CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E ATUARIAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS
LUCIVALDO LOURENÇO DA SILVA FILHO
GESTÃO DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDA, GESTÃO DE CAIXA E GESTÃO DE RISCOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NO ARRANJO PRODUTIVO
LOCAL GESSEIRO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
RECIFE 2014
GESTÃO DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDA, GESTÃO DE CAIXA E GESTÃO DE RISCOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NO ARRANJO PRODUTIVO
LOCAL GESSEIRO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Ciências Contábeis.
Orientadora: Profª Dra. Umbelina Cravo Teixeira Lagioia
RECIFE 2014
Catalogação na Fonte
Bibliotecária Ângela de Fátima Correia Simões, CRB4-773
S386p Silva Filho, Lucivaldo Lourenço da
Gestão de custos e formação de preço de venda, gestão de caixa e gestão de riscos: um estudo exploratório no arranjo produtivo local gesseiro do Estado de Pernambuco/ Lucivaldo Lourenço da Silva Filho. - Recife : O
Autor,2014.
106folhas :il. 30 cm.
Orientadora: Profª.Dra. Umbelina Cravo Teixeira Lagioia.
Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade Federal de Pernambuco, CCSA, 2014.
Inclui referências e apêndices.
1. Gestão de custos. 2. Gestão de caixa. 3. Gestão de risco operacional. 4. Tomada de decisão. I. Lagioia, Umbelina Cravo Teixeira (Orientadora). II. Título.
MESTRADO EM CONTABILIDADE
Coordenação
“GESTÃO DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇO DE
VENDA, GESTÃO DE CAIXA E GESTÃO DE RISCOS:
UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NO ARRANJO
PRODUTIVO LOCAL GESSEIRO DO ESTADO DE
PERNAMBUCO”
Lucivaldo Lourenço da Silva Filho
Dissertação submetida ao Corpo Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco e aprovada em 19 de fevereiro de 2014.
Banca Examinadora:
Orientador/Presidente: Profª Umbelina Cravo Teixeira Lagióia (Drª.) Examinador Interno: Prof. Cláudio de Araújo Wanderley (Ph.D) Examinadora Externa: Profª Josete Florencio dos Santos (Drª.)
UFPE – Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais
Av. dos Funcionários s/n, 1º Andar, Sala E-6.1 – Cidade Universitária – 50.740-580 Recife – PE (81) 2126-8911 – [email protected] – www.controladoria.ufpe.br
À minha mãe, Marluce Nunes, dedico essa dissertação como reconhecimento do respeito, consideração, apoio, compreensão e amor que nunca me faltam em todos os momentos da minha vida.
Primeiramente agradeço a Deus por ter permitido chegar nesse momento tão especial da minha vida, e ter colado ao meu redor pessoas que sempre estavam ao meu lado, me dando forças quando parecia que não teria mais solução. Muito obrigado ó Pai.
Agradeço a toda minha família, pelo apoio e compreensão que sempre tiveram comigo, e principalmente quando parecia que sempre tinha a mesma desculpa:“não tenho tempo, não posso...”
Em especial, agradeço à minha mãe, a quem repousa todo o meu amor e respeito, ao meu irmão, Luiz Lourenço e à minha Tia, Vera Lúcia.
Agradeço à minha noiva, Tatiana Antonino, que apesar da minha ausência constante e dos estresses suportados, sempre estava ao meu lado me dando forças.
A todos os meus amigos que apesar da distância sempre estavam me apoiando, em especial, agradeço aos meus amigos, Equinaldo Vasconcelos, Givanildo Pereira, Fabio Cintra e Johnny Marlon.
Agradeço a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), por ter permitido em diversos momentos me dedicar ao mestrado.
Agradeço aos responsáveis pelas empresas do pólo gesseiro do estado de Pernambuco que participaram desta pesquisa, pessoas nas quais foram de suma importância para a realização deste trabalho.
Também agradeço aos professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis (PPGCC) da UFPE, pessoas nas quais jamais esquecerei.
Agradeço a todos os integrantes da secretária do mestrado, em especial a pessoa do Sebastião Luciano, que sempre se fez disponível para todos os alunos desse programa.
Agradeço ao professor Claudio de Wanderley, Ph.D, e à professora Dra. Josete Florêncio, pessoas nas quais tenho um imenso respeito, por todas as orientações realizadas para esta dissertação desde a defesa do projeto.
De maneira muito especial agradeço à minha orientadora, Professora Dra. Umbelina Cravo Teixeira Lagioia, que para mim, sempre foi bem mais que uma professora e orientadora. Lhe agradeço, por muitas vezes a senhora me tratar como um filho, e assim lhe considero como uma mãe.Muito obrigado por todos os momentos vividos, por ter me colocado sempre rodeado de boas companhias, por ter me ensinado por muitas vezes a ser
E não poderia esquecer de todos aqueles que participam do grupo de pesquisa da Professora Umbelina, companheiros de trabalho, que se tornaram meus grandes amigos para todas as empreitadas, em especial, agradeço àEdyannne que tanto me ajudou no processo de coleta de dados desta dissertação;à Juliana Araujo, quantas madrugadas fazendo projetos e artigos, à Livia Vilar, com toda a sua calma.
Também agradeço a Deus por fazer parte da turma do mestrado de 2012, pois, nela encontrei amigos para uma vida. No futuro, todos seguiram o seu caminho, mas jamais esquecerei de nenhum de vocês: José Augusto, Edna, Clayton, Paulo César, Francisco, Marco Granha, Regiane, Lavoisiene, Valeria, Rodrigo, Márcio, Ivo, Jardson, Karenn, e Leandro.
Por fim, mas não menos especial, agradeço àLiviaCarrascoso, e aos meus grandes amigos que conquistei nesse mestrado, Paulo César (vulgo PC), chefe proprietário da Bat caverna, que em alguns momentos se tornou quase minha segunda casa;Karenn, minha grande revisora; José Augusto, meu parceiro de grandes noites na Bat caverna, quantos trabalhos e artigos, e ao meu grande brother Francisco, pessoa em que dividi praticamente todos os momentos do mestrado, que é um sacana e ainda por cima tricolor, mas é uma pessoa que jamais esquecerei.
“Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo pra tudo entre o céu e a terra." (Eclesiastes, 3:1)
(APL) gesseiro do estado de Pernambuco conhecem, atribuem importância e utilizam informações para a tomada de decisão, decorrentes da Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão de Risco Operacional e Gestão de Caixa. O estudo caracterizou-se como exploratório e fez-se uso das análises descritiva e inferencial. Para a última análise, utilizou-se o teste não paramétrico exato de Fisher, com a Tabulação Cruzada. Este cruzamento foi realizado com o objetivo de verificar possíveis associações entre o nível de conhecimento, o grau de importância e o uso das informações na Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, na Gestão de Risco Operacional e na Gestão de Caixa. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionáriosin loco, na qual obteve-se a participação de 53 empresas. Identificou-se que, de forma geral, os gestores das empresas pertencentes ao APL gesseiro, não conhecem os conceitos de custo, disponibilidade de caixa, e risco operacional, no entanto, eles atribuem um alto grau de importância para as informações geradas pelas dimensões estudadas, e essas empresas de maneira geral utilizam a gestão de custos e formação do preço de venda, gestão de caixa e gestão de risco operacional em seu processo de tomada de tomada de decisão gerencial. Em relação às associações obtidas com a Tabulação Cruzada, para todas as dimensões estudadas, identificou-se que os gestores atribuem importância, mesmo que não tenham conhecimento em relação a custo, disponibilidade de caixa e risco operacional. Em relação à importância atribuída, também foi verificado que não há uma associação estatisticamente significativa entre o nível de importância atribuída e a utilização das dimensões estudadas, o que implica em concluir que a utilização da gestão de custo e formação do preço de venda, gestão de caixa e gestão de risco operacional no processo decisório, independe do nível de importância atribuída. Também foi observado que os custos relevantes são levados em consideração no processo de formação do preço de venda, e as empresasque utilizam a gestão de custo em seu processo de tomada de decisão tendem a utilizar a formação do preço de venda em seu processo de tomada de decisão gerencial. Em relação à gestão de caixa identificou-se quemais de 90% das empresas administram as suas disponibilidades de caixa e os seus fluxos de recebimentos e pagamentos diariamente, sendo esta, considerada uma relação estatisticamente significativa. Já quanto à utilização da gestão de risco operacional no processo de tomada de decisão gerencial percebeu-se a existência de associação estatisticamente significativa entre a utilização e as práticas de realizar o monitoramento de falhas não intencionais relacionados aos seus produtos, oferecer produtos e serviços adequados e formalizados, e utilizar mecanismos de identificação e análise dos riscos inerentes às operações da empresa.
Palavras-chave: APL; Gestão de custo e formação de preço de venda; Gestão de caixa;
gypsum plaster cluster of Pernambuco state know, give importance and use information for decision making, arising from the Management of costs and Sales Prices Formation, Management of Operational Risk and Cash Management. This research was characterized as exploratory and it used descriptive and inferential analyzes. In the last analysis, Fisher's non-parametric exact test was used, with the Crosstab. This crossing was carried to verify possible associations between the level of knowledge, the degree of importance and the use of information in the Management of costs and Sales Prices Formation, in Operational Risk Management and the Management of Cash. The data was collected by means of the application of in loco questionnaires, in which 53 companies participated. It was identified that, in general, the managers of the companies belonging to the gypsum plaster cluster, does not know the concepts of cost, availability of housing, and operational risk, however, they attribute a high degree of importance to the information generated by the dimensions studied, and in general these companies use cost management and sales price formation, cash management and operational risk management in their process of managerial decision-making. In relation to associations obtained with the Crosstab, for all the dimensions studied, it was identified that the managers attribute importance even if you do not have knowledge in relation to cost, cash availability and operational risk. In relation to the importance attributed, was also verified that there is a statistically significant association between the level of importance and the use of dimensions studied, which implies that the use of the management of cost and sales prices formation, cash management and operational risk management in the decision-making process, is independent to the level of importance attributed. It was also observed that the relevant costs are taken into account in the process of formation of the selling price, and companies that use the management of cost in its decision-making process tends to use the selling price formation in their managerial decision-making process. In relation to cash management it was identified that more than 90% of companies administer their cash and their flows of cash receipts and payments daily, which was considered a statistically significant relationship. In regards to the use of operational risk management in managerial decision-making it was noted the existence of statistically significant association between the use and the practice of performing the monitoring of non-intentional failures related to its products, the offer of appropriate and formalized products and services, and the use of mechanisms of identification and analysis of risks inherent in the operations of the company.
KEYWORDS: Cluster; Cost Management and Sales Prices Formation, Operational Risk
APL Arranjo Produtivo Local
ASSOGESSO Associação Nacional dos Fabricantes e Comerciantes de Gesso e seus Derivados IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ITEP Instituto de Tecnologia de Pernambuco
FIEPE Federação da Indústria do Estado de Pernambuco
MDIC Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior REDESIST Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SINDUSGESSO Sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
Quadro 2 – Tipificações de riscos ... 42
Quadro 3 – Cidades integrantes do APL Estudado ... 50
Quadro 4 – Cidades das empresas participantes da pesquisa ... 51
Quadro 5 – Estrutura da análise dos dados ... 54
Quadro 6 – Classificação de porte empresarial do IBGE ... 57
Tabela 2 – Grau de instrução dos respondentes ... 55
Tabela 3 – Tempo de atuação das empresas pesquisadas. ... 56
Tabela 4 – Classificação do porte empresarial das empresas pesquisadas conforme IBGE .... 57
Tabela 5 – Classificação do porte empresarial das empresas pesquisadas conforme o Simples Nacional ... 58
Tabela 6 – Forma que a contabilidade é realizada... 58
Tabela 7 – Estilo gerencial das empresas pesquisadas ... 58
Tabela 8 – Base para tomada de decisão ... 59
Tabela 9 – Entendimento de Custo ... 60
Tabela 10 – Conceito de Custos ... 60
Tabela 11 – Grau de importância atribuído a gestão de custos e formação de preço de venda 61 Tabela 12 – Verificação e acompanhamento dos custos relevantes ... 62
Tabela 13 – Ferramentas utilizadas para o controle dos custos ... 62
Tabela 14 – Método de custeio utilizado ... 63
Tabela 15 – Utilização das informações de custo nas atividades empresariais ... 63
Tabela 16 – Utilidade das informações de custos nas atividades empresariais ... 63
Tabela 17 – Utilidade das informações de custos nas atividades empresariais ... 64
Tabela 18 – Política adotada para a definição do preço de venda: Análise de Custo mais margem de lucro desejada ... 64
Tabela 19 – Política adotada para a definição do preço de venda: Informações de Custo, mais margem de lucro e preço praticado no mercado ... 65
Tabela 20 – Política adotada para a definição do preço de venda: Negociação de preço por venda ... 65
Tabela 21 – Política adotada para a definição do preço de venda: Mercado ... 65
Tabela 22 – Política de preço para vendas a prazo ... 66
Tabela 23 – Política de preço adotada para vendas a prazo: Preço de vendas a vista ... 66
Tabela 24 – Política de preço adotada para vendas a prazo: Acrescenta Encargos Financeiros ... 66
Tabela 25 – Política de preço adotada para vendas a prazo: Negocia os encargos por venda específica ... 67
Tabela 26 – Grau de utilização da gestão de custo no processo decisório das empresas ... 67
Tabela 27 – Finalidade de utilização da Gestão de Custo ... 67
Tabela 28 – Grau de utilização do processo de formação do preço de venda no processo decisório das empresas ... 68
Tabela 29 – Entendimento de Disponibilidade de caixa ... 68
Tabela 30 – Grau de importância atribuída a Gestão de Caixa ... 69
Tabela 31 – Frequência que as empresas administram disponibilidade de caixa ... 69
Tabela 32 – Frequência que as empresas administram os recebimentos e pagamentos ... 70
Tabela 33 – Efetivo acompanhamento do planejamento de entradas e saídas de caixa ... 70
Tabela 34 – Destinação das sobras de caixa ... 70
Tabela 35 – Grau de utilização da gestão de caixa no processo decisório das empresas ... 71
Tabela 36 – Finalidade de utilização da Gestão de Caixa ... 71
Tabela 37 – Conceito de Risco operacional ... 72
Tabela 38 – Grau de importância atribuído a gestão de risco operacional ... 73
Tabela 39 – Utilização da gestão de risco operacional no processo decisório das empresas ... 74
Custos no Processo decisório ... 76 Tabela 43 – Nível de Importância atribuído as informações de custo x Nível de importância atribuído as informações sobre o processo de formação do preço na gestão ... 77 Tabela 44 – Nível de Importância atribuído as informações de custo x Realização da
verificação e acompanhamento dos custos relevantes na gestão da empresa... 77 Tabela 45 – Nível de Importância atribuído as informações de custo x Utilização da gestão de custos e formação do preço de venda no processo decisório ... 78 Tabela 46 –Utilização da gestão de custos no processo decisório x Nível de Importância das informações do processo de formação do preço de venda na gestão da empresa ... 78 Tabela 47 – Realiza verificação e acompanhamento dos custos relevantes na gestão da
empresa x Utilização da formação do preço de venda no processo decisório ... 79 Tabela 48 – Utilização da gestão de custos no processo decisório x Realização da Verificação e acompanhamento dos custos relevantes na gestão da empresa e utilização das informações do processo de formação do preço de venda em processo decisório... 79 Tabela 49 – Conhecimento x Nível de importância atribuído a gestão de caixa... 80 Tabela 50 – Conhecimento x Utilização da gestão de caixa no processo decisório ... 80 Tabela 51 – Nível de Importância atribuída a gestão de caixa x Utilização da gestão de caixa no processo decisório ... 81 Tabela 52 – Utilização da gestão de caixa no processo decisório x Frequência de
administração das disponibilidades de caixa ... 81 Tabela 53 – Utilização da gestão de caixa no processo decisório x Frequência de
planejamento de recebimentos e pagamentos ... 82 Tabela 54 – Frequência de administração das disponibilidades de caixa x Frequência de administração das disponibilidades de caixa ... 82 Tabela 55 – Conhecimento x Nível de importância atribuído a gestão de risco operacional... 83 Tabela 56 – Conhecimento x Utilização da gestão de risco operacional no processo decisório ... 83 Tabela 57 – Nível de importância da gestão de risco operacional x Utilização da gestão de risco operacional no processo decisório ... 84 Tabela 58 – Nível de importância da gestão de risco operacional x Eventos de riscos
Risco operacional, e sua utilização no processo de tomada de decisão ... 19
Figura 2 –Estrutura do referencial teórico ... 24
Figura 3 – Um modelo típico racional do processo decisório com elemento de controle do feedback. ... 27
Figura 4 – Conciliação de duas perspectivas ... 41
Figura 5 – Gestão de risco segundo as exigências de Basiléia II ... 43
Figura 6 – Risco Operacional: relação de causa, evento e efeito ... 47
Figura 7 – Mapa de localização do Sertão do Araripe ... 50
Figura 8 – Estrutura do questionário ... 52
Figura 9 - Formação dos respondentes com nível superior completo ... 55
1. INTRODUÇÃO ... 15 1.2 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA ... 17 1.3 OBJETIVOS ... 19 1.3.1 Objetivo Geral ... 19 1.3.2 Objetivos Específicos ... 20 1.4 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO ... 20 2. REFERENCIAL TEÓRICO ... 24
2.1 TEORIA DA ESCOLHA RACIONAL E PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO 24 2.2 ARRANJO PRODUTIVO LOCAL ... 29
2.2.1 Arranjo Produtivo Local Gesseiro ... 32
2.3 UTILIZAÇÃO DAS DIMENSÕES DE PESQUISA ... 33
2.3.1 Gestão de Custos e Formação de Preços de Venda ... 34
2.3.2 Gestão de Caixa ... 38 2.3.3 Gestão de Risco ... 40 2.3.3.1 Risco de mercado ... 44 2.3.3.2 Risco de crédito ... 44 2.3.3.3 Risco de Liquidez ... 44 2.3.3.4 Risco legal ... 45 2.3.3.5 Risco operacional ... 45 3. ASPECTOS METODOLÓGICOS ... 49 3.1 Classificação da Pesquisa ... 49
3.2 Caracterização da População e da Amostra ... 49
3.3 Instrumento de Coleta de Dados ... 51
3.4 Tratamento dos dados ... 53
4. ANÁLISE DOS DADOS ... 54
4.1 ANÁLISE DOS DADOS SOCIOECONÔMICOS ... 54
4.1.1 Perfil dos entrevistados ... 54
4.1.2 Perfil das Empresas ... 56
4.2 ANÁLISE DAS DIMENSÕES OBJETO DA PESQUISA ... 59
4.2.1 Gestão de Custos e Formação do Preço de Venda ... 60
4.2.2 Gestão de Caixa ... 68
4.2.3 Gestão do Risco Operacional ... 72
4.3 ANÁLISE INFERENCIAL DAS DIMENSÕES OBJETO DA PESQUISA ... 75
4.3.1 Gestão de Custo e Formação do Preço de Venda ... 75
4.3.2 Gestão de Caixa ... 80
4.3.2 Gestão de Risco Operacional ... 83
REFERÊNCIAS ... 91
APÊNDICE A ... 100
1.INTRODUÇÃO
Arranjo Produtivo Local (APL) caracteriza-se por um aglomerado significativo de empreendimentos em determinado território e indivíduos que atuam em torno de uma atividade produtiva predominante, que compartilham formas percebidas de cooperação e algum mecanismo de governança, e pode incluir pequenas, médias e grandes empresas (MDIC, 2006).
A concepção de APL não é recente. Suas origens remontam a mais de um século e baseiam-se nas ideias de Alfred Marshall (1890) sobre regiões têxteis e metalmecânica da Alemanha, Inglaterra e França. Nesta época, Marshall entendia que haveria uma valiosa orientação para o futuro se as pessoas, sociedades anônimas ou cooperativas realizassem cuidadosas experiências sobre o que se tem denominado ‘fazendas industriais. Estas “fazendas industriais” poderiam proporcionar uma redução de custos, à medida que o conjunto maquinário seria específico e, assim, economizado. Por consequência seriam evitados, desperdícios, e tornando-se viável a utilização de subprodutos.
Entre as várias definições contemporâneas de APL apresentadas pela literatura, optou-se pela concepção elaborada pela Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (REDESIST), que o conceitua como “aglomerações espaciais de agentes econômicos, políticos e sociais, com foco em um conjunto específico de atividades econômicas que apresentam vínculos e interdependência” (REDESIST, 2012).
O surgimento de um APL atrai investimentos, e geralmente cria ou reforça a aglomeração de empresas, proporcionando elevação da renda, o que atraem pessoas e induzem investimentos públicos em infra-estrutura (SANTOS, DINIZ, BARBOSA, 2004)
O Estado de Pernambuco possui diversos Arranjos Produtivos Locais, dentre os quais, o gesseiro, que devido ao seu grau de importância, será objeto de estudo desta pesquisa.A importância deste arranjo é tamanha que o mesmo é considerado o maior pólo gesseiro do Brasil, chegando a produzir 95% do total da produção brasileira e as empresas que compõem este APL oferecem cerca de 13.200 empregos diretos e aproximadamente 66.000 indiretos (SINDUSGESSO,2012).
Essas empresas são de diversos portes, variando de micro e pequeno porte a empresas de médio porte(SINDUSGESSO, 2012). Entretanto, ressalta-se que no decorrer da pesquisa também foi observadoa existência de empresas de grande porte.
Independente do porte faz-se necessário para a continuidade das entidades que compõem este arranjo uma boa gestão.No processo de gestão, a tomada de decisão é realizada
constantemente em todos os níveis da entidade, e para a tomada de uma decisão mais acertada o gestor deve ser subsidiado por informações que possibilitem a eles a percepção de qual decisão seria a mais acertada.
Neste contexto, Hall et al.(2012) enfatiza que a contabilidade por meio de suas ferramentas ou de seus instrumentos de subsídio a gestão são capazes de contribuir na redução da mortalidade das pequenas empresas.No entanto, os referidos autores em sua pesquisa realizada com empresas do comércio varejista de vestuário da cidade de Dourados-MS identificaram que os empresários utilizam as informações contábeis muito timidamente, e as suas decisões são baseadas mais no conhecimento do negócio do que nas informações geradas pela contabilidade.
Em consonância com o referido estudo Pelissari, Vanalle e Gonçalvez (2006) constataram que40% dos gestores de micro e pequenas empresas do pólo de confecção do Espírito Santo tomam decisões estratégicas com base em suas experiências ou de terceiros.
Tal comportamento se identificado no APL gesseiro pode influenciar na sobrevivência das empresas deste arranjo, principalmente quando observado que no atual ambiente de negócios, cada vez mais interdependente e caracterizado pelo elevado grau de mudança eincerteza, torna-se de suma importância a utilização das informações geradas pela contabilidade.
Neste contexto, observou-se a necessidade das empresas e dos seus proprietários e gerentes a conhecerem os seus empreendimentos, de forma a entenderem e controlarem efetivamente as suas receitas e gastos, terem ciência da situação financeira da empresa, perceberem a necessidade de investimentos, controlarem os riscos inerentes ao negócio, e deterem um conhecimento aprofundado de sua atividade econômica.
Deste modo, esta pesquisa se propôs a verificar de maneira exploratória se as empresas e seus respectivos gestores/proprietários do APL gesseiro conhecem, utilizam e atribuem importância a Gestão de Custo e Formação de Preço de venda, Gestão de Caixa e Gestão de Risco Operacional.
1.2CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA
O aumento dos custos, crescimento da competitividade, concorrência, e influência do crédito, e a pressão proveniente da crise econômica fizeramcom que as organizaçõespromovam a reorganização de seus processos produtivos via investimentos em novas tecnologias, e utilizem práticas de gestão eficazes, sempre visando à melhoria da competitividade (SANTOS, MARTINS, LEAL, 2013).
Neste contexto, sugere-se que as empresas do APL gesseiro tenham um conhecimento aprofundado do seu negócio e do ramo que está inserido, de modo a adotarem práticas gerenciais voltadas para o controle dos seus gastos, planejamento de receitas, e fluxos de caixa, e controle dos riscos inerentes as operações da empresa.
Para o controle dos gastos uma excelente ferramenta é a gestão de custos, que conforme Santos, Alves e Barreto (2012) a utilização da contabilidade e da gestão de custos, como ferramentas na geração de informações, são indispensáveis para uma microempresa, de forma a proporcionar uma gestão amparada por atitudes preventivas, favorecendo a sua continuidade.
No entanto, os custos e despesas não devem apenas ser geridos, também devem ser levados em consideração na formação do preço de venda das organizações, pois conforme Callado et al. (2005)os preços devem ter uma margem suficiente para proporcionar um retorno sobre o capital investido e cobrir os custos e despesas da empresa, pois, o entendimento da política e do processo de formação de preço é de suma importância para que as empresas conheçam os seus limites financeiros.
Em relação aos limites financeiros observados por Callado et al. (2005), ressalta-se a Gestão de caixa, que é de suma importância para as organizações, por permitir o entendimento da situação financeira e proporcionar à empresa a realização de um planejamento do caixa.De acordo com Gitman (1997), o planejamento de caixa é um elemento essencial para empresa, pois, sem ele não se saberá quando haverá caixa suficiente para sustentar as operações ou quando se necessitará de financiamentos bancários.
Também salienta-seOliveira, Perez Jr. e Silva (2011, p.205) que relatam em um ambiente empresarial “o risco está contextualizado nos eventos que não podem ser controlados ou que precisamente independem das ações dos administradores que estão inseridos em uma transação”.
O ato de administrar riscos é uma atividade crítica e complexa para qualquer empresa, porém extremamente necessária. Contudo, a utilização estratégica da gestão de risco,
possibilita que o risco se torne uma oportunidade, e por consequência torna-se um instrumento de construção de vantagens competitivas (COIMBRA, 2004).E o ato de administrar os riscos inerentes às empresas é denominado de gestão de riscos.
Deste modo, verifica-se que a compreensão e a interação dos gestores com relação à Gestão de Custo e Formação do preço de venda, Gestão de caixa e Gestão de risco podeminfluenciar as organizações positivamente, e por consequência são fatores que devem ser levados em consideração na gestão e no processo decisório das empresas.
Em relação ao processo decisório Ribeiro, Leite, e Crozatti (2006) defendem que existe uma racionalidade aos indivíduos na tomada de decisão, e a racionalidade pressupõe que as decisões devem abranger todos os aspectos inerentes a ela e que devem ser disponibilizadas as informações sobre todas as alternativas possíveis.
Carruthers e Espeland (1991), defendem que a contabilidade e as suas práticas fornecem respectivamente, base para a formulação de alternativas de decisão e técnicas que auxiliam a tomada de decisão ideal. Burchell, et al. (1980), relatam que a contabilidade fornece um registro das decisões organizacionais que ajudam a racionalizar ou a justificar as decisões tomadas ou a serem tomadas. Baseado nos referidos autores, Hoque (2006) argumenta que a Teoria da Escolha Racional permeia a literatura escrita sobre a contabilidade, pois na literatura é descrito diversas técnicas contábeis que são utilizadas no processo de tomada de decisão organizacional.
A partir das abordagens realizadas em relação à importância de utilização da Gestão de Custo e Formação do preço de venda, Gestão de caixa e Gestão de risco, e do pressuposto que a utilização destas ferramentas de gestão proporcionaria um gerenciamento commenor susceptibilidade a falhas que possam ameaçar o negócio, propõe-se verificar o uso destas três ferramentas de gestão nas empresas do APL gesseiro, as quais estão dispostas na Figura 1.
Figura 1 –Gestão de custos e Formação do preço de venda
Risco operacional
Deste modo, emerge o seguinte questionamento balizador desta pesquisa:
do APL gesseiro do Estado de Pernambuco
as informações advindas da gestão de custos e formação de pr caixa e gestão de risco operacional na tomada de decisão gerencial? 1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral Investigar se os
Pernambucoconhecem, atribuem importância e utilizam as in
decisão gerencial, decorrentes da: Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão de Caixa e Gestão de Risco Operacional
Gestão de custos e Formação do preço de venda, Gestão de Caixa, e Gestão do operacional, e sua utilização no processo de tomada de decisão
, emerge o seguinte questionamento balizador desta pesquisa:
do Estado de Pernambucoconhecem, atribuem importância e utilizam as informações advindas da gestão de custos e formação de preços de vendas, gestão de caixa e gestão de risco operacional na tomada de decisão gerencial?
os gestores das empresas do APL Gesseiro
conhecem, atribuem importância e utilizam as informações para a tomada de decisão gerencial, decorrentes da: Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão de Caixa e Gestão de Risco Operacional.
Gestão de Caixa, e Gestão do rocesso de tomada de decisão
, emerge o seguinte questionamento balizador desta pesquisa: Osgestores
conhecem, atribuem importância e utilizam eços de vendas, gestão de
esseirodo Estado de formações para a tomada de decisão gerencial, decorrentes da: Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão
1.3.2 Objetivos Específicos
• Verificar o conhecimento, o grau de importância e a utilização da gestão de custos e formação do preço de vendapelosgestores;
• Verificar o conhecimento, o grau de importância e a utilização da gestão de caixa pelos gestores;
• Verificar o conhecimento, o grau de importância e a utilização da gestão de risco operacional pelos gestores;
• Verificar a existência de relação entre conhecimento, grau de importância e utilização da Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão de Caixa e Gestão de Risco Operacional.
1.4JUSTIFICATIVA DO ESTUDO
O desenvolvimento de um APL tem um papel de fundamental importância para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico de uma região, o que é benéfico para aqueles que compõem este arranjo, e promove o engajamento de instituições de ensino e empresas públicas ou privadas(CORREIA, MARIANI, FERREIRA, 2012).
Os benefícios gerados por um APL provoca o desenvolvimento de competências das empresas, gerando competitividade e possibilitando até a inserção delas em novos mercados. Deste modo, essas empresas conseguem um aprendizado coletivo, troca de experiências, promovendo uma eficiência coletiva e o respectivo aumento da competitividade das empresas que compõem este aglomerado de empresas (CORREIA, MARIANI, FERREIRA, 2012).
Portanto, este estudo mostra-se relevante por abordar aspectos intrínsecos à rotina de gestão, evidenciando elementos essenciais para a boa administração e manutenção da continuidade do negócio.
O APL Gesseiro, por suavez, também tem a sua importância para o Estado, pois ele representa 95% da produção nacional do gesso, gerando um faturamento anual US$ 364 milhões, e a produção vem crescendo a cada ano, pois tem uma capacidade de exploração com previsão para 600 anos, mostrando a força e o potencial do estado (SINDUSGESSO, 2012).
Diante o exposto, é perceptível a importância deste APL para o Estado, e também a sua representatividade perante a economia e produtividade destes produtos no país. Entretanto, se faz necessário para a continuidade sustentável deste APL não apenas o aumento
contínuo na produtividade, mas primordialmente a utilização de práticas de gestão por partes dos gestores das empresas que compõem estes arranjos.
Deste modo, este estudo busca investigar se os gestores deste arranjo possuem uma visão abrangente do seu negócio, no qual será entendido para este estudo, não apenas os conhecimentos práticos adquiridos no diaadia dos gestores, mas primordialmente sob quatro perspectivas de práticas de gestão, que são elas:
• Utilização da contabilidade para a gestão de custos;
• Utilização da contabilidade no processo de formação dos preços de venda; • Utilização de ferramentas para a gestão de caixa;
• Utilização de procedimentos que possibilitem a gestão dos riscos do empreendimento. Estas dimensões foram selecionadas para esta pesquisa, porque somente o manejo com técnicas de produção e o conhecimento nas transações comerciais, não são as únicas habilidades necessárias para algum empreendimento obter sucesso. Os gestores desse APL necessitam entrar em sintonia com o gerenciamento de seus negócios, e minimamente precisam obter controle sobre seus custos, uma formação de preço de venda adequada, uma boa gestão de caixa e controle dos riscos.
De acordo com Oliveira (2009) pelas experiências de sucesso no mundo, o fomento de APLs ou clusters voltados especialmente para a exploração das potencialidades das regiões onde se situam constitui uma alternativa de desenvolvimento econômico regional que vem sendo apontada e apoiada pelos governos e pesquisadores, porque está proporcionando a geração de riquezas e fixando bases industriais permanentes e consolidadas com o uso dos recursos existentes.
No entanto, Porter (1989, p. 31) relata que “o grande desafio das empresas tornou-se conhecer, controlar e reduzir custos”, e Padoveze (2005) defende que o conceito de análise fundamental de custos possibilita uma expansão das possibilidades de análise de gastos e das receitas da empresa. Ainda segundo o autor, pontos determinantes são fundamentados para futuras decisões gerencias.
Entretanto, é de conhecimento notório que a decisão sobre a formação do preço de venda deve levar em consideração uma série de aspectos que inclui motivos, objetivos, estruturas de mercado e foco na determinação dos preços (Padoveze, 2005).
Callado e Callado (2011, p. 88) relatam que “os sistemas de custos são provedores de informações para que a gerência possa tomar decisões mais corretas possível, permitindo a identificação de gastos que estejam reduzindo a lucratividade da exploração”.
Diante disso, percebe-se a real necessidade de utilização da gestão de custos, para controle e principalmente no auxílio na formação de preço de venda adequada com a sua realidade. Corroborando, Figueiredo e Caggiano (2008, p.180),relatam que os produtores necessitamfixar um método, ou alternativa de preço de venda que tome em consideraçãotodos os efeitos de procura/oferta disponíveis no mercado, sejam esses efeitos em decorrência de alteração nos preços das mercadorias ou de outros fatores, e dessa forma realizar um planejamento a um nível operacional, que tendo como partida a estrutura de custo do empreendimento, produzirá o lucro desejado.
Por outro lado, os gestores das empresasdosAPLsprecisam, também, obter conhecimento e utilizar informações oriundasda gestão do caixa, além das citadas dagestão dos custos e formação de preço de venda, em razão de que lucros hoje, não implicam necessariamente em liquidez imediata.
Segundo Rocha (2007) a gestão de caixa é importante para o registro de qualquer operação financeira de pagamento ou recebimento em dinheiro, pois assim é capaz de fornecer um posicionamento preciso em relação ao quanto de dinheiro efetivo a empresa tem disponível, porem ignora outros elementos tão importantes quanto.
Assaf Neto (2002) afirma que quando uma empresa, sabidamente, realiza uma adequada gestão dos seus recursos financeiros, esta é capaz de reduzir significadamente as necessidades de capital de giro, gerando assim um maior ganho em função da redução das despesas financeiras. Complementando este raciocínio, o autor afirma que a utilização deste instrumento permite que a empresa identifique e se planeje para eventuais sobras ou escassez de caixa, podendo assim definir as melhores medidas a serem tomadas.
Padoveze (2005) considera que a Gestão de Caixa é imprescindível para qualquer tomada de decisão financeira. Além disso, é um instrumento que permite e controle dos recursos financeiros, sinalizando os rumos a serem tomados no negocio. O autor afirma, também, que a gestão de caixa preocupa-se mais com a maneira de minimizar saldos de caixa por meio dos procedimentos eficazes de recebimento e pagamento.
Deste modo, percebe-se a relevância de uma efetiva gestão de caixa para as empresas que compõem o APL gesseiro baseada em dados contábeis e relatórios financeiros.
No entanto, as empresas que participam dos Arranjos Produtivos Locais não devem atentar apenas a análise dos custos, formação de preço e gestão de caixa, pois segundo Oliveira, Perez Jr. e Silva (2011, p. 205) “toda empresa deve mensurar, avaliar e acompanhar seus riscos”. Os autores afirmam ainda que “estabelecer limites e definir procedimentos
constitui-se na principal ferramenta para controle e conhecimentos dos diversos tipos de exposições criadas por suas operações.”
Assim, Cavalcanti (2008) defende a utilização da gestão de risco nas empresas, para o referido autor a inserção da gestão de risco no processo decisório das empresas, gera diversos benefícios, dentre os quais, cita-se:
• Entendimento do ambiente corporativo a partir de uma visão estruturada de processos de negócio;
• Instrumentos de controle adequados frente aos eventos de incerteza negativa inerentes ao contexto;
• Conhecimento quanto à possibilidade de perda pela exposição aos riscos; • Identificação de condições de recuperação de perdas no caso de materialização; • Eliminar fontes de incertezas negativas, provendo a geração de oportunidades; • Garantir da continuidade do negócio;
• Geração de valor como consequência da boa gestão dos riscos;
• Estruturação da cadeia de valor, condições internas e externas no mercado no qual a empresa está inserida.
Desta forma, entende-se que o presente estudo contribuirá para o aprofundamento do conhecimento acerca do arranjo produtivo gesseiro do estado de Pernambuco, relativo ao aspecto contábil-gerencial desenvolvido nas empresas da região, aprimorando o conhecimento científico contábil, além de contribuir com a literatura a cerca de APLs, e os resultados alcançados podem auxiliar estas entidades no seu desenvolvimento econômico-financeiro, por meio da identificação de possíveis gargalos gerenciais.
2.REFERENCIAL TEÓRI
A apresentação desta seção foi dividida em três tópicos. O primeiro deles aborda a Teoria da Escolha Racional
abordar a literatura relacionada a Arranjos Produtivos Locais de maneira geral específica, quando abordado o APL gesseiro do estado de Pernambuco.
dedicada às dimensões de pesquisa: Gestão de Caixa e Gestão de Risco
A Figura 2 demonstra Figura
2.1 TEORIADA ESCOLHA RACIONAL
O ato de uma tomada de decisão é entendido
entre várias alternativas disponíveis, (KOONTZ, WEIHRICH, CANNICE, 2009). Chiavenato (2004, p. 254)tomar decisão
ação de modo a permitir lidar com um problema especifico oportunidade.
Contudo, segundo Ribeiro, Leite
complexo, devido à existência de muitas variáveis e de fatores relativamente conhecidos ou
Teoria da escolha racional
Arranjo Produtivo Local
Gestão de Custo
e Formação do
Preço de Venda
REFERENCIAL TEÓRICO
A apresentação desta seção foi dividida em três tópicos. O primeiro deles aborda a Teoria da Escolha Racional e o processo de tomada de decisão. O segundo foi destinado a abordar a literatura relacionada a Arranjos Produtivos Locais de maneira geral
específica, quando abordado o APL gesseiro do estado de Pernambuco.
dedicada às dimensões de pesquisa: Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas, Gestão de Caixa e Gestão de Risco.
demonstra a estrutura do referencial teórico desta pesquisa. Figura 2 –Estrutura do referencial teórico
A ESCOLHA RACIONAL E PROCESSO DE TOMADA D
a tomada de decisão é entendido como uma seleção de um projeto de ação ntre várias alternativas disponíveis, (KOONTZ, WEIHRICH, CANNICE, 2009).
tomar decisão é o processo de identificar e selecionar um curso de lidar com um problema especifico, ou angariar
segundo Ribeiro, LeiteeCrozati (2006),tomar uma decisão é um ato à existência de muitas variáveis e de fatores relativamente conhecidos ou
Teoria da escolha racional
Arranjo Produtivo Local
Gestão de Custo
Gestão de Caixa
Gestão de Risco
A apresentação desta seção foi dividida em três tópicos. O primeiro deles aborda a . O segundo foi destinado a abordar a literatura relacionada a Arranjos Produtivos Locais de maneira geral, e de maneira específica, quando abordado o APL gesseiro do estado de Pernambuco. E a última seção será Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas,
referencial teórico desta pesquisa.
DE TOMADA DE DECISÃO
como uma seleção de um projeto de ação ntre várias alternativas disponíveis, (KOONTZ, WEIHRICH, CANNICE, 2009). Já para identificar e selecionar um curso de angariar vantagens em uma
,tomar uma decisão é um ato à existência de muitas variáveis e de fatores relativamente conhecidos ou
Teoria da escolha racional
até desconhecidos que influenciam na decisão, mas que num futuro podem refutar a decisão tomada. Assim, para esses autores, “as premissas da racionalidade devem sempre permear este processo de decisão”.
A racionalidade é apreciada em diferentes ramos do conhecimento científico, mas que exclusivamente no processo decisório ela age antes da decisão, com o objetivo de resolver problemas, ela atua como um fator que auxilia o agente a ponderar e escolher, mediante critérios, crenças e conhecimentos. E quando o agente atua utilizando a racionalidade para eliminar ou amenizar problemas de uma alternativa e potencializando os pontos positivos de outra alternativa, o agente está fazendo uso da Teoria da Escolha Racional (TER)(RIBEIRO, LEITE, CROZATI, 2006).
Segundo Hoque e Moll (2006), quando é realizada uma escolha que corresponde à escolha ótima, esta é considerada racional. E conforme Coleman (1990) e Ryan (1999) a otimização é a chave para o entendimento da Teoria da Escolha Racional. Para os referidos autores, a otimização ocorre quando os agentes tomam suas decisões após realizarem a avaliação de todos os custos e benefícios das alternativas existentes, no intuito da maximização ou minimização da utilidade.
O agente que se entende como racional é aquele que conforme Fiani (2006): (i) aplica a lógica das premissas para obter conclusões; (ii) utiliza premissas justificadas, isto é, adequadas aos meios empregados; (iii) usa evidências empíricas de forma imparcial para julgar informações sobre fatos.
O pressuposto da utilização da racionalização no processo de tomada de decisão e escolha, conforme Moretto (2003, p.56), tem sido a primazia do pensamento neoclássico. Segundo a autora, a partir deste pressuposto, emerge o homem econômico racional que é aquele que “maximiza sua utilidade individual e escolhe a melhor alternativa num contexto de pleno conhecimento dos possíveis estados de mundo”.
Com relação ao enfoque econômico, Zsolnai (1998) identifica dois modelos de escolha racional existentes na economia: o primeiro é o da racionalidade, como a consistência interna da escolha; e o segundo é o modelo da maximização do interesse pessoal. Para o autor, o primeiro modelo consiste em uma versão completamente formal da racionalidade, que na existência de risco e incerteza são adicionados ao modelo a continuidade e a independência das preferências. E no segundo modelo o agente tem preferências unicamente auto interessadas, e que continuamente maximizaria suas preferências auto interessadas.
Porém,Baert (1997, p.2) identifica limitações na Teoria da Escolha Racional sob o enfoque econômico, pois para ele é “surpreendente e revolucionário” a emergência da TER no decorrer do ano de 1980, porque trata-se nada mais do que a invasão do homem econômico. Baert, relata que tal fato “Representa o último assalto imperialista da economia na Sociologia: a subordinação do homo sociologicus ao homo economicus”.
Deste modo, Baert (1997, p.2) define a Teoria da Escolha Racional como “a Teoria Sociológica que se propõe a explicar o comportamento social e político assumindo que as pessoas agem racionalmente”. Pois, conforme o autor a TER não pode ser compreendida como uma teoria que busca explicar ou prever meramente o comportamento individual, o que demonstra que para o autor ela é bem mais ampla do anteriormente concebido na visão econômica.
Hoque e Moll (2006) também defendem a necessidade da TER ser complementada com teorias sociológicas, para fazer sentido uma ação racional específica no processo decisório que leva em consideração as preferências individuais.
A exemplo, Guerreiro, Frezatti e Casado (2006, p.10) relatam que gestores não usam novos modelos teóricos que permitam a otimização dos resultados, porque “(i) os modelos não são adequados, ou (ii) os gestores não são guiados prioritariamente pela racionalidade econômica, ou seja, outros fatores de importância igual ou superior exercem influência sobre eles”.
Porém, os autores afirmam que a racionalidade econômica dos indivíduos e dos agentes advindas da influência da escola neoclássica foi transferida para as empresas, fazendo com que funcionários, gestores e proprietários das empresas fossem considerados agentes econômicos racionais. E um ramo da contabilidade que passa informações que podem ser utilizadas para racionalizar uma decisão é a Contabilidade Gerencial, que tem “a missão de prover informações adequadas para que os tomadores de decisões maximizem o resultado econômico de suas decisões”(GUERREIRO, FREZATTI, CASADO, 2006, p.10).
No entanto, a ação da tomada de decisão é uma função crítica da gestão, pois constantemente os gestores são obrigados a tomar decisões (HOQUE, MOLL, 2006). Seguindo a otimização proposta pela Teoria da Escolha Racional,apresenta-se o procedimento típico do processo de decisão na Figura 3.
Figura 3 –Um modelo típico racional do processo decisório com elemento de controle do feedback.
Fontes: Hatch, M.J (1997), Organization Theory: Modern Symbolic and Post Modern Perspective. Oxford University Press, Oxford, p.273 (tradução livre)
Conforme observado em algumas obras na literatura (STONER e FREEMAN, 1999; CHIAVENATO, 2004; FIGUEIREDO e CAGGIANO, 2008; PADOVEZE, 2011; NASCIMENTO e REGINATO, 2009) existem diversos modelos de processo de tomada de decisão. Contudo, o processo de tomada de decisão tem um caminho a ser percorrido, que conforme Figueiredo e Caggiano (2008)é uma sequência lógica de etapas que expressam a racionalidade com a qual os gestores buscam soluções ótimas para os problemas da empresa.
Esta sequência lógica de etapas ou caminho mental citadas pelos respectivos autores correspondem às fases percorridas para a devida tomada de decisão. Os autores sintetizaram as fases deste processo da seguinte maneira: definição do problema, obtenção dos fatos, formulação das alternativas e por fim, ponderação e decisão. Já Chiavenato (2004) definiu as etapas da seguinte forma: identificar a situação; obter informação sobre a situação; gerar soluções ou cursos alternativos de ação; avaliar as alternativas e escolher a solução ou curso de ação preferido; transformar a solução ou curso de ação escolhido em ação efetiva; avaliar os resultados obtidos.
Contudo, segundo Nascimento e Reginato (2009), em uma organização as decisões são tomadas em todas as etapas do processo da gestão, desde o planejamento estratégico, ao planejamento operacional e orçamento. Assim, segundo os autores, as decisões são realizadas seguindo um modelo básico que orienta os gestores quanto às etapas que devem ser seguidas no intuito de solucionar os problemas inerentes às operações da empresa.
Definição do Problema
Avaliação das Alternativas
Implementar a alternativa
As etapas propostas pelos autores são as seguintes: constatação do problema, familiarização e análise do problema, identificação das alternativas de solução, simulação dos resultados potenciais de cada alternativa, escolha da melhor entre todas as alternativas, implementação da escolha efetuada e controle da implementação e feedback.
Embora as etapas de processo decisório demonstradas difiram com relação às etapas propostas e/ou quantidade de etapas, elas contêm a mesma essência e objetivam um modelo de decisão no qual supra as necessidades informacionais dos seus usuários, e que permita aos gestores tomarem a decisão mais acertada, no qual resultem em resultados positivos para a empresa envolvida.
Porém, deve-se salientar que segundo Simon (1957) o processo de tomada de decisão baseado na racionalidade econômica da Teoria da Escolha Racional tem a sua “racionalidade limitada”, pois, conforme Siqueira (2004, p. 181) “à medida que aumentam as alternativas observadas e os critérios pelos quais elas são avaliadas, é comum que as pessoas se confundam, passando a cometer erros nas sucessivas comparações realizadas e até mesmo na decisão final”.Assim, quando há um aumento do número de alternativas distintas fica mais difícil de manter a racionalidade.
Neste contexto, Simon (1957, p. 198) argumenta que:
A capacidade da mente humana para formular e resolver problemas complexos é muito pequeno em comparação com o tamanho dos problemas cuja solução é necessária para o comportamento objetivamente racional no mundo real – ou mesmo para uma aproximação razoável da tal racionalidade objetiva.
Deste modo, Simon, para enfrentar críticas à racionalidade econômica, combinou a perspectiva econômica baseada nos pressupostos do modelo econômico racional com a literatura de psicologia, desenvolvendo o conceito da dita “racionalidade limitada”.
Assim, baseado no atual contexto empresarial, em que as mudanças são recorrentes e o tempo de aprendizado é reduzido para reação aos desafios apresentados, o que acarreta o julgamento e a tomada de decisão serem etapas críticas do processo gerencial (MACEDO et
al., 2007), a racionalidade oriunda da Teoria da Escolha Racional deve ser levada em consideração no processo decisório. E a contabilidade e suas práticas aparecem como uma base racional para a tomada de decisão (HOQUE, MOLL, 2006), principalmente, no intuito do alcance da otimização que causa a maximização ou minimização da utilidade, que segundo Coleman (1990) e Ryan (1999) é a chave desta teoria.
2.2 ARRANJO PRODUTIVO LOCAL
Arranjos Produtivos Locais (APL), segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC (2012) são grupos territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais que possuem os seus objetivos voltados para um segmento de atividade econômica, envolvendo interações entre as entidades relacionadas. Estes grupos podem ser fornecedores, produtores de bens e serviços ou comercializadores, e envolvem uma cadeia de interessados no ramo da atividade econômica estabelecido.
Estas aglomerações de empresas em áreas geográficas com objetivos voltados a uma atividade econômica são objetos de estudo e debate emdiversas áreas do conhecimento. No entanto, a referência histórica para os estudos relacionados a estas aglomerações éAlfred Marshall (1890), que segundo Kukalis (2010) “foi o primeiro estudioso a investigar a concentração de comércios especializados em certas localidades”.
Estas localidades mencionadas por Marshall foram os distritos industriais ingleses, que posteriormente foram denominados como “Distritos Marshalianos”. Marshall referiu-se a estas concentrações regionais ou locais de negócios como aglomerações que geram externalidades positivas, que derivam de três fatores: disponibilidade constante de mão-de-obra especializada, empresas especializadas em diferentes estágios do ciclo de produção, e acesso facilitado aos recursos produtivos.
Neste contexto, Daletese, Arbex, Chaves (2012) defende que para ser considerado um APL é necessário que os aspectos setoriais e geográficos estejam concentrados, pois, caso o contrário trata-se apenas de empresas que atuam em setores e geografias de maneira dispersada.
Assim, conforme Stainsack (2005), um APL deve ter uma quantidade significativa de empreendimentos e indivíduos que operam sob uma atividade produtiva e atuam em um mesmo território, e que atuam compartilhando o conhecimento percebido da cooperação e mecanismo de governança, podendo ter empresas de pequeno, médio e grande porte.
Deste modo, Correia, Mariani, Ferreira (2012, p.191) definem APL como uma “aglomeração deempresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam num mesmoterritório”, e que conforme os referidos autores, os APLs conseguem sustentar vínculos de “articulação, interação, cooperação eaprendizagem mútua, havendo a parceria de instituições locais como Governo,sindicatos, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa”.
Devido os benefícios gerados por um APL, conformeGaldámez, Carpinetti, e Gerolamo (2009) há uma tendência dos países promoverem a concentração de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que atuam sob o mesmo tipo de negócio ou atividade econômica, e este fenômeno de aglomerações de PMEs é denominado na literatura como Clusters, no entanto, os autores ressaltam que o termo mais comum no Brasil é o de Arranjo Produtivo Local (APL).
Estas aglomerações de empresas podem ser definidas como rede de cooperação,
Cluster ou APL, contudo, as definições existentes na literatura tratam-se de inúmeras variações conceituais análogas (STAINSACK, 2005), mas que conforme Zen (2010) diante as diferentes denominações, o termo cluster é possivelmente o termo mais difundido na literatura.
Porter (1999, p. 211), conceitua Cluster como “um agrupamento geograficamente concentrado de empresas inter-relacionadas e instituições correlatas numa determinada área, vinculadas por elementos comuns ou complementares”. Mas que conforme o autor esta concentração pede contemplar apenas uma cidade, cidades vizinhas, uma região de um país, todo o país, ou até uma rede de países próximos.
Porém, estas aglomerações não são vistas na literatura apenas no sentido de empresas especializadas em uma determinada atividade econômica que são localizadas em uma região no qual conseguem obter vantagem competitiva. Krugman (1995) relata que os clusters não são vistos apenas como fluxos fixos de bens e serviços, mas sim como dinâmicos arranjos baseados em criação de conhecimento, retornos crescentese inovação em um sentido amplo.
Seja considerado APL ou clusters, Matos e Machado (2013) consideram ambas como novas formasorganizacionais que podem possibilitaras micro e pequenas empresas a conseguir ganhos em economias de escala de escopo, devido elas se tornarem altamente competitivas.
Vilela Junior (2010) corrobora com esta assertiva ao identificar em seu estudo a importância do conhecimento criado no nível do cluster para o desenvolvimento coletivo. Da mesma forma, Malhota, Gosain, e Sawy (2005) também identificaram que a criação de conhecimento em nível Inter organizacionalpermite vantagens operacionais de curto prazo e também vantagens duráveis.
Em relação a vantagens para empresas de APLs, Galdámez, Carpinetti, e Gerolamo (2009) ressaltaatravés dos resultados da sua pesquisa que o uso da avaliação de desempenho em APLs é uma técnica que quando utilizada de forma integrada a um sistema de melhoria continua, faz com
que as empresas dosAPLs tenham uma gestão colaborativa e chegam a conseguir um aprimoramento da tomada de decisão.
JáDiez-Vial (2011) identificaram em seu estudo com 265 empresas componentes de um Cluster espanholque à medida que o número de empresas vizinhas aumenta, o desempenho aumenta, e que a proximidade com as empresas maiores da região beneficia empresas menores.
Nesta mesma vertente, Sörvell (2007) constatou em sua pesquisa que na Europa existe uma relação importante entre a especialização regional,ainovação eodesempenho. O autor verificou ainda que as regiões da Europa sem clusters tem um desempenho pior do que as regiões da Europa onde existemclusters. Outro resultado constatado pelo autor foi que o desempenho econômico de uma região não é explicadosó pelo grau de resistência do cluster, mas também por outros aspectos do ambiente empresarial, como a pesquisa de trabalho, a qualidade e a formação, bem com o acesso ao capital de risco e de infraestrutura avançada. Assim, estas regiões têm um maior nível de desempenho em termos de inovação. O autor também relata que os efeitos da urbanização estão indiretamente relacionados com a inovação, principalmente através da capacidade das universidades em pesquisa e desenvolvimento.
Observando o contexto brasileiro, Matos e Machado (2013) em pesquisa realizada com as empresas do APL de confecção da cidade de Toritama-PE, verificaram que os empresários desse arranjo são estrategistas que apresentaram um novo estilo de gestão por spin-off, devido as empresas de micro e pequeno porte serem mais flexíveis, de forma a responder mais rápido as demandas ambientais e também terem conseguido se especializarem em competências específicas
Como contra-ponto observa-seDaletese, Arbex e Chaves (2012) em estudo realizado com empresas do APL de utensílios domésticos e produtos em alumínio do Sudoeste do Paraná identificaram que os empresários desta região entendem o planejamentoestratégico como algo que não agregam ao trabalho da empresa, os autores desta pesquisa lamentam o comportamento identificado, pois para eles este é um fato que evidencia uma fragilidade das organizações diante os riscos naturais de um negócio.
Em outra pesquisa também realizada no APL de Alumínio do Sudoeste do Paraná, porém realizada por Correia, Mariani, e Ferreira (2012) também foi identificado que as empresas deste arranjo não tem a prática de utilizar o Sistema de Gestão da Qualidade sobre os seus produtos, e utilizam poucas ferramentas de gestão.
Desta maneira, observa-se na literatura diversos benefícios provenientes da prática de atuação produtiva e econômica em formato de APL, contudo, também identificasse alguns procedimentos inadequados que podem prejudicar as empresas destes arranjos.
2.2.1Arranjo Produtivo Local Gesseiro
O estado pioneiro no país na produção gipsita e de gesso foi o Rio Grande do Norte, o qual iniciou suas atividades em 1938 e conseguiu o monopólio deste mercado durante 20 anos (CUNHA, et al., 2008). Contudo, na década de 60, Pernambuco assumiu a posição de maior produtor nacional e mantém esta posição até hoje (SINDUSGESSO, 2012).
O Polo Gesseiro do Estado de Pernambuco compreende as cidades de Araripina, Ipubí, Ouricuri, Bodocó e Trindade, as quais ficam situadas no extremo oeste do Estado, sendo equidistantes cerca de 800 km das principais capitais (Recife, Salvador, Fortaleza, Aracaju, Maceió, João Pessoa e Natal). (SINDUSGESSO, 2012).
Este polo é considerado tanto em âmbito estadual quanto federal como Arranjo Produtivo Local-APL. Ele tem uma reserva estimada 1,22 bilhão de toneladas o que corresponde a uma das reservas mais expressivas do mundo e a maior medida no Brasil (FALCÃO, 2009).
A produção de gesso desta região quando comparada a produção mundial, chega a cerca de 45% da produção mundial de gesso, fazendo com que essa região seja considerada uma das maiores jazidas do mundo (ANDRADE, FARIAS, MOUTINHO, 2013).
No entanto, o desenvolvimento desta região e a afirmação deste aglomerado de empresas como um APL competitivo deve-se principalmente à inovação tecnológica dos seus produtos e processos, que foi fruto do acesso dos participantes deste conglomerado a órgãos de financiamento, e da representação exercida pelo Sindusgesso (filiado a FIEPE - Federação da Indústria do Estado de Pernambuco) que colocou este Arranjo na agenda de políticas de desenvolvimento do Estado efortaleceu as articulações institucionais (REDESIST, 2012).
Porém, o fortalecimento deste APL não se deve apenas aos agentes supracitados, pois este arranjo foi objeto de incentivo tanto no âmbito estadual quanto federal. A REDESIST publicou em 2012 um mapeamento dos APLs de Pernambuco para a formulação de políticas de apoio. Neste relatório encontra-se o seguinte diagnóstico dos atores que compõem o APL gesseiro da região do Araripe:
1. Empresas do setor constituídas em três grupos: as grandes empresas que normalmente têm acesso às linhas de crédito do sistema bancário, as pequenas e médias empresas associadas ao Sindusgesso, que recebem apoio das instituições de fomento às inovações, e as microempresas informais, com ciclo de vida (mortalidade) muito curto;
2. Entidades representativas e associativas das grandes e médias empresas,respectivamente: Sindusgesso e Assogesso;
3. Consórcio de exportação Apex, em torno do qual as entidades cooperam entre si para atingir o mercado internacional.
4. Unidade de Negócios do Sebrae em Araripina que apoia de forma permanente as ações dos atores já listados;
5. Em torno deste núcleo, há ainda um sistema de C&T representado pelo Itep e Senai, com ações de capacitação técnica e gerencial e processos inovadores desenvolvidas no Centro Tecnológico do Itep. O experimento tecnológico em sistema construtivo de gesso foi desenvolvido pelo Itep em parceria com a Caixa Econômica Federal, como projeto piloto para construção massiva de moradias populares utilizando esta tecnologia. (REDESIST, 2012, p. 40)
O pólo gesseiro além de ser considerado um APL pelos entes públicos, e ser o maior produtor do gesso consumido no país, segundo Luz e Lins (2005) as jazidas de minério da região do Araripe apresentam uma excelente condição de mineração, assim como, também tem o minério de melhor qualidade do mundo. Deste modo, percebe-se que além de sua reconhecida importância e grande capacidade de exploração, este arranjo também oferece uma qualidade de seus produtos que podem abrir novos mercados consumidores.
2.3 UTILIZAÇÃODAS DIMENSÕES DE PESQUISA
A contabilidade e a gestão são interligadas, e as suas técnicas quando utilizadas serão úteis não apenas para o atendimento das obrigações fiscais e trabalhistas, mas principalmente no processo de tomada de decisão, proporcionando prever problemas, permitindo com que os gestores solucionem possíveis problemas tomando medidas preventivas (HALL,et al.,2012)
Deste modo, dentre as diversas funções e ferramentas que possui a contabilidade, foram escolhidas como objeto de estudo desta pesquisa a gestão de custo e formação de preço de venda, a gestão de caixa e a gestão de risco operacional. No quadro a seguir são apresentados autores que conceituam as ferramentas foco desse estudo.
Quadro 1– Autores que defendem o uso das ferramentas escolhidas DIMENSÕES DA
PESQUISA NACIONAIS AUTORES INTERNACIONAIS Gestão de Custo e Formação de Preço de Venda Figueiredo e Caggiano(2008); Crepaldi (2008); Catelli (2009); Callado e Callado (2008); Padoveze (2011) Souza (2011) Porter (1989); Upchurch (2000); Thompson, e Strickland(2012).
Gestão de Caixa Figueiredo e Caggiano (2008); Padoveze (2011); Silva (2010).
Brigham e Gapenski (1994); Gitman (1997);
Roehl-Anderson e Steven M. Bragg (2005).
Gestão de Risco Zonatto e Beuren (2010) Assaf Neto (2009); Padoveze (2011);
Oliveira, Perez Jr. e Silva (2011);
Brigham e Gapenski (1994); Jorion (2003);
Roehl-Anderson e Steven M. Bragg(2005); Damodaran (2010).
Fonte: Dados da pesquisa (2014)
Diante aos objetivos desta pesquisa, a revisão da literatura realizada descrita nos capítulos a seguir descrevem a base conceitual utilizada para a construção do questionário utilizado para coleta de dados desse estudo exploratório.
2.3.1Gestão de Custos e Formação de Preços de Venda
Dentre os procedimentos gerenciais, a gestão estratégica dos custos é de suma importância no auxílio aos gestores no processo de redução de custos e no fortalecimento de sua posição estratégica (CAVALCANTI, FERREIRA, ARAUJO, 2013).
A competente gestão da contabilidade de custos melhora a qualidade das decisões, auxiliam no controle dos custos dos processos da empresa, dando visibilidade a possíveis gargalos. Neste contexto, Santos, Alves e Barreto (2012) relatam que para a empresa deter uma vantagem competitiva em relação às outras, é necessário que ela melhore a sua gestão e o controle dos seus custos, o que garante que ela detenha simultaneamente a sua sobrevivência, crescimento no mercado, e lucro.
E o ramo da contabilidade que aborda o controle dos custos é a contabilidade de custos,que segundo Silva et al.(2011) ela permite com que a empresa utilize as suas contas para esclarecer os seus custos fabris, serviços, e os custos das várias funções do negócio, com o objetivo de alcançar uma operação eficiente, econômica e lucrativa, e conforme os referidos autores o seu objeto principal é o de determinar o custo de cada produto vendido ou serviço prestado.