campina Grande foi dividida nos fatores sistêmicos, estruturais e empresariais. Nos tópicos a seguir exibiram-se os resultados encontrados.
4.3.1 Fatores Sistêmicos
Os fatores de competitividade sistêmicos apresentaram os seguintes resultados:
Quanto aos determinantes estruturais, o APL apresenta características compatíveis com as do segmento de calçados, sendo elas: produção divisível, intensiva mão-de-obra e existência de cadeia de subcontratação, o que evidencia todo um potencial para uma melhor atuação para inserção competitiva.
Quanto aos determinantes internacionais, foi verificado que o APL de Campina Grande não apresenta condições para atender às oscilações de demandas internacionais, pois essas demandas mudam constantemente de acordo com os lançamentos contínuo de novas coleções; bem como, não atende a necessidade de relacionamentos exigidos entre as empresas ao longo da cadeia, devido à cooperação praticamente inexistente no APL.
Quanto aos determinantes políticos-institucionais foi verificado que a falta de apoio governamental, a carga tributária e encargos sociais existentes afetam a competitividade do APL, enfraquecendo as bases para a produção e comercialização dos produtos no mercado. A Tabela 2 abaixo mostra os resultados desses fatores:
DETERMINANTES DA COMPETITIVIDADE – FATORES SISTÊMICOS
DIMENSÕES VARIÁVEIS AVALIAÇÃO PERCENTUAL
Determinantes estruturais Características da cadeia calçados + Favorável 100%
12 Determinantes
internacionais
Oscilação nas demandas de mercado _ Favorável 33,33% Desfavorável 66,67% Flexibilização das estruturas +
Formas de relacionamento entre empresas _ Determinantes políticos-institucionais Inconstância de políticas de apoio e/ou falta de apoio
governamental _ Desfavorável 100% Determinantes macro-econômicos
Carga tributária e encargos sociais
_ Desfavorável
100%
Resultado: Favorável 33,33% Desfavorável: 66,66%
Tabela 2 - Fatores sistêmicos do APL de calçados de Campina Grande. Fonte: Martins (2008) Legenda:
Avaliação + corresponde a um indicador positivo. Avaliação - corresponde a um indicador negatvo.
De acordo com os resultados foi verificado que 66,67% dos fatores competitivos sistêmicos apresentam-se como desfavoráveis para a competitividade do APL, enquanto apenas 33,33% são positivos para a competitividade do APL de calçados de Campina Grande.
4.3.2 Fatores Estruturais
Os fatores de competitividade estruturais apresentaram os seguintes resultados:
Quanto à caracterização foi verificado que o APL apresenta características favoráveis em relação a sua origem e desenvolvimento, tempo de atuação, origem do capital, quantidade de funcionários próprios, e flexibilidade no processo produtivo, somando um percentual de 50% de aspectos favoráveis. Enquanto revelou aspectos como a não utilização de toda a capacidade produtiva, sistema produção arcaico, linha de produtos, formas de produção e equipamentos obsoletos, somando 50% de aspectos competitivos desfavoráveis.
Quanto à configuração, verificaram-se fatores competitivos favorável na organização do APL em relação à existência de empresas correlatas e de apoio, empresas de comercialização, instituições de apoio e articulação na cadeia através do fluxo de informação, somando 57,14% dos fatores. Já em relação aos fatores competitivos desfavoráveis, apresentou os indicadores relativos ao desempenho e capacitação, presença de facções e terceirização, articulação com as instituições de apoio e articulação na cadeia através da cooperação, somando 42,86% desfavoráveis.
Quanto ao regime de incentivos e regulação da concorrência verificou-se apenas um fator competitivo favorável em relação à localização, somando 10% de fatores favoráveis; enquanto os fatores desfavoráveis são financiamentos; informalidade; mão-de-obra qualificada e de treinamento; incentivos das instituições de apoio, sindicatos e governos; inexistência de mecanismos de cooperação entre as pequenas empresas; falta de atualização tecnológica e políticas para reestruturação do setor, somando 90% de fatores competitivos desfavoráveis.
Quanto ao mercado, foram identificados apenas dois fatores competitivos favoráveis, sendo eles: área de influência; e valorização do produto local; somando 40% de aspectos favoráveis; sendo concorrência interna, marcas consolidadas e acesso a mercados internacionais os fatores desfavoráveis, equivalendo a 60%.
13 Os resultados referentes aos fatores competitivos estruturais encontram-se explicitados na Tabela 3, a seguir:
DETERMINANTES DA COMPETITIVIDADE – FATORES ESTRUTURAIS
DIMENSÕES VARIÁVEIS AVALIAÇÃO %
Caracterização do APL Origem do APL + Favorável 50% Desfavoráv el Tempo de atuação +
Origem do capital (nacional) + Funcionários próprios/terceirizado + Capacidade produtiva - Linha de produtos - Processo produtivo + Sistema de produção - Formas de produção - Equipamentos - Configuração do APL Desempenho e capacitação - Favorável 57,14% Desfavoráv Empresas correlatas e de apoio +
Empresas de comercialização +
Instituição de apoio +
Facções/terceirização -
Articulação na cadeia produtiva através da Cooperação
_ Articulação na cadeia produtiva
através Fluxo de informação
+ Regime de incentivo e regulação da concorrência Localização + Favorável 10% Desfavoráv el Financiamentos - Informalidade - Mão-de-obra qualificada e de - Incentivos das instituições de apoio,
sindicatos e governos.
- Inexistência de mecanismos de
cooperação entre as pequenas
- Falta de atualização tecnológica - Políticas para reestruturação do setor -
Mercado Área de influência + Favorável 40% Desfavoráv Concorrência interna - Marcas consolidadas -
Valorização do produto local + Acesso a mercados internacionais -
Resultado: Favorável: 39,285% Desfavorável: 60,715% Tabela 3 - Fatores Estruturais do APL de calçados de Campina Grande. Fonte: Martins (2008) Legenda:
Avaliação + corresponde a um indicador positivo. Avaliação - corresponde a um indicador negatvo.
De acordo com os resultados referentes aos fatores competitivos estruturais foi constado que 60,715% dos fatores mostraram-se desfavoráveis e apenas 39,285% foram favoráveis para a competitividade do APL.
4.3.3 Fatores Empresariais
Os fatores de competitividade empresarias apresentaram os seguintes resultados:
Quanto à gestão competitiva verificou-se que apenas um fator competitivo favorável em relação à estratégia mercadológica, somando 25% enquanto como fator negativo foi
14 identificado em relação a Planejamento e Gerenciamento, Controle financeiro, Práticas gerenciais cooperativas, somando 75% de fatores competitivos desfavoráveis.
Quanto à gestão competitiva inovação foi verificado que todos os aspectos competitivos eram desfavoráveis ( inovação na gestão, no processo, no produto e inovações tecnológicas), somando 100% de fatores desfavoráveis.
Quanto à produção, verificou-se que os aspectos competitivos são todos desfavoráveis (atualização do sistema de produção,Desempenho produtivo e Métodos de produção), somando 100% os fatores competitivos desfavoráveis
Em relação aos recursos humanos, foi verificado que os aspectos competitivos favoráveis são Flexibilidade, Comprometimento e estímulo à produtividade, somando 50%; enquanto foi verificado que a qualificação e a capacitação constituem fatores desfavoráveis, somando 50%. Os resultados estão explicitados na Tabela 4, a seguir:
Tabela 4 - Fatores Empresariais do APL de calçados de Campina Grande. Fonte: Martins (2008)
DETERMINANTES DA COMPETITIVIDADE – FATORES EMPRESARIAIS
DIMENSÕES VARIÁVEIS AVALIAÇÃO %
Gestão
competitiva
Planejamento e Gerenciamento - Favorável
25% Desfavorável
75%
Controle financeiro -
Estratégia mercadológica +
Práticas gerenciais cooperativas -
Inovação Inovação na gestão - Desfavorável 100% Inovação no processo - Inovação no produto - Inovações tecnológicas -
Fontes de informações para inovações - Produção Atualização do sistema de produção - Desfavorável 100% Desempenho produtivo - Métodos de produção - Recursos humanos Qualificação - Favorável 50% Desfavorável 50% Capacitação e treinamento - Flexibilidade + Comprometimento e estímulo a produtividade +
Resultados: favorável: 18,75% Desfavorável: 81,25%
Tabela 4 - Fatores Empresariais do APL de calçados de Campina Grande. Fonte: Martins (2008) Legenda:
Avaliação + corresponde a um indicador positivo. Avaliação - corresponde a um indicador negatvo.
Com esses resultados verificou-se que 81,25% dos determinantes competitivos empresariais são desfavoráveis, 18,75% são desfavoráveis para a competitividade do APL.
Com base nos resultados referentes aos fatores sistêmicos, estruturais e empresariais da competitividade do APL de calçados de Campina Grande foi possível caracterizar o APL com baixo nível de competitividade, tendo em vista que a média encontrada em relação aos fatores competitivos foi de 69,55% de determinantes desfavoráveis e apenas 30,45% favoráveis.
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A identificação do grau de sustentabilidade torna-se um fator imprescindível para as empresas, visto que essa é uma variável que influencia na competitividade dos negócios. A relação entre a sustentabilidade de uma localidade e a competitividade empresarial pode ser percebida quando se analisam as vantagens competitivas de cada uma delas. Isso porque, empresas de uma mesma indústria adotam estratégias e comportamentos diferentes mesmo expostas aos mesmos níveis de pressão da estrutura de mercado (Gómez e Castillo, 2006). Por outro lado, os recursos naturais não podem mais serem considerados um aspecto secundário, passando a ser considerados como pré-requisitos da competitividade, estimulando e influenciando novas concepções de produção, mercado e consumo e acrescentando novos conteúdos nas chamadas vantagens econômicas comparativas.
Dentro deste contexto, e com base nos resultados da presente pesquisa, é possível concluir que o município de Campina Grande apresenta um grau de sustentabilidade médio, necessitando melhorias nas dimensões geográficas e político-institucionais, para que possa haver um maior nível de qualidade de vida e aumento da disponibilidade de recursos em relação ao desempenho atual.
Quanto à competitividade, o APL de Calçados de Campina Grande apresenta um baixo nível de competitividade, isso demonstra que as empresas não apresentam as capacitações e desempenhos adequados que gerem as condições favoráveis para a elaboração de estratégias alinhadas aos padrões de concorrência do atual mercado, o que impede de alcançar resultados satisfatórios para melhorar o desempenho competitivo e o desenvolvimento do APL como um todo.
Referências
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